Capítulo 23
Uma carta de Madri
Os meses seguintes em Hogwarts foram de tranqüilidade. Penélope havia mudado muito desde o início daquele ano, o namoro e o seu irmão que estava para chegar a qualquer momento a fizeram crescer, não havia quase nada daquela menina quieta e certinha que havia se tornado monitora, exceto o fato de levar sempre a sério suas obrigações de monitora da Corvinal. Penélope também notara mudanças em seus amigos, Ursula e Van continuavam sempre em pé de guerra, não paravam de implicar um com o outro. Depois que Ursula acordou na enfermaria, Van jurou que nunca mais desgrudaria dela, mas isso só durou uma semana, quando a sonserina o pegou conversando com uma Corvinal a beira do lago usando suas dores da batalha para puxar conversa.
Clearency e Andrew mantinham-se apaixonados. Depois de quase quinze dias de recuperação pelas feridas que teimavam em não cicatrizar, Clear quase desabou no choro quando Andrew recebeu alta. O garoto teria que carregar, de recordação da batalha, algumas cicatrizes que estavam espalhadas pela perna e pelo braço direito e também uma grande, porém fina, cicatriz que se estendia do queixo até o lado direito de sua cintura. Clear repetia inúmeras vezes que não se importava desde que ele estivesse vivo e bem, mas azarava Van e Angelus que incentivavam dizendo que as cicatrizes faziam sucesso com as garotas. Andrew parecia nem ouvir o que eles diziam, sempre com suas declarações de amor eles com certeza se mantinham como o casal mais apaixonado do colégio, isso até que trazia certa inveja a Penélope, não que seu namoro fosse ruim e que não gostasse de Angelus, mas sentia que ele muitas vezes não sabia como se expressar, porem quando o fazia a deixava cadê vez mais apaixonada, como por exemplo, no dia em completaram seus três primeiros meses de namoro e que eles tinham combinado de não entregar presentes e ele a tinha surpreendido com um colar de prata e um pingente de coração, ele esperou ate o momento em que estivesse distraída para que ele a entregasse e todos os seus amigos estavam presentes o que a deixou muito encabulada.
Emma e Damian haviam se tornado um casal muito próximo um do outro, todos sabiam das suspeitas de que os pais deles fossem comensais ou que no mínimo estivessem envolvidos em seus ataques, cada vez mais constantes. Penélope sabia que as acusações sobre os pais deles não mudavam nada entre os amigos muito pelo contrario todos tinham a certeza de tendo ou não alguma coisa haver com aquilo, eles não tinham culpa pelos erros de seus pais. O Profeta Diário relatava quase toda manhã em suas páginas ataques dos comensais a bruxos e de todo o mundo, a notícia mais preocupante ocorreu quando eles atacaram a Fundação da Família Morgan, considerado o ataque mais violento de todos, porém sem nenhum sucesso a segurança da fundação era muito forte e conseguiu evitar que alguma coisa fosse levada e ainda por cima deixou vario começais feridos e mortos. Os Aurores ainda investigam o ataque e o que eles pretendiam roubar da fundação. Esse ataque deixou Angelus muito inquieto tendo que por algumas vezes ir ate a casa de seus pais para ver o que realmente estava acontecendo. Penélope notara que ele também tinha mudado depois daqueles meses, mantinha ainda um pouco do ar brincalhão e sempre estava disposto a aprontar nas festas em que organizava com o Van, porém muitas vezes a surpreendia com atitudes responsáveis e maduras. Angelus tinha se tornado de certo modo mais sério e misterioso, havia adquirido o hobby de ler sobre artefatos mágicos e sempre estava à procura de informações sobre os ataques dos comensais e as descobertas de seu avô.
- Vamos Penny! Já é hora de ir para casa, o ano letivo já acabou e as férias acabaram de começar. Você não vai querer perder o último dia no colégio ai olhando pela janela do quarto? – falou Clearency fazendo um gesto gracioso ao conjurar um feitiço para o malão que se fechou com um clique.
- Não, é que eu estava pensado - disse Penélope olhando à amiga que terminava de se arrumar de frente para um espelho – A gente mudou muito esse ano, não foi?
-Hum... – Clear se aproximou fazendo uma cara zombeteira – Eu sei por que você está assim, tão pra baixo. É porque vai ficar longe do Capitão da Grifinória, hein?
As duas se olharam e Penélope não podia esconder o seu sorriso de culpa.
-Eu sabia! – acusou Clearency, vibrando com se o time da Corvinal tivesse ganhado a Taça de Quadribol. – Você não vai conseguir viver sem ele. Nossa, vão ser férias bem longas.
Clear gargalhou enquanto voltava para sua cama, quando Penélope voltou para perto de seu malão e o fechou suavemente.
-Você vai passar as férias lá em casa? – Perguntou Penélope.
¬-Claro que vou! – Falou Clearency como se aquilo fosse óbvio - Com o nascimento do seu irmão, seus pais não terão muito tempo para você, então... – Clear sorriu maliciosamente - poderemos encontrar os garotos. O Angelus me disse que vai viajar com o avô por algumas semanas e depois vai ficar na casa do Andrew nas férias, que por acaso fica perto da sua.
- É verdade – Penélope ficou pensativa – Eu tinha me esquecido da viagem dele com o avô. Espero que volte quando o bebê chegar, meu pai vai chamar toda a família. Eu queria que ele também estivesse. – comentou Penélope com um ar um pouco triste.
-Eu sei que ele vai estar lá e seus pais, a essa altura, já sabem do seu namoro com ele. Minha mãe já deve ter comentado com a sua depois que esteve aqui no colégio. – Falou Clear, com seu melhor espírito de solidariedade, mas não conteve seu comentário – Este ano vai ser o último do Angelus.
-É, mas também será o último de Andrew, Ursula, Emma e o do Van. – Penélope respondeu como se quisesse justificar sua melancolia. – A turma vai ficar pequena.
-Eu vou sentir saudades da Emma. – Clear sorriu e seu rosto se iluminou como se fosse um raio de sol que entrava pela janela do dormitório ( o que não é tão difícil pra ela) – Nós nos tornamos amigas.
-E o Andrew?
-Se ele sair de Hogwarts e não for me encontrar nas visitas a Hogmeads, ele pode se considerar um homem morto. – Ameaçou Clearency entre dentes, fazendo Penny sorrir.
-Tá bom, ta bom. – Penélope deu um pulo e se pôs de pé. – É melhor a gente descer e tomar café, se não a gente vai passar as férias aqui.
As duas levitaram seus malões até a sala comunal quando viram um tumulto próximo a entrada da passagem. Duas pessoas discutiam e suas vozes eram perfeitamente familiares.
- Você não precisava fazer isso. – falava Andrew balançando a cabeça em sinal de negativo.
- Ah! Qual o problema? Agora quero ver alguém me expulsar, já terminei mesmo o colégio. – respondeu Angelus caminhando de um lado para o outro no corredor em frente a passagem para a torre da Corvinal.
- O que foi que você fez agora? – perguntava Penélope com cara de poucos amigos.
- O rapazinho aí, resolveu jogar na cara do McArvey a vitória da Grifinória no tornei de Quadribol deste ano, então ele enfeitiçou uma das privadas do banheiro dos meninos da ala leste para que toda vez que alguém a usa-se, ela gritasse que a Sonserina não é de nada, e que o Mcarvey é um troll, grande, gordo e burro. Agora pense que o primeiro a ir ao banheiro foi o próprio. E quem estava lá para ver a cara dele? o nosso amigo aí. Claro que o Mcarvey desconfiou dele e partiu pra pancada, só que o banheiro estava cheio de alunos, então foi uma batalha generalizada, eu e o Damian tentando separar, ele e o Van derrubando todos com feitiços. Depois da confusão eu só vi o Mcarvey caído com a cabeça chamuscada, alguns alunos desacordados e outros tontos. Ele e o Van saíram de fininho assim que o último aluno estava fora de combate, e eu e o Damian tivemos que ajudar os meninos a se levantar.
Enquanto Andrew contava a história, Angelus tentava se segurar para conter o riso, pois via o rosto de Penélope ficar cada vez mais fechado, sabia ele que iria ouvir um sermão daqueles, mas não se arrependia do que tinha acabado de fazer. A confusão entre as casas no banheiro ficaria para a história do colégio e ele agüentaria o que fosse depois de tamanha diversão.
- Você não toma jeito mesmo, não é? – disse Penélope se aproximando dele e o beijando rápido – Já estão prontos? As carruagens estão aguardando.
- O quê? Você não vai falar nada? Nem um beliscão eu vou receber? Esperem por mim. – gritava Angelus paralisado sem acreditar logo indo alcançar os amigos que já desciam as escadarias para o hall do castelo.
A viagem para Londres foi tranqüila o grupo de amigo se divertia com encenação da batalha, as meninas hora riam do ocorrido, hora reclamavam por alguma maldade que eles fizeram com algum aluno menos experiente. O final de tarde em Londres o tempo estava como de costume, frio e chuvoso. O expresso Hogwarts foi lentamente se aproximando da plataforma 9 ¾ da estação King´s Cross. Alguns alunos colocavam suas cabeças para fora a fim de reconhecer os seus pais no meio de tanta gente. Penélope e Angelus foram os últimos a descer do trem, tinham que verificar se nenhum aluno havia ficado para trás ou esquecido alguma coisa, esse foi o ultimo dever de Angelus como monitor do colégio.
Do lado de fora do Trem, a sra. Morgan se destacava entre a multidão de pais e alunos que apinhavam a estação, era uma mulher alta de cabelos ruivos e pele muito branca, o que resaltava seus olhos claros, uma característica facilmente reconhecida em Angelus. O instinto materno pareceu não se segurar pelas etiquetas e mal o filho colocou o baú no chão ela correu para abraçá-lo.
- Angy, Meu querido! - Que bom que finalmente está em casa.- A sra. Morgan olhava fixamente examinando o rosto do filho – você está bem? Claro que está bem. Eu fiquei tão preocupada.
O Sr. Morgan, assim como a Sra. Morgan, não pareceu se importar com as pessoas em volta e puxou o filho para bem perto e deu um forte abraço.
–É bom ter você de volta, filho. – O sr. Morgan soltou o filho e olhou animado - Está pronto para os desafios, agora que terminou o colégio?
-Thomas! – censurou a sra. Morgan.
-Eh, desculpe querida. – O sr. Morgan piscou o olho discretamente para o filho, que entendeu a intenção – Espero que você nunca mais faça isso, está me ouvindo? Deixou sua mãe preocupada. – Quando a sra. Morgan se distanciou dos dois para atravessar o portal da plataforma ele sussurrou para Angelus - você nos deixou muito orgulhosos.
Angelus sorriu pela atitude de seu pai que compreendia o que ele havia passado, era difícil pensar que eles não apoiavam suas atitudes ou não se importassem com o que acontecia com ele, pois sempre que falava de seus pais notava-se que eram carinhosos e sempre compreensivos.
Há alguns passos de Angelus, Penélope pode notar muitas semelhanças entre pai e filho, ambos tinham o mesmo sorriso charmoso, a postura alta e carismática, com os cabelos castanhos, sendo que o sr. Morgan já possuía uma boa parte do cabelo grisalho porém aparentava a mesma jovialidade do filho. Após Penny reencontrar seus pais na plataforma, notou que sua mãe segurava um envelope grande e alvo com as letras caprichosamente escritas “À Família Clearwater”.
- O que é isso mãe? – perguntou curiosa.
- Ah, é um convite para a festa de aniversário do avô do Angelus. – respondeu a Sra. Clearwater acenado para um casal de bruxos que passava por perto. – A mãe de Angelus fez questão da presença de toda a família.
Der repente o rosto de Penélope se fechou, ela observava Candicy Lehust se aproximar da família Morgan e cumprimentando a todos, por final ela envolveu seu braço ao redor do pescoço de Angelus, num gesto como se fosse abraçar, mas acabou depositando um beijo em seu rosto, coisa que o rapaz não pareceu muito incomodado com a situação. A garota continuou ali, conversando com o sr. e sra. Morgan, juntamente com seus pais, sem notar que Angelus acabara de se virar e agora beijava Penélope bem ali ao lado. O sr. Morgan pigarreou, tentando chamar a atenção do casal, mas isso só fez Candicy virar para ver o que acontecia e acabar vendo a cena um tanto incomum para Penélope. Lehust pareceu não se importar com a cena, ficou olhando para o casal e quando finalmente terminaram, olhou para Penélope e deu um sorriso quase cínico.
- Oi Penny, que bom que você está aqui, foi muito bom revê-los – Candicy virou para os pais de Angelus e falou - Sr. e Sra. Morgan, até a festa. - disse Candicy acenando para todos e caminhando em direção à passagem da plataforma.
- Penélope minha querida, você esta mais linda do que a última vez que nos vimos. – elogiou o Sr. Morgan deixando Penélope vermelha e totalmente constrangida.
-Pare Thomas! Você está deixando a menina sem graça! Olá minha querida! Como você está? – falou gentilmente a Sra. Morgan.
- Estou bem, obrigada. É muito bom vê-los. – Penélope olhou de relance sua família que caminhava para o portal da plataforma - Eu tenho que ir, e o Sr. não se esqueça dos compromissos dessas férias, ok?- concluiu Penélope dando um beijo no namorado e dirigindo-se a sua família que a esperava próxima a saída da plataforma.
Mal as férias tinham começado e na primeira semana, a sra. Clearwater deu a luz à um menino, o primeiro que passaria o nome da família a diante. O sr. Clearwater mal se continha de tanta felicidade e as irmãs de Penélope o paparicavam igualmente a sua mãe. Tios, tios-avôs, primos e a Sra. Marie Clearwater, todos aparatando no próprio quintal da casa ou chegando via pó de flu, com presentes para o novo membro da família ou para a mãe de Penélope.
-Eu não sabia que você tinha tantos parentes assim – Clearency se admirou enquanto se ajeitava em um banco alto da cozinha. – Não tinha tanta gente assim na festa de final de ano.
-Eu sei, - Penélope falava resignada tentando equilibrar uma bandeja de chá repleta de xícaras – Todos estavam preocupados quem iria passar o nome da família a diante.
Quando Penny se aproximava da porta da cozinha, Cassandra – uma de suas irmãs mais velhas – entrou com tudo pela cozinha fazendo Penny se desequilibrar e derrubar a bandeja. Por sorte, Cassandra foi mais rápida e lançou um encantamento que impediu que a bandeja atingisse o solo e flutuasse até o balcão da cozinha.
-Cassy! Da próxima vez, tome cuidado quando entrar assim na cozinha. – Penélope se irritou.
-Eu vim pegar o chá, que não chegava nunca, seu desastre ambulante. – Ignorou Cassy, empurrando a irmã quando passava por ela.
Uma coruja pousou sobre o parapeito da janela da cozinha e piou alto, deixando derrubar a carta que estava em seu bico. Suas asas farfalharam por alguns instantes e ela retomou o caminho de volta. Cassandra se apressou e apanhou a carta, antes que Penny alcançasse.
-Hum, carta pra você CDF. – Cassandra ironizou Penny e continuou a abrir o envelope e dize em voz alta o resumo de alguns parágrafos. – Aqui diz que o Capitão da Grifinória foi ontem para Madri com o vovô dele e que não vê a hora de voltar. Que pena hein? Talvez ele conheça uma espanhola e fique por lá.
-Cadê o Bryan? – Penélope olhou para Cassy com um ar maquiavélico.
-Por quê? – Cassy respondeu sem entender.
-Porque só ele consegue segurar esse sua língua venenosa.
-Ele pode segurar muito mais que a língua, mas com certeza não vai impedir de você pensar no que realmente o seu querido capitão está fazendo lá, não? – Cassy se aproximava de Penny sorrateiramente, como se tomasse cuidado onde estava pisando.
-O que você está querendo dizer com isso? – Penélope quase não conseguia falar com sua mente embaralhada em pensamentos.
-Você sabe bem o que eu quis dizer. – Cassy sorriu com malícia e dali podia-se notar que ele acabara de plantar uma semente do mal em seu pensamento. – Bem, eu tenho um irmãozinho pra cuidar, tchauzinho.
Cassandra saiu pela porta da cozinha cantarolando, deixando para trás Penélope e Clearency totalmente abismadas com os comentários dela.
-Eu sabia que ele ia à Madri, mas não tão cedo. – Clearency quebrou o silêncio.
-Meu irmão nasceu mais cedo que o previsto, isso eu não tenho dúvida. – Penélope parecia compenetrada em seus pensamentos. – O que eu não entendo é: a urgência de viajar. É como se ele estivesse atrás de alguma coisa que não pudesse esperar.
-Ah não. – Clearency saltou do banco onde estava sentada como se não acreditasse na reação da amiga – Não acredito que você vai dar corda pra Cassy, você sabe que ela adora estragar o momento, e você e o Angelus estão bem, finamente bem. Não deixa ela te enganar dessa forma.
-Ela não está me enganando, ela pode ser má, mas me enganar... Acho que não.
-É porque você não olhou direito nos olhos dela. Parecia a Ursula, só eu com um ar de comensal da morte. – Clearency falou dando um arrepio.
-Não exagera – Penélope deu um sorriso leve e voltou a pensar em voz alta – Eu preciso descobrir o que, exatamente, ele foi fazer lá.
-Você e suas paranóias.
-Cada doido com sua paranóia, não? Eu com a luneta e você com a Ursula. – Penélope continuou caminhando em direção a porta enquanto levitava a bandeja de chá com sua varinha.
-Ursula? Você acha que eu sempre implico com ela, mas é ela que me enche a minha paciência o tempo todo.
-Deixa de besteira e me ajuda com a porta.
As duas saíram da cozinha e logo foram cercadas por familiares sedentos pelo chá, e finalmente voltarem para sua conversa habitual sobre o bebê.
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