12º Capítulo
Feliz Ano Novo
Os convidados no salão gritam aterrorizados, se podia ouvir vidraças serem quebradas, os passos apresados dos convidados tentando correr, zunidos de feitiços e gritos com azarações. Angelus correu até a porta, mas quando foi abri-la um corpo de um dos convidados caiu bem na porta da sala. Por uma fresta que conseguiu abrir, Angelus viu homens encapuzados, chapéus cônicos e mascaras. Reconheceu logo que viu, eram os Comensais da Morte.
Havia se pensado que todos estavam presos, mortos ou exilados. Alguns tentaram fugir, mas com os ilustreis cavaleiros da Ordem da Fênix, conseguiram capturar quase todos, a maioria preferia morrer a ir para Azkaban ou sofrer um julgamento onde pudesse delatar os seus comparsas e por um fim aos Comensais da Morte. Com a morte de Voldemort causada por Potter, os Comensais estavam indefesos, mas descobriram uma maneira de transferir os poderes do Lorde para uma pessoa que fosse de extrema confiança dele. O ministério não dera ouvidos aos apelos incessantes dos aurores da Ordem da Fênix, com isso o assunto foi encerrado e os comensais nunca mais foram vistos, até hoje.
No salão, um comensal agarra o colarinho do Sr. Clearwater e o ameaça com a varinha apontada para ele. A Srª Clearwater chorava incessantemente, o Sr. Morgan se aproxima para tentar fazer o comensal soltar a varinha, mas nessa hora, um dos comensais que estava próximo o fez desmaiar com um feitiço que lançara e atingira o pescoço. Na mesma hora, Angelus saiu da sala correndo em direção ao pai.
-PAI! – Angelus corria, mas sentiu que suas pernas já não estavam mais tocando o chão. Angelus flutuava a quase dois palmos do chão, já não conseguiu falar ou se mexer.
-Boa tentativa heroizinho, mas não é você que queremos. – Falou com uma voz arrastada o comensal que lançara o feitiço nele.
-O que nós queremos, Sr. Clearwater. – falou o comensal que ainda segurava o colarinho dele. – O senhor sabe muito bem do que nós estamos falando, não?
O Sr. Clearwater balançava a cabeça negativamente e tentou falar.
-Se é a planta do ministério... – falou com a voz sufocada -...Eles não me deixam ficar com a planta...
-Não é bem um mapa que queremos, Sr. Clearwater. – O comensal largou o colarinho e o jogou no chão, começou a caminhar em volta os demais convidado petrificado pelo restante dos comensais que tomavam o salão. – Estamos, na verdade procurando uma caixa, que eu soube por intermédio de várias torturas, que estaria com um dos Clearwater, então... Acredito que esteja aqui, não?
-De que caixa esta falando? Eu não tenho caixa nenhuma! – O Sr. Clearwater tentava recuperar a respiração.
-Ele pode estar mentindo! – Disse o outro comensal com uma voz feminina e arrastada.
-Talvez... Não. – Falou o comensal. – Talvez ele nem saiba que tem essa caixa...- O comensal caminhava o redor do Sr. Clearwater. – Talvez ele não tenha a caixa, mas sim um outro Clearwater.
Um dos comensais que fora encarregado de vasculhar a casa, voltava com segurando Penélope pelo braço, que se esperneava para tentar se soltar.
-Me solta! – Gritava Penny – Me solta!
-Ora, ora Clearwater. O que temos aqui? – falou o comensal se aproximando de Penélope, segurou o queixo dela com um certo desprezo e soltou voltando a comentar – A jovem do Clã! Uma miniatura de uma vidente fajuta. – Riu com desdém.- Acredito que a pequena vidente possa me dizer... – falou com ódio para Penny. -...ONDE ESTÁ A CAIXA?
-Eu não tenho caixa nenhuma!- Falou Penélope com medo.
-Está bem, soltem o heroizinho. – falou o comensal, fazendo Angelus cair no chão desmaiado.
Penélope correu até Angelus para tentar socorre-lo, Angelus parecia inconsciente, mas quando penny se aproximou dele, ele sussurrou para que os comensais não pudessem ouvir.
-Penny, A caixa. –Engoliu seca – A caixa que eu te dei de natal, eles querem ela. Não importa o que eles façam não dê a caixa.
-Mas a caixa do destempus, não tem nada de mais nela. – falou Penélope quase que sussurrando para Angelus. – Eu deixei no meu quarto, na estante.
-Você precisa pegar e fugir daqui com ela...
-Olá namoradinhos! – O comensal apontava a varinha para Penélope – Sabe, eu odeio quem fica escondendo as coisas de mim. E se você não começar a falar eu vou fazer os dois ficarem juntos para sempre.- O comensal se aproximou dos dois falou com ódio. – PARA A TERRA DOS PÉS JUNTOS! Vai ou não falar?
O homem encapuzado agarrou o braço de Penélope com brutalidade e a aproximou para que pudesse sussurrar.
-Eu vou ser muito compreensivo com você – Penélope soluçava apavorada enquanto mantinha o rosto abaixado – Eu só quero uma coisa que está aqui. Dê-me a caixa e nós iremos embora. Muito simples. – Concluiu com ironia.
-Eu já disse... – Choramingou Penélope - ...Eu não sei.
-AHH!
O comensal segurou com força o braço dela e a jogou contra a uma parede, fazendo-a se encolher, passando as mãos sobre a cabeça, tentando protege-la. O homem se voltou para o resto dos reféns, que não estavam petrificados, e apontou a varinha meio débil entre os dedos.
-Agora, quem será o próximo a se juntar a pequena aqui?
Por trás das estatuas dos convidados, o Sr. Clearwater era segurando por dois comensais enquanto gritava e tentava se desvencilhar deles.
-Você é um monstro!
-Ah... Obrigada pelas palavras gentis, Clearwater – Falou o comensal que acabara de agredir Penny, fazendo uma reverencia irônica para ele. – E você ainda não viu nada.
O barulho de feitiços sendo lançados interrompeu a conversa dos dois. Um dos comensais que vigiava a parte de fora da casa trazia dois corpos petrificados, flutuando pelo feitiço que saia da varinha. O comensal que discutia com o Sr. Clearwater ficou visivelmente surpreso em ver os dois reféns que pareciam familiares a ele.
-Olha, - o Comensal falou se aproximando dos reféns petrificados. – Cabelos negros, olhos vidrados e essa roupa fora de moda, só pode ser uma Clearwater. – Falou se voltando para Allan - Vejam esse, cara de pateta e mais parece um brutamontes, deve ser um Witman, sem dúvida.
Os comensais desataram a gargalhar, por fim, até o silêncio transpirar medo. O comensal retomou a conversa com Penélope, falando baixo, para que ninguém pudesse ouvir. Angelus tentou se forçar para ouvir a conversa, mas a única audível era os soluços de Penny, toda vez que o comensal terminava de falar. O homem encapuzado se voltou para os demais que estavam atentos na sala e se pronunciou.
-Depois de uma longa conversa com a srtª Clearwater, ela me esclareceu que houve um terrível engano, - Era evidente o cinismo na fala do comensal - Ela me revelou que a caixa está realmente nessa casa, meus amigos...
Uma onda de urros de comemoração se instalou entre os comensais que estavam ouvindo atentamente, mas logo cessou com um movimento das mãos do comensal que se pronunciava.
-... O futuro está próximo e ele será nosso! – Falou o comensal sendo aplaudido pelos demais comparsas na sala. – Agora andem... Não temos a noite toda... A Ordem já deve estar próximo daqui.
O homem se apressou, puxando Penélope pelo braço como se fosse uma boneca de pano qualquer. A garota chorava, o que fazia ele se irritar mais ainda, ela por sua vez tentava proteger o rosto com o punho cerrado próximo do rosto. O homem subia as escadas do casarão, fazendo Penny tropeçar em alguns degraus. Quando chegaram no alto da escada, o longo corredor que dava para os quartos, ele a soltou, vendo que não havia como a garota fugir. O homem apenas apontou a varinha na nuca dela, fazendo ela gemer e implorar que a soltasse.
-Eu já disse... Ande! –Rosnou o comensal.
Penélope andou pelo corredor vazio da casa, parecia dessa vez assustadora ou quase inimaginável aquela cena, um comensal apontando a varinha perigosamente para ela. Seu coração praticamente parou de bater quando visualizou a frente da porta do seu quarto. Não poderia escapar ali, ele iria mata-la antes que fizesse qualquer coisa. Levou a mão tremula até a fechadura da porta, algumas lágrimas turvaram sua vista e um barulho no andar de baixo fez os dois voltar a atenção para degraus da escada. Foi um momento único e logo o silêncio se instalou no corredor. O homem encapuzado empurrou com certo prazer à varinha, fazendo a garota voltar a chorar um pouco mais alto.
A porta se abriu e os dois puderam ver o ambiente do quarto de Penélope. A jovem entrou ainda relutante pelo quarto sobre a mira da varinha do comensal, que mostrava o seu brilho assassino no olhar. O tempo parecia estar em câmera lenta naquele instante, Penélope pode ver a caixa de madrepérola brilhar na estante sobre a luz que iluminava o quarto. Por um momento pensou em agarrar a caixa e sair correndo, mas seria facilmente atingida pelo por um feitiço antes que pudesse tocar o destempus. O comensal se apressou para pegar a caixa da estante, mas para sua surpresa, Penélope se adiantou e se pós na frente dele.
-Eu... eu não v...vou deixar você levar essa caixa. – Penélope tremia dos pés a cabeça, mas tentou arranjar toda a firmeza que possuía para impedir.
-Ora, ora... mas quem diria – Debochou o comensal, mas já imprimia sua raiva na voz – Eu devo acreditar que você nem sáiba para que ela ser afinal... essa coragem não é sua, e nem combina com você. Isso deve ser a má influencia daquele heroizinho.
Penélope se sentiu acuada, foi a primeira vez que percebeu o quão perdida, enquanto isso, o comensal se aproximava perigosamente dela, apontando a varinha em seu pescoço e a fazendo a encara-lo.
-Eu não queria terminar com você tão cedo, mas já que insiste...
Um jorro de luz dominou o ambiente e a jovem tentou manter os olhos fechados, como um tentativa de diminuir a dor do feitiço que ele lançaria, mas os segundo se arrastaram e não sentia nada. “Talvez estivesse morta” pensou por um segundo, mas logo ouviu um baque forte indo de encontro ao chão. Por mais que tentasse imaginar que o comensal estaria morto, não tinha forças para abrir os olhos.
O barulho dos passos em seu quarto aumentavam gradualmente, o farfalhar das capas e vozes nervosas tomaram o ambiente, que ecoava nos ouvidos dela. “Ela está bem!” ouviu Penélope alguém dizer enquanto passava bem próximo dela. As vozes se misturavam pelo quarto e para ela, a escuridão dos seus olhos fechados pareciam confortáveis para aquele momento, mas o medo não a tinha abandonado. Suas pernas fraquejaram e no impulso de não cair, deu dois passos para trás, até sentir a firmeza da parede fria do seu quarto. Nunca passara pela sua cabeça de como era fria, depois de todos aqueles anos morando ali, nunca se importará com aquilo. Suas pernas fraquejaram mais uma vez, agora apoiada na parede, se deixou deslizar até o chão, encolhendo as pernas e acolhendo a cabeça entre os braços.
Por alguns instantes, as vozes foram perdendo o sentidos, já não se podia mais reconhece-las, até que no meio de muitas Penélope conseguiu reconhecer uma.
-“Onde ela está?” – A voz parecia aflita
-“Ela não está bem, não abriu os olhos...nem mesmo conseguiu falar nada at...”
-“Mas onde ela...”
-“Senhor, está tudo pronto para examinarmos a garota.”
Ouviu passos em sua direção, se encolheu mais uma pouco tentando se proteger, mas logo foi tomada nos braços de alguém. Seus olhos se mantinham, ainda relutante em abrir. A pessoa a abraçava com devoção, acariciando seus cabelos, como se ninasse uma criança. Por uma momento ela não quis acreditar, mas já havia reconhecido desde o momento em que ele a abraçou. Ela envolveu seus braços ao redor do pescoço dele, desabando em lágrimas. Angelus sussurrava em seu ouvido, nunca deixando de conforta-la.
-Abra os olhos Penny.
Ela abriu, e vislumbrou o corpo frio e sem vida do comensal que quase terminara com a sua vida. Sua lembrança gritava, fazendo ela gemer de tristeza voltando chorar. Angelus afagava seus cabelos com ternura, mas deixou escapar um suspiro de tristeza ao ouvir a dor no choro da garota.
-Vem, vou colocar você no quarto de Clearency.
Angelus a levantou em seus braços, mesmo fraco com a luta que travara contra o comensal, parecia não ter tanta importância quanto aquele momento. Penélope ainda mantinha seus braços envolto ao pescoço do rapaz, mas agora o choro parecia cessar e uma certeza de que estava segura ali parecia tomar sua consciência. Angelus abriu caminho pelo corredor repleto de Aurors até chegar ao quarto de Clearency, que ainda se mantinha bem arrumado, magicamente o quarto fez surgir mais uma cama ao lado da que já estava ali a principio. Com certo cuidado, ajeitou Penélope sobre a cama, para finalmente poder fita-la pela primeira vez depois do ataque, ela ainda estava vestida com a fantasia de fada, revelando uma das asas machucadas pelo ataque, seu cabelo já voltava ao comprimento original e notou a barra (cumprida) de seus vestido estava desfeita. Por um momento, ele imaginou que poderia tela perdido para sempre, mesmo sabendo que nunca a tivera em seus braços por vontade própria como agora.
Ele colocou uma das mechas do cabelo dela atrás da orelha, deixando o rosto da pequena Clearwater a mostra. Pode sentir ela suspirar tranqüila, fazendo ele sentir que tudo agora estava bem, mesmo que uma guerra estava prestes a explodir lá fora, ali, ao lado dela sentia-se que uma pequena parte do mundo estava segura, bem ali naquele quarto. A coragem parecia crescer em seu peito e sentiu algo que já não se podia explicar, uma alegria imensa invadiu sua alma, deixando transparecer uma sorriso carinhoso para Penélope.
A porta do quarto se abrir, revelando Clearency ainda com uma expressão assustada.
-Angelus, seus pais estão lhe procurando. – o rapaz olhou para ela meio sem expressão.
-Eu já vou...
Nesse momento, Penélope se apressou e segurou a mão dele, tentando impedir que ele deixasse o quarto. Ele voltou a olha-la com ternura e disse:
-Eu volto.
Penélope puxou levemente a mão do rapaz, como se pedisse silenciosamente para ele não a deixar. Sem muita relutância Angelus voltou a olhar para Clearency .
-Diga a meus pais que eu desço já.
A porta se fechou e Clearency não voltou a falar, ainda se podia ouvir seus passos pelo corredor, indo em direção as escadas. Angelus voltou a se ajoelhar a beirada da cama, acariciando os cabelos dela, não demorou muito e a jovem já dava os seus últimos suspiros, fechando os olhos vagarosamente.
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