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31. Cap 28: Apenas mais uma dança


Fic: Harry Potter e o Encontro das Trevas - por Livinha


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 28


Apenas mais uma dança...


 
Por que não tentamos nos abraçar
Enquanto o mundo estiver parado?


 1977


Chegara a grande noite de formatura. Os anos de estudos haviam acabado, e nada poderia ser mais maravilhoso para um aluno saber que essa seria sua última noite na escola e, de quebra, seria de festa. Todos os formandos de Hogwarts já deveriam estar no Salão Principal há muito tempo, acompanhados de suas famílias, aproveitando o baile. Para todos seria a melhor noite de suas vidas, com certeza. Porém, como toda regra tem sua exceção, dessa vez não seria diferente.


Para Ariadne Lakerdos esta não seria a melhor noite de sua vida; talvez fosse uma das mais animadas, mas não a melhor. No entanto, ela não iria tirar a prova disso, tanto é que era a única formanda que não estava no grande salão.


Ao contrário de muitos alunos, ela não viveria tempos de sossego, não arranjaria um trabalho e faria o que bem gostasse, e muito menos tiraria um mês de férias para viajar e aproveitar, finalmente, sua maioridade. Eles estavam em guerra. Voldemort estava se fortalecendo cada vez mais, e não seria justo, e muito menos da vontade de Ariadne, deixar seus amigos para trás, lutando sozinhos.


E ela automaticamente pensou no motivo que não a deixaria em paz se ela fizesse isso: Arktos.


Porém, sabia que, mesmo Arktos tendo morrido por causa da guerra, ela realmente deveria viajar. Por mais que se sentisse na obrigação de ficar na Inglaterra, tinha coisas que deveriam ser descobertas.


Fazia poucos meses que o irmão morrera. Uma morte brutal que ela não entendia bem ao certo como ocorrera. Só sabia que, no dia em que embarcaria no Expresso de Hogwarts para passar as férias de Natal com o irmão, Dumbledore lhe chamara em seu escritório. A priori, ela pensara que havia feito algo muito errado, afinal, o que ela faria no escritório do diretor senão receber uma reprimenda? Contudo, quando viu ao lado de Dumbledore o Prof. Slughorn com uma expressão de pesar e ao lado deste o chefe de seu irmão, o auror Rufus Scrimgeour, e um outro auror que ela sabia ser amigo de Arktos, começou a juntar as sórdidas peças daquela incógnita.


Foi difícil saber o que acontecera dali em diante. Ariadne nunca se sentira tão perdida em sua vida como naqueles minutos, nunca teve vontade de morrer, que a terra a engolisse, que sua cabeça parasse de zunir, de girar. Nunca quis tanto que a voz presa abandonasse logo sua garganta num grito de dor. Ela só escutava aquelas pessoas dizendo que sentiam muito, que Arktos fora atacado em casa e não tivera chance de sequer lutar, embora que, com certeza, se defendera bravamente enquanto pôde.


Mas ela não queria ouvir isso. Ela sabia que o irmão era corajoso, aquelas pessoas que nem sequer o conheciam direito não precisavam falar isso. Ariadne não conseguira ouvir mais nada. Saíra correndo do escritório e se enfiara na primeira sala vazia que encontrara.


Ela passara o resto da manhã e a tarde toda chorando convulsivamente, não acreditando no que estava acontecendo. Aquilo não era certo. Parecia estar vivendo a vida de outra pessoa. Nem percebeu que um casal de alunos entrara na sala para se despedirem e desejarem feliz Natal; só sabia que gritava com eles, expulsando-os de lá. E os gritos chamaram atenção de alguém que passava.


Somente quando Severus sentou-se ao seu lado, passou os braços pelo corpo encolhido da prima e a abraçou, que Ariadne percebeu a presença dele. Ela não se rebelou, no entanto; não tinha forças. Além disso, ela sempre conseguiu ser verdadeira com Severus. Sentiu-se grata por não precisar contar ao primo o que havia acontecido; por ele ser da família, fora o primeiro a ser avisado após Ariadne.


Um tempo depois, Lily apareceu com Sirius. Eles estavam procurando por ela, uma vez que Sirius e Ariadne, que estavam namorando, não haviam se despedido, e ele ficaria na escola enquanto a garota iria passar o Natal com o irmão.


Olhando-se no espelho, enquanto decidia se iria ou não para o baile de formatura, Ariadne não conseguia entender por que expulsara o namorado daquela sala. Sentia tanta vontade de ser abraçada por ele, sentir o calor e o conforto daqueles braços, entretanto, não queria que Sirius a visse naquele estado. Acabada e sofrendo.


Meneou a cabeça para espantar essas tristezas. Não iria subir para o grande salão, decidira-se finalmente. Não estava com clima de festas, afinal, ninguém iria aproximar-se dela para se dizer orgulhoso ou dançar a “valsa dos formandos”.


Soltou um suspiro desanimado, para depois levar as mãos ao zíper lateral do corpete que usava, intentando livrar-se da peça. A única coisa que queria e precisava era enfiar-se nas cobertas e pedir que o dia seguinte chegasse rapidamente. Porém, mal suas mãos alcançaram o zíper, ouviu alguém bater na porta. Ela não disse nada, torcendo que a pessoa fosse embora. Mas, sem esperar resposta alguma, a porta foi aberta, revelando um rapaz alto e pálido que tinha os cabelos penteados para trás; usava um smoking bruxo, preto com detalhes e gravata verde-escuros, e uma capa preta por cima.


- O que você ainda está fazendo aqui? - ele perguntou.


- Eu não vou ao baile, Severus. Vou tirar o vestido e dormir.


- Por que não? Achei que você iria gostar de ter uma última chance para se confraternizar com seus amiguinhos sangues-ruins e amantes de trouxas.


Ariadne o olhou com desgosto.


- Mas, como você pode perceber, Severus, eu quero ficar no meu quarto. E sozinha. - Virou-se para o espelho e viu, através do reflexo, o primo sentar em sua cama. Suspirou cansada.


- Porém, como uma bruxa muito bem educada que eu sei que você é - Severus contrapôs -, tem obrigações e etiquetas a serem seguidas. Portanto, vá terminar de se arrumar e subir ao Salão comigo.


Ariadne arqueou as sobrancelhas, olhando-o irritada.


- Ah, claro! E por que eu iria com você, Severus? Melhor, por que eu iria TE obedecer?


- Porque sou seu primo.


- Ah, sim, muito obrigada por esclarecer - falou com sarcasmo e o encarando.


- Ariadne, vamos para o salão, sim? Se você não quiser ficar muito tempo, tudo bem, voltamos para as masmorras, mas, pelo menos, vá dar as caras na sua formatura como a bruxa educada que é!


- Já recebi meu “canudo” de formanda, Severus, obrigada.


- Dina, por favor.


Ariadne oscilou. Severus Snape pedir “por favor” depois de ter sido condescendente, mesmo a sua maneira? Embora ela soubesse que o pedido seguido de seu apelido fora um tremendo golpe baixo dele. Contudo, Ariadne não estava a fim de retrucar ou repelir esse pedido. Portanto, com outro suspiro cansado, mas, também, resignado, a jovem foi até o banheiro, murmurando antes “espera, então”.


Saiu de lá dez minutos depois, maquiada e com os cabelos devidamente arrumados.


Obviamente Severus não esperava menos que elegância de sua prima. Todavia, ao vê-la linda, pelo menos para ele, o deixou sem reação; com exceção de ter se levantado imediatamente da cama.


Não era só a roupa que a deixava bonita, como ele constatou assim que entrou naquele quarto, mas sim o conjunto. Ariadne usava um corpete tomara-que-caia verde-musgo com pequenos detalhes em dourado, o qual realçava belamente o colo e a cintura da jovem, deixando-a delicadamente sexy. A saia da mesma cor era levemente avolumada, mas nada exagerada, e comprida o bastante para ocultar parcialmente as sandálias já calçadas. Os olhos estavam delineados levemente de preto e sombreados de verde e dourado, chamando mais atenção para aqueles enormes orbes castanhos. Os cabelos, por sua vez, mesmo firmes num coque um pouco alto, deixavam algumas mechas finas soltas, emoldurando um rosto pálido de bochechas e boca rosadas. E, para finalizar, ela usava luvas da mesma cor da saia, e que paravam um pouco antes de chegar aos cotovelos.


- O que foi? Não está bom para você? - Ariadne perguntou irritada vendo que Severus nem se mexia, achando que ele estava apático por não ter gostado do que viu.


- Pelo contrário, você... Você está linda, Dina!


- Ah... Obrigada, Sev - disse sorrindo, um pouco embaraçada. O rapaz retribuiu o sorriso, e Ariadne, com a voz mais suave, continuou: - Vamos? Quanto mais cedo formos, mais cedo volto.


Severus abriu a porta do quarto e deu passagem para a prima, que logo enlaçou seus braços ao dele, indo, então, para o Salão Principal.


Assim que chegaram, eles foram diretamente para a mesa que estavam alguns slytherins, cujos pais ou responsáveis não vieram. Em nenhum momento Ariadne procurou por seus amigos ou por seus tios, Eileen e Tobias Snape. O tio não viria, obviamente, já Eileen... Preferiu não pensar no assunto, e muito menos perguntar a Severus se eles vieram ou não. No entanto, acabou por se sentar estrategicamente perto da parede, conseguindo, assim, dar uma boa olhada pelo lugar.


A decoração, como sempre, estava impecável. As mesas redondas suportavam dez pessoas confortavelmente. As toalhas pareciam nuvens de tão macias, e eram de duas cores: as que ficavam embaixo tinha a cor padrão das casas, sendo elas vermelho, amarelo, verde ou azul e, por cima, ficava uma de cor branca. E, espalhados pela mesa, estavam os pratos, talheres e copos, além de um enfeite de centro e cardápios.


Ariadne notou que havia apenas pratos de sobremesa onde estava sentada. Olhando melhor ao redor, viu que Goyle e Crabbe travavam uma batalha de quem bebia mais rápido as doses que apareciam em suas frentes. Ariadne revirou os olhos, perguntando-se o que fazia ali. Passando os olhos novamente pelo salão, notou que havia poucos pais ainda; a maioria dos alunos dançavam à frente da banda que Dumbledore contratara para animar o baile, a qual tocava uma música suave.


De repente, um copo foi colocado à sua frente e, ao levantar o rosto para ver quem lhe oferecia uma bebida, viu Severus a olhando incisivo. Pegou o copo e, sem nem ver o que era, deu uma golada.


O vinho dos elfos sempre foi uma bebida que ela apreciou. Mas, naquela noite, nada parecia mais incerto do que apreciar o que mais gostava. Ariadne sentia-se inquieta, realmente nada parecia certo naquela noite. Deu outra olhada pelo salão, contudo, desta vez, mais interessada ao que acontecia a sua volta.


Seus amigos deveriam estar na pista de dança, ela concluiu, uma vez que não os encontrava de maneira alguma, e, quando estava desistindo de procurá-los, seus olhos caíram numa mesa de canto, onde havia apenas uma pessoa. Por um momento, ela perdeu o fôlego, encarando aquela figura solitária. Sirius parecia mais lindo ainda, com sua roupa, horas antes impecável, agora desleixada. Quando ele correspondeu ao seu olhar, de uma maneira intensa e dura, a impressão que Ariadne teve foi a de que todo o salão se aquietou, e o único som que se ouvia era o ribombar de seu coração, o qual também parecia que sairia pela boca a qualquer momento.


- Vamos dançar - disse Severus de repente, pegando sua mão e puxando-a em direção à pista.


Esses míseros segundo que Ariadne levou para olhar de Sirius para Severus, e novamente para onde Sirius estava, foi o necessário para não encontrá-lo mais, e, vendo que não adiantaria procurá-lo, principalmente ao se enfiar no meio daqueles formandos, resolveu acabar com sua procura.


A música era lenta, algo bom para se ouvir e perfeita para um casal apaixonado dançar. Mas, para Ariadne, aquela música parecia um atentado aos seus ouvidos, principalmente por não estar dançando com quem ela tanto queria, e essa pessoa estar tão machucada quanto ela.


Mais uma vez, sem que pudesse se refrear, outra lembrança invadiu-lhe a mente: a briga que tivera com Sirius naquela manhã.


O modo furioso e magoado com que ele a encarava, quando lhe expusera sua decisão, quase a fez desistir. Contudo, não poderia reavê-la. Há algumas semanas, os pesadelos que vinha tendo com rostos embaçados a estavam perturbando com mais intensidade desde que Arktos morrera. Entretanto, não foram os pesadelos comuns que a perturbavam, e sim o fato de ver a morte do irmão em sonho, como se a tivesse realmente presenciado.


Demorou em descobrir que, o que ela a princípio classificara como sonhos, eram, na verdade, lembranças de outra pessoa, e que a própria fazia questão de implantar em sua mente. Com isso, passara horas a fio na biblioteca, até depois do horário de recolher, para descobrir por que isso acontecia a ela. Isso lhe rendeu duas detenções com Filch. Esquecera-se dos amigos, de Severus e até de Sirius, que reclamara, pedindo atenção, o que provocou uma briga horrível entre o casal, mas que, depois de muitos beijos e abraços, fora esquecida.


As visões, como Ariadne classificara depois, foram piorando. Os rostos sempre embaçados começaram a se definir, algumas situações foram clareando e fazendo-a se lembrar da morte dos pais, vendo-a perfeitamente. E em seguida a essa visão, ela viu a de Arktos. Fora a pior noite de sua vida. Nunca gritara tanto enquanto dormia.


Ela percebeu, então, que deveria descobrir o que estava havendo, quem era o responsável por essas visões, esses sonhos enlouquecedores. Não sabia se fora apenas intuição - ou se fora algo colocado cuidadosamente em sua cabeça - o primeiro lugar que deveria procurar, mas, ela sabia: logo teria que visitar o país de origem de seu pai Koira. Se conseguisse fazer isso enquanto a comunidade bruxa inglesa estivesse em guerra, tanto melhor.


E fora por causa disso que ela discutira com Sirius. Dissera que não poderiam continuar mais juntos, pois ela precisava viajar, saber o que estava acontecendo consigo mesma. Sirius dissera que queria ajudá-la, mas Ariadne estava irredutível. O medo de ver a reação do rapaz quando ele descobrisse de suas suspeitas, de que talvez fosse uma vampira, a amedrontava. Se ela mesma se sentia enojada ao cogitar isso, como ela poderia suportar a mesma reação de quem amava?


Contudo, Sirius também não queria deixar isso por menos.


- Por que você não confia em mim? - ele perguntou, segurando-se para não gritar com ela. - Droga, Ari, eu gosto de você!


- Eu sei, mas...


- Sabe, mas, mesmo assim, quer ficar longe de mim? Qual o seu problema, afinal?


- Eu não sei! - ela vociferou, jogando-se na cadeira da sala abandonada em que estavam. - Se eu soubesse, não estaria programando a porcaria de uma viagem, Black! Não estaria terminando nosso namoro!


- Você não precisa acabar com nosso namoro porque vai viajar! Eu vou com você e pronto.


- Qual parte do “eu preciso ir sozinha” você não entendeu?


- Eu entendi essa parte - Sirius retorquiu duro. - Assim como também entendi a parte que você ocultou e que dizia claramente: “estou com medo”.


- Pois eu não estou com medo, Sirius - Ariadne falou firmemente, erguendo-se da cadeira. - Além disso - ela continuou, sem dar chance do rapaz retorquir -, eu não gosto mais de você. Não dei esse motivo antes, pois não queria fazê-lo chorar.


- Como é? Fazer-me chorar? - Sirius perguntou, rindo. Não conseguia acreditar que Ariadne estava iniciando aquele jogo estúpido mais uma vez. O que ela achava que o sentimento deles fossem? Um joguinho de “bem-me-quer e mal-me-quer”?


- É isso mesmo - ela respondeu decidida. - E não precisa vir com ironias e sarcasmos para cima de mim. Não gosto mais de você, Sirius, e este é o principal motivo de eu não querê-lo ao meu lado, nessa viagem. Confesso que me assusta descobrir o que realmente está acontecendo comigo, mas você não tem mais nada a ver com minha vida.


- Não tenho?


- Não. - Ariadne seguiu para a porta.


- Então prove.


- Eu não te-...


O fato de ter colado sua boca na de Ariadne enquanto ela falava, deu a chance de Sirius aprofundar o beijo imediatamente. Mas a reação da garota também foi rápida: um empurrão brusco seguido de um feitiço que fez crescer as unhas dos pés do rapaz, que teve que tirar os sapatos apressadamente. Ariadne logo fugia dali, correndo para as masmorras para se esconder em seu quarto. Precisava muito chorar.


Sem perceber, Ariadne soltou-se da mão de Severus enquanto dançava, mas apenas para enlaçar o pescoço do primo e aconchegar-se mais a ele. Só precisava de proteção naquele momento, com aquelas lembranças a atormentando.


E foi por estar totalmente concentrada em seus próprios pensamentos, que nem percebeu o suspiro frustrado que o primo soltou.


Deixei ele (o amor) escorregar por minhas mãos


Você nunca pôde entender


Eu nunca senti esse tipo de amor antes


Cinco anos. Foi o tempo que ele esperou por aquilo. Sentir o corpo de Ariadne perto do seu, os braços dela envolta do seu pescoço, a cabeça dela descansando em seu peito. E mesmo que Severus soubesse que ela apenas o via como seu primo, que aquele abraço era um pedido mudo de consolo, ele não conseguiu ficar sem corresponder. Apertou-a mais de encontro a si. Conseguia sentir perfeitamente as batidas suaves do coração dela, o cheiro cítrico que ela tinha e que ele sabia que era o mesmo cheiro que invadia o quarto da casa dela.


Ele queria tanto voltar no tempo, nas férias do quarto para o quinto ano de Hogwarts quando passara as últimas duas semanas do verão na casa dos primos porque sua mãe pedira, a fim de livrá-lo do pai...


Era madrugada alta e a casa estava finalmente adormecida. Ariadne havia tido um estranho e horrível pesadelo algumas horas antes, e acabara tendo que tomar uma poção do sono e sem sonhos. Severus entrara furtivo em seu quarto depois de Arktos ter ido dormir. Queria ver com os próprios olhos como a prima estava, precisava muito velar seu sono, cuidar dela, senti-la calma.


O corpo dela estava quente quando ele deitou ao seu lado. E os lábios dela tinham gosto de cereja quando ele os tocou com os seus, e eles nunca se mostraram tão receptivos. Ao menos foi o que ele sentiu e pensou quando os viu parcialmente abertos, deixando passar a respiração tranqüila da garota. Ele nunca ficara tão atento aos passos do corredor, receando que Arktos aparecesse, ou então a elfo doméstica.


Ou, simplesmente, ele poderia voltar alguns meses. Poderiam chamá-lo de qualquer nome chulo que classificasse o que ele fez, mas Severus não se arrependeria nunca. Vendo Ariadne finalmente adormecer novamente sob os efeitos de uma poção do sono após saber da morte de Arktos, o rapaz não deixara o quarto da prima como deveria acontecer, mesmo com Ariadne pedindo que ele ficasse ao seu lado apenas até adormecer. E o fato das garotas que compartilhavam o quarto com Ariadne terem ido passar o Natal em suas casas, ajudou. Mas Severus não saiu. Ficou ali, dormindo ao lado de Ariadne, acariciando seu rosto, seus cabelos; sentindo o gosto de cereja dos lábios dela e o calor de seu corpo...


Quando Ariadne acordou de manhã nos braços do primo, apenas lhe sorriu agradecida. E se ela não tivesse levantado imediatamente da cama, com certeza o rapaz teria feito com ela, já acordada, o que tanto lhe fizera durante aquela noite em claro.


Era difícil confessar, Severus sabia, principalmente enquanto ela amasse o Black. Era difícil até para si mesmo! Contudo, dançando com Ariadne naquele salão e sentindo o ar quente que saiu da boca dela quando suspirou contra seu pescoço, as palavras deixaram sua boca sem ele se refrear; sussurradas, mostrando o temor de quem as pronunciava:


- Quero tanto você, Dina...


- Falou alguma coisa? - Ariadne olhou para o primo, o cenho franzido e os olhos nublados. Severus teve que usar toda a imparcialidade e frieza adquirida durante aqueles anos para camuflar o solavanco que sentiu em seu corpo todo.


- Não, não disse.


- Ah... - Ela riu levemente. - Achei que você tinha me chamado.


- Pois não te chamei - ele falou tentando aparentar tranqüilidade.


- Por que você está assim?


- Assim como?


Ariadne virou sua cabeça levemente, analisando-o. Severus sentiu-se incomodado.


- Não é que eu estou reclamando, é que... Você nunca mais foi tão atencioso comigo, desde que tive aquele pesadelo - ela falou, sorrindo para ele e fazendo um carinho inocente em seus cabelos. - Se não me engano, quando tínhamos quinze anos e você estava passando as férias de verão lá em casa.


Severus arqueou as sobrancelhas e deu um meio sorriso.


- Não foram nesses dias apenas que você teve minha atenção, Ariadne.


O sorriso de Ariadne mostrou agradecimento e tristeza.


- Nunca vou me esquecer do que você já fez por mim, Severus. E independentemente da escolha que você faça, nunca vou me esquecer de você.


- Fico feliz em saber disso. E você também não é uma figura digna de esquecimento. Muito pelo contrário.


- Se essa é a sua maneira de dizer que me ama e que sou insubstituível...taí, gostei - ela brincou.


- Você tem certeza que não me quer junto, nessa viagem? Pode ser perigoso e... E você também pode precisar de alguém para te ajudar.


Mesmo que Severus tentasse, seus olhos não conseguiriam mentir a preocupação que sentia. E Ariadne se enterneceu por isso. Nunca vira os olhos escuros de seu primo se mostrarem daquela maneira.


- Eu tenho que ir sozinha, Severus - ela falou segura, encarando-o. - Não sei por que estou com essa intuição, mas é o que acho que tem que acontecer. Mas você não imagina o quanto significa para mim saber que você quer ir comigo... Além de ver essa ruguinha de preocupação - ela completou, passando levemente o polegar entre as sobrancelhas dele. - Eu... eu posso fazer uma coisa? - ela perguntou um pouco receosa. Por mais que conhecesse o primo e quase adivinhasse suas reações para muitas coisas, havia situações em que Severus Snape era totalmente imprevisível.


- E o que seria, exatamente? - ele perguntou, franzindo o cenho. Ariadne também era uma incógnita para ele, quando agia impulsionada pela emoção. E era o que estava acontecendo com sua prima, naquele momento.


Mas, mal o rapaz começava imaginar o que ela pensava em fazer, pela terceira vez em sua vida - embora a prima imaginasse que fosse pela primeira, e, com certeza, última vez -, Severus sentia o gosto de cereja em seus lábios. Ariadne dera um beijo leve e rápido nos lábios do primo. Um beijo de amor. Mas, amor fraterno.


Se não tivesse sido pêgo desprevenido, com certeza o rapaz teria feito alguma coisa para que aquele beijo não tivesse durado apenas um segundo. E a surpresa que sentiu serviu perfeitamente para camuflar mais outro solavanco que atingiu todo o corpo e, ele nem quis pensar, nas entranhas de Severus.


- Peguei você de surpresa? - Ariadne disse em tom leve e um pouco divertido quando viu a expressão do primo. Mal imaginava o que se passava na cabeça dele. - Desculpe-me se te incomodou, mas eu beijava o Arktos assim e...


- Não - ele a cortou, engolindo a seco. - Tudo bem.


Ariadne sorriu, entendendo o olhar do primo como sendo o mesmo que ela lhe lançava, embora não fosse nada fraterno o sentimento que se passava no olhar do rapaz. Porém, mal Severus abriu a boca para dizer alguma coisa, Ariadne sentiu alguém cutucar-lhe o ombro, tirando-os daquela situação.


- Oi, Lily. O que foi? - perguntou, soltando-se do primo.


- Eh... pediram para te entregar esse bilhete.


Lily esticou a mão, no que Ariadne viu um pedaço pequeno de pergaminho dobrado nas mãos da amiga. Franzindo o cenho, pegou-o. A ruiva saiu em seguida com James as suas costas, e somente naquela hora fora que Ariadne percebera a presença dele.


Como se não houvesse sido interrompida, ou sem dar cabo da mudança repentina de Severus, Ariadne voltou-se para o primo, continuando a dançar, ficando na mesma posição de antes. No entanto, de tolo, Severus não tinha dada. Ele, assim como Ariadne, sabia muito bem de quem era aquele bilhete. E foi exatamente isso que acabou com toda aquela sensação de euforia muito bem camuflada do rapaz, deixando-o totalmente seco.


- Enquanto você não ler, ele não vai parar de olhar para cá - Severus falou de supetão.


- Ele quem?


- Não ofenda minha inteligência, Ariadne.


- Nunca seria burra o bastante, Severus - ela retorquiu, rindo levemente.


- Leia o bilhete - ele insistiu. - Não vou agüentar sentir você tão tensa.


- Depois eu leio. E não estou tensa.


- Faça como quiser, então. Mas eu já vou descer para as masmorras.


Severus a soltou e saiu do meio dos dançantes, seguindo para fora do salão. Contudo, quando chegou à porta, não resistiu e olhou onde deixara Ariadne. Ela já se concentrava no bilhete. Olhou então para onde estava Sirius Black, que se levantara assim que Ariadne lera o recado e erguia os olhos, procurando-o. Logo, Severus saía do salão. Não precisava ser nenhum adivinho para saber o que havia no bilhete e o que aconteceria dali para frente. Mais uma vez, Black vencera. Mas ele ainda daria o troco, mesmo se levasse a vida toda para isso.


Ariadne estava sentada sozinha numa mesa e não soube quanto tempo ainda ficou ali, sem se dar conta que Lily e James a observavam, assim como Remus e Clair. Ainda leu o bilhete três vezes antes de se decidir, após Sirius ter deixado o salão. Somente depois do que lhe pareceu eras que resolveu acabar com toda aquela agonia de uma vez por todas. Levantou-se rapidamente e, na mesma velocidade, seguiu para a torre de Astronomia. Não viu também a troca de olhares dos amigos, somada às expressões apreensivas.


Ela tinha noção do que Sirius queria tão urgentemente com ela. No entanto, deveria deixar bem claro para o rapaz que eles nunca poderiam ter mais nada. Ariadne sabia que seria difícil, principalmente pela discussão mais cedo. Ela teria que insistir, dizendo que não gostava mais dele, e teria que fazer de tudo para que seus olhos não a traíssem. Mas seria difícil se Sirius continuasse mostrando livremente o que sentia por ela, através de seus olhos. Como último recurso, caso precisasse, teria que escolher uma forma mais cruel. Só pedia aos deuses que conseguisse fazer tudo o que era necessário.


Mesmo andando rápido, o caminho até a torre de Astronomia nunca pareceu tão longo, no entanto, esse tempo não a faria fraquejar em sua obstinação. Embora, quando chegou à porta da sala que Sirius a aguardava, Ariadne tenha hesitado por um momento. O que ela faria? Entraria de uma vez ou bateria na porta?


 “Ah, que se dane!”, pensou exasperada. “Vou entrar, falar o que tenho que falar e ir embora sem dar chance para ele”. E com esse pensamento ela empurrou a porta da sala.


Entrou e fechou a porta rapidamente, e, sem nem ver onde Sirius estava ou olhar aquela sala que nunca visitara, já tinha todas as palavras a serem ditas em sua cabeça, prontas para saírem da forma mais irritada e indiferente que ela sabia. Mas, assim que abriu a boca para soltar a primeira sílaba, levantou os olhos, deparando-se com Sirius sentado no parapeito da janela, observando o céu.


Ele parecia tão alheio a sua presença, ao mesmo tempo em que parecia senti-la ali. Ariadne inclinou a cabeça, reparando o quão triste os olhos do maroto estavam. Uma tristeza que ela raramente via, mas, ao mesmo tempo em que via essa tristeza, os olhos de Sirius pareciam não passar mais nada, com se estivessem mortos. E isso a assustou de uma maneira extraordinária. Contradizendo tudo o que pensou enquanto ia àquela torre, aproximou-se quieta, ficando ao lado de Sirius, mas sem encostar-se ao parapeito.


Ficaram em silêncio por um tempo. Um silêncio que parecia confortá-los, mas, ao mesmo tempo, os destruíam. Depois do que pareceu uma eternidade, Ariadne resolveu falar alguma coisa:


- O que você queria falar comigo? - perguntou sem olhá-lo e se surpreendendo por sua voz sair rouca. Agradeceu intimamente por notar, contudo, uma leve agressividade.


Sirius, sem nem olhá-la, e só depois de um tempo, disse calmo:


- Você está muito bonita hoje, sabia? - ele falou, virando o rosto para finalmente olhá-la intensamente, embora não fosse isso o que ele realmente gostaria de falar, a princípio.


Ariadne sentiu seu rosto esquentar e um formigamento reconfortante tomar conta de seu corpo. Por que não conseguia se controlar quando Sirius falava daquela forma tão suave e gostosa? Ele parecia acariciá-la somente falando assim, e parecia sentir também o cheiro e o calor dele só com aqueles olhos cravados nos seus. Respirou fundo, aparentando tédio, apenas para forçar seu coração voltar a bater normalmente.


- É só isso que você queria dizer? - Ariadne conseguiu falar. O coração ainda estava descontrolado.


- Não. Também queria falar que eu não acredito em você.


Sem desviar o olhar, Sirius desceu do parapeito da janela. Ariadne, sem perceber, deu um passo para trás. Ela apenas abriu a boca, intentando retorquir, mas Sirius precipitou-se:


- Eu sei o que você vai falar, Ari, mas não vou deixar. Agora, você vai me escutar.


Algo nos olhos e na voz dele fez com que Ariadne ficasse quieta, prestando o máximo de atenção no rapaz. Era como se ele a tivesse paralisado ali, mas uma paralisia confortável, uma paralisia que ela fazia a maior questão de ficar, embora sua mente gritasse para sair dali o mais rápido possível. A respiração dela começou a ficar ofegante.


- Eu sei que você não quer se envolver comigo, você já disse e me mostrou isso milhões de vezes, mesmo enquanto a gente se namorava. Não sei por que você insiste tanto em ficar separada de mim, sendo que a gente se gosta. Você gosta de mim sim, Ari, eu sei disso - ele completou, vendo-a abrir a boca mais uma vez. - Não sei o que vai acontecer conosco quando sairmos daqui. Não sei você, mas eu vou lutar nessa guerra, vou lutar contra Voldemort. Provavelmente, hoje vai ser a última vez que vou te ver, falar com você... - Ele deu um passo em sua direção. Ariadne, ainda hipnotizada, não se moveu. Sirius estava muito perto agora. - Provavelmente, hoje vai ser a última vez que vou ver a doçura dos seus olhos que me encantou tanto...


- Sirius, não... - Ariadne tentou, mas Sirius já a segurava pela cintura. Ele precisava muito saber se toda aquela discussão, de manhã, era válida ou só mais uma desculpa daquela garota que tremia em seus braços e que não conseguia encará-lo.


- Talvez seja a última vez que vou sentir o perfume dos seus cabelos que eu tanto  gosto - ele continuou. - E a última vez que vou ter a possibilidade de tocar e sentir você.


Ariadne fechou os olhos quando Sirius tocou seu rosto delicadamente com as pontas dos dedos, como se temesse quebrá-la. Suspirou quando os mesmos dedos passaram sobre seus lábios, desenhando-os em seu rosto, descendo ao seu queixo e pescoço. Sentiu-se tremer quando os dedos transformaram-se em mão, a qual passou por seu ombro nu, desceu por seu braço, acariciando-lhe ternamente, enquanto tirava sua luva; e quando ele beijou a palma de sua mão desnuda, sentiu seu corpo se arrepiar, ao mesmo tempo em que seu estômago parecia conter vários fogos Dr. Filibusteiros. Nem se deu conta que Sirius colocava seus braços ao redor do próprio pescoço. Somente quando sentiu os braços dele enlaçarem sua cintura e a respiração dele tão próxima, que conseguiu racionalizar alguma coisa.


- Sirius, não... - ela falou, segurando-o pelos ombros. - A gente... eu já falei...


- Ari, olha para mim - ele pediu, quase ordenando. E ela obedeceu.


Ao encará-lo, a sensação de tê-lo tão perto pareceu inebriá-la ainda mais. Ela não o empurrava mais pelos ombros, suas mãos apenas repousavam ali. Aquela proximidade, seus corpos colados, seus narizes e testas quase encostados fizeram com que todos os pensamentos racionais começassem a distanciar de sua mente.


- Você disse que não gostava de mim, mas eu sei que você gosta. Eu sei que quando você briga comigo, na verdade você quer me beijar, quer que eu te beije, que te toque... Você fala que nós não temos nenhum futuro juntos, mas eu sei que é da boca para fora que você diz isso. Mas não quero brigar - ele emendou rápido, notando que Ariadne iria retorquir. - Não vou insistir mais nisso, mas... Eu queria sentir você de novo em meus braços, Ari. Só mais essa vez. Não importa o que irá acontecer amanhã. Seja completamente verdadeira para mim. Mesmo que somente desta vez.


Ariadne fechou os olhos, apreciando a maravilhosa sensação que era estar nos braços de Sirius, mas também sentindo a dor que aquelas palavras a faziam sentir. Não poderia fazer o que ele pedia; por ela mesma e por Sirius também, não seria justo. Era pedir para sofrer. Sofrer por não poder viver aquele amor, sofrer por saber que eles nunca mais poderiam se ver novamente, pois a tristeza seria insuportável num reencontro. Sofrer por sentir aquele amor queimar cada vez mais, como se fosse um incêndio eterno.


E sofrer por pensar que poderia ter vivido tudo isso em uma noite, mas a razão falou mais alto, junto com o medo.


Com esse último pensamento, Ariadne abriu os olhos, percebendo que sua vista estava embaçada. Nem percebera que seus olhos se encheram de lágrimas enquanto estavam fechados, e nem se importou quando elas começaram a cair. A única coisa que queria, e precisava muito, era ser verdadeira para Sirius. E as lágrimas, a emoção que a inundava, eram verdadeiras sim.


E agora, vendo Sirius afastar seus rostos, mas ainda a olhando intensamente, só fez com que uma certeza crescesse assustadoramente em seu peito, tirando qualquer resquício de medo que ela ainda possuía, e tendo apenas uma coisa praticamente implorando para ser feita.


- Não podemos nos ver depois de hoje - ela ainda disse. - Eu não posso, não vou conseguir, Sirius.


- Eu aceito. Não entendo, mas aceito.


Ariadne respirou profundamente, as mãos pousadas nos ombros dele.


- Independentemente do que eu diga depois disso, do que eu faça e... - ela hesitou - e do que eu me torne... Eu quero que você saiba de uma coisa, Sirius. - Ariadne respirou fundo outra vez antes de dizer -: eu amo você. - Seus olhos não se desviaram dos dele um segundo sequer enquanto dizia isso, embora o medo ameaçasse voltar com mais força.


- Eu também te amo. Muito.


Se ainda havia algum empecilho entre a ação de seus sentimentos, ele havia acabado de ser destruído, principalmente em relação à Ariadne, pois, Sirius, sim, tinha absoluta certeza do que queria que acontecesse nessa noite.


- Hoje é nosso baile de formatura. Dança comigo? - Sirius perguntou. - Nossa última dança...


Ariadne apenas respondeu com um aceno da cabeça.


Não havia som. Aquela torre, isolada, não permitia que a música do salão principal chegasse até os dois. Contudo, havia música. Havia o ribombar do coração, a melodia que ele canta quando se ama, e havia sinos tocando...


Ariadne enlaçou o pescoço de Sirius com seus braços, seu rosto no pescoço dele, sentindo o cheiro e o calor de Sirius, enquanto seus dedos brincavam displicentemente com os cabelos dele.


Sirius, por sua vez, a apertou contra seu corpo usando o braço esquerdo, seu rosto mergulhado no pescoço de Ariadne, enquanto a mão direita dele tentava desfazer o coque firme da jovem. Até conseguir, para que sua mão, saudosa, embrenha-se neles.


- Adoro o cheiro da sua pele... e dos seus cabelos... - Sirius murmurou. E Ariadne adorava quando ele demonstrava isso.


Os beijos eram curtos, mas eram muitos. E enquanto sentia seu coração disparar e a respiração pesar, Ariadne apertou mais seus braços ao redor de Sirius, deixando que os lábios dele passassem por seu pescoço sem impedimento, e demonstrando que queria mais que aquilo.


E Sirius percebeu esse pedido. Apertando-a mais de encontro a si e segurando-a pelos cabelos, ele puxou apenas um pouco a cabeça de Ariadne, fazendo-a mostrar a boca para ele, no que Sirius logo a capturou com a sua.


O beijo foi calmo, foi terno, como se quisessem ter a certeza de que se beijavam. Eles queriam passar, de todas as maneiras, todo o carinho que um tinha pelo outro.


O corpo continuava no ritmo, dançando na melodia das almas. Os pés mal saíam do chão, apenas o necessário para eles girarem no mesmo lugar, como os casais fazem quando estão num salão muito apertado, ou quando estão mais preocupados em se beijar do que propriamente dançar. E com aquela preocupação mais latente entre eles, rapidamente o beijo que começou carinhoso tornou-se cada vez mais passional.


Enquanto uma das mãos de Sirius segurava-a firmemente pela cintura, como se a prendesse e impedindo uma fuga iminente, a outra passeava com delicadeza entre o pescoço, a nuca e seus cabelos provocando-lhe deliciosos arrepios.


Assim como Sirius, Ariadne também fazia questão de segurá-lo firmemente, à sua maneira. Ela descera uma das mãos até o paletó dele, fechando-se na peça de roupa como se segurasse. Porém, uma necessidade gritante tomou conta dela quando Sirius parou, finalmente, de dançar, e, segurando-a pela cintura, a ergueu, levando-a até o parapeito onde antes ele estava sentado. 


- Eu vou cair - ela arfou contra a boca dele.


- Não vai.


- Posso me machucar, Sirius...


- Não vai. Eu te seguro, Ari.


E embora se sentisse enraizada por ter a boca e os braços de Sirius grudada nela, Ariadne preferiu reforçar essa segurança e, sem pestanejar, envolveu a cintura do rapaz com as suas pernas, o beijo intensificando-se.


O parapeito não era alto, ela ficava praticamente na mesma altura que Sirius. Ainda preferia não estar sentada naquele lugar, podendo a qualquer momento cair na varanda do terraço que ficava além daquela janela. Contudo, não estava conseguindo mais reclamar, mesmo mentalmente. A mão de Sirius que não a segurava pela cintura, cumprindo a promessa dele de que não a deixaria cair, já erguia parcialmente a saia longa até sua barra alcançar as coxas da jovem, fazendo, assim, com que ele ficasse melhor posicionado entre as pernas dela. Sua mão voltou para o pé de Ariadne, retirando, assim, a sandália. E, segurando-a pelo tornozelo, retirou a outra. Ariadne prendeu-se a ele mais ainda quando se viu solta daquela maneira, no entanto, logo o braço de Sirius voltava a circular sua cintura quando a deixou descalça.


Sirius não deixou um segundo sequer a boca dela nesse tempo, o beijo ficando mais intenso, mais profundo. Ariadne envolvia o pescoço dele com seus braços para mantê-lo bem perto de si, não permitindo que as bocas se desgrudassem um segundo que fosse. A não ser para respirar... Mas um segundo era realmente o bastante.


Enquanto isso, a mão de Sirius, que antes estava no tornozelo de Ariadne, iniciou uma subida torturante pela perna dela. Ele a sentia se arrepiar, sentia a maciez daquela pele que mandava imagens eróticas para sua mente, mostrando o quão delicioso seria sentir aquela maciez sob ele, o encontro da pele desnuda de ambos. A mão dele então alcançou a coxa de Ariadne e ela ofegou. Alcançou-lhe a parte interna, e Ariadne gemeu. E quando Sirius apertou-lhe as curvas que aquela posição ainda permitia, ela interrompeu o beijo apenas para dizer-lhe o nome, como se suplicasse.


E ele lhe atendeu.


A mão por baixo da saia a ergueu mais ainda, pois Sirius precisava segurar-lhe pela cintura, enquanto a mão que enlaçava a garota ia pelo mesmo caminho que a anterior, alcançando-lhe as coxas e suas curvas, e apertando mais. O beijo alcançando a intensidade que aquelas carícias pediam.


As mãos de Sirius não se contentavam mais em apenas embrenhar-se onde podia, por baixo da saia. Ele precisava acabar com aquelas imagens que se formavam em sua mente, precisava saber se sua imaginação, naquele momento, chegava perto ou não da realidade que era ter Ariadne em seus braços e sob ele por completo. E foi por isso que ele alcançou o zíper do corpete dela e o desceu, sem esperar consentimento. Mas este veio com uma leve distância de corpos, o necessário para a peça de roupa soltar-se de seu corpo, revelando um delicado sutiã branco.


Ariadne distanciou-se um pouco mais de Sirius, que a olhou, paciente. A pele dela se arrepiou por causa do vento gelado e pelo desejo com que ele a olhava.


- Me segura? - ela disse num murmúrio rouco, no que Sirius segurou-se pela cintura, sem dizer nada.


Então, quase meticulosa, Ariadne foi desabotoando um por um dos botões da camisa dele. Não percebera que o paletó, há muito, encontrava-se no chão. Ela não o encarava, preferia direcionar seus olhos para os botões da camisa e apreciar o corpo que ia se revelando para ela pouco a pouco. Inexperiente, e ainda com uma pontinha de receio por estar sentada naquele parapeito, Ariadne olhou para Sirius, numa pergunta muda de como ele tiraria aquela camisa sem soltá-la totalmente. E ele lhe mostrou como.


Enlaçando-a na cintura com um braço, deixou a camisa deslizar de um lado, precisando chacoalhar um pouco o braço para livrar-se da primeira manga. Contudo, na segunda vez, Ariadne o ajudou, e Sirius sentiu seu corpo tremer com esse gesto.


Os dois se olharam e o rapaz passou as mãos levemente pela cintura dela, sentindo a pele de Ariadne se arrepiar sob seu toque, enquanto as mãos dela acariciavam seu rosto levemente. Sirius aproximou seus rostos novamente, mas não a beijou, apenas colou suas testas, sentindo a respiração quente e descompassada de Ariadne entrar em choque com a sua. Em seguida, ele tocou de leve os lábios dela com os seus. Um beijo rápido. Outro beijo rápido, seguido de uma mordida no lábio inferior de Ariadne, que gemeu baixinho.


Sirius levou sua boca sedenta até o pescoço da garota, trilhando beijos pelo queixo, bochecha, orelha, antes disso. Sua mão, desejosa, indo até o feixe do sutiã de Ariadne, que arfou e afastou-se dele um pouco.


- Espera? - ela pediu, nervosa. - Acho... a saia, primeiro. - Ariadne não soube por que pediu aquilo. Apenas achou que... Ah, nem sabia o que achava.


- Tudo bem.


Segurando-a firmemente pela cintura mais uma vez, Sirius a desceu daquele parapeito, e, olhando-a nos olhos e vislumbrando um brilho que, ele sabia, o deixava mais apaixonado, conseguiu livrar Ariadne da saia do vestido, a qual caiu perfeitamente em cima do corpete, no chão. Por um momento, ele apenas a apreciou, não vendo que isso deixava a garota constrangida, mas, também, com o corpo aquecendo pelo brilho que via naqueles olhos azul-acinzentados.


Aquele corpo era dele, mostrava-se para ele, ninguém mais. Naquele momento, a idéia de que não o teria pela segunda vez assolou Sirius de uma maneira angustiante. Mas ele jurou a si mesmo que não pensaria no futuro enquanto tivesse Ariadne em seus braços; era sempre assim, de qualquer maneira. Então, tratou apenas de sentir a maciez da pele de Ariadne, aquelas curvas que se encaixavam em suas mãos perfeitamente... A ardência daqueles lábios, a ansiedade daquela voz que dizia seu nome de uma maneira surreal.


Beijando-a como nunca fizera em todo aquele tempo que se namoravam, Sirius a encostou na parede, fazendo Ariadne soltar um gemido diferente e se retrair. Reações inconscientes. Talvez, se ela tivesse controle total de seu corpo, ou se ele não estivesse tão quente, ela teria se controlado melhor.


- O que foi? - perguntou num murmúrio, suas testas coladas, as bocas a milímetros de distância. - Fiz algo errado? Machuquei você?


Ariadne riu, não sabendo se praguejava-se ou se dizia o que havia acontecido. Acabou optando pela segunda opção.


- Tá gelada.


Sirius a olhou, também rindo. Um pouco atrapalhado, talvez pelo corpo queimando em desejo, ele foi até onde estava seu paletó, tirando então sua varinha de dentro dele. Fazendo um esforço para se concentrar, ele conjurou um pequeno tapete e algumas almofadas. Até McGonagall ficaria orgulhosa da capacidade dele em Transfiguração, naquele momento. Aproveitando, lançou um feitiço imperturbável na porta, trancando-a também.


O rapaz virou para olhar Ariadne, com um sorriso, e achava que a veria da mesma maneira. Contudo, não foi um sorriso que ele viu no rosto de Ariadne, e sim um leve rubor. Ela se abraçava como se quisesse esconder a seminudez em que estava. Sirius aproximou-se dela, não desviando seus olhos dos de Ariadne, sabendo que ela precisava sentir-se segura com o que iria acontecer ali.


Delicadamente, ele a fez relaxar os braços, levando então a mão dela até seus lábios, dando um beijo em sua palma.


- Está tudo bem, meu amor.


E Ariadne sabia que estava. Por isso ela enlaçou o pescoço de Sirius com os braços e iniciou mais outro beijo, tão ardente quanto o que estavam trocando antes da incômoda parede gelada atrapalhá-los. Enquanto sentia-se ser guiada para o pequeno amontoado de almofadas conjurada há alguns segundos, uma de suas mãos desceu, passando as unhas compridas pelo peito de Sirius, e sentindo-o aprofundar o beijo. Mas, quando as unhas de Ariadne alcançaram seu abdômen, ele soltou um som gutural, o qual se transformou num gemido quando a percebeu livrá-lo da calça.


Somente quando os pés descalços tocaram o tapete, que se olharam com os olhos anuviados. Pegando as mãos de Ariadne mais uma vez, levando-as em direção aos seus lábios, Sirius as beijou.


- Confia em mim. - Não era uma pergunta, e sim um pedido. E Ariadne não conseguiu dar outra resposta, a não ser:


- Sempre.


Segurando as mãos delas nas suas, Sirius inclinou-se, dando um beijo leve em seus lábios, e enquanto se posicionava atrás de Ariadne, sem soltar-lhe as mãos, foi trilhando beijos até chegar à nuca. Ariadne arfou só em senti-lo excitado atrás de si. Mordeu o lábio inferior, ofegando, quando Sirius a abraçou; uma das mãos dele afastando os cabelos cheios de seu pescoço para depositar ali seus lábios, dentes, a boca... e Ariadne curvou o pescoço para lhe facilitar.


A mão de Sirius, que segundos antes afastara os cabelos de Ariadne, desceu pelo ombro dela, passando pelos seios da garota que subiam e desciam pela respiração pesada, passou também pela barriga, apertando-lhe a cintura, trazendo-a mais para perto de seu corpo. E Ariadne gemeu.


- Sirius... - O nome dele saiu sem controle quando ele a tocou intimamente, sobre a roupa íntima.


Sentindo que suas pernas cederiam, Ariadne ergueu um de seus braços, levando-os até o pescoço de Sirius, segurando-se nele, e fazendo com que suas bocas se encontrassem. E Sirius a beijou de um jeito que mostrava claramente como queria que aquilo acabasse, embora suas carícias íntimas em Ariadne, e os gemidos que ela soltava em meio ao beijo, já mostrassem mais que claramente.


A jovem teve que cessar o beijo. Não conseguia respirar. Não daquele jeito.


Será que Sirius tinha noção do que fazia com o corpo e a alma dela? Será que ele sabia que Ariadne o desejava tanto que chegava a doer? Que o amava tanto que a deixava assustada só com a possibilidade de nunca mais vê-lo?


E será que Ariadne sabia que causava essa mesma dor e medo em Sirius?


Contudo, essas eram perguntas que ficariam sem respostas verbalizadas naquele momento. Pois o que aqueles dois jovens receosos mais precisavam era apenas sentir o que causavam um no outro.


E foi por querer mostrar como estava se sentindo por dentro também que Sirius girou Ariadne em seus braços, encarando-a com intensidade. E daquela vez ela não o impediu de tirar a peça de sua lingerie. E também não vacilou no olhar que trocaram. Ela conseguia ver, assim como Sirius via em seus olhos, o que ambos não conseguiam verbalizar. Talvez por serem jovens demais... ou, simplesmente, por temerem lembrar dessas palavras pelo resto de suas vidas, longe um do outro.


Logo eles estavam deitados sobre o tapete, as bocas famintas, as mãos ansiosas e curiosas, as últimas peças de roupa atrapalhando demais. Olharam-se novamente. Por mais que o desejo os queimasse por dentro, exigindo que o saciassem o mais rápido possível, ambos queriam se contemplar. Queriam ver e decorar cada pedacinho do rosto do outro, sentir cada arrepio, cada contração que os músculos faziam só em deslizar a mão pelo corpo de seu amante.


Sirius a beijou levemente, de olhos abertos, vendo os de Ariadne fecharem-se em deleite enquanto a mão dele acariciava seu seio. Logo ele também se entregava àquela sensação, sentindo o corpo de Ariadne encaixar-se perfeitamente ao seu. Cada pedaço que ele tocava, beijava, cobria com o seu próprio corpo...


A noção de estar nua sob Sirius, e tê-lo na mesma situação, não constrangia Ariadne como ela imaginou que pudesse acontecer. Pelo contrário. Senti-lo roçar rijo em sua coxa, pronto para entrar nela, faziam-na queimar de desejo, de paixão. E foi quando a mão dele acariciou seu seio com mais força e os dentes dele cravaram-se dolorosamente em sua pele que ela pediu:


- Sirius, por favor... - ela quase choramingou, suas mãos deslizando pelas costas dele, sentindo cada músculo se retrair. Ousando, descobrindo, provocando... Instintivamente, Ariadne arqueou o corpo na direção ao dele quando Sirius voltou a beijar-lhe a boca.


Ele encarou mais uma vez o rosto de Ariadne, o qual estava misto de expectativa, desejo e frustração pelo ato estar demorando a se consumar. Os lábios dela estavam inchados de tantos serem beijados, estavam abertos, esperando outro beijo arrebatador e que impedisse o ar de entrar pela boca, a principal fonte em busca de ar naquele momento. E os olhos...ah, os olhos! Eles estavam dourados, intensos, brilhando como nunca!


E essa combinação a deixava ainda mais linda e apaixonante.


Ariadne o permitiu se ajeitar entre suas pernas. Segurou um gemido, mordendo o lábio inferior, quando ele começou a se insinuar dentro dela, e arfou quando Sirius encontrou a barreira de sua virgindade. E o receio que seu rosto mostrou com isso foi acalmado pelo próprio Sirius: as testas coladas, os olhos se encontrando. Ele falou, controlando seu corpo que estava em combustão:


- Amo você, Ariadne. E só vou continuar se você tiver certeza.


E embora soubesse que morreria se ela não quisesse continuar, Sirius esperou até receber o consentimento da garota. O qual lhe pareceu demorar uma eternidade para vir num movimento suave de quadril.


O beijo abafou a exclamação de dor, assim como serviu para acalmá-la e mostrar que o que sentia por Ariadne ia muito além do desejo. Sirius esperou mais uma vez até que ela se acostumasse com aquela intromissão, somente iniciando o vaivém de seus quadris, primeiro suavemente, quando ela murmurou o consentimento em seu ouvido:


- Vem, Sirius... Por favor...


- Você não sabe como esperei e desejei tanto por isso - disse Sirius contra a boca de Ariadne, quase sem voz e ofegante.


Mas Ariadne sabia, pois ela se sentia da mesma maneira. E disse isso a ele entre os ofegos e gemidos que aqueles movimentos ritmados e intensos provocavam. 


Logo os movimentos suaves deram lugar aos mais profundos e desenfreados. Logo os ofegos tornaram-se gemidos e pedidos. A boca apenas beijava e verbalizava o que o corpo sentia e precisava...


Não havia mais medo, não havia mais incertezas. Sirius e Ariadne, embora soubessem o que aconteceria no dia seguinte, não se importaram em se entregar por completo àquele amor que ainda lhes trariam muita dor e alegria. Na verdade, era difícil e impossível resistir aos olhos do outro, aos beijos... Às carícias tão arrebatadoras quanto o amor e a necessidade que um sentia pelo outro.


Sem se importar, se entregaram à única pessoa que seria tanto sua salvação quanto sua perdição. Sem os medos, Ariadne se permitiu ser amada tão intensamente como nenhuma pessoa poderia ser. E Sirius a amou. E Ariadne também.


Dois amantes que pediam, com todas as forças, que aquela noite não se transformasse em dia. E depois, enquanto dormiam um nos braços do outro, foi essa a sensação e o sonho que tiveram.


Estou fazendo disso uma noite especial


Tendo uma chance na minha vida


Esperando que você se sinta do mesmo jeito que estou me sentido essa noite


x


Apenas tente e olhe dentro dos meus olhos


Não fique com medo do que você pode ver lá


x


A primeira vez que eu te vi,


Eu soube que amor a primeira vista deve ser verdade, de verdade, oh, de verdade


E agora eu só tenho que explicar porque me sinto desse jeito


x


Eu sinto alegria, eu sinto dor


Você está no meu coração, e isto está acabando comigo


Pois eu te amo, eu te amo, eu te amo


 


 


1998


 


Ariadne e Nicola andavam sozinhos pelos corredores de Hogwarts, e o garoto, percebendo que a mãe não pronunciaria palavra alguma, além de manter a mão do filho bem presa à sua, falou:


- Você sabe que não é assim que as coisas funcionam.


Ariadne olhou irritada para o filho. Era só o que faltava para coroar aquele dia horrível: Nicola em seu “momento Arktos”.


- Ele ama você, mitéra. - Ariadne nada disse. Nicola continuou: - Se você não acredita no que falo, era só notar o jeito com que ele te olhava enquanto vocês discutiam ou quando saímos da Enfermaria. Você não olhou para trás, eu sim. Também era eu quem estava ao seu lado enquanto estava acamada, assim como meu pai. E você não faz idéia de como ele te olhava.


- Pai? Desde quando você o chama de pai? - foi a reação de Ariadne ao que o filho disse.


- Desde que ele é meu pai - o garoto respondeu simplesmente, não dando mostras de ter notado o receio da mãe. - Nada mais normal de chamar você de mãe e ele de pai.


Eles estavam indo para a sala de Transfiguração, mesmo com Minerva McGonagall estando na Enfermaria. A sala do primeiro andar, Ariadne sabia, era a única que poderia levar Nicola via Flú para casa.


- Quando chegar em casa, diga a Kika para preparar um banho para você e algo para comer - Ariadne disse parecendo impassível quando alcançaram a sala. Entrou sem cerimônias e já foi até a lareira.


- Eu vou embora sim, mitéra. Vou tomar meu banho, comer algo que não seja pipoca e beber tudo, menos refrigerante. Mas só vou para casa se a senhora me prometer que falará com meu pai.


- Nicola, não meça minha paciência, não hoje, por todos os deuses!


Nicola foi até a lareira, pegou um punhado de Pó de Flú, mas não entrou.


- Mitéra? - Ariadne o encarou impaciente, pensando que o filho ainda insistiria naquele assunto. Contudo, o que ouviu do garoto a fez baixar todas as suas armas: - S’agapo. E... Seja sincera consigo mesma. - E então desapareceu nas chamas esverdeadas.


Ariadne não compreendeu o que o filho havia dito. Quer dizer, que ele a amava, isso ela entendera, e sabia também. O que ela não entendeu muito bem foi o que ele disse por último. Se a intenção de Nicola era que a mãe pensasse melhor no modo como vinha agindo, não a tentou realmente. Ela estava sendo sincera, não estava? E a resposta era afirmativa, ela não precisa sequer pensar duas vezes... Ao menos era o que Ariadne realmente queria achar.


Ela ainda ficou um tempo na sala de McGonagall. Os acontecimentos daqueles últimos dias começavam a passar em sua mente de maneira normal, e não como se fossem um caleidoscópio de imagens rápidas e sem nexos. E embora essa sucessão de imagens a deixasse zonza, também lhe trazia alívio. Não soube por quanto tempo ficou ali, divagando, pensando, pesando... E por estar imóvel há um bom tempo que, se houvesse alguém naquela sala, se assustaria por Ariadne ter decidido se mexer de repente, saindo para o corredor. Parecia até que alguém lhe gritara no ouvido para provocar uma reação dessas.


Talvez houvesse gritado mesmo. E isso ela conjeturou quando seus olhos se encontraram com os de Sirius. Só esperava que ele ainda tivesse vontade de ao menos ouvi-la.


Mas Ariadne também percebeu que não seria nada fácil. E mais uma vez, uma risada ecoou cruelmente em sua mente.


Dizer que grande parte de um caminho já foi percorrido quando se toma uma decisão não parecia aplicar-se a ela. E foi com insegurança que Ariadne percebeu emudecer-se diante do olhar magoado e da feição cansada de Sirius, mesmo com a conversa que ela gostaria de ter com o homem estando praticamente formada em sua cabeça.


Então, com a voz trêmula, falou:


- Eu estive pensando e... Ah... Se... - Ela desviou seu olhar do de Sirius, covardemente. Ainda não estava conseguindo ser completamente sincera. - Sempre que quiser visitar Nicola, pode aparecer. Continuo morando no mesmo lugar. Não vou privar você da companhia de seu filho, Sirius.


- Agradeço a gentileza - ele retorquiu.


- Por favor, Sirius, me entenda, eu... Eu só...


- Só está com medo.


- Não!


- Está com medo de quê, Ariadne? De ser feliz?


- Não é isso, é que... - Mas ela não disse nada. Não conseguia pensar em nenhuma resposta plausível. Em nenhuma desculpa pelo que estava fazendo, tanto com Sirius, quanto com ela.


- Você nem sabe, Ariadne. Ou realmente está com medo de dizer o que se passa com você?


- Sirius - ela pediu mais uma vez. - Você não pode compreender? Eu nunca me senti assim antes. Nunca!


Sirius soltou um riso curto, desacreditado.


- Você sente-se assim desde sempre. E sabe muito bem disso. Se você não tem coragem suficiente para vencer seus próprios medos, se não sente confiança em compartilhá-los com alguém para te ajudar, nunca vai conseguir manter uma única pessoa ao seu lado por muito tempo, Ariadne.


- Sirius, por favor, eu estou sendo sincera com você.


- Não ofenda minha inteligência, Ariadne - ele disse irritado. - Por mais que você tenha mudado sua personalidade, eu ainda consigo diagnosticar pontos interessantes em você. E sei quando está mentindo, como agora.


- Sirius, por favor... - ela pediu novamente.


- Estou cansado - ele a cortou. - Cansado de você apenas pedir. Você só pede, nunca retribui. Eu amo você, Ariadne, e não tenho medo de dizer e nem viver esse sentimento por mais problemático que possa ser nosso futuro. Quanto a você... Você diz que me ama, mas... Apenas eu dei chance para nós dois. Você sempre se esquivou, sempre evitou. De um jeito ou de outro, mesmo quando começamos a nos namorar, você dava um jeito de ficar longe de mim, inventava brigas, procurava desculpas infundadas.


- Não era assim.


- Já pedi para você não ofender minha inteligência - ele disse entre os dentes.


- E se eu disser então que é verdade o que você disse? Que estou mentindo, realmente? Você me compreende? - perguntou ansiosa.


- Ariadne, não faz isso que as coisas vão ficar piores do que já estão. Enquanto você não compreender a si mesma, saber e conseguir admitir o que tanto te amedronta, a gente nunca vai dar certo. Você sempre ficará sozinha, independentemente de quantas pessoas a cerque.


Ariadne não disse mais nada, apenas acompanhou com os olhos Sirius virar o corredor em que ambos estavam, na direção que ela sabia ser as escadas para o quinto andar.


Será que era realmente medo que ela sentia? Medo de se envolver? O que falara a ele, na cabana de Hagrid, era verdade! Não queria vê-lo morrer enquanto ela continuava viva. Ela tinha... Ela tinha.


Ariadne deixou seu corpo bater quase agressivamente contra a parede, usando-a como um apoio, pois suas pernas pareciam querer falhar. Ela tinha medo. Muito medo. Medo de sempre ficar sozinha no fim e não ter ninguém para compartilhar sua dor. Sirius não poderia culpá-la por causa disso. Ninguém tinha esse direito. Mas, por que, por mais que ela pensasse nisso agora, apenas uma voz gritava em sua cabeça, mandando-a ser feliz?


Seja feliz, era o que ouvia agora, a mesma frase que ouvira quando sonhara com Arktos enquanto estava acamada após a batalha.


 “Feliz? Mas como?”, perguntou-se. Entretanto, a resposta veio com seus olhos desviando para a esquina daquele corredor, onde Sirius desaparecera minutos atrás. Será que ela conseguiria viver anos ao lado dele e, quando chegasse a hora, ver Sirius morrer, deixando-a sozinha?


- Ah, Deus! - murmurou consigo mesma.


Ariadne abraçou-se numa clara tentativa de proteger-se. Ela já não sabia como agir. O que dissera a Sirius antes de sair da Enfermaria também era verdade. Deixara, em praticamente toda a sua vida, o medo controlá-la. E tudo isso por causa do maldito sangue que corria em suas veias. Era pedir muito que a vida não mudasse? Que, após a morte de Arktos, ela apenas vivesse normalmente, sem pesadelos estimulados por Sebastian? Sem Voldemort?


Mas eles não estavam mais naquele mundo, era o que dizia uma voz implacável: a parte de sua alma que queria sair daqueles anos caóticos, que queria respirar, queria, e muito, amar.


- Pior que mula quando empaca - Ariadne falou para si mesma, num meio sorriso amargo. - Realmente sou isso, embora ninguém saiba por quê.


Entretanto, havia alguém que precisava saber o que ela sentia, e o mais importante: por que sentia.


Portanto, reunindo toda a coragem que Ariadne sabia haver dentro dela, foi na mesma direção que vira Sirius andar. Nem percebeu que Charlie estava há poucos metros dela, analisando-a, e que pensava em aproximar-se caso a visse perder a batalha que a amiga travava consigo mesma. Acima de tudo, por mais que o rapaz soubesse que somente Ariadne poderia decidir o que fazer de sua vida, ele não conseguiria ficar sem ajudá-la, mesmo que fosse pela última vez, a tentar alcançar a felicidade.


No entanto, vendo-a morder o lábio inferior e experimentar um sorriso nervoso, Charlie deu seu próprio sorriso, e pediu que a amiga conseguisse fazer tudo o que se passava em sua cabeça. Afinal, ele a conhecia bem demais para saber o que Ariadne tentaria dali alguns minutos, quando, com certeza, alcançasse o quarto no quinto andar daquele castelo.


Ariadne ainda julgou que atingira o quadro de Paracelso, o Alquimista, rápido demais. Por isso que ficou do lado de fora, por um tempo, tentando controlar sua respiração que ficara ofegante de uma hora para outra. Contudo, de olhos fechados, abriu a passagem e entrou pelo estreito e escuro corredor que levava ao quarto de Sirius. Ela o avistou, pouco antes de parar ao batente da porta, em pé, perto da cama: de costas, as mãos dentro dos bolsos da calça, a cabeça baixa como se estivesse interessado em algo que estava no chão.


Respirando fundo, Ariadne bateu na porta levemente (embora esta estivesse aberta), atraindo o olhar surpreso dele para si. Ela sentiu a boca secar e, mais uma vez, a mente ficar sem nenhum pensamento, não conseguindo formular nenhuma frase coerente, além da sensação de que seu coração sairia pela boca a qualquer momento. A vontade de sair dali a atormentando em demasia. Entretanto, ela ainda sabia o que deveria fazer. Sabia que não estava em posição para exigir. Ela teria que falar, pedir, e se ele não quisesse responder ou falar o que achava de suas palavras, teria que se conformar.


Entrementes, este último pensamento, mesmo parecendo um mau agouro, não a impediria de expor para Sirius tudo o que queria. Não a impediria de se explicar, de pedir. Talvez, caso ela conseguisse, imploraria. Mas só se seu orgulho fosse, em definitivo, para os confins do mundo. Estava realmente disposta a mostrar seus sentimentos, seus medos e receios para Sirius de uma vez por todas. E sem meias palavras. E seria naquele momento.


 


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N/A: As músicas que estão neste capítulo são duas, na verdade, e de Michael Bublé. As duas primeiras estrofes são da música que intitula o capítulo, Just one more dance, e esta última é a música Love at first sight (Amor à primeira vista). Ambas estão postadas no meu Multiply! (o link está no meu perfil)


Esse capítulo, cuja parte inicial de 1977 acabou saindo como bônus, estava em minha cabeça quando começava a pensar em Encontro das Trevas, pois, na verdade, esta fic, primeiramente, começaria na época dos Marotos. Mas, ela acabou evoluindo até iniciar mesmo na época do fim do sexto livro. E digo “bônus”, pois eu não o postaria, entraria direto em 1998... Talvez ele aparecesse como Missing Moment mais pra frente... mas... não queria deixar menos explicações sobre os sentimentos de Severo por Ariadne, além de como foi um pouco mais a vida de Sirius Black e Ariadne Lakerdos.


Espero que todos tenham gostado!!!!


Beijos,


Livinha

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