Oi, oi povo!!
Eis mais um capítulo e nele vamos conhecer um pouco mais do enigmático Duque de Avon...
Nana!! Sim, a cena do Sev com a Lily foi linda, era uma das que esperava ver, outra que fiquei muito ansiosa pra ver foi quando ele mostra o patrono pro Dumbledore e simplesmente fala sempre! Aquela cena é fantástica. Aliás, a história do Snape é fantástica e continuo dizendo que foi o melhor personagem que a J.K. fez, com toda certeza...
E acredito em vc, porque sempre me emociono quando vejo esse final. ^^
Flor, as coisas vão começar a ficar mais interessante, fique atenta...
Taina: Então, costumo atualizar uma vez por semana. Espero que goste do próximo capítulo! ^^
Bjs e boa leitura!!!
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Após uma noite praticamente insone, Hermione estava determinada a escapar da inevitável agitação doméstica provocada por uma festa para mais de cem pessoas. Também queria adiar, por mais tempo possível, o bem merecido sermão que seu pai iria lhe passar. Ela não apenas interrompera uma conversa particular e confidencial, como também fora grosseira com um hóspede em sua casa. Por sorte, o general não presenciara o segundo e ainda mais desastroso encontro entre o duque de Avon e sua filha.
O general retornara para junto de seus convidados com uma expressão de profunda contrariedade e a mantivera até se despedir do último deles, já de madrugada. Ele não sugerira que precisava conversar com a filha, deixando o salão rapidamente, enquanto os criados começavam a limpeza preliminar que prosseguiria de manhã.
Aliviada, Hermione buscou o refúgio de seu quarto e passou as horas que ainda restavam até o amanhecer, repisando cada um dos detalhes do encontro com Snape. Aquele homem perturbara suas emoções, em poucos minutos, mais do que qualquer outro durante toda a sua vida.
Ao amanhecer, ela continuava tão confusa a respeito do duque do que quando fora se deitar. Ele era realmente um vilão assassino que Lupin lhe pintara, o indolente covarde da conversa na biblioteca ou o homem autoritário e sarcástico que a enfrentara no topo da escada? Por que viera, sangrando e sentindo muita dor, interromper a noite de festa em honra de seu pai?
Evitando chamar a criada de quarto, Hermione vestiu-se para cavalgar e saiu de casa sem avisar ninguém. Um calmo e entediante passeio pelo Hyde Park não era a maneira que preferia para solucionar seus problemas, mas depois de vir para Londres, parecia ser a única a seu alcance. Entretanto, não pretendia privar sua égua de exercício e um bom galope sempre a deixava mais animada e, para poder entregar à velocidade tinha de ir bem cedo, antes dos costumeiros freqüentadores chegarem para passear a cavalo.
Em menos de uma hora, ela retornou, mais cheia de energia e determinada a solucionar o mistério de Snape, o "amigo" de seu pai. A casa já começava a se movimentar e, ao entrar na sala de refeições, alegrou-se ao encontrar Harry, que tomava seu café da manhã. Hermione aproximou-se, batendo o chicote na palma da mão, um gesto involuntário que negava a aparente calma de sua expressão controlada.
— A sua montaria sobreviveu?
— Sobreviveu ao que? — perguntou ela, surpresa.
— Ao que afetou seu equilíbrio nesta manhã.
— Você sabe que eu jamais maltrataria um animal, Harry. Não importa qual fosse a provocação.
Rindo, ela encheu o prato, surpreendendo-se por estar com tanta fome. Ao sentar-se, encontrou o olhar inquisidor do irmão, esperando por uma explicação. Os dois sempre tinham sido muito unidos e as tragédias partilhadas nos últimos anos haviam criado uma ligação ainda mais íntima.
— Obviamente, você sente que houve uma provocação, certo? Não me diga que alguém ousou ofender a rainha da noite, pois não acreditarei após ter ouvido relatórios entusiasmados sobre seu sucesso. Minha bela irmã conquistou toda a sociedade londrina, sem sequer se esforçar.
Perdendo subitamente o apetite, Hermione brincava com a torrada intocada em seu prato. Então, decidiu que Harry era a pessoa certa em quem confiar. Ele não revelaria a ninguém seu interesse no assunto e conhecia melhor a sociedade londrina.
— Você conhece o duque de Avon? — perguntou ela, tentando parecer desinteressada e rezando para que seu irmão não notasse seu súbito rubor.
A reação de Harry assustou a jovem. Ele depositou a xícara de chá no pires com força demasiada, sem se preocupar com o líquido que se esparramava na mesa.
— E onde você encontrou o duque de Avon, Mione? — exclamou ele, chocado.
— Ontem à noite, na biblioteca de nossa casa, querido. Papai nos apresentou um ao outro.
Tomando seu chá com toda a calma, Hermione deixou propositadamente de contar ao irmão que interrompera uma conversa particular.
— Maldição! — resmungou Harry, contrariado. — Eu não consigo acreditar! Meu pai não permitiria que você entrasse numa sala onde Snape estivesse!
— Por que tanta surpresa? Agora percebo que papai deixou de me prevenir sobre alguns elementos da personalidade desse cavalheiro. Que tal bancar o responsável irmão mais velho e me contar por que a menção do nome dele provoca essa reação em você? Não sou mais uma virgem inocente que não possa ser apresentada a um jogador... — Hermione encarava o irmão com uma expressão interrogativa — Será um libertino ou um assassino? Então, maninho? Por acaso, considera-o um... traidor? Certamente não é esse o caso!
Ao ouvir o terror evidente na voz da irmã, Harry soube que já era tarde demais. Aquele rosto de beleza excepcional, mas diabólica, que já conquistara tantas mulheres através dos anos, também tivera seu efeito em Hermione. Ele mal podia acreditar que aquela mulher racional e determinada fora atraída pela chama como uma tola mariposa.
— Fique longe desse homem, Hermione. Ele não é para você, não serve para mulher alguma que tenha emoções tão fáceis de atingir como as suas. Snape partirá seu coração e seguirá adiante como se nada tivesse acontecido.
— Posso lhe jurar que meu coração não foi tocado por ele, querido. — Indo para junto do irmão, a jovem o abraçou, preocupada com a perturbação pouco costumeira de Harry. — Só o achei um homem fora do comum e não consegui imaginar nenhum motivo válido para justificar sua visita a papai. Por que o fato de eu ter me encontrado com o duque o aborrece tanto, maninho?
Diante da mudez deliberada do irmão, que continuava carrancudo e nitidamente contrariado, Hermione insistiu, sorrindo.
— Se quer mesmo que eu não pense mais no duque, conte-me tudo o que sabe. Esclareça o mistério, querido. Não ignora que é o único modo de acabar com meu interesse, certo?
— Você tem razão — murmurou ele, mais calmo diante da análise racional da irmã. — Eu reagi de forma exagerada, mas insisto que Snape é um homem perigoso. A sua vida já foi sofrida demais nos últimos anos e perdi a calma ao pensar que ele pudesse magoá-la ainda mais, Mione. Na verdade, conheço-o bastante bem, desde a época de escola. Apesar de minha atitude de momentos atrás, sempre gostei de Severus Prince Snape, que é agora o duque de Avon.
A história de Harry começava há alguns anos, quando ele fora enviado para a mesma escola freqüentada pelos dois irmãos mais velhos.
— Severus já estava nessa escola há algum tempo e eu jamais entendi por que o pai dele escolheu justamente aquela completamente voltada para o treinamento militar e a menos adequada a alguém como ele.
O rapaz calou-se, procurando um modo de tornar real uma experiência jamais vivida por Hermione.
— Severus, o mais nobre e mais rico de todos os alunos, nunca pertenceu realmente ao mundo escolar que todos nós partilhávamos. Ninguém ignorava que, após a morte do pai, ele herdaria um dos títulos mais antigos e respeitados da Inglaterra, sem mencionar uma das maiores fortunas do reino. Também sabíamos que se tornara o único herdeiro depois da morte da mãe e dos dois outros irmãos em um acidente de barco. Comentava-se que essa perda múltipla quase levara o pai dele à loucura e por esse motivo enviara o único filho a mais severa e dura das escolas.
Como se jamais fosse compreender a atitude do pai de Snape, Harry balançou a cabeça, num gesto de perplexidade.
— Talvez o velho duque quisesse afastar o filho a fim de beber até a morte, sem testemunhas, um feito que realizou em cerca de oito anos. Seja lá qual o motivo, Severus passou todo esse tempo na escola, sem nunca sair, nem mesmo nas férias.
— Se o pai não ia buscá-lo, certamente algum dos colegas o convidava para passar o natal ou as férias de verão em sua casa, não? Vocês sempre traziam amigos...
— Agora, eu gostaria de tê-lo convidado, mas na época, não conseguíamos imaginar Severus em nossa casa. Acho que ninguém tinha coragem de convidá-lo, sabe? Ele parecia se manter deliberadamente alienado do mundo escolar.
— Mas por quê? Se ele não tinha mais ninguém...
— Quando eu entrei na escola, Severus já não freqüentava mais aulas regulamentares, seguindo um curso especial que lhe era dado pelos melhores professores. Suponho que todos admiravam sua excepcional inteligência... e também o temiam. Se Severus quisesse, teria sido um líder pois tinha os dons necessários para guiar toda uma geração.
— E ele não quis?
— Apenas uma vez... — murmurou Harry, retornando ao passado— quando saiu de seu isolamento para me ajudar. O líder da escola era um garoto briguento, de crueldade fora do normal mesmo em um ambiente onde a crueldade é uma substituta aceitável da verdadeira força. Ele me perseguia implacavelmente e então... Severus interferiu. Nunca lhe perguntei por que o fizera, mas senti-me muito grato.
O rapaz estremeceu, lembrando os terrores tão típicos das escolas inglesas.
— Ele venceu meus torturadores através do intelecto, destruindo-os com sua inteligência. Intuitivamente, descobria as falhas ocultas e as expunha, forçando-os a admitir em público a sua covardia ou qualquer depravação que tentassem esconder. Tentei agradecer a ajuda, mas Severus lia os pensamentos de todos. Disse-me que eu passara a odiá-lo tanto quanto os outros por ter sido salvo e era a verdade. Seus métodos haviam sido implacáveis demais e eu não podia considerá-los corretos.
— E agora, depois de tanto tempo, como vê o que aconteceu?
— Ainda não sei. Severus disse-me algo que jamais esqueci. Usei seu ensinamento na Espanha e descobri que ele tinha toda a razão. "Se você quer vencer um inimigo, descubra as fraquezas dele e ataque o ponto fraco repetidamente até se assegurar da vitória". Entretanto, nunca fui um discípulo perfeito porque sempre senti vergonha por triunfar dessa forma.
Após um longo silêncio, Hermione voltou a insistir com o irmão.
— Ele já usava uma bengala quando estava na escola, Harry?
— Mas... — o rapaz não escondia sua surpresa — pensei que tivesse conhecido Snape, ontem à noite!
— Claro que o conheci, mas você não me respondeu. Ele já tinha um defeito na perna?
—Nós o chamávamos de Aleijado... nas suas costas, é claro. Talvez esse fosse um dos motivos que o mantinha afastado do resto de nós. Severus não podia participar das atividades físicas que ocupavam a maior parte de nosso horário escolar. Todavia, jamais ninguém ousou zombar dele por causa da perna atrofiada e dizem que seu pai o enviou para a escola a fim de não ver o defeito do filho. Comentava-se que o velho duque não tolerava pensar que um sobrenome ilustre e tão antigo fosse passar para as mãos de um... manco!
Os dois irmãos permaneceram calados por algum tempo, até que Harry notou a expressão de compaixão no rosto de Hermione.
— Pelo amor de Deus, Mione! — exclamou ele, rindo. — Não sinta pena de Snape. Ele é mais do que capaz de lutar suas próprias batalhas e vencê-las sempre! Ninguém tinha coragem de provocá-lo. Severus era um atirador sem igual e sua pontaria se tornou famosa em toda a Inglaterra. Vencia os jogos de cartas, ficando com nossas mesadas, mesmo sem precisar de dinheiro como a maioria de nós. Quanto ao defeito em sua perna... parece que o deixava ainda mais atraente aos olhos das mulheres, de todas as idades e classes sociais.
Harry hesitou alguns segundos, como se não desejasse falar, mas precisasse alertar a irmã.
— Correram rumores que a irmã de Burdage, a Charity, matou-se porque Severus se recusou a casar-se com ela. Sabe-se que atualmente mantém uma bela amante e, para seu crédito, limita-se a conquistar mulheres em outros ambientes e não entre a sociedade na qual convivemos. Sempre foi um dos partidos mais visados pelas mães ambiciosas, mas nos últimos anos, afastou-se do convívio de seus pares aristocratas e, aparentemente, esse título antigo e digno desaparecerá com ele. Conhecendo suas fraquezas... talvez seja melhor assim.
Por algum motivo, a fria análise de Harry não alcançou o efeito desejado. Nos momentos mais inesperados, Hermione pensava nos olhos negros do homem mais excitante que jamais conhecera. Nos dias que se seguiram ao encontro, seu equilíbrio emocional oscilava entre a raiva por ter sido manipulada e algo que ela não sabia ser uma intensa atração física. Reconhecia que sentia-se fascinada por ele mas, apesar das nove semanas de seu casamento com o visconde Granger, permanecera sexualmente adormecida.
Esse casamento fora o resultado da sua desastrosa apresentação à sociedade. Sentindo-se um peixe fora da água o tempo todo, Hermione ficava mais desesperada a cada dia que passava. Sempre tinha parceiros para todas as danças e um companheiro para os jantares, mas sabia que isso acontecia por afluência de seus irmãos. Na verdade, o comentário menos ofensivo durante aquele período interminável tinha sido que "ela não parecia pertencer à aristocracia"!
— E se for assim , prefiro mesmo nunca pertencer! — explodira ela, após uma noite especialmente humilhante, em que fora alvo de comentários sarcásticos e ofensivos. — Sou alta demais e diferente de todas as outras debutantes. Ninguém vai querer casar-se comigo!
Enquanto o pai a consolava, afirmando que tudo lhe pareceria melhor no ano seguinte, Hermione imaginou-se sozinha em Londres, quando os irmãos partissem para a guerra na Espanha, onde um grupo de resistência começava a lutar contra as forças de Voldemort. Ela iniciou uma campanha intensa a fim de poder acompanhar os homens de sua família nessa aventura.
— Se pensa que vou levar uma jovem inocente e resguardada junto comigo, para seguir um exército invasor, desista da idéia!
Os irmãos riam ao ouvir a descrição da garota, que crescera em postos militares na Índia, como sendo uma jovem "resguardada" da realidade.
— Mas outras mulheres, as esposas dos mais qualificados militares e que vem da alta nobreza, irão para a Espanha! Por que eu não posso?
— A diferença é que elas são justamente... esposas! Não se pode levar jovens solteiras para um ambiente tão exposto!
Como sempre, Hermione apelara para os irmãos. Talvez mais por hábito do que por concordarem com a teimosia dela, conseguiram realizar o desejo da única irmã. De alguma forma, persuadiram Andrew Granger a pedi-la em casamento.
A jovem jamais descobriu quais haviam sido os argumentos... ou ameaças usadas pelos irmãos, mas Andrew simplesmente se decidira a resolver o problema. Se ela queria ir para a península ibérica e precisava de sua cooperação, ele não via nenhum motivo para recusar.
O casamento fora sem festa, como convinha em tempos de guerra e a lua de mel muito breve, pois logo todos partiriam para a Espanha. Hermione suportou a inexperiência sexual do marido, que a desvirginara sem nenhuma delicadeza, por algumas semanas, considerando ser esse o preço a pagar por sua inclusão em uma aventura que não queria perder.
Agora, ela percebia que era totalmente inexperiente diante de um homem cuja indiferença lhe despertava uma reação desconhecida. Não tinha armas para se defender da fascinação que sentia por Snape.
Quase uma semana após a noite em que o conhecera, recebeu um pacote com seu nome. Não reconheceu a letra nem o brasão, mas o conteúdo lhe era muito familiar. Tratava-se de seu lenço, impecavelmente engomado, que fora deixado em um dos vasos junto da escada. Mesmo sem encontrar nenhuma mensagem, Hermione soube quem o enviara.
Não imaginava como o duque viera a ficar com seu lenço, mas também não se surpreendeu com o fato. Nada a respeito daquele homem misterioso lhe parecia compreensível.
Então, num impulso, decidiu que Snape não tinha o direito de controlar o relacionamento entre eles, por mais tênue que fosse! Aquele homem a manipulara de forma vergonhosa e zombara de todos os seus princípios mais sagrados, a família, a honra e a pátria.
Harry tinha razão em considerá-lo frio e cruel, portanto nunca mais se compadeceria dele. Snape não merecia nem desejava sua piedade, mas ela não lhe permitiria ser o único a se divertir às custas de alguém.
Além disso, queria muito vê-lo de novo. Até encontrar o duque, não se dera conta do quanto se sentia entediada em Londres. Como um soldado, tornar-se viciada na excitação das batalhas e do perigo. Certamente, aquele homem representava um dos maiores desafios que encontrara até então!
Lupin acreditou em sua história mal contada sobre a necessidade de devolver as luvas do duque, que supostamente as esquecera naquela noite. Embora o mordomo se oferecesse para realizar essa tarefa, ela afirmou que o valete de seu pai se encarregaria do assunto.
Naquela tarde, ao sair de casa com o pretexto de ir buscar novos livros na biblioteca de Chelsea, Hermione levava, bem escondido dentro de sua luva, um papel com o endereço de Snape.