FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

22. Cap. 19: Porque tem que ser as


Fic: Harry Potter e o Encontro das Trevas - por Livinha


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

Capítulo 19


Porque tem que ser assim


 “Que o amor,
cuja vista é sempre vendada,
encontre, sem os olhos,
caminho franco para sua vontade!”


 (Shakespeare)



Quando eles chegaram à Toca, perguntas acerca do estado de Sirius foram inevitáveis. Porém, Harry as respondeu com um sincero sorriso em seus lábios. A Sra. Weasley, aparentemente em melhor estado depois da briga com Charlie, de manhã, e satisfeita em ter os garotos de volta, fez com que os três sentassem-se à mesa, servindo-lhes uma deliciosa sopa quente e pedaços de pão.


Harry, por várias vezes, lançava olhares para Ginny, mas a garota sequer parecia ter notado sua presença. A única vez em que ela o olhara foi quando chegou na casa pela lareira e, mesmo assim, não foi um olhar acolhedor. Ele sabia que merecia toda aquela indiferença pelo que havia feito à garota. Entretanto, o fato de se sentir-se não-merecedor também gritava em sua cabeça. E esse pensamento só o fez sentir falta dela em Hogwarts, mesmo não tendo demonstrado para os amigos.


Mas também havia o que ele havia dito a Sirius. Se ele, Harry, fazia tudo isso para protegê-la, e Ginny sabia disso - tanto é que parecera compreender no enterro de Dumbledore -, por que agora ela o condenava por esta decisão? Só porque ele não fora, realmente, a uma caçada às Horcruxes de Voldemort?


Harry perdeu-se em pensamentos, sua colher fazendo redemoinhos no caldo em seu prato.


- Em que você está pensando, Harry?


O garoto se sobressaltou levemente, erguendo os olhos para deparar-se com os castanhos de Hermione, que sentara ao seu lado. A amiga o olhava com astúcia, embora ele duvidasse que ela acertasse seus pensamentos.


- Você está pensando na professora Lakerdos, não está? - Hermione sussurrou, percebendo que ninguém parecia prestar atenção neles.


E realmente não acertou.


- Estou - mentiu Harry. Não que ele gostara de tê-lo feito, mas é que não queria que a amiga o olhasse com pena se revelasse seus pensamentos, além de, obviamente, também estarem em frente à dona dos mesmos.


Ainda sentindo o olhar de Hermione sobre si, a olhou novamente.


- O que foi?


Relanceando seu olhar mais uma vez pela cozinha, a morena viu que ninguém prestava atenção neles - o Sr. Weasley lendo a edição vespertina do Profeta Diário, atrasado; a Sra. Weasley terminando de ajeitar sua cozinha, e Ginny tão interessada no pudim que chegava a ser estranho.


- Acho que acabamos, não? - Hermione disse sugestiva.


Harry a viu virar-se para Ron, com certeza falando a mesma coisa, pois ele viu seu amigo fazer uma careta. Mas Hermione deve ter murmurado algo mais, pois logo o ruivo se levantava.


A Sra. Weasley ainda os questionou, pois, para ela, os garotos pareceram ter comido rápido e pouco, mas eles logo subiam as escadas na direção do quarto de Ron. Antes, Harry ainda se permitiu olhar para Ginny, que finalmente o encarara, mas o olhar dela mostrava algo entre tédio e indiferença. Uma reaproximação, como Sirius o aconselhara fazer, ficava mais difícil a cada momento.


- Então, o que vocês acham disso tudo? - Os três estavam a portas fechadas, no quarto de Ron, quando Hermione fez a pergunta. - Eu sei que a Profa. Lakerdos é amiga de Charlie, Ron, mas será que ele a conhece de verdade como diz?


O garoto coçou a nuca, fazendo uma careta com os lábios, que logo formaram um sorriso contido.


- Olha, Mione, o Charlie sempre soube escolher suas amizades. E ele nunca apareceu aqui antes com uma psicopata.


- Não é hora para brincadeira, Ronald. E sua mãe também não confia na Professora - ela disse entre os dentes.


- Como você sabe disso? - Ron perguntou com os olhos quase esbugalhados. Harry também tinha toda a sua atenção voltada para a amiga.


- Bem... Quando eu cheguei de manhã, Charlie estava contando onde vocês estavam e, pelo que eu percebi, ele disse que entrou no Ministério com a Profa. Lakerdos e Remus para resgatar Sirius, embora não tivesse dito como.


- Ah, então me deixe adivinhar - Ron falou, acomodando-se melhor em sua cama. - Mamãe pirou quando ouviu isso, não foi?


- Foi.


- Ela falou por que não confiava? - Ron inquiriu, sua expressão mostrando toda a curiosidade que ele tinha deste assunto.


- Não. Achei que você soubesse...


- Você não sabe, Ron? - Harry perguntou, olhando para o amigo.


- Não. Na verdade, ninguém aqui em casa sabe por que a mamãe não gosta de Ariadne Lakerdos. Acho que os únicos que sabem são o papai e Charlie.


- Bem - Hermione disse com uma feição nada boa -, ela agiu como se tivesse repulsa pela professora.


- Mas...  isso não quer dizer muito, quer? - perguntou Harry. - Afinal de contas, ela destruiu uma Horcrux e me entregou. E sabemos que havia magia negra na taça de Hufflepuff, pois o próprio Remus confirmou. E ele também disse que podíamos confiar na professora.


- Será que ela não fez isso apenas para ganhar sua confiança, Harry? - Hermione insistiu. - Porque ela nem impediu que os vampiros levassem o Cetro de Ravenclaw, certo? E também, quando a outra vampira encontrou vocês na floresta, ela não fez nada!


- Mione, eu não acho que a Ariadne seja uma traidora - Ron falou. - Olha, ela já veio aqui algumas vezes. Certo que a mamãe nunca gostou, mas, quando você a vê junto com meu irmão, não dá para perceber em nada que ela possa ser uma traidora. Além disso, eles são amigos desde que Charlie foi para a Romênia.


- E ele a conheceu lá? - a garota perguntou.


- Isso.


- Ele falou como?


- Não, mas... No que você está pensando, Mione?


- Que o famoso castelo de Conde Drácula fica na Romênia, Ron.


- Espera um pouco - Harry disse, erguendo as mãos como se isso o firmasse no que dizia. - Vocês se lembram o que a Profa. Lakerdos disse? Ela falou que os vampiros são cruéis, sentem prazer em sugar todo o poder dos bruxos através das mordidas. E se nossa professora fosse um, ela já teria mordido Charlie.


- Mas ela também disse - Hermione continuou -, que um vampiro pode se controlar quando quer. E vocês já repararam quando ela fica nervosa? Realmente nervosa?


- O quê? - os garotos disseram ao mesmo tempo.


- Os olhos dela ficam vermelhos.


- Como assim?


- Ora, vermelhos, Ron. - E com uma feição mais decidida, Hermione continuou: - Ela sempre desvia o olhar quando está irritada, ou então fica de costas. A maioria das vezes, de costas. Mas eu já vi os olhos dela vermelhos. Uma vez só, mas vi. E não acho que isso seja boa coisa, não?


- Se ela fosse uma aliada de Voldemort, por que estaria forçando tanto que aprendêssemos DCAT? Ou então nos entregar uma Horcrux de Voldemort?


- Mas, como a Mione disse - Harry falou, depois da questão levantada por Ron -, Ariadne deixou o vampiro levar o cetro.


Nenhum dos três disse mais nada. O silêncio foi quebrado, depois de um tempo, por três batidas secas na porta, a qual foi aberta logo em seguida.


- Ora, mas o que vocês ainda fazem acordados? - perguntou a Sra. Weasley. - Hermione, querida, a sua cama está pronta no quarto da Ginny.


A mulher foi até o baú que ficava perto do guarda-roupa de Ron e, depois de fazer um floreio com sua varinha, armou uma cama para Harry ao lado da do filho.


- Ora de dormir, crianças. - Chegando à porta, virou-se para Hermione. - Vamos, meu bem, os garotos têm que trocar de roupa.


Hermione sentiu-se corar. Ninguém da família Weasley ainda sabia que ela e Ron estavam juntos, mas a vontade de dar um beijo de boa noite no namorado teve que ser segurada. Porém, antes que ela erguesse da cama, Ron segurou seu pulso discretamente.


- Mamãe, a gente só tem que falar uma coisa à Mione. Ela já vai para o quarto da Ginny. Não vai demorar - Ron emendou ao ver a mãe abrir a boca para protestar.


- Bem, se não vai demorar... Boa noite, meus queridos. - E depois de dar um beijo de boa noite em cada um, a Sra. Weasley saiu do quarto.


- Vou ao banheiro - Harry disse prontamente ao ver o amigo lhe lançar um olhar que, ele percebeu, o mandava cair fora do quarto.


Somente quando a porta estava devidamente fechada que Ron grudou seus lábios nos de Hermione.


- Sabia que esse foi o primeiro beijo que você me deu hoje? - ele falou com suas testas encostadas, pegando ar depois do beijo. Suas mãos já treinadas estando tanto nos cabelos da namorada, quanto na cintura dela a fim de aproximá-los mais.


- Eu não te dei beijo algum hoje, Ron - Hermione disse sorrindo, suas unhas passando levemente pela nuca do namorado. - Pois, agora, foi você quem me beijou; eu apenas retribuí como a namorada primorosa que sou.


- Ah... Então você não pode passar esse dia em dívida comigo, não acha? Já que você é uma namorada tão primorosa...


- Não vou ficar em dívida não...


A intenção de Hermione era, realmente, dar apenas um beijo em Ron para depois seguir até o quarto de Ginny. Mas parecia que a boca do rapaz era enfeitiçada para que ela não a largasse de maneira alguma. E sem que percebesse, já deixava suas sensações comandarem... ou serem comandadas por Ron. Este já se encarregara de passar o braço possessivamente pela cintura de Hermione, trazendo-a mais perto ainda. Contudo, como ainda estavam sentados na cama, as pernas cruzadas na frente dos corpos atrapalhavam essa aproximação. Ron, então, afastou as suas para que conseguisse deslizar a namorada mais uma vez naquela cama.


Hermione logo ficou de frente para ele; e, ainda sentados, as pernas tentavam se encontrar e encaixar da melhor maneira possível. Os corpos cada vez mais juntos, cada vez mais íntimos.


Porém, ao ouvir batidas suaves na porta, Hermione desviou sua boca da de Ron.


- Ron... é o Harry - ela falou com a respiração ofegante.


- Ele espera... - o ruivo murmurou.


- Mas e se sua mãe vier aqui de novo? Acho melhor eu ir...


- Acha mesmo?


- A-acho - Hermione gaguejou, sentindo seu corpo ficar mole e em seguida se arrepiar de maneira gritante quando uma mão de Ron começou a deslizar por seu corpo, alcançando curvas nada apropriadas praquele momento sobre sua roupa.


Entretanto, as batidas da porta ficaram mais fortes, o que fez Ron soltar uma imprecação.


- Boa noite, Ron - Hermione disse com um sorriso, dando um leve beijo nos lábios do namorado.


- Era para ser boa mesmo, se não fosse o Harry - falou irritado, no que Hermione riu.


- Nem vem, Ron - a garota disse, terminado de ajeitar suas roupas e cabelo, indo então até a porta do quarto. - Eu não vou fazer nada enquanto estiver aqui.


- Por quê?!


- Ora, por que...  - As bochechas de Hermione coraram, mas ela mantinha seu olhar firme nos olhos de Ron. - Seria falta de respeito com seus pais, Ron. E eu não vou... ahm... me agarrar com você, aqui na sua casa.


Hermione abriu a porta, querendo deixar aquele assunto por encerrado, e foi finalmente para o quarto de Ginny.


- Você usou rápido o banheiro, não? - resmungou Ron, saindo do quarto também.


Harry apenas arqueou as sobrancelhas. Rápido? Se ele ficasse mais, poderia hibernar lá dentro!


xxx---xxx


Sentou-se na cama, soltando um bufo exasperado. O rapaz ao seu lado sequer deu indícios de que escutara a imprecação que havia dito também, pois continuava a roncar e dormir pesadamente. A insônia há um bom tempo o perseguia, mas, quando não era ela, eram os pesadelos que o perturbavam.


Em sua cama montada, Harry ficou de joelhos para alcançar seu relógio.


 “Bem, ao menos dormi um pouco”, ele pensou aborrecido depois de verificar as horas.


Recolocou o relógio em cima da pequena mesa do quarto de Ron e deitou-se novamente. Mas, ou os roncos do amigo pareciam tambores de banda escolar, ou, mais uma vez, a insônia iria se sobressair naquela noite. Harry então fez única coisa que parecia sensata, uma vez que ficar naquele quarto com algo que lembrava um trasgo, bem ao seu lado, o estava irritando. Logo ele chegava à cozinha. Serviu-se de um copo d’água e foi para a sala, de onde conseguia ver facilmente o cômodo anterior, embora ele se encontrasse na penumbra.


Sua cabeça começou rapidamente a pensar em todos os acontecimentos daquele dia.


Era estranho, mas também bom demais, ter Sirius de volta. Realmente para ele foi como se o padrinho voltasse da morte, trazendo-lhe luz e esperança na situação em que o garoto se encontrava. Entretanto, pensar em Sirius e no dia que eles passaram foi também pensar em Ginny e no conselho que o padrinho lhe dera.


- Ginny... - O nome dela parecia brincar em sua boca. Será que ele estava fazendo tudo errado, como seu coração tanto gritava? Será que sua razão estava agindo irracionalmente?


 “Às vezes é bom pensar menos e sentir mais, Harry”. A voz do padrinho ecoava em sua cabeça. E talvez fosse apenas coincidência, ou a mão do destino - como ela chamaria mais tarde, em seu quarto, junto de Mione -, mas, foi terminar de pensar no que Sirius lhe dissera, que Harry viu Ginny na cozinha.


Com certeza ela não o havia percebido na sala, senão Ginny não beberia a água em seu copo com tamanha tranqüilidade.


Silenciosamente, Harry foi até onde a garota estava. Não soube se ela o percebera, mas viu que o corpo dela se retesou levemente. E foi num gesto quase automático que ele levara sua mão ao fim do cabelo dela, sentindo aquela saudosa maciez. Isso foi o bastante para Ginny se virar, com os olhos arregalados.


Por um momento ninguém disse nada, mas, o monstro particular de Harry, que há muito tempo vivia encolhido num canto escuro, urrou em protesto por aquela quebra de contato. O protesto logo virando um lamento ao deparar-se com um brilho castanho na penumbra.


Somente quando Ginny sentiu sua respiração começar a pesar, foi que seu cérebro percebeu a situação em que estava. Harry muito perto dela, olhando-a com tanta dor e saudade. Mas também amor, se é que ela estava vendo certo. Baixando um pouco a cabeça, apenas o suficiente para olhar à frente - e não acima, uma vez que era mais baixa que o rapaz -, ela desviou-se dele, intencionando voltar para seu quarto.


 


, ela logo sentiu seu corpo se arrepiar por inteiro quando algo quente segurou seu braço. Um cheiro muito conhecido, quase que de maneira automática, adentrando suas narinas, fazendo seu estômago sentir-se invadido por milhares de borboletas agitadas e seu coração disparar descompassado.


- Me solta, Potter – Ginny ainda conseguiu dizer indiferentemente.


Mas Harry não o fez. Na verdade, parecia mais entorpecido com a proximidade de Ginny. O cheiro do cabelo dela, o calor daquele corpo...


- Harry, me solta – ela falou mais firme e o encarando.


Porém, aquilo pareceu um erro. Estavam próximos demais. O bastante para fazer o rapaz oscilar e deixá-lo mexendo a boca durante um tempo que pareceu a Ginny ser uma eternidade.


- Ginny, eu... - Harry finalmente conseguiu falar, mas logo Ginny o cortava.


- Se você não me soltar, eu vou gritar. – Ela sentia uma crescente irritação invadi-la. – E eu não acho que você vai se sair bem, caso meus irmãos desçam essas escadas.


- Eu não tenho medo deles, Ginny. E eu só quero conversar com você.


Ela riu sarcástica.


- E sobre o que você quer conversar comigo, Harry? Acho que já conversamos o bastante no Dia das Bruxas. Ou não?


Harry sentiu um aperto na garganta ao ouvir aquilo. Pareceu que, por um momento, nem conseguiria respirar se tentasse.


- Eu... não esqueci o que aconteceu no Dia das Bruxas, Ginny. De absolutamente nada.


- Muito menos eu – ela retorquiu friamente, soltando-se de Harry e indo na direção das escadas.


- Por favor, Ginny... Eu realmente preciso falar com você!


E a aflição daquele pedido foi tanta, que Ginny acabou hesitando nos primeiros degraus da escada. E Harry quase soltou o ar preso em seus pulmões, aliviado. Quase.


- Certo – ela disse, virando-se para ele e cruzando os braços na altura do peito, mas sem descer um degrau da escada. – O que você quer falar?


Por um momento, Harry sentiu sua coragem querer abandoná-lo, pois ver os olhos de Ginny tão duros e acompanhados da voz indiferente dela fez com que pensasse que estava tudo definitivamente perdido.


- Eu... ah... Nós podemos conversar em outro lugar? Lá fora?


- Por quê? – ela perguntou aborrecida. – Está de noite e um frio de congelar.


- Eu sei, mas... É que eu não quero que ninguém nos atrapalhe.


A primeira coisa que veio na cabeça de Ginny foi dizer a Harry que, se ele quisesse conversar com ela, teria que ser ali. Ela não iria sair para os jardins de sua casa e enfrentar um frio enregelante a fim de falar algo que não dizia respeito a ela. Não mais. Ela conseguira, e muito bem, não pensar em Harry nessas semanas, não pensar na dor que ela sentia desde que eles se separaram pela primeira vez, e que só aumentara no Dia das Bruxas.


Ela o esquecera. Estava vivendo sua vida como mandava o figurino. Estudando, dormindo, comendo, bebendo, treinando Quadribol como nunca treinou na vida. Para que ela iria mudar isso? Estava tudo como tinha que estar! Estava tudo perfeito, obrigada. Além disso, para que ela conversaria sobre algo que não tinha mais o que se comentar? Para que ela escutaria o que Harry tinha a dizer? Aquelas explicações que sempre a enervavam, que a faziam ter vontade de quebrar a cara do garoto que ela mais amou em sua vida e que, também sabia, iria amar para sempre... Para sofrer ainda mais?


Ginny só percebeu que voltava a subir as escadas quando a voz de Harry a tirou do torpor que se encontrava.


- Aonde você vai? – Ela percebeu que a aflição não o deixara.


- Eu... – Deu um suspiro cansado. – O que você acha, Harry? Estou indo ao meu quarto buscar um agasalho, pois não quero congelar lá fora. – E subiu as escadas, chegando rapidamente em seu quarto.


Harry a seguiu e, mesmo pensando que se deixasse a porta do quarto da garota, ela não sairia de lá, ou então quando voltasse à cozinha e não o visse, ela desistiria, também foi para seu. Não era burro e também sabia que, se saísse para os jardins d’A Toca com apenas seu pijama, congelaria. Então, quando chegou ao quarto que divida com Ron, pegou a primeira coisa que viu: uma pequena manta que estava sobre sua cama. Não poderia revirar os malões, senão acordaria o amigo, além de não querer perder muito tempo. E em poucos instantes, já estava novamente em frente ao quarto de Ginny.


Mas ela começou a demorar. Já devia ter dado tempo de a garota ter pegado agasalho até para a família toda! Mas por que ela estava demorando tanto? Harry cogitou que ela estivesse esperando por ele na cozinha, pois ele não tinha certeza se Ginny percebera que fora seguida. Então, desceu as escadas o mais rápida e silenciosamente que conseguiu. Não encontrando Ginny o esperando por lá também, entretanto, sentiu que seu coração sairia pela boca. Ela havia desistido. Era certo. Será que se ele entrasse no quarto dela e pedisse para ela falar com ele, a ruiva cederia? Merlin, como era horrível provar do próprio veneno...


Porém, seus pensamentos foram interrompidos quando ouviu o degrau da escada rangendo. Automaticamente, Harry sentiu os pêlos de sua nuca eriçar, assim como seu corpo aquecer. E quando a viu, não conseguiu conter um sorriso aliviado. Reações que Ginny não viu ou percebeu, pois estava mais concentrada em olhar para os degraus da escada para não tropeçar naquela penumbra, enquanto também amarrava o roupão felpudo que vestia.


- Vamos? – ela perguntou, tirando Harry de seu torpor.


Se ele percebeu a voz dela soar rouca, mas também indiferente, não demonstrou. Apenas foi até a porta da cozinha, abrindo-a, deixando Ginny passar antes dele e fechando a porta logo atrás.


Não estava nevando, mas uma brisa gélida balançava levemente os cabelos de ambos. Ginny rapidamente aconchegou-se dentro do roupão, praguejando o vento frio; Harry ainda segurava a manta nas mãos, como se não sentisse o frio que já começava a deixar os dedos de suas mãos dormentes.


Nenhum dos dois disse nada, sequer se olhavam. Agora que estavam ali, juntos e sem ninguém para atrapalhar, Harry não sabia como começar. Já abrira a boca algumas vezes, contudo nenhuma voz saíra. Não conseguia nem chamar Ginny para que ela ficasse de frente para ele, e não de costas, como estava no momento.


- Você... demorou – falou, por fim, com os olhos cravados na nuca da garota. – Achei que tinha desistido.


Ginny então se virou, mas apenas para que Harry visse seu perfil. Queria retrucar com rudeza, embora não soubesse mais se a raiva que estava dentro dela fosse por culpa do garoto ou dela mesma. Cogitara, realmente, em não voltar à cozinha. O pensamento de que deveria deixar tudo como estava martelava mais que nunca em sua mente. As palavras dele, a expressão... tudo o que passaram no baile do Dia das Bruxas lhe aparecendo como se fosse um filme, bem à sua frente.


Mas Ginny não agüentava mais. Não agüentava tratá-lo com raiva, com frieza; seus olhos sempre o olhando com indiferença... No começou era até fácil, seu mecanismo de defesa. Entretanto, agora apenas lhe fazia mal. A dor que via nos olhos de Harry a machucava, mas a sua própria dor não a deixava se aproximar do garoto, pedir explicações, pedir socorro... Não para ter mais dor com isso.


- Eu pensei mesmo em não descer – Ginny disse num murmúrio, olhando além das árvores que ladeavam a propriedade. – Pensei em voltar para cama, te deixar esperando... Mas eu não agüento mais, Harry.


Harry sorriu levemente. As palavras de Ginny tão parecidas com as que ele queria dizer. Ele também não agüentava mais. Ia dizer isso a ela, mas Ginny o olhou e o que viu nos olhos da garota fez com que seu sorriso sumisse imediatamente. Cansaço, dor... muita dor.


- Eu tive que descer, porque... – Ginny desviou o olhar novamente. O botão da camisa de Harry nunca lhe parecera tão interessante. – Eu não quero que você continue me perseguindo, Harry. Não quero que você continue me olhando do jeito que vem me olhando. Do jeito que está me olhando agora!


- Ginny... – começou Harry quase desesperado. Deu um passo na direção da garota, mas ela ergueu a mão, o impedindo.


- Não, Harry, por favor!


Ginny sentiu um bolo se formar em seu estômago quando encarou Harry novamente. Mas não desistira de falar tudo o que precisava, não desistiria do que deveria ser feito.


- O que você disse àquela noite, doeu muito. Ainda dói! Você disse como se... como seu eu fosse...


- Eu sei – murmurou Harry. – Você não faz idéia do quanto me arrependo, Ginny.


A garota soltou um suspiro cansado, abraçando o próprio corpo em seguida como se quisesse aquecer-se. Mas nada adiantou. Era como se o frio que sentia se alojara dentro dela. Um frio que vinha de dentro para fora.


- Desde que eu saí daquela sala – ela continuou –, pensei muito no que aconteceu entre a gente. Em tudo, Harry, sem esquecer um minuto que passamos juntos, sendo como namorados ou não, e... E eu...


Ginny respirou fundo. Uma ardência horrível subindo por sua garganta e atingindo o nariz, até os olhos... que marejaram imediatamente.


- Eu tentei, Harry. Tentei por mim, por você. Tentei pelo que eu sentia e pelo que achei que poderíamos ter. Mas foi apenas uma ação tola. No começo, eu...


- Ginny, não!


- No começo – ela continuou firme –, eu investi achando que conseguiria, só que as conseqüências dos meus atos não foram as esperadas. Você se afastou de mim e, finalmente, quando tudo parecia dar certo...


Ela soltou um suspiro trêmulo. Levou a mão ao rosto para secá-lo, pois as lágrimas já tratavam de molhá-lo.


- Eu não quero mais, Harry – ela disse firme, encarando-o. – Não vou mais lutar, estou cansada dessa guerra fria que a gente travou. Cansada de sofrer por algo que, há algum tempo, não está mais valendo à pena. Cansada de ser posta de lado, de ser rejeitada... De lutar por algo perdido!


Harry não sabia dizer qual frio era pior naquele momento. Se o externo, com o vento gélido e os primeiros flocos de neve que começavam a cair, ou o inverno que se alojara em sua alma seguido daquelas palavras.


- E se eu pedir para você não lutar?


A voz dele estava tão baixa, que Ginny achou que não entendera direito.


- Como?


- Não precisa lutar, Ginny, mas também não me impeça de tentar.


- O quê? Tentar, Harry?! – perguntou frustrada. – Agora você quer tentar? Depois de tudo o que aconteceu?


- Por isso mesmo! – falou ansioso e dando um passo na direção da garota. – Ginny, ao seu lado eu vivi os melhores momentos da minha vida! E eu não quero que isso se perca e nem quero esquecê-los. Eu não posso! E você também não, eu sei disso!


- Mas vou, Harry – ela disse abalada, desviando seu olhar do de Harry. – E você também. Foi só um sonho, um conto de fadas que eu pensei que pudesse ser real. Mas o sonho virou pesadelo, e eu não quero continuar com isso.


- Não era sonho, droga! – ele falou frustrado. Harry jogou no chão a manta que tinha nas mãos e foi até Ginny, segurando-a pelos ombros e quase a chacoalhando como se quisesse tirar, à força, a apatia da garota. - Era real, Ginny! O que vivemos AGORA é um pesadelo! E eu quero acordar dele, mas com você ao meu lado.


Ginny soltou-se de Harry e passou as mãos pelo rosto de maneira cansada. Um misto de sensações se apossou da garota. Frustração, cansaço e irritação. Ela não sabia o que pensar, embora a certeza de que devesse deixar seu amor pelo rapaz de lado não saísse de sua cabeça. Ela estava machucada demais, dolorida demais. E a opção de desistir de Harry lhe era tentadora de uma maneira que... que só fazia tudo piorar.


- Eu... – ela hesitou. Não tinha coragem para olhá-lo e dizer o que devia. Seria mais difícil. – Eu não quero, Harry.


- Ginny...


- Eu não vou agüentar que você me rejeite novamente, que peça para eu me afastar... Eu não agüento viver de ilusão, Harry. – E o olhou – Eu não quero.


- Eu não vou pedir que você se afaste, Ginny. Não mais.


- Você vai, Harry. Sabe que vai.


Ela então desviou o olhar mais uma vez, com a pretensão de voltar para dentro de casa, para a segurança e o consolo de seu quarto. Mas Harry não deixou. Ficou na frente dela como se fosse uma muralha intransponível e, muito perto, ergueu o rosto dela para que o encarasse.


- Não vou pedir, Ginny – falou, olhando-a intensamente. Os olhos verdes-esmeraldas brilhando mais que nunca. – Eu não vou, porque, ao menos uma vez na vida, quero ser egoísta. Quero você ao meu lado, na minha vida... Quero você para mim, porque não consigo mais viver sem você, não quero mais viver assim. Te quero para mim, só para mim!


Ginny queria acreditar, precisava. Mas sua mágoa a forçava retroceder, a não deixar que Harry a olhasse daquela maneira, a tocasse daquele jeito enternecedor...


- Você... você está congelando... – falou apressada e soltando-se dele.


Ela olhou em volta, encontrando então a pequena manta jogada no chão. Pegou e a chacoalhou, fazendo com que os poucos flocos de neve se soltassem, virando então para Harry e passando a manta ao redor dele.


- Você vai acabar adoecendo dessa maneira.


Ginny tentou se mostrar impassível, mas ainda não tivera coragem de encarar Harry ou de, simplesmente, soltar a manta. Harry então segurou as mãos dela com uma das suas para em seguida, e com a mão livre, erguer o rosto de Ginny, fazendo com que ela o encarasse mais uma vez.


- Eu não vou adoecer com uma neve idiota – ele falou simplesmente. – Mas o frio que eu sinto quando estou longe de você vai me matar, Ginny. Já está me matando!


Ele inclinou o rosto a fim de beijá-la, mas Ginny não deixou.


- Não, Harry, por favor. Eu não vou agüentar ser magoada mais uma vez. – Ginny estava cansada e tentava, sem sucesso, se soltar do garoto.


- Ginny, meu amor, eu não vou te magoar, não vou te rejeitar! – falou quase desesperado para que ela entendesse de uma vez por todas. – Eu só quero mais uma chance. Eu preciso, mesmo que seja a última! Me dê essa chance, Ginny, para te provar que a gente ainda pode ser feliz!


- E a gente pode, Harry?


A garota o olhou. Seus olhos estavam vermelhos e inchados, mas não derrubavam mais lágrima alguma, e o vento cuidara de secar seu rosto, agora marcado pelas lágrimas.


- Eu quero tentar, Ginny. E vou lutar até o fim pelo que eu sinto por você.


- E você sabe o que sente por mim, Harry?! – Ginny perguntou numa última tentativa. – Eu sei o que sinto por você, mas se eu me iludir novamente, se eu me machucar mais uma vez, meu amor pode se transformar em algo que eu não vou conseguir lidar.


- Eu não sei... – Harry falou cansado. – Quero dizer... Eu nunca soube como lidar com o que eu sinto, Ginny, com minhas emoções. Nunca fui bem tratado. Eu só sabia o que era humilhação, desprezo, e só podia sofrer isso em silêncio. Nunca recebi carinho ou algum gesto desinteressado até chegar em Hogwarts, e, mesmo assim, a humilhação e o desprezo continuaram a fazer parte da minha vida.


Harry soltou um suspiro cansado. E então continuou:


- Não sei se isso serve de desculpa ou consolo, Ginny, mas, para mim, foi complicado. Eu só descobri que Sirius me era mais que um padrinho, quando o perdi; que Dumbledore era mais que um diretor, quando o vi caído naquele pátio.


- O que isso tem a ver conosco, Harry?


- Que eu só descobri o que sinto por você quando não te tinha mais. Percebi que meu sentimento ia além de “gostar”, Ginny, quando vi seus olhos cheios de dor e indiferença. Percebi que não sentia nada tão simples e que precisava de você ao meu lado, de olhar para você, te tocar...


Ginny sentiu seu corpo se esquentar quando a mão de Harry envolveu sua nuca, forçando um contato maior, e suas pernas quase não seguraram seu peso quando sentiu os lábios dele nos seus de maneira delicada. Sentia que estava derretendo naqueles braços, aqueles lábios a fazendo flutuar, embora também parecesse estar caindo... Mas não poderia continuar com isso.


- Harry, por favor... pára... – murmurou Ginny fracamente, separando seus lábios. A única ação que conseguiu fazer.


- Não, Ginny, sou eu quem digo “por favor”... Eu não te quero mais longe, mesmo com minha razão me obrigado a isso. Eu não posso. Já vi dor demais em seus olhos, a mesma dor que me corroeu nesses meses. A dor da saudade, a dor da distância. Eu não apenas quero você, Ginny, eu preciso de você... – e erguendo o rosto dela para que o encarasse, Harry completou: - Eu amo você, Ginevra.


Ginny o olhou, pasmada. O natural seria ela ecoar o que ele disse, afinal também o amava muito. Mas, o fato de ter esperado por aquelas palavras há tanto tempo, de ter sonhado com elas desde que tinha dez anos de idade, a deixara sem saber o que falar ou fazer. E tudo isso porque seu sonho fora transformado em pesadelo há dois meses, numa sala abandonada, a qual também ouvira gemidos e sussurros saírem da mesma boca que, agora, falava que a amava.


- Você ouviu o que eu disse, Ginny? Entendeu? Antes eu não sabia, não entendia meus sentimentos, mas agora eu sei. Sei que foi tarde, mas agora eu sei! E não tenho medo de dizer, não tenho receios. Não mais! Eu te amo! Amo, Ginny! Fica comigo. Volta para mim!


Ela então conseguiu sorrir. Os olhos fechados, ainda assimilando o que estava acontecendo, o que Harry estava lhe falando. E, mesmo que as palavras deles soassem tão verdadeiras como nunca, Ginny não conseguia tirar todo o medo que alojara em seu peito nesses dias.


- Harry, se... – ela hesitou, o sorriso se desfazendo. Agora sabia o que dizer, o que queria e precisava fazer, mas ainda havia tanto medo de se machucar novamente... Respirando fundo, continuou. – Se eu voltar com você, se eu entregar meu coração para você novamente, o que vai acontecer? Eu não quero sofrer, Harry. Não vou conseguir se isso acontecer mais uma vez!


- Eu não vou mentir para você e dizer que viveremos em paz, só tendo alegrias. Estamos numa guerra, Ginny, e para que ela acabe, ou eu tenho que matar ou então morrer. E se eu terminar por morrer, eu... O que eu sei, é que eu quero te fazer feliz o quanto eu puder. E o seu coração, meu amor... ele vai ficar aqui, ao lado do meu, e prometo guardá-lo com toda a minha alma, com todo o meu amor.


- Eu não quero me arrepender, Harry. Não posso...


- Você não vai, meu amor... Não vai...


Quanto tempo demorou, eles não saberiam dizer. Frio? Nem isso eles sabiam mais o que era. Ao menos não depois de Harry ter envolvido Ginny em seus braços por completo, não depois de tê-la apertado contra seu corpo, não depois de tê-la beijado. O frio interno também não existia mais, muito menos a dor. Só existia calor, só existia o céu. Só existiam Harry e Ginny se entregando a um amor que há muito tempo pedia para ser consumado, pedido para ser demonstrado. Um amor que não agüentava mais ficar tão reprimido.


E eles demonstraram da melhor maneira apaixonada que podiam, debaixo daquela neve que caía como se os abençoassem. Um beijo sequioso. Um beijo cheio de saudades e necessidades. A ânsia de provar a si mesmos que tudo o que estava acontecendo era real e não mais um sonho.


O beijo terminara, mas os lábios inchados estavam a milímetros de distância. Um sentindo a respiração ofegante e quente do outro. Respiração que fazia vapores quentes de ar circular no meio daquele vento frio. Olhos fechados, com ambos ainda tentando refazer-se da gama de sensações que os atingiram.


- Eu te amo, Ginny. Demais – Harry murmurou, no que eles se olharam. O sorriso em seus olhos mais claro que o dos lábios.


- Eu também. Te amo. Amo... – sussurrou Ginny, abraçando-o forte pela cintura e depositando sua cabeça no peito de Harry, o qual a envolveu mais ainda enquanto sentia seu monstro particular dar urros de alegria dentro do peito. – Mas eu queria te pedir duas coisas.


- O quê?


- Vamos entrar? Estou congelando aqui.


- Eu também...


Os dois então riram, sentindo um enorme peso deixar seus corações. Correram até a porta da cozinha, de mãos dadas; nem percebendo que haviam se distanciando tanto da casa. E quando entraram, Harry à frente de Ginny, o garoto tropeçou num banquinho que não havia enxergado na penumbra daquele cômodo, o que também fez soltar a mão da garota.


- Shh... – fez Ginny, embora também estivesse rindo, assim como Harry.


Os risos então foram parando, afinal, se não os controlassem, alguém poderia descer até a cozinha. Eles se encaravam, expectantes, os rostos corados tanto pela corrida quando pelo frio. Mas um receio estranho os impedia de se aproximar, de continuar ali dentro o que estavam fazendo nos jardins.


Ginny então se virou, ficando de costas para Harry a fim de fechar a porta da casa, mas demorando mais que o necessário para fazê-lo. Porém, quando olhou novamente para o garoto, percebeu que ele estava perto dela... bem perto. Sentiu seu corpo aquecer imediatamente, junto de um formigamento muito bem vindo, quando ele a tocou delicadamente no rosto para, em seguida, envolvê-la em seus braços.


- Qual é a segunda coisa que você queria me pedir? – ele perguntou com sua boca a milímetros da dela.


- Me beija – Ginny murmurou.


Mas isso nem precisava ser pedido e, antes mesmo que Ginny percebesse, sua boca já era capturada pela de Harry num beijo sedento. Os braços do rapaz a apertando contra seu corpo, as mãos passando pelas costas, nunca, cabelos... Fazendo com que as bocas se grudassem ainda mais, os corpos colassem ainda mais um no outro.


Harry a segurava firme com um dos braços em sua cintura enquanto a outra mão do rapaz, cheia de saudades, soltava os cabelos de Ginny e se embrenhava neles. O mesmo que a garota fazia com os cabelos dele.


Como ela sentira falta de passear suas mãos por aqueles cabelos arrepiados, saudade de bagunçá-los ainda mais. Saudade em sentir aquelas mãos em seu próprio cabelo, em seu corpo, em cada curva que a maldita nobreza de Harry se permitia explorar. Saudade da boca dele buscando pela sua, da maciez da língua dele provocando-a, buscando sua alma. Ah, como ela sentira falta de ser amada por quem amava!


Sem nem se dar conta, Ginny soltou um gemido de protesto quando Harry, do nada, pareceu interromper o beijo. Mas, qualquer reprimenda que seu cérebro entorpecido já pensava em fazer foi lançada ao vento, pois o gemido que soltou novamente foi uma resposta melhor. Harry apenas mudara o ângulo do beijo, como se, daquele jeito apenas, conseguiria alcançar seu intento, que era saciar aquela sede que parecia consumí-lo cada vez mais. Sede da boca de Ginny.


As mãos, não tão nobres mais, buscando espaço, qualquer brecha pelo roupão da garota que já estava com o laço frouxo. Seguindo um conselho que, naquele momento, Harry não saberia dizer de onde veio: não pense, apenas sinta.


E Harry sentia. Sentia cada parte de seu corpo clamar por mais de Ginny. Escutá-la gemer contra sua boca enquanto deixava o beijo - se é que isso era possível! - mais intenso, mais apaixonado. Porém, apenas sentir a boca dela não era mais o bastante. Ele queria sentir o gosto daquela pele, voltar a sentir o gosto da garota.


Entretanto, antes que sua saudade e vontade fossem saciadas, uma voz grossa e autoritária foi ouvida:


- O que está acontecendo aqui?


Eles poderiam ter evitado qualquer constrangimento, mas nem ouviram quando Charlie entrou na casa. Por sorte, o jovem Weasley não entrara pela porta da cozinha, senão, se visse de perto o que estava acontecendo, essa pergunta teria dado lugar a um safanão em Harry, que parecia estar engolindo Ginny naquele momento.


Foi impossível o casal não se separar num salto quando aquela voz pareceu trovejar silenciosamente. Harry colocou Ginny atrás de si como se quisesse proteger a garota, embora que ele, com certeza, seria o alvo preferido de Charlie.


- Perguntei o que está acontecendo aqui - rosnou Charlie quando nenhum dos dois respondeu.


- Ah... bem... - gaguejou Harry.


Mas Ginny logo saiu de trás do rapaz, encarando o irmão com petulância.


- Se você não sabe o que está acontecendo aqui, Charlie, não sou eu quem vai dizer.


Porém, aquela provocação pareceu ser um erro, pois as orelhas do rapaz logo adquiriram um tom perigosamente vermelho, embora que, na penumbra, ninguém pudesse perceber. Mas a voz fez questão de mostrar o quão irritado Charlie estava:


- Ginevra Molly Weasley, vá para o seu quarto agora.


- Ah, e eu vou te obedecer, não é? - a garota retorquiu entre sarcástica e desdenhosa. - Onde você estava, que só apareceu agora?


- E quanto a você, Potter - Charlie continuou sem se importar com o olhar furioso da irmã ou suas perguntas -, vai ter uma conversinha comigo amanhã.


Ginny não agüentou aquilo. Quem seu irmão pensava que era para interromper qualquer coisa? Irritada, falou:


- Olha aqui, Charlie, se você pensa...


- Ginny - Harry a cortou -, acho melhor mesmo a gente subir.


Charlie deu um meio sorriso satisfeito e, em provocação, indicou a escada para a irmã Mas Ginny estava mais preocupada em encarar Harry, estupefata, a qualquer coisa.


- Achei que tivesse dito que não tinha medo dos meus irmãos, Harry.


Harry então olhou de Ginny, que o encarava irritada, os braços cruzados na altura do peito, e depois para Charlie, que tinha uma leve careta indignada, mas também perversamente divertida.


- Não é isso, Gin - o garoto disse, olhando novamente para a ruiva. - É que eu só não quero que haja uma cena aqui, entende? Além disso, já está quase amanhecendo.


- Você não se importou que estivesse quase amanhecendo enquanto se atracava comigo nessa cozinha, não é? - ela retorquiu entre os dentes. Mas sem dar chance de Harry responder, Ginny foi em direção da escada, lançando um olhar assassino para o irmão quando cruzou com ele. Charlie apenas ergueu-lhe as sobrancelhas.


Harry soltou um suspiro. Havia se esquecido como aquela garota era uma pimenta às vezes... “Mas uma pimenta que ele adorava experimentar cada vez mais”, pensou com um sorriso.


- Pode sorrir agora, Potter - Charlie falou, tirando Harry de seus devaneios -, porque depois você não vai conseguir.


- Ahm... Charlie, escuta...


- Não, Potter, você quem vai escutar - o rapaz disse usando todo o seu tamanho para intimidar Harry. - Não tem medo de nós, não é? Pois bem, quero ver até onde vai a coragem do... Menino-Que-Se-Engraçou.


Harry teve que segurar uma risada ao ouvir aquilo.


- Posso ir agora? - Se não saísse de lá, Harry não agüentaria segurar sua risada por mais tempo, olhando para um irritado, mas também engraçado, Charlie.


E mesmo o ruivo percebendo o tom impertinente na pergunta - ao menos para ele -, deu passagem para Harry, indo logo atrás do garoto pelas escadas. E só foi passarem pelo quarto de Ginny, que ficava no mesmo corredor que o de Charlie, que este se pronunciou autoritário mais uma vez:


- ’Noite, Potter. - E com isso, deixou claro o que Harry deveria fazer.


O garoto apenas fez um aceno com a cabeça, indo então para o fim do corredor onde ficavam as escadas que levava para o quarto de Ron. Harry ainda deu uma olhada para Charlie, que estava à porta de seu quarto, antes de virar o corredor e colocar o pé no primeiro degrau da escada. E foi exatamente por isso que não viu que alguém o aguardava nela. Só percebeu que seus lábios eram tocados por outros tão macios quando conseguiu se equilibrar depois de um puxão.


- Você é um medroso, sabia, Potter? - Ginny murmurou depois que se separaram. As mãos de Harry, como se fossem treinadas, já a seguravam pela cintura. O corpo da garota apoiado à parede.


- Não foi medo! - ele disse indignado, mas em voz baixa. - O motivo que eu dei foi sincero, Ginny. Imagina se você e o Charlie começam a discutir no meio da cozinha, acordam a casa toda... - E, mais preocupado, disse: - E se seus pais ficam sabendo que a gente se agarrou na cozinha?


- Eles não vão saber - a garota disse, levando seus braços a fim de enlaçarem o pescoço de Harry. - Mas, da próxima vez, teremos que nos... ahm... beijar num lugar discreto. Ou então onde não houver ninguém...


Harry ergueu as sobrancelhas diante do olhar sugestivo de Ginny. Portanto, para evitar qualquer flagra constrangedor, desceu a escada e discretamenteverificou se Charlie ainda estava no corredor. Mas aquela verificação seria desnecessária, uma vez que, se ele realmente estivesse por lá, teria escutado a conversa do casal. Só que era sempre melhor prevenir do que remediar as coisas.


- Então? - Ginny perguntou quando Harry voltava a subir os dois degraus que os separavam.


- Acho que esta pode ser considerada uma ocasião de “onde não houver ninguém” - Harry disse, fazendo com que Ginny ficasse novamente em seus braços.


- E então? O que faremos? - ela perguntou com um sorriso que só crescia em seus lábios, os quais eram encarados por Harry desejosamente.


- Não sei... Está amanhecendo e alguém pode acordar a qualquer momento...


- Ninguém madruga aqui em casa. - Ginny sentia a respiração começar a falhar.


- Então acha que podemos arriscar? - Harry perguntou enquanto a provocava, roçando seu nariz na bochecha dela.


A garota levou uma mão os óculos de Harry, retirando-os, antes de dizer:


- Tenho certeza que devemos.


E mesmo sabendo que poderiam ser flagrados naquela escada, Harry não seguiu sua razão. Ainda com o rosto afundado no pescoço, sentindo o cheiro da pele de Ginny, ele retirou os óculos das mãos da garota, colocando-os no bolso do seu pijama, para então apertá-la contra seu corpo e, sem muita pressão, encostando-a na parede. Sua boca logo trilhava beijos pelo pescoço de Ginny, que acariciava seus cabelos. Beijos lentos que Harry apenas interrompia para chupar ou então morder medidamente cada pedaço de pele da garota.


Sentindo a respiração pesar, Ginny inclinou mais a cabeça, dando livre acesso a Harry, cuja boca já passava pela garganta dela a fim de alcançar o outro lado do pescoço.


- Senti tanta... tanta saudades, meu amor.


Ouvir aquela voz murmurada em seu ouvido, parecendo estar carrega de paixão e, ao mesmo tempo, dor, fez Ginny morder o lábio inferior, contendo um bolo que parecia subir por sua garganta. Deus, como ela sonhou com o que estava acontecendo naquele momento! Ela passara noites a fio imaginando-se novamente nos braços de Harry, com os lábios dele nos dela, na pele dela... Ele lhe falando palavras que seu coração precisava tanto ouvir.


Ela não cansava de se imaginar com ele a apertando em seus braços, fazendo amor com ele... Não para que saciasse um desejo, mas apenas a necessidade de se sentir inteira, unida ao rapaz que sempre amou, e que ela queria que a tornasse a mais feliz das mulheres. O primeiro e único a tornar-lhe mulher. Ginny queria sentir Harry por inteiro. Beijando-a, amando-a na maneira mais forte que poderia existir; da maneira que ela o amava. Queria ouvir mais e mais vezes aquelas palavra que saíam da boca dele: que ele a amava, que tudo voltaria a ser como antes de se separarem. Ou que, simplesmente, seria melhor do que antes.


- Meu amor... - Ela repetiu as palavras dele: - Eu também... muita saudade...


E Ginny abafou um gemido contra o ombro de Harry quando a mão dele desceu por sua nuca, passando levemente por um de seus seios até atingir suas costas, a fim do rapaz apertá-la mais em seus braços, colando mais seus corpos. Ela gemeu o nome dele novamente ao senti-lo tocar seu ventre, intimamente. Tão diferente de quando o sentiu excitado naquela sala em Hogwarts, no Dia das Bruxas... mas tão igual.


- Harry... me beija... - ela murmurou numa súplica, enquanto percebia a outra mão dele subir para seus cabelos, embrenhando-se neles. Precisava sentir aquela boca urgentemente!


Harry chupou forte o delicado pescoço de Ginny, marcando-o, com certeza, e fazendo a garota soltar um gemido lamentoso.


- Na boca... - ela falou, procurando pela dele. - Me beija na boca...


Ele então a beijou como ela tanto pedia, sentindo as unhas de Ginny arranharem sua nuca, as mãos ora puxando, ora bagunçando seus cabelos. Harry separou suas pernas a fim de deixá-las com um degrau de distância uma da outra, ficando então na mesma altura de Ginny. Em seguida puxou-a de encontro a si ao mesmo tempo em que a prensava mais ainda contra a parede. Com esse movimento, ambos seguraram um gemido quando seus quadris se encontraram, mostrando até onde eles chegaram. O que aqueles beijos cheios de saudade e amor reprimido causavam.


Harry separou-se de Ginny, as testas coladas. Os olhos mantinham-se fechados e a respiração de ambos entrava em choque com suas bocas. O rapaz ainda mantinha Ginny em seus braços, as mãos teimosamente embrenhadas tanto nos cabelos da garota quando em sua cintura, fazendo movimentos circulares nas costas dela, por baixo da blusa do pijama.


- Ginny, acho... - Ele engoliu a seco, tentando, mas em vão, molhar seus lábios com a língua. Deus, como a boca dele poderia estar seca sendo que acabara de beijar aquela boca de morango? - Acho melhor...


No entanto foi difícil continuar falando. Ginny sequer parecia ter ouvido o que ele falara, ou percebera a perigosa situação em que ele, Harry, se encontrava. A garota apenas o puxou novamente para si, ocupando-se em lembrar-se do sabor da pele de Harry, beijando, chupando e mordendo dolorosamente o pescoço dele. Entretanto, o rapaz sabia que, caso ela continuasse com aquilo, não conseguiria se controlar. Logo, todo o constrangimento diante da possibilidade em serem pegos naquele lugar e o respeito que Harry sentia pelo Senhor e Sra. Weasley seriam deixados de lado por todos os seus hormônios em ebulição.


- Gin, acho melhor pararmos - ele disse, embora sua voz saísse engrolada pelas sensações que aquela boca lhe proporcionava. - Se continuarmos, eu... Eu não vou conseguir me controlar e...


- Não quero que se controle - Ginny falou enquanto beijava os lábios de Harry. - Quero continuar o que começamos... naquela sala em Hogwarts.


- Eu também quero, Ginny - falou, finalmente conseguindo segurar o rosto dela em sua mãos, encarando aqueles olhos chocolates enevoados; não sabia de onde tirava tanta força para se segurar diante daqueles lábios inchados e vermelhos que pareciam clamar para serem tomados mais uma vez. - E como quero... Mas não agora. Não aqui.


Ele então viu uma sombra perpassar pelos olhos da garota.


- Você... Você não está arrependido... está? - ela perguntou, sentindo todas aquelas horríveis sensações novamente. As sensações que Harry a fizera sentir, tanto após o enterro de Dumbledore quanto naquela sala de Hogwarts.


- Claro que não, meu amor! - Harry prontificou-se em dizer, retirando as mechas que caíam teimosamente, e de maneira quase infantil, no rosto corado dela. - Ginny, eu só não quero que seja rápido demais, entende?


- Não vai ser rápido demais, Harry! - Ginny disse. Não sabia se aceitava as palavras irritantemente sensatas do namorado, ou se continuava a julgá-las de totalmente inadequadas. - Rápido demais como, se desde o verão estamos sem ficar realmente juntos? Se você julga rápido demais, eu não julgo! Não com a falta que sinto de você e que... que ainda me corrói por dentro...


- Eu também sinto sua falta! - Harry disse com ela envolta em seus braços. - Mas, Ginny, você não quer que a saudade seja toda saciada nessa escada, não é? Não com o dia já nascendo!


Ginny então olhou para a pequena janela que ficava ao todo daquela escada, vendo alguns raios de sol começarem a iluminar o interior da casa. Finalmente ela se viu sensatamente na situação em que estavam. Realmente não seria nada maravilhoso se alguém os visse ali. Ginny com seus cabelos tão revoltos como os de Harry, o roupão todo torto, sua blusa alcançando a atura dos seios. Ela rapidamente se ajeitou, sentindo-se constrangida.


Droga, até quando Harry agia da maneira que ela tanto queria, a nobreza dele não o abandonava por completo. Tinha que lembrá-la da situação em que estavam para fazê-la se sentir tão constrangida?


Entretanto, Ginny logo meneou a cabeça, sorrindo. Sim, Harry teria sua maldita nobreza o acompanhando até o fim de seus dias. Fins que ela tinha a certeza de que demoraria muito a chegar.


- Bom, acho que dessa vez você tem razão... - ela disse arrumando suas roupas e ouvindo Harry soltar um riso pelo nariz. Continuou: - Além disso, não acho que meus pais continuariam te adorando se pegassem a gente... ahm... na situação em que estávamos.


- Nem me fale! - Harry falou, passando as mãos no cabelo nervosamente. Ele logo imaginou o casal o expulsando da Toca (embora ele tivesse a certeza de que eles não fariam isso), mas não sem antes falarem poucas e boas para os dois. A imaginação de Harry logo montou o cenário perfeito daquela reprimenda.


Ouviram o som de uma porta se abrindo, no que ambos se olharam. Logo o som de passos se aproximando até a escada se fez mais alto e, em poucos instantes, eles avistavam uma Hermione com os cabelos revoltos e o rosto um pouco inchado por ter acabado de acordar, com certeza.


- Harry? Ginny? O que vocês estão fazendo acordados a essa hora? - a garota perguntou com a voz engrolada pelo sono.


O casal se olhou, sorrindo levemente, no que Hermione pareceu despertar e entender o que acontecera ali. A reação da morena foi um enorme sorriso e uma frase dita em tom de alívio:


- Até que enfim!


- E você vem falar isso para mim, Mione? - Ginny perguntou divertida. Virou-se então para Harry, passando a mão de leve pelo rosto dele, seus olhos parecendo gravar cada parte que acariciava. - Boa noite, Harry... - ela falou suavemente.


- Boa noite, Ginny. - Sua mão também acariciava o rosto da garota.


Seus lábios se encontraram mais uma vez, num beijo delicado.


- Não seria bom dia? - Hermione inquiriu jocosa, ao que os amigos riram ainda contra a boca do outro, olhando-a de relance.


- Sendo assim... Bom dia, Ginny.


- Dia...


- Certo... agora tudo vai ser desculpa para você se beijaram? - Hermione perguntou novamente, visto que os amigos não pareciam querer se desgrudar. Mas o satisfeito sorriso ainda não abandonara seus lábios.


- E desde quando você se parece tanto com o Ron, Mione? - perguntou Ginny, que descia as escadas, mas não conseguindo tirar seus olhos dos de Harry.


- Ginny, eu estou aqui-i - a morena falou como se cantasse a última palavra, e acenando para a amiga à base da escada.


Ginny apenas olhou para a amiga, ficando ao seu lado. Olhou novamente para Harry e, apenas movendo os lábios, falou o que sentia pelo rapaz desde que o vira pela primeira vez: “te amo”.


- Amo você - Harry sussurrou em resposta, e Hermione só não percebeu essa troca de juras por estar olhando para outro lado quase que intencionalmente. Ou foi isso que o casal quis acreditar, não querendo perder aquele clima tão íntimo que trocaram há alguns minutos... e que lhes fizeram um bem incrível.


Harry ainda ficou encostado à parede da escada e, soltando um último suspiro satisfeito, subiu os degraus para o quarto do amigo. O sono há muito o abandonara e, quando Ron o chamou para se levantar, pois já estava na hora do café, ele nem pensou que teria de enfrentar Charlie, como o jovem prometera. Só queria saber de se encontrar com Ginny para, num lugar bem mais discreto, matar a saudade que ainda o consumia assustadoramente.


E quanto a Ginny... A garota apenas suspirava, enquanto contava a Hermione, que sentia os olhos se encherem de lágrimas de alívio e alegria, tudo - ou quase tudo - o que ocorrera naquela casa. E a morena não conseguiu conter um pensamento de que, finalmente, seu amigo se permitia a felicidade.


xxx---xxx


Um sono agitado a fazia debater-se na estreita cama, porém, as cobertas enroscadas em se corpo limitavam seus movimentos, o que parecia deixá-la mais desesperada ainda.


Contudo, logo Ariadne despertava, sentando-se na cama, mas, por estar na beirada da mesma, e ainda agitada, uma queda foi inevitável. Sua respiração ofegante foi controlando-se à medida que sua cabeça voltava a funcionar racionalmente. Sonhara com Nicola, obviamente. Seu filho preso naquelas masmorras que ficaram instransponíveis para ela. Agora, mais do que nunca, os antigos sonhos ficando cada vez mais fortes e reais, e difíceis de sair.


Ariadne soltou um doloroso suspiro, levantando-se daquele chão e indo para seu quarto e, em seguida, para o banheiro. Foi tirando a roupa vagarosamente, como se aquele simples gesto lhe doesse. Olhou-se no espelho, não gostando nada do que viu.


Seu rosto estava incrivelmente pálido, marcado pelas lágrimas que finalmente caíram. O colar mágico de proteção estava negro e gelado, mas isto já não lhe era novidade, pois estava assim desde que saíra do arco. Entretanto, ao ver aquele contraste com sua pele, só fez com que percebesse o quão desesperada estava com toda aquela situação.


Fechou os olhos, as mãos apoiando-se em punho na pia. Respirou fundo para, em seguida, olhar-se novamente. A determinação voltara a brilhar em seus olhos, mas também ladeada pela raiva. Ao menos eles estavam dourados novamente.


Entrou dentro do box e, quando ligou o chuveiro e deixou a água percorrer seu corpo, não se importou que ela estivesse gelada. Mesmo com uma neve começando a cair do lado de fora. A única reação que teve foi ofegar fortemente. Precisava acordar, despertar pelo que estava acontecendo, e nada que uma água fria em pleno inverno não desse conta de resolver.


Somente quando não parecia sentir mais nada, seu corpo já dormente pelo frio, que ela fez com que a água se esquentasse. E ao sentir a água quente lhe aquecendo, Ariadne conseguiu relaxar ao menos seu corpo. Ela nem havia percebido a incrível tensão em que se encontrava. E ficou ali, deixando-se banhar.


Enrolou-se no roupão felpudo depois de um tempo indeterminado e, sem se dar conta que continuava com os pés descalços, desceu para cozinha. Mas, na verdade, ela nem sabia ao certo o que fora fazer ali. Estava sem apetite, e era só pensar em comida que seu estômago embrulhava. Olhou em volta, como querendo reconhecer aquele lugar que, de uma hora para outra, lhe parecia tão estranho. E foi então que seus olhos caíram numa das portas do armário de cozinha.


Agachou-se em frente à última porta inferior, perto da geladeira e, de lá do fundo, retirou uma garrafa que continha um líquido âmbar. Certo que se embebedar não era a melhor opção, mas ao menos uma dose ela sentia ser necessário. Precisava deixar seu corpo e mente relaxados ao menos por um segundo, senão iria explodir!


Ariadne sentou-se no banco alto que ficava em frente ao balcão da cozinha e serviu-se meio copo de Whisky de Fogo. Ficou olhando durante uns segundos a bebida dentro do copo para, então, tomar um gole exagerado, mas não o esvaziando de imediato. Não conseguiu conter uma careta quando o líquido queimou sua garganta e cair feito um tijolo em seu estômago.


Mas, de repente, a feição apática que ela tinha até então sumiu e, num ímpeto, jogou o copo no armário de madeira, do outro lado da cozinha. E, assim como o destino do copo foi ficar em pedaços, o mesmo aconteceu com a garrafa que ela deixara em cima do balcão, sendo que esta explodiu apenas com a energia que ela liberara.


Nunca havia sentido tanta dor e desespero em sua vida. Entretanto, a raiva lhe tomava com uma força maior, como se quisesse preenchê-la cada vez mais. Sentia que iria morrer! Depois de todo o cuidado que tivera, toda a proteção conjurada detalhadamente, toda a prevenção cuidadosamente elaborada, Sebastian conseguira pegar Nicola.


Ele conseguira pegar a pessoa que Ariadne mais amava em toda sua vida. O filho que ela achou que nunca mais veria depois daquela noite na França, quando Sebastian a matara, concluindo o ritual que a transformaria em vampira. Agora, seu filho estava na situação que ela fizera de tudo para que não acontecesse. Agora Nicola era um alvo e ela não poderia fazer nada. Não com aquela proteção que Voldemort e Sebastian, cuidadosamente, fizeram na cela que seu filho estava.


Ariadne não soube quanto tempo ficou encarando a mancha âmbar no armário sempre limpo de sua cozinha. Não sentia suas unhas a machucando na palma da mão que estava fechada em punho, nem sequer ouviu quando o relógio da sala dera suas badaladas, anunciando a madrugada. Porém, pareceu escutar quando a campainha da casa tocou seguida de duas batidas fortes, porém secas, na porta da frente.


Piscou algumas vezes, como se quisesse se localizar. E quando viu o que fizera em sua cozinha, uma feição enojada formou-se em seu rosto. Já estava mais que na hora de parar de se lamentar. Ela não era assim e não agiria de uma maneira que abominava: pôr-se de vítima descontrolada.


Rapidamente, sua cozinha já estava limpa. Se Voldemort a queria ao seu lado, ele a teria. Se esse era o preço pela vida de seu filho, ela pagaria. Mas se ele fizesse qualquer coisa, um único ínfimo detalhe que o contradissesse, tanto Voldemort quanto Sebastian e suas corjas sentiriam o ódio de Ariadne. Mesmo que ela se sentenciasse com isso.


Foi diretamente para as escadas, intencionando chegar em seu quarto. Ela realmente não havia escutado a campainha e muito menos as batidas da porta, mas, pela segunda vez, o som se repetiu do mesmo jeito seco e forte, embora apenas uma vez. Ariadne já estava no meio da escada quando pareceu escutar, saindo de seu devaneio e despertando imediatamente. Cautelosa, porém sem medos e incrivelmente decidida, ela foi até a porta, abrindo-a num supetão.


Porém, se esperava por alguma coisa, qualquer uma, teve uma grande surpresa, tendo também que retroceder senão seria esmagada por algo que mais parecia um monte de roupas sujas e amarrotadas. Sentiu ainda uma mão em seu braço, segurando-a forte, mas ela logo a soltou, e no instante seguinte, Ariadne percebeu o que se passava.


Incrivelmente machucados e sujos, estavam caídos no chão de sua casa Severus Snape e... O filho de Lucius Malfoy?


 


xxx---xxx


N/B: Céus... maninha... estou sem fôlego. Eu sei que já te disse isso, mas foi só reler pra taquicardia voltar. Ai... Quando você resolve escrever um amasso não tem pra mais ninguém. Estou com água na boca. Ba-ban-do. Isso foi muuuuuito hot! Você PRECISA fazer mais isso! Estive viajando tanto que mal me dei conta da chegada do Draquinho e do Snape. Mas ação, maninha? Ufa! Você é mesmo um poço de energia. E quem é a gente pra reclamar. Rsrsrsrsrsrs. Põe fogo no circo, Lili! Mega beijo cheio de alegria pela volta do casalzinho mais cuti do mundo. \o/


NA: Ah, não vão me dizer que a aparição do Snape e do Draco quebrou o momento H/G??rsrsrs... Brincadeiras à parte... Bem, atendendo a pedidos: acerto H/G! Até com direito de Hermione meio que caracterizada de “Ron”..hihihi... bem, é convivência, não? E sim, podem esperar, pois a volta de Snape e Draco vai ser, no mínimo, interessante.... Ah, sim: como não sou de ferro, tive que fazer uma gostosa cena R/H!


Agradecimentos especiais:


Ari Duarte: acho que posso dizer que sua vontade em bater no Harry e na Ginny já foi colocada de lado, né??rsrss... E sobre o Voldie, acho que o Nicola estava certo..pra alguém que o sinal é uma caveira com um cobra na boca..duvidoso, não?rs... E o Sirius: só basta dizer que eu AMO ESSE MAROTO! (e aqui não tem nada de inocente..rs) Espero que tenha gostado do capítulo. Beijos.


Osmar: bem, algumas das suas dúvidas foram respondidas nesse capítulo... O capítulo nem demorou e a Harry e a Ginny voltaram..rsrsrs.. Agora, quanto a Ari..só esperando pra ver = D Espero que tenha gostado do capítulo! Beijos!


Georgea: acho que eu não conseguiria colocar o Sirius como alguém amargo, sabe... Acho que eu o vejo como eu mesma..rs.. Mesmo na tempestade (embora os problemas, mesmo fictícios no caso dele, não sejam parecidos com os meus e vice-versa), damos um jeito de sorrir... Mais uma vez agradeço pela ajuda, amada beta, mesmo nessa vida corrida... Seus pitacos sempre são bem vindos e muito bem apreciados. Beijos mil pra você e cheios de carinho!


Camy Horvath: que bom que gostou, Camy. E espero que este capítulo também tenha te agradado. Beijos.


suicidepotion: ah, o bom filho à casa torna!! \o/ rsrsrsrs... Muito bom receber seus elogios, sabia?! Todos! (autora com olhinhos brilhando) E, quanto a Ariadne..hum..espere com calma..rs.. Mais uma vez, obrigada! Espero que tenha gostado deste capítulo! Beijão!


Regina Magatti: viu como a paciência é algo bom em se ter???rsrsrs.. Espero que tenha gostado, Amanda. Beijos.


Priscila Louredo: e como o Harry não é bobo nem nada: conselhos devidamente seguidos..hihihi... E a birra da Molly vai ser explicada um pouco mais pra frente. E eu tbm fiquei com pena da minha Fulaninha!rs.. mas, se não fosse isso, não teria enredo! (como disse a JK..- oh, presunção!!rsrs) Enfim..rs.. Espero que tenha gostado do seguimento do conselho, Pri. Beijos, mana!


Kelly: ah, mas o Harry não é bobo nem nada... o Nicola não vai ter nem chance..rs.. E, quanto ao Sirius, você acha que eu não estou cuidando dele, enquanto a Mme. Pomfrey não percebe??rsrs... E quanto ao Charlie... hum.. quem sabe?!rsrs.. E eu quero ler sua fic, criatura!! Me avisa quando decidir postar! Beijos!!


Bianca Evans: se o Sirius voltar pro Arco, eu tenho um ataque..hihihi... Algumas das suas incógnitas respondidas, outras em aberto, já que, se eu falar agora, perde a graça, né? rsrs.. Espero que tenha gostado do capítulo! Beijos.


Michele Ramos Machado: bom, desejo saciado: Harry e Ginny se acertaram! E falo pra vc o mesmo que disse pra Kelly..rs.. do Sirius, eu cuido..(possessiva,eu? ‘magina!rsrs) Espero que tenha gostado do capítulo! E ainda estou te aguardando no MSN! Beijos.


Espero que todos tenham gostado do capítulo!


Beijos,


Livinha


 

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 22) - Copyright 2002-2026
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.