Capítulo 8
Medos e Dúvidas
Você não pode estar comigo, a culpa é minha
Deixo você só e não sei onde está nesse exato momento
Vinte horas atrás você chamava meu nome
Me pedia atenção, sussurrava em meu ouvido
Não sei se me acostumo com isso
Nenhuma regra, nenhuma normalidade
Você é meu segredo para o mundo
Minha tentativa de acertar, errando
(Novela de Poemas - Tammy Luciano)
O castelo estava em polvorosa naquela manhã e o motivo era o aviso que estava afixado nos murais dos quatro salões comunais. As garotas estavam excitadas, assim como a maioria dos garotos mais velhos, enquanto os mais novos estavam que não se agüentavam de nervoso.
- Um baile! - ouviu-se a voz animada de Parvati.
Hermione revirou os olhos, puxando Ron e Harry para que saíssem do salão comunal para irem tomar café da manhã.
- Foi isso o tempo todo, desde que desci do dormitório para esperar vocês - ela falou entediada.
- Elas gostam. Fazer o quê? - falou Harry, com um meio sorriso.
- E você, Harry? Animado?
- Com certeza - ele respondeu com todo seu sarcasmo.
- Este ano não terei problemas para convidar uma garota - falou Ron, passando o braço pelo ombro de Hermione, que sorriu, maliciosa.
- E quem disse que eu não espero ser convidada, Ron Weasley?
- Fala sério, Mione! Para que eu te convidaria formalmente? Você já sabe que vamos juntos!
- Sei mesmo, é?
- Por que não saberia? - indagou Ron, com a testa franzida.
Mas Hermione não chegou a responder, pois os três foram abordados pela Profa. McGonagall.
- Bom dia - ela cumprimentou, parecendo apressada e um pouco contrariada.
- Bom dia, Profa. McGonagall. - falou Hermione, polida, enquanto os garotos apenas murmuravam um comprimento e acenavam com a cabeça.
- Sr. Potter, o senhor pode seguir para o salão principal - ela disse, indicando o caminho para Harry. Ele deu de ombros e seguiu seu rumo, e quando virou um corredor, viu que os amigos caminhavam ao lado da professora, e pelo que ele sabia, na direção da sala dos monitores.
Harry só foi ver os amigos novamente quando estava indo na direção da aula de Poções. Eles sentaram-se juntos e o garoto logo tratou de perguntar o que a professora queria com eles, mas Hermione sequer deixou que conversassem, dizendo que a poção que o Prof. Slughorn estava dando cairia nos NIEM’s, e depois ela não explicaria a eles novamente como se preparava.
- Te disse que os NIEM’s estão enlouquecendo a Mione - murmurou Ron, divertido, mas recebendo um olhar fuzilante da namorada, no que ele lhe devolveu com uma piscadela e um sorriso. Hermione meneou a cabeça negativamente, e bem que tentou mostrar-se irritada, mas acabou dando um sorriso relutante.
Somente quando saíram da aula dupla de Poções e estavam subindo para a torre de Gryffindor, que Harry ficou sabendo o que estava acontecendo. Que seus amigos ficariam encarregados pelo baile, por serem monitores.
- Já estou até desanimando - falou Hermione, cansada, quando já saíam do salão comunal para irem almoçar.
- Ah, não é o fim do mundo - falou Ron. - Vai ser legal. Teremos acesso à decoração, à comida...
- Você só se preocupa com a comida, Ron? - perguntou, revirando os olhos e tirando o braço de Ron que estava em seu ombro, ficando apenas de mãos dadas com ele.
- Então você desanimou - concluiu Harry.
- Bem, não é que eu esteja totalmente desanimada. É que, por enquanto, não estou com cabeça para baile, entende?
- No quarto ano estava melhor, não estava? - falou Ron com uma careta nos lábios. - Ao menos você não estava se sentindo tão incomodada assim.
- Não chega a ser incômodo, Ron, já falei. É que no quarto ano eu não tinha a pressão dos NIEM’s como esse ano e nem era Monitora Chefe. E como já podemos ver, esse cargo vai me render muito mais trabalho com a preparação desse baile. E eu não teria isso se fosse uma simples monitora. Já estou até visualizando os inúmeros trabalhos e reuniões que terei com Adam por causa disso - falou cansada.
- Tá bom... Eu entendo - murmurou Ron carrancudo.
Hermione não entendeu aquele começo da irritação do namorado, contudo foi ouvir o nome de Vitor Krum ser murmurado no meio de uma frase ininteligível, que entendeu o que estava acontecendo. Isso a aborreceu.
- Ron, por Deus, esqueça o Vitor. Até quando você vai ficar jogando isso na minha cara?
- Como eu esqueço o “Vitinho”, Hermione, se você faz com que eu me lembre dele?
- Mas... - ela parou de andar, obrigando Ron a fazer o mesmo. - Eu não falei do Vitor, Ron, foi você. Aliás, foi você quem insinuou que eu estava mais animada no quarto ano, do que no baile que teremos no Dia das Bruxas. Deus! - exclamou frustrada. - Ron, sabia que essa já é a segunda vez que discutimos em quatro dias por causa desses seus atos tão...? - ela hesitou, sem saber o que falar.
- Idiotas? - perguntou Ron com uma careta, o que fez Hermione revirar os olhos e passar a mão na testa, cansada.
- Não, Ron. Infantis. Olha, eu... Eu não sei o que fiz para você ficar desse jeito, sempre duvidando do que sinto por você! É como se você não confiasse em mim. Como se não gostasse de ficar comigo e arranjasse qualquer desculpa para discutirmos e, então, levar para conseqüências que nenhum de nós quer.
Harry achou melhor continuar andando e deixar que seus amigos se entendessem. Afinal, Vitor Krum ainda era um ponto sensível entre os dois, principalmente em Ron. Ele também não sabia o porquê do amigo ficar tão inseguro quanto a Hermione, afinal, estava mais do que claro, desde o ano anterior, que ela o amava, talvez tanto quanto Ron a amava. Mas pensando que aquele era um problema para os dois resolverem, embora não negasse ajuda se o pedissem, Harry meneou a cabeça, virando o corredor, contudo, não sem antes dar uma olhada para trás e vendo que seus amigos entravam numa das salas daquele corredor.
Ele almoçou praticamente sozinho. Ron e Hermione só chegaram quando já estava quase na hora da sobremesa, notando também que o clima não estava nada agradável. Ron estava emburrado e Hermione com a feição contrariada, como nas vezes em que ela não encontrava uma resposta nos livros da biblioteca. Harry não perguntou nada do que havia acontecido, mas se preocupou com os amigos, pois sempre que Krum era citado nas conversas, a situação entre os amigos só se ajeitava depois de um tempo incomodantemente longo.
E com a desculpa de que tinha que se preparar para sua aula de Runas Antigas, Hermione se levantou, despedindo-se apenas com um “tchau”. Preocupado, Harry logo previu que a semana seria longa, principalmente por notar Ron um pouco pálido pela namorada sair sem se despedir com um beijo, como sempre acontecia.
Aquele dia foi um tumulto. Ron estava polido demais com Hermione, e esse tratamento era respondido do mesmo jeito pela garota, embora Harry tenha notado que o olhar da amiga estava mais triste que o de Ron. Eles ainda andavam de mãos dadas pelos corredores e, na hora do jantar, sentaram juntos normalmente, mas quase não trocaram palavra alguma. Quando o faziam, a polidez voltava. Era como se fossem duas pessoas obrigadas a conviverem.
O dia seguinte foi a mesma coisa. E depois de quase não tocar na comida, na hora do almoço, Hermione disse que aproveitaria o tempo livre para estudar Aritmância. Deu um beijo rápido na bochecha de Ron e saiu do salão sob o olhar do namorado.
Harry olhou para o amigo, que estava em sua frente, e percebeu que ele voltara a brincar com a comida que estava no prato, o que o deixou apreensivo. Aquilo era um fato inédito: Ron Weasley havia perdido o apetite. Desviando o olhar por um momento de Ron, Harry passou os olhos pela mesa de Gryffindor ao sentir que era observado. Ao se deparar com o olhar de Ginny, não se surpreendeu.
Era incrível, e ao mesmo tempo assustador, a sensação que ele tinha quando ela o encarava.
Ginny ergueu as sobrancelhas e indicou o irmão, no que Harry deu de ombros, mostrando que não sabia o que se passava. Ele então viu os lábios dela se moverem, percebendo a palavra “brigaram” se formar em forma de pergunta. Deu de ombros mais uma vez, movendo os lábios e dizendo que era provável. Ginny então morder o lábio inferior, olhando para Ron e depois para Harry, levantando-se em seguida. Quando passou pelos dois, sinalizou para Harry que iria até a torre da Gryffindor, conversar com Hermione. O garoto então sorriu agradecido, sentido seu estômago cair quando Ginny o retribuiu levemente, acompanhando o sorriso com uma piscadela.
Ele sentia seu estômago afundar sempre que olhava para Ginny, graças ao beijo que lhe dera na Enfermaria, quando a garota estava adormecida. Não conseguira dormir direito naquela noite. Não sabia de onde tirara a idéia de que, caso fizesse aquilo, seu corpo e alma ficariam mais aliviados. Além de pensar que, se Ron soubesse o que ele havia feito, brigariam. Afinal, o amigo, com certeza, diria o que se passava na cabeça de Harry naquele momento: que se aproveitara da situação para satisfazer um capricho. Pois se ele gostava tanto de Ginny e a situação já estava caminhando para um total descontrole, eles deviam se acertar, principalmente por Ginny já saber de tudo o que envolvia Harry e Voldemort. Mas essa era uma decisão difícil de ser tomada, e que Harry adiava cada vez mais.
Meneando a cabeça e pensando que naquele momento era Ron quem precisava de ajuda, Harry tratou de se concentrar no amigo que ainda brincava com a comida que ocupava metade do prato.
- Hei, Ron?
- Hum? - retorquiu, arqueando as sobrancelhas, mas sem olhar Harry.
- Você quer ir voar um pouco no campo? - Ron balançou a cabeça negativamente, ainda sem olhá-lo. - Jogar xadrez bruxo? Snap Explosivo?
Ron negou esses dois convites também. Parou de mexer na comida e olhou para um ponto qualquer, apoiando a cabeça com uma mão sob o queixo e soltando um suspiro cansado em seguida.
- Ahm... Você... - começou Harry, incerto. - Você quer conversar?
Finalmente Ron o olhou e, dando um meio sorriso, embora triste, falou que não.
- Tenho que fazer o dever de poções, senão a Mione briga comigo - falou Ron, se levantando. - Você vem?
- Claro.
Então eles foram para torre de Gryffindor, com Harry pedindo aos céus que Ginny tivesse mais sorte do que ele.
Porém, ela também não conseguiu esclarecer nada. E o dia seguiu daquele mesmo jeito. Estranho.
Somente quando o casal foi dormir, que Harry e Ginny conseguiram conversar. Desceram depois de um tempo, sabendo que o salão comunal já se encontrava totalmente vazio, sentando-se então em poltronas diferentes.
Parecia que nenhum dos dois tinha coragem ou um modo para iniciarem a conversa. Ginny parecia mais interessada em ver o fogo baixo da lareira crepitar, enquanto Harry estava achando mais fascinante ver a pele e os cabelos da garota brilharem pela luz da lareira, contrastando também com a luz da lua cheia. Ela parecia mais uma divindade naquele momento. Mas pensando mais uma vez que tinham prioridades naquele momento, Harry meneou a cabeça e a chamou, iniciando a conversa.
- Então? Conseguiu alguma coisa com a Mione?
Ginny olhou para Harry, como se o tivesse notado somente naquele momento.
- Não - ela disse num tom cansado, franzindo a testa em seguida. - Na verdade, nem a Mione sabe o que aconteceu. Ela disse que depois que você os deixou ontem, antes do café da manhã, eles só entraram naquela sala porque a Mione insistiu. Ela perguntou ao Ron o que estava acontecendo, mas ele disse que não era nada.
- Se não fosse nada, eles não estariam agindo dessa maneira, Gin - retorquiu Harry. - Aconteceu alguma coisa sim.
- Eu sei - ela falou tranqüila, embora tivesse sentido seu coração bater mais acelerado ao ouvir o curto apelido. Mas continuou a falar no mesmo tom de antes, embora encarasse a lareira. Suas mãos estranhamente se apertando uma na outra. - Eu não entendo o Ron. Ele sempre gostou da Mione, sabe? Acho que desde o quarto ano de vocês, mas ele não se sentia seguro em contar a ela. E depois aconteceram todas aquelas coisas no quinto ano, e no ano passado ele ficou com a Lavender para lhe passar ciúmes... Como ele pode ser tão cabeça dura? A Mione é uma garota incrível e que o ama! Por que ele se porta como um trasgo idiota, fazendo isso com ela? Fazendo-a sofrer desse jeito?
Harry desviou seus olhos do rosto de Ginny ao ouví-la falar de uma maneira tão frustrada, além da voz estar levemente embargada. Sentia que aquelas palavras, principalmente no fim, poderiam ser direcionadas a ele também, embora essa não fosse a intenção de Ginny. Contudo, ele não se sentia como um trasgo idiota, mesmo sabendo que Ginny sofria; se não mais, tanto quanto ele.
- Vou ver se consigo conversar com ele. Talvez seja insegurança, sei lá. Não acha? - falou sem olhá-la.
- Pode ser - ela disse, dando de ombros.
Ficaram em silêncio novamente, embora ele não tivesse sido, nem por um momento, incômodo. Ginny olhava para a lareira mais uma vez, mas ela já começava a se apagar, embora seus cabelos, Harry notou novamente, pareciam dançar com a iluminação do fogo. Também notou que as bochechas de Giny pareciam refletir o fogo, pois estavam um pouco vermelhas.
No entanto, se ele soubesse o que se passava na cabeça de Ginny naquele momento, saberia que ela estava corada, além de sentir sua pele pinicar, só por sentir a intensidade do olhar de Harry que parecia atravessar sua alma. Mas estava sem coragem de retribuir, pois, caso o fizesse, não sabia o que iria encontrar nos olhos do garoto.
Harry então se levantou de repente, chamando a atenção dela.
- Já vou subir - ele disse.
- Ah, tá. Eu também vou. Boa noite, Harry.
- ’Noite.
Harry estava aos pés da escada, assim como Ginny, quando parou e virou para olhá-la novamente.
- Ginny?
- Sim? - ela perguntou, tentando não se mostrar ansiosa.
- Se eu souber de alguma coisa, te falo.
- Ah, certo. Obrigada.
Mal começou a subir as escadas, Harry ouviu Ginny chamá-lo também:
- Vai com calma, Harry. Às vezes, o Ron é... Bom, um pouco difícil.
- Pode deixar, eu sei.
Ginny começou a subir os degraus, mas, mais uma vez, ouviu Harry a chamando:
- Eu queria...
- Sim? - ela perguntou quando ele hesitou, e descendo novamente os degraus.
Harry parecia ansioso e Ginny mordeu o lábio inferior enquanto apertava uma mão n outra em expectativa. Mas logo o garoto pareceu se recompor.
- Boa noite, Ginny - ele falou com a voz mais calma, embora não a encarasse.
- Boa noite, Harry.
Voltaram a subir cada um sua escada. Entretanto, tanto um quanto o outro esperram no meio delas para ver se seriam chamados novamente. Mas ao perceber que Harry não a chamaria, Ginny subiu paro seu dormitório, chegando lá rapidamente.
Contudo, o que ela não fazia idéia, era de que o garoto descera ao salão comunal silenciosamente e estava, mais uma vez, no primeiro degrau da escada, observando a que levava ao dormitório feminino com uma fé e desejo quase contraditórios, enquanto tentava, também, ganhar uma batalha que em seu íntimo já sabia estar quase perdida.
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Ron e Hermione continuaram se tratando da mesma maneira no dia seguinte, embora a garota tivesse ficado o maior tempo possível afastada de Ron e Harry. O fato de ter aula dupla de Aritimância enquanto os dois tinham tempo livre, fez com que usasse, mais uma vez, a desculpa de ter muito dever para fazer naquela noite. E, misturado a isso, ela disse que tinha um relatório de Monitoria Chefe para fazer com Adam Stewart, na sala dos monitores. Hermione havia ido para a tal sala quando as aulas daquele dia haviam terminado. Entretanto, já estavam no meio do jantar, mas nada dela aparecer.
O tempo todo Ron olhava quase automaticamente para a porta do salão principal, esperando ver Hermione passar por ela. Mas, foi ver um garoto alto e forte, de cabelos e olhos negros entrar por ele, que sentou-se ereto. Adam havia entrado no salão principal com uma feição clara de alívio e um sorriso singelo, mostrando que havia conseguido algo esperado há algum tempo. Provavelmente, Ron pensou, já haviam acabado o tal relatório e a qualquer momento Hermione também passaria por aquelas portas. Mas, mais uma vez, nenhum sinal da garota.
Ron já estava começando a ficar inquieto. Até que, não agüentando mais, foi até a mesa da Hufflepuff, nem escutando Harry lhe perguntar para onde estava indo.
Harry lançou um olhar apreensivo a Ginny, que também percebera a movimentação do irmão e retribuiu o mesmo olhar. Olharam para Ron ao mesmo tempo, temendo que ele fizesse alguma besteira, mas ele não fez nada. Parecia conversar civilizadamente com Adam e, depois de cinco minutos, mas que para os dois pareceu uma eternidade, Ron voltou a sentar em frente a Harry. Nenhum dos dois disse absolutamente nada.
Porém, há alguns metros, Ginny pareceu se mostrar cansada de toda essa tensão. Portanto, no instante seguinte, já estava sentada ao lado de Ron.
- O que está acontecendo, Ron?
- Nada, Ginny. Não está acontecendo nada.
Ron se levantou com a cara emburrada e irritada, embora nenhum desses sentimentos tenha sido mostrado no tom de sua voz, que saiu num sussurro rouco e contido. Ginny apenas olhou Harry por alguns segundos. Rapidamente, ambos trataram de seguir o garoto. Mas, quando o alcançaram, não abriram a boca, sendo que cada um ficou em um lado de Ron.
- O que é isso, agora? Guarda-costas?
- Não podemos mais te fazer companhia? - perguntou Ginny docemente e enlaçando seu braço no de Ron, que acabou sorrindo.
Ele livrou seu braço do de Ginny e a abraçou pelo ombro, seguindo dessa maneira até o salão comunal. Assim que passaram pelo retrato da Mulher Gorda, Ron seguiu para seu dormitório, dizendo boa noite aos dois.
Ginny mordeu o lábio inferior e apertou suas mãos, em claros sinais de nervosismo. Então, pensando que devia fazer alguma coisa para descobrir o que estava acontecendo, ela não pensou duas vezes em subir para o dormitório masculino, tranzendo Harry consigo. Arrancaria uma explicação do irmão nem que tivesse que azará-lo ou, no caso de ainda não conseguir, usar sua melhor personificação da Sra. Weasley.
Quando entrou no dormitório - Harry atrás -, Ginny deparou-se com Ron vestindo o pijama. Ele estava acabando de colocar a camiseta.
- Que invasão é essa? - perguntou Ron, sem entender.
- Vamos conversar, Ron - ela falou com uma feição dura, enquanto Harry fechava a porta atrás de si.
- Conversar o quê? Não podemos esperar amanhã, Ginny? Estou com sono.
- Não, não podemos. E você não está com sono.
- Estou sim.
Ginny ergueu as sobrancelhas e colocou as mãos na cintura.
Ron revirou os olhos e bufou, jogando-se na cama. Sem se importar, puxou as cobertas até a cabeça, mas logo sentiu que ela era puxada e, quando voltou a olhar para Ginny, teve a impressão, por alguns segundos, de que via sua mãe à sua frente, o que o assustou.
- Ginny, não quero conversar - disse, se recompondo.
- Mas, Ron, você precisa.
- Quem tem que conversar são vocês dois - disse agressivo e apontando para Harry e sua irmã. Ao vê-los corando enquanto se olhavam por alguns segundos, sentiu uma imensa satisfação.
- Não... - Ginny pigarreou, recompondo-se. - Não desvie o assunto, Ron - falou, para só então olhar o irmão.
- O assunto é o mesmo, só muda as personagens, irmãzinha.
Ginny semicerrou os olhos, que pareceram duas fendas. Ron, sem perceber, se encolheu na cama. Como ela conseguia ser tão assustadora como sua mãe?
- Mas, agora, Ron, as personagens são você e a Mione. E a pergunta é: por que vocês estão, há dois dias, se tratando como dois estranhos? O que está acontecendo?
- Quem disse que estamos nos tratando assim?
- Ninguém disse, Ron. Eu vi. E o Harry também - ela concluiu, indicando Harry que ainda estava parado à porta, seu rosto ainda corado.
Ron olhou de Ginny para o amigo. Harry apenas ergueu as sobrancelhas e acenou levemente com a cabeça, não dizendo nada, o que fez Ginny revirar os olhos.
- Além disso, você sabe onde a Mione está agora? - ela perguntou.
- No dormitório dela, oras. Você acha o quê? Que eu não estou a par do que se passa com minha namorada? - perguntou exasperado, finalmente se sentando na cama.
Ginny fechou os olhos e soltou um suspiro cansado, sentando-se na cama do irmão.
- Ron, o que está acontecendo?
Ao ouvir a voz da irmã tão preocupada, Ron desceu o rosto, parecendo envergonhado. Não disse nada, mas Ginny percebeu que, o que quer que tenha acontecido, estava sendo uma batalha difícil para ele.
- Ron - ela chamou, apoiando sua mão na perna de Ron, procurando dar-lhe algum apoio. - Eu não sei o que aconteceu para que você e a Mione ficassem nessa situação. Também não precisa me dizer, se não quiser. Só saiba que a Mione te ama muito, e tenho certeza que ela faria de tudo para não te ver desse jeito e também para resolver essa situação. Mas, para isso, ela tem que saber o que está acontecendo.
Vendo que Ron realmente não diria nada, Ginny resolver deixar o que disse no ar. Levantou-se da cama e foi até Harry. Parou bem próximo a ele e olhou mais uma vez para Ron e, quando voltou a encarar Harry, pareceu perceber então que estava numa distância que lhe aquecia, ao mesmo tempo em que deixava suas pernas bambas. Porém, ainda com uma feição preocupada, ela apenas lhe sussurrou:
- Conversa com ele, Harry.
Harry apenas acenou com a cabeça, encarando seus olhos intensamente, pensando que sua voz lhe trairia se dissesse alguma coisa. E então ele sentiu. Descargas elétricas passando por todo seu corpo, começando pelo seu rosto onde, num lado, os lábios de Ginny o tinham tocado num leve beijo, enquanto no outro foi onde a mão da garota repousara. Harry fechou os olhos quase imediatamente com aquela sensação, mas não fez nada. Apenas cerrou os punhos que estavam dentro do bolso de sua calça, se segurando para não agarrá-la ali mesmo. Sentiu a respiração rasa de Ginny em seu rosto quando ela se afastou e a mão dela deslizar levemente pelo seu pescoço e parar em seu peito.
- Boa noite - Ginny disse num sussurro, apenas para Harry escutar.
Somente quando Harry ouviu o barulho da porta do quarto se fechando ao seu lado, parecendo que ele viera há muitos metros de distância, que abriu os olhos e voltou a respirar. E, sem que pudesse conter, jogou-se em sua cama; a conversa que ele teria que ter com Ron totalmente esquecida. Nem sabia que o amigo agradecia mentalmente por isso, embora não tivesse visto o que levara Harry a deixá-lo em paz.
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Com a chegada do fim de semana, os alunos de Hogwarts respiraram mais aliviados, com exceção dos quintanista e setimanista, que estavam atolados de deveres por causa dos NOM’s e NIEM’s, respectivamente. Harry, Ron e Hermione estavam na biblioteca fazendo um dever de Herbologia, que era um relatório sobre Plantas Asiáticas e seus Venenos, e para quais fins elas se destinavam. Embora Hermione se mostrasse disposta a ajudar os dois garotos, a situação entre ela e Ron continuava deixando Harry constrangido, mas esse constrangimento rapidamente mudou para nervosismo quando percebeu que havia alguém atrás dele, apoiando-se no encosto de sua cadeira.
- Oi, gente. Posso fazer o dever com vocês?
E, sem esperar resposta, Ginny sentou no único lugar disponível: ao lado de Harry.
- Hoje nem está parecendo sábado, não é mesmo? - ela continuou, descontraída, tirando pergaminhos e pena de sua mochila. - O dia está tão gostoso, mas, para variar, a McGonagall passou um dever daqueles, além do Flitwick.
Ela retirou suas coisas rapidamente e, quando abriu o livro, sentiu que os três a encaravam.
- O que foi? - perguntou com a pena a meio caminho do pergaminho.
- Nada, Ginny - disse Ron, voltando sua atenção ao livro e continuando a tomar anotações para seu dever, gesto que foi automaticamente copiado por Hermione e Harry.
Então, dando de ombros, Ginny começou a trabalhar também.
Agora a tensão se apoderara de vez daquela mesa. Ron e Hermione mal trocavam olhares, isso apenas acontecia quando um precisava pegar algo que estava um pouco longe e, deliberadamente, roçavam a mão no braço do outro, ou se apoiava em sua cadeira, como se quisesse forçar um toque, por mais singelo que fosse.
E enquanto o casal de amigos tentava ao mesmo tempo mostrar que havia alguma coisa errada, embora dissimuladamente quisesse também o contrário, Harry não sabia se continuava sentado ao lado de Ginny ou dava um jeito de sair dali. Desde que sentira, mais uma vez, as reações de seu corpo quando a ruiva o tocava, não conseguia ficar sem olhá-la ou pensar nela o tempo todo. E a batalha que ele continuava a travar estava chegando numa situação totalmente crítica. Principalmente por, de vez em quando, sentir o joelho de Ginny roçar em sua perna, pela proximidade das cadeiras.
- Vou buscar um livro. Já volto - disse apressado, levantando-se em seguida e saindo dali.
Assim que chegou numa seção qualquer da biblioteca, Harry apoiou as mãos na estante, baixando a cabeça de modo que ela ficasse entre seus braços, e, em seguida, soltou um suspiro de alívio. Ele sabia que aquela situação já estava ficando repetitivamente fora de controle. Não sabia, sinceramente, se continuava lutando contra o que sentia por Ginny, para que ela ficasse afastada dele e, consequentemente, fora da “visão” de Voldemort, ou se aceitava o que uma vozinha chata ficava lhe repetindo fervorosamente: de que ele não devia perder mais tempo e a agarrasse ali e agora, sem se importar que a biblioteca estivesse lotada e que Madame Pince o expulsaria de lá.
Ele sabia que Ginny estava cercando-o, fazendo com que ele desistisse dessa idéia de separação, impondo sua presença em situações que Harry não tinha condições de reagir. Como aquele dia em seu dormitório, quando ela foi tentar conversar com Ron. Ela com certeza percebera a reação dele e estava, cada vez mais, impondo-se. Harry realmente não fazia idéia de até quando resistiria naquela luta a ponto de ter um treco.
E ele estava tão concentrado no seu desespero, que não escutou alguém lhe chamando, e literalmente pulou de susto quando sentiu uma mão sobre seu ombro.
- Está tudo bem, Potter?
Harry, mais uma vez, suspirou aliviado. Ao sentir um leve toque em seu ombro, jurou que era Ginny que estaria ali, mas não. Era uma garota da Gryffindor e, se ele não se enganava, do mesmo ano de Ginny.
- Ah... Está sim, Prescott.
- Tem certeza? Você estava tão estranho...
- Não é nada - ele disse, dando um sorriso forçado.
- Bem, se você diz.
Elley Prescott pareceu ruborizar levemente quando ficaram em silêncio, olhando para os lados. Mas de vez em quando olhava para Harry e sorria, e ele já ia perguntar o que estava acontecendo, quando ela cortou o silêncio.
- Ah, Harry... Posso te chamar de Harry, não? - perguntou apressada.
- Er... tudo bem.
Ela sorriu mais confiante, embora ainda apertasse uma mão na outra se mostrando nervosa.
- Harry... ah... bem, você já... já tem companhia para o baile? O do Dia das Bruxas?
Harry arqueou as sobrancelhas ficando sem ação por um momento. Não esperava que Prescott o convidasse para o baile. Para falar a verdade, não esperava o convite de nenhuma garota. Não depois do fiasco que foi no seu quarto ano.
- Não - ele respondeu, quase sem pensar.
- Ah, que bom! - animou-se a garota, mas corou mais ainda em seguida. - Quero dizer... Eu acho que, ah, você então não se importaria, não é, se eu te convidasse?
Harry coçou a nuca, levemente constrangido. Certo que não seria nenhum sacrifício ir ao bailo com Prescott, pois, pelo que sabia da garota, ela era muito divertida, além de ser bonita. Era um pouco alta e esguia, com curvas que pareciam ser desenhadas. O cabelo era cor de mel e liso, fazendo uma franja cair levemente em seus olhos negros, e a boca sempre estava com um brilho rosado, e, seu uniforme sempre alinhado, parecia mais o de uma quartanista, do que sextanista.
- Bem... - Harry começou, mas foi interrompido pela garota.
- Ah, qual é, Harry! - ela exclamou animada, pendurando-se no braço dele. - Vamos juntos! Tenho certeza que você não vai se arrepender. Vai ser divertido. Então, o que me diz?
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Ron estava boquiaberto. Olhava para Harry, que estava jogado na cama do dormitório masculino, sem entender patavina. Eles haviam acabado de chegar da biblioteca, a fim de deixarem seus materiais e descerem para o almoço, e Harry tinha contado sobre o convite de Elley e a resposta que dera à garota.
- Não acredito que você aceitou, Harry.
- Nem eu - disse Harry, desanimado. - Mas...
Ele hesitou continuar, mas decidiu colocar para fora a frustração que estava sentindo. Ao menos sabia que Ron o entenderia. Pelo menos esperava que sim. Sentou na cama e, sem encarar Ron, falou:
- A Ginny está me cercando, Ron. Não sei por quanto tempo vou agüentar, sabe? Eu não sei se mando tudo para o inferno e fico com ela, mesmo correndo o risco dela se tornar um alvo definitivo para Voldemort, ou se continuo insistindo em nos mantermos longe.
- Você sabe o que penso disso, né cara? - E como Harry não disse nada, Ron continuou: - Mas o que isso tem a ver com o fato de você ter aceitado o convite da Prescott?
- Se eu for com ela ao baile, a Ginny não vai querer se aproximar de mim, não é? Além disso - ele continuou carrancudo -, ela ainda continua andando para cima e para baixo com Jimmy, nosso querido batedor.
- Então você só aceitou ir com a Prescott para descontar seu ciúme?
- Não, eu... Ah, sei lá, Ron. Eu já nem sei mais o que fazer ou pensar. - E, frustrado, jogou-se na cama, deitando novamente.
- Não sei se você sabe, Harry - começou Ron de maneira cautelosa -, mas a Ginny e a Prescott não se dão muito bem.
- Não? - E vendo Ron balançar a cabeça negativamente, Harry soltou um bufo exasperado. - Eu mereço! Isso só pode ser praga! Mas... - Ele se inclinou, apoiando o cotovelo na cama e olhando para o amigo. - Por que elas não se dão bem, Ron?
- Isso eu não sei te falar.
- Mas elas... ah, droga, agora que me lembrei de onde conhecia a Prescott. Ela e Ginny dividem o mesmo quarto. - Deu um riso nervoso. - ’Tô ferrado.
- O que você vai fazer?
- Não faço idéia, embora o mais sensato fosse falar à Elley que não vamos mais juntos, não é?
- Elley? - indagou Ron, vendo o amigo corar levemente. - Bem, você quem decide. Mas se precisar de ajuda para acalmar a fera, fala comigo.
- Muito obrigado, Ron - disse Harry, dando uma risada rápida e sarcástica.
Provavelmente ele precisaria mesmo de alguém para acalmar Ginny.
Entretanto, percebendo que não tinham mais nada a dizer, resolveram descer para o salão comunal, vendo que Hermione os aguardava um pouco irritada.
- Que demora! Vamos? Estou com fome.
- E a Ginny? - perguntou Ron, enquanto iam para a saída.
- Já desceu. Disse que não estava com paciência para esperar.
Harry e Ron se olharam, mas Hermione não percebeu. E, sem mais nenhuma palavra, desceram para o salão principal com a garota dois passos à frente.
Se Harry gostou da reação de Ginny ao saber que ele aceitara o convite de Prescott, não soube falar. A garota não o cercava mais como antes, e o fim de semana, se não fosse ainda pela tensão entre Ron e Hermione, passaria tranqüilo. O domingo já estava praticamente terminado. O salão comunal da Gryffindor só não estava vazio pela presença do trio, que pareciam hipnotizados pela lareira.
Porém, Harry pareceu acordar de seu transe e, ao olhar para o lado, deparou-se com Ron, ocupado com uma linha de sua calça, e Hermione, mordendo nervosamente o lábio inferior a todo momento. Conhecendo a amiga como Harry sabia conhecer, achou melhor subir para seu dormitório, pois tudo indicava que ela obrigaria Ron a conversar com naquela hora para descobrir o que acontecera com o namorado naquela semana.
- Já vou subir. Boa noite.
E depois de ouvir a resposta fraca de ambos, Harry subiu, torcendo, mais uma vez, que seus amigos se entendessem.
Ao ver-se sozinha com Ron, Hermione tratou de arranjar um jeito de iniciar aquela conversa que ela estava querendo ter desde que ela e Ron se desentenderam, no meio da semana. Realmente não tinha idéia do que atormentava o namorado. Não podia ser apenas uma atitude infantil. Ela sabia, conseguia sentir, que o buraco era mais embaixo, havia sim algo que atormentava Ron. E, depois da conversa que ela tivera com Ginny naquela manhã, só fez com que tivesse certeza.
Ela não saberia o motivo de Ron, mas, pelo que ela e Ginny conheciam do rapaz, ele estava inseguro. Agora só restava a Hermione descobrir o motivo de tanta insegurança, afinal de contas, eles estavam namorando há um mês e somente agora ele se mostrava assim. Mas como ela faria isso?
Olhou para Ron, que ainda encarava a lareira. Ao vê-lo na meia luz que se encontrava no salão comunal, com uma feição entre desolada e ansiosa, sentiu um aperto na garganta ao mesmo tempo em que borboletas pareciam dançar em seu estômago. Sinceramente, não sabia se falava alguma coisa ou simplesmente o beijava.
Porém, antes que Hermione decidisse, Ron virou-se para ela, retribuindo o olhar de uma maneira bem mais intensa. E ela conseguiu ver: insegurança e medo, misturados ao amor e desejo. Então ela decidiu que, naquela noite, arrancaria sua tão esperada explicação, mas não naquela hora. Não com todos os seus sentimentos e instintos ordenando-a que escolhesse a segunda opção de sua dúvida.
Sem quebrar o contato visual, Hermione apoiou sua mão direita no encosto do sofá, virando seu corpo e erguendo-o em seguida para sentar no colo de Ron, de frente para ele, com as pernas flexionadas para trás. Enlaçou o pescoço do namorado com seus braços e, com a respiração rasa, começou a dar leves beijos pelo rosto dele. Sabia que a qualquer movimento que ela fizesse com o quadril serviria para instigá-lo, mas não se preocupava com aquilo naquele momento. Não com a saudade que sentia de seus beijos urgentes, de suas mãos abrasadoras e do seu corpo que parecia querer fundir-se ao dela o tempo todo.
Sentiu seu corpo se arrepiar e tremer quando as mãos tímidas de Ron se insinuaram em sua cintura, sob a camiseta, enquanto a boca dele buscava a dela, iniciando um beijo urgente. Contudo, logo as mãos esqueceram a timidez. Ron abraçava Hermione mais apertado e fazia a roupa erguer-se e deixar a cintura dela totalmente desnuda. E quando Ron a puxou, de modo que seus corpos se colassem mais, Hermione não conseguiu conter um movimento que fez com o quadril, fazendo com que tanto ela quanto Ron começassem a respirar mais ofegante e se beijassem com mais sofreguidão ainda.
Há muito já haviam perdido o controle sem se darem conta. E a sensação de perda que não pôde deixar de ser sentida naquela semana, mista à saudade, faziam-nos se esquecerem de tudo e todos, concentrando-se apenas nos dois.
Ron retirou uma das mãos da cintura de Hermione e a levou até a coxa da garota. Enquanto a subia, seu íntimo agradecia quem havia inventado a saia. Deslizou também seu corpo pelo sofá, transformando-o em apoio para o da namorada, ao mesmo tempo em que sua mão alcançava o quadril dela, puxando-o de encontro a si.
Os gemidos foram contidos um na boca do outro.
Podiam até dizer que as carícias que eles trocavam eram apressadas e demasiada intensas para alguém que começou um relacionamento há pouco mais de um mês. Mas eles não achavam. Havia tanto amor reprimido e tanta vontade juntos, que não conseguiam se segurar. Sempre que começavam a se beijar, pareciam fios desempacados, tamanha a eletricidade que se passava ali.
Porém, no momento que Hermione sentiu que Ron estava começando a passar dos limites, achou melhor que parassem, afinal de contas, eles ainda precisavam conversar, além, claro, de estarem no salão comunal. A garota deixou a boca de Ron e deu beijos em sua bochecha e pescoço até que ficasse abraçada a ele com seu rosto na curva do pescoço do namorado.
- Como senti sua falta - Hermione falou num sussurro.
Mas Ron não respondeu. Apenas ajeitou as roupas de Hermione e se sentou direito no sofá com a namorada ainda em seu colo, abraçando-a. E aquele abraço foi tão forte, que ela ficou assustada.
- Ron...?
- Não diga nada- pediu quase suplicante, fazendo Hermione sentir um frio no estômago. - Só... só fica assim - falou, envolvendo-a mais em seus braços, mas sem apertá-la em demasia como antes, enquanto também afundava seu rosto no pescoço dela.
Hermione, portanto, não disse nada. Nem sequer se moveu. Continuava abraçada a Ron, que acariciava seus cabelos, enquanto, com os dedos, brincava com sua camiseta.
Ficaram um bom tempo dessa maneira. Quando Ron soltou um suspiro cansado, porém resignado também, ela permitiu se afastar levemente para olhá-lo nos olhos. O amor e o desejo continuavam no olhar do rapaz, assim como a insegurança, mas o medo já havia ido embora, no que Hermione agradeceu aos céus.
- Ron, o que aconteceu? - ela perguntou, num murmúrio suave.
- Nada.
Hermione soltou o ar que estava preso em seus pulmões de uma maneira cansada e saiu do colo do namorado. Ao lado dele, segurou a mão de Ron entre as suas, tentando passar-lhe segurança, mesmo sem saber o motivo dessa necessidade. Ela só olhava seu perfil, pois Ron, mais uma vez, encarava a lareira, o que já a fazia sentir uma enorme frustração que vinha acompanhada de lágrimas ainda contidas. Abriu a boca para tentar reiniciar a conversa, mas o rapaz a interrompeu sem perceber.
- Não aconteceu nada, Mione. Mas vai acontecer, tenho certeza.
A voz de Ron saiu rouca e cansada e, ainda sem olhar a namorada, continuou falando.
- Por que você está comigo?
- Ora, eu gosto de você, Ron - ela falou sem entender.
- Gosta? Só gosta?
Hermione abriu a boca com o intento de dizer que o amava, mas, mais uma vez, Ron a cortou.
- Onde você estava esta tarde?
- Numa reunião com o Adam. Você sabe disso.
- Reunião mesmo? - perguntou com sarcasmo, embora seus olhos o traíssem.
- Isso mesmo, Ronald. Reunião. - sibilou Hermione.
Ron percebeu que não era sempre que gostava quando Hermione dizia seu nome por completo. E aquela era uma péssima hora para ouví-lo.
- Eu vejo vocês dois de conversa - falou, encarando a lareira mais uma vez. - Você sempre volta animada quando sai de uma reunião que tem com o Stewart.
- Ora, e por que não sairia? Ele é meu amigo, Ron.
- Seu amigo é o Harry - ele disse exasperado.
- Também! - esganiçou Hermione, achando que aquela conversa estava rumando para mais uma briga. - Ron, é natural que eu me simpatize com o Adam, afinal nós estamos convivendo mais nesse ano. Sempre temos que trocar idéias sobre a monitoria, e agora também por causa do baile. E eu também gosto de conversar com ele.
- Por que você não conversa comigo?
- E você coopera? - perguntou largando a mão de Ron, sentindo uma enorme frustração. - Estou tentando conversar com você esses dias, tentando saber o que está acontecendo, mas você foge, Ron. Eu quero ouvir seus problemas, te ajudar a resolvê-los. Assim como eu quero que você retribua.
- Agora você vai cobrar que eu resolva seus problemas? - ele perguntou, embora tivesse entendido o que ela havia dito.
- Ron, não se faça de idiota, por favor.
- Ah, agora eu sou idiota.
- Não, você não é, mas está agindo feito um.
- Então por que você não termina comigo? - perguntou ríspido. - Assim é mais fácil, não? E então você pode ir correndo para o Stewart e desabafar com ele. Quem sabe vocês não têm um relacionamento melhor, afinal ele conversa!
- Por que você está fazendo isso? - Hermione perguntou num sussurro. Seus olhos não segurando mais as lágrimas.
- Não estou fazendo nada. Só está acontecendo como devia acontecer.
- Mas quem disse que essa situação era para acontecer?
- E por que não? Somos diferentes, Hermione. Como a gente pode amar alguém tão diferente da gente?
- Não sei, Ron. - Hermione levou sua mão à nuca de Ron, acariciando levemente seu cabelo. - A única coisa que eu sei, é que te amo.
Eles ficaram em silêncio. Um silêncio pesado que nenhum dos dois parecia ter coragem de quebrar. Só se ouvia o crepitar do fogo.
- Mas ama mesmo? - Ron perguntou depois de um tempo, com a voz rouca. - Até que ponto?
Ele finalmente a encarou. E ao ver sentimentos tão confusos no olhar de Ron, embora os que sobressaíam eram medo e expectativa, Hermione se sentiu impotente. Mas logo uma força dentro dela se fez presente, uma força que queria mostrar àquele ruivo que o amava, assim como ele sempre fez com ela.
Hermione levou alguns segundos para responder a pergunta dele. Ela precisaria das palavras certas para acabar com todo aquele medo do namorado e que ela nem sabia existir.
- Ron, eu te amo. Muito. Você sabe disso - ela falou, acariciando agora o rosto do rapaz e também impedindo que ele desviasse seus olhos dos dela. - Podem dizer que sou muito nova pelo que vou dizer, mas... Você é a pessoa que eu escolhi para viver o resto da minha vida. O garoto por quem me apaixonei perdidamente e que me faz feliz simplesmente pelo fato de existir.
- Mas, Hermione, o que eu tenho de especial que te fez apaixonar-se por mim? Eu sou o sexto filho de sete irmãos. Nunca tive uma qualidade especial. Bill e Charlie são bonitos e fortes, os orgulhos dos meus pais; Fred e George são engraçados e inteligentes, não estão nem aí pelo que os outros vão dizer; a Ginny é muito inteligente, esperta, uma bruxa poderosa, e o Percy... Bem, ninguém lá em casa espera mais alguma coisa dele, não? Mas, e eu?
Ron levantou do sofá, caminhando até a lareira e se apoiando nela, ficando de costas para Hermione que estava em silêncio, deixando que o namorado dissesse tudo o que estava atolado em sua garganta.
- O que eu tenho de tão especial que pode atrair uma garota? Atrair você? Não sou um bruxo tão poderoso quanto Harry, tão inteligente quanto você. Nem capacidade de virar Monitor Chefe eu tive! Não tenho dinheiro para começar uma vida quando sair da escola, nem sei se sou tão bom a ponto de seguir uma carreira em quadribol ou como auror. Que vida você espera ter comigo, Hermione, se eu não posso te dar nada?
Ele finalmente virou e Hermione viu que os olhos de Ron estavam marejados e que ele fazia de tudo para não chorar. Ao menos não ali na frente dela. Levantando-se, ela foi até ele e, segurando seu rosto levemente com as duas mãos, beijou-lhe os lábios.
- Você é uma pessoa maravilhosa, Ron. Doce e gentil, embora também seja um pouco grosso às vezes. - Ela sorriu levemente, no que ele correspondeu, embora seu olhar o mostrasse ansioso. - É corajoso, leal, um ótimo amigo. Uma pessoa que muitos gostariam de ter ao lado.
- Mas, Mione, você ficou com o Krum. Ele é famoso, rico... - falou, tirando as mãos dela de seu rosto, embora não as soltasse.
- Sim, ele é uma pessoa legal mesmo. Mas ele tinha um grave defeito, que eu não pude esquecer e nem perdoar.
- O quê? - perguntou Ron, com a testa franzida, sem perceber que também segurara a respiração.
- Ele não é você, Ron! Meu amor, você não entende? Eu amo você. Você! Com todos os seus defeitos, suas inseguranças, mas, acima de tudo, eu te amo porque você é perfeito na sua imperfeição, Ron. Você é inteligente sim, só é um pouco preguiçoso. É um excelente bruxo, afinal já duelou com comensais antes... Duas vezes! E está aqui, vivo e inteiro. Uma pessoa que, mesmo sabendo dos enormes riscos, decidiu seguir e ajudar Harry Potter. Quem faria uma coisa dessas, se não fosse uma pessoa maravilhosa? Um bruxo maravilhoso?
Hermione o abraçou, dando leves beijos no rosto e na têmpora de Ron, precisando ficar nas pontas dos pés para isso.
- Eu te amo, Ron - disse ainda abraçada a ele. - E não aceito que as inseguranças que eu tive no começo do nosso namoro, venham para você depois desse tempo que estamos juntos.
Ele soltou um riso pelo nariz, pelo modo carinhoso que Hermione lhe falara aquilo, embora grande parte tenha sido em sinal de alívio. Hermione afastou novamente, mas seus braços continuavam entrelaçados no pescoço de Ron que mantinha os seus na cintura da garota.
- E só vou aceitar que você não fique mais comigo - Hermione falou -, quando não me amar mais.
O sorriso de Ron aumentou e ele respirou profundamente, tranqüilo. Deu um beijo na ponta do nariz de Hermione, que sorriu, e encostou sua testa na dela.
- Então você está sentenciada a viver comigo pelo resto de seus dias.
Hermione riu levemente e deu um suspiro aliviado, mas seu sorriso logo se tornou malicioso. Erguendo-se nas pontas dos pés novamente, aproximou sua boca da orelha de Ron.
- Então eu quero cumprir minha pena da pior maneira possível - disse num murmúrio rouco e lhe dando uma leve, porém sugestiva, mordida.
- Pior? Não seria melhor?
Ela o olhou novamente e o brilho que tinha nos olhos acompanhava a malícia que seus lábios desenhavam. Assim como em Ron.
- Não sei - ela disse tentando parecer inocente, embora falhasse miseravelmente. - Me mostre e depois eu decido.
Então ele mostrou. E logo Hermione percebeu que sua maravilhosa sentença já havia sido decidida havia tempos, antes mesmo que ela soubesse, e por um juiz que não lhe interessava. Ao menos não naquele momento. E que Sibila Trelawney nem cogitasse tal pensamento da garota, senão seria o caos.
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Ela andava rapidamente pelos corredores, com seus cabelos balançando de maneira graciosa, o que contrastava com a expressão desesperada que tinha no rosto. Os saltos finos de sua bota faziam eco naquele corredor de pedra, mas os únicos ouvintes eram alguns quadros bruxos que decoravam aquelas paredes vermelhas acarpetadas. Quadros que se ocupavam em dormir. Olhava para trás o tempo todo, como se o que estivesse procurando fosse aparecer às suas costas a qualquer instante.
Ainda olhando para trás, virou outro corredor e, ao olhar à frente novamente, viu uma capa esvoaçar ao passar por uma porta, o que forçou suas pernas a correr até o lugar.
A porta, que estava levemente encostada, era de uma sala que ela sabia ser abandonada, como muitas que haviam por aquele castelo. Embora quisesse muito entrar naquele lugar, tinha medo, como se o que fosse ver dentro daquele lugar, fosse o maior de seus medos. Porém, fechando os olhos, respirou fundo, procurando pela coragem que ela sabia existir. Assim que a encontrou, levou a mão direita ao bolso da capa, retirando de lá sua varinha, ao mesmo tempo em que empurrava a porta vagarosamente com a mão esquerda, deparando-se com um cômodo incrivelmente escuro.
Entrou o mais silenciosa que conseguiu. Em seguida, a sala começou a iluminar-se, ao mesmo tempo em que a porta era violentamente fechada. Olhando ao redor, reparou que a luz que iluminava o local vinha de uma enorme lareira tão negra quanto as paredes e móveis daquela sala. Em frente à lareira havia duas poltronas, mas ninguém sentado, além também de haver dois sofás grandes e uma mesinha de centro entre eles. Não conseguiu ficar sem pensar de que aquele cômodo parecia totalmente deslocado do corredor e lugar que se encontrava antes, ao mesmo tempo em que também lhe era estranhamente familiar.
Só um tempo depois foi reparar numa larga escada, cujos degraus estavam cobertos por carpetes vermelho-escuro. Ainda não fazia idéia de onde estava, ou apenas não queria acreditar, mas não se importou em pensar mais nisso, apenas queria procurar o que tanto queria. Começou a caminhar pelo enorme cômodo até chegar à escada, subindo-a vagarosamente, enquanto continuava olhando ao redor, caso aparecesse alguém de surpresa. Contudo, nada aconteceu, o que a deixou livre para chegar ao último degrau.
Assim que terminou de subir as escadas, viu-se numa ramificação em forma de T, que levava para compridos e estreitos corredores, cujas paredes estavam forradas por carpetes azuis-escuros.
Na parte que seguia em frente havia apenas uma porta. Olhou para os dois lados, como se quisesse se decidir por qual caminho seguia, mas não vendo nada além de quadros e janelas, tanto no lado direito, quanto no esquerdo, seguiu em frente, mais precisamente até a porta.
Era uma porta estranha, como se fosse a porta de um calabouço, sendo as travas que havia nela negras e bem adornadas com ferro e bronze. E à medida que caminhava pelo corredor, reparou que nele também havia alguns quadros de belos homens e mulheres, cujos cabelos eram de cores diversificadas entre negros, ruivos ou loiros. Havia apenas um homem de longos e lisos cabelos brancos, os quais contrastavam com sua juventude. Mas o que todos tinham em comum era o fato de não se mexerem como um bom quadro bruxo faz, além da maneira que sorriam, a qual mais parecia que, à frente deles, havia uma presa pronta para o abate.
Engolindo a seco, ela voltou seu olhar para porta, determinada a sair dali rapidamente. Quando estava bem em frente a ela, não pensou duas vezes - embora o medo ainda a atingisse - e a abiu.
No instante seguinte, a confusão foi imediata, pois, atrás daquela porta estava o mesmo cômodo que deixara anteriormente quando subiu as escadas. Porém, agora ela não estava vazia, pois na poltrona em frente à lareira estava sentado um homem de cabelos brancos e, ao lado dele e em pé, um garoto de cabelos negros incrivelmente lisos, mas um pouco desalinhados. Ambos estavam de costas, mas algo lhe dizia que ela sabia muito bem quem eles eram, tanto o garoto quanto o tal homem, e que, quando os olhasse e suas suspeitas se concretizassem, não gostaria nada.
E foi o garoto se virar para olhá-la com seus olhos totalmente negros, que seu coração pareceu paralisar como se estivesse esperando que todos os sentimentos que ela sentia naquele momento entrassem por ele para só então voltar a bater. Dor, raiva, ódio, desespero, culpa... Tudo misturado e confuso, mas ao mesmo tempo latente e distinto. Sentiu um grito preso à garganta quando não encontrou nos olhos, outrora azuis, do garoto, a inocência que ela sabia que sempre existiu ali. Entretanto, vendo-o sorrir como um dos quadros que vira no corredor, sua garganta não conseguiu mais segurar o grito, o qual mostrava limpidamente tudo o que ela sentia.
Ariadne ainda pôde ouvir o grito que saiu de sua garganta quando acordou num ímpeto, sentando na cama. Sua respiração estava ofegante e seu pulmão não parecia conseguir sorver todo o ar que ela precisava. Todo o medo e desespero que lhe tomaram conta no sonho, não a tinham abandonado ainda e, junto deles, as lágrimas já apareciam, molhando seu rosto incrivelmente pálido. Ela voltou a deitar, mas de lado e encolhida, flexionando os joelhos e encostando-os no peito para abraçá-los contra o corpo. Tremia dos pés à cabeça e seus olhos estavam desfocados, mas, tentando se controlar, fechou-os e começou a respirar lenta e profundamente.
- Foi só um sonho... - murmurou.
Continuou respirando profundamente, até que sentiu sua respiração começar a normalizar.
Levou a mão quase que automaticamente dentro de suas roupas e retirou uma pedra que estava pendurada num colar dourado, em seu pescoço. A pedra era originalmente transparente, mas naquele momento brilhava serenamente na cor azul-celeste e também transmitia um calor agradável, o que pareceu acalmar Ariadne. Respirou fundo mais uma vez, ainda tentando controlar a respiração. Mas logo seu queixo se retesou e, quando abriu os olhos, eles brilhavam intensamente de tanto ódio, e se a luz favorecesse, daria para ver que estavam levemente alaranjados.
- Foi um maldito e desgraçado sonho... - disse entre dentes, devido a horrível sensação de déjà vu.
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A aula dupla de DCAT já estava no fim para alívio dos alunos, pois, mais uma vez, a Profa. Lakerdos mostrava-se incrivelmente irritada, principalmente por aqueles sextanistas não estarem conseguindo realizar um Patrono corpóreo, o que já rendera ao menos dez pontos por casa. Mais uma vez parecia Snape quem estava dando aula naquele momento.
- Srta. Prescott, segure esta varinha com firmeza. Assim a senhorita não espanta nem uma Mortalha Viva, que dirá um Dementador.
Ginny deu um meio sorriso, apreciando a professora chamar atenção de sua colega de quarto. Certo que ela já conseguira sua leve vingança, quando seu patrono pequeno e em forma de tigre a atacou, desarrumando todo aquele cabelo escorrido, mas nada como ter o prazer em ver alguém chamando sua atenção.
O sinal tocou, anunciando o final da aula, e rapidamente Ginny enfiou sua varinha no bolso do uniforme e jogou a mochila nas costas, sendo a primeira a deixar a sala. Não queria ficar naquele lugar com a louca da professora nem por um minuto. Realmente não sabia como Ariadne Lakerdos e seu irmão Charlie combinavam tanto. Ele tão alegre, doce e compreensivo, e ela tão... slytherin.
Ginny balançou a cabeça em sinal de asco. Se ela não tivesse tanta consideração pelo irmão, já teria indagado a ele há muito tempo de onde ele tirava tanto “saco” para aturar aquela mulher.
- Homens! Só Merlin para entendê-los, e olhe lá!
Mas logo seu pensamento foi interrompido, pois Elley Prescott passara por ela, irritada, esbarrando em sua bolsa e a derrubando, fazendo com que alguns pergaminhos que estavam nos bolsos externos rolassem.
- Presta atenção, Escorrida!
- Cuidado você, Weasley, com a retaguarda - Elley falou, com desprezo e sem olhá-la. - Caso contrário, não vai nem saber o que a atingiu.
Então finalmente ela olhou para Ginny, por cima do ombro. Sem dizer mais nada, continuou a andar com mais duas amigas que davam risinhos.
Ginny semicerrou os olhos, que mais pareceram duas fendas.
Ainda não se conformara que Harry aceitara o convite daquela garota asquerosa. Aquela falsa que todos pensavam ser um doce de menina, mas que, na verdade, não passava de uma dissimuladora e invejosa. Ginny várias vezes a escutara de conversa com as amigas, dizendo que ainda teria o famoso Harry Potter em sua lista, principalmente depois que ele começou a namorá-la.
Mas se Elley queria ser tão invejosa a ponto de querer sair com um cara que gostava de outra, quem seria Ginny para prevení-la? Afinal, se ela pensava que poderia realizar um sonho impossível, era problema inteiramente dela. Ginny ainda mostraria para Elley de quem Harry realmente gostava, assim como provaria para o garoto o que era certo a se fazer. E se seus planos corressem exatamente como esta arquitetando nesses últimos dias, ela não demoraria a alcançar seus objetivos.
E embora ainda sentisse uma enorme vontade em colocar a colega de quarto em seu devido lugar, Ginny não deixou de dar um doce e sereno sorriso ao pensar que, depois deste baile, ela voltaria a ser de Harry. Seria maravilhoso voltar a sentir aqueles braços em volta dela, aquela boca na sua... E com um suspiro trêmulo, finalmente seguiu para a torre de Gryffindor, mal sabendo que a noite do baile ficaria em sua mente por um bom tempo, sendo também o estopim para muitas outras coisas.
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N/A: Sei que alguns vão dizer: ah, nada a ver a insegurança do Rony! Mas, gente, o amor deixa a gente tonto e completamente tapado! Entre outras coisas também, mas... Bem, essas duas qualidades, o Rony já tinha faz tempo..hehe.. E também nem tudo são flores e, insegurança, todos temos. E eu - Lívia - acho que o Rony se sente sim, inseguro, tanto é que, pra mostrar a Hermione que ele era tão homem quanto qualquer outro, foi lá e ficou com a Lilá, sendo que gostava da amiga.. Homens! Aff.. Como disse a Gina: “Vai entendê-los, não é?”hihi... E vocês lembram em HP e a Pedra Filosofal? Ele viu refletido no espelho de Ojesed seu maior desejo, que era ser Monitor, Capitão do time, bonito... ou seja, qualidades que, com certeza, destacaria qualquer pessoa, mesmo se ela fosse o sexto entre sete irmãos!
Agora, aos agradecimentos mais que especiais:
Priscila Louredo: ai, que bom! Ao menos alguém pra me ajudar!! (e não só das azarações da Geo, diga-se de passagem!! o.Õ ) E sim, o que é complicado é muito mais gostoso!!hihi... Por isso mesmo ainda teremos algumas complicações..rsrs.. me empolguei nisso..hehe.. Espero que tenha gostado do capítulo, querida!! Super beijo! ;-*
Srtáh Míííhh: **sorrindo encabulada** Que bom que gostou da fic!! É muito bom saber que estou agradando, assim meus receios em escrevê-la começam a diminuir aos poucos! (e bota aos poucos nisso..rs) - acho que você tem uma idéia, não?rsrs - E leia com mais tempo..hihi.. E prometo que darei uma passadinha nas suas fics! Tempo corrido é uma coisa, viu! Aff..ninguém merece! Espero que tenha gostado deste capítulo também! Beijos! ;-*
Georgea: pois é... esse capítulo ficou sem ser betado.. não podia te escravizar, né mana? Mas você me ajudou bastante para fazê-lo naquela pequena conversa... tanto é que fui obrigada a mudar esse final (apenas de leve) e algumas coisinhas pro próximo... e o próximo.. até o dia do baile.. rsrs(cabeça fervendo com novas idéias por causa do nosso papo - você não perde por esperar..--olhinhos brilhando) E ainda teremos mais Alexey, o qual adorei inserir na história... Obrigada pela ajuda! Super beijo, querida!! E espero que tenha gostado do capítulo!
Remaria: a minha intenção é essa mesma, mana! Não entendendo patavina..uahauahuahuahuah... Mas garanto que a Ari não é uma má pessoa..só foi uma sonserina.. mas aguarde que logo logo as coisas vão começar a se explicar.. e gostou das, ahm, ações desse capítulo?hehe.. Mas agora que o Rony e a Mione vão ficar mais perfeitos..hehe.. às vezes me assusto com minha mente louca por NC..rsrs.. Super beijo!! Espero que tenha gostado deste capítulo também!
Mickky: (se escondendo da possível azaração - apenas os olhos aparecendo) você não vai me azarar, vai? Calma que já já chegaremos nos acertos de conta.. entre as personagens, viu!hihi... Beijão! Espero que tenha gostado do capítulo.. (autora rogando que sim para não ser estuporada!rs)
July Black: o Harry é muito lesado mesmo..hahuahuahuahua... mas tadinho! Você não tem dó dele?? Eu tenho, tanto é que, nos próximos capítulos... opa! Estou falando demais..rs.. E o legume insensível, quero dizer, o Rony, já está resolvido.. mas ele ainda continua sendo o legume..rs.. mas um legume resolvido! (nossa, que estranho ficou isso..hehe).. E acalme-se que o Carlinhos vai aparecer no próximo capítulo, embora não tanto quanto gostaríamos.. mas ele ainda terá sua importância.. Assim como o Alexey! E sim, ele é tudo de bom! Loiro, alto, forte, olhos azul-esverdeados.. ai, ai.. E não!! Nicola não é um bixinho de estimação! huahauhuahauhaua... E acalme-se garota!! Não perca os próximos capítulos!! (nossa.. que coisa mais mexicana!hahaha) Espero que tenha gostado deste capítulo!! Beijos!!
Bom, é isso!
E pra quem ainda continua no escurinho: espero que tenham gostado do capítulo!
Beijos a todos,
Livinha.