"Lá estava eu novamente esta noite forçando o riso, fingindo sorrisos
Mesmo velho lugar, cansado e solitário
Paredes de insinceridade
Olhares perdidos e vazios"
('Enchanted', Taylor Swift)
Hermione chegou ao Salão Comunal na ponta dos pés rezando pra que ninguém estivesse ali. Mas não teve seu desejo atendido: Rony estava sentado em uma poltrona, à sua espera.
_ Porque demorou tanto? _ questionou Rony, se levantando de onde estava.
É, tinha sido pega de surpresa e pela pessoa que menos queria dar explicações naquela hora.
_ A festa do Slugue terminou há pouco _ começou ela, diante do olhar desconfiado de Rony _ e depois fui para os jardins com Luna, estava precisando de um ar fresco.
_ Você me disse que viria logo, pra termos mais tempo juntos! A semana inteira você tem me prometido isso, e não cumpriu, Hermione _ ele reclamou, visivelmente irritado.
_ Eu disse, mas não consegui cumprir, me desculpe Rony.
_ Não faço ideia do que está acontecendo, mas seja lá o que for, não é nada bom. Você vive se esgueirando pelo castelo afora, não dá nenhum tipo de satisfação a ninguém, sequer conversa comigo e com o Harry direito a não ser nas refeições e nos intervalos das aulas, e quer que fique tudo bem? _ ele perguntou, alteando a voz.
A verdade era que Hermione estava cansada daquilo tudo, de omitir, de desejar aquele que fora seu inimigo e de seus amigos por anos a fio, de bancar a certinha, de ser a melhor, e principalmente, de dar satisfações do que fazia a quem quer que seja. Já estava bem grandinha pra não precisar dizer onde estava, com quem estava e o que fazia. A vontade de dizer que estava no melhor amasso de sua vida com Draco Malfoy foi grande e quase aconteceu, mas se limitou a berrar com o ruivo de outra forma:
_ Não lhe devo satisfações de nada, você tá me entendendo, Ronald? _ ela bradou, gesticulando vigorosamente, e viu que Rony se assustara com aquela reação. Ela nunca tinha sido assim, parecia outra.
_ Ah, sério? Então eu, que sou seu namorado, não tenho direito de sentir sua falta, e nem de saber o motivo que te fez demorar a se encontrar comigo? _ ele perguntou, começando a gritar.
_ Pode sentir falta, mas pare de me cobrar, de querer satisfações minhas, e quer saber? Não me enche, ok? _ ela terminou a conversa nada amistosa subindo as escadas correndo, em direção ao dormitório, enquanto deixava Rony ali, aturdido.
'Ele está aqui relutantemente
Perguntando-me se vou chegar tarde'
Jogou-se na sua cama, querendo esquecer o ataque que havia dado momentos antes com seu namorado. Ela não queria estar ali, queria voltar correndo para a sala dos monitores, pros braços do loiro proibido, sem lembrar que existia tempo. Sua intimidade doía e se contraía à simples lembrança dos amassos que tinha trocado com Draco. Queria mais que aquilo, queria Draco pra si, como em uma obsessão. Mas foi aí que a ficha caiu.
'Tristeza em minha alma
Porque parece que o errado
Realmente ama minha companhia'
Não podia ter um 'relacionamento' com o sonserino sem ser perseguida, atacada e tudo mais. Tinha seus amigos e o que eles pensavam dele; tinha Rony, a quem ela machucaria mais; tinha Pansy, que ela não saberia dizer se era mais um caso Malfoy, mas de toda forma era uma ameaça; tinha toda a Sonserina, que a detestava; a Grifinória, que detestava o Draco, e pra se consolar, talvez os amigos da Lufa-Lufa e Corvinal não lhe virariam as costas.
Suspirou pesadamente. Tinha tanta coisa reclusa dentro de si, coisas que sentia, que pensava, que fazia parte da sua personalidade e ela retraía, mas tudo estava querendo explodir de dentro dela como um vulcão em erupção. Chocou-se com o fato de que Malfoy tinha sido responsável por aquele momento, o encontro com o proibido, o desejo pelo inimaginável. Era aquilo que a excitava, e era aquilo que ela queria.
'E eu sei que ele sabe que eu sou infiel
E isso está matando-o por dentro'
Se levantou da cama e foi para o banheiro, torcendo pra água gelada quebrar seus desejos e devaneios. Dali pra frente, só ela se reconheceria, a real Hermione Granger.
&*&*&*&*&
Acordou tarde; era domingo, e quase deu um murro em Gina por sacudí-la daquele jeito. Queria dormir o resto do dia, e nem sua mãe a faria levantar dali.
_ ACORDA, GRANGER _ gritou Gina, quase furiosa.
_ DÁ PRA ME DEIXAR DORMIR? _ Hermione também gritara, sonolenta.
_ Acho que não vai querer dormir depois de saber o que tá rolando lá na Sala _ a ruiva falou, mais calma.
_ O que tá acontecendo? _ ela perguntou, dando um pulo da cama e se enrolando em um robe com as cores da Grifinória.
_ Rony.
A ruiva não precisava dizer mais nada pra Hermione entender que estava muito encrencada. Pegou a amiga pela mão e desceu correndo as escadas, dando de cara com Harry muito nervoso e Rony fazendo um escândalo com Colin Creevey.
_ Que é que tá acontecendo aqui, eu posso saber? _ perguntou Hermione, alteando a voz.
_ Enfim a monitora sabe-tudo Granger chegou pra apartar a situação _ zombou o namorado, a deixando completamente confusa. Desde quando Rony era malevolamente irônico?
_ Mais respeito comigo, Ronald Weasley _ avisou a morena, com o dedo indicador na cara do ruivo. _ Anda, fala, o que significa isso?
_ Colin estava me contando que te viu passar ontem à noite de MÃOS DADAS _ ele gritou essas palavras _ com Draco Malfoy! Agora me fala que eu tô delirando e eu dou um soco bem dado nesse idiota _ ele disse, apontando pra Colin, que estava nervoso.
'Eu não quero fazer isto outra vez'
Ela se lembrou estar tão excitada com aquele encontro com o sonserino que não reparou se alguém tinha visto os dois de fato. Congelou, sem saber o que dizer. Sua mente travava uma luta medonha: contava a Rony ou mentia descaradamente? É, preferiu a segunda opção, que apesar de ir contra os seus princípios, ela estava pouco se lixando pra princípios agora.
_ Eu não estava com Malfoy ontem à noite.
_ Hermione, eu te vi quando saía da... _ começou Colin, que se viu encrencado também.
_ De onde, Creevey? _ perguntou Hermione arqueando uma sobrancelha. _ Fazendo coisas erradas ontem à noite, é?
_ Sinto dizer que eu não era o único, Granger _ rebateu Colin, com ironia. Podia perder, mas não ia deixar escapar a chance de delatar Hermione.
_ Eu é que sinto muito dizer que o senhor está equivocado _ ela disse com tanta segurança que quase se convenceu de que estava segura. _ Não estive com o sr. Malfoy ontem à noite, a não ser que esteja falando do jantar do profº Slughorn, o qual ele também se encontrava. Pelo que sei, é só.
'E para ele eu não consigo ser verdadeira'
Colin a olhou aturdido, assim como Rony. Como ela mentira daquele jeito, na cara-dura, e sair por cima, sem que nada lhe afetasse? Hermione olhou em volta e começou a estalar os dedos.
_ E vocês, vamos, se dispersando, AGORA _ ela exigiu, e os alunos foram voltando às atividades normais. Virou-se para Rony. _ Me espere aqui, vou trocar de roupa e desço pra ter uma conversa séria com você.
Ela subiu as escadas com Gina em seu encalço. Arrancou o robe que usava e jogou-o em cima do malão, dando um grande suspiro em seguida.
_ O quanto daquilo que ouvi lá embaixo é verdade, Hermione? _ questionou Gina, desconfiada.
_ Sobre Malfoy? _ ela devolveu a pergunta, enquanto remexia o malão à procura de roupas. _ Ele estava na festa do Slugue sim, e daí?
_ Daí é que você chegou no quarto tarde, com os sapatos nas mãos, vermelha feito pimenta e descabelada. Ao que eu saiba os jantares do Slugue não são animados o bastante, a não ser que você tenha resolvido animar depois _ a amiga frisou bem a última palavra, e viu Hermione corar. É, não dava pra esconder nada dela mesmo.
_ Eu estava voltando pra cá quando alguém me puxou pra detrás do armário de vassouras, e quando falou no meu ouvido reconheci a voz do Draco _ começou a morena, pesarosa. _ O clima esquentou demais pra que eu conseguisse pensar, e fomos pra sala da monitoria.
_ Vocês... _ começou Gina, e Hermione logo entendeu o que ela queria dizer com 'vocês'.
_ Não, mas quase. _ disse com sinceridade.
_ Você sabe que isso não vai demorar pra acontecer, né, Mione? Vocês dois estão muito ligados, de uma forma que eu nunca vi você com meu irmão. Você tá mudando, enfim... não sei o que vai acontecer daqui por diante.
_ É _ concordou Hermione, terminando de se vestir _ eu também não faço ideia.
&*&*&*&*&
Hermione desceu para falar com Rony e viu que ele não arredara o pé dali. Queria explicações.
_ Vamos pros jardins _ disse ela, o puxando pelo braço porta afora.
Enquanto se encaminhavam para fora do castelo, deram de cara com Draco passando em direção oposta a eles. Sem conter a raiva recém-adquirida, Rony foi em cima dele.
_ Então, ótimo te encontrar, sua doninha nojenta _ xingou o ruivo, fazendo Hermione revirar os olhos. Parecia que ele não tinha crescido, oras.
_ O que que é, hein, Granger, que o Weasley tá nervosinho? _ perguntou Draco com deboche.
_ Você _ e o ruivo pôs o dedo na cara dele _ dando em cima da minha namorada!
Hermione olhou significativamente para o loiro, que percebeu de imediato que coisa boa não tinha acontecido. Vontade de falar que tinha dado bons amassos na grifinória não faltavam, mas ele não queria encrencas com ela nem com a Ordem da Fênix.
_ Tem noção do que tá falando, Weasley? _ perguntou Draco, tentando ganhar tempo para a próxima resposta.
_ Ah, tenho, e muita, você não imagina o quanto! Vamos lá, quem começa? _ desafiou Rony, olhando de Draco para Hermione intolerantemente.
_ O Draco não tem porque estar nessa conversa que é pessoal, Ronald _ Hermione disse com frieza _ vamos agora para onde estávamos indo.
'Uma mentira que não tinha que contar
Porque nós sabemos'
E puxou o ruivo pelo pulso, carregando-o para os jardins. Chegando lá ela parou, ofegante. Olhou bem nos olhos de Rony e optou por contar a verdade, e outras coisas a mais.
_ Vamos lá: abstraia o que Colin disse, mas não tudo. _ Ela respirou fundo. Não era tão simples dizer o que ia dizer. _ Você sabe tão bem quanto eu quanto tempo esperamos pra nos declarar, e bem, há pouco tempo percebi que realmente eu estava acomodada na situação. Era mais fácil eu ficar com você ou o Harry do que olhar pro lado, apesar de ter tentado.
Rony a olhava confuso; tentava absorver cada palavra que ela lhe dizia, e fosse o que viesse, aquilo já começava a lhe doer antecipadamente. Hermione não quebrou o contato visual que tinha com ele, olhar nos olhos dele e contar tudo o que queria lhe dava mais autoconfiança.
_ Pois bem _ ela continuou _ a gente tava ok, até eu perceber que não era bem o que eu sentia. Encontrei Malfoy pelo corredor no dia que voltamos, ele falou comigo amistosamente, e depois daquela aula de Poções, as coisas ficaram claras na minha cabeça.
_ Deixa eu ver se eu entendi _ falou Rony, que até então permanecera calado _ você agora é apaixonada pelo Draco, foi isso que ouvi?
_ Não, eu não sou nem estou apaixonada por ele, Ronald... a situação naquela aula me fez ver o quanto de coisas que sou que não tive coragem de expor, talvez pela imagem de certinha que criei, sei lá, não tenho como te explicar o inexplicável, oras _ ela disse, um tanto alterada.
_ Dá pra ir direto ao ponto, por favor? _ pediu o ruivo, irônico.
_ Dá sim: eu quero terminar, Ronald. _ a sentença veio direta e forte ao bastante pra doer de imediato no peito do grifinório.
'Eu não quero magoá-lo mais'
_ E depois você diz que não é por causa do Malfoy! _ exclamou ele, irritado.
_ E de fato, não é _ 'em parte', pensou ela, mas essa etapa do jogo ela resolveria depois _, eu quero viver do meu jeito, sem pensar numa vida perfeita, perfeitinha, como se pessoas fossem um bibelô. Não é essa a Hermione Granger que cresceu.
_ Não, não é mesmo. Isso não vai ficar assim, não se iluda porque eu não passei seis anos da minha vida apaixonado por você pra de repente você me dar o fora por causa de uma crise existencial causada pelo Malfoy, Hermione! _ ele disse, quase gritando, o que a assustou, mas procurou continuar com a fisionomia impassível.
_ Eu não esperava que você entendesse, Rony. E nem espero. Mas essa Hermione que você idealizou na sua cabeça não existe mais, que isso fique claro.
_ Já ficou, Granger _ ele disse seu sobrenome rispidamente. _ Não preciso ficar aqui, mas isso não vai ficar desse jeito, isso não acabou. _ E saiu pelo gramado afora, deixando Hermione sozinha com seus pensamentos.
_ É, eu sei que não acabou, Ronald Weasley _ disse ela baixinho, deixando-se cair de joelhos na grama e chorar o quanto fosse preciso. Mas ela estava certa de uma coisa: não sentia tristeza, somente alívio. Qualquer problema que fosse acontecer, ela se sentia pronta o bastante pra enfrentar de cabeça erguida, afinal, o pior deles ela tinha acabado de resolver.
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
N/A: Aêêêê! Mais um cap procêis! hehe
Os trechos em negrito são da música 'Unfaithful', da Rihanna. ;)
Não foi fácil fazer esse, devo dizer: não só a pedidos, mas como já era previsto pra mais cedo ou mais tarde, Hermione terminou com Rony, mas claro, ele desconfia de que o real motivo seja Draco, mas não tem certeza. E ela foi sincera: o loiro foi responsável por fazer aflorar coisas que Hermione sempre foi mas nunca deixou transparecer. E esse é só o começo, literalmente. Adianto uma coisa: a nova Hermione vai dar muito trabalho ao próprio Draco, e como ele continua o mesmo em sua essência, bom, não preciso dizer muita coisa, né? haha
Esse cap é importante, e o título deixa bem claro. Bom, espero que gostem, e por favor, comentem bastante! Gostaria de saber mais sobre o que vocês estão achando da fic, o que acrescentariam, essas coisas, é super importante e motivador! Ah, e votem na fic também, ok? :D
Fê Black Potter: rolei de rir com seu coment, mas ó, não é só Draco que é bad boy nessa história, fica de olho pra saber mais!
//if (getsess(4) == 0 || getsess(0) == 'ERR'){
?>
//}
?>
Created by: Júlio e Marcelo
Layout: Carmem Cardoso Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License. Based on a work at potterish.com.