Capítulo15º
A sala
Quando chegou em meio a janeiro o tempo pareceu esfriar muito. A floresta em volta da parte oeste das terras do castelo estavam cobertas por uma grossa camada de flocos de neve que se acumulavam no topo das árvores mais altas e o lago que ficava as margens da floresta, parecia ter uma superfície de metal congelado.
Das janelas superiores do castelo, podia-se ver os times de quadribol ajudando a desgelando as vassouras e até treinando, mesmo com o vento acompanhado da neve. Os pouco s alunos que se aventuravam a sair pelos jardins tinham apenas uma finalidade: Brincar de batalha de bolas de neve, o que rendia uma boa distração para quem jogavam e tanto para quem assistia.
Naquele meio tempo, os professores pareciam ter amenizado os deveres, o que acabava rendendo aos monitores um tempo maior na patrulha por conta das brincadeiras dentro do castelo. Todas as manhãs, antes do café, Penélope conseguia se dedicar um pouco mais a suas leituras e anotações sobre as aulas, já que nesse horário, devido ao tempo, todos acabavam se atrasando para o café, por ficar um pouco mais na cama. Era realmente uma sorte ter a biblioteca só para ela, já que ultimamente os alunos tem ficado mais tempo no castelo e sem outra opção para estudar, restava apenas a biblioteca.
Por mais que se dedicasse aos estudos, seus pensamentos ainda flutuavam para além daquelas paredes, sempre que avistava um dos times de quadribol no campo, lembrava-se de Angelus. Entre um suspiro e outro, acabou se levantando distraída em um dos corredores de estantes da biblioteca e um livro que passou flutuando a toda velocidade em direção a uma estante do outro lado da sala, atingiu sua cabeça.
-Ui! – Penélope levou a mão a cabeça fechando os olhos, com se tentasse conter a dor.
Depois de alguns minutos, enquanto estava com os olhos fechados, uma voz educada se pronunciou bem atrás de onde estava sentada.
-Você está bem?
Penélope abriu rapidamente os olhos na direção da pessoa, pode ver um garoto de rosto extremamente pálido, de cabelos desalinhados e carregando alguns livros de Herbologia e Poções.
-Esses livros!... – resmungou Penny – Só não posso reclamar mais para Madame Pince não me expulsar da biblioteca. – Falou sussurrando e deixando escapar um riso abafado.
O garoto acompanhou a risada puxando um cadeira par se sentar junto a ela.
-Prazer, Damian Harper. – cumprimentou o garoto.
-Penélope Clearwater. – sorriu Penélope cumprimentando. – Então, gosta de Herbologia?
-Não é questão de gostar, mas eu preciso.
-Precisa? por quê? – Penélope pareceu confusa.
-Meus pais, acham que ser curandeiro é a profissão mais respeitada do mundo. – explicou Damian desanimado.
-E eles são curandeiros?
-Ai é que tá! – falou Damian com um muxoxo – Eles trabalham como ministro da magia. Vai entender!
-Não adianta entender. – concluiu Penélope com um sorriso, que sem querer acabou notando o emblema no suéter do garoto, ele era um sonserino. Olhou novamente sorrindo para ele um pouco desconfiada.
-Eu não estou tramando nada contra você, não se preocupe – Falou o garoto brincando, percebendo a feição dela.
-Você tem que entender, é difícil achar um sonserino... legal! – Explicou Penélope
-Há! Vou tomar isso como um elogio. - Damian deixou escapar um sorriso.
Os dias se passaram e sempre que podiam Damian e Penélope se encontravam na biblioteca e acabavam conversando sobre tudo. Clearency já havia lhe alertado que nenhum sonserino se aproxima de alguém sem estar tramando algo.
-Clearency, eu já disse que não há nada para desconfiar.
Penélope se concentrava em ler o profeta diário naquela manhã de sábado enquanto Clearency apenas observava de longe a mesa da Sonserina. Com o dia livre e as vésperas de uma visita ao vilarejo de Hogmeades, os alunos estavam cada vez mais agitados e sempre eram encontrados conversado sobre os planos para a visita. Na mesma hora em que Penélope terminara de falar , Andrew e Angelus se aproximaram da mesa da Corvinal para conversar com as duas garotas.
-Desconfiar de quem? – Perguntou Angelus indo se sentar ao lado de Penélope.
-De Damian Harper – Falou Clearency com azedume.
-Aquele esquisito da Sonserina? – Falou Andrew impressionado.
-Ele não é esquisito. – Determinou Penélope.
-Você conhece ele Penny? – Perguntou Angelus desconfiado.
-Eu já pedi pra não me chamar assim, não? – Penélope fechou a cara para Angelus e ignorou falando sobre o garoto. – Ele é muito legal, tá? Vocês é que não conhecem ele, só falam o que julgam saber.
-Tá vendo? – Clearency voltou com o azedume – Ela agora deu pra defender ele. Só vive na biblioteca conversando com ele, nem fica mais na sala comunal conversando com o pessoal.
-Pelo menos o seu humor melhorou ultimamente. – Deixou escapar Andrew recebendo um olhar de reprovação de Penny. – Desculpa.
-Tudo bem – Penélope se preparou para se levantar quando Angelus foi atrás dela.
-Você está indo para a biblioteca?
-Não, -Falou sem notar que ele sondava algum interesse – Eu tenho que levar esse relatório ao prof. Flichwick.
-Posso ir com você? – Angelus sorria encantadoramente para Penny
-Claro.
-Depois a gente podia ir até os jardins, não? – Angelus agora estava bem próximo dela, olhando em seus olhos.
-Eu... eu não sei. –Penélope se afastou dele.
-Não!... Não – tentou consertar a frase – Clearency e Andrew também vão.
-Bem... – Tentou se decidir desconfiadamente –então, tudo bem. Vamos, eu não posso me atrasar com o professor.
Os dois saíram do Salão Principal sendo acompanhado pelos olhares indiscretos dos alunos e mais um olhar que vinha da mesa da Sonserina os acompanhava com certo ciúme.
Quando Penélope e Angelus chegaram aos jardins, a neve já havia cessado e boa parte do gelo que cobria as plantas fora derretido por Andrew que conjurou um uma espécie de fogo azulado que parecia aquecer mais que as lareira da sala comunal. Angelus aproveitara para ter mais um tempo a sós com Penélope e tentar se aproximar dela.
-As vezes eu fico pensando: será que você ainda gosta de mim? – Falou Angelus com o mesmo sorriso maliciosos de sempre – Eu tenho me comportado tão bem ultimamente.
-Desculpe se não faço parte do seu fã clube, mas fica difícil quando a gente tem uma mesma idéia de uma pessoa e sabe que ela não vai mudar. – Penélope ironizou.
-Tudo bem, mas agora que a gente tem que ficar junto mesmo. Você lembra o que Dumbledore falou? – Angelus se aproximava cada vez dela a cada passo que dava.
-Por que você quer namorar comigo? Você pode ter todas a garotas do colégio, quantas e qualquer uma que quiser. – Penélope demonstrou irritação.
-Mas eu não tenho a que mais quero – Angelus olhou sério para ela. – Eu não sei mais o que fazer para você entender isso.
-Eu vou ser mais um troféu para você, quando você ficar entediado comigo você vai me colocar de lado e fingir que tudo não passou de uma diversão. – Penélope falou mais séria, mostrando uma tristeza no olhar.
-Primeiro eu me apaixonei a primeira vez pelo que eu vi, mas quando eu conheci você de verdade eu me apaixonei pelo que você é, pelo modo de pensar e agir. – Angelus olhava com carinho para ela.
-Angelus, eu gosto tanto de você – Penélope falou com sinceridade – Mas não suportaria ser usada como uma forma de exibicionismo masculino.
-Belas palavras –Falou Angelus mostrando um sorriso verdadeiro – Mas é melhor nós não brigarmos por isso, tá certo?
-Tudo bem. – Sorriu Penélope desconfiada.
Do outro lado do jardim estava Andrew e Clearency rindo de alguma confusão que acontecia bem enfrente ao casal. Um garoto do sétimo ano da Corvinal discutia com uma garota da Lufa-Lufa e outra da Sonserina entrou no meio para provocar.
-Eu não sei do que vocês estão falando, mas provavelmente não era eu. – Sorriu o garoto cinicamente.
-Você não só chamou a mim, como chamou todas as garotas do sexto ano da minha casa! – Falou a garota da Lufa-lufa extremamente irritada.
-E como se você tivesse não perdido a noção do perigo, me convidou para ir a Hogmeades comigo, não foi? Seu idiota! - A garota do sétimo ano da Sonserina apontava a varinha para o peito do rapaz da Corvinal.
-Filho de uma p... – Esbravejou uma outra lufana que se aproximava com a cara emburrada..
-Opa! Isso é tão feio, vindo de uma lufana tão linda. – Sorriu ele com um ar galanteador. – Se ainda fosse uma garota da Sonserina, a gente sempre espera essas coisas.
Uma outra aluna da Sonserina já se aproximava da conversa com cara de poucos amigos. Seus rosto pálido ainda tinha um certo tédio no olhar, sempre mantendo os cabelos loiros platinados muito bem arrumados, tinha sempre uma postura autoritária. A sonserina se aproximou decidida e parou bem ao lado da outra aluna da casa.
-WILDER! – vociferou a garota.
-O ... pa! – Sussurrou o garoto.
-Van Wilder, - Falou a garota com uma voz arrastada e raivosa. – Como você vai querer a cerimonia?
-Qual cerimonia? – Van perguntou confuso.
-A do seu enterro. – Sorriu maldosamente – O pai de Angelic já sabe do terrível incidente, onde você enganou a filha dele. Imagina, depois disso vai existir pedaços de você por todo Reino Unido e acredite, eles não vão poder mais contar histórias.
-Por que Ursula? Por que você é tão estraga prazeres, hein? – Van perguntou com sarcasmo.
-Se você chama de enganar uma mulher , quero dizer, milhões de garotas ao mesmo tempo um prazer, você então mexeu com a garota da casa errada, mas acho que é algo que se pode esperar de um grifinório – Ursula falou arrastado como se carregasse cada palavra com a raiva que sentia.
-Oh! Oh... eu já sei! Eu já sei! – Falou Van com ar debochado. – Eu sabia que tinha esquecido de chamar alguém. Eu sabia! Aha! Mas olha, eu só não chamei você porque... porque... Porque você não faz o meu tipo, entendeu? – Falou com sarcasmo.
A garota da Sonserina não falou nada, apenas concentrou toda sua raiva no olhar, que naquele momento seria capaz de arrancar o coração dele com as próprias mãos, Ursula puxou a varinha, mas antes que pensasse em lançar um feitiço Penélope e Clearency correram para apartar a briga.
-Ursula! – Chamou Penélope. – Se você continuar eu vou ter que colocar em detenção, abaixe a varinha!
-Todo mundo sabe que o Van é perdido mesmo, então... por que a gente não esquece isso e volt... – Clearency foi interrompida por Ursula.
-Então por ele ser safado, a gente tem que perdoar o que ele faz? – Ursula quase gritou dando um sorriso malvado – Eu ainda prefiro ver os pedacinho dele espalhados pelo país, que tal?
Foi quando Angelus lançou um feitiço na mão onde Ursula segurava a varinha, que a fez ser lançada bem longe de sua dona.
-Hopkins! Próxima vez vai ser pra valer e vai doer mais.
-Angelus! – Chamou Penélope - Você ficou louco? Nós somos Monitores, nós temos que apartar brigas e não incentiva-las.
Damian já se aproximava da roda quando viu Angelus lançar o feitiço em Ursula e correu para ajudar a colega.
-Ursula, abaixe a varinha!
-Damian! Você perdeu o juízo? – Ursula olhou indignada para o garoto que estava bem atrás dela. – Ele acabou de me atacar!
-Você pode ir para a detenção.
-Se eu conseguir imobilizar essa criatura eu vou pra detenção feliz – Disse Ursula deixando escapar um sorriso malvado.
-Será que você não consegue fazer nada sozinha Hopkins? – Falou Angelus ainda com a varinha em punho. – Precisa do esquisito pra ajudar você?
-Cale essa sua boca , Morgan. – Ursula fuzilou o garoto com o olhar. – Se bem me lembro é você quem precisa de ajuda agora.
-Não seja por isso. – Disse Andrew, sacando a varinha na direção da sonserina.
Naquele momento, A lufana e a sonserina que provocaram a discussão com Van, saíram dos jardins as pressas para chamar um professor que pudesse apartar a briga. Minutos depois, chega a professora Mc Gonagall com uma expressão irritadíssima.
-Mas o que significa isso? – Falou Mc Gonagall crispando os lábios
-Profess... – Tentou falar Penélope.
-Essa situação não exige explicação. – Falou a professora determinada - Todos os sete, de detenção.
-Sete? – Perguntou Penélope com um ar de confusa – Mas professora... nós som...
-Estão de detenção, todos! – respondeu Mc Gonagall com ar indiferente – Na minha sala, agora!
Nenhum deles parecia acreditar, apenas Van quem começara a confusão, parecia não estar tão preocupado quanto os colegas. O grupo seguia a profª. Mc Gonagall pelos corredores do castelo, sendo observados pelos alunos que passavam por eles.
-Isso é um absurdo! – Ursula olhou irritada para Van – Será que essa velha ranzinza não faz idéia de quem eu sou?
-Isso faz alguma diferença? – Respondeu Van com o olhar displicente para todos. – Pense nas maravilhosas horas em que nós passaremos juntos.
-Eu vou mandar uma carta para os meu pai assim que eu sair da sala da velhota. – Falou Ursula com a cara fechada.
-Pelo amor de todas as coisas sagradas, será que dá pra para de drama? – Clearency falou com um ar sarcástico. – Parece que é o fim do mundo.
-Não é o fim do mundo, mas vai ser. – Falou Penélope com um ar de leve desespero. – Por Merlin! Quando os meus pais descobrirem... Quero dizer, minha mãe já deve estar prestes a me matar.
-Será que dá pra todo mundo relaxar? – Falou Angelus num tom autoritário para todos. – Estamos no mesmo barco, todos estavam na confusão, então não venham dizer que não fizeram nada por que estavam lá e entraram na briga.
Depois de alguns segundos de silêncio, Ursula retrucou com uma voz arrastada.
-Vem cá. Quem você pensa que é?
-Não penso. – Sorriu Angelus cinicamente – Eu sou. Você quer que eu faça uma lista ou eu posso falar os títulos mais importantes pra você.
-Angelus! – Penélope chamou a atenção do garoto. – Já chega.
-Não Penny. – Falou Clearency com um tom desafiador. – Mostra pra essa patricinha qual é o lugar dela.
-Cala a boca caipira. – Ursula falou com uma voz entediado.
-Caipira? – podia-se ver a raiva de Clearency pelo olhar que ela lançou par garota - Você vai ver a caipira.
-Segura ela Andrew! - Penélope segurava em um braço da amiga enquanto o outro ela sacava a varinha.
Andrew abraçou a namorada, fazendo a varinha dela cair.
-Andrew, me larga! – Clearency sacudia o corpo tentando se soltar dos braços do namorado.
-De jeito nemhum. –Falou Andrew determinado.
-Isso mesmo, controla essa caipira. Talvez ela nem tenha sido vacinada. – falou Ursula com desinteresse.
-Dá pra perceber que a sua fama te persegue, não é garota? – Van falou com um olhar debochado.
-Fama? – Perguntou Ursula confusa. – Que fama?
-Er... Ursula... – Damian se pronunciou com cautela para a amiga. – Acho melhor você não...
-Não! Eu quero saber. – Ursula já se mostrava curioso e falava em um tom desafiador. – Ande Wilder. Quero saber do que falam.
-Wilder, por favor... – Damian tentava amenizar - Acho melhor ... não.
-Damian, meu rapaz. – Van falava com sarcasmo – Eu vejo você, escuto, mas não sinto nada. – Deu um sorriso malicioso – Se a mocinha ai, se é que podemos chamar de mocinha, não é? Se ela quer escutar, vamos dar o que ela quer. Bem... por onde começar? Vejamos...
-Van, por favor. Se você não quer que comesse uma guerra, não continue. – Penélope estava preocupada, já que iriam passar um bom tempo juntos na detenção, não queria que se matassem logo de cara.
-Eu só estava brincando. – Disse Van fazendo todos relaxarem, voltando-se para Ursula – Mas você é nervozinha, hein garota?
-Eu vou te matar! Pode ter certeza disso. – Ursula sibilou para ele entre dentes.
O grupo continuou a caminhar pelos corredores até chegar na sala da professora. Haviam apenas duas cadeiras pomposas em frente a mesa imponente da professora. Vendo que a maioria ficaria de pé, a professora imaginou que poderia conjurar cadeiras suficientes para todos, mas ao invés foi se acomodar em sua cadeira atrás da mesa onde podia-se ver uma pilha de papel pequena, mas muito bem organizada. Quando um dos garotos já corriam para se sentar, Minerva lançou um olhar mortal para eles e chamou indiferente.
-Srtª. Clearwater e Sr. Morgan, sentem-se.
-Obrigado professora. – Falou em coro os dois.
-Vocês estavam ameaçando uns aos outros com suas varinhas. – Falou Mc Gonagall com olhar mortal. – A srtª. Clearwater eu não posso repreender, mas o Sr. Morgan! Isso é um absurdo. Um monitor, um capitão do time de Grifinória. – A professora deixou escapar uma expressão de mais fúria ainda (se isso é possível) – Eu poderia tirar pontos das casas de vocês, mas causaria um impacto inacreditável no placar das casas. Então, eu vou dar uma oportunidade de vocês se entenderem. Vão cumprir uma detenção. – Um muxoxo se espalhou pelo sala mas logo se calou pela expressão nada agradável da professora. – Ao final de cada semana, eu quero um relatório sobre uma pesquisa dos assuntos dados em sala de aula. A Srtª. Clearwater e o Sr. Morgan vão inspecionar e administrar os encontros de vocês para poderem entregar o s relatórios para mim no final da semana. Alguma dúvida?
-Err... professora – Penélope levantou a mão trêmula e com medo por ainda estar sobre a mira da professora. – Quanto tempo vai durar essa detenção?
-Um mês. – Falou Mc Gonagall secamente – E se um de vocês insistirem eu aumento para dois, podem sair. Sr. Morgan, Traga os relatórios aos Domingos ao meio dia em minha sala, por favor.
-Sim senhora. – Angelus falou se levantado da cadeira e acompanhando o grupo a se retirar da sala.
O final daquela tarde já chegava e bem próximo ao lago, onde as árvores ainda impediam que a neve atingisse o solo, Angelus, Penélope, Clearency, Andrew e Van sentavam-se as margens para observar os alunos que esquiavam sobre a superfície gelada do lago.
-Eu não entendo, cadê o Damian com a Ursula? – Perguntou Clearency olhando com um ar já irritado.
-Eles tem aula de Runas Antigas nesse horário, mas já deve estar acabando. – Falou Penélope sem mostrar emoção em quanto se dedicava a analisar alguns gráficos no livro de Astrologia.
-Por que temos que espera-los? Eles são inúteis. – Andrew começava a vasculhar sua mochila a procura de pergaminhos.
-Inacreditável! – Van comemorou com sarcasmo – Esse comentário vindo de você meu diplomático amigo, mas não esqueça que esses inúteis também estão de detenção e com a gente. - Van voltou seu olhar para os alunos que caiam enquanto patinavam.– Olha só para aqueles babacas... hahaha... São muito idiotas!
-E Van, eu não soube de nenhuma festinha pra comemorar a volta a Hogwarts. O que foi que houve? - Angelus falou sorridente com ar de curioso.
-Eu ia fazer nessa semana, mas vai ter visita a Hogmeades – Van falou para Angelus como se ele não entendesse – Fica mais fácil de fazer as encomendas de bebidas, entendeu? – Van voltou novamente sua atenção para os patinadores. – Eu não vou arriscar meu pescoço, Filtch está de marcação comigo.
-Ué, eu pensei que você sempre escapasse ileso de suas armações. – Penélope olhou de esguelha.
-Já ouviu essa expressão: “Não se deve comprar uma coruja sem penas.” É fria, minha cara. – Falou Van sem ao menos olhar para ela.
A sineta tocou ecoando pelo castelo, os alunos saiam apressados das salas já que era a última da semana e finalmente podiam aproveitar o final de semana, tanto para colocar os deveres em dia como aproveitar a visita ao vilarejo. Naquele instante, Ursula descia o caminho desenhado pelas pegadas sobre a neve até a margem do lago onde toda a turma estava a sua espera para começar a reunião. Em seu encalço, Damian tentava se equilibrar entre os buracos do caminho com o peso dos livro que Ursula dera para ele carregar.
Todos ainda se mantinham entretidos com as conversas, todos menos Van, que observava discretamente a Sonserina se aproximar de onde eles estavam. Ele pareceu se perder em seus pensamentos, quando foi acordado quando Ursula se manifestou para o grupo.
-Eu não acredito que vocês querem que a reuniam seja feita aqui, nesse gelo. – Falou a garota numa voz desanimadora.
-Ursula, nós só vamos delegar as tarefas e todos estão livres. Não precisa de tanto conforto pra isso, precisa? – Penélope falou com paciência.
-Eu preciso! Não dá nem pra pensar em sentar nesse chão cheio de neve. Se você não se importam com o respeito público, tem alguém que se importa aqui, certo! – Ursula comentou com desaprovação.
-Tá certo, podem usar a “sala” – Disse Van com desistência.
-“A sala” ? O que é? – Penélope parecia confusa.
-É onde os meninos fazem as festas, - Clearency sussurrou para Penélope e logo comentou incrédula – Pensei que você soubesse?
-Se eu soubesse teria posto um fim nisso. – Falou Penélope indignada ao saber do segredo do amigo.
-Nada de divulgar ou fechar o lugar, certo? – Van olhou severamente para Penélope, que sorriu disfarçada para o amigo.
A idéia pareceu ser aceita por todos que se levantaram no mesmo momento acompanhando Van, Angelus e Andrew. Damian, uma vez ou outra, deixava cair um ou outro livro, o que faziam Ursula olhar cada vez mais feio pra ele.
-Você sabia disso, não sabia? – Ursula perguntava para Damian sobre “a sala”.
-Err... Van me pediu para não contar. – Falou Damian dando de ombro para sua afirmação.
-Hum! Não sei como você foi escolhido para a casa da sonserina.
-Acho que foi pelos meus pais. – Falou Damian enquanto caminhavam pelos corredores do 4º andar, acompanhando o grupo.
-Sinseramente, você é mais amigo de Van do que de qualquer um de nossa casa. – Ursula sibilou indignada, enquanto ajeitava seu longo cabelo loiro.
-Entenda, -Damien parecia muito paciente em explicar enquanto equilibra outro livro em seu colo - eu sou vizinho do Van desde que me entendo por gente. Ele sempre foi legal comigo, mesmo quando ninguém falava comigo.
-Eu falo com você! - Ursula parecia ofendida.
-Digamos que o seu lado humano foi afetado no dia em que você falou comigo pela primeira vez. – Damien ironizou.
-Damien, não me faça arrepender do dia me que te conheci. – Ursula cruzou os braços bufando com raiva.
Quando o grupo já chegava no meio do corredor principal do 5º andar, os garotos pararam de chofre em frente a uma porta que dava a impressão de abandono como a de um armário ou quarto de guardados. Era uma daquelas salas que não eram usadas com regularidade, o que possibilitava uma tranquila reunião para todos. Com um simples feitiço de alohomorra a porta se destrancou e para a surpresa de Penélope e Ursula um salão de pedras claras era ricamente mobiliado com poltronas confortáveis e uma grande lareira revestida de mármore em uma das paredes, sendo que a parede oposta era coberta de janelas onde se podia ver a paisagem de Hogwarts coberta de neve. Menor que o Salão Principal, “A sala” era quase do tamanho da sala de Transfiguração e incomumente mais clara do que qualquer outra sala que existisse no castelo. No alto Um candelabro magnífico era segurado por gárgulas em forma de Veelas, que era acompanhadas por outras esculturas entalhadas no teto da sala. O fundo do ambiente era composto de uma grande mesa onde várias cadeiras estavam distribuídas ao seu redor, acompanhadas de um quadro negro onde pareciam estar escritos planos e tarefas a serem distribuídas. Penélope ficou momentaneamente atordoada com a visão da sala e tentou falar algo para Angelus que apreciava a visão perdida da garota.
-Ma...mas... o que... co... como... por Merlim!
Ursula tentou disfarçar o espanto comentando que o lugar não era tão impressionante quanto o salão comunal da sonserina, mas logo foi repreendida por Van que comentou que se não estava gostando que fizesse uma decoração melhor, mas que ela não iria ser convidada para a inauguração. Clearency e Andrew se acomodaram no sofá da lareira e logo foi acompanhado pelos outro. Damian jogou os livro encima de uma das mesinhas e foi logo se aquecer perto do fogo da lareira. Van olhava o grupo conversar e se acomodar e gostou muito da cena, por um instante ele viu que naquele momento a vida de todos seriam afetadas, ou se tornariam amigo inseparáveis ou inimigos mortais.
-Bom, já que todos estão acomodados e aquecidos, gostaria de saber se vocês não querem comer nada antes de começar a reunião. – Van se pronunciou pomposamente para todos.
-Bem que uns sanduíches ia bem, não? – Angelus sorriu levantando o dedo como se fizesse um pedido para uma garçonete.
-Ah! E pode vir acompanhado de uns brownes quentinhos e feijões de todos os sabores. – Andrew sorriu abraçando Clearency que tentava impedir o pedido.
-Mas alguma coisa, senhores? – Van continuou a falar com pompa e fingir anotar os pedidos em um papel imaginário.
-Ah... Que tal um suco de amoras pra acompanhar. – Penélope falou acanhada.
-Hum, boa pedida! – Van falou empolgado fingindo anotar o pedido. – Agora, se me dão licença. Plunk! – Van chamou tão alto que assustou os demais da sala.
Em seguida, um elfo domestico apareceu correndo por uma portinhola que havia no fundo da sala indo em direção a Van. O elfo sorriu animadamente para ele e logo voltou sua atenção para os demais na sala.
-O senhor chamar Plunk, senhor? – O elfo segurava as orelhas compridas ansiosamente.
-Chamei Plunk, Nós estamos com fome, sabe? Então que tal você trazer uns sanduíches para nós e... Ah! Traga uns brownes e feijõizinhos de todos os sabores e também suco de amora para todos, certo?
A forma como Van falou com o elfo, não havia nenhum sinal de autoridade ou agressão com a criatura, ele simplesmente falou como se fosse uma das atendentes do Três Vassouras, o que pareceu ofender Ursula imensamente. O elfo concordou com a cabeça ao pedido do garoto e saiu correndo para a portinhola, nessa hora Penélope olhou curiosa para Van e não pode deixar de perguntar.
-Você tem um elfo domestico?
-Na verdade não é meu, é do castelo.
-Ele me pareceu muito fiel à você. – Ursula retrucou.
-Ele pertencia a minha família, até o meu tio trouxa chegar e libertar ele. Foi uma confusão dos diabos. – Van se largou na poltrona enquanto falava.
-Eu lembro, sua mãe foi conversar com meus pais para ver se podia dar um jeito na situação, mas o ministério não pode fazer nada se não pedir a Dumbledore que o aceitasse no castelo. – Damien falou com certa animação na voz.
-Como um membro trouxa da família pode libertar um elfo? – Ursula pareceu questionar a verdade da história.
-Minha tia bruxa se casou com ele, automaticamente ele começa a fazer parte da família. Até que ele não é ruim, mas não entende nada das leis bruxas. – Van falou com profundo desinteresse. – Em compensação ele entende tudo das leis trouxas.
-Angelus me falou que você nasceu no Brasil. – Penélope falava interessada enquanto tirava a capa de inverno.
-É, eu vim pra Inglaterra muito novo e mas eu só conheço o Brasil pelo que meus pais falam. – Van falou ainda sem interesse.
-Ah, mas você realmente te muito das suas raízes. – Damien alfinetou. – Um país muito festeiro.
Todos riram do comentário, mas logo as atenções foram voltadas para a portinhola de onde saiu o elfo fazendo levitar todas as bandejas com as comidas. Van deu um salto e se pôs de pé de frente para o elfo.
-Arr... meu estômago já estava fazendo um buraco de fome.
O elfo levitou duas mesinhas de chá para a frente da lareira e acomodou as bandejas e a jarra de suco de amora. Van dispensou o elfo e foi se juntar aos outros que se serviam sem cerimônia.
A noite parecia se apressar em chegar, logo seria hora do jantar e o grupo ainda parecia entretido com as conversas e idéias que tinham para uma próxima festa. Todos comiam e bebiam tranqüilamente até que reparasse que no alto da lareira o relógio badalando.
-Ow... eu não acredito! – Penélope lamentou – Já terminou a hora do jantar e nós ainda estamos aqui. É melhor nós voltarmos para as nossas salas comunais.
-Vão vocês, eu vou ficar um pouco pra arrumar. – Van se levantou do chão e já caminhava para arrumar algumas almofadas que estavam espalhadas perto da lareira.
-Eu te ajudo. – Damien se levantou com os outros e foi na direção do amigo, ajuda-lo.
-Damian! – Se indignou Ursula - eu não posso voltar sozinha pra sala comunal.
-Então fique pra ajudar. – Van falou com sorriso sarcástico.
-De jeito nenhum! – Ursula falou indignada se jogando no sofá – Isso é tarefa pra elfos domésticos.
-Tudo bem, eu já vou terminar aqui. – Damien falou sem emoção.
Van olhava os outros saírem um a um quando ouviu o comentário de Ursula, no mesmo instante ele olhou indignado. Como alguém podia tratar os outros dessa forma? Pensava ele. Damien conversava com ela, e logo quando a garota deu as costas ele falou pra Damien.
-Como pode existir alguém assim?
-Ela é assim mesmo, mas apesar disso é bem legal. – Damien tentou amenizar o clima.
-Legal? – Van falou como se não tivesse entendido o que o amigo falava. – Nossa! Quando eu descobrir algo de legal nessa garota, eu vou estar muito velho pra enxergar isso. – Van falou fazendo Damien dar risadas contidas por causa de Ursula. – E tem mais, eu não me envolvo com garotas da sonserina. Ou são fáceis demais ou são intragáveis, e essa garota meu amigo – Van apontava discretamente para Ursula – É uma autentica intragável.
Damien ria das brincadeiras que Van fazia de Ursula, mesmo sabendo que se por um acaso ela soubesse que ele estava participando de uma conversa sobre esse tipo de assunto ela seria capaz de proporcionar uma dolorosa morto para o seu companheiro de casa. Ele conseguiram arrumar tudo em um instante, algumas vezes usando feitiço, outras apenas apanhavam da forma tradicional. Quando tudo estava em seu lugar, Ursula cochilava no sofá tranquilamente. Van tentou acorda-la mas Damien avisou que ela poderia se irritar facilmente se fosse acordada por ele.
-Mas como se faz pra acorda essa fera então? – Van olhava indignado com a situação.
-Simples, não acordamos. – Damian falou como se aquela solução fosse a mais obvia.
-Há! E como é que a gente vai fazer pra tira-la daqui? - Van falou como se temesse a resposta do amigo.
-Vamos ter que carrega-la.
-Eu tava com medo que você dissesse isso.
Os dois garotos olharam para Ursula, que por aquele momento parecia frágil e linda dormindo tranquilamente no sofá da lareira. Damien tentou carrega-la, mas não possuía força suficiente para mante-la em seus braços., mesmo Ursula sendo magra, Damien não fazia nenhum tipo de exercício físico, apenas se dedicava a estudar. Van, que tinha como paixão o quadribol, conseguia manter Ursula tranquilamente em seus braços, mesmo sento cinco lances de escadas para baixo, Van não teve resistência para mante-la segura ali com ele, pelo contrário, foi a primeira vez que sentiu algo de diferente naquele momento. Os corredores estavam desertos, apenas Filtch parecia caminhar bem longe do caminho deles. Damien iluminava o caminho por onde eles passavam enquanto Van tentava apressar o passo para fugir de Filtch e manter a concentração no caminho e tirar os olhos de relance sobre a garota.
O garoto parou junto a um trecho de parede de pedra, lisa e úmida. Damien hesitou em falar a senha, mas logo foi repreendido por Van.
-Anda Damien, pode falar, as senhas mudam o tempo todo e eu não tenho nenhum interesse em entrar na Sonserina. – Van falou com impaciência.
-Certo, Barretes Vermelhos– Damien falou com firmeza e uma porta escondida na parede deslizou para o lado, dando passagem para que eles passassem.
Os dois entraram pela passagem e logo pode ver uma sala comunal, onde parecia fazer parte de um filme de suspense trouxa. O lugar era subterrâneo e comprido, mas o ar parecia levemente gélido do que o resto da masmorra. Algumas correntes seguravam o candelabro rústico no teto, onde era iluminado com luzes esverdeadas. Uma grande lareira de pedras escuras, ainda era mantida suas brasas misturadas as salamandras que se aqueciam ao fogo e ao seu redor, cadeiras imponentes era distribuída pela sala, para acomodar os alunos.
Damien ajeitou uma poltrona confortável para Van poder colocar Ursula, que praticamente estava começando a deslizar dos seus braços.
-Eu vou apanhar um cobertor, - Damien falou indo em direção aos dormitórios – Fique ai com ela que já volto.
O Corvinal confirmou com a cabeça, mas seu coração estava desesperado. Se ela acordasse naquele momento daria um escândalo e Filtch estaria mais feliz em levar direto a Dumbledore diretamente para um expulsão, seus pensamentos fora interrompidos quando Ursula em um movimento inconsciente, abraçou o braço de Van.
-Mas o qu...
A porta do dormitório se abriu e Damien tinha acabado de ver a cena toda. Tentou conter o riso para não acordar a amiga, mas não iria perder a oportunidade de usar contra ela esse fato. Van conseguiu o braço de volta e já se levantava para sair antes que alguém aparecesse.
-Van, eu acho melhor a gente não comentar nada com a Ursula. – Damien falou com cautela. – Não se sabe o que ela pode fazer com raiva.
-Daimen, meu rapaz... – Van falou com um sorriso malicioso como se pensasse em algo maquiavélico. – Existem oportunidades na vida em que não podemos jogar fora.- Van continuou dando tampinhas no ombro do amigo. – E essa, é uma delas.
-Voçê é quem sabe. – Damien consentiu dando de ombros para a idéia do amigo.
Na saiu correndo pela passagem e logo sumiu pelo corredor das masmorras correndo. Afinal, ele agora é quem podiam dar o troco a altura.
|