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19. Cap. 16: Bem-vindo ao inferno


Fic: Harry Potter e o Encontro das Trevas - por Livinha


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 16


Bem-vindo ao Inferno


 


Está pedindo sua benção
Eu sei...
O passado o alcançará quanto mais rápido você correr
Eu sei.


(I Know – Placebo)


 


Ela sentia muito frio. Tinha a impressão de estar nua, nadando trêmula no meio do oceano e entre icebergs, não conseguindo emergir para buscar ar. Parecia que também estava presa, sem conseguir movimentar uma parte sequer de seu corpo. Um bolo amargo subia de seu estômago e atingiu sua garganta e boca, como se quisesse regurgitá-lo. Então, de repente, sentiu um baque contra o corpo, como se fosse um deslocamento de ar quente, embora esse ar não a aquecesse da maneira desejada.


Percebeu que estava caindo. Não sabia para onde, só sabia que estava. Seus olhos continuavam teimosamente fechados, seu corpo angustiantemente preso. Até que ela sentiu. Seu corpo atingiu um chão macio, no que seus braços se libertaram e seus olhos se abriram, mesmo que doesse fazer isso diante de uma intensa luminosidade.


Ariadne ainda estava trêmula, mas conseguiu se erguer mesmo toscamente. Olhou em volta, embora precisasse proteger os olhos com as mãos, pois a luz do sol... “Sol? Onde estava o sol?”, ela se perguntou, dando-se conta que a luz não parecia vir de fonte alguma. Parecia mais que a paisagem daquele lugar emitia sua própria luz.


Havia muitas árvores ao redor de Ariadne. De todas as cores. Cores que pareciam brincar também com as flores da enorme clareira em que ela estava. Começou a caminhar a passos tortos, mas à medida que não alcançava a saída da clareira, começou a andar mais rápido e com passos mais precisos. Aquilo não estava certo.


Por que ela se encontrava num lugar tão belo como aquele, sendo que ela adentrara no Arco da Morte? O lugar tinha que ser feio, tenebroso... Ali devia haver trevas, não luz. E como se esperasse essa constatação, uma dor lacerante a atingiu na cabeça. Ela apertou os dentes, tentando não gritar de dor, tentando não pensar que seu cérebro parecia estar sendo esmagado por duas mãos impiedosas ou por mil agulhas que o acertavam. Caiu de joelhos, levando as mãos à cabeça como se tentasse, com isso, acabar com a dor.


Ariadne ainda conseguiu abrir um pouco os olhos, percebendo que a paisagem havia mudado grosseiramente. Não havia mais árvores, flores e nem colorido. Só havia escuridão, um chão duro e cheio de imperfeições que castigava seus joelhos. A dor na sua cabeça não cessou, mas diminuiu a ponto que conseguisse se levantar e ver com mais exatidão onde estava realmente.


Era uma encruzilhada, disso ela sabia, mas só devia ser brincadeira. Provavelmente ficou um tempo enorme olhando para os dois possíveis caminhos, mas a dúvida de qual seguir a atormentava em demasia. Seu instinto vampírico a ordenava ficar por ali, não sair do lugar, mas outra voz longínqua a mandava pensar, pensar e pensar. Contudo, sua cabeça doía e pensar estava fora de cogitação. Precisava de ajuda, precisava que alguém dissesse a ela para onde cada caminho poderia levá-la. Mesmo que ela não soubesse qual deles tomar.


Ambos os caminhos eram tortuosos, levavam para a escuridão e para o infinito. O que ela devia fazer? Não se lembrava mais do motivo de estar naquele lugar ou como ela chegara até ali. Sentiu um enorme medo e desespero lhe tomando conta, o que, mais uma vez, a fez perder as forças. Caiu de joelhos e, sem reservas, jogou-se num choro desesperado. Hora ou outra olhava para os caminhos que pareciam aumentar e dificultar cada vez mais. Sentia que era observada. Porém não ligava que seu observador a visse chorando como uma criança.


Lembranças de uma vida sofrida, de sua vida, começaram a aflorar em sua mente. A morte de seus pais, a morte de Arktos, a morte de James e Lily, Peter traidor... Não, Sirius traidor. Sim, Sirius Black era o traidor. Seu amigo, seu amante, o pai do seu filho era o traidor. Arktos não morrera, ele a abandonara. Assim como seus pais, abandonando-a à sua própria sorte. Nicola fora morto ao nascer e ela não vira seu filho crescer com saúde como desejara. Não existia felicidade em sua vida, existia apenas dor, sofrimento. Existia tudo o que ela sempre lutou para manter longe. Não existia Charlie, não existia ninguém. Ela estava sozinha, como sempre.


Suas lágrimas já se misturavam com a terra daquele chão, seu corpo estava encolhido, protegendo-se, trêmulo pelos soluços. Sua dor a consumia de tal modo que ela, mesmo se quisesse, não conseguiria lutar. Lutar contra aqueles sentimentos que ela não sabia de onde vinham.


Então ela ouviu alguém falar em seu ouvido, dizendo que aquelas lembranças estavam erradas, deturpadas. E junto da voz, havia um saudoso toque que ela sentira muita falta.


- Ark... É você? – nem percebia que falava em grego. O jeito que sempre falava com seu irmão. – Ark, por favor, estou com medo. Por que você me abandonou?


Mas a voz não respondia, ou melhor, respondia, mas ela não entendia. Ariadne não tinha coragem de abrir os olhos e, mais uma vez, deparar-se com o nada.


- Arktos, não me abandone de novo, eu preciso de você. Preciso que me proteja! Estou com medo, muito medo. Onde está você?! Me responda!


- Estou aqui, Ari. Sempre estive.


- Não, não está! Eu sinto você, mas você não está!


- Abra seus olhos, minha irmã. A hora de você fechá-los ainda não chegou.


- Estou com medo de abrí-los e não te encontrar.


- Mas você vai me encontrar, Ariadne. Você é corajosa, não tem esse medo que estão tentando te passar. Encontre sua coragem para me ver, minha irmã.


Ariadne então sentiu um calor tímido em seu estômago, um calor que há muito tempo não sentia, mas que foi o bastante para conseguir abrir seus olhos. No começo, o medo que sentia de não ver Arktos não deixou que o enxergasse, mas a sensação de ser tocada ainda a acompanhava. Virou a cabeça e, com os olhos cheios de lágrimas, conseguiu discernir seu irmão. Ele parecia estar como ela, sólido, só que também dava a impressão de estar num colorido transparente. Entretanto, nada disso impedia de perceber sua imponência ou notar sua singularidade em relação àquele local. No entanto foi o fato de vê-lo sorrindo que acabou com todos os medos de Ariadne.


- Você... você está vivo!


- Não, minha irmã, não estou.


- Mas, então...


- Eu apenas deixei o meu lar quando você entrou em desespero, Ariadne. Você estava me esquecendo, os guardiões desse lugar estavam fazendo você me esquecer.


- Não! – falou Ariadne, indignada e sentando-se ereta no chão de pedras. Eu nunca te esqueci!


Arktos sorriu suavemente. Inclinou-se e ajudou Ariadne se levantar.


- Não foi de propósito, Ari. Os guardiões desse lugar são cruéis. Eles me expulsaram do meu lar e deixaram você sozinha.


- Como te expulsaram? Não estou entendendo, Ark! Foram eles quem te mataram?


- Não. Eles me expulsaram daqui, minha irmã – ele falou, repousando sua mão no peito de Ariadne. - Esse é meu lar. Sempre foi. Estando vivo ou não, eu sempre morei aqui porque eu quis. Porque você quis.


Ariadne olhou para o irmão, mas depois relanceou os olhos para a encruzilhada.


- Eu não sei o que fazer. Não sei para onde ir. – E o olhou quase desesperada. - Eu não lembro para que vim até aqui! Eu quero ir embora! Me leve daqui!


- Você veio até aqui para buscar sua felicidade, minha irmã. Para buscar a felicidade de Nicola.


- Nicola? Eu não... Meu filho! Eu tinha esquecido meu filho! Eu preciso ir, mas por onde vou Arktos? Eu não sei!


- Siga seu coração, Ari. Apenas ele pode ajudar você a trilhar esse tortuoso caminho.


- Mas, como?


Arktos então se aproximou de Ariadne até ficar bem próximo, de modo que segurasse a cabeça dela em suas mãos e encostassem suas testas. Fechou os olhos e sorriu. Ariadne também fechou os olhos e, à medida que seu rosto perdia todo o desespero que antes o estampava, Arktos foi desaparecendo. Até que no seu lugar restasse apenas uma fumaça perolada que também logo não existia mais.


- Devo admitir que foi interessante.


Ariadne abriu os olhos assustada ao ouvir uma voz suave ecoar. A figura de uma mulher esguia, cercada por dois cachorros negros e segurando uma tocha, vinha em sua direção.


- Quem é você? – Ariadne perguntou receosa, mas sua coragem não a abandonara daquela vez.


- Eu sou Hécate. Sou a Guardiã deste mundo – ela falou, gesticulando aberta e suavemente, mostrando o lugar em que se encontravam. – E você? O que quer entrando onde não é seu lugar?


- Eu vim buscar um homem.


- Um homem. E quem seria?


- Um homem que não está morto, mas que está preso neste mundo.


- Minha cara, eu não costumo manter homens aqui. Eles vêm por vontade própria.


- Mas ele não veio. O fato de ele estar aqui foi causado por um acidente. E eu vim consertar esse acidente.


- Entendo – Hécate falou suavemente, e então sorriu. – Você precisa seguir um caminho até ele, então. Mas você saberia qual?


Ariadne olhou para os dois caminhos possíveis que Hécate lhe indicava, mas não sabia qual seguir. Como ela saberia que aqueles caminhos levariam realmente até Sirius e que não eram apenas um joguete da Guardiã?


Siga seu coração, Arktos lhe dissera. Mas como faria isso?


- Ele não será encontrado por esses caminhos – Ariadne finalmente falou, voltando seu olhar para os olhos limpidamente azuis de Hécate. – Ele está perto, pois você não o abandonaria.


- E como você tem tanta certeza disso? Como você sabe que sou eu quem guarda seu homem?


- Não sei, eu... Só acho que sim.


Hécate sorriu levemente. Olhou então Ariadne de cima a baixo, como se só naquele momento a analisasse, embora o estivesse fazendo desde que sentira que a mulher invadira seu mundo. A deusa sabia muito bem com quem e com o que estava lidando. Ali não era apenas uma mulher que ia atrás de um homem.


- Você realmente o quer, não é?


- Sim.


- Então vamos fazer um acordo. Uma troca entre eu, a Mãe das Trevas, e você, um ser das trevas.


- Que tipo de troca? – Ariadne perguntou receosa.


- Bem, você vai tirar alguém do meu mundo, então tenho que tirar alguém do seu.


Ariadne esperou que a deusa continuasse, o que Hécate pareceu notar, pois deu um meio sorriso antes de falar:


- Mas não creio que você esteja disposta a acordar comigo... borborlakos. - E ao ver a expressão de surpresa de Ariadne, Hécate riu. – Sim, eu sei o que você é. Ou achou que enganaria a mim e em meu mundo, vampira? Sua aura te trai e seus olhos vermelhos mais ainda. – E com imponência continuou: – Eu sou uma deusa grega! A Mãe das Trevas! Quem você acha que forneceu os poderes das trevas aos mortais como você?


Ambas ficaram se olhando. Mãe e Filha das Trevas. Até que Ariadne quebrou o silêncio:


- O que te leva a crer que aceitarei seu acordo, Hécate? Você sabe o que sou, sabe que não pode me prender aqui.


- Eu sei, minha cara. Você não está viva, é fato, mas também não está morta.


- Então o que eu tenho que possa lhe interessar tanto?


Hécate sorriu mais uma vez e ficou de costas para Ariadne. A paisagem começou a modificar diante delas. Não havia mais a encruzilhada, o chão não era mais de terra e pedra castigantes, e sim de uma grama estranhamente negra e seca. Elas se encontravam agora em frente um castelo negro feito de pedra, como se fosse moldado numa rocha. Ariadne não tinha certeza, mas algo lhe dizia que foram elas quem mudaram de lugar, e não o lugar que havia mudado.


- Antes de entrar – Hécate disse, virando-se para encarar Ariadne, olhos azuis nos vermelhos –, você tem de me dizer se aceita ou não fazer um trato comigo.


- Que trato seria esse?


- Eu já lhe disse, borborlakos, teremos que manter a balança em equilíbrio. Você tira alguém do meu mundo e eu tiro alguém do seu.


- Ele está aí dentro, não está? – Ariadne perguntou, olhando para a entrada do castelo, logo atrás de Hécate.


- Sim, ele está – a deusa respondeu. – Mas eu só a deixarei vê-lo se tivermos um trato, borborlakos.


Ariadne então se pôs a pensar. Como ela poderia prometer pela vida de outro? Era insano! Ela não deveria interferir na vida de ninguém, mesmo que isso fosse justificado pela volta de Sirius. Não, ela não poderia de maneira alguma forçar alguém a ficar onde não era seu lugar. Mas como se sentisse um estalo, ela olhou novamente para Hécate.


- Aqui só deve ficar quem merece, não é mesmo?


- Exato.


- Então, por que você o mantém prisioneiro? Ele não merece.


- Não mesmo – Hécate respondeu, com um meio sorriso nos lábios.


- Então eu o levarei agora – Ariadne disse firmemente.


Deu um passo na direção da caverna, mas ao mesmo tempo os dois cães de Hécate se postaram à sua frente, prontos para atacar.


- Ele não merece estar aqui, e você, como deusa, não deveria forçar – a vampira insistiu. – É a lei da sua divindade! Você não pode forçar um mortal com os seus poderes!


- Bem, vejo que tem informações, borborlakos – riu Hécate. – Mas, como todos os humanos, você não leu nas... ahm... entrelinhas. Este é termo certo, não?


- O que você quer dizer com isso?


- O que quero dizer, filha de Drácula, é que a alma dele está corrompida. Então, o homem também merece ficar aqui. – E mais suavemente, continuou. – Ele carrega ódio, dor e culpa. Ele carrega uma morte. Carrega a loucura.


- Sirius nunca mataria ninguém.


- Oh, mas ele matou. Antes da culpa o atingí-lo, ele matou. Uma apenas. Mas matou.


- Mas... estávamos em guerra! – Ariadne falou alterada, lembrando-se da situação. – Era a vida dele que estava em jogo, não havia escolha! Ele não tem culpa!


- Muito menos eu, minha cara.


Ariadne segurou-se para não avançar em cima de Hécate, pois sabia que isso seria loucura. Ela era uma qualquer no meio daquele lugar. Hécate era a Guardiã. A Mãe das Trevas.


- Quem você quer?


- Temos um trato?


- Quem.Você.Quer? – perguntou entre dentes.


- Ainda não sei. Mas eu gostei dos olhos azuis do homem.


- O que você quer dizer com isso? – Ariadne perguntou, mas temendo a resposta.


- Quem eu quero, tem os mesmos olhos do homem.


- Não! Você não terá a vida do meu filho em troca. Não há trato! - Ariadne gritou.


- E vai deixar o homem da sua vida aqui, comigo, Ariadne? Vai abandoná-lo mais uma vez?


- O meu filho você não vai ter - ela retorquiu enraivecendo-se. - Nem Sirius iria aceitar uma proposta dessas!


- Que tal perguntarmos a ele? Venha. É só seguir um dos meus cães. – E, em grego, continuou: – Siga Pónos, Filha das Trevas.


Ariadne ainda hesitou. As palavras de Hécate não deveriam ser tratadas de maneira tola, principalmente quando ela lhe convidara para entrar no castelo, em grego. O nome do cão dava calafrios em Ariadne, o que fazia a frase ter interpretação dupla. Mas ficar ali, na frente da entrada daquele castelo negro, também não era boa idéia. Então, respirando fundo, decidiu fazer o que Hécate lhe dizia. Seguiu Pónos. Seguiu a dor. (2)


Ela não soube dizer por quanto tempo ou por onde andaram. Foi uma sensação estranha caminhar por aquele chão de pedra, principalmente por seu salto não ecoar como os passos de Hécate faziam.


Quando pararam de andar, entrando no que para Ariadne pareceu ser uma imensa sala redonda, ela sentiu um frio na espinha que não tinha nada a ver com aquele lugar grotesco. Na verdade, o que lhe causara arrepios fora a situação de Sirius. Ela conseguiu discerní-lo no meio da escuridão, no outro extremo da ampla sala circular. E vê-lo tão entregue a morte, parecendo um corpo de apenas pele e osso escondido em roupas sujas e enojantes, era de causar revolta em qualquer um.


- Como você teve coragem de mantê-lo assim? – Ariadne perguntou quando sentiu sua voz voltar, embora de maneira quase falha.


- Ele foi rebelde, mas, como todos que vêm aqui, precisam ser domesticados.


Hécate então sorriu e olhou para Sirius.


- Ele é curioso – disse suavemente – Sabia que o nome dele vem da constelação Cão Maior? – E olhou para Ariadne. - Eu amo cães. Eles me são muito queridos e úteis.


- Tenho uma ligeira idéia – falou Ariadne com uma careta nos lábios.


- E então? Temos um trato, borborlakos? Você não irá tirá-lo daqui sem contrabalancear.


Mas Ariadne não a ouvia. Parecia que um zumbido tocava de maneira surda em seu ouvido. Como ela permitiria que alguém trocasse de lugar com Sirius para viver naquele lugar? Naquelas condições? Viver sob as forças e vontades de Hécate? Não, não poderia.


- Não.


- Como?


- Não há trato. Ninguém virá para ficar no lugar dele.


- Pónos lhe mostrará o caminho de volta, borborlakos. – E sarcástica, completou: – Você entrou em meu mundo de maneira insolente para nada?


- Você sabe para quê eu vim. E não vou deixar de executar meu plano, Hécate.


Hécate, pela primeira vez, não sorria. Seus olhos, antes azuis, ficaram negros como seus cabelos.


- E quem você pensa que é para tirar um cão de sua matilha, mortal?


Então, como se estivesse esperando o momento certo, um homem apareceu. Ele tinha olhos tão escuros quanto seus cabelos e a pele era tão branca que parecia transparente. Também parecia não pertencer àquele lugar, pois suas roupas não eram negras como as de Hécate, e sim claras. Roupa tipicamente usada pelos gregos na mais antiga das épocas. Mais parecia um deus do Olimpo. O que, de certo modo, não deixava de ser.


- Você tem algo mais – ele disse com uma voz grave que pareceu ribombar pelo infinito, o que também provocou um arrepio na nuca de Ariadne, embora não fosse de medo. Hécate o olhou enraivecendo-se. O homem continuou, dirigindo-se à Ariadne. – Você já está morta, por isso entrou aqui. Mas morta de um jeito que não podemos mandá-la para seu lugar, e nem viva o bastante para segurá-la. Não é apenas uma vampira, porém também não é uma mortal.


- Minos, não venha se meter aqui. Seu lugar é com Hades – falou Hécate, aborrecida.


Minos apenas olhou para Hécate. Voltou seu olhar para Ariadne e depois para Sirius.


- Mais uma vez a história se repete. Uma filha de reis, um ser eterno, se apaixona por um reles... mortal. Alguém que não vale à pena. – E olhando novamente para Ariadne, perguntou: – O que você quer, minha filha? Já não foi o bastante uma vez?


- Não sei do que está falando – disse Ariadne tensa, mas sincera.


Entretanto, Hécate pareceu entender muito bem, pois olhou de Minos para Ariadne e então Sirius. Voltou seu olhar para Minos e riu.


- Não adiantou da primeira vez, Minos. Por que está tentando agora? – perguntou jocosa.


- É minha obrigação, Hécate, mesmo que a marca se limite apenas ao nome. Você não entenderia.


- Pelos meus cães, ainda bem!


- Então, minha cara, me responda: por que você se empenha tanto em levar este homem que só lhe trouxe tristezas?


Ariadne apenas olhou para Sirius, sem responder. Minos cortou o silêncio.


- Sei... Vejo que não foi apenas tristeza que ele lhe trouxe. Há alegrias também. Uma maior que todas.


- Não lhe interessa o que ele me trouxe ou deixou de trazer – Ariadne falou agressiva. – O que interessa é que essa conversa já está me cansando. Até mais.


Ela se aproximou de Sirius, o que fez os cães de Hécate latirem e babarem furiosos.


- Dá para você retirar esses cachorros daqui? – ela perguntou, olhando Hécate furiosa, que apenas lhe sorriu.


- Deixe-a ir, Hécate. E com o homem.


- Ela não é sua filha, Minos. Por que quer tanto que ela saia daqui com este homem que entrou com tamanha boa vontade? – retorquiu Hécate.


- Hécate, não queira se acertar com Hades.


- Ele não pode se meter nisso – a deusa sibilou.


Minos apenas arqueou as sobrancelhas, os braços cuidadosamente cruzados às suas costas.


Então, Hécate, muito a contragosto, chamou seus cães que correram ao seu encontro, ao mesmo tempo em que as correntes que prendiam Sirius desapareciam, fazendo-o oscilar. Ariadne quase não teve tempo de segurá-lo antes que caísse no chão. Foi um pouco custoso segurá-lo, pois o homem não tinha forças, embora continuasse pesado. Mas em meio àquela escuridão e dor, seus olhos se encontraram, e Ariadne percebeu que tudo ficaria bem.


- Agora vá, minha filha – falou Minos. – Você precisa voltar.


Ariadne não viu mais nada. Sua visão escureceu e o frio lhe tomou conta mais uma vez, como quando entrou no arco. Mas, daquela vez, ela conseguia sentir algo quente em sua mão. Sirius estava voltando com ela, e a sensação de que tudo estava finalmente ficando em seus respectivos e merecidos lugares não a abandonou. E também esta sensação não a abandonou quando apareceu na Sala do Arco. Porém, isso apenas ocorreu por não perceber que seu colar estava na mesma temperatura de seu corpo. Tão gelado que poderia queimar sua pele.


- Por que você a deixou ir, Minos? – Hécate perguntou furiosa depois que o casal desapareceu de seu mundo. – Ela era apenas uma reencarnação imprestável da sua filha Ariadne!


Minos fez uma careta, mas acabou respondendo a Hécate:


- Porque, ao contrário de minha Ariadne, esta vai precisar e muito deste homem. Nem um outro a fará viver, se não for este. É dele que ela precisa, Hécate. Não de um imortal.


E com um suspiro, Minos falou mais para si mesmo do que para a outra deusa:


- Ela quem tem de enfrentar o Minotauro desta vez. Não apenas esperar.


xxx---xxx


O dia já nascera há um bom tempo, porém, apenas tímidas frestas da janela permitiam que a parca luz entrasse. Em meio àquela penumbra, era possível distinguir os contornos dos ocupantes do quarto. Um estava dormindo e roncava sonoramente. Já o outro, sentado na cama improvisada ao chão, olhava a luz que a janela permitia passar.


Harry não fazia idéia de quanto tempo estava nesta posição. Suas pernas estavam flexionadas e os joelhos apoiavam os braços do garoto, enquanto a parede gelada cuidava em manter seu tronco ereto. E embora sentisse suas pernas um pouco dormentes, ele não mudou em nada sua posição desde que acordara no fim da madrugada.


Se a luz ajudasse um pouco, perceberia que os olhos dele estavam desfocados, como se estivessem hipnotizados, os quais, misturados a sua expressão imparcial, o deixava quase sombrio. Entretanto, a mente de Harry trabalhava freneticamente. Culpa e raiva, mais uma vez, tomando parte de seus pensamentos.


O garoto não se perdoava em ter ficado tão alheio à guerra naqueles meses. Ele que passara praticamente o verão todo planejando uma maneira de encontrar e destruir as Horcruxes de Voldemort o mais rápido possível. Como ele conseguira se esquecer da missão que Dumbledore lhe incumbira?


Mas a resposta estava bem naquela casa. No andar de baixo, primeira porta à esquerda. Harry não conseguia tirar Ginny da cabeça um segundo sequer. As brigas e situações que se envolveram serviram para deixá-lo inquieto, esquecer a guerra e pensar numa maneira de curar sua dor de cotovelo, seu ciúme idiota. Uma maneira de modificar aquela decisão estapafúrdia que ele tivera no enterro de Dumbledore. Mas, como sempre, o destino quisera brincar com ele, permitindo e ajudando que acabasse, ao fim de tudo, por “meter os pés pelas mãos”.


A necessidade de uma vida normal, uma vida de risos e beijos com Ginny, ficando cada vez mais longe a cada tentativa. E num último resquício de sanidade, como se fosse aquela emersão necessária para um último mergulho no oceano, a inexistência do ar. Ginny o rejeitara. A garota perdera de vez a vontade de tentar, perdera suas forças, e Harry sabia. Contudo, será que era justo o que ela fizera com ele? Afinal, tudo o que ele passou, tudo o que a obrigou a passar, era apenas para protegê-la, para mantê-la segura, para que, ao fim de todo aquele tormento, os dois ficassem juntos!


Porém, toda essa briga interna de Harry para manter Ginny afastada, mas ao mesmo tempo a querendo perto, fez com que se esquecesse de Voldemort. E o que o deixava com mais raiva era que, apenas derrotando o Lorde das Trevas, ele poderia ter a vida que desejava com Ginny. Era incrível como ele tinha realmente o dom para se meter em encrencas. Independentemente se eram pequenas ou exorbitantes.


Era um círculo vicioso maldito. Pensar em Ginny o tempo todo, esquecendo-se assim de Voldemort e o que ele, Harry, deveria fazer para deter o bruxo. Embora que, para ficar com a garota que amava, tinha que derrotar o bruxo das trevas.


E agora havia o silêncio de Voldemort.


Harry acordara de madrugada, porque teve um pesadelo. Sabia, assim que conseguiu despertar totalmente, que não eram os mesmos dos anos anteriores. Era realmente um pesadelo. Coisas demais na cabeça. Peso demais. Então, quando conseguiu pensar finalmente em Voldemort, o fato de que o bruxo estava silencioso há algumas semanas não lhe passou despercebido.


Não entendia por que ele ficara quieto, enquanto sua mais fiel e devotada serva estava desaparecida. Ou melhor, sob posse de Ariadne Lakerdos. O ato mais previsível seria que ele se vingasse da Profa. Lakerdos ou que, simplesmente, saísse à procura da comensal. Mas nem um ataque ocorrera nessas duas semanas. E isso era algo estranho, baseando-se que os ataques estavam ficando cada vez mais corriqueiros.


O pensamento de que Voldemort devia estar planejando algo maior insistia em aparecer na cabeça do garoto. E a culpa o consumia impiedosa por ele ter se esquecido de que devia estar se empenhando em deter o bruxo das trevas. E, juntando a tudo isso, havia o cetro de Ravenclaw sob posse de Voldemort.


Harry sentia-se confuso. Por que Voldemort não matara ninguém para realizar sua sexta Horcrux? O que tanto o fazia esperar? E por que não procurava Bellatrix, pois com certeza o vampiro Sebastian havia dito que a Profa. Lakerdos a havia capturado.


O garoto passou as mãos no rosto e suspirou pesadamente. Mais uma incógnita para ele: Ariadne Lakerdos.


Ele estava crente de que podia confiar na professora. Ela lhe entregara uma Horcrux destruída, a taça de Hufflepuff, e Remus reafirmara aquela confiança. Mas a maneira em como ela agira tanto na casa de Olivanders quanto na escola, no escritório dela, inquietavam Harry. E por que, por Deus!, sua cicatriz doera quando ela o tocou? Sua cicatriz só doía quando o próprio Voldemort o tocava ou quando o bruxo das trevas se concentrava nele.


Harry nem percebeu que, enquanto desfilava seus pensamentos a fim de achar alguma linha certa de raciocínio, a janela do quarto havia sido aberta por Ron, o qual o encarava indeciso. O moreno nem percebeu também que suas mãos fecharam-se fortemente e que seu rosto não estava mais impassível. Estava envolto numa raiva que poderia assustar qualquer um. E com Ron não foi diferente.


Cuidadosamente, o amigo voltou para sua cama, sentando nela e olhando o perfil de Harry. E mesmo achando que estava fazendo algo errado, o chamou. Porém, foi necessário que Ron praticamente o chacoalhasse para tirar o garoto de seus devaneios.


- Você ’tá bem, cara?


- Estou – falou com a voz rouca pelo desuso.


- Tem certeza? – Ron insistiu com uma careta. – Você estava com a cara estranha...


Harry soltou um suspiro cansado, passando as mãos mais uma vez pelo rosto. Esticou o braço, pegou seus óculos e o colocou. Demorou uns poucos segundos para falar novamente e, quando o fez, sua voz já estava normal.


- Eu estava pensando... – falou lacônico.


- Sobre...ah... a minha irmã? – Ron insistiu, incerto.


- Também, mas... – Harry se levantou e foi até a janela, enxergando os jardins do fundo da Toca através da vidraça bem fechada. – Você não acha que Voldemort está quieto demais?


Ron mexeu-se incomodado na cama, passando as mãos pelos cabelos. Sim, ele também percebera uma quietude da parte das Trevas. Um silêncio que incomodava mais que qualquer grito, como se fosse uma calmaria predizendo tempestade. Ele até conversara isso com Hermione, já que Harry se mostrava absorto demais. Entretanto, ele esperava apenas um “não mudou nada, Ron” da namorada, mas ao receber como resposta uma feição sombria, deixou o ruivo sem saber como agir.


Sabia, mesmo que fosse uma enorme injustiça, que a guerra só terminaria quando Você-Sabe-Quem e Harry finalmente se enfrentassem. Era óbvio que ele ajudaria o amigo até onde não conseguisse mais, e faria de tudo para estar junto dele no fim para lutar ao seu lado. Mas a sensação de que não poderia fazer muito, apenas apoiá-lo, deixava Ron frustrado por ver Harry tão fora de órbita naquelas semanas. Porém mandá-lo voltar para a realidade seria, no mínimo, cruel.


Às vezes pensava que, se ele namorasse sua irmã, tudo estaria mais fácil. E não sabia por que, mas esse pensamento não o incomodava mais. Talvez ele soubesse que Harry realmente precisasse de Ginny, da mesma maneira que ele precisava de Hermione para se manter firme nessa luta. Uma comparação não tão acertada assim, pois não era ele quem deveria matar Voldemort, e sim Harry. Mas uma comparação que Ron não conseguia evitar fazer.


- Sabe... – Harry continuou a falar, ainda olhando para os jardins da Toca e tirando Ron de seus devaneios. – Às vezes penso que ele fica nesse silêncio só para me torturar, como se me provocasse a fim de procurá-lo e acabar com tudo isso.


- Eu não acho que seja isso – Ron falou dando de ombros.


- Pode ser que não, mesmo... – E olhando para o amigo, Harry continuou. – Você acha que ele deve estar planejando algo grande?


Um arrepio involuntário passou pelo corpo de Ron, como se uma brisa gelada tivesse entrado pela vidraça bem fechada. Porém, ao notar a apreensão estampada no rosto do amigo, conseguiu controlar o que sentiu naquele momento.


- Eu não sei, Harry – falou sincero. – Mas ele é Você-Sabe-Quem, então não acredito que esteja parado. Mesmo que...


- O quê?


- Bom, ele não saiu à procura da Bellatrix Lestrange, não é? E desde que você voltou com a Profa. Lakerdos da casa do Sr. Olivanders, não teve nenhum ataque que ele tenha sido visto. Porque, bem, você sabe, não é? Ele tem que fazer a sexta Horcrux.


Harry soltou o ar pesadamente quando ouviu a palavra “Horcrux”.


- E eu não estou fazendo nada para impedir coisa alguma.


Eles ficaram em silêncio novamente. Harry com seus pensamentos feito um caleidoscópio, cada um mais difuso que o outro sobre o que Voldemort estaria planejando. Já Ron preferiu o silêncio, por não saber o que dizer. Certos conselhos ele não sabia dar. Ou, então, ele simplesmente achava que não havia resposta para aquela situação. Afinal de contas, como se fala para um garoto de dezessete anos, que carrega o peso de matar um poderoso bruxo das trevas, de que ele devia esquecer a garota que gostava e se concentrar em acabar com uma guerra?


Talvez nem Mione, Ron pensou, seria capaz de responder alguma coisa. Mas pelo menos ela saberia como agir para acalmar o amigo.


- Sabe de uma coisa? – Ron cortou o silêncio. – Acho que devemos descer e tomar café da manhã. O chocolate quente da minha mãe sempre me ajuda a colocar a cabeça no lugar.


Harry olhou para o amigo e sorriu levemente.


Em poucos minutos, os dois já desciam em direção à cozinha d’A Toca, sentindo rapidamente o delicioso cheiro da comida da Sra. Weasley encher seus pulmões. Harry não sabia dizer se era apenas o chocolate quente da matriarca que o acalmou, como o amigo lhe dissera, ou se foi o abraço intenso e reconfortante que ela lhe deu. Mesmo sabendo que a Sra. Weasley gostava dele e era muito carinhosa, não conseguiu encontrar um motivo para que ela o tivesse tratado daquela maneira. Afinal, ela não abraçou Ron na mesma intensidade.


Ao menos naquela parte do dia, Harry se sentiu tranqüilo com a decisão de que esperaria Hermione à tarde para discutirem sobre o rumo que tomariam. Precisavam por um fim àquela guerra o quanto antes e Harry, mais que ninguém, tinha que saber o que fazer o mais rápido possível.


Porém, a tranqüilidade do garoto não durou muito tempo. Ao menos parte dela. Harry sabia que aquilo aconteceria, pois não era burro, mas ver Ginny entrar na cozinha com uma expressão impassível fez suas entranhas revirar e seu monstro interno se encolher num canto escuro. Sentiu os olhos de Ron sobre si enquanto acompanhava Ginny cumprimentar os pais e irmãos, e lhe lançar apenas um “oi” qualquer que ninguém pareceu perceber. Logo, imagens dele e Ginny se acertando, mostrando o desejo que ele sentia em acertar-se com a garota, afloraram em sua mente e afastaram Voldemort mais uma vez.


Harry quase riu da ironia da situação. Quando ele decidira se empenhar em pensar apenas em Voldemort, a fim de encontrar uma saída para aquela guerra, vinha Ginny e dava uma reviravolta em sua cabeça. Era incrível como ela tinha o poder de tirar qualquer pensamento racional de sua mente só impondo sua presença. Ou sua ausência. Realmente Ginny já estava cravada em sua mente. E de uma maneira que era impossível tirar, principalmente quando Harry não queria fazê-lo.


Vê-la rir de uma maneira tão despreocupada das piadas de Fred e George, os quais apareceram naquele domingo de manhã, ou então ajudar a mãe com a arrumação da cozinha após o café da manhã e, posteriormente, com o almoço, dava a Harry a impressão de que ele estava em outro mundo. Um mundo em que ele não existia para Ginny. Como ela conseguia ignorá-lo tão bem, mostrando-se impassível, como se o fato de ter um par de olhos verdes a encarando intensamente fosse absolutamente nada?


Suspirando de maneira cansada, Harry levantou-se da cadeira e foi colocar sua caneca de leite na pia da cozinha. Mais por força do hábito do que qualquer outra coisa.


E foi também a força do hábito que o fez empertigar-se e segurar sua varinha, que estava dentro do bolso da calça, ao ouvir a porta da Toca abrir-se num estrondo e, por ela, passar uma McGonagall muito trêmula com um jornal na mão.


Sem nem olhar para os garotos, a diretora foi até o Sr. Weasley, que estava aprontando-se para sair, chamando a esposa dele também.


- O que está havendo? – George perguntou. – Quem morreu?


A Sra. Weasley olhou severa para o filho, mas quem respondeu foi Charlie, que ninguém percebeu entrar:


- Ninguém morreu.


- Charlie! Onde você esteve? – a mãe do rapaz perguntou.


- Agora não, mamãe. – E virando-se para Harry, continuou. – Harry, acho que você deve ir com a Profa. McGonagall até a escola.


- Por quê?


- O que está acontecendo? – Ginny perguntou também, e o monstro de Harry permitiu-se ronronar satisfeito por alguns segundos diante da preocupação da garota.


- O que tem nesse jornal? – George insistiu.


- Bellatrix Lestrange foi presa – Charlie continuou. Harry e Ron trocaram olhares quase instintivamente. – Mas o que você tem que fazer na escola, Harry, é outra coisa.


- Sim, é verdade – disse McGonagall. – Vamos, Potter.


- O Ron não pode...  – o garoto começou, no que a diretora percebeu a intenção dele, cortando-o:


- Sim, acho... Acho que vai ser bom ele ir. Mas vamos todos. Vamos desaparatar direto em Hogsmeade, tudo bem?


Os garotos então subiram rapidamente para o quarto de Ron, pegaram casacos para se protegeram da neve que começava a cair e, rapidamente, desaparatavam da Toca. As explicações n’A Toca ficando a cargo de Charlie.


xxx---xxx


Algumas horas antes...


Estava entediado. “Grande novidade”, pensou, soltando um suspiro exasperado. Mas o problema era que, junto do tédio, vinha a preocupação. Fazia quanto tempo que ela saíra? Minutos? Horas?


Nicola olhou para o relógio que havia em sua cabeceira, percebendo que não havia passado nem uma hora completa que estava em seu quarto. Precisava conversar com alguém, saber o que estava acontecendo, onde sua mãe realmente havia ido. Mas também sabia que Alexey, muito provavelmente, não diria nada. Pelo contrário. Iria se divertir em manter-se calado. Entretanto, ao menos naquela vez, o garoto tentaria.


Não tinha mania de reconhecer sensações como aviso, mas também não era burro em desprezá-las quando permaneciam em sua cabeça com tanto afinco. E mesmo que confiasse em sua mãe, na inteligência dela, sabia que ela não estaria a salvo de correr riscos, mesmo em sua atual situação.


Levantou da cama e, sem nem colocar um par de chinelos, Nicola desceu para a sala, onde sabia que Alexey estava. Desceu a escada de maneira despreocupada, mas também vagarosamente. Queria primeiro ver como o primo de sua mãe estava. Como estava seu rosto. Conhecia o homem o bastante para saber quando ele estava tolerável ou quando estava na sua maneira normal. E ao relancear o rosto dele por um momento, decidiu ir à cozinha antes de tudo.


Abriu a geladeira e serviu-se de água para, em seguida, voltar à sala, sentando-se num sofá em frente a Alexey. Bebericou a água, mostrando-se despreocupado, até que a voz do outro cortou o silêncio.


- O que você quer, garoto? – Alexey perguntou numa voz monótona.


O vampiro estava deitado no sofá, o corpo esticado, embora um dos braços estivesse sobre seu rosto, como se desejasse proteger os olhos da luz a fim de dormir.


Nicola sentiu seu rosto esquentar levemente, num início de irritação. Era incrível como ele não tolerava esse primo de sua mãe. Ou seu primo. Mas este último pensamento ele fazia questão de ignorar, principalmente quando Alexey o olhava com um meio sorriso, mostrando que sabia muito bem o que se passava em sua cabeça adolescente. Como naquele momento.


- Você sabe o que eu quero, Alexey – Nicola disse, olhando o homem nos olhos.


- Acho que você deveria esclarecer, Nicola. Sabe como às vezes preciso que me esclareçam as coisas.


O garoto respirou fundo, mas tentando não demonstrar o quão irritado estava com aquela situação ridícula.


- Onde minha mãe foi? – ele perguntou de supetão.


Alexey arqueou as sobrancelhas e, preguiçosamente, sentou-se no sofá, cruzando os braços em seguida.


- E o que te leva a crer que vou responder? – perguntou jocoso. – Se você não sabe o que está acontecendo, foi porque Dina quis assim.


- Mitéra não disse nada, porque sabia que eu daria um jeito de aparecer onde quer que ela fosse.


- Então não vou te dizer também, pois você vai atrás dela.


- Eu não vou atrás dela, só quero saber o que está acontecendo. E você tem as respostas que eu quero.


Alexey suspirou fingindo cansaço.


- Nicola, Nicola... – lamentou – Você é um garoto muito mimado, sabia? Sempre disse para Dina não fazer isso. Agora olha só o que aconteceu.


- Eu não sou mimado – Nicola se irritou. – O fato de eu querer respostas não tem nada a ver.


- Você perguntou para sua mitéra o que estava acontecendo?


- Você sabe que sim.


- Se eu soubesse, não estaria perguntado, não acha?


- E pelo que eu saiba, você só se faz de burro. Não é de verdade.


- Obrigado pelo torto elogio – Alexey falou, dando um risinho.


- Disponha.


Ficaram em silêncio. Nicola levantou-se do sofá e voltou para cozinha, colocando o copo na pia e, enquanto caminhava até lá, sentia os olhos de Alexey em cima dele, mas também percebeu certa tensão na situação. Alexey estava preocupado, isso Nicola percebeu desde que se sentou em frente ao vampiro. Mas ele também era um filho da mãe nojento o bastante para não falar nada para o garoto.


Porém, Nicola se lembrou que eles não eram os únicos da casa. Não acreditou que havia se esquecido dela. Saiu da cozinha, passando pela sala apressado e, da mesma maneira, subiu a escada e foi para seu quarto, fechando a porta em seguida. Foi preciso chamá-la apenas uma vez para que aparecesse.


- Jovem mestre chamou Kika? – a pequena e velha elfa doméstica perguntou, na sua vozinha fina, enquanto apertava feliz o pequeno vestido sem graça.


- Chamei sim, Kika – Nicola falou desanimado.


Sentou-se no chão, as costas apoiadas na cama. Não foi preciso nem contar até três para logo ter a elfa ao seu lado, assustada.


- Mestre Nicola está se sentindo bem? Kika pode fazer um chá!


- Ah, Kika. O que eu tenho nenhum chá resolve – ele falou ainda cansadamente.


- Mas... Kika ajuda! Ela sabe monte de coisas! – afligiu-se.


Nicola sabia que o que estava fazendo era um golpe muito baixo, mas esse seria o único jeito de conseguir tirar alguma coisa de Kika, pois a elfa era leal a Ariadne e, acima de tudo, idolatrava sua mãe.


- Estou preocupado com minha mãe, Kika. – E sentindo que seus olhos estavam mostrando-se o mais temerosos que conseguia, Nicola olhou para a criatura mágica à sua frente. Os negros olhos de Kika o encarando da mesma maneira. – Ela disse que seria rápido, mas já faz quase duas horas que ela está fora! Será que aconteceu alguma coisa?


- Ah, menino Nicola, Kika também se preocupa. Kika falou para mestra Ariadne não fazer isso, que seria perigoso!


- Eu sei, Kika – Nicola continuou. – Falei a mesma coisa para ela, mas, como sempre, ela nem me ouviu. Eu sei que ela está fazendo isso por mim, entende? Mas eu queria muito ajudá-la.


- Mas ela pesquisou bastante, menino Nicola – Kika falou, não sabendo se apertava seu vestido ou a manga da camisa do garoto. – Ela ficará segura, já que não podem prendê-la por lá.


Nicola teve que segurar um sorriso de contentamento. Kika estava começando a soltar o que ele precisava ouvir.


- Mas eu me preocupo com a comensal, Kika. E se aquele homem não conseguir contê-la? E se eles segurarem minha mãe? Ou então ela não conseguir voltar? Ela disse que... – ele hesitou propositalmente.


- Mas ela vai trazer o homem, menino Nicola! – Kika falou segurando-se no braço do garoto, como se quisesse ampará-lo. – Ela sempre cumpre o que fala e...


- Agora já chega!


Alexey estava dentro do quarto. Por um momento, Nicola quis azarar aquela cara irritante com todos os feitiços que conhecia. E ele faria isso sim, se não estivesse mais tentado em demonstrar sua irritação da maneira mais trouxa que conhecia.


- Kika, acho que você já consolou demais Nicola – Alexey falou friamente, olhando para o garoto.


- Mas ele está assustado com a mestra Ariadne, porque ela foi atrás do homem e...


- Já chega, Kika. Não creio que Ariadne gostaria que você ficasse desembuchando sobre os planos dela. Especialmente com Nicola.


A elfa olhou assustada para o vampiro e, depois, para seu jovem mestre.


- Isso mesmo, Ariadne não falou nada para ele. E você quase estraga os planos dela, contando tudo para Nicola. Se ele soubesse, iria atrás da mãe e poderia acontecer algo muito grave.


Kika soltou um guincho e correu até a porta do quarto, batendo sua cabeça fortemente.


- Kiká má! Kiká má! – falou entre lágrimas de desespero. – Quase estraga o plano de sua mestra e manda o menino Nicola para as Trevas. Kika não presta nem para guardar um segredo!


A situação da criatura era de dar pena, mas nenhum dos dois estava preocupado com que poderia acarretar em Kika se ela continuasse com aquela autoflagelação.


- Você não tinha o direito! – sibilou Nicola, já de pé.


- Você é quem não tinha o direito de tentar descobrir os planos de sua mãe através de alguém como a elfa, Nicola. Você sabia que Ariadne tinha que contar grande parte do plano para Kika, pois a elfa poderia ajudá-la a descobrir várias coisas! Coisas que somente os elfos sabem!


- Como o quê, por exemplo? Manual de Autoflagelação?


- Não. E eu não vou te explicar porcaria alguma.


Não, Alexey não falaria para aquele garoto mimado que Ariadne precisava da ajuda do conhecimento de Kika para conseguir manter-se sã num mundo de trevas. Os elfos sabiam como se portar tanto nas trevas quanto na luz. Tinham encantamentos, conheciam ervas mágicas para manter a mente sã o maior tempo que o bruxo conseguisse, após ingeri-las. E com certeza, Ariadne, por ter confiança cega em Kika, acabara deixando escapar parte de seu plano. Partes que Nicola não deveria saber de maneira alguma.


Entretanto, antes que aquela conversa se estendesse, eles ouviram o barulho de vozes na sala da casa.


- Pronto, agora pode parar como sermão – falou Nicola, saindo do quarto e nem reparando numa Kika extremamente tonta ou num desnorteado Alexey.


Nicola foi apressado até a escada, mas parou de supetão antes mesmo de começar a descê-la. Mais pelo que ouviu, pelo que viu.


- Ora, ora, ora, se não é o jovem Nicola.


A voz de Sebastian ecoou pelo recinto e, sem que Nicola pudesse conter, um arrepio perpassou em sua espinha.


- Vejo que está surpreso, garoto – o vampiro continuou.


- E bem mais velho desde a última vez que o vi – completou Adhara. Um sorriso ferino brincando em seus lábios.


- Ainda não, Adhara – Sebastian a conteve. – Então, Nicola, será do jeito fácil ou do jeito difícil?


- Como vocês entraram aqui?


Essa pergunta estava presa da boca de Nicola e ele realmente a abrira para fazê-la, mas Alexey já estava ao seu lado. Seu rosto, Nicola viu pela primeira vez, demonstrando desprezo.


- Ah, a babá! Sabia que eu havia me esquecido de você, Alexey? Por um momento apenas, mas esqueci.


- E apenas por um momento, Sebastian, vou fingir que acreditei em você.


- Ora, mas é isso que os parentes fazem, não é? Acreditar neles mesmos.


- Vou repetir a minha pergunta vagarosamente, já que vocês se mostraram um pouco obtusos. Como vocês entraram aqui? E o que querem?


- E você não sabe o que queremos, Lex? – Katrina perguntou, mas relanceando seus olhos rapidamente para Aimèe que fingiu não perceber.


- Acho melhor vocês saírem daqui antes que se arrependam – Alexey disse. Seus olhos frios fixados na vampira loura.


- Por que iríamos nos arrepender, meu caro? – Sebastian perguntou, sentando-se elegantemente numa poltrona. – Você sabe que, com Ariadne dentro daquele arco, a proteção do colar é inexistente. Por qual outro motivo você estaria aqui?


- Vai ver – Samantha começou em tom jocoso –, Nicola aprecia muito a presença do primo.


- Na verdade o frustra, Sammy – disse Adhara. – Já que o garoto não sabe o real motivo de Alexey estar aqui e sua mãe na sala do Departamento dos Mistérios, no Ministério Bruxo.


- O quê? – Nicola perguntou num sussurro automático. Como aquelas vampiras sabiam muito mais do que ele?


- Agora não, Nicola  – disse Alexey e, dirigindo-se aos vampiros, completou: – Saiam daqui. Hoje não estou a fim de acabar com ninguém.


- É, Nicola, agora não. Mas tia Sammy promete contar tim-tim por tim-tim do que está havendo quando você estiver nos seus maravilhosos aposentos. – E dizendo isso, Samantha deu uma piscadela cúmplice para o garoto.


- Olha, o papo seria interessante. De verdade – falou Sebastian. – Mas não temos tempo. Não sei como Ariadne vai sair daquele arco e já demoramos demais por aqui. Samantha, Aimèe... peguem Alexey.


A seguir, tudo se passou tão rápido que seria quase impossível contar para quem perguntasse.


Samantha e Aimèe logo estavam ao lado de Alexey, segurando o vampiro pelos braços e o arrastando para o fim do corredor, deixando Nicola sozinho. Mas o garoto, sem pensar duas vezes, correu para seu quarto. Precisava alcançar sua varinha para, ao menos, ter alguma chance. Conhecia feitiços. Sua mãe lhe ensinara muito bem como matar vampiros. Como salvar sua própria vida.


Nem percebeu Alexey e as duas vampiras se engalfinhando no corredor, nem escutou os guinchos de Kika, assustada com todo aquele movimento, e muito menos percebeu quando Adhara cravou suas unhas, que mais pareciam garras, na lateral do pequeno corpo da criatura.


- Não tão rápido, queridinho – Nicola ouviu Adhara sussurrar em seu ouvido quando conseguiu pegar sua varinha.


A vampira logo o jogou contra a parede e, com a força do impacto, Nicola acabou soltando sua varinha. Adhara rapidamente ficou à sua frente, com o rosto a milímetros de distância do dele.


- É uma pena que não posso te morder agora – ela murmurou, segurando fortemente o pescoço de Nicola que tentava soltar-se dela e, também, tentando buscar um ar quase inexistente. – Mas seria delicioso ter você sob meu controle.


Sebastian logo apareceu. Proferiu apenas algumas palavras ininteligíveis no que, rapidamente, Nicola desmaiou.


- Vamos – ele falou.


Saiu então do quarto do garoto, lançando rapidamente um olhar para os três vampiros que ainda lutavam.


A desvantagem de Alexey não era tão grande. Ele era mais preparado que Samantha e Aimèe, além disso, ambas pareciam querer apenas atrapalhá-lo a ajudar Nicola, do que realmente matá-lo.


- Acabem com isso – Sebastian falou. Em seguida, ele, com Nicola bem seguro em ombro, Katrina e Adhara, desapareceram.


Alexey teve apenas um vacilo. Apenas um. Mas que foi o necessário para perder toda a vantagem que mantinha sobre as vampiras.


Ele relanceou os olhos apenas por um momento para Sebastian, com Nicola pendurado em seu ombro. Tempo que Samantha e Aimèe não perderam e, enquanto a vampira loura segurava Alexey pelos braços, parecendo querer puxá-lo para algum lugar, Samantha cravava suas unhas na barriga dele, fazendo-o quase urrar de dor.


- Já era, meu querido. Ou você achou que ganharia de nós? Você pode morrer, nós não.


- E você é uma desgraçada – Alexey falou entre dentes. – Eu não.


- Largue-o, Aimèe – Samantha ordenou, suas unhas ainda muito bem cravadas no outro.


A loura hesitou por apenas um segundo, mas nada que a companheira percebesse, ou ela achava que não. Então, assim que Aimèe saiu de trás de Alexey, Samantha voou com ele de encontro à parede, suas unhas, se fosse possível, entrando mais ainda no corpo do homem.


- Aqui jaz Alexey “Catcher” Vrykolakes.


E em seguida o mordeu, mas de uma maneira tão raivosa e vingativa, que dilacerou parcialmente o pescoço do vampiro. Quando se deu por satisfeita, Samantha jogou-o no chão.


- Ele é todo seu, querida. – E desapareceu.


Aimèe olhou Alexey caído no chão. Seu primeiro pensamento foi aproveitar da situação e matá-lo, como sabia que era a ordem de Sebastian. Mas não conseguia.


Ajoelhou-se ao lado dele, tentando ajudá-lo ao menos a se sentar, porém, só foi tocá-lo, que Alexey se esquivou como pôde.


- Não me toque – ele disse num murmúrio pela falta de forças.


- Não fale nada. Não... Eu vou cuidar de você.


- Não quero nada que venha de você, Aimèe. Não mais.


- Alex, por favor. Eles vão pensar que eu estarei te matando, então me deixe usar esse tempo para te ajudar!


- Prefiro que você me mate, em vez de me ajudar.


- Pois eu não acho que você esteja pensando isso.


- E eu estou me lixando pelo que você está achando.


Aimèe não falou mais nada. Apenas pegou um pequeno saco de pano num bolso interno de seu vestido longo, retirando de lá algumas ervas levemente úmidas e moídas. Ela pegou uma pequena parte e a levou em direção ao pescoço de Alexey, que bateu na mão dela.


- Já disse para não me tocar – falou entre dentes.


Ela repetiu o gesto em silêncio, no que ele lhe impediu mais uma vez.


- Você é surda, por acaso? Já disse para não me tocar, Deneuve! – vociferou, mas isso só fez com que seu machucado piorasse.


- Não faz isso, Alex. Só vai piorar. Você já está até ficando sem forças.


Aimèe então repetiu o gesto e Alexey, realmente já sem forças para impedir, ficou quieto.


Ficaram alguns minutos em silêncio, a pasta mal-cheirosa fazendo o efeito que a vampira queria. Demoradamente, mas fazendo.


- Você sabe que não gosto quando me chama pelo sobrenome – Aimèe falou suavemente, depois de um tempo. Sua voz passando um ressentimento que queria ser escondido.


- Prefere que te chame como? Concubina? Ou assassina seria melhor?


- Não me julgue, Alex.


- O que você quer que eu faça, então? – ele perguntou amargurado, encarando-a intensamente.


- Nada. Simplesmente, porque você não pode fazer nada.


Após terminar de ocupar-se do pescoço do vampiro, Aimèe abriu a camisa que ele usava, a fim de passar o restante da pasta nos ferimentos das unhas de Samantha. Aquela parte não estava tão ruim quanto o pescoço, e, ao tocar aquele corpo novamente, a vampira sentiu um arrepio involuntário perpassar o seu.


Alexey percebeu a reação da mulher. Como eles podiam agir de maneiras tão controversas quando estavam frente à frente? Era frieza, depois ódio. E agora ele tinha uma vontade intensa de tocá-la, beijá-la... Matar a saudade que sentia dela, desde que... Ele suspirou cansado. Não fazia idéia do motivo de Aimèe se aliar a Sebastian. Ela não era como o outro.


- Por que, Aimèe?


Ela o havia ouvido e entendido muito bem, mas preferiu ficar quieta, ocupando-se em passar a pasta no abdômen dele, embora não precisasse mais. E foi com um aperto no peito que ela o olhou, quando Alexey a forçou, segurando seu pulso.


- Por quê? – ele insistiu.


A vampira ainda tentou parar de olhá-lo, mas Alexey segurou seu rosto, insistindo mais uma vez.


Mas ela não respondeu. E Alexey não pareceu fazer tanta questão também. O que realmente importava era que a boca dela nunca lhe fora tão convidativa, nunca lhe fora tão necessária como naquele momento.


Eles pareciam ter perdido a noção do tempo. Aimèe sequer se importava que sua demora pudesse causar perguntas. Só queria sentir Alexey como há muito tempo não sentia. Nem parecia que ela tentara matá-lo minutos atrás. Mas como ela precisava sentir aquelas mãos em sua pele, aquela boca na sua, sentir os arrepios e tremores de seu corpo que apenas Alexey sabia fazê-la sentir.


- Preciso ir – ela disse finalmente, mas relutante.


Porém, Alexey a mantinha da maneira mais firme que conseguia, perto de si. Segurando-a toscamente pelos cabelos e mantendo suas testas coladas.


- Você não precisa – ele murmurou. Seu pescoço não doía tanto, embora não estivesse curado, mas sentia suas forças voltando. – Não precisa, minha querida.


- Não me chame assim – ela disse num muxoxo.


- Digo. Minha querida. Só minha. Minha...


Aimèe ainda permitiu ser beijada mais uma vez, e beijou de volta. Beijo, toque, saudade...dor. Esta última se apossando dela mais ainda ao deixar Alexey quase inconsciente por causa do efeito de remédio que ela lhe aplicara. Desapareceu, rogando que sua demora não fosse percebida como sinônimo de traição.


 


Algo está errado[...]


Silêncio, bebezinho, não diga uma palavra


E não se incomode com o barulho que ouviu


É apenas o demônio embaixo da sua cama


No seu armário, na sua cabeça


x


Sai a luz


Entra a noite...


Bem vindo ao Inferno


 (Sum 41)


 


XXX---XXX


 


Algumas palavrinhas em Grego:


 (1)Borborlakos: Vampiro.


(2)Pónos: como acho que alguns perceberam, Pónos significa dor .


Mitéra: e se alguns não se lembram, é mãe/mamãe.


N/B: Agora, sim, a fic pega fogo! Vai ser vampiro e cachorro pra todo lado, porque a Ari não vai perdoar este seqüestro. E muito menos o dogão! Estou torcendo pra eles acabarem com a raça deste Sebastian nojento e sua corja. Mas e a Aimèe? Que mistério, heim? Gostei muito dela com o Alex. *Geo adorando este aumento progressivo de casais. Só falta colocar alguns deles para “aflorar”, se é que me entende. Rsrsrsrs


MUITO BOM, maninha! Parece que estou acompanhando uma novela das oito. O.O E estou doidinha pra ver o Sirius despertar. *_* Seja gentil. Hihi. Sua beta, cada vez mais fã, Geo.


NA: Caminhando para a parte mais sombria da fic...Mas também a mais cheia de luz.. Agora vocês se perguntam: “hein? Como assim?” rsss.. E eu respondo: “paciência, amores. Paciência.” hihihi...


♥ Agradecimento especial ♥


Osmar: você é brasileiro mesmo, né?rsss.. não desiste nunca! Nem de mim! (Liv sorrindo feliz!!) Nicola...imagina a mistura das personalidades: Ariadne e Sirius? Eu hein..não sei como a Ari conseguiu lidar com o garoto..hihih...mas você acertou direitinho a personalidade do Nicola.. Harry e Ginny caminhando e caminhando e caminhando..rs.. Sou adepta a romances! (Principalmente RH, mas não vem ao caso agora..rss.) Espero que tenha gostado do capítulo, Osmar! Beijos... (e não demorei, demorei? – eita, que meu tempo tá correndo feito doido.. preciso de um vira-tempo..rs)


<b>Priscila Louredo:</b> pra não ter briga! (primeiro a ser respondido)rsss.. mas continua de pé a promoção: cite Priscila Louredo em seus comentários mesmo que ela cometa o crime de esquecer de comentar sua fic!rsss.. brincadeira, irmã! E isso já virou comédia a tal ponto que, quando li seu coment, comecei a rir e pensei: eehh.. ela comentou! Até salvei seu coment, afinal, vai que o site come ele..hihihi.. E enfim..rs.. é muito bom saber que você está gostando da fic! Como é difícil ser marinheira de primeira viagem! Ai,ai, ai.. E vamos caminhando pra balança..hahahaha... Beijo enorme, Pri Maria! E muito obrigada!


Carol Lee: bom, Carol, acho que você merece uma explicação por causa do seu coment. Antes de mais nada: críticas são sempre bem vindas! Elas me fazem pensar e repensar tanto nesta fic, quanto em outros projetos que ainda estou desenvolvendo. Bem, então, acho que, o bom em escrever fics, é que não é necessário escrever no ponto de vista do Harry e, por isso, pode explorar outras personagens, como no caso da Ariadne Lakerdos e seu “núcleo”... sei que na fic o Harry ocupa o cargo de Personagem Principal, mas a Ariadne não é uma mera Personagem Secundária.. ela também é principal com foi mostrado no prólogo e, se você perceber também, no resumo da própria fic! Ela é essencial pra história como você vai perceber nos próximos capítulos, então, eu tenho que mostrar como ela é, seus fantasmas e demônios e o que a cerca e que é importante para o decorrer da fic. Então foi preciso, de certo modo, “esquecer” do Trio HP e me concentrar no Núcleo Ariadne, que também vai ser muito importante pra fic. É isso... Espero que você tenha entendido que eu não esqueci de ninguém, pois cada parte da história tem que acontecer do jeito que está acontecendo. Pode ficar tranqüila que o enredo dela está pronto desde o começo do ano, quando comecei a escrevê-la, então não tem nada fora do lugar aqui (pelo que meus olhos não-treinados de inspiração a escritora me permitem ver). E pra concluir: espero que tenha gostado do capítulo! =D


Renata Lovegood: ah, adolescência... fase cheia de hormônios que fundem nosso cérebro..hihihi... mas pode deixar, Renata... o Harry é lerdo, mas não é burro..rs.. E pode estar certa que não me esqueci dos nossos heróis não, afinal, eu adoro um romance..rs.. e sou RH de carteirinha, então eles terão seus momentos.hihi.. Beijos.


Amanda Regina Magatti: nossa, mulher, como você é má! Ainda não está na hora de fazer o Harry sumir.. (ops! bico fechado!) mas pode deixar que eles vão se pegar de jeito quando for a hora... muita saudade, sabe como é..hihihi.. Espero que tenha gostado do capítulo! Beijos


Michele Ramos Machado: bom, acho que acabei mostrando o motivo do “esquecimento” do Harry quanto às Horcruxes, né..rss.. Certo que não é tão aceitável assim, do ponto de vista indiferente, mas é compreensível..rs.. mas cada coisa ao seu tempo.. E mesmo com o foco ainda fora dos nossos heróis, espero que tenha gostado do capítulo! E sim, eu também tremo quando vejo AVISO..rs.. mas trancar a fic?! NUNCA! Nem que demore um mês pra att como foi esse (não acredito que passou tudo isso! Aff..) Obrigada pela força, Michele! Beijos!!


Bianca Evans: e como ficou o gostinho agora, Bianca?rss.. espero que você ainda queira mais.. e reações só no próximo capítulo..hihihi..Espero que tenha gostado! Beijos.


Pamela Black: bom, você já está no cap. 10 e, pelo que me conta, gostando sim! *Liv sorrindo feito criança que recebe presente antes do Natal* Mas não deu pra te esperar, mana..rs.. Mas ainda tenho fé..hehe.. Beijo enorme!


Lola Potter: Nicola TDB?rss... sim, afinal é filho de Sirius Black..hihihi (o qual eu amo!!) E Lola, de tarada e louca, todas nós temos um pouco...hihihi.. (acho que o ditado não é esse, mas tbm tá valendo..rs) e se quiser ver o Nicola, é só ir no meu espaço do multiply..o link tá no Menu da Fic..tem outras coisinhas tbm da fic por lá! Ah, sim, claro: é muito bom saber que está


Aos que leram, mas não deixaram reviews, que favoritaram minha fic e quem apenas deu uma passada básica: espero que tenham gostado do capítulo!


Beijos,


Livinha

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