Harry observava Tári se afastar pensativo. Há pouco mais de uma hora eles não podiam se olhar sem pensarem em meia dúzia de palavras carregadas de rancor para dizerem um ao outro e agora isso! Permitir que alguém tivesse livre acesso a sua mente e ainda por cima não ser capaz de se lembrar de nada depois... Exigia uma confiança que ele definitivamente não depositava nela...
Não mesmo?
Algo o incomodava enquanto pensava nisso. Observou aquela clareira detalhadamente. Os troncos acinzentados, as árvores extremamente altas com copas cheias, frondosas. As raízes que emergiam da terra, as folhas depositadas aos seus pés... O cheiro de mato e de flores, o som noturno de alguns grilos, da brisa carregando a folhagem em alguns pontos. Seus pensamentos voaram e se misturaram uns aos outros gerando uma grande confusão de sentimentos e sensações... A imagem de Tári com Fawkes pousada em um de seus braços... A calma e a sensação de segurança que obteve naquele momento... Estranho como aquele ser que lhe causara tanto bem em seus sonhos viera a lhe causar no mundo real tantos sentimentos conturbados, confusos. Confiava ou não confiava nela?
A resposta se formava em sua cabeça enquanto a imagem de Dumbledore se tornava nítida... Como poderiam ter vivido casados sendo tão diferentes? Agora era a imagem da diretora sendo recebida com alegria pela elfa, e o abraço abafado, apertado que ela e Hagrid se deram quando se reencontraram... O que havia tornado a relação dele e dela tão difícil? Por que havia sido criada essa barreira entre eles? Por que tinha essa vontade de dar-lhe as costas e ir embora?
Tári voltou e caminhava com a leveza característica dos povos élficos. Aproximou-se do jovem tão silenciosamente quanto sempre fizera. Analisava-o... Um sentimento incômodo de que havia feito algo de errado a tomara alguns momentos antes de começar essa conversa. Um sentimento que sempre tinha quando se indispunha com Alvo. O garoto estava tão concentrado em seus pensamentos que não percebeu que ela já se encontrava ao seu lado e, com calma e um toque de tristeza em sua voz, disse.
-O nosso problema é a rivalidade, Harry, ou algo próximo a isso.
- O quê? – Sobressaltou-se o jovem bruxo. Até quando isso continuará?
-Desculpe-me, Harry, mas esse não é o momento de discutirmos isso. Preciso da sua resposta agora, pois não teremos um momento melhor depois. – Disse enquanto observava o céu estrelado.
- Eu... Eu permito. – Ele não sabia direito o motivo pelo qual aceitara, mas de alguma maneira sabia que ela não o havia forçado. – O que eu tenho que fazer?
Tári sorriu, não um sorriso aberto cheio de ternura e simpatia, mas um sorriso discreto demonstrando apoio, dando-lhe coragem e um pouco mais de confiança.
Ela sentou-se no chão, sobre a terra fofa. As pernas estavam dobradas, as duas para a esquerda de tal maneira que seus joelhos apontavam mais ou menos para a sua frente. Com um gesto indicou a Harry que se sentasse ao seu lado direito apenas um pouco a frente de onde estava, para que pudessem se encarar sem dificuldades.
Harry sentou-se com as pernas esticadas a frente, cruzando-as apenas na altura dos pés e, então, se encararam. Ela tirou das vestes um pequeno vidro com um líquido um pouco viscoso, verde claro e passou um pouco dele nas sobrancelhas de Harry e no ponto onde elas deveriam se unir.
- Bora ned enni! (Confie em mim)
O cheiro do líquido era uma mistura de aromas de algumas ervas e de algumas flores. Era suave e nem um pouco enjoativo. Transferia ao garoto uma sensação de relaxamento e paz com o mundo. Sentia-se entrando em harmonia com tudo a sua volta, como se suas mãos, que agora tocavam o solo apoiando seu corpo, fossem parte da terra onde estavam... Sentia-se como uma extensão do mundo e ao mesmo tempo, como o mundo em si. Podia saber exatamente onde estavam as árvores as suas costas e ouvir o som de animais dormindo em suas tocas, pois os sons da vida chegavam aos seus ouvidos como música, instrumentos dissonantes tocados em sintonia.
Ele está pronto.
Foi nesse momento que Tári começou a cantar uma canção élfica, um encantamento antigo, e sua voz hipnotizou o garoto. Harry sentia suas pálpebras pesarem, seus músculos relaxavam por completo... Sono... Ele sabia que seria agora e, ao contrário do que esperava, não sentia medo.
Os dois fecharam os olhos simultaneamente. Ela sentiu sua consciência sendo atraída em direção à do garoto, fundindo-se à dele, tornando-as por alguns instantes, uma só. Sentia-se mal por invadir a intimidade dele, mas não havia outra maneira e já podia sentir suas dores, medos e alegrias... A dor pela perda do padrinho e de seu marido, Alvo, e para sua surpresa a dor do garoto era muito parecida com a sua.
Mas não pode continuar ali... O feitiço seguia seu curso sem se incomodar com seus sentimentos. O tempo passava e precisava ser rápida. Deixou-se levar pela magia que invocara, e se sentiu caminhando em direção a um túnel, a um buraco negro... Uma energia negativa que ainda era alimentada apenas por um sétimo de alma...
Havia chegado. Mergulhara em um turbilhão de tormentos e loucuras, em uma alma insana, desumana, perturbada, infeliz... À sua frente, imagens se definiam e se entrecruzavam. De onde estava podia visualizar inúmeras imagens, lembranças, como se cada uma fosse um aposento, sem paredes ou portas, em um grande corredor aparentemente sem fim.
Em cada uma delas, via em destaque o jovem ou o homem Tom, e quando fixava a sua atenção nele, transportava-se para dentro da imagem, na posição dele, compartilhando seus sentimentos causados pela lembrança.
Sua atenção mudava com grande velocidade na tentativa de absorver cada um dos detalhes das memórias. As mais externas, mais próximas, não lhe revelavam nada de imediato... Um garotinho levando uma bronca e um tapa de sua professora porque havia dito que não gostava do colega. Em outra, ela via uma bela garota de aproximadamente 16 anos, se insinuando para o jovem Tom Riddle, querendo uma chance para beijá-lo e ser seu namorado... Pobre garota, Tári pensou com pesar.
Ela precisava ser mais rápida e procurava com avidez encontrar algo relacionado mais ao Lord Voldemord de hoje do que a Tom Riddle. Foi, então, que ela o viu com aproximadamente 17 anos segurando um anel na palma de sua mão. Ele estava sentado em uma sala cheia de poltronas bastante confortáveis e uma decoração toda feita com tons escuros de verde e detalhes em prata de pequenas serpentes. Estava de frente para a lareira e com um livro pesado aberto sobre suas pernas. Havia um apoio para os pés onde repousava os seus e ainda havia uma cobra negra enroscada do lado da poltrona e com a cabeça apoiada em um dos braços sendo acariciada inconscientemente pelo jovem. Ela se concentrou naquela cena e pode ouvir as palavras como se saíssem de sua própria boca.
- Enfim, a segunda. Sim, Radji, logo atingirei a imortalidade definitivamente... Sete... Só faltam quatro para somar a parte que habitará meu corpo. Apenas quatro... – Um sorriso carregado de malícia e ganância formou-se em seus lábios. A sensação de poder, a vontade de sobrepujar o mundo, o desejo de dominar pelo medo, pelo terror. Desejo de causar tamanho impacto que ninguém terá coragem para enfrentá-lo... E se o fizer... Uma gargalhada alucinada saiu de seus lábios junto com a atenção de Tári, que procurou imediatamente outro foco para se fixar...
Viu o momento em que Severodizia a parte da profecia... Por que você tinha que fazer isso, meu filho? As cenas, então, começaram a ficar mais violentas... Torturas, crianças sendo mortas na frente de seus pais e pais sendo torturados e humilhados na frente de seus filhos... Como um homem poderia se tornar tão monstruoso? Tári podia sentir o ódio e o prazer pulsando nas veias dele como se fossem nas próprias... E ele ainda queria mais, deliciando-se com o terror estampado no rosto das crianças, com as súplicas das mães desesperadas... Aquilo o alimentava, saciava... Vingava! Outras mostravam ele manipulando as pessoas ao seu redor e ainda a intensidade do ódio ao seu marido subentendido em todas as palavras que dedicava a ele...
As imagens estavam ficando cada vez mais atuais... A face viperina reluzia nos ambientes onde se encontrava. Foi então que um formigamento começou a incomodar em sua nuca... Era hora de voltar, mas Tári queria ver mais. Só mais um pouco... Agora estava em um aposento sujo, era onde havia encontrado Severo e havia muitas pessoas na sala... Ela sabia que o formigamento indicava perigo, estava avançando demais e iria ser descoberta se continuasse... Ela prendeu sua atenção em Voldemort sentado naquela poltrona de frente para a lareira... Havia dois homens negros amordaçados e amarrados a seus pés e outro de pé com um olhar de cobiça para eles...
Ele ia descobri-la ali, o formigamento transformava-se em dormência. Precisava voltar! Concentrou-se e começou a ser atraída de volta para sua própria mente... Ele ia descobri-la... O rosto de Voldemort em cada uma das cenas pela qual passava estavam se virando lentamente em sua direção... Ela precisava sair mais rapidamente, pois todas as faces quase podiam vê-la...
Ela havia sido notada...
Era importantíssimo que não conseguisse ver seu rosto... Estava voltando rápido demais... Tontura, enjôo... As cenas passavam como borrões em ambos os seus lados...
Os olhos de todos os Toms já estavam quase cravados em cima dela.
Num último esforço, no último segundo, quando finalmente ia conseguir focaliza-la, ela realizou um feitiço élfico e seu rosto transformou-se rapidamente em luz instantes antes de seus olhares se cruzarem. E neste instante, Voldemort só pode ver os olhos ímpares da Senhora de Mithlien.
Tári abriu os olhos com uma expressão de surpresa e medo estampada em seu rosto. Então este é Lord Voldemort? Sua respiração ainda estava entrecortada, seu coração batia descompassado.
Como se fosse para tirá-la de seus pensamentos, Harry tombou para trás num sono profundo e aparentemente sereno. Ela se aproximou do rosto do garoto, e viu que de sua cicatriz um pequeno filete de sangue havia escorrido. Essa ligação é mais profunda do que eu imaginava. Limpou o sangue com um pequeno lenço que tirou de um de seus bolsos e disse:
- Toltha na Ithil, na Caladcuil. (Invoco-o para a luz, para a luz da vida)
Aos poucos, Harry começou a se mexer e a abrir seus olhos e assim que puderam se encarar ele voltou a dormir. Então, ela fechou os olhos, estendeu o braço direito dobrado em L e murmurou:
- Toltha i Naurthôr, Toltha Fawkes, sabar beleg Mellon! (Invoco a ave de fogo, Invoco Fawkes, meu grande amigo!)
Uma pequena labareda surgiu no ar, um pouco acima do antebraço de Tári. Fawkes pousou ali com elegância soltando algumas notas de uma melodia alegre. A ave e a elfa se olharam e com um movimento gracioso Fawkes pousou no chão enquanto Tári ajeitava Harry entre seus braços mantendo-o sentado no chão e com a cabeça recostada em seu ombro. Assim que ajeitou o garoto, a bela ave vermelha abriu as asas dando um pequeno impulso em direção ao ombro livre da elfa. Assim que se encostou a ele, uma labareda envolveu os três fazendo-os desaparecer logo em seguida.
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- Harry, onde você se meteu a noite toda? Quando a gente foi dormir nem Ringëril sabia onde você e a Tári estavam... O que aconteceu? – Perguntou Hermione curiosa.
Eles estavam em um pequeno bosque atrás do castelo. Havia bastante espaço entre as árvores e muitos animais corriam soltos. Alguns dos lobos que os recepcionaram estavam lá, e decidiram acompanhar os jovens em sua caminhada. Ali estavam Gina, Luna, Rony, Hermione e Harry. Assim que Hermione fez sua pergunta, eles chegaram a um local bastante acolhedor, onde havia alguns bancos distribuídos e que os convidavam a sentar. Depois de se acomodar em um banco ao lado de Gina e Luna, Harry respondeu.
-Para falar a verdade, não me lembro direito o que aconteceu, só sei que estabelecemos uma trégua entre nós.
- Como assim, não lembra? – Perguntou Rony desconfiado.
- Bem, tivemos uma conversa muito longa e cansativa para conseguirmos acertar algumas diferenças que até agora eu não sei por que tinha. Confio nela, mas não sei se gosto dela.
- Ahhh, Nêssa me disse que é muito difícil ser amigo da Senhora Tári. Ela tem uma personalidade muito forte... – Falou Luna com seu jeito avoado de sempre.
Os garotos se entreolharam diante da afirmação da amiga. Ultimamente Luna andava tanto entre os elfos que era de se esperar que ela soubesse mais sobre essa raça tão peculiar, mas em momento algum eles pensaram em perguntá-la algo em específico. Pelo menos não até esse momento. Hermione, então, resolveu quebrar o pequeno silêncio que se instaurara entre eles.
- O que mais ela te falou, Luna? – Perguntou Hermione prestando uma atenção que jamais havia dedicado à garota.
- Sobre a Senhora? – Perguntou Luna observando a dança das folhas avermelhadas carregadas pelo vento suave que soprava no bosque. – Nêssa me disse que ela fugiu de casa ainda quando era preparada para substituir o pai que era o então Senhor de Mithlien . Ela devia ter uns 300 anos, pouco mais que a idade de Nêssa...
- Fugiu? – Perguntou Gina sorrindo descrente, achando bastante estranha aquela atitude para alguém como Tári.
-Nêssa tem 300 anos? Eu achei que ela tinha a nossa idade! – Disse Rony entre surpreso e irônico.
-Ai Rony... – Disse Hermione fazendo cara de descrente para o namorado. – Você acha que a Tári tem quantos anos? 30? Ela se casou com Dumbledore! E quando eles eram jovens! A idade deles não se reflete em suas aparências... Ah deixa para lá. – Vendo em Rony a cara de quem não queria ou não podia acreditar em uma única palavra do que ela falando, virou-se para Luna e perguntou. – Por que ela fugiu, Luna?
- Eu não sei ao certo o porquê, mas foi quando ela fugiu que ela conheceu o professor Dumbledore. Só isso que eu sei.
Harry ficou olhando para Luna enquanto ela falava... A simplicidade com que se referia àquele povo o fez pensar na absurda possibilidade dela ter nascido no povo errado. Absurda?
Foi nesse momento que Tári junto de seu pai e todos os demais bruxos apareceram.
- Harry, é chegada a hora e devemos partir agora. Imagino que já sabe se irá sozinho ou acompanhado. – Disse a elfa com seu conhecido tom de voz suave e imponente.
- Sim, meus amigos aqui, Rony, Mione, Luna e... Gina irão comigo. Gostaria de pedir que Hagrid também nos acompanhasse já que ele conhece bastante a sua terra.
Hagrid olhou para Minerva que já lhe sorria de volta em sinal de que não teria problema. Ela sabia que seria muito importante para o garoto ter alguém que conhecesse os costumes élficos e fosse seu amigo incondicionalmente como Hagrid é.
-Garotos, - fungou a senhora Weasley – acho que é hora de nos despedirmos. Rony – e conforme ia abraçando, dava seus conselhos e recomendações – por favor, comporte-se. O mesmo serve para você, mocinha. Tenha cuidado, Gina, e fique sempre perto dos demais, está bem? Hermione querida, cuide-se viu? Luna, o que eu vou dizer para seu pai? Tome muito cuidado! Harry, meu querido, dedique-se bastante para vocês voltarem o mais rápido possível. – Falou sufocando o garoto num abraço bem típico dela.
- Sra. Weasley? – Chamou Luna. – Por favor, teria como a senhora entregar esta carta para meu pai? Tenho certeza que ele vai entender. – Pediu enquanto entregava à matriarca Weasley um pedaço de pergaminho bastante dobrado.
-Sim, querida, claro.
O Sr. Weasley fez as mesmas recomendações enquanto abraçava um por um. Lupin se despediu brincando com cada um deles um pouco, mas sem deixar de recomendar o mesmo cuidado e atenção que a Sra. Weasley. Minerva, Alastor e Quim foram mais discretos e rapidamente se despediram. Eles seguiram de volta ao castelo enquanto os garotos, Hagrid e os demais elfos mantiveram-se ali.
- Hum... Tári? – Perguntou Harry.
- Sim, Harry? – Respondeu a elfa enquanto se encaminhava para um dos bancos ali em volta.
Rony, Mione e Gina estranharam o comportamento pacífico entre os dois, mas ao mesmo tempo ficaram aliviados. Seria muito trabalhoso ter que acalmar Harry todos os dias que estivessem lá.
- Como... Como iremos para Mithlien?
Mal fez a sua pergunta e Lúthien apareceu no bosque andando calmamente, acompanhado por três elfos, entre eles Ringëril.
- Meu pai, está tudo bem? – Perguntou Tári recebendo um discreto sorriso em resposta. – Podemos ir?
Ele olhou para o horizonte e simultaneamente Tári fez o mesmo. Harry teve a impressão de que eles procuravam algum sinal naquela linha levemente sinuosa que ao longe separa o céu da terra. Lúthien foi o primeiro a sair daquele estado e olhar para a filha.
-I mín êl síla si thar ammen. I lû tol! (A nossa estrela brilha agora sobre nós. A hora chegou) – Disse Tári para seu pai.
Eles se direcionaram para o jardim sombreado próximo à entrada do castelo. Durante o caminho, Tári explicou que os pertences deles seriam levados mais tarde quando os demais elfos voltassem para Mithlien. Andaram praticamente todo o trajetoem silêncio. Sabiamque partiriam naquele dia, porém só agora se sentiam inseguros, despreparados. Era outra terra, com outros costumes, crenças. A magia deles manter-se-ia inalterada?
Chegaram à fonte onde a escultura central era de um elfo cuja sexualidade não era discernível e que sustentava um vaso de ouro cravejado por muitas pedras preciosas, de várias cores e em toda sua superfície.
Os garotos não entenderam o porquê de terem parado de frente para a fonte e foram surpreendidos quando viram Lúthien, Tári e os demais elfos segurarem suas túnicas, puxá-las um pouco para cima e entrarem na água da fonte. Assim que entraram, porém, soltaram suas vestes permitindo que suas barras se molhassem. Tári virou-se para os bruxos e juntamente com seu pai estendeu sua mão indicando que eles deveriam entrar também.
Gina a encarou atentamente e entrou no lago sem tirar os olhos da elfa. Como se estivesse esperando por isso mesmo, a garota ouviu a voz musical dela em sua mente.
Sim, Ginevra Weasley, esta fonte em seu sonho não foi uma mera coincidência.
Assim que todos já haviam entrado, Lúthien se direcionou para o jarro de ouro. Tocou-o e por um breve momento os jovens puderam vislumbrar um rápido brilho de cada uma das pedras que ali se encontravam. Então, a água que saia do jarro começou a ganhar vida, tomar forma. Em segundos, havia uma ave enorme sobre suas cabeças formada de água ainda ligada ao jarro.
Tári se uniu a seu pai, tocando o jarro e a mão dele. Lúthien começou a murmurar algumas palavras em sua língua materna e conforme ele falava, a ave aumentava de tamanho até perder o contato com o jarro e explodir em pequeninas gotículas de águas, formando uma grande cerração, uma neblina. Neste momento, ele silenciou.
Tári começou a entoar uma melodia que para Harry soava estranhamente familiar... Harry sabia que já a tinha ouvido antes, mas aonde? A neblina começou a se dissipar rapidamente, uma nesga de sol já era possível ver através daquela cortina de água. Tári continuava a cantar e enquanto Harry observava que não estavam mais nos jardins do castelo, uma ave de plumagem vermelho-fogo aproximou-se dele e pousou delicadamente em seu braço que ele havia estendido automaticamente. Foi então que reconheceu a melodia... Era a mesma que havia escutado quando Fawkes foi buscá-lo na Câmara Secreta, que ele escutara na estranha redoma de luz que se fez ao redor dele e de Voldemort quando este ressurgira...
Todos os jovens bruxos não conseguiram esconder sua admiração pelo local em que se encontravam assim que a neblina se dissipou. Gina observava com admiração o tamanho das árvores que os rodeava, com seus belos troncos acinzentados e suas copas muito altas. Com um pouco mais de cuidado e atenção pode observar a existência de casas nas árvores... Eram tão bem feitas que se encaixavam perfeitamente no ambiente parecendo ser parte das árvores, sem destoar dos tons e dos traços da natureza em todo ao seu redor.
Havia uma grande quantidade de plantas e animais que eles não conheciam. Uma elfa aparentemente mais jovem que a maioria cantava ali perto acompanhada apenas pelas notas frágeis e encantadoras de uma pequena harpa em suas mãos. Eles ainda estavam na fonte quando perceberam Tári e Lúthien os observarem. Por mais reservada que a Senhora de Mithlien fosse ela não escondia o prazer de ver os jovens bruxos admirando sua terra que é tratada com tanto carinho e respeito por todos os elfos.
- Mae Govannen! Bem vindos! – Disse Tári e Lúthien estendendo suas mãos em sinal que eles poderiam se aproximar. Alguns elfos se aproximaram curiosos com relação aos visitantes. Dois deles deram grandes sorrisos para os recém-chegados e logo foram reconhecidos.
Nêssa e Daeron aproximaram-se da fonte e ajudaram Luna e Gina saírem, sendo que o elfo se demorou mais com a ruiva se oferecendo para acompanhá-la. Harry observou aquele elfo com muita atenção. Jamais o havia visto e mesmo assim ele parecia gentil demais com sua... Gina.
Rony, percebendo onde o olhar do amigo estava cravado, aproximou-se e lhe disse baixinho.
- Cara, é melhor você abrir os olhos. Esse cara deu em cima da Gina ontem a noite toda!
- Eu não tenho...
-A quem você quer enganar, Harry? A mim? Que que é? Abre os olhos, só isso que te falo. – Dizendo isso, se aproximou de Hermione, passou o braço por cima de seu ombro e começou a seguir o grupo que já se direcionava para uma trilha por onde muitos elfos transitavam.
Harry ficou estático por alguns segundos observando o elfo estender uma de suas mãos para Gina que a aceitou e mantendo-a na altura de seu peito, começou a conduzi-la também. Porém, antes de começarem a andar, Gina deu uma rápida olhada a sua volta e por alguns instantes puderam trocar um olhar. Havia sido rápido, sim, mas suficiente para o pequeno monstro dentro do peito de Harry se contorcer de ciúmes e desejo.
Sua atenção foi desviada pela chegada de um grande grupo de elfos armados com suas espadas e arcos tendo a sua frente Camthalion e Elladan. Um calor subiu pelo rosto de Harry, a vergonha sobre o que havia feito ao jovem elfo dias atrás voltou com intensidade aos seus pensamentos. Ficou feliz ao ver que ele estava bem, mas não conseguiu encará-lo em momento algum. Quando ele se aproximava para cumprimentá-lo, Harry tentou dar a volta por trás do grupo de bruxos, na tentativa de passar despercebido, pelo menos inicialmente. E foi nesse momento que ele teve a maior surpresa desde que soubera da existência de Tári e seu povo: a presença de um jovem de cabelos e olhos negros e o rosto levemente rechonchudo...
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Olá pessoal!!!
Primeiramente gostaria de pedir desculpas por não ter postado antes. Por mais que eu mexesse nele, não consegui deixa-lo do jeito que eu queria. Espero que me perdoem..
Quanto às falas em élfico devo explicar a vocês que eu sei que ela não estão corretas pois não sei fazer as declinações e a conjugação dos verbos e artigos...ainda estou aprendendo e assim que conseguir, retorno e corrijo... Mas eu queria colocar algo em élfico de qualquer jeito, portanto...
Agora meus Agradecimentos!!!
Rubeo: Primeiramente obrigada pelas dicas!!Sem elas...não saia esse!!! Espero que tenha gostado da invasão....não ficou como eu queria...pelo menos não consegui passar exatamente o que tinha em mente, mas ficou bem próximo... Vamos ver.. Beijão grande!
Expert2001: Nossa...estou em dívida com você, não? Estava super difícil terminar esse, e olha que nem tinha muita coisa...na verdade tinha mais, mas eu resolvi dividi-lo...espero que fique melhor mesmo... E olha...estou pensando em lutas aqui sim, mas as que estavam previstas p/ esses caps vão aparecer em Conspirações...o próximo cap vai sair, acho que ainda essa semana. Beijão grande e espero que tenha gostado!
Lis_Strange: Minha amiga, sei que deve estar dureza sem net ai! Puxa, to com saudades de você, sua doida!! Como eu disse para o Expert2001, a ação dessa parte vai aparecer em Conspirações, então..espero que goste. Que achou da invasão da mente do Voldie? Ruim? Beijo enormeeeeee!
Suzinha: Sim, vamos discutir eternamente para saber de quem foi a idéia...ahuahuahuahau. Foi nossa, seguindo linha de pensamento, pronto! Olha...o Harry não vai engolir fácil o Daeron...ainda bem!!!(A voz dele anda esguelando na minha cabeça...huahuahuahauhauh) Precisamos conversar sobre o próximo cap! Beijão amiga!!!
Gina: Meninaaaa, como vc está sumida!! Já deu uma passadinha em Conspirações? O que achou? Espero que tenha gostado! Quanto a esse cap...bom... não esqueça de dizer se achou bom ou ruim, viu?? Beijão querida!
Zoey Evans Black: Olááá! Tudo bem? Que bom que você está gostando! Fico super feliz de ter mais alguém com quem eu possa contar com uma crítica ou um elogio (ninguém é de ferro, não? Hehehehe). Obrigada pelo comentário e espero que goste desse cap tb... Beijão
Pessoal, por enquanto é só!!!!! Beijão grande..agora vou partir para as Conspirações...heheheh