Oi, oi povo!!!
Eis mais um capítulo e nele, palavras que não deveriam ser ditas, verdades que deveriam ser ditas antes e acima de tudo arrependimento...
Gente, antes de responder os comentários... Falei com a Aninha ontem e ela agradeceu os recadinhos, vou colar aqui o que ela escreveu...
“manda um beijão pra elas, fala que agradeço de coração pelo carinho, fiquei muito contente e que, logo logo eu to de volta com a minha fic tbm”
Quem quiser acompanhar a fic dela está aqui o endereço (http://fanfic.potterish.com/menufic.php?id=37894), está mais que recomendada é um SS/HG. ^^
Nana!! Sim, bem tenso e o próximo será mais tenso ainda... Olha, não acredito que ele tenha errado de propósito, prefiro pensar que o morcegão teve uma sorte incrível... E sim... O Snape é infinitamente melhor... ^^
Carla Cascão: Então... Sobre a condição da Hermione, tudo indica que um bebê está pra chegar, mas se isso vai ajudar ou atrapalhar o casal, só o tempo dirá...
Menina, manda os nomes dessas bandas, fiquei curiosa agora! ^^
Lolita: Aahhh, gostou do doce é?rsrsrs Até eu fiquei com vontade, eram lindos de se ver, imagina comer então!!!rsrsrsrs
Sim, o Ron teve seu fim merecido, por tudo que fez direta e indiretamente para a família da Hermione e para o país...
Sobre a Hermione ser mamãe, tudo indica que sim, mas vai saber né?rsrs
Sim, infelizmente um confronto vai acontecer, mas por outras razões...
Carla Ligia: Menina, a coisa é um pouco mais complicada do que isso, apenas se lembre que, tanto o James, Harry e o Snape, concordaram em não dizer a verdade para a Hermione... E pense no que isso pode resultar...
Tonks: Então flor, é como disse pra Carla Ligia, não é apenas uma questão de julgar e sim, como a história chega aos seus ouvidos, sem você conhecer a verdade... Lembre-se da última briga que eles tiveram e que o James, Harry e o Snape, concordaram em não dizer a verdade para a Hermione... Bom... Vendo o histórico dos dois, boa coisa não vai sair...
Taina: Quem sabe... ^_~
Bjinhos e Boa leitura!
*****
A tarde começava a cair quando Hermione deixou a casa de Ronald. Soprava um vento muito frio, indicando que a noite seria gelada, mas ela recusou-se a aceitar a oferta da carruagem dos Weasley para levá-la de volta à sua casa. Como não pretendia retornar ainda e não pretendia revelar para onde iria, afastou-se rapidamente até chegar a uma rua mais movimentada.
Já escurecia e o frio aumentava quando Hermione se deu conta de que não conseguiria caminhar até seu destino. Por não lhe restar outra opção, pediu a um homem que passava e parecia ser um cavalheiro, para lhe conseguir um dos coches que serviam de táxi. Embora a fitasse com espanto, o desconhecido logo conseguiu encontrar um. Poucos minutos depois ela parou diante da casa onde já estivera uma vez e, criando coragem, bateu à porta.
— Lady Granger! — exclamou Hagrig, ao abrir a porta. Disfarçando a surpresa, o mordomo a fez entrar no vestíbulo às escuras e muito frio, pois não havia nenhuma lareira acesa.
— Pode avisar o duque de Avon de minha presença, Hagrid? — Embora tivesse recebido ordens muito claras de não receber nenhum visitante, o mordomo não acreditava que a proibição incluísse a bela mulher de olhos amendoados e rosto muito pálido. Notou traços de lágrimas recentes no rosto delicado, mas não podia ir contra a vontade expressa de seu patrão.
— Sinto muito, milady. Sua excelência não está recebendo visitas.
Esgotada pelas emoções daquele dia terrível, Hermione percebeu que suas pernas enfraqueciam e sua visão se escurecia, como acontecera na casa de lady Patil. Jamais perdera os sentidos em toda a sua vida, nem nos cinco anos passados nas piores condições possíveis durante a guerra na península ibérica, e estava prestes a ter o segundo desmaio no mesmo dia! Ela voltou a si, sentada no sofá, e com a cabeça apoiada nos joelhos. Ainda estonteada, percebeu que soluçava e Dumbledore como Luna fizera no início da manhã, a segurava pelos ombros como se ela fosse uma criança precisando de atenção.
— Ele está bem, milady — repetiu o valete, vendo que agora ela entendia suas palavras. — Foi só um ferimento superficial. Com a rapidez de um raio, o desespero de Hermione se transformou em fúria. Como a mãe que salva um filho pequeno de algum acidente, ela queria desabafar sua raiva justamente sobre a pessoa que a fizera sofrer. Ao perceber que já recuperara o controle das penas e das emoções, ela afastou o senhor e, sem dar-lhe tempo para tomar uma atitude, correu para o escritório, entrando intempestivamente.
Toda a agitação não passara desapercebida por Snape que já a esperava, sentado atrás de sua escrivaninha, preparado para o confronto do qual não conseguiria escapar. Hermione viu o esparadrapo na testa dele, confirmando as palavras de Dumbledore, e também notou as olheiras que talvez indicassem uma noite sem dormir, mas nada a impediria de falar. Não pensou em como ele poderia estar se sentindo, porque suas emoções eram intensas demais.
— Você o matou porque ele me amava ou por causa de minha ameaça na noite em que me joguei em seus braços? — perguntou ela, tomada por uma raiva fria.
Na convivência com o pai, Snape aprendera o quão era fútil defender a si mesmo e, além disso, queria que Hermione o julgasse inocente das acusações que ela lhe atirava em pleno rosto e soubesse, sem explicações, que tipo de homem ele era. Por esses motivos, não respondeu, fitando-a com uma expressão impassível. Diante do silêncio continuado dele, a raiva de Hermione ultrapassou os limites da racionalidade. As emoções intensas daquele dia haviam alterado seu equilíbrio que já estava sendo afetado por motivos ainda ignorados por ela.
— Então, Severus? Não vai se justificar? Ou será que a única explicação para as suas ações é o ciúme?
Apesar da expressão de Snape não ter se alterado diante da grave acusação, a jovem concluiu que o silêncio dele era uma confissão de culpa. Afinal, que outro motivo haveria para matar alguém como Ronald Weasley?
— Que comportamento sórdido! Sua excelência, o duque, não me quer... um fato que deixou bem claro nas últimas semanas. — Hermione finalmente admitia a dor de ver suas esperanças morrerem a cada dia passado sem que ele a procurasse. — Entretanto, não permite que ninguém mais me tenha, não é? Ron foi apenas o começo? E você é o único homem que sabe como posso ser... imoral. Se decidiu matar os homens que se interessarem por mim, um após o outro, prepare-se para trabalhar muito. Pretendo mantê-lo bastante ocupado!
Snape finalmente também sentiu uma raiva incontrolável. Hermione o acreditava capaz de matar um homem simplesmente porque o pobre coitado a beijara ou dançara com ela? Acabara de chamá-lo de assassino e era essa mulher que jurara amá-lo para sempre!
Mas Severus herdara a fria arrogância de seus ancestrais que dominavam seus súditos sem erguer a voz e nunca se rebaixaria a entrar em discussões vulgares. Ele a olhou da cabeça aos pés, com todo o desprezo que sentia capaz de demonstrar.
— Por Deus, madame! A opinião que tem sobre si mesma é de um exagero grotesco! Na verdade, os seus encantos são medíocres.
Hermione já o agredira uma vez, mas nunca imaginara que ele voltasse a despertar uma raiva tão intensa nela. Mas desta vez, o atingiria com uma crueldade maior do que a do impacto de um golpe de sua mão.
— Você é tão deformado quanto essa perna lamentável que arrasta atrás de si! Deformado e pervertido! — Apesar da expressão que começava a alterar as feições de Snape, ela não podia mais se conter. — Viu em Ronald Weasley tudo o que nunca poderia ser e, devorado pelo ciúme da força, beleza e graça desse jovem sem culpa, o destruiu! Saiba que se fosse comparado com ele, provocaria apenas repulsa!
Com os movimentos pouco coordenados, como se estivesse se movendo num pesadelo, Hermione virou-se de costas para o duque e caminhou para a porta, quase derrubando Dumbledore que permanecia imóvel e chocado à entrada do escritório.
Só Hagrid manteve a presença de espírito, mas ele não ouvira as palavras de lady Granger. Com toda a cortesia de um excelente mordomo, acomodou-a na carruagem do duque que já a esperava diante da casa há mais de dez minutos.
Quando o cocheiro enviado para buscar Hermione após o almoço de noivado oferecido por de lady Patil retornou e contou a Lupin que ela fora mandada de volta para casa na carruagem da anfitriã, há mais de quatro horas, o mordomo foi direto falar com a criada de quarto.
Luna ouviu o relato e, pressentindo que havia algo muito errado, culpou-se por sua relutância em oferecer-se para ajudar Hermione naquela manhã. Só esperava que ela não tivesse cometido algum ato de desespero! Rezando, foi à procura de sir James que estava nos aposentos do filho.
O general não fora trabalhar para evitar comentários sobre o acontecimento daquela manhã e também para não revelar sua satisfação com a morte de Weasley. Ele ouviu Luna, sem demonstrar nenhuma preocupação.
— Minha filha sabe cuidar muito bem de si mesma, minha cara. — Vendo que a criada o censurava por sua calma, decidiu reconfortá-la. — Você deve se lembrar da eficiência de Hermione nas situações mais difíceis.
A criada se retirou, sem se acalmar com as palavras do general, deixando Harry ligeiramente alarmado.
— Acha possível que alguém tenha mencionado o duelo diante de Mione? — perguntou ele ao pai.
— Absurdo! Acha que um bando de bonecas fúteis em um almoço de noivado iriam falar de algo tão desinteressante como um duelo? Sua pergunta demonstra que conhece pouco as mulheres desta cidade, Harry. A notícia ainda não chegou à ala feminina que deve estar trocando mexericos ou discutindo sobre moda.
Mas a semente da dúvida fora plantada e, como nenhum dos dois sabia de que forma Hermione reagiria à notícia da morte de Weasley, o medo os levou a agir. Vestindo um pesado sobretudo, o general foi até a casa de lady Parvati Patil. Ao ser informado do incidente daquela manhã, sua preocupação e seu sentimento de culpa começaram a crescer.
O cocheiro dos Patil foi interrogado e disse que a deixara na residência dos Weasley. O general se dirigiu para lá e o mordomo o informou que lady Granger recusara a carruagem da família e se afastara da casa... andando a pé!
A pista terminava na esquina da Sloane Street e, depois de duas horas de busca infrutífera pela cidade varrida por ventos gelados, sir James voltou para casa. Incapaz de imaginar o paradeiro da filha, disse a Harry que só lhes restava esperar e contar com o bom senso de Hermione.
Harry já estava sentado diante da janela de seu quarto há quase duas horas quando viu a carruagem do duque de Avon parar diante de sua casa. Sentiu um enorme alívio ao avistar a irmã caminhando para a porta, incólume. Nada de mal poderia ter lhe acontecido pois estivera com Severus, um amigo da família.
O general entreabriu a porta do quarto do filho, onde também ficara à espera dela, e a chamou quando cruzava o vestíbulo.
— Por favor, venha até aqui, Hermione. Eu e Harry precisamos conversar com você.
— Estou muito cansada e me sentindo indisposta. Podem deixar essa conversa para amanhã?
Sem esperar pela resposta do pai, a jovem começou a subir a escada. Não teria forças para agüentar mais um confronto. Certamente os dois sabiam do duelo, mas ignorava se já estavam cientes do que motivara aquela ação bárbara.
O pior seria contar a verdade a Harry, que o admirava tanto e fora traído, como ela. Não queria ver a dor que as ações de Snape provocariam no irmão. Pelo menos, não conseguiria suportar mais um abalo emocional naquela noite!
— Sinto muito, mas a conversa não pode esperar até amanhã. Nós já esperamos demais.
Aproximando-se do pé da escada, o general aguardou que a filha descesse e, segurando-lhe o braço, conduziu-a para a saleta de Harry.
Quando ela entrou, o irmão viu o olhar quase vidrado, tão comum em soldados que haviam visto muita carnificina, muitos amigos mortos, horrores em demasia e deu-se conta da enormidade do erro cometido por ele e pelo pai.
— Onde você esteve? — perguntou ele, tentando controlar o nervosismo.
— Fui visitar a mãe de Ronald Weasley — respondeu ela, calmamente. — Nunca a encontrou, Harry? É uma mulher difícil, mas amava o filho como nosso pai amava os dele.
— As mães amam os filhos mesmo quando eles são homens sem valor — acrescentou o irmão.
— Sem valor? A ponto de não ser digno do amor da própria mãe? Não seja ridículo nem tão maldoso, Harry! Ron era irreverente e um tanto irresponsável, só que não merecia ser morto dessa forma. Aliás, ninguém merece uma morte assim! Não ignoro o quanto admira Snape, mas o que ele fez hoje é imperdoável e você deve saber disso, meu irmão.
— Por que imperdoável, Hermione? — insistiu Harry, procurando conduzir o diálogo com toda a prudência. — Foi um duelo, uma disputa para defender a honra e, além disso, Ronald desafiou Snape.
— Você sabe que Snape deve tê-lo provocado... só ignora o motivo, não é?
— Mas eu sei muito bem qual foi o motivo, Hermione. Snape o matou porque Ronald era o traidor que vínhamos procurando há tantos meses. Ele...
— Traidor? Ronald Weasley? — Ela interrompeu o irmão, dando uma gargalhada amarga. — Deus do céu! Então foi essa a desculpa que Snape lhe deu? Como pôde acreditar, tendo lutado ao lado dele na Espanha?
Olhando para o pai e para o irmão, a jovem convenceu-se de que o duque os envolvera com suas mentiras e sentiu o ódio crescer.
— E impossível não ver que vocês dois caíram como dois patinhos! Pois me permitam trazê-los de volta ao mundo real, meus queridos. Snape o matou porque tinha ciúmes de Ronald. Quando seu precioso amigo recusou-se a se casar comigo, Harry, eu o provoquei, dizendo que Ron me amava. Agora sabe quem é o homem a que tanto admira!
Hermione começou a se inquietar quando viu que nem o pai nem o irmão a fitavam com incredulidade ou tristeza.
— Quem descobriu as atividades criminosas de Ronald fui eu, Mione. E garanto-lhe que não existe qualquer possibilidade de dúvida sobre sua culpa. Ele vinha vendendo informações sobre nossos planos militares para os franceses, há mais de dois anos. Com muito lucro, se considerarmos o estilo de vida luxuoso que levava...
Desorientada, olhou para o pai, esperando que ele negasse a versão de Harry. Embora relutante, o general voltou-a interferir na conversa entre os dois irmãos.
— O pai de Ronald tinha hipotecado a casa da família em Kent e os credores queriam vendê-la para recuperar o dinheiro emprestado. Não havia como impedi-los e Ronald, sem nenhum talento além de dançar e cavalgar, não podia sequer manter a mãe ou a si próprio. Ela devia amar muito o filho, porque ele traiu seu país para comprar-lhe futilidades.
Então, Hermione lembrou-se da bela casa de lady Weasley e de tudo que ela lhe contara sobre as dívidas após a morte do marido. Afirmara que o filho a salvara de uma vida inaceitável e teve de admitir a versão de Harry. Nunca entenderia os motivos de Ronald, mas era obrigada a acreditar diante da convicção estampada no rosto dos dois homens em quem mais confiava e respeitava.
— Nunca conseguiríamos provar a culpa de Ronald em um tribunal — voltou a falar o pai, percebendo a aceitação nos olhos da filha. — Além disso, um julgamento público destruiria a reputação dos homens sob meu comando e que não merecem partilhar de um crime, só porque gostavam e confiavam em Arrington. Entretanto, era preciso impedi-lo de continuar. Eu queria matá-lo com um tiro pelas costas, como se faz com um covarde. Snape recusou-se a aceitar essa possibilidade pois seria um assassinato a sangue frio.
A palavra assassinato provocou uma expressão de intenso desespero no rosto da jovem, mas o general prosseguiu apesar de ter notado a reação da filha.
— Snape sabia que a única solução seria um duelo, apesar de reconhecer os riscos de perder a própria vida nesse confronto. Weasley era famoso por sua pontaria certeira e eu acompanhei o duque, esta manhã, certo de que enterraria os dois. Graças a Deus, não foi o que aconteceu! Pode imaginar quantos homens morreram por causa das informações vendidas aos nossos inimigos, filha?
O general calou-se, olhando para Harry e Hermione também voltou-se para o irmão. Aquele homem, ainda jovem e em pleno vigor, tornara-se um inválido e era a realidade concreta da traição de Ronald. Ela teria apertado o gatilho sem hesitar, como o fizera ao matar o assaltante que agredia Snape.
Subitamente, ela deu-se conta de que só Ronald era o responsável por essa tentativa de assassinato e sentiu o quarto girar à sua volta.
— Oh, Deus! O que fui fazer!
— Mione! — Harry assustou-se com a expressão desfigurada da irmã. — O que você fez?
Apesar de insistirem exaustivamente, Hermione recusava-se a contar-lhes o que fizera. Após algum tempo, ela pediu para se retirar e, antes de sair do quarto de Harry, encarou o pai e o irmão.
— Vocês deviam ter me contado.
Infelizmente, nenhum dos dois tinha uma justificativa para essa desastrosa omissão e, em silêncio, a viram sair do quarto e fechar a porta atrás de si.
Snape estava completamente bêbado. Abrira a primeira garrafa depois que Hermione saíra de seu escritório e, às três horas da manhã, dera ordens para que Dumbledore trouxesse a quarta.
Ele raramente bebia, pois valorizava demais a clareza de sua mente e recusava-se a toldá-la com o álcool. Mas naquela noite, queria afogar a dor provocada pelas palavras dela, que pareciam continuar ecoando entre as paredes de seu escritório.
“A perna lamentável que arrasta atrás de si... uma comparação que só poderia provocar repulsa...” Era inacreditável que a verdade, com a qual convivera por toda a sua vida, ainda pudesse causar-lhe tanta dor.
A garrafa escapou de suas mãos, caindo ao chão, e o barulho fez com que a sombra parada à porta, há horas, se aproximasse do homem inclinado sobre a escrivaninha.
Dumbledore já havia vindo diversas vezes ao escritório para tentar convencer o duque a se retirar para seu quarto. Snape atirara a garrafa no valete, usando um tom de voz que ele jamais ouvira antes, ofensivo e brutal.
Se o velho senhor não tivesse ouvido as palavras de Hermione, se sentiria ofendido e talvez conseguisse dormir. Infelizmente, presenciara toda a cena e sabia que elas podiam destruir a única pessoa a quem realmente amara como a um filho. Por isso retornara ao escritório, determinado a não deixá-lo sozinho num momento de tanto sofrimento, ainda que sua presença fosse silenciosa. Esperara por muito tempo no corredor gelado, até ver a cabeça sempre altiva apoiar-se no tampo da escrivaninha.
— Vamos para o quarto, milorde.
Snape ergueu a cabeça, tentando focalizar a imagem à sua frente.
— Albus? Ainda não foi dormir? Vá para a cama, homem. Deixe-me em paz! Eu estou muito bem!
— Então prove! — declarou o senhor, que jamais desistiria de sua tarefa de cuidar daquele homem. — Fique em pé e vá comigo até a porta. Se conseguir, eu o deixarei em paz. Só um idiota ficaria nesta sala gelada, sem acender a lareira.
— Está me chamando de idiota? — perguntou Snape, com uma expressão belicosa.
— Exatamente, milorde. Deixou que uma mulher em estado de desequilíbrio emocional o atingisse com suas palavras. Já não aprendeu, há tanto tempo, que palavras não podem feri-lo? Só importa quem você é e o que faz.
— Mas eu sou o que ela disse! Um aleijado, de mente deformada e pervertida. Talvez tenha matado aquele rapaz apenas porque tinha inveja... ou porque ele a desejava. Agora parece que Hermione também o desejava.
— Ele era um traidor, vendia as vidas de seus compatriotas por dinheiro e você sabia que precisava matá-lo, Severus. E se ela o desejava...
— Era a mim que ela desejava, Albus! — interrompeu Snape, em voz muito baixa. — Veio ao meu quarto e... eu nunca a teria tocado mas... ela se entregou a mim... Devia saber que eu nunca mataria um homem por inveja ou ciúme!
— Ela o ama e sabe disso, rapaz. Só está um pouco confusa e precisa de tempo. Levou um choque terrível quando soube do duelo e veio até aqui porque temia por sua vida. Chegou a desmaiar no vestíbulo, tal o nervosismo diante do seu "ferimento na cabeça".
— A culpa é toda minha. O general queria contar a verdade à filha e eu disse que não era necessário. Ela deve ter ouvido a história contada por outra pessoa e... não importa. Nada mais importa. Tudo terminou antes de começar...
Percebendo que Snape finalmente esgotara a agressividade, Dumbledore ajudou a levantar-se e lhe entregou a bengala. A longa caminhada através da sala e do vestíbulo foi extremamente penosa, mas nada se comparava a subir as escadas.
— Um homem de bom senso teria seu quarto no andar térreo — resmungou o valete, que já recrutara a ajuda de Hagrid e, ainda assim, não conseguia empurrar o duque por mais um degrau.
— Um cavalheiro jamais dorme sob as escadas! — disse Snape, citando as palavras do pai.
Desde muito menino, o pai o colocara no terceiro andar da casa em Sandemer e proibira que alguém o carregasse ou mesmo o ajudasse a subir as intermináveis escadas.
Dumbledore teve a impressão de que a escalada levara horas, mas acabou por chegar ao quarto do duque e, depois de acomodá-lo na cama, começou a massagear os músculos da perna atrofiada. Sabia que a umidade e o frio da manhã, além do esforço emocional e físico provocariam dores intensas e precisava aliviá-las para que Snape pudesse dormir.
Finalmente, o calor da lareira acesa no quarto e as massagens surtiram efeito e Snape começou a relaxar. Estava quase adormecendo quando voltou a abrir os olhos e encarou o velho valete.
— Estou bêbado mas, se não fosse assim, eu não lhe diria isso. Embora esse tipo de confissão não possa ser levada muito a sério, saiba que o amo muito, Albus. Você foi um verdadeiro pai...
O senhor ainda permaneceu algum tempo no quarto depois do duque ter adormecido. Quando retirou-se e se deitou em sua cama, apesar do extremo cansaço, demorou muito para conciliar o sono.