Draco acordou e, surpreso, não sentiu o peso com que dormira. Olhou ainda atordoado em volta procurando pela presença de Lorenzo, mas só conseguia ouvir seu choro fino ao fundo. Apertou mais as pálpebras sobre os olhos e forçou se levantar do sofá. O menino agora estava sentado com os cotovelos arqueados para cima apoiados nos joelhos e sustentando o rosto pálido e ainda um tanto amassado. Abriu os olhos esperando que a luz do dia não o atrapalhasse, mas percebeu que o sol ainda nem havia nascido. ”Que ótimo, o bebê Granger já começou a me dar problemas”. As almofadas todas ainda continuavam no chão ao lado do sofá e os edredons também. Era simplesmente estranho pensar que Hermione o tivesse coberto durante a noite, então preferiu acreditar que ela estava somente aquecendo seu filho.
Por um momento se esqueceu do que estava aconteceu e procurou pela presença de um segundo bebê dentro do dormitório, mas não o encontrou. Nem mesmo Malfoy sabia explicar porque correu o mais rápido possível até o seu quarto, mas foi só se debruçar sobre o berço de seu filho que logo entendeu o motivo. Algo tão forte quanto o que sentiu por Lorenzo agora o invadia com mais força, porém mais doçura. O menino deitado no berço estava sorrindo tão perfeitamente que era impossível dizer que aquele não era seu filho.
-Ahhh, eu tive um menino! EU TIVE UM MENINO! – gritou Draco sem conseguir conter a alegria que estava sentindo.
– Espere até a Sra. Narcisa saber disso, BigBoy! Eu já até consigo te ver reinando sobre todas as outras empresas no mundo bruxo e, quem sabe, até no mundo trouxa... Pelo jeito esses dois andarão se unindo cada vez mais conforme os anos forem passando...
Agora ele admitia essa realidade mais para si mesmo do que para seu filho. Ele continuava dormindo tão tranquilo quanto na noite anterior. Draco se perguntava o porquê de Granger não tê-lo avisado que tinha tido um menino, não tê-lo entregado a ele. Procurou pela bolsa de seu pequeno e a descobriu sobre a cama. Parecia que quem a tinha deixado lá o fez com a pressa necessária pra ser capaz de fazer com que tudo lá dentro se espalhasse pela cama do loiro.
-Quer dizer que seu nome é Cassian ? – disse se sentando na própria cama e vasculhando os itens sobre ela. – Estranho, acho que eu nunca havia visto esse nome antes... Será que foi sua mãe quem escolheu?
Cassian se mexeu um pouco e, como se reconhecesse a voz do pai, despertou de seu sono profundo soltando pequenos gemidos que antecediam o choro. Draco, ágil, foi até o berço e o encarou como antes fizera com Lorenzo e, logo, o menino parou de grunhar.
-Você é mesmo um Malfoy, filhote ... Tenha certeza disso!- Draco passou a mão sobre a barriga do filho e conseguiu tirar um sorriso lindo dos lábios do menino. – E olha isso, com essa carinha fofa ainda será mais galanteador que o pai, tenho certeza! Ele pegou o menino no colo e apoiou sua cabeça sobre o ombro direito. Arrumou todas as outras coisas sobre a cama dentro da bolsa e a colocou no outro ombro. Parecia que já tinha feito isso antes, mas agora não se sentia estranho ou deslocado. Sentia-se importante pela vida de alguém, e sabia que ter cuidado de Lorenzo no dia anterior tinha sido decisivo para que se sentisse assim.
-Você é muuuuuito mais bonito que o bebê da Granger, Filhote! Espere até estar lado a lado com ele e verá como os Malfoys se resaltam dos outros! – abriu a porta e logo pôde ouvir o choro de Lorenzo. Cassian, instantaneamente se mexeu no colo do pai – Viu, ela não consegue nem fazer com que o menino fique quieto...
Enquanto descia as escadas, Malfoy percebeu que o céu afora da janela já se tornava mais iluminado do que antes, era um bom sinal, porém logo as aulas começariam e todos aqueles bebês juntos chorando o dariam no nervo. É claro que Cassian não seria assim.
-Hey, Granger ? Precisa de ajuda pra manter seu filho quieto ?
-Arrg, vejo que acordou de mau humor, Malfoy... – gritou Hermione de dentro da pequena cozinha anexa ao dormitório.
-Como eu não teria acordado, se assim que abri os olhos seu filho já estava chorando. Tenho quase certeza de que foi isso que acordou o meu! – Draco agora se aproximava da porta da cozinha e logo pôde ver Hermione tentando manter um olho na panela de leite fervendo e o outro em seu filho.
-É ai que se engana, Malfoy. De madrugada o Cassian acordou. Acho que estava apenas assustado... Começou a chorar tão forte que logo Lorenzo também acordou... – Hermione parecia atarefada e corria com sua fala – Agora, faça o favor de me explicar como que, com 2 bebês chorando histericamente na sala, um deles em seu colo, você não acordou ?
Draco tentou se lembrar do que havia acontecido na noite anterior mas apenas se lembrava de ter deitado no sofá com Lorenzo. Ele puxou uma das cadeiras e sentou-se para, em seguida, apoiar a bolsa de Cassian sobre a mesa.
-Eu não sei, Granger... Sei que seu filho parecia impaciente ontem de noite e tive que descer com ele para que ficasse quieto. – exagerava Malfoy.
-Há, não duvido que isso tenha mesmo acontecido. Nem acredito que submeti meu filho a sua companhia. Tem certeza de que não o deixou cair nenhuma vez, Doninha ?
-Tenho sim, Granger... Mas se minha companhia era tão nociva assim, porque não me acordou e tirou Lorenzo de mim assim que chegou ?
Hermione pensou seriamente antes de se explicar para Malfoy. Se dissesse o que realmente havia pensado na noite anterior era bem capaz de que ele tirasse proveito para fazer piadas e, assim, Hermione seria tida como tola.
-É bem simples... Ahn, é que o Lorenzo... Não, é que o Cassian... - a morena se enrolava mais.
-Confessa Granger! – interrompeu Malfoy – Eu estava cuidando bem do Lorenzo e você não teve coragem de tirá-lo de mim!
-Foi um pouco disso também, Malfoy... Mas eu estava mais preocupada que Lorenzo se assustasse e acabasse por acordar o Cassian.
-Ele estava dormindo ontem ?
-Estava dormindo desde que me deram ele. Veio dormindo o caminho inteiro, você precisava ver e... – Hermione se deu conta de com quem estava falando e resolveu se retrair. De que adiantaria dividir uma memória feliz com alguém como ele ?
-Eu sei Granger, ele é lindo. Viu o sorriso ? – Malfoy pegou o menino com as duas mãos e afastou seus braços afim de olhar direto em seus olhos – Ele é, com certeza, um Malfoy !
-Segura a cabeça dele, Malfoy ... – disse Hermione, soltando a panela e correndo em direção ao loiro. Sua mão apoiou a cabeça de Cassian no exato timing em que ela pendeu para trás. – Você é louco ?
Hermione então pode ver que o sorriso sarcástico continuava nos lábios do pequeno Malfoy, então ela teve que concordar que ele realmente era filho de Draco. Porém foram os olhos do menino que tomaram a atenção de Hermione.
-Ele não tem os seus olhos, Malfoy... – ela disse, um tanto preocupada.
-Eu sei, parece que só herdou de mim a beleza, o sangue e personalidade. Graças a Merlin me livrei de casar com a Pansy – disse Draco enquanto aconchegava Cassian em seus braços – Se não este lindo aqui teria nascido com cabelos negros...
-E de onde vêm esses olhos azuis ? – Dizia Hermione, intrigada ainda com a cor dos olhos de Cassian.
-Da minha Mãe, Granger... É ÓBVIO ! – respondeu Malfoy - Como não pôde ver isso ?
-Ah, me desculpe... Mas eu não costumo olhar muito nos olhos daqueles que me aprisionaram e torturaram em sua própria casa...
-ELA NUNCA FEZ ISSO, Granger ! Quem te torturou esse tempo todo foi Bellatrix, enquanto minha mãe estava o tempo toda apenas preocupada em fazê-la desistir da ideia...
-Como espera que eu acredite nisso ? Realmente, Malfoy...
-Granger, você se acha muito esperta. Acha que soube de tudo que acontecia naquela mansão o tempo todo, acha que apenas você e seus amiguinhos foram machucados. Tem a Mansão invadida não foi uma honra para minha família, Sangue-ruim... Foi um castigo! Depois do que tinha acontecido a três anos Voldemort não queria mais saber da lealdade do meu pai, queria apenas saber do poder. E tenha certeza de que ele passou por cima de todos que o impediam. Mas o que você não sabe é que ele passou por cima de quem era imparcial também...
-E agora quer que eu acredite que você e sua família eram imparciais também ? Poupe-me ! – Hermione se sentou também, colocando a cadeirinha onde Lorenzo continuava chorando bem a sua frente. A morena tentava balança-la com as mãos e acalmar seu filho.
-Isso é suficiente, Granger ? – disse o loiro se levantando e puxando a camisa de botões sobre as próprias costas. Ele se virou e então pôde perceber que a cor havia sumido do rosto de Hermione. Agora ela sabia de algo que nem mesmo Blaise sabia.
As marcas eram tão profundas que ainda estavam vermelhas. Nem mesmo a poção mais forte fora capaz de cicatrizar o interior das feridas. Hermione reconheceu que os machucados não foram causados com magia. Reconheceu que aquilo eram facadas. Mas toda aquela vermelhidão e o relevo que as escoriações possuíam deixavam claro que o uso excessivo de magia na tentativa de cura só piorara a situação.
-E, pelo amor de Merlin, Granger! – gritou Malfoy, se virando de frente novamente – Cala a boca desse bebê !
-Eu acho que ele esta com fome, mas... – Hermione disse assustada. Porque toda vez que entravam em conversas mais intimas o loiro acabava gritando daquela forma ? – Eu acho que não fiz a coisa certa e...
-Claro que não fez a coisa certa, Granger. Olhe para isso ! – Draco apontava para a panela de onde escorria uma espessa espuma de leite fervido e o cheiro de queimado já invadia o lugar. Surpreendentemente Malfoy estendeu Cassian aos braços de Hermione esperando que ela o segurasse. – Parece tão inteligente, Granger... Mas não é capaz nem mesmo de cuidar disso !
-O que vai fazer, Malfoy ? – disse Hermione, aconchegando Cassian em seu colo.
-Isso aqui, Granger! – disse Draco jogando todo o conteúdo da panela pelo ralo da pia e deixando a água cair sobre ela. – A não ser que queira tocar fogo nisso tudo. É isso que quer ?
-Não... Claro que Não!
-Vamos para a sala que isto aqui vai encher de fumaça. Pode não ser bom para eles. – Draco pegou a cadeirinha com Lorenzo no braço e se dirigiu para a saleta.
Agora a fogueira já não mais queimava e o sol já tinha aparecido claramente no céu da Grã-Bretanha. Draco se sentou no sofá e apoiou a cadeira com Lorenzo sobre o sofá. O menino continuava chorando, mas assim que sentiu o toque de Draco o tirando da cadeira seus soluços diminuíram e as lágrimas sentidas pararam de rolar. Hermione caminhava na direção dos dois assim que fechou a porta da cozinha, impedindo que a fumaça alcançasse os narizes sensíveis dos dois pequenos. Cassian permanecia acordado em seu colo, mas agora o sorriso que exibia desde ontem tinha desaparecido. A morena então se sentou no sofá do outro lado e prestou atenção no bebê em seu colo. Cassian agora estava atento em cada movimento da menina, seus olhos estavam grudados nos olhos castanhos de Hermione.
-Malfoy, eu não entendo...
-O que foi, Granger ? – disse Draco, deitando Lorenzo sobre suas pernas e apoiando a cabeça frágil do bebê com as mãos pálidas.
-Eu podia jurar que Cassian tinha olhos cinzas como os seus!
-E eu podia jurar que Lorenzo teria os seus olhos castanhos. Mas me parece que ele herdou os olhos do Weasley, não é? Graças a Merlin não nasceu mais um ruivo, hahaha!
-Não tem graça... Eu não me casei com Ron, Malfoy. Se estivéssemos casados nós teríamos que dividir a criança...
-Bem pensado, mas não fique tristinha – debochou Draco – tenho certeza de que conseguirá arranjar alguém tão asqueroso como ele em seu futuro!
Hermione agora já não prestava mais atenção no que Draco dizia. Cassian tinha apoiado a cabeça sobre os seios da morena e a sorria como Hermione nunca vira antes. A sensação que estar com ele trazia a ela era exatamente a mesma que sentia quando abraçava seu filho. Mas Lorenzo era diferente. Hermione sabia que ele era seu filho, então não estranhava a proximidade que existia entre os dois. Era apenas natural. Foi olhando no interior mais profundo dos olhos de Cassian que algo saltou aos olhos da morena, que se levantou se sentou-se ao lado de Malfoy no sofá.
-Hey, Granger... que intimidade é essa?
-Ainda esta com o meu filho, Malfoy!
-E você esta com o meu... Acho que estamos quites. – o loiro então devolveu a atenção a Lorenzo e continuou fazendo pequenas cosquinhas em sua barriga, como antes fizera com Cassian.
-Você não percebeu nada de estranho? Ele parou de chorar assim que você o pegou no colo. Justamente você!
-Passei a noite inteira de ontem com ele, Granger. Acho que ele reconhece que sou um pai melhor do que você é como mãe... – brincou Malfoy, mas percebeu que Hermione realmente tinha se tocado com a brincadeira.
-Malfoy, ontem você mal conseguia segurar um bebê no colo e, agora, o fez parar de chorar. Acho que a paternidade realmente te mudou...
-É claro que mudou! Mas acha que você já nasceu sabendo ser mãe, Granger? – Malfoy evitava levantar o olhar. Não queria que Hermione percebesse que as seguintes palavras eram mais verdade do que ele gostaria – Esse pequeno mudou a você também. Do contrário, quando neste mundo você me ajudaria com o Cassian ?
-Ele é só um bebê, Malfoy... Me pergunto como eu não ajudaria. Mas ele estava tão quieto quando cheguei no escritório da Diretora que nem parecia ter se perdido.
Malfoy se deu conta da proximidade dos dois e o rumo que a conversa estava tomando. Não era normal que uma situação assim acontecesse entre ele e Granger. Era estranho demais e, ele não queria admitir, mas estava se tornando confortável demais, mesmo que ainda houvesse os costumeiros adjetivos e o tom sarcástico na conversa.
-Por que ele estava lá, Granger? O que aconteceu para ele ter se perdido?E o que foi que McGonagall disse a você ?
-Vamos com calma, Malfoy... Ela disse que não sabia o porquê de Cassian não ter vindo para cá. Disse que já estava vindo me procurar quando eu apareci por lá. O que é simplesmente estranho, uma vez que o meu filho já estava aqui.
-Sim, estava comigo. Por isso ela deve ter achado que tinha ido procurar o seu. – Respondeu Malfoy, achando tudo simples demais.
-Acho que ficou surpresa, isso sim... Pediu que a gente parasse de brigar e gritar um com o outro. No fundo ela deve ter razão quanto a isso... – pensava consigo Hermione, quase se esquecendo de que Malfoy também estava presente, até que esse resolveu a tirar de seu refugio e perguntar:
-Como assim, Granger? Agora quer negar a natureza humana ? Hahahahaha... você está engraçada hoje!
-Não é isso, Malfoy! Será que não consegue perceber nada? Olhe como eles estão quietos! Não tem ninguém chorando, porque não tem ninguém gritando, se xingando ou explodindo objetos por ai!
-Aquilo foi antes deles chegarem aqui, Granger, e...
-Não importa, Malfoy. Eu não sei o porquê de Lorenzo ter se ligado a você e nem sei o porquê de Cassian ter se ligado a mim. Só sei que eu não gostaria de criar meu filho, mesmo que seja por apenas dois meses, em um ambiente de gritos e confusão.
-Não está querendo dizer o que eu acho que está, não é, Granger?
-O que eu quero dizer, Malfoy, é que estou disposta a te suportar pelo bem de Lorenzo. E pelo bem de Cassian também...
-Eu sinceramente não vejo isso acontecendo! Eu te odeio, você me odeia! É simples...
-Olha Malfoy... você é mais impossível do que eu achei que fosse.
-Ah, sou, Granger ? E como, exatamente você pretende fazer com que isso dê certo ?
-Primeiro você podia parar de ser tão impossível assim. Eu não vou te tratar mal se você não me tratar mal também. E, depois, tenho certeza que sua experiência de vida em uma casa desarmoniosa vai falar mais alto quando perceber que isso não é nada saudável para o seu filho...
-Ahhhhhh Granger! Você realmente acha que sabe tudo sobre mim, sobre a minha casa e sobre a minha família. Tenha certeza de que se eu tivesse sido tão influenciado pelo ambiente daquela mansão e as atitudes do meu pai eu já teria te batido. E, provavelmente, batido no seu filho também, por não ter calado a boca...
-Mas isso é horrível ! É... é – Hermione não conseguia realmente achar as palavras certas – É inadmissível. Não teria coragem de encostar a mão em mim, ou em um bebê !- Hermione nem percebia, mas se agarrava ao pequeno Cassian em seu colo como se ele fosse seu filho.
-CLARO QUE NÃO, GRANGER... – gritou Malfoy – Depois de tudo que passei ainda acha mesmo que sou um monstro! Já percebi que não vai mudar nada, mesmo que você queira o melhor pro seu filho. Já que é assim, tome ele aqui... não vai querer ele perto de alguém que trás tanta má influencia...
Hermione se calou, mas queria gritar e dizer que não era nada assim, ao mesmo tempo em que queria perguntar para o loiro a sua frente o porque dele nunca ter se aberto para contar tudo que já tinha sofrido. Era um querer bobo, uma pergunta idiota... Ela estava sendo idiota. Malfoy nunca fora seu amigo e, não era agora que sua família estava destruída, que ele iria começar a ser. A morena viu Draco deixando Lorenzo em sua cadeirinha novamente, esperando que ele se virasse para ela e tomasse o bebê de seu colo. Mas ele não o fez.
Draco ainda vestia o uniforme do dia anterior, totalmente abarrotado por ter dormido no sofá. As vestes não estavam sujas, mas a aparência do aluno não era a das melhores. Ele então pegou sua capa com o logo da sonserina e se dirigiu para a porta. Por um momento teve a impressão de que Granger fosse o impedir, mas apenas ouviu a voz dela lhe perguntando:
-Aonde você vai ?
-Não importa pra você, Granger. Devia realmente agradecer por eu estar saindo...
-Mas, e o Cassi...
-Fique com ele, você cuida dele! – o loiro então virou-se para a porta de novo, como quem já estava saindo – Não é a mãe exemplar e eu sou o errado, o malvado? E, aproveite, pois essa é a única vez que direi isso em voz alta, Granger... Você estava certa! Ele realmente gosta de você, então... sei que, agora, ele estará melhor com você do que comigo...
E então a porta pesada de madeira bateu com um estrondo gigante. Hermione a viu batendo segundos depois de Malfoy dar as costas. Ela sabia que ele não estava correndo de seu filho, não estava correndo da responsabilidade, não estava correndo de seu futuro. Draco estava correndo de seu passado, aquele que Hermione insistia em trazer pra cada situação, ele estava correndo dela. E ainda bem que o loiro não se descontrolou. Antes ir embora do que ficar e acabar criando uma situação pior.
O estranho era que, parecia que Malfoy tinha levado o ar restante na sala quando passou pela porta. Hermione olhou para Lorenzo a sua frente e Cassian em seu colo. Pela primeira vez, ela não sabia o que fazer. Hermione Granger não sabia o que fazer. E o mais duro não era ter de admitir isso a si mesma... Era saber que ela realmente tinha se apegado ao filho que não era seu da mesma forma que se apegara a Lorenzo. Dentro do seu coração sentia que isso era o certo, mas sua mente gritava que havia algo muito, muito errado nisto tudo!
Malfoy atravessou a porta que dava acesso à sala comunal da sonserina com mais raiva do que a tinha quando deixou seu dormitório. Ainda passava a mão sobre os cabelos quando subiu até o dormitório masculino a procura de Blaise. O encontrou dormindo calmamente em sua cama ao mesmo tempo em que a pequena criatura no berço ao seu lado berrava insistentemente por um pouco de afeto. Draco não conseguia mais pensar em crianças chorando, muito menos em se apegar a outro pequeno. Já bastava o filho da Granger, apesar de saber que nunca admitiria o carinho que nutria por ele.
-Acorda, Blaise ! – disse Malfoy, balançando o corpo do amigo ainda deitado – ACORDA !
-Ahn, o que ... o que ta acontecendo ? – disse ainda atordoado, tentando se sentar na cama.
-Adivinha, Idiota... tua criança ta chorando! E, pelo jeito – Malfoy olhou em volta e notou que os 3 eram os únicos ainda no dormitório – pelo jeito ela acordou todo mundo, menos você...
-Ah, cara... Ela não para de chorar desde ontem! – Blaise colocou as pernas para fora da cama e se levantou – Eu não sei mais o que fazer !
-Ah, você já tentou trocar a fralda ?
-Caraaaaaa, por que eu não chequei a fralda ? – ele pegou a pequena menina no colo e tentava balança-la da forma mais estranha possível – Eu sou muito burro!
-Haha, não acredito que ela tá com a mesma fralda desde ontem... Por que não trocou ?
-Você acha mesmo que eu sei como fazer isso ? Me de uma mulher e eu saberei trocá-la em 1 minuto. Me de um bebê e tenha certeza de que ele ira morrer de fome, assado e chorando ... – Malfoy ria do amigo, notando que exatamente o que o menino não queria tinha acontecido a ele – Você ri, não é ? Então venha me ajudar. Fica com essa pose de expert no assunto, então vem me ensinar !
-Ah, vai te catar, Blaise... Eu vim aqui esperando conselhos do meu melhor amigo e encontro outro bebê berrando no meu ouvido...
Malfoy saiu do dormitório masculino e percebeu que duas garotas sextoanistas estavam sentadas nas poltronbas abaixo dele.
-Hey, você de cabelo preto, pode vir aqui em cima um minuto ? – e depois voltou para dentro do quarto.
-O que você ta fazendo, cara ?
-Espera que você vai ser. – Malfoy sentou-se na cama – Se eu sou seu amigo é porque sei que nunca sobreviveria sem alguém esperto ao seu lado, Blaise...
-O que você quer ? – disse a garota analisando Malfoy de cima a baixo – Malfoy ?
-Connhece o Blaise aqui, certo ? Então... ele esta tendo alguns problemas com a criança dele e sei que aceitaria a ajuda de alguém tão bonita como você.
-Ajuda, minha, para que ?
-É simples, querida... Pode parecer estranho, mas esse cara grande aqui não consegue lidar com uma fralda suja. Mas eu tenho certeza de que ele saberá lidar muito bem com você como recompensa !
A menina olhou para Blaise, que estava parado ao lado do berço, com um olhar malicioso surgindo em seus lábios. Blaise soube retribuir o sorriso da forma exata para conseguir que a menina seguisse em frente com sua tarefa. Assim que ela se virou para trocar a fralda da pequena bebê, Blaise se sentou do outro lado da cama e os dois começaram a conversar:
-E então, caro amigo. O que te traz em nosso humilde dormitório, agora que você tem um apartamento só para você ?
-É exatamente isso. Se eu tivesse o apartamento só para mim, eu estaria bem. Mas agora tenho de aturar a Granger e aquele... berrento...
-Hahaha, quem ri por último ri melhor, sabia Draco? Você sabia que teria de aturar ela e, mesmo assim, aceitou o apartamento e o cargo de monitor. Mas, se os quartos são divididos, por que ela te enche tanto o saco ?
-Eu não sei, Zabini. Ela só consegue estragar qualquer tentativa de conversa que existe! Ela não cala a boca e consegue me tirar do sério !
-Como assim, tentativa de conversa ? – perguntou o amigo com um rosto bem conhecido por Malfoy .
-Ah, nada disso não ai que você ta pensando. Conheço essa tua cara!
-Ah, como não, Draco? Tentativa de conversa, entre você e a Granger ? Só pode ser isso...
-Não tem nada a ver com isso, Blaise. Nem me deixou explicar o que foi que aconteceu...
-Então fala logo, Draco... Agora me deixou curioso!
-É que ontem o Cassian não tinha sido entregue e, eu sei que parece ridículo, mas me desesperei e parecia obvio que a Granger tinha feito algo com ele, não ?
-Quem é Cassian, criatura ?
-Meu filho, Idiota ! Eu nem sei por que ainda venho procurar você por ajuda... sinceramente!
-Ah, e como é que eu devia saber disso se você não tinha me contado ainda ?
-Deixa pra lá... no fim, ela foi falar com a McGonagall sobre o meu filho e eu fiquei tomando conta do dela.
-O QUE ? HAHAHAHAHAHAHA – ria Blaise com gosto da cara do amigo – Isso é música para os meus ouvidos!! COMO ASSIM ? Só pode estar de brincadeira com a minha cara...
-Não, Zabini. Eu não to brincando! É por isso que vim falar com você... Sei lá o que esta acontecendo, mas, é estranho ter tomado conta do filho da Granger. É o filho dela, poxa...
-Mas, qual o problema então? Foi só por algum tempo, e agora ela cuida dele...
-O problema é que o moleque, não sei como, me chamou a atenção. E hoje, quando eu segurei o Cassian pela primeira vez, percebi que o que senti ontem por Lorenzo era quase o mesmo que eu senti por ele.
-Cara, e cadê o teu moleque?
-Ta com a Granger... – Draco se jogou para trás, deitando apenas as costas na cama e deixando a cabeça pensativa pendente para o lado .
-HAHA, você não ta me contando metade dessa história! Como assim o teu moleque tá com a Granger? O que ele ta fazendo com ela?
-Arggg, aparentemente a McGonagall disse ontem que eu e a irritante Sabe-Tudo devíamos parar de brigar pra não afetar o crescimento dos nossos filhos...
-Seus filhos ? O Cassian é filho dela também ? – perguntou Blaise assustado.
-CLARO QUE NÃO, Idiota! – Malfoy se levantou com uma feição mais assustada ainda – Você tá ouvindo o que eu to dizendo ?
-Ah, chega dessa história, vai ! Isso tudo não estaria acontecendo se você deixasse esse orgulho de lado e aproveitasse a chance com ela!
-Que chance ? Eu não tenho nenhuma chance com ela, Blaise. E nem quero uma chance... Eu só queria que ela me deixasse em paz !
-Ah, falow então, Apaixonado! – disse Blaise com um tom mais do que sarcástico na voz.
-Cala a Boca e pega logo a sua filha, seu irresponsável !
-Segura ela ai pra mim que eu vou trocar de roupa, por favor ? – disse Blaise passando pela menina de cabelos pretos e seguindo até seu malão – Ah, obrigada Querida. Nos vemos hoje a noite, ok ?
Draco estendeu as mãos e recebeu nelas a pena filha de Zabini. Pelo jeito ele havia casado com uma mulher branca, pois a filha não herdara o tom de pele característico de Blaise. Os cabelos eram bem escuros, assim como o da menina que acabara de sair. E os olhos da pequena eram como duas jabuticabas que brilhavam demais. Estava receoso com o toque da pequena, mas logo Draco se acostumou novamente. As mãos minúsculas apertavam ligeiramente o dedo do loiro, que achava graça e sorria levemente.
-Você se deu bem, Cara... Tua filha também é linda! Pelo jeito terá que aperfeiçoar sua poção do amor para conseguir fazer uma dessas...
-Há, muito engraçado, Malfoy. – disse Blaise, abotoando a calça do uniforme. – E, falando em beleza, como que o teu moleque é? Loiro e olhos cinzas ?
- Não, eu também esperava ele assim...
-NÃO ? E como ele é, então ?
-Ah, tem o cabelo castanho, mas não chega a ser escuro demais. Mas puxou o pai, tem o meu sorriso e tudo! Olhos azuis como o da minha mãe...
-Hey, para de viajar no menino, Draco. O moleque nem é de verdade ainda!
-Ah, é que você leva tudo na brincadeira, Zabini... Devia olhar isso tudo com outros olhos. Vai se apegar nessa menina aqui ! – Draco balançava a pequena que ria em seu colo – Ela veio pra cá com mágica, porque acha que não trás mágica consigo ?
-Você ta sendo mole demais... – Blaise se virou e encarou sua filha no colo do amigo – Mas que essa coisinha fofa é lindinha demais, isso é verdade, não é, Anne ?
Draco se levantou e entregou a pequena, que agora sabia se chamar Anne, para seu pai. Já ia se dirigindo para a porta quando Blaise ainda falou com ele:
-Nossa cara... você está horrível! O que aconteceu com a tua roupa, dormiu no sofá ?
-Se eu disse que foi isso mesmo que aconteceu você não acreditaria, então... Esquece, eu tenho que voltar pra pegar o Cassian antes do café da manhã mesmo, ai eu já aproveito e troco de roupa.
-Café da manhã ? Ta bem perdido no horário, né? Aproveita que tem uma cozinha pra você lá e vê se come alguma coisa... Agora não da mais tempo de nada.
-Valeu, e vê se não mata ela, ok? Ela é bonita e fofa, não te merece mas é sua filha do mesmo jeito!
-Ah, e obrigada por me arranjar a gatinha do sexto ano. Passo no seu dormitório mais a noite pra deixar a Anne com você, ok ?
-COMO ASSIM ? Lá já tem dois bebês, quer me arranjar mais um ?
-Ah, você me inventou essa menina ai, então você que dê conta da minha... Vai, Draco. Quantas vezes eu já te acobertei por causa das meninas mesmo ?
-Oooooooooook, você venceu, vai! – disse Draco se arrependendo no exato momento em que terminou de falar – Mas é bom voltar pra pegá-la antes do anoitecer. E se a Granger enlouquecer com isso a culpa não é minha...
-Falow, Amigão !!!- disse Blaise indo abraçar o amigo – Sabia que podia contar contigo!
-Hey, sai pra lá, Blaise. Posso ainda não ter pego a Granger mas ainda gosto de mulher, cara! – Malfoy disse com um sorriso no rosto, quase como se não tivesse reparado no “ainda” em sua frase. Quase, pois existia uma parte de si que se balançava quanto a morena. Ele só não havia notado a presença dessa parte ainda!
Hoje eu devia estar estudando pras minhas provas de segunda e terça feira, maaaaaaaaaaas eu entrei aqui hoje de manhã e vi os comentários. Resultado: não consegui ficar longe da fic e tenho certeza de que nem vou conseguir estudar. Se eu for mal, a culpa é de você ! UASHAUSHAUH’ brincadeira >< (só rezem por mim, ok ?)
MEU MERLIN, eu estourei uma garrafa de champagne assim que vi o comentário da Mariáh B. . Vocês tem noção do que é querer entrar na lista dela desde 2009 e agora descobrir que ela está lendo (e gostando ) a sua fic? Então, eu fiquei tão honrada por isso e tão feliz que acabei quebrando o silencio e postando a alegria no facebook.
O beijo especial de hoje vai para a Ariane, que deixou comentário também e, como saber, tudo isso é mais um incentivo especial. Espero que gostem do capítulo novo. A História tá quase pegando no tranco, e espero que agora as coisas se agilizem mais. Bom, beeeeeeeeijos pra vocês e obrigada, de novo, por lerem *---------* Boa Leitura!
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Layout: Carmem Cardoso Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License. Based on a work at potterish.com.