Capítulo 18
Fantasmas e Mortos
A Toca estava em silêncio. Nem uma mosca parecia ousar fazer um barulho. Charlie havia acabado de explicar o que McGonagall queria tão apressadamente com Harry e, a julgar pelas expressões de todos, realmente foi uma surpresa o que acontecera. Entretanto, os que ali sabiam que um ato de fazer alguém praticamente voltar dos mortos não era boa coisa, sentiam mais que surpresa.
Hermione havia chegado há pouco tempo e pegado apenas o fim do relato. Seu primeiro pensamento foi ir atrás dos amigos, mas Ginny pediu que esperasse, pois precisaria da amiga para conversar. Hermione resolveu então acatar o pedido dela, além disso, precisaria ouvir o relato desde o começo, e achou que Ginny poderia lhe contar tim-tim por tim-tim do que havia perdido.
Foi a Sra. Wesley quem quebrou o silêncio.
- Você então invadiu o Ministério na companhia daquela mulher?
Todos olharam para a matriarca. Hermione sequer conseguiu conter o queixo caído de tão estupefata que ficou em ouvir o tom que a Sra. Weasley usara. Nunca ouvira a voz daquela mulher sair com tanto ressentimento. Mas o que mais surpreendeu Hermione foi o jeito com que Charlie respondeu à mãe.
- Eu já pedi para senhora não tratar Ariadne assim, mamãe - ele falou irritado.
- Eu trato as pessoas como elas bem merecem, e você não ouse falar nesse tom de voz comigo, rapaz.
- Estou defendendo a minha amiga.
- E eu a minha família! Ela não é o que você pensa.
- Molly! Charlie! Chega! - O Sr. Weasley achou melhor interferir antes que aquela discussão se alastrasse. Como sempre.
Os gêmeos se olharam apreensivos. Tinham conhecimento do ressentimento de sua mãe para com a amiga de Charlie, mas ela nunca discutira abertamente com ele na frente de todos. Mas, aparentemente não ligando para o sinal de perigo que os irmãos lhe mandavam, Charlie falou:
- Eu conheço Ariadne muito bem, mamãe. Mais até do que a senhora e o seu ressentimento imaginam. A senhora sabe disso!
- O que eu tenho não se chama ressentimento - sibilou a Sra. Weasley. - E o que eu sei, é que essa mulher não presta!
- Molly! - indignou-se o Sr. Weasley. Nem ele vira a esposa falar algo assim de alguém. Certo que ele sabia o motivo do ressentimento da mulher sobre Ariadne, embora não concordasse. Porém, chegar a falar isso sobre a amiga de seu filho, até para o Sr. Weasley foi demais.
E Charlie também não gostou nada.
- Vou sair. Se eu ficar aqui, é capaz de lhe faltar com o respeito, e não estou nem um pouco a fim disso.
- Aquela mulher estragou você! - Molly ainda disse, enquanto acompanhava o filho até os jardins da Toca. Os outros apenas seguiram os dois, sem coragem de interferir, embora o Sr. Weasley tentasse, inutilmente, acalmar a esposa que continuava com seus argumentos. - Você não era assim, não falava dessa maneira comigo!
- Eu não tenho mais cinco anos, mamãe. Sei fazer minhas escolhas, e Ariadne é uma escolha que a senhora tem de respeitar. Quer goste ou não - ele disse, olhando para a mãe, dos jardins. - E nada do que aconteceu no passado, vai mudar o que sinto por ela.
A senhora Weasley arregalou os olhos. Aproximou-se do filho rapidamente, segurando-o, assustada, pelos ombros.
- Sente? Como assim, mudar o que sente? Você não está apaixonado por ela também, está?
Charlie fechou os olhos e soltou um suspiro cansado. Retirou, delicado, as mãos de sua mãe de seus ombros, segurando-as nas suas.
- Não, não estou apaixonado pela Ariadne - ele disse, vendo a mãe soltar a respiração, aliviada. - Mas eu a amo, não como um homem ama uma mulher, mas o mesmo amor que sinto pela Ginny. E você tem que respeitar o que sinto por ela.
- Não ouse comparar sua irmã àquela... àquela mulher!
- Não estou comparando - disse firmemente. Sua mãe já estava ultrapassando os limites da sensatez. - Elas não têm comparação. São mulheres diferentes, pessoas diferentes. Com vida e oportunidades que não se igualam.
- Mas... meu bem, ela vai te decepcionar, eu sinto isso!
- Não, mamãe, o que você sente é ressentimento. A Ariadne não teve culpa pelo que aconteceu aos meus tios. A senhora tem que parar de achar um culpado que não seja o real. Agora eu tenho que ir.
- Aonde você vai?
- Vou ver como Ariadne está.
E soltando as mãos de sua mãe, Charlie desaparatou.
- Ele vai se decepcionar, Arthur, eu sei disso - a Sra. Weasley disse ao sentir as mãos do marido a amparando e a levando para dentro de casa. Mas o Sr. Weasley preferiu não dizer nada. Apenas levou a esposa para o andar de cima, enquanto ordenava aos filhos que ficassem na sala.
Entretanto, Hermione segurou Ginny pelo braço e falou, ainda estupefata:
- Ginny, que história é essa do Sirius voltar?
Sem ainda responder à amiga, Ginny decidiu subir para seu quarto, arrastando Hermione atrás de si, e quando ambas estavam lá dentro, repetiu as palavras do irmão. Entretanto, somente naquele momento que a ruiva se questionou pelo motivo de Charlie não ter dito como, realmente, Sirius Black havia retornado. Afinal de contas, ele não atravessaria o Arco sozinho. Charlie havia escondido algo. Então, junto da história do retorno de Sirius, Ginny abriu suas dúvidas para Hermione, mas esta não conseguiu pensar nada de imediato, apenas que precisava ir para Hogwarts ver como Harry estava.
- Você vem comigo, Ginny?
A pergunta pegou a jovem tão de repente, que Ginny não soube responder de imediato.
- Eu... eu não sei, Mione...
- Ginny, por mais que o Harry esteja feliz por ter seu padrinho de volta, acho que ele gostaria de te ter ao lado.
- Esse é problema, Mione - a ruiva disse, soltando um suspiro cansado em seguida. Era exatamente isso que ela queria falar com amiga, de que não estava agüentando mais. - Agora ele me quer ao lado dele. Depois de tudo o que passamos, depois do que ele fez comigo na noite do baile! Você sabe como ele vem me olhado e... Por que eu ficaria do lado dele, depois de tudo o que passei?
- Porque você o ama? - retorquiu a moça, embora o tenha feito um pouco receosa.
Hermione sabia o que se passava com Ginny, o ressentimento dela, pois a garota lhe desabafara tudo o que sentia. Por um bom tempo, ela ainda ficou dividida em sua lealdade entre esse casal tão cabeça-dura. Não sabia se ia até Harry e contava tudo o que Ginny lhe dissera, ou se ia até Ginny e contava como, verdadeiramente, seu amigo estava se sentindo. Que aquela separação estava afetando a ambos de uma maneira quase desesperada.
- Você sabe que não é simples assim, Hermione - Ginny falou, sentindo-se irritar.
- O que eu sei é que o Harry sente algo sim por você e que você o ama. Se vocês não têm mais forças para lutar, aí é outra história. Mas esse amor que você sente por ele devia servir para você ir até Hogwarts comigo e ficar ao lado dele. Ele deve estar perdido, Ginny!
- Perdido por quê? - a garota perguntou irritada e se levantando da cama, onde esteve sentada até aquele momento. - O padrinho dele voltou, Mione, ele vai estar é muito feliz! Se eu estiver lá ou não, não vai fazer a mínima diferença. Aposto que ele nem vai dar por minha falta.
Hermione levantou-se da cama também, cruzando os braços na altura do peito, decididamente.
- Você sabe muito bem que isso não é verdade.
Mas Ginny não queria escutar, então sequer direcionou um olhar para amiga.
- Ginny, o Harry te ama. - E Hermione quase sorriu ao ver a amiga dar-lhe atenção, mas, o que viu nos olhos dela retirou qualquer alegria.
- Como você sabe disso? Ele já te disse isso alguma vez? Pois para mim, não. Ao menos não que eu me lembre.
- E ele não querer que você seja alvo de Voldemort, não significa nada? Ou você acha que ele adorou te dispensar nesse verão?
- Eu acho que ele adora mostrar-se nobre e honrado em muitas coisas, mas, em outras, não age da maneira que a gente pensa. Ou então como eu acho que mereço. - E vendo a amiga abrir a boca mais uma vez, completou: - Olha, Mione, nós já conversamos sobre isso, e não estou a fim de repetir a conversa. Eu tentei e você sabe disso! Mas, pelo visto, a nobreza estúpida - ou até o orgulho - do Harry é mais forte que qualquer coisa que ele sente por mim. Ou sentia, não sei. Mas não quero mais falar disso.
Ginny então saiu do quarto, mas, mal fechou a porta atrás de si, entrou novamente.
- Olha, não quero parecer mal-educada, mas eu gostaria de ficar sozinha. E já que esse é meu quarto e você quer ir para Hogwarts, será que poderia me dar licença?
- Você é quem sabe, Ginny - Hermione disse num suspiro. Aquilo não terminaria ali, e a garota sabia disso. Talvez assim como Ginny, mas ela não poderia fazer mais nada. Apenas o casal de amigos podia.
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Era estranho. Os sentimentos pareciam gritar em paradoxos dentro dele. Às vezes queria sair por ali, gritando de felicidade; em outras, gostaria apenas de ficar sentado, olhando para o homem deitado na cama. E havia também a vontade de acordar Sirius naquele momento e fazer algo que ele nunca conseguiu fazer: falar o quanto sentiu falta de seu padrinho e amigo.
Madame Pomfrey, depois de muito custo, conseguiu fazer com que Harry tomasse uma poção calmante, mas só depois que McGonagall prometera contar toda a história. Ao menos o que ela sabia. Contara que fora Remus quem trouxera Sirius para a escola, pois era o único lugar que alguém qualificado poderia cuidar do homem sem que precisassem comunicar o Ministério da Magia. E que o amigo só não fora chamar Harry - deixando-a incumbida dessa parte -, porque prometera a Tonks que voltaria para casa assim que tudo terminasse - independentemente do que fosse, pois a metamorfomaga também não sabia da história toda.
Ron ficara o tempo todo ao seu lado, também sentado numa cadeira. Era bom ter o amigo ao seu lado naquele momento, e até quando se deparara com o padrinho, pois a presença de Ron mais parecia uma âncora, prendendo-o na realidade. Mas Harry também sentia que, assim que Sirius acordasse, ele não gostaria de ter o amigo por perto. Uma constatação estranha, mas que ele não sabia explicar de imediato.
Contudo, como se o forçassem a sair dos devaneios em que se encontrava, Harry ouviu vozes agitadas do lado de fora da ala reservada. Cruzou seu olhar com o de Ron, que deu de ombros, mas tratou de ver o que estava acontecendo. E assim que o ruivo chegou atrás do quadro da entrada, abriu-o parcialmente, conseguindo ouvir o que Madame Pomfrey dizia completamente irritada.
-... achei que melhorassem. Mas não... Parece a mesma garota de quando estudou aqui! Só queria saber o que ela fez, pois estava realmente debilitada. Eu tinha uma poção revigorante pronta para dar a ela.
Nesse momento, Ron viu seu irmão, Charlie, entrar pela enfermaria. O que ele fazia ali?
- O que está havendo? - o rapaz perguntou.
- Ora, sua amiga, Sr. Weasley - exasperou Madame Pomfrey. - Não sei o que aquela mulher tem na cabeça, pois ela não está mais aqui. Fui ver se ela já havia acordado para lhe dar uma poção revigorante, mas ela não estava mais.
- Vou verificar nos aposentos dela - Charlie se prontificou, mas, naquele exato momento, um dos fantasmas do castelo entrou.
- A Profa. Lakerdos não está em seus aposentos, Madame - ele dirigiu-se à curandeira.
- Mas como não? Onde aquela mulher se enfiou?
- Ela deve ter ido para casa - constatou Charlie, dando um meio sorriso. “Ariadne não mudava nunca”, ele pensou. “Sempre auto-suficiente”.
- Pra casa? - assustou-se McGonagall - Naquele estado?
E o que deixou Ron mais surpreso, foi ver Charlie mentir descaradamente e aquela mulher sequer percebere Ao menos foi o que o jovem Weasley pensou.
- Ariadne costuma ter algumas poções prontas em seu malão. Talvez ela tenha ido até seus aposentos, tomado qualquer coisa e então foi para casa. Afinal, ela está de férias.
- Mas isso é muito idiota de se fazer! - Madame Pomfrey parecia descontrolada em perder uma paciente daquela maneira. - Como ela se medica e vai para casa sem sequer me consultar?
- Como se você não se lembrasse da jovem Ariadne, Papoula - falou McGonagall, meneando a cabeça em reprovação. - Você sabe o que aconteceu com ela, Charlie, para ficar naquele estado? Remus não teve tempo de nos dizer.
Entretanto, se Charlie responderia esta pergunta - ou diria qualquer outra coisa -, Ron perdeu a oportunidade de saber, pois Hermione havia acabado de chegar à enfermaria, perguntado pelo namorado e o amigo. Madame Pomfrey indicou a passagem do quadro de Jakob Freud, que abriu totalmente a fim de dar passagem à aluna e fechando-se em seguida.
Charlie também foi embora. Precisava ir à casa de Ariadne, ver se ela estava realmente bem.
Assim que ele aparatou na frente à casa da amiga, entrou, mas não viu ninguém. Andou pela casa à procura de alguém, porém não havia nem sinal de Kika. Seu primeiro pensamento foi de que Ariadne havia pegado Nicola e viajado - embora que ela não faria isso, uma vez que a volta de Sirius fora exatamente para benefício do garoto. Portanto, assim que entrou no quarto do rapaz e viu o malão dele, descartou este pensamento.
Mas também começou a se preocupar, afinal de contas, onde sua amiga havia se enfiado? Porém, um barulho vindo do andar de baixo o fez respirar mais aliviado.
Rapidamente desceu as escadas que levavam à sala e, ao ver Ariadne encostada à porta, parecendo cansada, a chamou. Nem percebeu que a mulher se surpreendeu com sua aparição.
- Charlie? O que faz aqui? - ela perguntou, agradecendo intimamente por ainda não ter extravasado suas emoções, segurando-as mais uma vez como fizera no QG de Voldemort e à frente de seu filho.
- Sou eu quem pergunto, Ari! Fiquei preocupado, você sumiu de Hogwarts - ele falou, descendo os últimos degraus da escada e se aproximando de Ariadne, que logo fugiu para cozinha.
- E você achou que eu ficaria naquele lugar? - ela disse rindo. - Aposto que Madame Pomfrey ficou uma fera comigo. A propósito, por que você me levou para lá, sendo que pedi para me trazer para casa? - perguntou, abrindo sua geladeira e retirando uma jarra de lá de dentro.
- É que você ficou inconsciente depois que saiu do Arco. Eu me preocupei com Nicola, caso ele te visse daquela maneira, então preferi te levar para Hogwarts. Achei até que te encontraria por lá, há alguns minutos, mas você já tinha ido embora. E saiba que Madame Pomfrey ficou uma fera mesmo. O que você fez para ficar boa logo?
- Poção Revigorante com Agoureiro - ela disse simplesmente e dando de ombros, enquanto enchia um copo com suco de laranja. - Eu tinha no malão que deixei em Hogwarts.
- Que nojo! - falou Charlie com uma careta. Se reparou que Ariadne apenas fingiu sorrir, não demonstrou. - Onde está Nicola? Não o vi por aqui.
Ariadne quase não conseguiu segurar uma olhada para o amigo, conseguindo apenas relancear um olhar rápido antes de dizer impassívelmente:
- Lex o levou para outro lugar. Não acho que aqui ele estaria seguro... de Sebastian - ela disse, porém não sem antes se certificar, através de seus sentidos vampíricos, de que o primo não estava mais em sua casa.
- Você não vai levar Nicola para ver o Black? - estranhou Charlie.
- Ainda não. Sirius precisa saber da existência do filho primeiro. - E um pouco impaciente, completou: - Eu já te disse isso, Charlie.
- Certo... Mas onde Nicola está? - Ele não entendia essa coisa de tirar Nicola de casa, já que, para Ariadne, o lugar mais seguro para seu filho era perto dela.
A mulher olhou para Charlie rapidamente, permitindo-se, de maneira discreta, ver o que ele tanto pensava e por que motivo lhe perguntava tanto. Depositou seu copo dentro da pia da cozinha e saiu de lá. E sabendo que não poderia fugir desse assunto, Ariadne tratou de responder logo.
- Está em Bath, na casa do Lex.
- Um pouco longe, não?
- Sim... - murmurou Ariadne. Ela então se virou para o amigo, sua feição estranhamente calma. - Mas Sebastian não sabe onde Lex mora, então não vai poder aparecer, portanto... - Ela respirou fundo. Não agüentaria se segurar por mais tempo. - Olha, Charlie... Obrigada por se preocupar, mas eu preciso descansar. A poção só funciona perfeitamente se eu descansar o resto da tarde.
- Tudo bem. Só queria ver como você estava - falou, caminhando até a porta. - Te vejo no Natal?
- Eu não sei, eu... Acho que não vai dar. Não quero topar com a Molly, muito menos com a maneira que ela me olha ou pensa de mim.
- Pensa?
- Desculpe, não tive a intenção... - falou sincera. - Quando percebi, já usava legilimência nela.
- Eu posso vir aqui, então...
- Realmente... Afinal, não vamos privar a Molly de pensar mais coisas a meu respeito, não é? - falou com uma ironia exagerada.
Charlie franziu o cenho por um momento e, pela primeira vez, analisou sua amiga que estava segurando a porta já aberta. Era impressão sua ou ela estava se posando de forte por qualquer motivo idiota? Será que a volta de Sirius Black a afetava tanto assim? Além de estar praticamente claro que ela o estava enxotando de sua casa.
- Ari, está tudo bem mesmo? - insistiu, mas Ariadne sorriu levemente, apoiando-se na porta.
- Ainda não, mas vai ficar - ela respondeu. - Preciso descansar e colocar a cabeça no lugar.
- OK...
Charlie então se inclinou e deu um beijo na bochecha de Ariadne.
- Qualquer coisa, é só me chamar. Eu venho correndo.
- Tudo bem - ela disse quase fechando a porta na cara do amigo. - Eu conheço muito bem seu espírito grifinório. - E embora Charlie não tenha percebido, aquilo saiu mais como uma resignada constatação, do que agradecimento.
E com uma piscadela, o rapaz desaparatou.
Depois que fechou a porta, Ariadne não viu mais nada à sua frente. Nem quis saber onde Alexey foi parar ou se o ferimento do primo estava curado. Só queria se enfiar no quarto de Nicola e começar a pensar no que faria dali para frente para que os fantasmas que sempre a atormentavam em sonhos não viessem a ser reais. De que, caso ela realmente se aliasse a Voldemort como o bruxo lhe explicara quando deixara as masmorras, não iria acontecer nada com seu filho.
Ela ainda podia ouvir aquela voz ciciando. Voldemort não lhe mandara fazer nada em específico, mas deixara claro que, assim que precisasse dela, a chamaria. Ordenou também que ela deixasse sua casa desprotegida contra aparatação caso algum comensal precisasse lhe dar algum recado de imediato no período de férias. Ariadne ainda não sabia como conseguira se segurar. Como ficara parada, parecendo congelada, enquanto Voldemort lhe passava todas as coordenadas de como agir... ou não agir.
Ariadne mal percebeu que, em meio àqueles pensamentos, deitada na cama de seu filho, lágrimas de frustração escapavam de seus olhos juntamente com as de raiva e desespero. A vontade de organizar as idéias tornando-se impossível naquele momento.
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Após o choque de estar vendo Sirius novamente, Hermione conseguiu perguntar como Harry estava. O amigo apenas lhe sorriu, dizendo o óbvio: que estava feliz. Surpreendentemente feliz. E ao constar que a resposta era sincera, a garota expôs o que inquietou tanto ela quanto Ginny: como isso aconteceu?
- Você sabe, Harry?
- Não faço idéia - o garoto disse, passando os olhos de relance em Sirius para depois concentrar-se na amiga. - A Profa. McGonagall não soube nos dizer. - E ele repetiu as palavras da diretora.
- Mas ele não poderia ter saído sozinho do Arco - Hermione disse com o cenho franzido e, no que pareceu para os dois garotos, frustrada. - Só que...
- Que foi, Mione? - perguntou Ron.
- Quem teria condições de entrar naquele Arco sem morrer, digamos assim, e conseguir retornar com o Sirius? Além disso... - a garota continuou - Eu aposto que Bellatrix aparecer no Ministério nessa manhã, toda amarrada, não foi por acaso, afinal... foi por causa dela que Sirius atravessou o véu, não foi?
- Talvez a Profa. Lakerdos cansou de tê-la como mascote - falou Ron, em tom jocoso.
- Como?
- Bem, Harry, foi você quem nos disse que ela tinha capturado a Bellatrix e mandado a comensal para um lugar seguro - Hermione falou. - Vai ver que ela cansou ou desistiu de manter a mulher presa e enviou para quem realmente devia.
- Será?
- Ou talvez... - Ron mostrou-se pensativo. - Hermione, antes de você chegar aqui, eu e o Harry ouvimos a Madame Pomfrey toda doida do lado de fora.
- Doida? - estranhou a garota.
- É... falando alto.
- Alterada, Ron - ela o corrigiu, mas não sem revirar os olhos.
- É, isso mesmo - ele disse abanando a mão em sinal de descaso. Harry apenas soltou um riso pelo nariz. - E ela disse que a professora chegou aqui toda debilitada. Será que ela não foi levar a Bellatrix para o Ministério, mas duelou com a comensal antes disso?
Hermione franziu o cenho, não querendo levar aquilo muito a sério, mas... Ron e Harry logo viram a feição da garota mudar. E eles torceram para que ela não os enrolasse muito e dissesse logo o que tanto pensava.
- Não... impossível... - Hermione murmurou. Levantou-se da cadeira, começando a dar pequenos passos de um lado para o outro, as mãos torcendo uma na outra. - Mas ela disse... Seria perigoso demais... Mas o cargo é amaldiçoado... E ainda tem a Horcrux e...
- Mione!
Ela parou de andar ao ouvir a voz alterada dos dois garotos, mas antes que abrisse a boca indignada pelo tom que eles usaram, Madame Pomfrey irrompeu a Ala Reservada da Enfermaria, irritada.
- Ora essa, eu esperava silêncio de vocês três! Mas agora a visita acabou. Sr. Potter, a diretora disse que, se o senhor quiser, pode ficar em Hogwarts. Os elfos podem cuidar do seu almoço - que já passou do horário até - e das outras refeições. Mas não pode dormir na enfermaria.
- Tudo bem - disse o garoto, enquanto era enxotado da Ala Reservada. - O Ron e a Mione podem ficar comigo?
- Bem, Minerva não me disse nada, mas acho que vocês têm condições de perguntar isso a ela, não?
- Certo.
Harry ainda deu uma última olhada para Sirius quando chegou ao quadro para sair, no que Madame Pomfrey pareceu perder um pouco sua irritação. Colocou uma mão no ombro do garoto e, calmamente, falou:
- Agora pode ficar tranqüilo, Sr. Potter. Irei cuidar do seu padrinho e ele ficará bem. Deve acordar logo, logo.
- Certo, ahm... Certo.
- Vamos, Harry - chamou Hermione. - Depois a gente volta.
- A gente bem que poderia visitar a cozinha - Ron falou. - Acho que Dobby vai gostar de dar comida para gente. Estou faminto!
Hermione revirou os olhos.
- E quando você não está com fome, Ron? Parece mais um saco sem fundo.
Mas Harry nem prestou atenção na conversa dos amigos, embora os seguissem automaticamente na direção da cozinha do castelo. Estava mais preocupado com seu padrinho e no tempo que ele levaria para acordar. Tinha tantas coisas para perguntar a ele. Principalmente sobre conselhos acerca de uma certa garota de cabelos rubros.
O dia ainda pareceu seguir devagar.
Depois que eles comeram, servidos alegremente por Dobby e Wink - que, para alegria de Dobby, finalmente parecia ter conseguido largar a Cerveja Amanteigada -, o trio foi para os jardins, na direção da cabana de Hagrid, uma vez que Madame Pomfrey não os permitira entrar para ver Sirius ainda. Entretanto, o guarda-caça não estava, o que os obrigou a voltar para o castelo. Mal colocaram os pés lá dentro, Ron inquiriu com Hermione sobre o que ela tanto pensara, mas que ainda não havia lhes dito.
- Vamos para o salão comunal? Assim temos mais sossego. - Eles então começaram a caminhar na direção da torre da Gryffindor, porém, mal deu cinco passos, Hermione estacou. - Não. Acho melhor irmos para biblioteca... É, é melhor mesmo... Só espero que Madame Pince não nos expulse de lá.
Ron mal abrira a boca, depois de ter trocado um olhar aturdido com Harry, a namorada já o cortava.
- E eu só vou falar depois que ter minhas respostas, Ron.
- Mione, não dá para você adiantar para gente?
- Não. Pois não quero levantar falso testemunho.
- Nossa... - assombrou-se Ron, porém com um sorriso brincando no canto dos lábios. - Você falando assim até assusta, sabia?
- Só espero que seu susto não seja maior, caso eu confirme minhas suspeitas.
Depois disso, ela não falou mais nada, pois haviam chegado à biblioteca. Madame Pince se surpreendeu ao vê-los ali e ia começar a ralhar, mas quando Hermione disse que a Profa. McGonagall havia autorizado a presença deles no castelo, ela preferiu terminar de fazer o que quer que estivesse fazendo. Pediu apenas que não desorganizassem a biblioteca e fizessem silêncio enquanto estivessem ali. Hermione, prontamente, atendeu ao pedido da mulher.
- Então? Vai nos dizer o que tanto pensa?
- Olha, Ron, se quiser esperar aqui, tem que ficar quieto, se não, vai dar uma volta com o Harry, para espairecer. Eu não ligo de pesquisar tudo sozinha.
- Mas... - indignou-se o outro. - Se você ao menos nos contasse o que tanto procura, talvez a gente conseguisse ajudar decentemente, e você não precisaria procurar tudo sozinha, Hermione.
- Mas é que eu...
- Sei, não quer levantar falso testemunho - cortou Ron. - Ou você está com medo de que a gente tire uma da sua cara com o que você pensou, antes que consiga uma prova contundente sobre o que veio à sua cabeça?
- Como é? - indignou-se também a garota.
- Ah, Mione, qual é? Não vamos rir de você! Se você quer procurar qualquer motivo que tenha feito Sirius voltar daquele Arco, então queremos saber para ajudar melhor. E, além disso - ele completou ao ver a namorada abrir a boca -, suas idéias nunca foram tolas. Você sempre teve razão, então, por que agora seria diferente?
Se Ron tinha a intenção de fazer a namorada ficar calma, conseguiu seu intento. Além de tê-la feito corar absurdamente.
- Eu não tenho razão sempre - ela disse encabulada, no que Ron riu.
- Hermione, você sempre consegue ter razão. Claro que isso é irritante às vezes, mas... Fazer o quê, não é?
- Ah, Ron... - exclamou Hermione, segurando o rosto do namorado com as mãos e lhe dando um beijo estalado.
- Eu tenho que presenciar isso mesmo? - Harry perguntou, tentando segurar uma careta.
- Não - falou Ron. - Por isso mesmo que nós vamos procurar uns livros... ahm... por lá.
E Ron já puxava Hermione, mas a garota sequer saiu do lugar. Uma expressão de alegria brigando com uma de reprimenda.
- Não, Ron. Viemos aqui procurar algo sobre caso do Sirius, nada mais.
- Mas o que vamos procurar, então? - o garoto perguntou, tentando, sem sucesso, esconder sua frustração.
- Bem, nós vamos... hum... - Hermione olhou para os lados e, ao se certificar de que Madame Pince estava longe, falou: - Vampiros.
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O sol começava a se pôr, porém, uma pilha de livros mostrava que a pesquisa não terminaria tão cedo. Tudo o que Hermione encontrou sobre vampiros não a satisfez. Era tudo a mesma coisa. Ou era o vampiro do tipo que tinha no sótão da Toca, ou então o vampiro fictício dos contos trouxas. Não havia nada sobre os vampiros aliados de Voldemort.
Hermione não soube explicar como ela chegara a pensar numa coisa tão impensada: de que sua professora de Defesa Contra as Artes das Trevas fosse uma vampira. Afinal, por que McGonagall colocaria um ser das trevas para dar aula a eles? Embora que... bem, eles já tiveram aula com um lobisomem, não tiveram? Mas mesmo assim... Lupin só se transformava na lua cheia e, para isso, refugiava-se na Casa dos Gritos. Já um vampiro, como os que Ariadne Lakerdos explicara em sua aula de DCAT há dois meses, não precisavam se transformar como um lobisomem para ficarem cruéis. Eles o eram o tempo todo!
Mas aquela procura era inútil. Pelo visto, os vampiros ficaram tão bem escondidos durante esse tempo que ninguém sabia da existência deles. Hermione estava abrindo mais um livro, mas, ao ler o título dele, desistiu.
- O que esse livro está fazendo aqui?
Harry e Ron a olharam ao ouvir a pergunta.
- Foi você quem pegou, Mione - Ron disse.
- Eu?
- É - confirmou Harry. - Ele estava na seção de livros trouxas. Você achou que ele também serviria. Acho que tem algo sobre vampiros aí também.
Hermione ainda pensou em descartar esse livro, mas, se de todos os livros bruxos nenhum servira, por que não tentar um livro trouxa?
Ela então abriu, procurando no índice algo que lhe chamasse a atenção. Mas teve que parar, pois a voz de Harry a tirara de sua concentração.
- O que foi, Dobby?
- Senhor Harry Potter, a curandeira de Hogwarts está chamando pelo senhor! Ela disse que é importante, mas que só o senhor pode ir.
- Por que só eu, Dobby?
- Ela não disse, senhor, mas se o senhor quiser, Dobby vai perguntar!
- Não, não precisa, eu... - Harry olhou aturdido para os amigos, mas um olhar de Hermione o encorajou. - Eu já volto. - E saiu na companhia do elfo.
Ron e Hermione se olharam. Se fosse uma notícia ruim, com certeza Madame Pomfrey não os impediriam de ir com o amigo, a garota concluiu. Voltou então para o livro, à procura de algo interessante, mas ao sentir a mesa tremer levemente, falou sem sequer tirar os olhos do índice:
- Ron, pára de mexer essa perna. Está fazendo a mesa tremer.
- Por que Madame Pomfrey não nos deixou ir junto? - ele perguntou, ignorando o pedido da namorada. - Será que foi algo grave?
- Lógico que não - Hermione falou, olhando-o. - Eu acho que...
- Que?
- Bem, eu acho que Sirius acordou - falou um pouco incerta, olhando para a porta da biblioteca. - E não acho que seria interessante uma multidão, não é?
- Você acha?
- Ah, eu... eu acho que sim, Ron. Se fosse algo ruim, claro que ela nos chamaria, afinal, somos amigos do Harry.
- Bem, se você diz... - Ron falou, voltando sua atenção para o livro, mas a perna ainda chacoalhava insistentemente embaixo da mesa.
Hermione ainda tentou se acalmar, mas aquela mania do namorado a tirava do sério. Desde quando Ron era tão inquieto a ponto de mexer a perna daquela maneira? Ela já ia mandá-lo sossegar, quando viu algo que lhe chamou a atenção no índice do livro trouxa. Rapidamente, fez mais de mil páginas virar, até encontrar o que queria.
Mas aquilo não poderia ser certo. Não mesmo. Mas mesmo assim...
- Acho... que encontrei, Ron - Hermione falo assombrada. A perna do garoto parou de mexer naquele instante.
- Encontrou?
- A-ham... Acho que foi a Profa. Lakerdos quem entrou no Arco, e também sei como.
- E como foi? - o outro insistiu, dando a volta na mesa até ficar ao lado de Hermione.
- É que ela pode entrar no Arco, justamente porque não poderia morrer ou, sei lá, ser mantida lá, já que ela está tanto morta quanto viva. - E o olhando, completou: - Ela é uma vampira, Ron.
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O sol parecia entrar por frestas de janela, iluminando o lugar de uma maneira agradável. Ele abriu os olhos molemente, piscando-os de maneira quase frenética para se acostumar com a luz. Luz? Desde quando ele via tanta luz?
Tentou se mexer, mas seu corpo protestou fortemente apenas com esse pensamento. Seus músculos estavam doloridos, seus nervos, tensos, e parecia que sua cabeça iria estourar e, para piorar, havia um cheiro no local que o fazia querer dormir de tão inebriante que era, ao mesmo tempo em que o fazia manter-se acordado para descobrir de onde ele vinha.
Queria chamar alguém, mas sua voz também era outra que não o obedecia. Não fazia a menor idéia de onde estava, embora o lugar lhe parecesse familiar. Entretanto, era completamente impossível ele estar aonde pensava estar. Respirou fundo, sentindo os músculos do peito doerem um pouco, mas nada comparado à sua cabeça. Mas, mesmo assim, forçou sua mente a trabalhar.
Não se lembrava muito do que ocorrera e muito menos a maneira de ter chegado na Enfermaria de Hogwarts, pois tinha certeza que era exatamente lá que estava. A última memória sã que ele tinha era que duelava com Bellatrix, mas isso parecia ser há tanto tempo, embora também parecesse ter acontecido minutos atrás. Será que ele não atravessara o véu como imaginara e sua prima apenas lhe lançara alguma maldição desconhecida?
Forçando mais um pouco a memória, parecia que alguém fora buscá-la no lugar que estava, independentemente de ser maldição ou realmente o arco, mas não vira o rosto da pessoa, embora alguma coisa dentro dele gritava um nome. Porém, agora, lembrando-se melhor, ele vira sim um par de olhos o encarando quando os seus protestaram na primeira vez que encarara a luz, desmaiando em seguida. Foram olhos dourados que ele vira. Olhos amáveis, gentis. Doces como mel.
E mesmo com sua mente gritando que seria impossível que a dona daqueles olhos fosse quem ele tanto queria, seu coração falava no mesmo tom e volume afirmando que sim, era ela. Ela voltara para ajudá-lo, para recuperar toda a sanidade e esperança, as quais ele abandonara ou perdera.
Deitou-se de lado e sentou-se, mas isso provou ser um erro, pois, agora sim, sua cabeça parecia explodir, assim como parecia que estava acontecendo com o quarto, pois o tanto de estrelas que ele viu mais se assemelhava a uma explosão. Sentiu ânsia e parecia que colocaria tudo o que comeu para fora, mesmo sabendo que também não comera nada.
Porém, controlando tudo isso, além da dor que percorria seu corpo, Sirius colocou os pés no chão, os quais automaticamente protestaram perante a pedra fria. Mas ele não ligou e, sem nem procurar um calçado que fosse, caminhou até a saída daquele lugar. Ou, como ele percebeu depois, a saída que permitia a entrada da luz.
Assim que atravessou a porta, a claridade intensa o pegou desprevenido e, tentando rapidamente colocar a mão na frente do rosto, pois apenas fechar os olhos não era o bastante, seu corpo pareceu receber uma descarga elétrica de tão dolorido que estava. Desequilibrou-se, caindo de joelhos no chão e, não segurando mais, vomitou. A única coisa que saíra foi um líquido escuro, pútrido. Com o tempo de ver apenas um borrão branco à sua frente, desmaiou.
Quando Sirius acordou novamente, percebeu que estava novamente em uma cama, a qual era cercada por um cortinado estranhamente familiar. E foi quando ele novamente tentou se levantar, que as cortinas abriram-se num átimo.
- Sr. Black, fique deitado.
Era Madame Pomfrey, que trazia uma pequena bandeja sustentando alguns frascos com líquidos coloridos. A voz dela saíra enérgica, mas também com uma amabilidade que Sirius estranhou.
- O que... onde... - falou aturdindo, sentindo a garganta arranhar.
- Acalme-se, Sr. Black. O senhor está em Hogwarts, seguro.
- Mas, o que...
- Fique quieto. Precisa tomar essas poções, pois está muito fraco.
Madame Pomfrey enfiou um cálice, que havia um líquido rosado, nos lábios de Sirius. Mesmo querendo argumentar, perguntar o que estava havendo, ele não conseguiu por ainda estar debilitado. E depois desta poção, que mais parecia groselha pura, a curandeira lhe deu algo amargo, mas que pareceu reativar suas forças, o que foi o necessário para conseguir falar novamente.
- O que aconteceu?
- O senhor foi resgatado, Sr. Black, agora, por favor, tome essa poção, sim? - falou a curandeira, irritando-se.
Sirius bebeu mais uma taça, com agora um líquido verde e viscoso, mas sem gosto.
- Vou pedir para um elfo lhe trazer uma sopa, vai fazer bem.
- Eu preciso falar com...
- Fique quieto, por favor!
Sirius só não retrucou, porque estava cansado para tanto e, sem perceber, adormeceu.
Quando acordou pela terceira vez, o sol já estava se pondo, e Sirius praguejou por Madame Pomfrey tê-lo feito dormir, uma vez que precisava de respostas urgentes. Intentou levantar-se de novo, mas hesitou ao ver que havia alguém ao lado de sua cama. Automaticamente, toda sua curiosidade e vontade de saber como parara ali foi esvaída de sua cabeça ao ver Harry. Se o que Sirius se recordava estava certo, ele atravessara o arco sim. Só em imaginar o afilhado sozinho durante um tempo que lhe era desconhecido, sentiu-se derrotado.
Harry estava com as mãos no rosto, enquanto seus cotovelos estavam apoiados nos joelhos, num conjunto que sustentava o peso de seu corpo. Porém, logo o garoto percebeu um movimento à sua frente, o que fez com que se erguesse rapidamente na cadeira, principalmente ao relancear os olhos para a cama do padrinho.
- Sirius! - falou dando dois passos à frente, mas hesitando um pouco ao lado da cama diante do olhar triste do homem. - Você... ah... como está?
- Eu... eu não sei, eu... Ai, dolorido...
- Madame Pomfrey disse que você vai ficar bem, mas vai precisar ficar, no mínimo, uma semana aqui na Enfermaria. Você estava péssimo quando chegou, muito abatido e com olheiras profundas, embora não tenha mudado muito também. Eu vou chamá-la para avisar que você acordou, porque ela me pediu que fizesse isso e... - Harry suspirou, sentando na cama para pegar um pouco de ar, não percebendo o quão rápido falara. - Achei que nunca mais fosse te ver.
Vendo Harry ali, falando de forma rápida e nervosa, terminou de destruir Sirius. Não era para nenhum dos dois estarem nesta situação. Harry preocupado com ele e ele tão impotente em relação ao afilhado. Não fora para isso que James e muito menos Lily o tornaram padrinho e tutor do garoto. Sirius sentiu seus olhos arderem e tentou conter as lágrimas de alívio e, também, tristeza por ver como Harry estava. Pois a tristeza também estava estampada naqueles olhos. E, sem nem pensar duas vezes, puxou o afilhado num abraço.
Sirius o apertou forte em seus braços, tentando passar uma proteção que ele nunca achou que teria oportunidade de fazer, uma proteção que, com certeza, seria James, e não ele, quem o faria caso o amigo estivesse vivo.
- Olha só para gente - falou Sirius depois de um tempo e separando-se do afilhado. - Dois bebês chorões.
Era verdade. Ambos deixaram algumas lágrimas caírem. Lágrimas de tristeza, alívio e saudade. Os dois riram, desanuviando por completo o lugar.
- Vou chamar Mme. Pomfrey.
Mas Harry nem saiu do cortinado. Parecia que a curandeira tinha um sensor para quando seus pacientes acordassem, pois apareceu quando Harry mal dava o segundo passo para sair do cortinado.
- Ah, Sr. Black, que bom que acordou. Tome esta sopa. - E colocou uma bandeja no colo de Sirius. Em cima dela havia uma pequena tigela, de onde saía um cheiro delicioso de galinha. - Sr. Potter, o senhor pode chamar a diretora, por favor? - ela mandou.
- Ah... Claro, eu... já volto. - E saiu, mas não sem antes lançar um olhar animado para seu padrinho, que correspondeu com uma piscadela.
Sirius começou a tomar a sopa, mas sua cabeça já voltara a pensar freneticamente. Precisava saber como saíra daquele arco e se fora realmente Ariadne quem o tirara de lá. Com certeza Dumbledore responderia suas perguntas, tirando essa dúvida que parecia matá-lo. Nem percebeu quando terminou de comer e Mme. Pomfrey retirou a bandeja da sua frente, dando-lhe uma taça de suco de abóbora. E sem pestanejar, ele bebeu todo o conteúdo.
O cortinado então se abriu, mas não foi Dumbledore quem apareceu. E sim a Profa. McGonagall acompanhada de Harry.
- Olá, Minerva - ele falou, acompanhando o sorriso da diretora.
- Ah, Sirius, que bom que acordou.
- É bom estar de volta.
Sirius olhou de McGonagall para Harry, olhando depois para uma fresta do cortinado.
- E Dumbledore? Muito ocupado? Você não foi chamá-lo, Harry?
Os visitantes se olharam, mas foi Harry quem falou.
- Ah, Sirius... Dumbledore, ele... Ele foi assassinado.
Mesmo percebendo o que o afilhado iria dizer no momento em que começou a gaguejar, o impacto da notícia em si não teve um efeito menor sobre Sirius.
- Mas... Dumbledore? - perguntou assombrado. Seu rosto parecia mais pálido ainda. - Como... quem?
O rosto de Harry tomou feições duras quando ele falou:
- Snape.
Então Harry contou, sentindo a conhecida raiva voltar. Toda a frustração de não ter feito nada por estar enfeitiçado, a raiva por não ter conseguido revidar ou atacar Snape.
- Agora, ele e Draco Malfoy estão foragidos - concluiu McGonagall.
- Deus, eu... Deus!
Ninguém disse mais nada durante um tempo. Porém McGonagall, como sempre, achou melhor sair deixando Harry e Sirius a sós. Mais tarde ela voltaria, como havia dito ao homem. Mas assim que ela abriu a porta da enfermaria, Remus entrou e em instantes já entrava no cortinado de Sirius, abraçando o amigo como fez, há mais de três anos, na Casa dos Gritos.
Remus ainda não conseguia acreditar que Sirius estava ali, e vivo.
Desde que Ariadne lhe explicara todos os detalhes de como poderia atravessar o arco da sala do Departamento de Mistérios para salvar Sirius, ele acreditara nela. Tinha fé na amiga. Algo realmente lhe dizia que ela poderia trazê-lo de volta, mas mesmo assim... Vê-lo ali e bem era muito mais do que qualquer esperança ou imaginação juntas poderiam proporcionar. Certo que, no começo, chegara a sentir certa pena da amiga, afinal de contas, para eles, Sirius morrera realmente ao atravessar o Arco da Morte. Mas, agora, tudo parecia estar resolvido. Sirius estava ali. Vivo e bem.
- Sirius, que bom te ver - Remus finalmente falou, soltando-se do amigo e com um enorme sorriso em seus lábios.
- É bom estar de volta, Remus - Sirius sorriu também, porém, como se fosse algo automático sua feição alegre transformou-se numa de dúvida.
- O que foi?
- Eu... Como aconteceu? Eu não entrei naquele arco?
- Entrou - falou Remus, cuidadoso.
- Então?
- É mesmo, Remus - falou Harry chamando atenção dos dois amigos. - Você não nos explicou como conseguiu trazer Sirius de volta.
- Foi você?
- Não. Foi Ariadne.
Contar como tudo ocorrera não foi complicado para Remus. O pior foi ele ocultar como verdadeiramente Ariadne conseguiu entrar no Arco da Morte. Ele achava que, o fato da amiga ser uma vampira e como tudo lhe ocorreu, deveria ser dito pela própria Ariadne, afinal, Remus não gostaria que ninguém, mesmo seus amigos, ficassem espalhando por aí que ele era um lobisomem.
Foi complicado burlar as perguntas de Sirius, mas, o fato de Harry estar presente intimidou um pouco o homem com perguntas que seriam interessantes apenas a ele.
Já devia ser quase hora do jantar, quando Remus decidiu ir embora.
- Se eu demorar mais, a Tonks em mata - Remus falou. - A propósito, Sirius, ela vem te ver amanhã, já que hoje ela teve que fazer hora extra no Ministério.
- Tonks? - perguntou Sirius, estranhando. - Nimphadora Tonks? Minha prima, filha de Andromeda e Ted?
E Remus, mesmo sentindo-se constrangido com aquele interrogatório quase escandaloso, confirmou com um sorriso e um aceno da cabeça.
- Desde o verão - confirmou Harry.
- Não acredito! - riu Sirius, sentindo-se mais leve depois de toda aquela história. - Moony, você era mais certinho, sabia? Mas está me saindo um perfeito “papa-anjo”.
- Ah, não fala assim, Sirius - resmungou o homem. O constrangimento de Remus era palpável. - Eu já fiquei encucado quando ela começou a dar em cima de mim, e quando ela disse que queria ficar comigo, então...
- Espera, espera... - Sirius o cortou, jocoso. - Quanto tempo você demorou para aceitar que era apaixonado pela minha priminha?
- Ah... - Remus deu de ombros, relanceando um olhar para Harry que parecia estar adorando a situação. - Um tempo aí...
- Pelo que eu saiba - o garoto intrometeu, rindo levemente -, foi um ano.
- Um ano? Um ano?! - indignou-se Sirius. - Que depecção...
Remus ainda retrucou, falando que aquilo não era da conta de Sirius. Mas precisava mesmo ir embora. Não gostaria, realmente, de que, quando chegasse em casa, Tonks o estivesse esperando. Aquela mulher irritada não era boa coisa, embora que, às vezes, era tentador irritá-la. Mas deixando esses pensamentos mais íntimos no lugar merecido, Remus se despediu do amigo com outro abraço e um tapa amigável nas costas de Harry.
Depois que Remus saiu, deixando padrinho e afilhado a sós, o silêncio se instalou entre os dois. Por mais que Harry quisesse contar a Sirius tudo o que o perturbava, principalmente sobre a Profecia e as Horcruxes de Voldemort, ele também sabia que ainda não era hora e nem lugar para isso. Mas, ao levar a mão para a nunca e passar as mãos pelos cabelos, Sirius soltou um riso, praticamente adivinhando - embora sem saber - o que acontecia com o afilhado.
- Sabia que o James fazia isso quando estava nervoso?
Harry o olhou com as sobrancelhas arqueadas.
- Mas ele não fazia isso apenas para aparecer? - indagou o garoto
- Na maioria das vezes. Mas ele também fazia isso quando estava frustrado com alguma coisa. Na verdade - Sirius falou, pensativo -, ele adquiriu essa mania a partir do nosso quinto ano, quando começou a perseguir sua mãe e ela lhe dava um fora diferente por dia.
Harry riu, gostando do rumo da conversa. Sempre gostou de ouvir sobre os pais algo assim, que foram pessoas com frustrações normais. Frustrações adolescentes. Não sabia por que, mas não gostava de ouvir que eles foram bruxos maravilhosos, que lutaram bravamente contra Voldemort. Sempre preferiu o: James fez isso e Lily respondeu com aquilo. Ou então: James fez isso com você e a Lily só faltou azarar o infeliz. Era tão bom quando falavam de seus pais como se eles tivessem sido felizes o tempo todo, sem a sombra da guerra. Como ele vivia agora. Como ele vivia sem Ginny.
E o garoto nem percebeu que era analisado cuidadosamente por Sirius.
- Sabe, Harry... Eu sei que estou fraco, que atravessei o Arco e isso... bem, isso me atingiu fisicamente mais até do que eu gostaria, mas não precisa ficar cheio de dedos comigo. Só estou um pouco confuso com o que me aconteceu enquanto estive dentro daquele lugar. Quanto ao que aconteceu aqui... Eu gostaria realmente de saber o que mais se passou na minha ausência.
Mas Harry ainda parecia achar o contrário, tanto é que continuou calado, mais interessado numa linha de seu casaco. E foi então que Sirius decidiu perguntar, reconhecendo a expressão do rosto de Harry - afinal, a viu durante muito tempo na época de Hogwarts no pai do garoto à sua frente:
- Quem é ela?
- Como? - Harry se surpreendeu com a pergunta feita de supetão.
- Quem é a garota? - perguntou com um meio sorriso.
- Não tem garota!
Entretanto, o fato de Harry ter corado até as raízes do cabelo, o contradisse. Além disso, seria um pouco difícil enganar alguém perito em expressões apaixonadas. Mesmo que elas não tomassem todo o rosto de Harry naquele momento.
- É a Hermione Granger? - ele tentou adivinhar, mas ao receber uma careta como resposta, soube que era negativo, o que o divertiu. - Certo, se não é a Hermione, quem é? Afinal de contas, você nunca me disse de garota alguma. E, pelo que eu sei, você só é amigo dela e, quando está de férias, as passa na casa dos seus tios e depois...
Como se fosse possível, Harry sentiu seu rosto queimar ainda mais com essa parada brusca do padrinho. E Sirius soube reconhecer aquilo muito bem.
- Certo... - falou divertido. - Acho que você mais parece o Remus ao seu pai. O Remus quem corava quando falava de garotas.
- Eu não coro quando falo de garotas - Harry falou, constrangido.
- Ah, sim... Então todo o sangue de seu corpo decidiu subir para fazer uma expedição no seu cérebro? Quando você vai falar com a caçula dos Weasley?
- Como você sabe que é ela? - Harry perguntou sem nem perceber.
- Saber eu não sabia... Só foi uma suposição, mas pelo visto acertei. Mas então... - Sirius falou animado. Nem parecia lembrar-se do que acontecera há algumas horas. - Você já contou que a ama?
Amor? Não, Harry nunca dissera que amava Ginny. Apenas dissera que gostava dela, que se preocupava com ela. Apenas dissera que era muito bom ficar com ela. Mas amar?
- Eu nunca disse a ela.
- Não? - assustou-se Sirius, mas logo sorriu. - E desde quando você reprime isso?
- Eu não reprimo, eu... Eu terminei com ela, no verão passado.
- Espera, espera - o homem falou, como se pedisse tempo. Daquela vez sem o divertimento com que abordara Remus. - Você disse que nunca falou para ela que a amava, mas terminou com ela. Então, partindo disso, posso dizer que vocês já namoraram. - Harry confirmou, mas sem coragem alguma para encarar Sirius. - Mas se você a ama, por que estão separados?
“Ótima pergunta”, Harry pensou. Parecia que nem Voldemort seria uma boa desculpa, mas foi a que usou para dar ao padrinho.
- Harry, você... Você não pode parar de viver por causa de uma guerra. Certo que Voldemort te persegue, embora ninguém saiba o porquê, mas...
- Mas eu sei o motivo de ele me perseguir.
O garoto então contou tudo, embora o tenha feito em sussurros e apenas depois de se certificar de que Madame Pomfrey ainda continuava em sua sala particular. Falou da Profecia, das Horcruxes... e, principalmente, de quando Ginny foi levada por Voldemort, no segundo ano dele, apenas por ser irmã do seu melhor amigo. Ele não poderia permitir que isso se repetisse.
- Mas, mesmo assim, Sirius, eu... Eu sinto falta dela, sabe?
Harry levantou-se da cama, onde estava senado até então. Enfiou as mãos nos bolsos, ficando de costas para Sirius. Ele precisava de ajuda quanto a isso e, pela primeira vez, parecia ter encontrado alguém para desabafar o que tanto o atormentava.
- Como eu posso querer ficar longe dela, para protegê-la, mas ao mesmo tempo não ligar para isso, para proteção dela? Se ela ficar comigo, vai correr riscos desnecessários, entende?
- O que eu estou vendo é que você está agindo exatamente como uma pessoa cheia de nobreza e honra deve agir.
Por um momento, Harry sentiu-se desapontado pelo que o padrinho dissera. Ele quisera que Sirius lhe dissesse que ele estava agindo erroneamente, mas, pelo contrário, parecia ter dito que ele estava agindo corretamente. E foi com uma resignada constatação que o garoto olhou para o padrinho. Se ele percebeu um brilho diferente nos olhos do homem à sua frente, não demonstrou.
- Mas, Harry, você não tem só nobreza e honra. Você tem sentimentos e precisa vivê-los!
- Só que é a segurança da Ginny que está em jogo, Sirius! - Harry não parecia saber qual constatação do padrinho lhe era melhor.
- Eu sei - Sirius replicou e, depois de um tempo parecendo pensar, perguntou: - O que ela acha disso?
Harry soltou um muxoxo:
- Ela só faltou me azarar quando soube. - Porém, logo uma feição que aparecia sempre que Harry falava de sua situação com Ginny tomou conta de seu rosto. Uma feição dura e determinada. - Mas ela não entende! Parece até que não liga para a vida dela, sabe? Como se eu estivesse adorando ficar longe dela! Eu não estou adorando, Sirius! Eu só não quero que ela morra por estar comigo!
- Ou seja, você não quer carregar essa culpa - Sirius falou parecendo impassível.
- Não, eu... não tem nada a ver!
- Você não quer que ela morra, porque não quer carregar essa culpa para o resto da sua vida. Não quer se martirizar pelo resto da vida. Não quer que a família dela o olhe com culpa.
- Eu...
Harry não continuou. Parecia que era exatamente isso que ele sentia. Mas quem poderia culpá-lo? Ele era cercado de morte. Desde que tinha um ano de idade, a morte o perseguia. Viver humilhado com seus tios era uma coisa, afinal, ele aprendera a lidar com isso, a não ligar para eles. Mas... se a família Weasley o olhasse e ele visse qualquer sinal de ressentimento por Ginny ter morrido por sua causa, ele não saberia o que fazer. Não saberia lidar com essa perda, embora que, caso perdesse Ginny, nada mais parecia importar para ele.
Quantas vezes ele não acordara trêmulo, num sonho onde Ginny morrera em seus braços? Ele só não queria que esses sonhos se tornassem realidade, caramba! Mas... parecia até cruel que, quando ele não sonhava com a morte de Ginny, ele sonhava com os dois felizes, a guerra terminada, ele rodeado de filhos ruivos de cabelos arrepiados.
- Isso não é justo - Harry falou finalmente. - Parece até que não tenho escolha, Sirius.
Sirius pensou por um tempo, sentindo-se quase pequeno diante do desespero do afilhado. Mas pareceu lembrar-se de algo que o animou, e talvez desse uma luz para o filho de seu melhor amigo.
- Depois que você nasceu, a Lily ficava muito cansada, sabe? Acho que era o fato de você querer mamar demais e nas horas mais impróprias - Sirius falou, não segurando um sorriso nostálgico. - Um dia fui à casa de seus pais, vê-los e ver você também. A Lily estava dormindo e o James cuidava de você, te dando uma mamadeira. Eu o vi cuidar de você com tanto cuidado, como se nada mais importasse. Até que eu falei exatamente o que você disse, que não era justo eles estarem sendo perseguidos por Voldemort, que eles eram pessoas maravilhosas demais para estarem nessa situação, fugindo o tempo todo.
Harry nem percebeu que se sentara na cadeira perto da cama de Sirius.
- Ele me disse: “Realmente não é justo, Padfoot. Mas eu não trocaria essa vida por nada. Mesmo se soubesse, desde os tempos da escola, que um louco homicida estaria perseguindo a mim e minha família, eu não mudaria meus planos.” Eu então perguntei por que ele não mudaria, e ele me disse que ele não queria correr o risco de ser infeliz.
- Eu não sei o que isso tem a ver comigo, Sirius - Harry disse.
- Você não vê, Harry? - o homem perguntou. - Você não pode deixar que Voldemort te impeça de ser feliz! Eu sei que tudo o que você me contou pesa, mas você não pode esquecer também que, com você ou não, a Weasley pode morrer nessa guerra. Toda a família dela está lutando contra! E, pelo que eu conheço dos Weasley, ela não deve ser nenhuma bruxa medíocre.
- Você não acha que já pensei nisso? E que Ginny também não me disse isso? - perguntou frustrado e irritado.
- Então por que você pensa tanto?
- Eu não sei, eu...
Mas Harry sabia, sim, porque pensava tanto. Ele não saberia lidar, de maneira alguma, caso perdesse Ginny. Ele conseguira lidar com a morte de seus pais, porque ele vivera com eles apenas quando era bebê. E, se quando Sirius atravessou o arco ou quando Dumbledore morreu foi insuportável, imagina caso ele perdesse Ginny? Caso ele perdesse a garota que ele gostava e que, só quando viu tudo perdido, percebera que amava? Que sentia uma vontade gritante de que sua vida não fosse aquela para que ele pudesse viver com Ginny tudo o que tanto queria...
- Às vezes é bom pensar menos e sentir mais, Harry - Sirius disse, e não conseguiu conter a idéia de que este conselho era dito por experiência própria. - Pode parecer que não, mas se você tiver alguém do lado, fica bem mais fácil lutar contra os demônios.
Nenhum deles disse mais nada e, como se esperasse aquele exato momento para aparecer, o cortinado da cama foi aberto, deixando passar por ele Madame Pomfrey, com um cálice fumegante nas mãos.
- Ah, não. Eu não agüento mais beber tanto! - Sirius falou em tom jocoso, apenas para ver a curandeira ralhar com ele e aproximar-se decidida.
- Sr. Potter, acho que o senhor já pode se retirar. O Sr. Black agora vai dormir até amanhã, talvez até a hora do almoço.
Mas por um momento, a ordem da curandeira teve de ser ignorada, pois Ron e Mione também apareceram.
- Ah, achei que vocês não me visitariam - Sirius disse, não dando a mínima para o cálice que Madame Pomfrey segurava perto de seu rosto, o que fez a mulher revirar os olhos.
O casal sorriu, assim como Harry, embora este ainda tivesse as palavras de Sirius martelando em sua cabeça.
- É realmente um prazer tê-lo de volta, Sirius - Hermione disse emocionada.
- Mas pode ter certeza de que o prazer é todo meu, Hermione.
Ron também deu as boas vindas para Sirius, cumprimentando-o, no que o homem não deixou de perceber as mãos do casal entrelaçadas.
- Agora chega! - Madame Pomfrey fez Sirius beber a poção que trouxera. - Meu paciente tem que descansar, então, é melhor vocês irem.
- Não precisa enxotar minhas visitas, Madame - indignou-se Sirius, embora sorrisse.
- Mas nós estamos indo mesmo, Sirius - Hermione disse.
- Pois é... - confirmou Ron. - Minha mãe apareceu na lareira da McGonagall e mandou a gente voltar para casa. Ela falou para você voltar também, Harry.
- Eu prefiro ficar - o garoto disse.
- Acho melhor você ir, Harry - Sirius disse, aconchegando-se na cama enquanto sentia o sono vir. - Não vou acordar até amanhã, mesmo. Então, depois do café, você vem me visitar.
- Já que você está dizendo... - Harry disse, dando de ombros.
- Isso. Além do mais, você tem que resolver umas coisas, não é? - Em seguida, Sirius adormeceu sob o efeito da poção.
- Resolver coisas? - inquiriu Ron. - Que coisas?
- Nada demais. Acho que ele já estava sonhando.
- Ah, Harry! Ron e eu descobrimos como Sirius voltou - Hermione falou quando saíram da enfermaria, indo diretamente para a sala da diretora onde, via Flú, eles voltariam para a Toca.
- Eu também sei, Mione. Foi a Profa. Lakerdos, não foi?
-Mas... como você sabe? - a garota perguntou, sentindo-se murchar.
- Remus nos disse. Mas como vocês souberam, sendo que estavam pesquisando sobre vampiros, apenas?
- Que foi? O Remus não lhe disse? - inquiriu a garota petulantemente.
- Não, o que ele deveria me dizer?
O casal se olhou, no que Ron franziu as sobrancelhas.
- O Lupin não sabe que a amiga dele é uma vampira?
Harry estacou no corredor. Tudo começando a fazer sentido em sua cabeça. Será que foi por isso que sua professora permitira os vampiros saírem da casa de Olivanders? Mas, se fosse isso, só poderia significar uma coisa.
- Acho que a maldição no cargo de DCAT não vai sair tão cedo... - ele suspirou derrotado. Só esperava que a professora não fosse mais uma traidora, senão, Voldemort já saberia que suas Horcruxes não eram mais segredo.
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N/B: Coisa boa é betar fic boa. A gente se diverte, palpita um bocado e ainda por cima lê antes de todo mundo. Ahuahuahuahua! Só posso dizer que adorei a reentrada do Pad’s e os sábios conselhos marotos mais ainda. Que o Harry os siga direitinho. Ai... não vejo a hora. E também estou morrendo por ver a Ari, sob toda esta pressão, se encontrar com seu antigo amor. Muita inspiração, Lili. As coisas estão começando a pegar fogo. E eu, como irmã que sou, estou mais é jogando álcool na fogueira. XD. Beijos imensos, Geo.
NA: Como disse, não demorei nada com esse capítulo, não? E sim, Sirius “Gostosão” Black dando o ar de sua graça! E de acordo, não??rsrs... Será que os conselhos servirão de algo? Bem, não percam os próximos capítulos!hihihi... Algumas descobertas que vão causar conjecturas nada agradáveis, e outras “meias-descobertas” que vão causar conjecturas de todos os tipos! Mas... somente esperando para ler, para saber... (foi impressão minha, ou essa frase saiu estranha?)
♥ Agradecimentos muito especiais ♥
Ari Duarte: que bom que você está gostando da fanfic! Muito obrigada pelos elogios, viu, moça! E a Ari é a sua cara mesmo? Ou apenas xará? Rsrs... De qualquer modo, espero que tenha gostado deste capítulo também! Beijos
Osmar: bem, quanto a Sebastian x Voldemort x Ariadne, só esperando para ver..rsrs.. Mas o Sebastian, mesmo não sendo muito fã de bruxos, se aliou a Voldemort por um motivo..ahm... que você já sabe qual.rs.. E sabe que eu adorei escrever a Samantha sendo fritada tbm?rsrs... gosto de um leve descontrole dos “mocinhos”. Mas o que é dos vampiros, e da Ariadne também, está guardadinho na minha cabecinha... E viu que nem demorei a atualizar?? Espero que tenha gostado deste capítulo, Osmar. Beijos.
Amanda Regina Magatti: bem, a Gina ainda não foi confortar o Harry..rs.. mas como eu venho dizendo no decorrer da fic, a paciência é um dom divino..hehe.. Espero que tenha gostado deste capítulo! Obrigada pelos elogios, beijos.
Michele Ramos Machado: a aparição do Sirius te consolou, agora??rsrs... E das garotas? Também? Mas os “salvadores” de Nicola já foram escolhidos e vai ser surpreendente, até..rsrs.. Obrigada pelos elogios, Michele! E espero que tenha gostado deste capítulo. E que o email que eu te mandei não a tenha assustado ou ficado estranho. Se precisar de algo, é só responder! Beijos!!
Lola Potter: espero que sua insanidade esteja curada, Lola..rsrs.. e que bom que o capítulo te agradou. Espero que com esse seja a mesma coisa! Beijos.
Bianca Evans: que bom que está gostando, Bianca. E seus coments também servem para me animar, tenha certeza. E espero que sua curiosidade e, também, ansiedade tenham sido saciada e atiçada, respectivamente. Beijos.
Kelly: *autora sorri feliz. Pesquei leitor novo!! Kelly, que bom que está gostando! E mantenha essa fé, pois garanto que não vai se arrepender! (Ao menos o que minha modéstia me permite dizer.. o que já foi muito! hihihi) E pode deixar review grande que eu adoro!! Mas... deixa de insegurança, garota! Eu também tive essa insegurança toda quando comecei a escrever, no começo do ano, mas eu pensei: seja o que Deus quiser, e em seguida, postei o trailer..rsrs.. Se quiser uma vela para iluminar seu caminho, pode contar comigo. Não vou iluminar o caminho todo, já que não sou expert nesse assunto de escrever, mas ao menos uma ajudinha, eu acho que posso dar! (e vai ser com prazer, tá!) Espero que tenha gostado do capítulo! Beijos.
E pessoinhas que ainda insistem em passar em branco... ou no escuro..rs..
Espero que tenham gostado do capítulo! E por favor, deixem um Review! Eles são o combustível para qualquer ficwriter!
Beijos a todos!
Livinha