Hermione, por mais incrivelmente impossível que parecesse, acordou radiante. Mal podia esperar pelas aulas dessa semana e estava extasiada com a nova reunião com a Diretora nesta manhã. Tinha o pressentimento de que seria algo grande. Porque teriam colocado ao dispor tantos ingredientes e tantos livros, se não fossem dar aos novos monitores uma missão maior do que simplesmente manter a ordem na escola ? Com um simples toque da varinha, as bagunças da noite tumultuada do dia anterior já estavam dentro das gavetas e as almofadas sobre a cama. O quarto estava perfeito!
Desceu as escadas como um furacão. Tinha a certeza de que um novo bilhete apareceria no quadro de avisos do apartamento assim que ela acordasse, informando todos os horários necessários para as rondas daquele dia e da própria reunião com a Diretora. O barulho que o sapato da morena fez ao ser batido com pressa nos degraus da escada acordou Malfoy, que ainda permanecia deitado no tapete felpudo da sala.
-O que é isso, Granger ? Precisa acordar Hogwarts inteira mesmo ?- disse Malfoy, se apoiando em um dos braços e tentando levantar.
-Nossa, Malfoy... Você dormiu ai mesmo? –disse ela, tentando se aproximar.
-Mas é claro que dormi. Depois daquela poção duvidosa que você me fez tomar eu fui incapaz de me levantar!
-Que poção Malfoy ? –ela perguntou e olhou para a caneca ao lado do loiro. Ela estava vazia- Isso não era poção alguma, loiro aguado. Isso era só um chá de morango com canela!
-Então porque que eu não conseguia me levantar para ir dormir, Granger ? Pare de mentir...
-Malfoy, você estava tão cansado ontem de noite que a propriedade relaxante do chá deve ter feito mais efeito em você do que esperava... Mas, para qualquer outra pergunta, foi você quem se arriscou a tomar algo que eu te fiz. Foi uma escola sua....
-Ahhhhhhh Granger...-ele disse ao mesmo tempo que se deixava cair novamente no tapete- Eu não estou com saco pra discutir com você.
-Nem saco e nem tempo, Malfoy. Vamos ficar atrasados. O recado no quadro de avisos diz que a reunião foi remarcada para depois do café da manhã. Isso quer dizer que é melhor levarmos os nossos livros para o café, não vamos ter tempo para voltar para cá antes de falarmos com a diretora.
-Calma Granger... Livros e reunião, café e aula e Diretora assim logo de manhã ? Eu ainda preciso tomar meu banho...
-Hahahahahaha, quero ver você entrar no banho assim, Malfoy... Esqueceu que o meu sangue sujo estragou o sistema de água ontem de noite?
-Ainda bem que admite que foi mesmo você, Granger... Então me deixa, pelo menos lavar o rosto.
-Trocar de roupa é uma boa opção também, Malfoy. A não ser que o “ser superior” esteja acostumado a andar pelos corredores de Hogwarts de pijamas.
-Muuuuito engraçada, Granger... Me de licença, vai! –disse o loiro, já indo para as escadas, destinado a lavar o rosto e trocar de roupa para dar inicio ao dia.
-De licença ? Nossa, acho que seu pai vai ficar muito feliz em saber que agora você se usa da educação para comigo ...
A raiva nos olhos do loiro foi instantânea e claramente reproduzia por todos os músculos de Malfoy. Ele já estava com a mão na maçaneta da porta de seu quarto, mas virou bruscamente ao ouvir a “piada” de Hermione e sua mão direita foi instantaneamente para a varinha no bolso de seu pijama.
-Confringo – conjurou Malfoy, com um movimento rápido em direção à Hermione.
-Você enlouqueceu, Malfoy ? O QUE FOI ISSO ? –ela perguntou tentando se recuperar do susto. O Feitiço foi bater na lareira ao lado de Hermione e destruiu completamente o arranjo de flores no vaso acima dela. O jato dourado por pouco não a atingiu.
-NUNCA MAIS FALE DOS MEUS PAIS, SANGUE- RUIM. – a esse ponto Malfoy já bufava, mas seus músculos já tinham relaxado e a mão em torno da varinha não estava mais tão apertada quanto antes. – Eu posso fazer com que você se arrependa muito de fazer isso!
Malfoy virou as costas e entrou em seu quarto sem dizer mais nenhuma palavra a Hermione. Essa se encontrava assustada demais para continuar a discução. Pelo jeito o ponto fraco de Malfoy era seus pais, mas a morena percebeu que não poderia se usar desta descoberta para ganhar alguma discução contra o loiro. Afinal, será que a intenção era mesmo explodir Hermione, ou o jato fora direcionado ao vaso mesmo. “Acho que ele só estava tentando me assustar. Bem, ele conseguiu”.
Saindo pela porta do dormitório, Hermione chamou sua bolsa com todos os livros das aulas do dia através do Accio e decidiu que não esperaria pela boa vontade de Malfoy em descer as escadas. Ele que fosse sozinho e de preferência, bem longe dela. O ato súbito de Malfoy realmente a tinha assustado. Ainda era um longo caminho até o salão comunal, mas pelo menos ela poderia voltar ao tempo em que a única preocupação era com a tarefa de runas, se sentar ao lado dos amigos e ver Rony se esbanjar de comer tudo ao seu alcance.
Pelos corredores até o salão comunal, Hermione pode ver os alunos correndo, atrasados para o café da manhã. Deu-se conta de que o número de casais tinha aumentado consideravelmente depois dessa guerra, como se a paz instaurada no mundo mágico fosse o novo motivo para que casais, antes ameaçados, pudessem ficar juntos. Ela pegou-se pensando em Rony e em tudo que tinham vivido até aquele momento. Não era dessa forma que ela esperava estar em seu último ano. Era tão claro para todo mundo que os dois sempre tiveram uma ligação mais forte do que uma simples amizade, e agora Rony tinha deixado de ser aquele menino terno para se tornar aquele que perseguiria qualquer uma das meninas de Hogwarts que dessem bola para ele.
O salão já estava cheio de alunos, todos uniformizados... Ainda bem que uma de suas tarefas não era liderar os primeiroanistas desta vez. Todos estavam rindo muito, e a decoração do são ainda mantinha a cor das 4 casas em suas paredes. Então Hermione pode ver os olhos azuis de seu melhor amigo a olhando do banco da grifinória, a esquerda do salão. Foram poucos minutos de corrida, mas a morena correu até seu abraço. Esse sim parecia o lugar certo. Esse sim era o lugar onde tudo fazia sentido. Ela se sentou ao lado de Harry e não pode deixar de rir quando notou o sorriso de Gina para ela.
-Que susto, Mione- disse Gina, risonha- Eu já ficaria com ciúmes, hahaha.
-Para com isso, Gina... –disse Harry, envergonhado.
-Onde está Rony ?
-Eu não sei, Mione... –respondeu Harry- Ele deve estar vindo para cá.
-Outra sextoanista, eu acho...
-Pior é que não. Meu irmão tava atrasado quando decidimos descer para o café.
-Então ele logo deve chegar – completou Harry, estendendo a mão para Gina através da mesa.
Hermione se pegava olhando para as grandes portas do salão a todo momento, como se fazer isso fosse determinar o horário em que Rony atravessaria a mesma. O banquete estava farto, como sempre. Haviam vários sabores de sucos, mas foi o tradicional de abóbora que chamou a atenção de Hermione. Como tivera esperado por tomar aquilo de novo.
-Mione, como foi ontem? Você nem contou nada....- perguntou Harry.
-Ah, foi tudo tranquilo... quer dizer... Sabe como é, não? Ter que aguentar o Malfoy.
-Nada que nós já não tenhamos feito todos esses anos, né ?
-Mas desta vez é pior, Giny... acredita que a doninha foi selecionada para ser monitor chefe ?
-Mas depois de tudo que ele e a família dele fizeram ? –perguntou Harry, se mostrando preocupado.
-Eu sei, Harry. Também questionei isso a Diretora McGonagall, mas ela ficou brava comigo e pediu para que eu retirasse as acusações do Malfoy. Isso é ridículo.
-Só é mais ridículo você ter que dividir o apartamento com ele, não é Hermione? – a voz tradicional do amigo encheu os ouvidos de Hermione, quase que sem acreditar em como ele poderia já saber da novidade.
No mesmo momento Hermione se levantou e abraçou o ruivo, mas esse não parecia tão feliz em ter que abraçá-la. Harry se moveu até o outro lado da mesa e sentou-se ao lado de Gina, dando espaço para que Rony ficasse ao lado de Hermione.
-Por que você não nos contou de que teria que ficar com ele, Mione ?- perguntou Rony.
-Porque eu descobri isso ontem, Rony. E depois que fomos conhecer o apartamento deram alguns problemas e eu não pude ir até a sala comunal da Grifinória pra contar para você. E outra, se eu contasse tudo ontem não teria nada para contar hoje –disse a morena com um sorriso grande no rosto, tentando diminuir a dramática situação entre os amigos.
-Que tipos de problemas, Mione?
-Ah, Harry... o básico, não é? Malfoy é totalmente intragável. Ele consegue me tirar do sério. Parece que toda aquela força de vontade que eu tinha em evita-lo nesses anos todos tá impossível de se encontrar. Tudo que eu quero é azará-lo o mais forte possível...
-Ah, mas, qualquer coisa eu e o Rony podemos ficar lá com você durante o tempo que precisar...
-E eu vou também, é claro, não Hermione? Nossa, a gente tem tanto que conversar, amiga!- disse Gina com um sorriso dirigido a Harry. Era impossível não notar a felicidade da ruiva em relação ao menino que tinha sobrevivido, de novo.
-Eu tenho só que checar com a Minerva quais são as limitações do apartamento. Ai gente, ele é lindo... é a minha cara. Tirando a presença do Malfoy, né?
-Ah, eu vou com você, Mione... to precisando mesmo falar contigo.- Disse Rony, mais sério do que todos esperavam.
-Ah, Rony, é que eu tenho uma reunião com ela e o resto dos monitores. Receio que ela será fechada, então não poderá vir. Mas, depois da 2º aula acho que todos temos um tempo livre. Ai a gente da uma volta pelo castelo e você diz o que precisa.
-Então, ok- respondeu Rony- É só você me avisar. Ow, qual que é a primeira aula mesmo?
-Eu acho que deve ser poções – Respondeu Hermione.
Hermione comeu alguns dos pães doces que estavam sobre a mesa. Parecia que a fome do dia anterior tinha se acumulado com a deste dia. Rony estava, como sempre, engolindo tudo que podia. Continuava igual como sempre fora. Parecia estar mais acostumado com a ideia de Harry e Gina mais próximos que nos anos anteriores. Gina estava, novamente, fazendo o sexto ano. Era impossível dizer que ela tinha terminado o ano anterior capacitada a fazer o 7º. Com Snape como diretor e comensais dando aulas em meio a maldições imperdoáveis não tinha como nenhum ensinamento ser passado aos alunos. Era justo que ela, assim como os outros, tivessem a oportunidade de refazer o ano.
Quando estavam saindo do salão, Hermione pediu licença aos amigos e disse que precisaria ir até a sala da Diretora para poderem tratar de assuntos referentes à monitoria, como tinha sido combinado. Enquanto os amigos se distanciavam do salão em direção as suas salas comunais, a menina se distanciava em direção ao escritório de Minerva.
Quando passava por um dos jardins internos ela percebeu que Malfoy o atravessava. Talvez estivesse se direcionando ao escritório também. Malfoy podia ser horrível em vários quesitos, mas ele sempre fora responsável com os trabalhos e lições de casa, sempre fora pontual em seus horários, e Hermione se arriscava a dizer que o menino parecia ser bem organizado também. “Tudo isso deve fazer parte do treinamento Malfoy”, ela pensou enquanto procurava avançar os passos. Seria extremamente desconfortável se tivessem que andar lado a lado pelos corredores até o escritório.
Por sorte, Malfoy não a tinha visto e entrou no corredor onde Hermione estava sem olhar para trás. Hermione percebeu que o garoto andava cansado, quase como se arrastando a mochila lateral em um dos lados do ombro. Ele realmente parecia cansado de manhã, e agora parecia mais ainda. Mas ele teria de aguentar. A primeira aula do ano para ambos os alunos era poções, com o professor Horácio. Hermione não gostava do professor, mas amava a matéria. Quem sabe, agora que Hermione era “famosa” pela 3º guerra bruxa, o professor tivesse mais interesse pelos conhecimentos e a popularidade da garota. Se não fosse assim, Hermione sabia que teria que batalhar por suas notas em poções.
Hermione estava absorta em seus pensamentos quando percebeu que Malfoy já não estava mais a sua frente. Ela até olhou para trás a procura da característica massa loira de cabelos mas não conseguiu acha-la no perímetro de seus olhos. Ficou realmente intrigada, mas, quem sabe, ela tivesse ficado para trás nos seus passos enquanto pensava, e Malfoy já devia estar mais a frente.
-Bom Dia, Hermione! – A voz pertencia a Adam Versignassi, o monitor da Lufa-Lufa – E ai, gostou do seu dormitório?
-Bom dia, Adam ... Eu gostei sim, apesar de preferir uma outra companhia –respondeu Hermione, como se respondesse para si mesma.
-Tenho certeza de que eu ficaria grato em ser seu companheiro de quarto, Hermione.
-Ah, Adam... é impossível a mudança desse jeito... – disse, Hermione, fingindo não ter notado o tom pretensioso da voz de Adam. – Ah, onde está Marcos ? Ele não saiu do dormitório com você ?
-Saiu, mas não somos tão amigos assim... Ele foi se juntar ao resto do grupo da corvinal e eu preferi vir para cá. E o Malfoy ?
-Ah, achei que ele já estaria aqui...
-Sabe, eu não sei por que não nos tornamos amigos antes. Olha quanto tempo nós desperdiçamos... sete anos do que poderia ser uma dupla geniosa. – disse Adam, enquanto se aproximava.
-Mas, eu não tenho certeza se somos amigos agora também. Perdi a maioria dos meus verdadeiros amigos durante uma guerra de sete anos. E eu não me lembro de ver nem seu nome nem o de sua família envolvido com a nossa causa!
A resposta acertou em cheio o ego de Adam, que preferiu ficar em silêncio depois das palavras certeiras de Hermione. Pelo visto seria mais difícil do que ele esperava para conseguir se aproximar da morena.
-Ah, Bom dia galera! – Marcos havia chegado radiante demais para quem havia acordado cedo para a reunião.- Cadê o Malfoy ?
-A gente não sabe... – Respondeu Adam.
-Calma, logo ele vem pra cá. Deve ter tido de fazer algo antes... ou... sei lá...
-Ainda bem que esse “sei lá” não é da tua conta, Granger!
-Ainda bem mesmo, Malfoy! Não consigo imaginar uma possível situação em que alguma coisa relacionada à sua vida fosse da minha conta, graças a Merlin!
Malfoy apareceu tão subitamente como desaparecera do corredor. Hermione não quis, e nem devia, perguntar o que tinha acontecido a ele. Depois do susto de manhã era melhor manter a conversa entre os dois reservada apenas para discuções sobre a monitoria e coisas assim.
Minerva descia os degraus de pedra da grande gárgula e vinha ao encontro dos monitores enquanto dizia as primeiras palavras:
-Bom Dia, Monitores. É bom vê-los todos aqui, no horário certo. Pelo jeito esse será um ótimo grupo de trabalho e espero os melhores resultados de vocês ao longo do ano. Sigam-me que tenho um assunto importante a tratar.- a velha senhora deu a volta e começou a subir novamente.
Como que de propósito, Malfoy esperou que Adam, Marcos e Hermione subissem para poder se dirigir aos degraus da escada. Ele se aproximou das costas de Hermione e, quase que como um sussurro, perguntou em seu ouvido:
-Por que Merlin você não me esperou, Granger ?
-Você sabe muuuuito bem o porquê deu¹ não ter te esperado, Malfoy – disse Hermione virando para ficar de frente para o menino, que ainda estava a um degrau de diferença da morena- Acha que é só você que tem seus truques na manga, loiro aguado ? Experimente me ameaçar assim de novo e eu não me importo em manchar os meus registros nessa escola com o seu “sangue puro”.
Hermione disse as duas últimas palavras como se as cuspisse no rosto de Malfoy e, após isso, se virou para continuar subindo as escadas novamente. Eram poucos degraus até chegarem ao escritório, mas esses foram extremamente silenciosos após Hermione ter dito aquilo. Draco estava se sentindo um idiota por não ter conseguido pensar em nada para responder depois que aquelas palavras o acertaram em cheio. Só sabia que, por mais que houvesse a tentativa de conviver em paz, Granger e ele nunca conseguiriam deixar de trocar espinhos enquanto estivessem no mesmo cômodo, não importava quão grande esse fosse.
Ao entrarem na sala, se deram conta de que todo o corpo docente estava presente no pequeno escritório. A diretora se dirigiu até sua cadeira e se sentou, quase que ao mesmo tempo em que começava a falar:
-Como podem ver, eu e o restante dos outros professores temos de comunicar a vocês algo mais importante do que, simplesmente, os horários de suas rondas ou compromissos assim. Este ano nós decidimos que os alunos do 7º ano precisam de certo auxílio quanto à responsabilidade como adolescentes!!
¹ Deu - Eu não tinha certeza de que essa junção realmente existia, então fui pesquisar mas não achei referencias sobre ela. Então, a usei assim mesmo. Mals se ela estiver errada, ok ?
Eu tenho de confessar que estou muito feliz com a quantidade de visitas na fic, mas eu esperava que mais pessoas estivessem lendo “/ Sei que demora até que os leitores peguem gosto pela história e tudo mais, mas eu esperava também alguns comentários. Como eu disse antes, até mesmo um pequeno, com poucas palavras, da uma injeção de ânimo gigante nos autores para que eles continuem a escrever as fics. E, caso tenha começado a ler e abandonado a história, comente o que não te deixou satisfeito e isso me ajudará a melhorar a história e evitar que outros leitores sejam perdidos... O próximo capítulo deve ser postado em alguns minutinhos, lalala ><
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