Oi, oi povo!!!
Mais um capítulo, veremos o quanto Hermione se preocupa e ama seu irmão.
Nana! Tenho que admitir que ri com seu comentário, o morcegão realmente é uma pessoa difícil de lidar, mas ele tem motivos para isso, talvez não os certos, mas ainda sim, são motivos... E sim, ele vai sofrer um pouquinho pelo menos com tudo isso... Agora o que você falou sobre o ciúmes, é algo realmente inusitado, pelo menos pra mim!rsrs Acredito então, que você vai gostar de algumas cenas que vão acontecer mais pra frente... Veremos! ^^
Tonks! Sim o interesse é grande e tende a aumentar, morcegão e ciúmes será outra coisa que está em combinação quase que permanente na história, rs
Sobre o informante, o que posso dizer é que ele já apareceu na história, em alguns capítulos lá atrás...
Carla: Né? Uma das coisas que mais me chamou atenção na história quando li na primeira vez, foi esse personagem que era muito Snape, não conseguia ter outra imagem dele a não ser do morcegão, foi exatamente por isso que resolvi adaptar, fique impressionada com a semelhança. Aguarde a Hermione, ela tem muito o que fazer ainda, o Ron... Bem ele é um capítulo a parte, mas preste bastante atenção nele, ele terá seus momentos também... Sobre o Harry, até o presente capítulo ele está irredutível... E ele não é daquele tipo que não cumpre uma promessa...
Lolita: Sim o Ron apareceu, ele não podia faltar! ^^ Ele será, digamos assim, o tempero da história, rsrs
Sabe que não tinha reparado nessa questão do vestido verde, agora pensando bem é verdade, já li várias fics que ela usa essa cor...
Sim o Harry é uma questão a parte, na qual nos inspira a muitas coisas e como disse pra Carla... Infelizmente até o presente momento, é uma questão perdida...
Juliana: Flor fico muito contente que esteja gostando! ^^
Gente, como disse no capítulo anterior, fiquei chique agora e tenho uma beta!! \o/
Um beijão pra você Aninha e obrigada por corrigir o capítulo! ^^
Bjs e boa leitura!!!
*****
O mês de outubro começou trazendo chuvas constantes, céu encoberto e ventos frios que pressagiavam um inverno rigoroso. A umidade penetrava nos músculos e nervos de Harry, provocando-lhe dores intensas e todos na casa andavam na ponta dos pés e falavam em voz baixa para que não perturbar seu sono inquieto e sempre de pouca duração.
Hermione passava as tardes chuvosas com o irmão, esforçando-se ao máximo para distraí-lo, com lembranças de infância, anedotas e fofocas da sociedade. Embora Harry sempre risse, participando da conversa, ela via suas mãos se contorcendo e a exaustão em seus olhos, num sinal evidente de dor.
Numa manhã, ela assustou-se quando o valete do irmão avisou-a que ele decidira passar o dia na cama e não viria tomar o café da manhã no salão de refeições. Subitamente perdendo o apetite, lembrou-se da aposta de disputarem uma corrida a cavalo em Hyde Park e reconheceu que isso jamais aconteceria.
Agora perguntava a si mesma se não teriam agido melhor deixando-o morrer na Espanha, ainda um homem vibrante e dono de seu próprio corpo. Ou talvez devessem liberá-lo da promessa de continuar lutando para sobreviver, permitindo-lhe enfrentar a operação que todos os médicos afirmavam ser fatal?
Harry nunca se manifestara a esse respeito, mas Hermione vira o pedido em seus olhos. A promessa lhe fora extraída numa espécie de chantagem e ela começava a arrepender-se amargamente de ter forçado-o a jurar. A que inferno o condenara!
— Nós não estávamos errados, filha.
A voz do pai penetrou o desespero que envolvia a jovem e a impedira de perceber a entrada dele na sala.
— Como pode ter tanta certeza, papai? Como sabermos se Harry escolheria esse destino?
— Tenho certeza porque ele é Harry James Potter. Conheço meu filho e espero que você também se lembre sempre da força de seu irmão.
Reconfortada pelas palavras paternas, Hermione conseguiu terminar o café da manhã e depois ir para o quarto de Harry com uma expressão serena.
— Qual é o seu programa esta manhã, Mione? — perguntou ele, rindo apesar das olheiras que indicavam uma noite passada em claro.
— Pretendo fazer um inventário de toda a roupa branca da casa. Eu acho que a maioria dos lençóis está em trapos, mas Luna acredita que alguns podem ser remendados e depois colocados ao sol para perder o tom amarelado.
— Céus! Não posso pensar em nada mais entediante!
— Eu também. Sei que suas listas e números são muito mais interessantes do que pilhas de roupa de cama!
— Na verdade...
— Não me diga nada. Espero que encontre logo o traidor de nossos segredos, mas não agüento mais uma outra explicação dessas tabelas complicadas.
— Está bem — riu ele, voltando a se ocupar com os papéis. — Não posso mesmo perder tempo pois Snape virá esta noite e quero que estejam todos examinados.
— Então, voltarei à tarde para saber se precisa de minha ajuda...
Quando Hermione retornou, pouco antes do jantar, encontrou o irmão ainda mais pálido e de olhos fechados. Ia recuar quando ouviu a voz dele.
— Não estou dormindo, Mione. Como foi sua batalha na rouparia?
— Meu querido... — Ela esperou que ele abrisse os olhos. — O que há de errado?
— Nada. Apenas estou reunindo energias para me vestir.
— E por quê? Já são oito horas!
— Eu lhe disse que Snape virá esta noite.
— Eu sei, mas você podia...
— Não, Hermione.
A voz de Harry recuperara o tom autoritário dos campos de batalha. A jovem dama havia se esquecido da fria determinação que ele colocava em todas as suas decisões. Enquanto pensava em um modo de convencê-lo a não desperdiçar energia, ouviu-o novamente dar-lhe uma ordem, algo que raramente acontecia.
— Chame meu valete. Quero começar agora a me vestir a fim de estar composto para receber meu visitante. Agora, Hermione!
Embora soubesse que não o demoveria, ela ainda tentou usar sua ternura de irmã.
— Acha que Snape jamais viu um homem com roupas de dormir antes, meu bem? Ou que ele se importará com o modo como você está vestido?
— É claro que não, mas eu me importo e muito.
Não havia mais possibilidades de discussão e Hermione obedeceu ao irmão.
Ela sabia que o pai jamais concordaria com sua duplicidade, pois Harry se sentiria diminuído com sua mentira, mas Lupin seria seu aliado.
Depois de atender à porta e manter uma conversa com um visitante inexistente, foi até o quarto de Harry, onde relatou a mensagem inventada com o talento de um verdadeiro ator.
— Sua Graça, o duque de Avon, pede-lhe desculpas por não poder manter o compromisso desta noite, coronel Potter. Surgiu um imprevisto de natureza urgente.
Ao ver a expressão decepcionada no rosto de Harry, Lupin duvidou da validade da decisão de sua jovem senhora. Infelizmente, era tarde demais para questionar essa decisão!
A primeira idéia de Hermione foi a de enviar o mordomo para falar com Snape, mas logo admitiu que seria uma atitude covarde e ela nunca o fora. Também não lhe agradava enviar o pobre senhor para a viela escura, onde teria de esperar no frio e na umidade da garoa constante. Por isso, às quinze para as dez, saiu furtivamente para ala de serviço e, envolta no casaco de uma das criadas, cruzou o jardim dos fundos da casa.
Tão logo alcançou o recuo no muro onde pretendia se esconder, à espera do duque, uma enorme figura masculina surgiu à sua frente. Antes que Hermione pudesse se defender, foi envolvida pelos braços fortes do homem, que cheirava a bebida e tentava beijá-la.
Ela apenas conseguiu soltar um grito antes de começar a se debater, sem muito sucesso. Então, milagrosamente, sentiu que o atacante desconhecido a soltava. Sem saber como tivera forças para repeli-lo, caiu em si ao vê-lo ser jogado de encontro ao muro.
O homem que agora se interpunha entre ela e o atacante caído nem sequer alterara as pregas de sua ampla capa. Apoiado na bengala de castão de prata, apontava uma pistola para o desconhecido.
— O que pensa que está fazendo? — explodiu Snape.
— Foi um engano, senhor! Pensei que fosse uma das criadas, saindo do trabalho e...
Sem desviar os olhos do desconhecido, o duque pediu a Hermione que se aproximasse.
— Você está bem? Ele não a machucou?
Num impulso, ela se apoiou no corpo sólido de seu salvador, sentindo defendida de tudo.
— Se eu soubesse que você ousaria — disse ele em voz baixa, dirigindo-se ao homem caído.
— Juro que foi um engano, milorde. Eu nunca...
— Mate-o! — explodiu Hermione, irritada com a hesitação de Snape.
— O quê? — perguntou ale, atônito.
— O que está esperando? Mate-o!
A jovem sentiu o riso abalar o corpo do duque e, quando o som de sua gargalhada ecoou na viela escura, o homem afastou-se, correndo. Enfurecida, arrancou a pistola das mãos de Snape.
— Pare — ordenou ele arrancando-lhe a arma das mãos.
— Por Deus! Por que não atirou naquele maldito? Deixou-o livre para atacar mais uma mulher desprevenida? Ele é um bandido...
— Tem certeza que não está ferida? — perguntou, preocupado com a excessiva fúria de Hermione.
— Claro que tenho! — Então, ela viu a inesperada ternura nos olhos negros e suavizou o tom de voz. — Estou bem, mas... por que não atirou?
A resposta de Snape foi se apoderar dos lábios delicados que se entreabriram para um beijo apaixonado. Infelizmente, a carícia findou antes que Hermione pudesse se dar conta de quanto desejara prolongar aquele momento com o qual sonhava desde o encontro na biblioteca.
O duque recuperara o controle e, embora ainda a mantivesse junto de si, arrependia-se do impulso que o privara de raciocínio.
— Não atirei porque acho demasiado difícil livrar-me de um cadáver em pleno centro de Londres — respondeu ele, finalmente, eliminando qualquer outro significado sobre a cena de momentos atrás.
— Já teve que fazer isso antes?
— Ocasionalmente! — replicou ele, rindo. — Mas não importa. O que está fazendo aqui fora, a esta hora da noite?
— Vim esperar você.
— Sinto-me surpreso, apesar de também lisonjeado. Será que pode me explicar melhor?
— É... é Harry — murmurou ela, admitindo que estava traindo o irmão e ele a odiaria se chegasse a saber do fato.
— O que há de errado com ele?
— As dores aumentaram muito e Harry não teve forças para se vestir ou até para se levantar da cama. Então, à noite, como você viria...
— Está me dizendo que veio ao meu encontro para transmitir um recado dele? — A voz de Snape revelava incredulidade. — Ele disse que não pode me receber?
— Não foi bem assim... acho que conhece bem demais o meu irmão para acreditar nessa possibilidade. Harry estava determinado a se vestir a fim de recebê-lo como normalmente o faz. Entretanto, eu sabia que o esforço seria excessivo e vim avisá-lo antes...
— Julga que ajuda seu irmão ao tratá-lo dessa forma? — perguntou ele, com voz fria. — Protegendo-o como se fosse uma criança incapaz de tomar suas próprias decisões?
— Você não entende...
— Existem tantas atividades que ele já não pode mais manter por estarem além de seu controle e você lhe nega a capacidade de decidir se vale ou não a pena suportar a dor? É a dor dele!
— Mas eu só queria...
— Permita que ele decida o quanto pode e quer suportar, Hermione — prosseguiu Snape, com voz menos dura. — Agora, me envolveu em suas mentiras. Infelizmente, não serei cúmplice, pois jamais quebrei minha palavra e disse a Harry que viria esta noite. É o que pretendo fazer.
Ela calou-se, reconhecendo que o duque tinha toda a razão. Só não suportaria que ele contasse ao irmão sobre a sua mentira.
— Por favor... não lhe conte o que aconteceu — murmurou ela, vendo que o duque se dirigia para o portão traseiro da casa.
Avon virou-se para ela, hesitante.
— Qual a desculpa que você lhe deu, Hermione?
— Disse-lhe que ocorreu um imprevisto. Foi uma explicação muito vaga.
Ele fez um gesto de cabeça, concordando, e se afastou, desaparecendo na escuridão da noite. A jovem seguiu com os olhos a figura que se afastava e, subitamente, sentiu-se abandonada e sozinha no mundo.
Ao entrar no quarto de Harry, conduzido pelo mordomo, Snape reconheceu que acertara em contrariar Hermione, diante do brilho de surpresa alegre nos olhos do amigo.
Entretanto, também compreendeu a preocupação dela quando se aproximou mais da cama. Como o quarto estava mergulhado na penumbra, o rosto do rapaz ficava ainda mais pálido e Snape sabia, por experiência própria, o efeito desastroso do frio e da umidade em seu estado físico.
— Severus? — Harry fitava o amigo com uma expressão perplexa, esperando que ele cruzasse o quarto, mancando penosamente, e se acomodasse diante de sua cama. — Soube que você teve um imprevisto. Era algo importante?
— Apenas mais um alarme falso. Sinto muito por vir tão tarde à sua casa.
— Não faz mal. Eu decidi repousar, enquanto ponderava sobre todas as informações que temos. Talvez se eu relaxasse e não me esforçasse tanto, algo ainda não percebido saltaria diante de meus olhos.
— E conseguiu?
— Absolutamente nada — respondeu o rapaz, dando uma risada amarga.
— Talvez outros problemas estejam dificultando sua concentração, amigo.
— É assim tão óbvio?
— Não saberia afirmar pelos outros, mas eu tenho uma vasta experiência nesse assunto. Posso ajudá-lo de alguma forma?
— Não tenho idéia, Severus. O que a sua experiência me aconselharia?
— Sempre se pode recorrer às drogas.
—Você as usa? — Os olhos verdes de Harry exigiam a verdade do amigo.
— Não, mas não negarei que cheguei a pensar nessa possibilidade. Entretanto, prezo demais o meu autocontrole para recorrer a elas.
— Só existe uma saída — murmurou o rapaz, pensando na morte. — Então, tento avaliar melhor a extensão da minha dor antes de procurar o alívio definitivo. Sei que há mais um fragmento de metal vindo para a superfície e terei que me submeter a uma cirurgia. Se eu superar a decorrente infecção, terei algumas semanas de paz...
— Ainda não avisou sua família? — perguntou Snape, pensando na mulher angustiada que lhe pedira para ser cúmplice de sua mentira piedosa.
— Deixei para o último minuto. Eles temem as cirurgias ainda mais do que eu. É mais fácil suportar a própria dor do que ver o sofrimento de quem se ama...
Harry calou-se ao notar o movimento brusco do duque e, embora a face do amigo estivesse perfeitamente controlada, havia uma sombra de emoção impossível de ser decifrada. Então, ele cedeu a mais uma onda de intensa dor e, por algum tempo, ambos permaneceram em silêncio.
— Eu lhe enviarei o meu médico — disse Snape, finalmente. — E estarei presente.
— Muito obrigado — murmurou Harry, sem abrir os olhos, mas estendendo a mão para o homem. — Eu gostaria muito que estivesse comigo.
Só muito mais tarde, Snape soltou a mão do rapaz e, não vendo o valete no quarto, colocou o cobertor sobre o amigo adormecido e apagou a luz do abajur. Saiu em silêncio e, ao cruzar o vestíbulo às escuras, encontrou Hermione.
— Muito obrigada — murmurou ela, comovida.
— Nunca mais duvide da força de seu irmão.
Incapaz de conter o impulso, ele tocou o rosto da jovem, secando as lágrimas que brilhavam sobre a pele macia.
— Eu sei e... Severus...
Era a primeira vez que ela pronunciava o nome dele e Snape sentiu uma inesperada e incomoda emoção.
— Quero que saiba o quanto lhe somos gratos. Tem feito tanto por Harry!
Ele sorriu, preferindo não explicar que era na verdade uma troca de favores. Afastando-se de Hermione, reconheceu que recebera muito naquela noite, mas chegara a hora de colocar um ponto final em tudo. Já não mais se perguntava por que tinha de ser aquela mulher em especial, admitindo a verdade sem questionamentos inúteis. Conforme Dumbledore o alertara, o inevitável acontecera...
Infelizmente, esse pequeno botão jamais poderia desabrochar e se transformar em uma flor plena de beleza. Tinha de ser destruído agora para que não pudesse crescer. O amor não era para homens como ele e Hermione merecia muito mais...
Sem olhar pata trás, Snape desapareceu entre as sombras do jardim.
Uma voz soou ao lado do duque, mas ele já esperava ser abordado e controlou o desejo de agredir o informante.
— Tenho uma mensagem, milorde.
— Foi o que imaginei — declarou Snape para o homem corpulento, encoberto pela escuridão da viela nos fundos da casa do general Potter. — Deduzi que não estava no jardim a fim de admirar as rosas.
— Disseram-me que era urgente...
O homem corpulento viu a figura que, apesar de mancar, movia-se com perigosa fluidez, como um tigre. Não era prudente irritar pessoas assim e talvez devesse ter desaparecido em vez de retornar para entregar a mensagem. Entretanto, sabia que Snape o encontraria em qualquer canto do país!
— Você escapou por pouco — disse ele, em voz muito baixa. Percebendo que o duque jamais o perdoaria por ter agarrado aquela mulher, o mensageiro retirou do bolso um papel dobrado e o entregou aflito por afastar-se dali o mais rapidamente possível.
— Não quero vê-lo mais — prosseguiu Snape, com o mesmo tom letal. — Sugiro que deixe a cidade com toda a urgência. Talvez seja conveniente emigrar para alguma das colônias da Inglaterra... uma das mais distantes...
Sem coragem de abrir a boca, o mensageiro afastou-se, correndo pela viela escura, imaginando uma pistola mirando as suas costas.
Após o desaparecimento do mensageiro, Snape ainda sentiu o repugnante cheiro de bebida e peixe daquele miserável que ousara tocar Hermione. Então, reconhecendo a futilidade de irritar-se com algo fora de seu alcance, dirigiu-se lentamente para a carruagem que sabia estar à sua espera no final da rua escura.