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30. Cap 27: Com ou sem você (Eu nã


Fic: Harry Potter e o Encontro das Trevas - por Livinha


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 27


Com ou sem você (Eu não posso viver)


 
Deixe-me sozinho
Porque, assim, eu viverei em paz


(Devolva-me - Adriana Calcanhoto)



Decidir ir à batalha de Hogwarts assim que acordou demorou apenas alguns segundos, tempo este necessário apenas para verificar se realmente estava bem. E percebendo-se recuperado o bastante, Charlie aparatou o mais próximo possível da batalha. E ele sabia que nunca agradeceria o necessário por ter tomado aquela decisão.


Quando viu Ariadne daquela maneira, gritando de dor e agonia, morrendo, Charlie sequer pensou duas vezes e já lançava o primeiro feitiço que vinha à sua mente em Peter Pettigrew, estuporando-o sem dar chances de o outro revidar. Em poucos instantes, estava agachado ao lado da amiga. Viu com aflição a estaca de prata fincada do lado direito de seu peito e, como se apenas isso não bastasse, o pescoço da mulher aparentava ter sido tocado por ácido e brasa.


Ariadne não parecia enxergá-lo, apenas murmurava o nome do filho Nicola como se fosse um mantra. E foi com assombro e apreensão que Charlie viu os olhos da amiga mudarem: de vermelhos, tornaram-se dourados e, depois, castanhos, enquanto sua pele ficava cada vez mais pálida, assim como seus lábios. Até que, finalmente, Ariadne perdeu a consciência.


Rapidamente, Charlie usou toda sua força, puxando a estaca de prata. A mulher sequer pareceu perceber isso.


- Como ela está? - Quem perguntara fora Sirius, que já tratara de reanimar Nicola, quando ambos se aproximaram de Ariadne.


Ao contrário do que Ariadne pensara, sua situação chamara atenção sim. E fora justamente a de Sirius, embora o homem não tivesse conseguido alcançar Ariadne e Nicola antes de Charlie. E ao ver Peter estuporado, logo conjurava cordas, amarrando o comensal. Mal lançou um olhar para o corpo de Severus Snape; mas, disso, seria difícil culpá-lo.


- Nada bem - Charlie respondeu. Virou-se então para Nicola. Os três pareciam alheios à batalha que ainda continuava, e a batalha parecia fazer o mesmo com eles. - Você precisa encontrar a poção, Nicola. Ela me disse que guarda um frasco no malão dela, no escritório.


- Malão? Que escritório? - perguntou o garoto, ainda não assimilando o que estava acontecendo. Só tinha olhos para sua mãe inconsciente. Olhos que mostravam o desespero do filho.


- No escritório dela, aqui na escola - Charlie explicou, tentando manter-se calmo. Virou-se então para Sirius: - Black, mostre a ele.


- Claro. - E segurando Nicola pelo braço, Sirius o ergueu enquanto se levantava também.


- Eu vou levá-la para um lugar seguro - Charlie falou diante do olhar dos dois.


- A Enfermaria - Sirius disse de pronto. - Vamos, Nicola.


- Sim...vamos... - o garoto respondeu, seus olhos ainda encarando o corpo aparentemente sem vida da mãe, enquanto Sirius já o arrastava até o castelo.


Rapidamente, Charlie ergueu o corpo mole da amiga em seus braços, também seguindo o mesmo caminho dos outros dois. Mas, mal alcançou metade do caminho até o castelo, uma explosão de energia e luz o fez olhar para o alto da colina, à sua direita. Automaticamente, todos acompanharam seu gesto. Importando-se apenas com sua amiga naquele momento, contudo, Charlie entrou no castelo.


O rapaz nem viu os mais próximos àquela colina subirem por ela. E o que realmente acontecera ali foi rapidamente dito: Voldemort estava morto. Mas, outra notícia que ninguém queria acreditar também se espalhou: Harry Potter também estava morto.


Os primeiros a fugir, quando se deram conta do que estava acontecendo, foram os Lobisomens e Comensais da Morte, muito embora a maioria que estava em condições de se mexer começasse a ser detida. Os aurores sobreviventes e ainda inteiros, alunos de Hogwarts - e não apenas os do sétimo ano, pois alguns menores de idade, teimosos, também lutaram naquele jardim - e os membros da Ordem da Fênix, entre outros bruxos que também lutaram por simplesmente estarem em Hogsmeade e não fugirem, trataram rapidamente de prendê-los. E os dementadores, que ficavam à espreita apenas agindo quando um bruxo mostrava-se fraco demais para lutar, foram sumindo pouco a pouco diante dos perfeitos Patronos que os bruxos produziam, usando o maravilhoso pensamento de que Voldemort estava realmente morto.


Entretanto, em meio àquelas rápidas prisões, Ron e Hermione não queriam acreditar no que estavam ouvindo. Harry não estava morto, não podia! Portanto, trocando um rápido e ansioso olhar, ambos correram para a tal colina. E viram começar a descer, dentre os que subiram até ali, Rubeus Hagrid com um corpo inerte em seus braços.


- Hagrid! - esganiçou Hermione, não querendo acreditar que ali, desacordado e possivelmente morto, estava seu grande amigo.


- Saia da frente, Mione - o meio-gigante falou com a voz rouca. - Preciso levá-lo até Madame Pomfrey.


O que o amigo dissera fez com que o casal começasse a respirar mais aliviado, embora a apreensão não os houvesse abandonado. Se Hagrid estava levando Harry para a curandeira, queria dizer que ele não estava morto. Mas, antes que o casal o seguisse, ouviram uma voz conhecida chamar por Harry.


- Onde ele está?


Ron sentiu seu pescoço estalar tamanha rapidez em virá-lo a fim de olhar para sua irmã.


- Calma, Ginny - Tonks falou; ela encontrara e reanimara a garota, a qual estava caída ao lado de Harry. Pelo impacto e força daquela explosão mágica, Ginny acabara caindo desacordada. - Você precisa se restabelecer primeiro e...


- Não me diga o que fazer, Tonks! - a garota retorquiu dura. Levantou-se, percebendo então a aproximação do irmão e de Hermione. - Onde ele está, Ron?


- Hagrid o levou para a Enfermaria.


- Os comensais... - Tonks começou, já de pé.


- Prendemos bastante, mas alguns conseguiram fugir. E lobisomens também - Hermione respondeu prontamente.


E realmente, todos que apoiavam Voldemort naquela guerra e conseguiram fugir, o fizeram em menos de dois minutos. Os que não conseguiram... Ah, com certeza passariam férias muito longas e nada agradáveis em Azkaban.


Contudo, ao ouvir a palavra lobisomem, a feição de Tonks empalideceu como se a auror recordasse de algo. Murmurando, assustada, o nome do noivo, também desceu pela colina.


Em contrapartida, Ginny não queria saber de nada disso. Não queria comemorar a vitória como ouvia muitos fazerem aos brados abaixo daquela colina em que passara o maior tormento de sua vida, pensando que Lorde Voldemort mataria Harry, mataria seu amor. Mas também não queria pensar sobre isso. Precisava apenas ter a certeza que o que acontecera com Harry fora o mesmo que acontecera com ela, e que Hagrid apenas o levara para Madame Pomfrey por não saber exatamente o que fazer.


Passou por muitos enquanto atravessava os jardins de Hogwarts, pisou em algo duro e redondo que a fez perder o equilíbrio, embora não a derrubasse e não a interessasse em ver o que era, para então atingir os corredores de pedra do castelo, alcançando rapidamente a Ala Hospitalar e, conseqüentemente, a Enfermaria. Nem dera atenção à Luna e Neville quando passou por eles (o casal ficara dentro do castelo protegendo os pequenos), e nem quis pensar no que Neville lhe perguntara: se Harry estava morto, nos braços de Hagrid. Só precisava alcançar a Enfermaria, precisava vê-lo, tinha uma gritante necessidade em verificar se...


Como se um feitiço de Paralisia a atingisse, Ginny parou de chofre. A Enfermaria estava um caos: pessoas trazendo feridos, exigindo cuidados... Alguns poucos aurores se encarregaram em organizar tudo aquilo, já tratando de levar os que precisavam de atenção urgente para o Hospital St. Mungus para Doenças e Acidentes Mágicos. Mas, o que realmente fizera Ginny estacar naquela entrada fora o fato de ter visto Hagrid nervoso à frente de uma cama, contudo, por mais que a garota quisesse, não conseguia ver o que Madame Pomfrey fazia com Harry. Pois Ginny sabia que era ele quem estava ali, mesmo que o corpanzil do meio-gigante lhe tapasse totalmente a vista.


Lentamente, como se toda a sua esperança começasse a abandoná-la apesar de seu coração estar repetindo sem parar “sim, ele está bem, você não precisa ter medo”, Ginny aproximou-se da cama, receosa. Tocou delicadamente em Hagrid, fazendo o amigo olhá-la e lhe dar passagem. E enquanto sentia as lágrimas lhe tomarem conta, Ginny sentava na cama que Harry estava deitado e, sem se importar com uma reprimenda da curandeira, abraçou-o. E sentir a respiração compassada dele, junto da mão que já alcançava sua cintura, transformou as lágrimas de medo em alívio. Seu amor estava bem.


Harry, por sua vez, apenas reagiu por puro instinto. E mesmo com a dor o tomando em demasia, sentindo-se fraco depois do duelo contra Voldemort e, por todos os deuses, sentindo uma imensa vontade de deixar dormir, abraçou Ginny. E enquanto sentia os lábios da namorada em seu rosto distribuindo-lhe carinhosos beijos, o calor do corpo dela lhe aquecendo como nunca, e aquele cheiro maravilhoso de flores invadindo-lhe os pulmões, Harry teve uma maravilhosa certeza: realmente tudo acabara. E, finalmente, ele poderia ser feliz com sua garota. Sem perceber - e apenas por ter Ginny Weasley também reafirmando essa certeza em seu ouvido -, ele adormeceu. Finalmente, Harry Potter poderia descansar.


E foi nesse exato momento que Charlie entrou na enfermaria, trazendo Ariadne Lakerdos consigo.


- Meu Deus! - Hagrid murmurou assustado ao ver a mulher toda machucada.


- Onde posso colocá-la, Madame Pomfrey? - perguntou Charlie apressado, no que a curandeira logo indicou a cama ao fundo.


- O que aconteceu com ela, pelo amor de todos os deuses? - espantou-se a mulher. Mas antes que Charlie respondesse, ela já ia até sua prateleira pegando o que achava necessário, pois, olhando, diagnosticou facilmente as queimaduras ao redor do pescoço de Ariadne e acima do seu peito, sendo esta acompanhada de uma horrível perfuração, embora estivesse parcialmente escondida pelas roupas. - Afaste-se, Weasley. Deixe-me cuidar dela, agora.


- Não - Charlie falou prontamente, impedindo Madame Pomfrey de fazer qualquer coisa. - O que ela precisa já está sendo trazido.


- Desculpe?! - indignou-se a curandeira. - Eu sou a curandeira aqui, Sr. Weasley, portanto, sei muito bem o que fazer.


- Não, a senhora não sabe - Charlie a cortou firme, mas sem ser deseducado. - Ela não pode tomar um remédio qualquer para se curar, ela precisa de um específico que... Ah, já chegou.


Pela porta da Enfermaria passavam Sirius e Nicola, este trazendo uma garrafinha de vidro que continha um líquido escurecido e viscoso. Rapidamente, Nicola aproximou-se de sua mãe, enquanto Charlie já a erguia parcamente para que o líquido passasse com facilidade por sua garganta.


- O que vocês pensam que estão fazendo? - Madame Pomfrey perguntou, sentindo-se ultrajada. - Vocês, por acaso, sabem o que há aí dentro?


- Poção Revigorante com sangue de Agoureiro.


- O quê? - Essa pergunta não fora feita apenas pela curandeira, mas também por quem estava perto o bastante para ouvir a resposta do ruivo.


- Deve ser pelo fato da professora ser uma vampira - Hermione falou. Ela havia acabado de chegar com Ron.


- Uma... O quê? - Adam Stewart, o monitor-chefe e aluno da Hufflepuff, perguntou espantado. Ele havia acabado de deitar um aluno que estava com um ferimento estranho na perna. - Uma vampira? Como aquelas que estavam lutando ao lado de Você-Sabe-Quem?


- Isso.


- Mentira - Nicola falou sentido raiva, seu olhar frio encontrando com o de Hermione, que sentiu as bochechas queimarem.


- Ela estava ao lado de Você-Sabe-Quem sim, eu vi - falou outro bruxo. - Mesmo só ficando um tempo ao lado dele, no alto daquela colina onde ele está morto, e de onde tiraram o Potter.


- Mas então ela não pode ficar aqui! - indignou-se um aluno da Ravenclaw. - Vocês devem tirá-la daqui! E não dêem nada que a cure!


Outros também concordaram, e isso fez com que uma discussão se iniciasse na Enfermaria, que só cessou quando Charlie percebeu que Nicola faria uma besteira. O rapaz olhou rapidamente para Sirius, que não parecia querer fazer nada, e isso também o enfureceu, e igualmente Nicola.


- Vocês não sabem de nada! - Charlie falou irritado, mas só depois de deitar a amiga na cama, confortavelmente. - Então, acho melhor ficarem quietos.


- Ela não é nada disso do que essas suas bocas preconceituosas estão dizendo! - exasperou-se Nicola, fazendo a Enfermaria quietar-se.


- Ah, claro! E podemos então saber o que ela fazia ao lado de Você-Sabe-Quem?


- Ela estava lá por minha causa. Sebastian havia me seqüestrado e me levado às masmorras de Voldemort. - Vários ali tremeram diante do nome do bruxo morto. Nicola continuou: - Ele estava chantageando minha mãe.


- Pois eu não acho...


- Você não acha nada, Dawson - Sirius finalmente se pronunciou; sua voz saindo num rosnado. - Aliás, desde o nosso tempo de escola você nunca foi de achar alguma coisa.


O auror, cujos olhos brilharam de fúria, encararam Sirius. Ah, se ele não tivesse sido inocentado, faria novamente o que fizera com o ex-colega há quase dezessete anos, naquela rua onde doze trouxas morreram.


- Fique com sua namoradinha, se quiser então, Black, pois eu vou avisar ao Ministério que aqui há uma vampira aliada a Você-Sabe-Quem.


E Dawson realmente sairia daquela enfermaria, se Sirius não o tivesse estuporado.


- Alguém mais está a fim de fazer idiotice aqui? - Como ninguém respondeu, Sirius virou-se para a cama de Ariadne, sem se dar conta dos olhares espantados sobre si. - Ela vai ficar bem?


Essa pergunta fez Charlie e Nicola voltarem suas atenções para Ariadne. A mulher não voltara a ter suas cores, continuava tão pálida quanto um fantasma e, por mais estranho que pudesse parecer, as marcas de queimadura - Nicola percebeu com grande temor - não estavam sofrendo o efeito da poção.


Olhando para Charlie, tão espantando quanto o rapaz, Nicola falou agoniado:


- Não está funcionando! Por que não está funcionando? - inquiriu, começando a sentir mais medo do que sentira na vida.


- Eu não sei... - Charlie respondeu, também não entendendo. Ele sabia, pois fora a própria Ariadne quem lhe dissera, que para qualquer mal físico que tomasse a amiga, era só dar aquela poção que tudo ficaria bem. Fora assim quando ela saiu enfraquecida do Arco da Morte, e teria que ser assim agora. - A poção tinha que fazer efeito e...


- Mas não fez! - Madame Pomfrey o cortou firmemente. - Agora, Weasley, deixe-me fazer o que sei.


Pensando que nada poderia mais fazer efeito, além da certeza que alguma coisa saíra completamente errada (e Nicola pedia aos deuses que o fato da poção não fazer efeito não podia ser por sua mãe estar morrendo dessa vez), eles se afastaram da cama, dando espaço para a curandeira cuidar de Ariadne.


Rapidamente, Madame fez a mulher engolir duas poções, uma poção revigorante normal, com certeza, e uma outra desconhecida, para depois passar algo gosmento onde a pele de Ariadne estava queimada. E somente quando sentiu as mãos treinadas da curandeira tocarem seu pescoço que Ariadne gemeu de dor. Levemente, mas mostrando que estava viva.


Apenas quando se deu por satisfeita, que Madame Pomfrey deixou-os se aproximar.


- Agora ela ficará bem. - E tentando não mostrar irritação, mas apenas censura no olhar, a mulher afastou-se para cuidar de outros pacientes.


Nicola soltou um suspiro cansado e aliviado, notando que um pouco de cor já voltava para os lábios de sua mãe. Olhou então para Charlie e, depois, para Sirius. E pela primeira vez olhara nos olhos do pai, o que, de certa maneira, o constrangeu. Embora seus olhos fossem grandes como os de Ariadne, eram da cor dos de Sirius.


- Nós precisamos conversar - Sirius disse por fim, aproximando-se da cama de Ariadne e ficando ao lado do filho.


- Eu não vou sair do lado da minha mãe enquanto ela não acordar - Nicola falou, e embora houvesse decisão em sua voz, ela não saiu petulante e muito menos dura.


- Não precisamos sair daqui - ele retorquiu, relanceado o rosto de Ariadne. Voltou então para Nicola. - Lá fora já está tudo resolvido, os aurores darão conta do recado com a ajuda de outros bruxos. E se fecharmos essas cortinas e a enfeitiçarmos corretamente, acho que teremos uma conversa tranqüila e privada.


Como Nicola deu de ombros, Sirius sorriu.


- Espere só um momento, preciso ver se meu afilhado vai ficar bem.


Enquanto Sirius ia verificar o quão bem Harry estava, dormindo nos braços de Ginny, Nicola lançou um olhar para Charlie.


- Você acha que dará certo? - o garoto perguntou.


- Vocês só precisam tentar.


- Não acho que minha mãe vá gostar que conversemos sem ela poder opinar - Nicola falou num murmúrio, olhando Ariadne com preocupação.


- Vocês precisam ter essa conversa, Nicola. E acho que Ariadne compreenderia.


- Não sei... Às vezes, acho que a conheço, mas tem horas que... - O garoto soltou um suspiro cansado.


- É, eu sei como é.


Continuaram em silêncio até Sirius voltar. Quando o homem fechou as duas cortinas em volta da cama e estava para fechar a terceira, Charlie se afastou, indo na direção dos pais e os outros irmãos que acabavam de chegar à Enfermaria.


O que Sirius dissera sobre tudo já estar sob controle estava certo. E também ninguém parecia ter coragem bastante para ir até os aurores informar que havia uma vampira ali. Entretanto, quando ele se fechou com Nicola no cortinado, foi Charlie quem realmente teve que conter a todos. Foi difícil fazê-los entender que Ariadne apenas ficara ao lado de Voldemort por Nicola estar em suas masmorras, mas acabaram entendendo, principalmente quando o jovem Weasley disse que a conhecia há muito tempo e que confiava cegamente na mulher, além de ela não ter matado ninguém do lado deles. E o fato de Minerva McGonagall tê-lo apoiado foi o suficiente também, uma vez que ali dentro daquela Enfermaria havia apenas feridos desacordados e, os que estavam acordados, não acharam o fato de uma mãe juntar-se a Voldemort para proteger seu filho um ato que merecesse condenação. Nem mesmo Molly disse alguma coisa sobre o fato, o que Charlie a agradeceu imensamente. Na verdade, a matriarca dos Weasley estava mais preocupada em verificar como realmente estavam suas crias (e ela, obviamente, incluía Harry nesse termo).


Aquele fim de tarde pareceu passar com uma velocidade incrível depois que tudo pareceu se organizar. Os mortos seriam enterrados e teriam suas homenagens no dia seguinte, ao menos os que lutaram ao lado da Luz. Já os mortos do lado de Voldemort seriam enterrados naquele mesmo dia. Muitos choraram, agradeceram e pediram: pelos vivos que foram deixados e pelos mortos que lutaram bravamente.


E naquela tarde, Nicola também velava a recuperação de sua mãe enquanto ouvia e também dava respostas para Sirius. E por mais que sentisse estar traindo sua mitéra, o garoto não pôde deixar de sorrir com as coisas que o pai falava para tirar um pouco da tensão entre os dois, assim como não conseguiu conter uma careta em esgar quando o assunto foi parar na situação em que ele e Ariadne estavam.


- Eu não sei como ficaremos, Nicola - Sirius falou, sentindo-se cansado. - Sua mãe é teimosa e nossa situação está muito complicada.


Nicola meio que deu de ombros e falou:


- Isso é vocês quem decidem, mas... - Mordeu o lábio inferior, mas, mesmo achando que estava falando demais, completou: - Acho que vocês mereciam dar-se uma chance.


- E por que você acha isso? - Sirius perguntou, tentando não se mostrar ansioso.


- Não sei. Só acho. - Na verdade, o que Nicola realmente queria era uma família completa. Ele queria um pai e uma mãe sob o mesmo teto que ele, mas não diria isso para Sirius. E muito menos o encorajaria mais, dizendo das vezes que flagrara Ariadne contemplando uma fotografia que tinha dela e de Sirius, quando ainda namoravam em Hogwarts.


- Sua mãe e eu temos muito que conversar antes - Sirius interrompeu os pensamentos do filho. - Temos problemas para resolver, assuntos pendentes, principalmente por toda essa situação que ela escondeu de mim.


Notando um tom amargo tentando ser contido na voz do pai, Nicola o fitou irritado:


- Você não pode julgá-la por ter se juntado a Voldemort. Era a minha vida que estava em jogo.


- Eu sei, mas ela deveria...


- O quê? Deixá-lo me matar? - inquiriu o garoto, petulante e alterando a voz.


- Não. Ela devia ter pedido ajuda - Sirius falou duramente.


- Claro - debochou Nicola. - E quando o pessoalzinho da Ordem da Fênix entrasse naquela casa, eu já estaria morto. E minha mãe, perdida.


- Como assim, perdida? - Sirius não entendeu.


- Se você não sabe, não sou eu quem vai explicar. E é por não saber, que você não pode julgá-la.


Nicola olhou novamente para sua mãe, passando a mão carinhosamente pela testa dela, retirando uns fios de cabelos teimosos que lhe caíam nos olhos e grudavam na testa suada. Notou que a pele dela já estava ficando boa novamente e os lábios voltavam a ter a coloração vermelha, embora não tão intensa quanto antes. Contudo, onde a estaca fora cravada, ainda estava enegrecido.


- Ela se perder, como você está dizendo, tem a ver com o que ela é?


Nicola olhou de esguelha para Sirius, pensando um pouco antes de responder finalmente:


- Sim. Mas, embora você saiba o que ela é, não entende o que minha mitéra já enfrentou e ainda vai enfrentar por causa disso - Nicola falou, sentindo dificuldade em dizer tais palavras.


- Você fala como se somente ela tivesse sofrido nessa vida - Sirius disse magoado, embora tentasse não demonstrar.


Nicola soltou um risinho abafado, contudo, sem humor. Falou simplesmente:


- Não, não sou idiota para pensar algo assim. - O garoto olhou para o pai. - Eu sei de toda a sua vida há um bom tempo. Sei que o condenaram a ficar para sempre naquela prisão, sei que fugiu, e que muitos, assim como minha mãe, achavam que você queria matar o seu afilhado. Descobri então que você era inocente, e que depois passou por aquele Arco da Morte.


- Como você sabia de tudo isso e... - Sirius hesitou. Disse, então: - Por que Ariadne nunca me procurou?


- Isso somente minha mãe pode te responder - Nicola falou, dando de ombros. Preferiu não responder a pergunta muda do pai, embora tivesse que admitir que, se ela fosse verbalizada, não saberia o que dizer. - Ela nunca me explicou verdadeiramente o porquê de não ter nos apresentado. Ela sempre fugia das explicações, e isso sempre terminava em briga. Ficávamos dias sem nos falar.


- E você... - Sirius engoliu a seco antes de continuar. - Você nunca, sabe, ficou curioso em... me conhecer?


O rapaz olhou novamente seu pai, nos olhos. Ele achava estranho como, de uma hora para outra, os adultos se mostravam tão inseguros. Será que ele seria assim quando chegasse na idade deles? Para Nicola não era fácil falar sobre aquilo, é verdade, principalmente por pensar que ainda demoraria, mas, por que para os adultos o tamanho do problema multiplicava-se sempre?


Nicola pareceu pensar por um longo tempo, até que, dando de ombros - o que Sirius notou ser uma característica do garoto, e que ele começou a interpretar como uma indiferença que Nicola estava longe de sentir realmente -, o rapaz respondeu:


- Fiquei curioso sim. Mas, acho que, por mais que eu quisesse conhecer meu pai (você, quero dizer), eu não tinha coragem - falou sincero. - A gente sempre passava o Natal na nossa casa, eu e minha mãe. Numa dessas férias nós discutimos porque eu queria que ela me contasse mais sobre você: se você era realmente um assassino ou não. Afinal, eu não me conformava de ser filho de um assassino. Só que, como sempre, minha mitéra não quis contar nada. Porém, daquela vez, eu percebi que ela tinha informações que realmente não queria me passar. Fazia dois anos que você tinha fugido de Azkaban.


Sirius fez as contas, calado, percebendo que, nesta época, eram as férias do quarto para o quinto ano de Harry. A época em que Voldemort retornara.


- Eu queria saber onde você estava, e tinha certeza que minha mitéra saberia te localizar - Nicola continuou, embora sentisse que, desse jeito, estava comprometendo sua mãe. Mas, agora que começara, não conseguia parar. Sentia uma necessidade gritante de se justificar para seu pai, embora tal justificativa não fosse realmente necessária. - E eu soube disso, porque o primo da minha mãe foi até a nossa casa.


- Snape, eu presumo - Sirius falou em tom de desprezo, ao que Nicola não permitiu que esse sentimento se juntasse a uma raiva que ele sabia que o pai tinha:


- Sei que vocês não se davam bem. Sempre que ele ia embora, mitéra dizia para eu filtrar cinqüenta por cento do que ele falava sobre você.


- Cinqüenta? - indignou-se Sirius, fazendo Nicola sorrir. - Aquele Seboso mal acabado...


- Não fale dos mortos, eles não podem se defender - Nicola falou, sua repreensão saindo suave e seu rosto ficando sério. A maturidade do garoto, que Ariadne às vezes comparava com a de Arktos, também irritando Sirius. - O que ele sentia era ciúme - completou.


- Ciúme? - inquiriu Sirius, desacreditado. Contudo, uma lembrança que não lhe agradava voltou a sua memória. A noite do baile de sua formatura, quando Ariadne dançou com Snape e... Ah, ele não queria nem se lembrar!


Nicola continuou, não permitindo que Sirius devaneasse em vários anos atrás:


- Eu os ouvi conversando sobre você, naquela noite, e também sobre Voldemort, mas não escutei toda a conversa. - Ele soltou um riso curto pelo nariz. - Talvez tivesse sido melhor ter ouvido, assim, saberia onde você estava e pouparia tempo e raiva. Eu só ouvi que minha mãe não ajudaria nesta guerra por minha causa, mas estava disposta a se encontrar com alguém. Não me lembro quem era exatamente.


Nicola olhou para a mãe com um pouco de culpa. Mas logo continuava, depois de respirar fundo e cansadamente:


- Depois que Severus foi embora, eu exigi que minha mãe contasse onde você estava, mas ela falou que não sabia. Eu gritei com ela, dizendo que ela sabia sim, mas não queria me contar. Falei que ela estava com medo, e que era uma covarde, pois sabia que você era inocente, e que eu não entendia porque ela ficava tão assustada quanto a me revelar quem era você realmente e onde estava escondido. Ela apenas me mandou subir para o meu quarto e ficar esperando por ela, pois tinha que sair.


Nicola respirou fundo novamente antes de continuar. Parecia que se lembrar dessa situação o deixava estranhamente cansado. Contudo, ele era igual a Ariadne: quando começava a dizer alguma coisa, ou se explicar verdadeiramente, não conseguia parar até colocar para fora tudo o que o atormentava.


- Não conversamos quando ela voltou - o garoto continuou. - Nem nos dois últimos dias das férias de Natal, antes de eu voltar para Beauxbatons. Então, quando voltei para as férias de verão, ela me contou que você estava morto. - Nicola olhou para o pai. - Tinha atravessado aquele arco. - E, com um suspiro dolorido, Nicola falou: - Nunca vou me esquecer da expressão dos olhos dela quando gritei que a odiava...


Eles ficaram em silêncio. Sirius por pensar que Nicola fosse continuar a falar, embora sentisse que o filho terminara de dizer tudo o que precisava; Nicola, entretanto, silenciara-se apenas para pedir aos deuses que sua mãe não se sentisse traída quando soubesse de tal conversa. Pois ela saberia. Disso, Nicola não tinha dúvidas.


Respirando profundamente e soltando o ar de maneira cansada, Sirius falou:


- Eu nunca soube da sua existência, Nicola. Se eu soubesse...


- Eu sei. Não te culpo.


- Ariadne não tinha o direito de nos deixar afastados.


- Também não a culpo - o garoto retorquiu lealmente.


Como segurava a mão de Ariadne, Nicola a olhou ansioso ao senti-la pressionar sua mão na dela levemente.


- Nicola, moy giós - murmurou Ariande.


Nicola inclinou-se sobre a mãe, surrando de maneira carinhosa e também em grego em seu ouvido:


- Estou aqui, mamãe.


Ariadne abriu parcamente os olhos, embora a única coisa que visse à sua frente fosse um borrão. Ainda murmurando com voz rouca, como se falar lhe doesse, o que realmente acontecia, falou:


- Arktos...eu o vi...também - Ariadne sorriu parcamente. - Ele me disse...coisas, Nicola...e sorriu...


- Tudo ficará bem. Estou aqui, mamãe. - Nicola murmurou, ao que Ariadne se acalmou, fechando os olhos e voltando a dormir tranquilamente.


- Algum problema? - Sirius perguntou, pois não entendera nada do que eles falaram.


- Não... ela só estava delirando um pouco.


Nicola relanceou o rosto de Sirius, percebendo que ele estava numa batalha interna. Sem perceber, o garoto já fazia uma contagem para ver até quando o homem ao seu lado seguraria a pergunta que estava se formando em sua cabeça. Parou de contar depois de passar o número dez.


- Ah... Filho? - Sirius finalmente perguntou.


- O quê? - E Nicola não se sentiu estranho ao ouvir tal palavra dita por uma voz masculina.


- O que significa a palavra “borborlakos”?


O garoto desviou o olhar para sua mãe, antes de responder:


- "Vampiro".


- E... “Dikós giós” e “den”?


Suspirando pesadamente, Nicola respondeu. Desta vez, encarando o pai nos olhos:


- "Nosso filho" e "não". Todas as palavras são gregas, embora borborlakos seja grego antigo.


Sirius levantou-se angustiado da beirada cama, onde estivera sentado até aquele momento. Então fora com o filho que Ariadne sonhara na noite em que se reencontraram, constatou o homem, embora que, ao descobrir àquela manhã que seu filho se chamava Nicola já lhe desse essa certeza. Contudo, não teve tempo de pensar em todas as palavras que ele e Ariadne trocaram na sala dela e muito menos nas informações de Hermione Granger.


Mas, ouvir o significado real das palavras gregas o deixara baqueado. Sentira tanta raiva por Ariadne ter fugido dele, e tanto ciúme por estar pensando que ela estava sonhando com outro homem enquanto estava em seus braços, que não mediu suas palavras. E as que ele lhe dirigira na última vez que se encontraram... Merlin, não gostava nem de relembrar!


Certo que Ariadne também não facilitara nada. A culpa não era toda dele, isso também era certo. Não era a primeira vez que a falta de comunicação entre os dois gerava problemas, embora da última vez fora fácil solucionar. Afinal, estavam na escola, não tinham problemas graves em suas cabeças, e explicar que ele não estava se encontrando com Alice, e sim dando um jeito de que a moça se entendesse com Frank Longbottom, não se comparava com aquilo. Na situação mais recente, a falta de comunicação, o problema que eles sempre tiveram, acarretara conseqüências perigosas.


E tudo isso por Ariadne não confiar totalmente nele. Mas... Olhando para aquela cama, para a mulher que ele sabia que iria amar pelo resto de sua vida, Sirius não conseguia culpá-la. Ariadne crescera sempre desconfiando, talvez por sua personalidade tão independente, ou então pelos anos de convivência na Slytherin e com seu primo Severus Snape. Ou por causa daqueles sonhos estranhos que Sirius nunca soube como eram de verdade. Será que eles se perdoariam depois de tudo o que acontecera? Será que as palavras venenosas e agressivas que trocaram poderiam ser esquecidas ou perdoadas?


Contudo, essa pergunta, ao menos para Sirius, não tinha importância. Por mais dor que sentisse a cada olhar de desprezo que Ariadne lhe lançava por pura defesa, ele não conseguia, de maneira alguma, deixá-la fora de sua vida. Entretanto, essa era uma dependência que ele não queria ter de maneira tão humilhante. Com certeza, ainda teriam muito que conversar quando a mulher acordasse.


Mas não naquele momento, ele sabia. Por isso que, ao vê-la se mexer e notar que as marcas de seu pescoço estavam apenas arroxeadas, uma lesão normal, saiu daquele cortinado, temendo que ela acordasse, dizendo então a Nicola que precisava dar uma volta e pensar.


E foi isso que ele fez durante toda a noite. Pensar. E, por mais que pensasse, não conseguia chegar a lugar algum. Era difícil encontrar um fim para toda aquela situação sem discuti-la com Ariadne. E seria exatamente isso que ele faria assim que ela acordasse definitivamente. Teria que conversar com aquela mulher. E sentia que aquela conversa seria definitiva. Se para uma solução boa ou não, isso, Sirius já não sabia.


xxx---xxx


O dia já demonstrava estar terminando quando eles desceram para os jardins de Hogwarts. A chuva que caíra rápida e fortemente durante a noite e depois em boa parte daquela manhã fez com que as marcas aparentes da guerra se perdessem, embora a tristeza ainda os assolassem. Muitos já se encontravam nos jardins da escola também, pois haveria uma singela homenagem aos que morreram lutando contra Voldemort, para que seus respectivos familiares pudessem lhes dar um enterro digno.


Os Comensais da Morte haviam sido levados pelo Ministério. Vivos e mortos. Os primeiros seriam enviados sem julgamento para Azkaban, os outros, para o cemitério bruxo de Londres. Não seria surpresa para Draco Malfoy, ao fim desse mesmo dia, saber que seu pai estava morto.


Hermione segurava-se à cintura de Ron como se estivesse prestes a desabar, e Ron passou o braço pelos ombros da namorada, temendo que isso realmente acontecesse. Os olhos de Mione, embora vermelhos e um pouco inchados, não derramavam mais lágrimas. Derramara-as todas na noite anterior enquanto dormira abraçada a Ron. Nem soube como foi parar no quarto e na cama dele, só soube que era amparada pelo namorado até que conseguisse dormir exausta. Não soube, mas foi apenas quando finalmente adormeceu, que Ron permitiu-se demonstrar, silencioso, sua tristeza.


Dentre tantas mortes, a mais surpreendente, sem dúvidas, foi a de Severus Snape. E o fato dele ter morrido para salvar Ariadne Lakerdos e o garoto que todos sabiam ser filho da mulher, logo foi passado de boca em boca.


Contudo, as mortes que Ron e Hermione mais sentiram - e que também cutucou o sentimento da revolta, embora não por um tempo que fosse de fato prejudicial a eles -, foram a de Colin Creevey e Alastor Moody. Dennis, irmão de Colin, tremia nos braços do pai trouxa, repetindo baixinho que o irmão só queria mostrar que era tão forte e corajoso quanto Harry Potter.


E o auror, apesar de toda a sua determinação e força, acabou sendo morto. Tonks, mesmo mantendo seus berrantes cabelos rosa-chiclete, não escondia o pesar e a tristeza em seus olhos, contudo, seu rosto machucado mostrava força. A jovem prestava sua última homenagem ao homem que tanto lhe ensinou não demonstrando desconsolo, e sim respeito àquele que muito lutou contra as Trevas.


 “Somos a elite, Nimphadora”, ela se lembrava dele lhe dizendo quando terminou o curso de auror. “E por nós, as Trevas nunca passarão”.


Assim que terminou a homenagem, Tonks seguiu sozinha para o castelo, indo diretamente para a Enfermaria onde Remus se recuperava de um ataque que sofrera de um dos lobisomens que conseguiu fugir a tempo. Entretanto, respirando fundo, a moça tirou de sua cabeça a possível imagem de seu futuro marido morto. Tinha algo mais importante para pensar agora, ela sabia, e que era muito mais agradável. E essa certeza a fez sorrir levemente enquanto passava a mão, carinhosa, na altura do ventre.


Ron e Hermione ainda ficaram nos jardins, olhando sem ver o lago negro da propriedade. Mas, ao notarem que o céu escurecia, perdendo sua tonalidade laranja de pôr do sol para as nuvens carregadas de chuva que se aproximavam, resolveram seguir para o castelo e voltar para a Torre de Gryffindor.


Nem parecia que havia se passado várias horas desde o fim definitivo daquela guerra; mais parecia que tiveram uma luta corpo-a-corpo contra um trasgo. Ron ainda mantinha Hermione junto de si, no que a garota também não se soltava dele, deixando-se guiar. Hermione, pela primeira vez em sua vida, sentia a cabeça vazia, não conseguindo pensar em nada. Só queria sentir Ron perto de si, nada mais importava.


Caminharam em silêncio por aqueles corredores, não trocando olhar algum com alunos que cruzavam o mesmo caminho que eles, não dando chance de nenhum iniciar qualquer conversa.


Passaram pelo retrato da Mulher Gorda e foram instintivamente para o quarto de Ron, como se aquele caminho fosse automático. Talvez, a sensação de proteção e carinho necessários que tomaram conta deles na noite anterior, ainda estivesse latente. Entretanto, foi topar com a porta do dormitório masculino do sétimo ano para Hermione despertar.


- Ah... Nem percebi que vínhamos para cá de novo... - a garota falou, sua voz se mostrando cansada.


- Também nem percebi - Ron retorquiu sincero.


Hermione olhou para ele e sorriu. E achando que não poderia fazer mais nada a não ser o que vinha em sua cabeça, ergueu-se na ponta dos pés e beijou Ron. Seus braços automaticamente enroscaram-se no pescoço do rapaz, e suas mãos nos cabelos dele. Os de Ron logo apertavam a garota.


Beijaram-se durante um tempo indeterminado, trocando carinhos, se entregando, mostrando um para o outro o grande amor que sentiam, além do medo diante da possibilidade de um morrer naquela guerra. E foi apenas por precisarem respirar que se afastaram... mas Ron não diminuiu a força de seu abraço, deixando, com isso, Hermione colada a ele.


- Ainda não acredito que tudo terminou - ela falou num murmúrio, sua cabeça descansando no peito do rapaz enquanto suas mãos brincavam com o cabelo dele.


- Muito menos eu. - Ron respirou profundamente, seus olhos se perdendo num ponto qualquer. Quando voltou a falar, já encarava Hermione. - Por mais que tenha sido a responsabilidade de Harry em derrotar Voldemort, eu me sinto muito mais aliviado, como se também tivesse tirado um peso das minhas costas.


- É... Acho que sei como é. Eu só me pergunto como ele foi morto, sendo que ainda havia Horcruxes intactas.


- Será que a Profa. Lakerdos as destruiu? - Ron inquiriu. - Afinal, ela estava ajudando o Harry, não estava?


- Mas, por que não disse nada a ele?


Eles ficaram em silêncio. Contudo, sentir Ron assim tão perto fez os pensamentos de Hermione mudarem de rumo, afinal, o que interessava mesmo era que tudo finalmente acabara. Apertando o namorado em seu abraço, a garota murmurou com a voz contida:


- Deus, se eu tivesse perdido você, Ron...


- Shh... Agora já acabou - ele falou, apertando-a acalentadoramente e passando a mão pelos cabelos da garota. - E não tenho pretensão alguma em te deixar. Nem agora, nem nunca, Hermione.


Ouvir aquilo fez o corpo de Hermione se aquecer, e, em seu estômago, mil borboletas se agitarem descontroladamente.


- E eu não quero que você me deixe, Ron - ela murmurou. - Não agora...


E se Ron não se sentisse tão embriagado pelo cheiro da pele na namorada, aquele corpo que se encaixava ao seu com tanta perfeição, saberia que o tom que ela usou não era um tom qualquer. Tom este que ele desejava há muito ouvir. Mas pensar não era uma prioridade naquele momento, ao menos para ele e seu corpo tenso de medo contido, por causa da última batalha, e seu coração dolorido diante da perspectiva de perder seu amor. Além da saudade que sentia de Hermione. Merlin, parecia que havia se passado anos desde que a tivera assim tão perto!


- Amo você, Hermione - ele murmurou de encontro ao ouvido da garota. - Merlin, como a amo! Não sei como pude ser tão burro e cego durante tanto tempo!


Soltando um riso curto, e que se misturou num ofego pelas mãos no namorado estarem lhe acariciando tão possessivamente, Mione disse:


- Acho então que você tem que tirar essa venda dos olhos, Ronald.


- Eu já tirei, Hermione. - Ele então ergueu o rosto dela com a mão, e a garota se sentiu queimar quando aqueles olhos a perfuraram, para depois mostrar palavras e desejos não ditos: - Tenha certeza que tirei...


E sem esperar algum consentimento, Ron baixou o rosto, alcançando, sedento, a boca de Mione. Se não a tomasse naquele momento sentia que iria morrer. Seu corpo parecia estar entrando em combustão. Mas isso talvez fosse realmente verdade. Ron sentia o corpo de Hermione colar-se ao seu, ela erguendo-se na ponta dos pés, roçando seu corpo no dele sem perceber realmente o que fazia...


Mas foi ouvir alguém pigarrear - com certeza um aluno que passava naquele corredor -, que Ron levou automaticamente uma de suas mãos para a maçaneta da porta; a outra mantendo Hermione bem presa junto a si.


Hermione também ouvira a reprimenda, mas não fez nada para impedir Ron de levá-la para dentro daquele quarto, mesmo que uma vozinha já estivesse gritando e fazendo o maior escândalo em sua mente. Por que ela não parava de passar as mãos pelas costas dele sob a camisa já solta da calça, sentindo cada músculo se retrair? Ou então parava de gemer e instigar enquanto sentia a mão de Ron soltar a sua camisa presa à saia? Por Deus, eles acabaram de chorar a perda de pessoas! Onde estava a voz da razão, agora tão calada, só porque a mão do namorado começava a se embrenhar dentro de sua camisa, arrepiar sua pele, apertar sua cintura, suas curvas? Ah, sim... a vozinha estava onde Hermione a mandara: no inferno. Um lugar tão quente quanto aquele quarto. Talvez não tão quente assim. Deus, com certeza lá poderia ser considerado a Antártida se comparado ao seu corpo... Se comparado àquele corpo colado ao seu...


No entanto, só foi ouvir um baque de porta, seguido de um sonoro palavrão, que Hermione livrou sua boca da de Ron.


- Ron, espera...


- O que?


- Espera - ela insistiu, afastando seu corpo do dele.


- Ah, Hermione, não faz isso comigo... Não assim de uma vez. - Ele a encarou, e o brilho que viu nos olhos da namorada o fez quase perder o controle. Soltando um resmungo, Ron afastou-se dela e falou: - Não me olha assim e diz que não quer...que não vai...


- Olhar como, Ron?


- Assim...


Mordendo o lábio inferior para conter um sorriso, Hermione aproximou-se de Ron. Viu o namorado, de costas, passar as mãos pelo rosto, enquanto o corpo dele estava inteiramente tenso, e ela sabia que não era por causa do que viveram naquele dia e muito menos no anterior. Não que não quisesse nada com ele, longe disso... A questão é que, a qualquer momento, alguém entraria naquele dormitório. E isso seria a pior coisa que poderia acontecer. Não queria nem pensar quem fora que batera a porta e xingara instantes atrás.


Entretanto, acompanhando esse pensamento, Hermione também sentia sua respiração pesar e uma batalha entre amor e desejo versus todo o decoro com que fora criada ser travada em sua mente. E sabendo exatamente, ou apenas sentindo, o que a ajudaria a acabar com aquela situação frustrante, tocou levemente as costas de Ron com suas mãos.


 “Merlin, ou muito me engano ou... Foi mesmo eletricidade que senti em meus dedos?”


Notando qual batalha ganhara em sua cabeça - e em seu corpo -, Hermione transformou os dedos em mãos, as quais subiram até o ombro de Ron, sentindo-os totalmente tensos, e descerem pelos braços do namorado, alcançando então as mãos, fechadas em punho, do rapaz.


- Eu pedi para você esperar, Ron - ela murmurou. - Não disse que não queria.


Aquelas palavras surpreenderam Ron de tal maneira que ele pensou que não as escutara corretamente. Tanto é que mal percebeu também que verbalizara sua dúvida, fazendo Hermione sorrir, as bochechas da garota ganhando tons avermelhados mais intensos a cada segundo. 


- Hermione, você... Você tem certeza? - insistiu


- Tenho - ela disse, se entregando àquele mar que eram os olhos de Ron. E ela viu aquele mar se agitar enquanto dizia, sorrindo, tudo o que vinha em sua cabeça: - Tenho desde que o beijei no casamento de Bill e Fleur, desde que nos acertamos aqui na escola... Desde que você me surpreendia com beijos violentos e suaves em nossas inúmeras e deliciosas rondas noturnas... Desde que fomos flagrados por McGonagall, naquele corredor... E quando quase fomos por Sir Nicholas, na semana passada.


- Mione, a gente acabou... quero dizer, a guerra... Eu não quis te pressionar - ele falou atrapalhado, tentando mostrar à namorada que realmente não a pressionara. Muito embora sua vontade fosse mandar aquela conversa às favas e beijar como nunca aquela boca.


- Eu sei, Ron. Eu percebi isso pelo seu olhar, te conheço bem demais. Confio em você, meu amor. Mas agora eu quero e... - E embora sentisse seu rosto extremamente quente, Hermione não vacilou, principalmente por ter a impressão de que aqueles olhos a devoravam. - E quero como nunca quis antes. Não é pressão, só é o certo, Ron. Eu quero você. Sei que enterramos pessoas, mas só preciso ter você e sentir...


- Sentir você para saber que é tudo real - ele completou a sentença dela. Os olhos cravados no rosto da namorada. Os dedos de Ron passaram levemente pelo rosto de Hermione quando voltou a falar, e a garota sentiu sua respiração começar a pesar: - Que isso não é um sonho e que a paz foi conquistada, finalmente. Que você está aqui, está comigo.


- E que vou ficar para sempre.


A mão que tocava o rosto de Hermione foi parar em sua a nuca, abaixo dos cabelos, e os dedos de Ron a apertavam, enquanto a outra mão ia à cintura, trazendo a garota para mais perto. A ela restou apenas passar as mãos pelas costas de Ron até alcançarem seus ombros, sentindo suas respirações chocarem-se. As bocas se encontraram devagar, um beijo trêmulo pelo desejo que parecia queimar e aumentar a cada segundo. Os corpos roçaram, e o rapaz mostrou como seu corpo estava naquele momento, e como também queria muito Hermione. E os deuses bem sabiam como ele a queria...


Eles estavam prontos para intensificarem aquele beijo para mostrar ao corpo como agir. Contudo, a realidade os chamou através de vozes altas vindo do corredor, as quais ambos reconheceram.


- Acho melhor procurarmos outro lugar - Hermione falou num lamento.


- Certo - a voz de Ron custou a sair.


Engolindo em seco, ele segurou a mão da namorada na sua, e Hermione a notou suada e trêmula. Não conseguiu conter algo gelado passar por sua espinha.


Saíram rápidos do quarto, não cumprimentando Seamus nem Neville, e nem notando o ar constrangido de Dean - o qual os flagrara no quarto, minutos atrás, e soltara o tal palavrão que o casal já esquecera há muito tempo. Também foi como um foguete que eles alcançaram a tapeçaria de Barnabas, o Amalucado. Contudo, uma ínfima incerteza voltou a assombrar Ron, e ele perguntaria novamente à namorada se ela estava certa do que queria fazer caso Hermione não interpretasse aquelas feições que tanto amava. E ver o sorriso de Hermione e aqueles olhos castanhos brilhando mais que nunca para si, levou Ron a soltar a mão da amada e passar três vezes, e bem concentrado, defronte à parede lisa em que estavam. Logo, uma porta mostrou-se para eles, no que o rapaz abriu para a garota passar.


Ron aproximou-se de Hermione, que estava de costas para ele, vendo como a Sala Precisa os recepcionara. A garota sentia seu corpo tremer de desejo e receio, entretanto, este último a abandonou quando Ron a virou para si e disse:


- Eu quero amar você, Hermione. De todas as maneiras que eu consigo demonstrar.


- E eu quero que você me ame, Ron. Quero agora... e quero sempre. 


E Hermione mal percebeu Ron vencer aquela mínima distância que ainda os separavam. Mal teve tempo de buscar ar, pois sua boca já era coberta pela dele, não deixando ar algum passar. A única coisa que penetrava sua boca era a língua gostosa dele. Mas não se importou. Teria tempo para respirar entre suspiros, mesmo que, depois de um tempo, já não houvesse muitos deles. Apenas entrega, amor, gemidos... E prazer. Prazer em ter as mãos de Ron explorando seu corpo nu, lhe apertando, descobrindo; mostrando que fazer era bem melhor que imaginar aquelas mãos grandes a tocando, o que ela tanto fazia quando estava sozinha. Carícias profundas, inexperientes e tímidas, as quais a faziam se entregar como nunca fizera antes, e fazendo-a perceber o amor que ele sentia por ela.


E era amor demais. Amor intenso, amor verdadeiro. Puro e incandescente. Um amor que ela sempre sonhou em sentir. Sempre com Ron. Sempre com seu amor.


xxx---xxx


Harry remexeu-se na cama enquanto despertava, sentindo que havia algo errado. Não devia estar se sentindo sozinho, com um frio estranho... Olhou para o lado, mas sentiu sua cabeça começar a latejar, o que provocou um gemido de dor involuntário.


- Você está bem?


- Sirius? Que horas são? - Harry perguntou com a voz pastosa de sono. - Cadê a Ginny? - o rapaz perguntou colocando os óculos e focalizando melhor o lugar em que estava.


Sirius riu.


- Não sei que horas são, mas já é hora do almoço... ou já passou há alguns minutos... E quanto à sua namorada, ela foi almoçar. Falou que voltava quando terminasse.


Harry ergueu-se na cama, usando o travesseiro para apoiar melhor as costas, o que foi ajudado por Sirius.


- Dormi muito tempo?


- Dois dias está bom para você? - o padrinho disse com um sorriso satisfeito. E ao ver a feição de Harry tomar ares preocupados, completou: - Está tudo bem. Acabou, Harry.


O rapaz soltou um suspiro cansado. Fechou os olhos e passou a mão no rosto, como se quisesse tirar todas as marcas de preocupação que tivera durante aqueles anos.


- Finalmente...


Contudo, foi só seus dedos tocarem a fina cicatriz em sua testa, além de se lembrar que não havia visto o corpo de Voldemort, Harry perguntou:


- E...o corpo, Sirius?


- O cremaram ontem mesmo. Voldemort virou pó, literalmente.


- Então tudo estava certo. Só me pergunto como ela conseguiu destruir o colar e também Nagini.


- Bem... Não sei nada de que colar você está falando ou quem seria “ela”, mas... - Sirius falou com uma careta em esgar: - Quanto a Nagini, Snape a destruiu.


- O que... Snape? Você está brincando, certo?


- Não. Fiquei sabendo que ela pediu para ele matá-la. - E indicou com a cabeça a cama onde Ariadne dormia com Nicola.


- Ela está bem?


- Está. Só precisando dormir, como você.


Ficaram em silêncio por um tempo. Harry sentiu sua curiosidade apitar por ouvir o padrinho falar com amargura e mágoa de Ariadne Lakerdos, e não entendia isso. A mulher o retirara do Arco da Morte, então, como ele poderia falar dela nesse tom? Na verdade... Minutos antes da batalha final, Harry se lembrava agora, ele perguntara para Ron e Hermione por que Sirius saíra apressadamente ao lado de Charlie Weasley, e a resposta que tivera fora tão confusa que até agora ele não estava conseguindo acreditar.


- Ah...Sirius?


- Sim?


- Aquele garoto...com a Profa. Lakerdos... é filho dela?


- É.


Harry desviou sua atenção por alguns segundos para um fio que se soltava de seu pijama. Seus olhos foram novamente para a professora e o garoto que, com certeza, dormia ao lado dela. Então, relanceando o rosto de Sirius, falou:


- Hã... Ron me falou uma coisa ontem e...é verdade?


- O quê? - Sirius retorquiu, embora imaginasse sobre o que o afilhado o estava questionando.


- Ele é...seu filho?


Sirius suspirou pesadamente antes de responder:


- É... Meu com Ariadne.


- Eu não sabia que vampiros poderiam ter filhos - Harry falou sem conseguir se refrear, pensando nos vampiros das histórias trouxas que ouvira falar.


- Na verdade - Sirius falou, passando a mão pela nuca, sentindo-se um pouco constrangido -, Ariadne não era vampira quando nos vimos na última vez. Segundo Nicola, meu filho, ela foi transformada assim que ele nasceu. Embora ela também seja descendente do tal Conde Drácula.


Eles logo tiveram que parar de conversar, pois Madame Pomfrey chegara com algumas poções para revigorar Harry. Ela nunca estivera tal amável quanto naquele dia, o rapaz percebeu. E quando ela estava quase terminando, a atenção do rapaz foi logo para a porta da Enfermaria que se abria, fazendo, assim, com que o coração de Harry batesse mais rápido e sua respiração cessasse por um momento: por aquelas portas de carvalho passava a razão de Harry conseguir sobreviver àquele inferno. E saber que ele poderia namorar aquela ruiva do jeito que tanto queria, e pelo resto de suas vidas, foi melhor que qualquer poção revigorante que a curandeira de Hogwarts poderia lhe dar. Ou talvez fosse apenas o sorriso de Ginny que servira para fortalecê-lo de vez.


E foi nessa hora, enquanto Sirius brincava com o afilhado, dizendo que deixaria ele e a namorada em paz para se namorarem - o que foi censurado por Madame Pomfrey, afinal, Harry precisava descansar -, que Ariadne aproveitou para deixar a Enfermaria. Aproveitou a atenção do homem focada no casal constrangido para sair de lá sem ser notada.


Estava acordada desde que o sol nascera, aproveitando o silêncio do lugar e a companhia de seu filho, dormindo ao seu lado. No entanto, ao ouvir a voz de Sirius, quis sair de lá antes que ele sequer pensasse em se aproximar de sua cama. E foi pela pressa que Ariadne nem chegou a acordar Nicola, apenas fechando parcialmente o cortinado ao redor da cama do filho para ninguém perceber sua saída. Nem cogitara que essa sua escapada foi a principal razão de Sirius sair de lá também, minutos depois, quando Madame Pomfrey praguejou por sua paciente, mais uma vez, deixar a Ala Hospitalar sem a autorização da mesma. Afinal, ele sabia o que significava essa fuga de Ariadne.


Contudo, alheia ao que ainda estaria por vir, Ariadne andava sem saber aonde ir realmente, apenas não queria ficar no mesmo lugar que Sirius. Não soube o que acontecera enquanto esteve desacordada, mas, com certeza, ele e Nicola conversaram. E mesmo achando que tal pensamento seria egoísta demais, torcia que eles não tivessem se entendido tão bem. Enquanto caminhava, nem percebeu que suas pernas a guiavam para os jardins do castelo. Passou pelo salão principal, mas não lançou nenhum olhar para ele, embora ouvisse as vozes alegres vindo de lá.


 “Claro que eles estão alegres”, pensou rancorosa. “Eles não têm nenhuma maldição para carregar, ou o fato de não poderem nunca mais ficar com a pessoa que ama”.


Mas Ariadne logo tratou de menear a cabeça, livrando-se desses pensamentos. E apenas porque precisava refugiar-se até sentir que sua cabeça estava no lugar, suas pernas tão treinadas por causa de sua época de estudante já a levavam para a cabana de Hagrid.


- Ora, vejam só quem veio me visitar finalmente! - O meio-gigante sorriu abertamente e deu passagem para Ariadne. Hagrid deu-lhe dois tapas amigáveis no ombro, mas, não medindo sua força, fez com que a mulher dobrasse um pouco os joelhos. - Ah, desculpe. Você ainda deve estar dolorida, não?


- Estou bem, Hagrid, obrigada.


Ariadne sentou-se quando o amigo lhe indicou a cadeira.


- Acho que você não entra aqui desde...


- Desde quando era apenas uma estudante.


- E, se não me engano, foi porque Lily discutiu com o James.


- Você sempre foi boa companhia, Hagrid, para quem estava triste ou aborrecido demais. Muito embora eu preferisse vir até aqui pelos motivos de Clair - Ariadne falou, sorrindo, lembrando-se que a amiga apenas visitava Hagrid para, simplesmente, apreciar a companhia do amigo. Sem brigas com namorados.


Os olhos de Hagrid brilharam em nostalgia e saudade.


- Sim... garotas incríveis... Chá? - perguntou rapidamente, o que Ariadne não negou. - Então? O que te forçou a vir para cá? - Hagrid perguntou direto.


- Como? - Ariadne retorquiu, pegando uma enorme caneca de chá fumegante.


- Do que você está fugindo?


- Não estou entendendo...


- Bom, você só vinha para cá sozinha, conversar comigo, quando brigava com Sirius ou com Severus Snape. E...bem...


- Ele já foi enterrado, Hagrid?


- Já... Charlie Weasley pediu que o enterrássemos em separado dos outros comensais.


Ariadne preferiu encarar sua xícara quando o amigo respondeu a sua pergunta. Mais uma que devia a Charlie.


Ficaram em silêncio por um tempo, Hagrid brincando com a enorme caneca em suas mãos. E somente quando Ariadne pareceu controlar o pesar pela perda do primo, ele continuou.


- Então - Hagrid continuou, pigarreando -, não estarei errado se disser que você veio para cá fugida de Sirius.


- Não estou fugindo, Hagrid, só... Só não quero...quero dizer, não estou preparada ainda.


- Você tem se preparado há anos, Ariadne - Hagrid falou suavemente, depositando sua mão pesada na da mulher.


O meio-gigante lembrava-se claramente das fugas de Ariadne quando Sirius sequer chegava perto, de como eles discutiam por bobeira e ela fazia questão que essas discussões os deixassem o mais distante possível.


- Sabe? Sinto saudades da garota petulante que você era, cheia de si. Essa nova Ariadne não é muito boa. Tem amargura demais em você.


- A vida nos força a mudar, Hagrid.


- É, eu sei. Mas não precisa mudar para pior.


- Eu não mudei para pior, só... Só mudei.


- Bom... Mudar é bom. Mas às vezes, como Lily gostava de lembrar em seus ditados trouxas: é sempre bom aparar as arestas depois da mudança.


Ariadne soltou uma risada pelo nariz, ainda concentrada em sua xícara. Ouviu a cadeira do amigo ser arrastada, mas não precisava olhar para saber que Hagrid devia estar indo, com certeza, pegar o bule de chá. Ou alguns daqueles “deliciosos” bolinhos.


- Lily era cheia de ditados trouxas - ela falou com leve humor, ainda encarando sua xícara. - O preferido dela para me designar era: você é mais difícil que mula quando empaca. Como se ela tivesse sido a mais maleável das pessoas.


- Ao menos ela percebeu a tempo que não adiantava lutar contra a felicidade.


Ariadne levantou-se de supetão ao ouvir a voz que, definitivamente, não era a de Hagrid. E que também não vinha da direção do fogão. Não vira que o amigo, na verdade, saíra furtivamente da cabana, deixando-a completamente a sós com Sirius, que chegou sabe-se lá que hora e a encarava no batente da porta. Como Hagrid conseguiu ser furtivo com todo aquele peso e tamanho, era um mistério.


- Quando você entrou aqui? - perguntou, espantando-se que verbalizara tal pergunta receosa que era para estar apenas em seu pensamento. Mas, sem dar tempo para ele responder, continuou: - O que você quer?


- Conversar.


- Não precisamos conversar.


Sirius respirou fundo. Fechou a porta calmamente atrás de si antes de dizer:


- Ariadne, já me cansei de você sempre dizer a mesma coisa. Temos muito que conversar, e por mais que você não queira, sabe muito bem que estou certo.


- O que eu precisava dizer já te disse, Sirius, assim como você já me disse o que queria - ela falou exasperada. Ainda não estava pronta para olhar para Sirius, que dirá conversar com ele! - Já respondi a droga de suas perguntas!


- Por que você não me procurou para dizer que tínhamos um filho?


Aquela pergunta pegou Ariadne desprevenida, fazendo com que uma pedra imensa de gelo parecesse passar por sua espinha. Perdendo as forças, deixou a xícara, que estava em suas mãos, cair.


- Olha só o que você fez! Quebrei a xícara do Hagrid e...


- Reparo. Pronto, Ariadne - Sirius falou aparentando muita calma. - Agora me diga: por que não me falou do meu filho? Você sabia que eu era inocente!


- Porque não. Pronto, respondi.


Ela tentou sair da cabana, mas Sirius a segurou pelo braço.


- Eu quero um motivo por você ter me tirado a chance de conhecer meu filho, Ariadne.


Ariadne sentiu seu corpo todo tremer diante daquela voz. Ela preferia mil vezes que Sirius gritasse com ela, e não que perguntasse aparentando tanta calma e...decepção.


- Eu... - Ariadne respirou fundo. - Eu tive medo - ela respondeu por fim. Sabia que ser sincera era o único jeito para ele deixá-la em paz definitivamente. - Agora me solte, Sirius, por favor...


- Medo? De mim, Ariadne? Por quê?


Ela afastou-se dele, era mais seguro, sabia disso.


- Eu tive medo que você o tirasse de mim.


- Eu nunca faria isso! - ele falou indignando-se. - Não sou nenhum cafajeste, você sabe disso.


- Talvez não nesse quesito, né? - ela provocou.


Sirius não deu cabo da provocação, no que Ariadne começou a sentir-se nervosa.


- Eu vou ter uma vida com meu filho, Ariadne, e você não pode me impedir.


- É o que vamos ver - ela falou num sibilo.


A dois passos da porta, Sirius estacou. O que é que ela estava dizendo?


- Você não vai tirar meu filho de mim, Black - Ariadne continuou. - Não depois de tudo o que fiz e sofri para tê-lo de volta! - falou nervosa.


- Mas não vou tirá-lo de você! - retorquiu indignado. - Eu só quero recuperar o tempo perdido que passei longe dele, Ariadne, só isso!


Ariadne sentia um crescente desespero diante da ínfima possibilidade de ficar um dia sequer longe de sua cria. Sirius não tinha o direito de aparecer de repente e exigir passar “um tempo” com seu filho, deixá-lo longe dela que era a mãe!


- Mas eu não vou deixar! - disse parecendo descontrolada. - Não, não! Isso não é justo eu... Eu não posso ficar longe dele! Você não pode tirá-lo de mim, Sirius, não depois de ter saído de minha vida! Não pode! - E sem perceber, começou a repetir esta última frase em grego, enquanto andava de um lado para o outro.


Sirius não poderia tirar seu filho! Ele era seu alicerce, sua base... sua fortaleza que a impedia de cair no profundo abismo do ódio. Nicola fora o motivo dela não ter se entregado ao ódio e se tornado vampira de alma! Foi o amor de seu filho que a salvou e que a forçou a manter-se viva, mesmo que sua vida fosse incerta!


Além disso... Ela morria de medo de ficar sozinha novamente. Era muito difícil admitir esse medo, o qual Sirius diagnosticara tão perfeitamente há alguns dias, mas era exatamente isso que ela sentia. Medo da solidão. Medo da perda. Ela que vivera para enterrar pais, irmão... enterrar seus amigos e o amor que ela sentia por Sirius ao pensar que ele era um traidor. Ariadne viveu semanas em profunda dor após Sirius ter sido levado para Azkaban, até que ela se descobrisse grávida.


Então, ganhara nova força para continuar viva. Encontrara um novo caminho para seguir. Conseguira aquietar seu medo, escondê-lo. Mas, se Nicola fosse tirado dela como acontecera durante aquela guerra, ela não saberia o que fazer! E se ele não voltasse mais para sua casa, se preferisse viver com o pai? Não, ela não podia correr esse risco! Não conseguiria! Não poderia sentir novamente o medo que a tomou quando Sebastian o seqüestrou. Quando o viu sendo torturando... Essa dor ainda estava dentro de seu peito, de sua alma amaldiçoada...


- Não, Sirius, sinto muito. Mas você não vai levar meu filho.


Ela ainda não o olhava. Torcia as mãos e balançava a cabeça quase frenética e febrilmente, enquanto seus olhos encontravam-se vidrados.


Essa reação assustou Sirius. Ele não reconhecia Ariadne dessa maneira, e isso o perturbava. Onde estava a garota corajosa e de forte personalidade que ele conhecera no colégio? Onde estava a mulher que ele amava, a que lutara bravamente contra Voldemort na primeira guerra? A que, apesar de tudo e de uma maneira um pouco torta, também lutara na segunda?


Com apenas três passos largos, ele se aproximou de Ariadne, segurando-a firmemente pelos braços, forçando-a a encará-lo. Os olhos dela, cheios de lágrimas e medo, chocaram-se com os dele, cheios de agonia.


- Ariadne, preste atenção - falou firme. - Eu não vou tirar Nicola de você. Nunca! Eu só quero conhecer o meu filho, passar mais tempo com ele. Ele vai continuar morando com você, só que agora também tem um pai.


- Mas, Sirius... Ele não pode me deixar! Eu não sei o que faria se ele te amasse e quisesse ficar com você, em vez de mim! Eu... - ela soltou um soluço, as lágrimas contidas há muito tempo começando a cair. - Eu não vou agüentar ficar longe dele! Não estou pronta!


- Ari, por Deus, o que está havendo?


- Se ele me deixar, eu não sei se vou agüentar, Sirius! Eu não agüento mais... não agüento... Eu quero que essa guerra acabe de vez!


Sirius não entendia. A guerra havia acabado, não iria acontecer mais nada. Mesmo assim, por que Ariadne estava com tanto medo de se ver longe do filho, mesmo que não fosse para sempre como ele mesmo havia dito?


- Ari, a guerra já acabou! Nós vencemos! Voldemort está morto, e logo todos os comensais estarão confinados em Azkaban. Aquele vampiro também foi destruído, meu amor - Sirius falou, nem notando o modo carinhoso com que a tratara e a abraçando instintivamente.


Ariadne não conseguia soltar-se dele. Sirius lhe parecia um porto seguro, sua raiz enquanto sua vida parecia um furacão!


- Mas a minha guerra continua... - ela falou contra o peito dele, suas mãos agarrando a camisa de Sirius. - E eu não consigo sozinha, Sirius! Pensei que conseguiria, sempre achei que fosse realmente assim. Sempre me achei forte e auto-suficiente o bastante! Mas... depois que Arktos morreu, eu percebi que eu nunca conseguiria sozinha. Depois que você me deixou, eu pensei que fosse morrer! Mas aí eu soube... - Ela o olhou, os olhos molhados o encarando, os lábios num sorriso fraco. - Estava esperando um filho seu. Sabe o que é ter vida dentro de você, enquanto você pensa que está morta?


- Eu sei o que é pensar que está tudo acabado, mas sentir a vida voltar só em olhar nos olhos de quem se ama.


Ao dizer aquilo, Sirius não tinha pretensão alguma, a não ser a sinceridade. Contudo, a intensidade de seu olhar sobre o de Ariadne fez com que uma imensa vontade de beijá-la e terminar aquela conversa naquele momento assolassem cada célula de seu corpo. E ele realmente a beijaria, se Ariadne não tivesse saído de seus braços. A mulher, em contrapartida, sentia que precisavam conversar. Precisava, egoisticamente, fazer Sirius entender que Nicola não podia ficar longe dela. E essa pretensão não a fez ver a mágoa começar a inundar aqueles olhos azul-acinzentados.


Mais controlada, e conseguindo pensar adequadamente não estando dos braços de Sirius, Ariadne falou:


- Eu pensei que fosse sucumbir quando Sebastian pegou Nicola. Eu pensei, por um momento, que toda a minha batalha estaria perdida e eu não liguei para isso! Eu não me importei no que o ódio poderia me transformar, no que estava me transformando! Eu não escutei o Lex, não escutei o Charlie... Até Severus me alertou, mas eu não me importei! Durante o tempo em que o meu filho ficou nas mãos das pessoas que eu mais odeio, eu me esqueci do amor que sentia por ele e só queria vingança - Ariadne respirou fundo antes de continuar, tentando ficar mais calma. - Você não sabe o que é ter medo do ódio, mas, ao mesmo tempo, não se importando de estar sentido ele, Sirius.


Tratou de secar as lágrimas que molharam seu rosto e continuou a falar, encarando Sirius:


- Eu não posso sentir tanto ódio, entende? Nunca me perdoaria de ver medo e desprezo nos olhos das pessoas que amo. E o Nicola... - Seus olhos arderam. - O Nicola é meu alicerce, Sirius. Você não pode tirá-lo de mim do mesmo jeito que você saiu da minha vida!


- Mas... eu não saí de sua vida, Ari, eu...


- Saiu! Você saiu quando você foi se despedir de mim, e uma semana depois, quando foi levado a Azkaban e...


- Mas não foi minha culpa! Eu não queria te deixar, foi você quem insistiu e sem sequer me contar o motivo. Nem sequer me permitiu aproximar, me deixar tentar, Ariadne.


- E... E eu não permito agora - ela disse, sentindo uma dor estranha na altura do peito e estômago, sendo que este parecia se revirar.


- Há dezesseis anos - Sirius falou, olhando-a intensamente, embora Ariadne desviasse o olhar -, você disse que precisava verificar se seus sonhos eram verdadeiros, descobrir o que significava todos aqueles pesadelos. E quando nos encontramos aqui em Hogwarts depois que você me tirou daquele arco, você disse que havia encontrado a resposta que procurava.


Ariadne continuava de perfil, não deixando que Sirius olhasse seu rosto temeroso. Já bastava ter se descontrolado na manhã da última batalha, mostrando todas as suas fraquezas... Não poderia deixar que isso continuasse.


Contudo, Sirius não sairia sem uma resposta. Não permitiria que Ariadne escondesse dele novamente o que já tinha que ter conhecimento há muitos anos. Embora também já soubesse de praticamente tudo.


- O que eram aqueles sonhos, Ariadne?


Mas ela não disse nada. Sirius não soube por quanto tempo ficaram em silêncio. Porém, ele esperaria. Ele esperaria o tempo que fosse e dentro daquela cabana. Não sairia de lá, muito menos Ariadne, até que todas as perguntas fossem respondidas. Levasse o tempo que fosse.


Porém foi com a paciência dando lugar para a irritação e a vontade de conseguir ficar em paz com aquela mulher de uma vez por todas, que fez Sirius quebrar o silêncio sem fim.


- Aquele Sebastian tinha tudo a ver com isso, não tinha? - perguntou. Percebeu que Ariadne segurara a respiração. Acertara em cheio. - Foi ele quem conduziu a seita? Quem matou seus pais? Foi ele, não foi, Ariadne, quem também matou seu irmão?


No entanto, Ariadne continuava em silêncio. Só que Sirius também percebeu que o corpo da mulher tremia quase imperceptivelmente, e ela estava com a respiração ofegante. A passos rápidos ele a alcançou, segurando-a firmemente pelos braços, mas sem machucá-la, apenas para que ela o encarasse.


- Responda-me, Ariadne - falou baixo, mas decidido. - O que ele fez com você? Por que aquele feitiço do Peter quase te matou, mesmo não acertando um ponto vital? Por que a mão dele a machucou tanto? E por que sua poção revigorante leva sangue de Agoureiro? - Sirius perguntava, embora já tivesse essa resposta. Ele apenas queria que a mesma viesse da boca da mulher que amava tanto. Queria que ela confiasse tudo a ele ao menos uma vez.


Ariadne finalmente o encarou. Seus olhos marejados queimavam de fúria, sabendo exatamente o que ele queria.


- Você sabe a resposta, Sirius - ela disse com a voz contida. A respiração dela estava ficando ofegante.


- Como você pode ter tanta certeza se nunca me disse nada?


- Você sabe sim... Eu estou vendo na porcaria dos seus olhos que você sabe.


Ariadne soltou-se dele e caminhou até a porta da cabana de Hagrid, mas não teve tempo de sequer tocar na fechadura. Sirius segurava seu braço.


- Sirius, me solte, por favor... - pediu sentindo-se fraca. - Permita-me sair da sua vida de uma vez por todas e... e saia da minha...


- Eu quero que você responda outra pergunta.


Ariadne o olhou, percebendo que não tinha mais forças para lutar.


- Vou te perguntar apenas uma vez. - Sirius aproximou o corpo de Ariadne do seu. Não havia necessidade, mas sabia que, perto assim, ela teria mais dificuldades em mentir, e ele teve certeza de que fizera o certo ao perceber o corpo dela tenso. Encarou-a intensamente, não permitindo, assim, que ela desviasse o olhar. - Mas, agora, você vai me responder verdadeiramente, Ariadne. Seja, mais uma vez, completamente verdadeira comigo. - O corpo de Ariadne tremeu. - Por que você foi me buscar no Arco da Morte?


Ariadne já estava sentindo-se furiosamente desesperada. E desesperadamente sem forças. Como ele poderia pedir para ela ser “completamente verdadeira” com aquele tom de voz que a fazia voltar vários anos, mais especificamente em sua última noite como estudante, em Hogwarts? Isso era golpe baixo. Esse pedido a fazia fraquejar.


E ela não entendia o que ele realmente queria e por quê. Uma verdade? A droga de uma verdade? Para quê? Apenas para torturá-la? Para se torturar? Se a verdade fosse revelada num todo, não adiantaria de nada, eles não poderiam mais ficar juntos! Assim como acontecera da última vez que ela fora-lhe completamente verdadeira. Como Sirius poderia amar alguém na situação dela? Como ele ainda podia amá-la depois de Remus e a garota Granger ter dito toda a verdade a ele? E, Deus, por que ela ainda insistia em ler a mente dele? Só porque Sirius fizera questão de deixá-la aberta a ponto de Ariadne não precisar usar o vampirismo? Apenas legilimência comum? E como ela olharia naqueles olhos, sendo que, assim, leria a alma dele totalmente e veria tudo o que não podia?


Entretanto, a resposta à última pergunta de Sirius escapou de seus lábios de maneira suave e cansada, sem que Ariadne percebesse. Ou, então, porque estava exausta por guardá-la por tanto tempo:


- Pelo mesmo motivo que fui verdadeira com você, anos atrás, e pelo mesmo motivo que eu te xinguei da última vez - falou encarando-o. - Porque eu amo você. Sempre amei e sei que vou amar sempre. - Ariadne secou as lágrimas de frustração que caíam em teimosia, sentindo-se humilhada por estar naquela situação. Ela foi tentar abrir a porta de novo para ir embora, mas Sirius se pôs à sua frente, parecendo intransponível demais para ela. - Sirius, não... - suplicou.


- Então por que age assim? Por que se afasta, Ariadne? - Ele tentou tocá-la, mas Ariadne se esquivou dele, olhando-o furiosa.


- PORQUE EU SOU A DROGA DE UMA VAMPIRA! - vociferou, gesticulando abertamente. A feição imparcial de Sirius a deixou mais furiosa ainda, e a sensação que tinha era que ele não estava acreditando em nada do que ela falava. - Você não escutou, não entendeu o que eu disse? Eu sou uma vampira, Sirius! Uma pessoa amaldiçoada, uma criatura das trevas! O que espera que eu dê para você? O quê, Sirius? O que eu posso te oferecer? Pois eu mesma respondo: nada! Absolutamente nada!


- Isso não é verdade...


- É sim! E não me toca, droga! - Ela desviou-se dele novamente, parecendo enojada com aquele toque. Sentia que não o merecia. - Você sabe o que me aguarda, Sirius? Sabe realmente? - Ariadne tratou de responder a própria pergunta mais uma vez: - Eu vou viver para sempre! Não basta eu enterrar minha família, meus amigos... Vou ter que enterrar meu filho!


- Mas você não deve pensar assim, Ari!


- E você quer que eu pense como, seu idiota? - sua voz saiu cansada. Ela o agredia, pois não agüentava mais. Era maldição demais para uma vida só. Para sua vida! - Que droga, Sirius... Você quer que eu fique bem, sendo que não vou envelhecer um dia sequer na minha vida amaldiçoada, mas verei meu filho definhar até morrer?!


- Ari... - Sirius tentou, mas Ariadne parecia se afundar cada vez mais em sua tristeza.


- Se eu pudesse escolher, se conseguisse voltar no tempo, não permitiria que tudo isso tivesse começado. Não teria me apaixonado por você.


- Isso nunca aconteceria.


- Eu preferia ter morrido quando Sebastian concluiu o maldito ritual, enfiando aquela maldita faca em meu peito.


- Mentira - ele falou suavemente.


- É verdade!


- Não minta, Ariadne. Não para mim.


- Mas eu preferia morrer mil vezes a ter que enterrar Nicola... A ter... - Seus olhos se encontraram. - A ter que enterrar você, Sirius.


Ariadne nem percebeu como acontecera, mas logo sua boca era tomada pela de Sirius, seu corpo sendo apertado contra o dele. Um beijo cheio de amor, um abraço cheio de paixão... Um conjunto cheio de saudade! Pedidos implícitos em apenas um beijo, súplicas caladas pelas bocas grudadas, embora gritadas pelas mãos exigentes. Um beijo que fez Ariadne lamentar e tentar recuar...que a fez gemer e se entregar.


Deus, como Sirius poderia tomá-la daquela forma depois de tudo o que lhe dissera e também acontecera? Ele não podia abraçá-la possessivamente, não poderia deixá-la sentir sua língua gostosa e macia de encontro à dela! Ele não tinha o direito de fazê-la derreter daquela maneira em seus braços, de fazê-la pedir por mais, passando os braços pelo pescoço dele, puxando-o para mais perto... Ele não podia ter começado o beijo de maneira tão tempestuosa e terminado tão carinhoso.


Seu corpo todo tremia depois que as bocas se separaram, e Ariadne sentia que poderia ficar assim para sempre. Queria sentir os lábios de Sirius tocar os seus levemente, seu queixo, sua bochecha, a ponta de seu nariz; queria sentir os lábios dele trilhar o caminho contrário de suas lágrimas até alcançar seus olhos fechados... E queria continuar ouvindo o que ele sussurrava ao intervalo dos beijos:


- Eu falei para você nunca se esquecer ou duvidar, Ariadne, e falei sério. - Ele segurou o rosto dela entre suas mãos, no que Ariadne abriu os olhos nublados. - Eu amo você para sempre... Sempre...


Mas Sirius não viveria o sempre. Ariadne sim. Os olhos da mulher encheram-se mais uma vez de lágrimas.


- Você tinha prometido - Ariadne lamentou, tentando desviar dos beijos dele. Suas mãos desceram para o peito de Sirius, empurrando-o toscamente. - Prometeu que aceitaria minha distância, Sirius.


- Mas eu já havia jurado a mim mesmo que a faria feliz, Ari, no momento em que beijei você pela primeira vez e percebi o que realmente sentia.


- Por favor, Sirius. Eu não... Não preciso dessa vida... - E respirando fundo, com a voz embargada, falou: - Eu não quero.


Ariadne sentiu-se vazia quando Sirius a soltou. Sentiu seu corpo gelar como se uma lufada de vento passasse pelas frestas das janelas da cabana de Hagrid. Não tinha coragem de olhar para o homem decepcionado à sua frente.


- Se é o que você quer, Ariadne, é o que vai ter. - Ela sentia como se mil punhais cravassem em seu corpo ao ouvir tanta tristeza carregada naquela voz, e sua espinha gelou. - Já que você decidiu assim, vou fazer sua vontade. Vou me afastar, mas Nicola vai embora comigo também. Você nunca mais vai vê-lo.


- O quê? - O temor estava escancarado na feição pálida e na voz de Ariadne.


- Assim, você não nos vê morrendo, como você mesma disse não querer - Sirius falou suavemente. Ele olhava para qualquer outro lugar, temendo focar seus olhos nos dela. Não conseguiria falar nada se o fizesse. - Vou te poupar dessa vida, já que você não a quer. - E saiu da cabana sem nem olhar para trás. Sem olhar para Ariadne.


Enquanto Ariadne ficava parada dentro da cabana, ainda digerindo o que Sirius acabara de falar, o homem voltava para Hogwarts. Ainda não entendia por que Ariadne era tão difícil. Era tão mais simples se ela permitisse que eles fossem felizes! Por que ela sempre tinha que complicar, colocar empecilhos?


Sirius até compreendia os problemas dela, tudo o que ela vivera após Nicola ter nascido, mas, se ela quisesse viver cada dia em amargura pelo que ocorrera naquela noite na França, Sirius não permitiria. Nem que para isso precisasse usar, como último recurso, um tratamento de choque. E era exatamente isso que ele estava fazendo. Se estava tão difícil para Ariadne perceber que estava apenas sobrevivendo nesses últimos anos, então ele a forçaria a acordar para a realidade... e voltar a viver.


Assim que entrou na Enfermaria, procurou por Nicola, que estava se arrumando, e foi na direção do filho. Nem percebeu que sua entrada repentina chamou a atenção de Remus - o qual estava saindo do cortinado, já recuperado, e ao lado de Tonks - e de Charlie - este ao lado da cama de Nicola. Os dois amigos de Ariadne se olharam apreensivos.


- Você está pronto?


Nicola encarou Sirius com o cenho franzido quando este se pronunciou. A voz do homem estava baixa e mostrava cansaço.


- Por que está perguntando isso? Onde está minha mãe? - Ele olhou por sobre o ombro de Sirius.


- Ela está ocupada demais, então eu vou levar você para casa.


- O quê? - estranhou Nicola. Pegou sua varinha que estava em cima da cama e, segurando-a firmemente na mão direita, intentou sair daquele lugar. - Vou falar com ela para saber o que aconteceu.


- Não, você vem comigo, Nicola. Ariadne preferiu assim.


- Como preferiu assim? Se eu fosse com você, ela mesma teria me dito isso.


Nicola começou a andar na direção da saída da Enfermaria, com Sirius em seu encalço, mas, mal se aproximou da porta, seu braço foi segurado.


- O que você está fazendo? Solte-me agora - ordenou o garoto.


- O que estou fazendo é o melhor para todos, acredite. Você vai comigo, pois sua mãe precisa pensar no que está fazendo. Na maneira com que vêm agindo. Eu te explico depois.


- Me explicar depois? Você não sabe de nada! - irritou-se Nicola, soltando-se de Sirius bruscamente. - Você acha o quê? Que foi só reaparecer em nossas vidas que está tudo certo? Você não conhece nossos problemas, os problemas de minha mãe. O que contei a você não é nem metade de tudo o que aconteceu! E se ela realmente tivesse permitido que eu fosse embora com você, ela mesma teria vindo aqui e me falado. Portanto, acho que você está inventando isso.


Sirius indignou-se com a petulância do garoto. Mas quando abriu a boca para retorquir, a porta da Enfermaria se abriu, deixando passar por ela, tempestuosamente, Ariadne. Ela aproximou-se de Sirius e Nicola, ficando entre os dois como se quisesse proteger o garoto. E, apontando o dedo de maneira acusatória para o homem à sua frente, falou entre os dentes:


- Você nem ouse tocar num fio de cabelo do meu filho - ciciou, os olhos brilhando de fúria.


- Ele é meu filho também - Sirius falou calmamente -, e eu acho que...


- Para o inferno os seus “achismos”, Sirius! - Ariadne estourou.


Charlie instintivamente deu um passo na direção dos dois, mas não fez nada. Já Nicola recuou um passo, sentindo seu corpo todo se arrepiar diante da onda de fúria da mãe. Um vaso estourou numa cômoda ao lado.


- Você não tem o direito de tirar meu filho de mim - Ariadne continuou no mesmo tom, não demonstrando perceber o que acontecera ao seu redor. Sirius tampouco:


- Isso é o que vamos ver - falou impassível.


- E estou esperando ansiosamente - a mulher retorquiu, retirando sua varinha de dentro das vestes e apontando para ele. Charlie intentou aproximar-se, mas Remus já estava ao seu lado, impedindo.


- Não. Eles precisam disso - o licantropo disse; a atenção dos dois voltando-se para o casal.


- Isso não precisa acabar assim, Ariadne, e você sabe muito bem disso - Sirius disse calmo.


A expressão de Ariadne foi mudando: de fúria extrema e medo para cansaço e tristeza. Sua varinha baixando imperceptivelmente ao ver o que Sirius lhe dizia apenas com os olhos o que ele gostaria que acontecesse dali em diante. Entretanto, desviando seus olhos dos dele e meneando a cabeça, soltou um suspiro cansado e falou:


- Precisa sim, porque... O que eu sou... - Ela respirou profundamente. - Na verdade, já não sei de mais nada, Sirius - ela admitiu, cansada. - Só...não sei.


Ambos ficaram se olhando, não dando mostras da tensão que instalaram na Enfermaria. Madame Pomfrey já começava a abrir a boca com a intenção de expulsá-los de lá, uma vez que estavam incomodando os pacientes que descansavam após a guerra, porém, Minerva McGonagall também pediu que a curandeira não interferisse; seus olhos escuros totalmente atentos ao casal.


Sirius deu um passo em direção à Ariadne, que recuou.


- Ariadne, por favor.


- Sinto muito. - Ariadne então saiu da enfermaria, puxando Nicola junto. O garoto ainda olhou para o pai antes de passar pela porta e o que ele viu lhe apertou o coração.


Sirius passou a mão pelo rosto e cabelo, soltando um suspiro cansado, jogando-se sentado na cama mais próxima. O único que pareceu ter coragem suficiente para se aproximar dele era Remus.


- Eu tentei, Remus, juro que tentei - o homem falou com a voz baixa e rouca ao perceber o amigo ao seu lado quando este tocou-o no ombro, tentando passar algum consolo.


- Ariadne é uma mulher difícil, Sirius. E você sabe os demônios que ela enfrentou e ainda enfrenta.


Sirius o olhou, sua expressão cheia de dor e amargura. Os outros ocupantes da Enfermaria procuraram fazer outra coisa que não prestar atenção aos dois amigos. Por mais que a curiosidade os corroessem, sabiam que não deveriam ficar escutando esse tipo de conversa. Os olhos de Harry, entretanto, fixaram-se no padrinho.


- Ela só os enfrenta sozinha porque quer. Eu não sei mais o que fazer, a Ariadne está virando uma incógnita para mim, Remus! Já não sei se a conheço mais, embora saiba de todos os seus segredos. Nem sei mais se ela realmente me ama como disse minutos atrás.


- Ela disse isso e... Mas, por que vocês estão assim?


Soltando uma risada amargurada, Sirius olhou para Remus:


- Ela não quer me ver morrer.


- E para você é mais fácil desdenhar, falando dessa maneira, a compreendê-la.


Sirius e Remus olharam para Charlie, que havia se aproximado dos dois e falou aquilo, irritado.


- E o que você quer, Weasley? Que eu aceite incondicionalmente e sem protestos as sandices que ela faz, assim como você? - Sirius retorquiu irônico.


- Se você a amasse, sim.


- Então por que você não vai atrás dela? Vá aceitar as idiotices de Ariadne, já que faz tanta questão! - Sirius falou agressivo.


- Eu não vou fazer nada disso, porque o amor que ela precisa não é o que eu sinto por ela. - Charlie viu a expressão de Sirius amargar de ciúme, mas não se importou. - Não é o amor de um amigo que ela precisa, Black, e sim o seu - o rapaz falou quase agressivo. - Ela precisa saber que é amada para se entregar, para perder o medo e agir como ela realmente é.


- Então, surpresa, Weasley: ela sabe que eu a amo. Sabe que não me importo com a situação dela. Mas eu não vou desenhar para que ela consiga entender de uma vez por todas - Sirius disse entre os dentes.


- Estou vendo como a ama. A maneira com que você está demonstrando é realmente primorosa, Black! Imagino então como você demonstrou amá-la durante o tempo em que ficaram juntos, anos atrás.


- Você não sabe de nada. - E se Remus não tivesse segurado o amigo, com certeza Sirius teria dado um murro bem dado no rapaz à sua frente.


- Não sei como foi seu passado com Ariadne, realmente. Mas estou vendo a maneira com que você está agindo agora. - Charlie não parecia se importar com a reação do ex-prisioneiro. A única coisa que queria era abrir os olhos daquele homem, e, assim, ajudar sua amiga o máximo que pudesse. - Você tem tanto medo quanto ela, Black. Mas, do que você tem medo, de verdade? Que ela se canse de você depois de um tempo? Pois, se pensa assim, surpresa, Black: você realmente não conhece Ariadne. E não merece o amor que ela sente por você, apesar de seus medos.


Sirius sentiu ganas de avançar em Charlie mais uma vez, descontar toda a raiva que sentia naquele imbecil que não sabia de nada! Mas, novamente, foi impedido por Remus. Ele ainda ficou encarando o amigo de Ariadne até que o mesmo saiu da Enfermaria. Com certeza indo atrás dela, Sirius deduziu, o monstro do ciúme deixando-o furioso.


Somente depois de perceber o amigo controlado, que Remus o soltou.


- Você pensa como ele, não pensa? - Sirius perguntou depois, quase agressivo.


- O que eu acho é que vocês dois estão sendo uns orgulhosos e cabeças-duras. Como sempre foram. - Mas o olhar de Remus também dizia algo que irritou Sirius.


- Eu não tenho e nem estou com medo, Remus. A questão é que já fui atrás dela muitas e muitas vezes - Sirius falou, interpretando aquele olhar. - Até mais do que meu orgulho permite, então, não me acuse de orgulhoso quanto a isso. Mas, dessa vez, não vou mais. Cansei. É a vez de Ariadne se decidir e dar o próximo passo. - E também saiu do foco dos olhares indagadores daquela Enfermaria. E dos olhares preocupados de Remus e Harry.


 


xxx-xxx


N/B: Liv querida, que capítulo!!!!!!!!!!!!!!! Eu fiquei grudada na tela o tempo todo. O que foi isso? Quanta emoção, quanto capricho, quanto amor... Nossa e falando de amor. Minha nossa senhora dos frios na barriga! Pela fada protetora das escritoras de NC, a cena Rony e Mione foi perfeita! Fofa, delicada e intensa. A Ari e o Sirius também estavam perfeitos. Fiquei com pena dos 3 (eu incluo o Nicola nisso também). A Tonks gravidinha que linduuuuu!!! Isso é que foi presente de aniversário, fala a verdade. Me deixar ler em primeira mão esse primor, foi TDB!!! Se eu gostei do capítulo? Foi de longe um dos meus preferidos. Bjks, te amo.


N/A: Oh, my Gosh! Mais um capítulo que eu suspiro profundamente depois de terminar! Tão “Gropesco” que tenho que massagear as mãos após terminar (e isso é realmente verdade!). Mas, é isso aí... O dia e dias após a última batalha e suas conseqüências que, infelizmente, acarretam.


E sim, a fanfic já está terminando. Minha primeira história! Meu bebê! (autora emocionada) T.T


Mas ainda teremos um capítulo Bônus antes do Epílogo! \o/ É, Livinha é boazinha!rsrs.. Então, me aguardem que eu ainda volto com o fim (se feliz ou não) dos nossos amores!


Obrigada a todos que acompanham a fic! Especialmente:


Priscila Louredo, obrigada mana!!!!! Amo você!


Sana: eternidade nada!! Olha euzinha aqui marcando presença 13 dias depois!!!rsrsrs... E.. Feliz Aniversário! É atrasado, mas o que vale é a intenção :D Espero que tenha gostado! Beijos.


Suicidepotion: ah, que bom que gostou!! (olhinhos brilhando) E não, este não é o último, como eu disse.. tem o cap28, que vai ser mais um bônus e, depois, o Epílogo!! Espero que tenha gostado deste capítulo.. beijos.


Danielle Pereira: adorei seu review!! A parte da deusa também adorei escrever! *-* e a do Harry.. *-* Espero que suas perguntas tenham sido todas respondidas... *Liv pára e pensa.. é..acho que sim..rsrs.. Muito obrigada pelo elogio, linda!!! Beijos muitos pra ti! (Já reparou que, nas duas vezes que vc pediu att, eu att no mesmo dia?? O.O Louco, isso!rsrs.. )


Kelly: certo..como adora dizer nossa querida Sô.. vamos por partes..rsrs.. que bom que gostou da minha “luta final”! Foi tão complicado escrever sem parecer piegas.. ¬¬’ E você acha que eu ia fazer algum mal real pro Charlie?? Só se eu fosse doida!!rsrsrss..E sim, o Nicola é um dos meus personagens preferidos, embora ele não dê muito as caras...Que bom que gostou! E.. dois dias??? (sabe, é muito bom ler algo assim!!) E quanto a sua ameaça..quero dizer, sutil aviso..rs..pode deixar que vai ficar tudo nos conformes.. (Liv, A Terrível, ameaça dizer algo mais, mas...) (E louca pelo encontro!! Chega, novembro, chega!!!) Beijos, mana!! Adoro!


Amanda Regina Magatti: opa! Quem é vivo sempre aparece! Hihihihi... E o “vamos comemorar, amor!” vai ter que ser apenas do Harry e da Ginny.. (por enquanto?? Sei, não..rsrsrs) Muito obrigada pelo elogio, Amanda! *-* Beijos pra você!


Bianca Evans: *-* Que bom que gostou do capítulo anterior!! E até que não demorei pra atualizar, né?? Espero que tenha gostado! Muito obrigada pelo elogio! Beijos...


Renata Di-Lua Lovegood: bom saber que você deu uma sumidinha, mas continua lendo, Renata! Fico feliz! E sim, a fic já está chegando ao fim, como falei acima... Dois capítulos. T.T Também vou sentir falta.. Espero que tenha gostado deste capítulo! Um beijo grande pra você!


Mizita: sem problemas quanto a demora, Michy... sei muito bem como é “trabalho-faculdade”.. (Merlin nos ajude!!rs) E modem ainda pra ajudar..aff.. Bom, apesar de não ter sido sua batalha preferida, espero que tenha gostado mesmo assim! E, pois é.. filho de Ariadne e de Sirius não poderia sair nenhum calminho e santo..rsrs.. gênios fortes!  E o coment não foi xoxo! Adorei, viu! Espero que tenha gostado do capítulo! Beijos...


Tina Weasley Potter: bom, a Ari não morreu, mas... vamos ver como sucede o resto..rsrs.. E gostou da NC R/H?? E acalme-se que logo terá mais NC’s... Espero que tenha gostado do capítulo! Beijos, guria!! (Eu clico no seu nome, mas não aparece a lista das suas fics! Aparece 01 fanfic escrita, mas não mostra ela, embaixo. Manda o link pra mim!)


E aquém deu aquela passada básica sob uma das Relíquias...


Espero sinceramente que tenham gostado.


Beijos da Livinha

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