Capítulo 7
Longe de mim
A minha vida, eu preciso mudar todo dia
Pra escapar da rotina dos meus desejos por seus beijos
Dos meus sonhos eu procuro acordar e perseguir meus sonhos
Mas a realidade que vem depois não é bem aquela que planejei
Por isso hoje estou tão triste
Porque querer está tão longe de poder
E quem eu quero está tão longe
Longe de mim
(Eu quero sempre mais - Pitty)
Embora a pancada tenha sido feia, Madame Pomfrey não teve dificuldades em curar Ginny, mas a garota teria que ficar em observação, e só sairia da enfermaria na segunda-feira de manhã. O balaço quase partira sua cabeça em duas, o que deixara a curandeira totalmente irritada e revoltada. “Jogo de bárbaros”, ela murmurou, enquanto enfaixava a cabeça da garota.
E todo esse cuidado, que na visão de Ginny era exagerado, acabou deixando-a contrariada.
- Eu não acredito que só vou sair desse lugar na segunda-feira - resmungou quando a curandeira a deixou sozinha com o time de Gryffindor e Hermione.
- Ginny, você levou um balaço na cabeça e já estava desmaiada antes de cair no chão. Além disso, seu braço está todo inchado.
- Ah, grande coisa, Mione - resmungou mais uma vez, fazendo uma careta. - Foi o braço esquerdo, não foi? E eu sou destra, logo, não vou ficar forçando esse braço. E eu queria festejar a vitória em cima daquelas cobras.
- Mas e sua cabeça? - perguntou Ron com a testa franzida, deixando clara sua preocupação.
- ’Tá doendo um pouco - respondeu a contragosto. - Eu odeio enfermarias.
- Ah, Ginny, não é tão ruim assim - Demelza disse sorrindo, tentando acalmar a amiga.
- Então fica você sob a custódia daquela velha doida! No domingo, ainda por cima!
Mas, procurando esquecer que não poderia comemorar a vitória do Quadribol, além de que ficaria enfurnada na enfermaria no domingo, Ginny tentou se acalmar, pedindo que falassem o que havia acontecido. Ela nem vira quem a acertara, só sabia que tinha sido um balaço porque Madame Pomfrey havia dito.
Então Ritchie começou a explicar sem pular parte alguma e, quando chegou na parte em que ele, Jimmy e Demelza tiveram que segurar Harry, o garoto chegou até a dramatizar um pouco, como se Harry tivesse lançado maldições imperdoáveis nos sonserinos.
- Mas onde ele está? - Ginny perguntou, cortando a narração do amigo.
- Era isso que eu ia falar agora - continuou Ritchie, revirando os olhos, como se a interrupção de Ginny quebrasse o encanto de sua narrativa. - A Profa. McGonagall pediu que ele a acompanhasse até a sala dela. Deve estar dando bronca nele, por causa do jeito que ele agiu.
- Não quero nem pensar no que ela está dizendo - falou Jimmy com uma careta temerosa.
- E se ela ficasse mais um pouco - falou Hermione ligeiramente irritada -, ou Madame Hooch não tirasse Goyle do campo, o Ron estaria fazendo companhia ao Harry na diretoria.
- Ah, qual é, Mione? Agora você vai me criticar por defender minha irmã? - indignou-se Ron.
- Lógico que não, Ron! Mas não é com pancadaria que você iria defender a Ginny. E você é tão cabeça quente que, em vez de ver como sua irmã estava quando caiu, você queria ir direto no Goyle.
- Eu já tinha visto como ela estava, Mione! - falou Ron começando a se irritar e com as orelhas totalmente vermelhas. - Desacordada e com o braço numa posição incrivelmente estranha. Ou você acha que eu só ajo sem pensar, ou sem consideração alguma com quem eu gosto?
- O que eu acho é que, como monitor, você deveria ter dado exemplo e se controlado, e não começado a distribuir socos por aí - disse a garota com seu tom mandão, como se fosse óbvio.
- Que se dane o exemplo! - irritou-se Ron, fazendo Hermione soltar um “Ronald!” completamente indignado. - Era a minha irmã que estava naquela grama, inconsciente, porque um slytherin idiota a tinha atingido com um balaço!
- Mas pelo que eu sei, Ronald, essa agressão faz parte do jogo. Não são vocês que vivem dizendo isso? - sibilou Hermione, embora mostrasse que estava fazendo de tudo para não chorar com as duras palavras do namorado. - Além do mais, você fala como se eu não tivesse ficado preocupada com a Ginny! Eu só não fui ao socorro dela, porque você estava tão descontrolado que eu fiquei com medo daqueles sonserinos! Se você não sabe, Ron, nós estamos numa guerra, e não seria nada bom que você azarasse um deles para que, num momento qualquer, eles pedissem aos pais deles pra... pra você...
Mas Hermione não continuou. Preferiu sair correndo da enfermaria sob os olhares penalizados e assustados dos amigos, sendo que, no de Ginny, também havia irritação. No de Ron, o arrependimento era gritante. Um soco na mesa, que ficava aos pés da cama de Ginny, foi tudo o que ele conseguiu fazer para expressar sua raiva.
- Você é burro ou o quê? - ralhou Ginny e, quando Ron a olhou, viu que os olhos da irmã pareciam duas fendas e seu braço bom estava na sua cintura. Uma clara imitação da Sra. Weasley.
Ele nem chegou a responder, embora uma resposta afirmativa fosse a melhor opção. Sim, ele era um burro.
- Vai continuar socando a mesa ou vai atrás da Mione, se desculpar?
Ron fez uma careta e revirou os olhos, saindo da enfermaria em seguida, deixando os outros incumbidos em fazer companhia a sua irmã. Mas eles também logo a deixaram sozinha, pois Madame Pomfrey logo os expulsara da Enfermaria, dizendo que a paciente precisava descansar.
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Assim que as gárgulas voltaram ao lugar, às costas de Harry, a primeira coisa que veio em sua cabeça foi que ele tinha que ir até a enfermaria ver como Ginny estava. Mas só estava indo, porque, com certeza, os outros membros do time, além de Hermione, estariam por lá.
Desde que ele tivera aqueles inquietantes sonhos com Ginny, não se permitira ficar a sós com a garota, pois tinha medo de que o que acontecera nos sonhos se repetisse, porém, com ele totalmente acordado. Só esperava que Ginny não entendesse errado sua visita. Ele era o capitão do time da Gryffindor e, como tal, devia visitar seus companheiros quando um deles se encontrava na Enfermaria, não é mesmo?
Cortando o caminho por passagens que não lhe eram mais secretas, Harry chegou rápidamente na Ala Hospitalar, abrindo a porta da enfermaria sem nem bater. Começou a procurar pelos amigos, mas a única coisa que viu foi Madame Pomfrey nitidamente irritada, forçando uma Ginny contrariada a tomar uma poção. Pensou em sair dali, aproveitando que nenhuma das duas o havia visto, mas mal começou a girar em seus tornozelos, Ginny o chamou.
- Oi, Harry. Você veio me ver? - ela falou, virando o rosto no momento que Madame Pomfrey levava a taça à sua boca, e com um sincero sorriso.
- Er... é... vim... - falou, corando levemente e colocando as mãos nos bolsos da calça enquanto se aproximava da cama que Ginny estava.
- Srta. Weasley, você tem que tomar essa poção, senão vai sentir mais dor no braço.
- Mas não está doendo - retorquiu Ginny.
- Mas depois vai - intrometeu-se Harry, fazendo com que as duas mulheres o olhassem. - Ahm... Acho bom você beber, Ginny.
- É que esse gosto é horrível! - a garota falou, numa careta.
- Ora essa... O que esperava? Suco de abóbora? - ralhou Madame Pomfrey e levando novamente a taça à boca de Ginny, que parou a mão da mulher no meio do caminho. - O que é agora?
- Pode deixar que eu mesma faço isso. Não estou aleijada. - E olhando para Harry e lhe dando um meio sorriso, continuou: - Não ainda.
Madame Pomfrey, totalmente injuriada, deixou que Ginny pegasse a taça que tinha na mão. Aproximou-se em seguida da mesa ao lado da cama, onde estavam algumas ataduras e faixas. E, enquanto ia até sua sala a fim de guardá-las, disse a Harry para verificar se a garota beberia a poção realmente.
- Ah... Madame... - Harry tentou falar, no entanto, não terminou seu apelo, pois a curandeira já batia a porta da sala. Ele ficou desesperado, pois realmente não queria ficar a sós com a garota. Tinha que sair dali o mais rápido possível.
Ginny, com a taça na mão, olhou o líquido azul-anil que estava ali dentro para depois olhar para a porta da sala de Madame Pomfrey. Olhar então para Harry com as sobrancelhas erguidas e mordendo o lábio inferior. Harry logo meneou a cabeça negativamente, respondendo a pergunta muda da garota.
Bufando por não ter conseguido um silencioso aliado naquele momento, Ginny levou a taça à boca, tratando de beber tudo aquilo o mais rápido que conseguisse, o que acabou provocando um engasgo, fazendo-a tossir.
- Você está bem? - perguntou Harry, ansioso.
Instintivamente, o garoto se aproximou da cama de Ginny, retirando a taça vazia de suas mãos, mas o fez com tanta pressa que puxou levemente o braço enfaixado dela e que ainda estava se recompondo da fratura, fazendo-a soltar um gemido.
- Ah, droga! Me desculpe, Ginny. Eu... ah, droga... acho melhor você se deitar...
Harry, então, colocou sua mão esquerda nas costas da garota, apoiando-a, enquanto com a outra tentava empurrar levemente o corpo de Ginny para ajudá-la a se deitar na cama. Mas mal encostou suas mãos no corpo dela, sentiu os pêlos de sua nuca eriçar, além da garganta e boca secarem. Nem chegou a perceber que suas mãos tremiam.
Sem perceber, Ginny parou de respirar. Podia ver claramente os olhos de Harry brilhando em expectativa e receio, mesmo que o fato de ela ter engasgado deixasse os seus um pouco marejados. Entretanto, nada disso a impediu de apreciar o toque e a aproximação de Harry. Encarando-o, passou a fitar aqueles olhos verdes que tanto amava, como se o encorajasse. “Merlin, faça com que ele não desista, por favor!”, pediu com fervor, enquanto o via se aproximar dela vagarosamente, no que ela fazia o mesmo e também levava sua mão livre às costas de Harry e sentia a dele envolvendo-a no pescoço.
- Então, Srta. Weasley, bebeu toda a poção?
Madame Pomfrey acabara de sair da saleta com uma troca de roupa dobrada nas mãos, o que fez com que Harry desse um pulo para trás e Ginny desse um suspiro derrotado, com os olhos fechados.
- Sim, Madame Pomfrey. Bebi toda a poção - falou num tom entediado.
A curandeira se aproximou dos dois, colocando as roupas que tinha nas mãos aos pés de Ginny, para então pegar a taça e verificando-a. Depois de colocá-la de volta na mesinha ao lado da cama, começou a ajeitar os travesseiros da paciente, e ainda sem olhar para Harry, falou:
- Sr. Potter, já que o senhor já viu que sua jogadora está bem, deixe-a descansar.
- Claro - falou Harry com a voz um pouco falha e começando a se distanciar da cama, andando de costas. - Até mais, Ginny. - Em seguida, saiu apressado da Enfermaria.
Ginny soltou outro suspiro, mas este foi exasperado, enquanto Madame Pomfrey a ajudava a vestir a roupa sem graça da enfermaria.
- Não adianta bufar, Srta. Weasley. Nada do que a senhorita faça ou diga, vai adiantar.
Ginny olhou pra curandeira ao ouvir o que ela acabara de falar, pensando que, mesmo que Madame Pomfrey se referisse apenas à sua irritação em passar o fim de semana na enfermaria, aquela frase servira também para outra coisa.
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Hermione não sabia o que pensar. Quer dizer... Bem, ela sabia que seu namorado era um energúmeno insensível e de cabeça quente e que provavelmente não mudaria seu jeito impulsivo e um pouco grosseiro de ser. Tanto é que não alimentava esperança quanto a isto, mas não podia negar também que a sentia aparecer quando ela estava a sós com Ron e ele se mostrava carinhoso e apaixonado. Porém, ela queria sim que ele mudasse, ao menos um pouco, para que seu comportamento não chegasse a ter conseqüências desagradáveis, e isso era o que mais pensava ultimamente, entretanto, não quando deixou a enfermaria, pois naquele momento seu cérebro se negava a pensar claramente.
Ron gritara com ela daquele jeito grosso que somente ele sabia ter. Indicara que ela apenas se preocupara com o dever de um monitor, mesmo que um ente querido não estivesse bem e que o culpado disso estivesse bem à sua frente se divertindo com a situação. Ela realmente não o entendia com todas essas grosserias. Afinal de contas, ele a amava ou não?
Mas a resposta para essa pergunta, ela não saberia dar. Nem para outra que apareceu em sua cabeça: o que a levara a se apaixonar por alguém tão estúpido e inconseqüente como Ron Weasley? Apenas por um milagre, ela saberia as respostas.
Não soube por quanto tempo andou, ou quantos corredores cruzou. Hermione só sabia dizer que foi um tempo complexo, pois, ao mesmo tempo em que lhe pareceu uma eternidade, também lhe pareceu ser apenas alguns segundos o tempo que Ron levou para alcançá-la, impedindo-a de continuar a andar.
Porém, para Ron, sim, o tempo passou apenas de uma maneira: incrivelmente lento. Foi realmente uma eternidade o tempo que levou para ter uma visão de Hermione e chegar até ela, mesmo que esse tempo fora apenas o normal para se transcorrer dois corredores. E, quando a viu andar apressada na direção da torre de Gryffindor, forçou seus pés a alcançá-la.
Puxou seu braço, obrigando-a a olhá-lo assim que a alcançou, pois ele já tinha todo um pedido de desculpas pronto, ensaiado em seu cérebro e bem na ponta da língua. Entretanto, qualquer ensaio ou palavra de desculpas desapareceu como fumaça quando ele viu como deixara Hermione magoada com sua reação, minutos atrás na Enfermaria.
"É, Ron Weasley, você se superou dessa vez!", pensou amargurado.
Eles não falaram nada. Apenas ficaram se olhando como se estivessem congelados. E tanto a mágoa de Hermione, quanto o desespero de Ron em ajeitar as coisas, eram visíveis em seus olhos. Parecia até que dava para se tocar ambos os sentimentos.
Entretanto, Ron achou que era sua obrigação em iniciar a conversa ou, simplesmente, fazer um pedido decente de desculpas. Desceu a mão que segurava o braço de Hermione na direção da mão da garota, também fazendo o mesmo com sua outra mão e, assim que entrelaçou seus dedos nos dela, a puxou devagar, de modo que seus corpos ficassem próximos.
- Me desculpe. Por favor - pediu num sussurro ansioso e olhando-a intensamente. - Sei que não devia ter me descontrolado daquele jeito com você. Não devia nem deixar que você pensasse que eu a acho insensível ou qualquer outra coisa. Na verdade, o insensível sou eu, um idiota que, mesmo fazendo de tudo, acaba brigando com você e te magoando.
Hermione desviou seu olhar do de Ron, soltando-se dele delicadamente, e ficando de costas em seguida. Soltou um suspiro e meneou a cabeça negativamente, sendo estes claros sinais de cansaço. Olhou para fora da janela daquele corredor, mas não apreciava o céu que começava a clarear. Tentou de qualquer maneira, mas não conseguiu fazer com que seus olhos continuassem segurando as lágrimas que estavam lá.
- Você foi... - Hermione pigarreou, forçando sua voz não sair embargada. - Você foi tão grosso, Ron. E no campo, você estava tão preocupado em socar o Goyle, que não reparou que o Zabini te olhava de um jeito que... Eu não sabia se te segurava ou tentava descobrir o que ele tanto conversava com a Parkinson.
- O Zabini e a Parkinson? - perguntou, franzindo a testa, no que Hermione apenas assentiu com a cabeça.
Certo que não era para se desesperar em relação ao que dois idiotas como Zabini e Pansy conversavam, mas Hermione não estava tão errada assim em se preocupar, pois ambos eram amigos íntimos de Draco Malfoy, que todos sabiam ser um Comensal da Morte.
- Essa guerra está acabando comigo - ela falou num murmúrio, que Ron quase não ouviu, e abraçando seu próprio corpo.
Abaixando a cabeça, Ron olhou para os seus pés. Ele realmente era um idiota. Um inconseqüente que, mesmo fazendo de tudo, acabou magoando mais uma vez a pessoa que ele mais amava. E olhando Hermione daquela maneira tão desconsolada e temerosa, o fazia sentir uma imensa vontade de lançar uma azaração em si mesmo. Ele sabia que mesmo posando de forte, Hermione era frágil, embora coragem não lhe faltasse. E ele também sabia que cabia a ele confortá-la; que era isso que ela tanto esperava.
- Não se preocupe - Ron falou por fim, abraçando-a por trás e lhe dando um beijo no pescoço. E, depois de um tempo, continuou: - Tudo vai acabar bem, e eu prometo que farei de tudo para não atacar esses verdinhos idiotas.
- Sério? - ela perguntou, se aconchegando nos braços dele e sentindo seu corpo se arrepiar quando ele a apertou um pouco mais forte e inspirou o cheiro dos seus cabelos.
- A-ham.
Hermione virou-se naquele abraço. Ergueu-se levemente na ponta dos pés e deu um beijo leve nos lábios de Ron.
- Ainda bem - ela disse suavemente, embora com um tom mandão. Mas contrastando com isso, havia também um leve sorriso em seus lábios, além de seus olhos estarem vermelhos. - Senão seria obrigada a te dar uma detenção.
- Uma detenção com você? - Ron perguntou, dando um sorriso malicioso. - Hum... Está aí algo a se pensar.
- Ron! - ralhou.
- Brincadeira - falou sorrindo e lhe dando um beijo na bochecha. - Você me desculpa, então?
Ron fez uma cara tão "cachorro sem dono", que Hermione não conseguiu negar.
- Desculpo sim - ela disse, vendo Ron suspirar aliviado. - Mas não pense que vai conseguir tudo o que quer só me olhando com essa cara, ouviu, Ronald Weasley? - disse, apontando-lhe o dedo.
Ela sabia muito bem que aquela expressão não era apenas de arrependimento. Teria de dar um jeito de ficar imune a ela. Mas ao ver que Ron mudara a expressão arrependida para uma maliciosa, Hermione percebeu que teria algo mais para se preocupar naquele momento. E não estava errada.
- Já te disse que fico louco quando me chama de “Ronald”? - murmurou a milímetros da boca dela, vendo-a suspirar em expectativa. Completou: - Te amo.
E sem dar-lhe tempo de resposta, Ron a beijou com uma urgência quase premeditada, saboreando sua boca e língua. Faria de tudo para mostrar que a amava naquele momento, e do melhor jeito possível. Faria com que Hermione se esquecesse, mesmo que por alguns minutos, daquela guerra e de todos os problemas que a envolvia.
Ouviu a garota soltar um gemido baixinho e um pouco contido quando levou sua boca à orelha dela e desceu pelo pescoço. Então, como se fosse a coisa mais óbvia e normal em se fazer, a arrastou para uma sala qualquer, fechando a porta com eles lá dentro ao mesmo tempo em que voltava a beijá-la na boca.
O último pensamento lógico que Hermione teve foram as respostas para suas perguntas de minutos atrás: sim, ela sabia que era amada, além de também saber porque amava tanto Ron Weasley.
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Assim que saiu da enfermaria e fechou a porta, Harry encostou-se a ela, respirando mais aliviado. Realmente não esperava se encontrar sozinho com Ginny e, ao fazê-lo, pensou que não suportaria, tanto é que quase entrou em colapso quando Madame Pomfrey os deixara sozinhos. Embora quisesse se acertar com Ginny, não pôde deixar de se sentir aliviado quando a curandeira os interrompeu. Quase todo seu plano em manter-se afastado da garota Ginny e, consequentemente, afastar os perigos dela, foram por água a baixo.
Harry não fazia idéia do quanto ainda poderia suportar dessa situação que ele mesmo impusera.
Deus, por que a fizera tão linda e magnética a ponto de não conseguir manter-se distante pelo tempo que lhe era tão necessário? Parecia até que uma força externa o impulsionava a aproximar-se de Ginny. Uma situação que parecia pré-determinada. Um destino já traçado há eras. E, se Harry não soubesse da existência da profecia referente a ele e Voldemort, acharia totalmente absurdo o fato desse pensamento aparecer em sua cabeça.
Tratou de caminhar enquanto deixava seus pensamentos viajarem naquele momento, mas assim que virou o que lhe pareceu o terceiro corredor, topou com a Profa. Lakerdos que parecia entre aliviada e ansiosa.
- Harry, que bom te ver. Estava te procurando desde que McGonagall o liberou. Venha comigo até minha sala - ela falou rápido.
E Harry, sem dizer nada, a seguiu, achando-a estranhamente nervosa.
Chegaram rápido na sala da professora, e Harry não escondeu sua surpresa ao ver que Ariadne conhecia muito bem as passagens secretas do castelo. Não se segurando, perguntou-lhe como as conhecia.
- Eu fui da Slytherin, Harry. Acha que não procurei, de todas as maneiras, quebrar as regras dessa escola? Além disso - completou quando chegaram no corredor da sala -, o grupinho do seu pai não era um bom exemplo, não acha? Eles me ajudaram em muitas coisas, direta e indiretamente. Entre - ordenou ao abrir a porta da sala assim que pararam à frente dela.
Harry viu Ariadne entrar lodo atrás dele e, no que pôde perceber, ela lacrara e protegera a porta com um feitiço, sentando numa das cadeiras dos alunos, o que ele imitou.
- Harry, se eu dissesse que Olivanders fugiu porque Voldemort está atrás dele, você acharia a idéia absurda? - perguntou direto.
Harry, mesmo sabendo que independentemente da sua resposta não mudaria em nada o rumo daquela conversa, respondeu negativamente com a cabeça. Ele também chegara a pensar que o Sr. Olivanders fugira assim como Slughorn estava fazendo antes de ir para Hogwarts, no início do sexto ano.
- Bom... - falou Ariadne - Eu acho, e isso é uma suposição, que Voldemort está atrás do Olivanders por um motivo muito importante e que não tem nada a ver em adquirir seguidores, pois qualquer um sabe que Olivanders não seguiria o Lorde das Trevas, não é mesmo? Eu tenho algumas suspeitas em relação ao artesão de varinhas, mas que, antes de te contar, prefiro deixá-las mais concretas.
E sem parecer notar a careta que Harry exibia, continuou.
- Mas, então, eu tenho certeza que posso dar um jeito de encontrar o Olivanders, e quando o encontrar, quero perguntar por que Voldemort está atrás dele. Porque com certeza ele sabe, não é mesmo? Afinal, essa fuga é só uma repetição do que aconteceu na primeira guerra. Sim, ele também fugiu na primeira guerra - esclareceu ao ver a pergunta muda do garoto.
- Mas como a senhora vai fazer para encontrá-lo, professora? Vai se ausentar muito tempo da escola?
- Não, claro que não. Eu conheço alguém que... bem, que faria o que eu quero sem questionar. E ele tem um ótimo faro para encontrar pessoas perdidas, posso dizer - falou com um meio sorriso.
Harry não soube dizer se o faro a qual ela se referia era num sentido literal, pois, realmente, foi o que lhe pareceu significar. Mas não devia ser.
- Estou saindo para encontrar essa pessoa. Talvez tenha que ficar fora o dia inteiro porque ela precisará ir até a loja do Olivanders, além de eu não ter muita certeza onde encontrá-lo. Eu só queria te avisar, pois, como havia dito, não vou te deixar de fora das minhas suspeitas.
Harry franziu a testa, assimilando tudo o que escutara. Então Ariadne iria atrás de Olivanders para saber se o que Voldemort queria com ele se referia a...
- Por que Olivanders saberia das Horcruxes? - perguntou.
Ariadne deu um meio sorriso, como se mostrasse que ela sabia de algo que ninguém desconfiava.
- Prefiro só te falar, Harry, quando tiver minhas suspeitas confirmadas.
Ela se levantou e convocou sua capa, que estava pendurada na cadeira de sua mesa. Foi até a porta e a abriu, indicando a Harry para sair também.
- Por enquanto, só peça a Deus que minhas suspeitas sejam reais, e que Olivanders não seja apenas inteligente demais como sua amiga Granger. Até mais, Harry.
E mais uma vez Harry se viu sozinho no corredor, apenas com seus pensamentos. Somente quando não via mais a professora no corredor que decidiu seguir seu caminho para a torre de Gryffindor, pensando qual seria a próxima vez que a Profa. Lakerdos viria com seu jeito estranho de falar, como se, mesmo falando várias coisas, não dissesse praticamente nada. Mas deixou de pensar nessas coisas quando cruzou o retrato da Mulher Gorda e se deparou com a comemoração no salão comunal por terem ganho o jogo naquela manhã.
Não se podia dizer que a festa de comemoração não teve seus ápices, pelo que Harry pôde perceber. Nunca vira Hermione tão animada como naquela festa. Parecia até que a amiga sentia um imenso prazer ao beijar apaixonadamente Ron. Prazer que ele, Harry, tinha quase certeza de ser motivado pelo fato de Lavender estar olhando o casal com uma feição de dar medo.
Não era segredo para ninguém que a loira não se conformava em perder Ron para a amiga horrorosa dele, qualidade esta que Lavender sempre fazia questão de expor aos quatro ventos. Porém, ao que tudo parecia indicar, a garota não colocaria em prática a ameaça que fizera ao casal, no corredor da sala de Defesa Contra as Artes das Trevas, no primeiro dia de aula, quando os dois mostraram que estavam juntos.
Para falar a verdade, Hermione nem se preocupava com os olhares assassinos que Lavender fazia questão de lhe dar, principalmente quando elas se encontravam sozinhas no dormitório do sétimo ano. E o fato disso parecer um estimulante para beijos de tirar o fôlego que o casal trocava, sem pudor algum, na frente de todos, era o que mais surpreendia Harry, afinal, sua amiga sempre fora uma garota discreta.
Mas com o pensamento de que só com um milagre entenderia o funcionamento da cabeça das garotas, Harry procurou seus outros amigos, encontrando então Dean e Seamus conversando animadamente com Demelza e Carrie, sendo observados por um Ritchie estranhamente irritado, o que fez Harry arquear as sobrancelhas, divertido. Ainda olhando em volta, viu Jimmy junto de uma sextanista - o que o animou. Contudo, antes que pudesse se ocupar em continuar observando seus colegas de casa, a atenção de Harry já era direcionada para Ron, que estava na sua frente e lhe oferecendo uma garrafa de cerveja amanteigada. E ele logo perguntou, entre animado e receoso, o que Harry tanto conversara com a Profa. McGonagall.
Harry então contou. Entretanto, quando Ron lhe questionou se a diretora o prendera esse tempo todo na diretoria, preferiu omitir o fato de ter ido à enfermaria ver Ginny, dizendo que só se atrasara porque encontrara a Profa. Lakerdos no caminho, mas que depois contaria a ele e Hermione sobre essa conversa.
Somente quando se deu por satisfeito com a história do amigo e teve a garantia de que ele lhe diria sobre a conversa que tivera com a Professora de DCAT, foi que Ron pôs-se a falar sobre o ocorrido entre ele e a namorada, na Enfermaria. E ele também, deliberadamente, omitiu como fora que fizeram as pazes, pois só esse pensamento já fazia suas orelhas ficarem feito tomates. E quando Ron chegou ao final da narrativa, Harry teve a certeza de que, se seus amigos não tinham nascido um para o outro, eles ficariam juntos até o fim por pura teimosia ou apenas para que pudessem brigar e reconciliar muitas vezes, e ele não pode deixar de achar graça de toda essa situação que, se não fosse cômica, seria trágica.
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Bath é uma cidade ao sudoeste do condado de Wiltshire, conhecida pela sua arquitetura e também pelas termas de águas milagrosas, as quais foram construídas pelo Império Romano, transformando-a num dos Patrimônios da Humanidade. Com certeza o orgulho de seus cidadãos.
Porém, este orgulho Alexey Catcher não sentia. Para ele, aquela era apenas uma cidade qualquer, onde uma pessoa teve uma grande imaginação e, por que não dizer, bom gosto, para construir seus prédios. Além de ter tido, também, um ótimo faro para os negócios quando construiu as termas. E isto era, na verdade, o que movia Catcher. Negócios. De todo o tipo. Desde uma troca ilícita de um selo trouxa de um centavo, mas que ele dizia valer mais de um milhão de libras, a contrabando de sangue de dragão peruano.
Alexey Catcher poderia, facilmente, ser qualificado como um lacaio.
Ele morava num bairro suburbano pobre, cheios de vielas e becos, onde as casas eram grudadas umas nas outras, e a única coisa diferente que elas tinham entre si eram os moradores ou o estado de conservação, pois até as cores frias e sem graça eram as mesmas. Porém, a casa de Alexey era a única que ficava entre dois terrenos compridos e estreitos, bem no fim do beco, na penúltima rua, onde passava um riacho de água barrenta.
Os dias de Alexey eram todos cuidadosamente planejados. Até os que ele passava em casa ele planejava. Ele vivia com discrição naquele lugar, e eram raras as vezes que saía de casa e via algum vizinho. Contudo, os vizinhos nunca o viam, pois eles, sim, o queria distante. Achavam o Sr. Catcher um homem sombrio, sempre andando com uma capa cinza escura e desgastada que lhe cobria do primeiro fio de cabelo da cabeça, chegando até os sapatos.
As crianças diziam que ele mais parecia a bruxa do conto João e Maria e que, a qualquer momento, os levaria para sua casa e os comeria, ou, simplesmente, os fariam olhar seu rosto cheio de cicatrizes e verrugas para traumatizá-las. Já os adultos desconfiavam de ele ser uma pessoa que não traria vantagens numa amizade.
Para Alexey isso era o que bastava, afinal, não foi à toa que decidiu morar num bairro cheio de humanos, onde seria mais fácil camuflar seus negócios através de magia.
Mais uma vez ele saía de casa, minutos depois do sol ter aparecido timidamente por causa da chuva daquela noite, com sua capa surrada cobrindo-lhe todo o corpo. Viu algumas donas de casa varrendo a frente de suas casas, tirando algumas folhas que já caíam das árvores, denunciando o fim da estação de outono; mulheres que o encararam desconfiadas, embora tivessem feito isso de uma maneira discreta, mas não o bastante para Alexey não perceber.
Desceu a viela a passos ligeiramente rápidos, no entanto, nada que denunciasse sua pressa e ansiedade, ou que levasse o risco de uma queda por causa do chão molhado. Dez minutos depois já estava na estreita escada que levava ao fim dos becos. Saiu, então, para um calçadão de tijolos amarelados onde havia bem ao centro um carvalho rodeado por três bancos de concreto que já estavam, mais uma vez, destruído pelos vândalos daquele bairro. Olhou para trás, vendo o lugar que acabara de deixar, com um olhar de asco por trás do capuz. Mas sem dar muita atenção à sua volta, continuou andando por mais vinte minutos, até que se deparou com um bar que estava, literalmente, caindo aos pedaços.
Somente quando percebeu que ninguém o olhava, que entrou, fechando a porta em seguida, a qual sequer rangeu.
Podia-se dizer que a aparência externa daquele bar era uma forma de avisar como era seu interior. Era um lugar escuro e que cheirava a mofo e bebida forte. As mesas redondas eram espalhadas de forma desordenada pelo local, embora mais se utilizasse os bancos do balcão quando se queria beber ali do que as poucas cadeiras.
Assim que entrou, Alexey sentiu alguns olhares sobre si. Contudo, as poucas pessoas daquele bar não se demoraram muito em analisá-lo. Ele varreu o lugar com seus olhos, procurando pela pessoa com quem iria se encontrar, e ao ver algo que pareceu um monte de roupas velhas, no canto mais escuro daquele bar e lhe acenando discretamente, seguiu até lá. Ao contrário de Alexey, o homem não usava uma capa para proteger sua identidade, pelo contrário. Parecia gostar imensamente de mostrar aqueles gritantes cabelos vermelhos.
- Trouxe? - perguntou Alexey num murmúrio.
O ruivo pareceu se assustar com aquela voz grave, tanto é que se atrapalhou levemente com suas tralhas. Não gostava de se encontrar com pessoas que não se identificavam e nem mostravam o rosto, mas aquele homem pagava bem, ele sabia, pois um de seus contatos o dissera. Além disso, seu receptor parecia ter condições financeiras para tal negócio, afinal, aquele objeto que lhe entregaria valia muito dinheiro. Entretanto, mesmo com seus anos de contrabando e acostumado com todo o tipo de gente, algo naquele homem lhe provocava calafrios, o que não era nada bem vindo nessa “profissão”.
Mas, se controlando, o ruivo retirou um pequeno saco de veludo escuro no meio de todas aquelas tralhas e o colocou em cima da mesa, arrastando-o próximo às mãos do homem.
- Aqui está - falou com a voz rouca.
Alexey pegou o pequeno saco e o enfiou no bolso interno da capa, retirando do outro lado, mas também de um bolso interno, um saco um pouco maior do que recebera, depositando-o em cima da mesa, provocando um leve tilintar que denunciava seu conteúdo.
- Não vai verificar? - perguntou o ruivo.
- Não - respondeu frio. - Se tiver algo errado, sei como te encontrar, e se você me enganou... - Porém Alexey não continuou. Apenas se levantou da cadeira e puxou mais o capuz, deixando a ameaça pairando no ar. Tão silencioso quanto entrou, saiu do bar, ainda sentindo o olhar de todos ali, principalmente do ruivo, em sua nuca.
Mundungus Fletcher nunca se sentira tão inquieto em vender uma mercadoria como naquele momento.
Alexey refez o caminho de volta, a passos rápidos, mas já não sentia a pressa ou ansiedade anteriores. Só queria chegar em casa, antes que o sol se mostrasse melhor entre as nuvens. Assim como foi sua ida ao bar, foi a volta: parecia que ninguém lhe notava, mesmo andando com uma capa lhe cobrindo todo o rosto e corpo. Parecia até que isso era uma peça comum de roupa, embora mais ninguém a usasse. Ou parecia então que ele era, deliberadamente, imperceptível.
Apenas quando entrou na segurança de sua casa, quase meia hora depois de ter saído do bar, ele se permitiu retirar o capuz.
Se as crianças de sua rua o vissem agora, provavelmente lhe sorririam, assim como as mulheres que sempre o olhavam com desconfiança, pois Alexey não era nada do que eles imaginavam. Não tinha verrugas nem cicatrizes, e muito menos usava o capuz para esconder sua feiúra. Aquela capa lhe era apenas necessária para que não fosse reconhecido e lhe desse a proteção que sempre precisava em seus negócios.
Ao retirar o capuz, revelou cabelos alourados e curtos. Sua pele era clara e a única marca que tinha no rosto era um leve cavanhaque muito bem feito, além de olhos cinza-esverdeados e lábios rosados levemente cheios. E, ao retirar a capa, revelou um corpo forte e alto, além de um pouco pálido.
Abrindo os primeiros botões de sua camisa, caminhou pela sala de móveis confortáveis e antigos, embora não fossem velhos, e foi parar na cozinha. Pegou duas taças médias, e colocou em cada uma duas pequenas colheres de açúcar para depois despejar uma dose de uma bebida verde escura, completando o restante da taça com água, e só então voltou para a sala. Sentou num sofá e colocou uma das taças na mesa de centro. Tomou um leve gole de sua bebida, soltando um murmúrio de aprovação.
- Ah, Fada Verde! Nada melhor, não acha, Lakerdos?
O deboche estava claro em sua voz quando fez a pergunta, acentuando-se no sobrenome. E achou divertido quando sua resposta veio no mesmo tom.
- Com certeza, Catcher.
Ariadne finalmente se virou para Alexey, parando de analisar um quadro pintado a óleo do mesmo. Foi até a mesa, pegando a taça que ele colocará lá e se sentou no mesmo sofá, de lado, olhando-o com um sorriso.
- Que horas você chegou? - ele perguntou, levando a taça aos lábios mais uma vez.
- Há uns vinte minutos - respondeu, imitando o gesto dele e não conseguiu conter um gemido quando a bebida passou em sua garganta.
- Absinto é realmente delicioso, quando bem preparado, mas eu não entendo que você tenha um prazer quase sexual quando o toma - ele disse, olhando-a com um meio sorriso. - Pra quem se negou a experimentar...
- Culpa sua - ela disse, embora não tivesse nenhum tom acusatório em sua voz.
Alexey gargalhou gostosamente, levando a cabeça para trás ao fazê-lo.
Se ele não conhecesse aquela mulher, diria que ela era, realmente, uma pessoa inocente que foi motivada por alguém, tamanha a doçura de sua voz e inocência que ela conseguia passar com os olhos.
- Mas eu não tenho esse prazer todo que você pensa - Ariadne continuou depois que Alexey controlou o riso. - Só é uma bebida que gosto muito, principalmente por você dar um jeito dela não ficar alucinógena.
Dando de ombros, Alexey levou a taça para a mão esquerda e apoiou a mão direita no rosto de Ariadne, dando-lhe um beijo na bochecha, o que foi retribuído somado a um sorriso.
- Não esperava te ver - ele falou, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha dela. - O que veio fazer aqui?
- Queria te pedir um favor.
- Por que não estou surpreso? - falou jocoso.
- Quero que você encontre Olivanders, o artesão de varinhas do Beco Diagonal - ela falou como se Alexey não tivesse dito nada.
- O que sumiu?
- Ele mesmo.
- Não vai ser fácil - ele disse como se falasse do tempo, bebericando mais um pouco do absinto.
- Você quer que eu fale aquilo mesmo?
- Claro. Ao menos o ego de alguém tem que ser trabalhado. E estou meio “deprê” esses dias.
Ariadne revirou os olhos. Aquele egocêntrico e mimado não mudava nunca.
- Você sabe muito bem o que eu acho dessa sua... “deprê”. Você pode controlá-lo.
- Assim como você - Alexey retorquiu, começando a se irritar.
- Não é a mesma coisa, Lex - ela disse, num murmúrio.
- Nunca é a mesma coisa quando se trata de você, Dina. Com você é sempre diferente, mais complicado. Quando você vai aprender que pode controlar tudo isso também?
Ficaram num silêncio incômodo por um tempo. Ariadne encarando sua taça, enquanto sentia a intensidade do olhar de Alexey em si. E foi ele quem cortou o silêncio, com sua voz grave, porém sem a irritação anterior:
- Vou encontrá-lo. Pode ficar tranqüila.
Ariadne o encarou.
- Sempre sou tranqüila quando se trata de você - ela disse, com um sorriso, o qual foi retribuído. E, depois de tomar um gole do absinto, continuou. - Foi difícil te encontrar dessa vez. Não achei que você estaria aqui de novo.
- Eu gosto daqui - falou, dando de ombros. - Os vizinhos não querem dar uma de bonzinhos em tentar fazer amizade. Como Nicola está?
- Ótimo - e Ariadne sorriu feito boba, o que fez Alexey dar um meio sorriso.
- Quer um babador?
- Só um? - retorquiu divertida.
Ele riu levemente, erguendo a taça num brinde, no que ela fez o mesmo. Somente quando o sol se pôs eles saíram, ambos com capas que lhe cobriam o corpo. Mal colocaram os pés na calçada, aparataram sem emitir o estalo tradicional.
O Beco Diagonal estava praticamente vazio e isso facilitou que Ariadne e Alexey entrassem na loja de varinhas sem que ninguém percebesse. Alexey foi para trás do balcão e retirou apenas o capuz. Fechou os olhos e pôs-se a respirar lenta e profundamente e, durante esse tempo, Ariadne pôde sentir que o ar ficara um pouco mais quente, enquanto os pêlos de seus braços e nuca se eriçavam. Era uma sensação estranha, mas interessante. A sensação de que, naquele momento, uma magia forte estava acontecendo.
Alexey era primo de Ariadne por parte de pai e, assim como ela, tinha sangue vampírico correndo nas veias. Mas sendo descendente de feiticeiros americanos por parte de mãe, esse poder mágico sobressaiu ao vampirismo paterno, reprimindo-o, mas não fazendo com que o abandonasse. E era o poder mágico misto à maldição que deixava Alexey tão amargurado com a vida, embora ainda tivesse uns acessos de bom humor, mesmo que, na maioria das vezes, dava a impressão de ser um humor cínico.
Seus poderes também eram singulares. Ele poderia ser confundido com um adivinho, pois conseguia ver o que acontecera no passado se respirasse os ares do local, ou então atiçar a visão do futuro só em tocar em alguém. Um poder aumentado devido sua descendência americana, e que muitos adivinhos dariam um braço para ter, mas que, às vezes, era difícil para Alexey controlar.
Ariadne caminhou a fim de aproximar-se dele e viu que sua testa estava levemente franzida, mas, depois de um tempo, um leve sorriso apareceu em seus lábios, fazendo Ariadne dar um suspiro de alívio. Alexey era sua única esperança para localizar Olivanders, e, pelo visto, ele sabia muito bem o que sua prima teria que fazer dali por diante para que encontrasse o artesão.
- Vou querer um pagamento por isso - ele falou jocoso, ainda de olhos fechados.
- Te visito mais vezes.
- Quem disse que me refiro a isso?
- Então não sei o que quer, afinal, você não é muito fã de incesto.
- Depravada - falou rindo e Ariadne o acompanhou. Ele a olhou. - Quando é seu aniversário mesmo?
Ariadne estranhou a pergunta.
- Em junho, oras.
- Ah, é mesmo. Seis de junho. Comprei uma coisa hoje que queria te dar, mas já que seu aniversário está longe, vou dar de Natal mesmo.
- Por que não me dá agora?
- Por que é você quem me deve no momento, então, só receberá presentes em datas especiais - falou, saindo de trás do balcão.
- Você não presta, Lex.
Ele parou de andar e a encarou com um meio sorriso.
- Está no sangue, meu amor - e aparatou.
E depois de resmungar, Ariadne fez o mesmo.
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O dia de domingo passou numa lentidão para Harry que o deixou um pouco irritado pela monotonia. Não tinha cabeça para fazer lição, então foi ao campo para voar. Porém, ele estava ocupado pelo time da Ravenclaw, portanto decidira estudar o livro de Poções de Snape que havia recuperado na Sala Precisa, o que foi o total desgosto de Hermione. Certo que Harry não queria se lembrar do ex-professor assassino, mas o livro lhe ensinara muito no ano anterior e, com certeza, continuaria o fazendo, principalmente por ele ter real necessidade em aprender o maior número possível de feitiços e azarações para se defender. Mas nem o livro lhe ocupava toda a mente, pois estava mais ansioso para quando a Profa. Lakerdos voltasse.
Odiava ficar em expectativa.
Ouviu o retrato da Mulher Gorda se abrir e, automaticamente, levantou seus olhos do livro, pensando deparar-se com Ron e Hermione entrando no salão comunal, pois desde o café da manhã não os via. Eles haviam ido para os jardins, namorar. Claro que por insistência e chantagem emocional de Ron, pois para Hermione, tempo livre significava oportunidade para estudar. Mas depois de ouvir numa voz cinicamente magoada que ela preferia os livros à companhia de Ron, foi obrigada a ceder, deixando claro que ficaria apenas a parte da manhã namorando, e a tarde, estudariam. Mas já estava começando a escurecer e nem sinal dos amigos.
Porém, não foram seus amigos que passaram pela entrada do salão comunal, e sim Dennis Creevey que parecia vir em sua direção. E quando teve essa certeza, pensou em se levantar e ir pro dormitório, pois não agüentaria mais um pedido de autógrafo. Mas Dennis o chamou.
- Hei, Harry!
- Sim, Dennis? - perguntou numa voz irritada que o surpreendeu, mas o garoto não pareceu perceber.
- A Profa. Lakerdos pediu que você se encontrasse com ela, na sala dela. E pediu para você ir agora.
Mas Harry não ouviu a última instrução, a qual ele já estava cumprindo instintivamente. Com certeza a professora acabara de chegar e, se queria vê-lo antes do jantar, era porque tinha boas notícias. Ou assim ele esperava.
Assim com o Harry, Ariadne também estava animada. Certo que o que ela e Alexey descobriram não era nada muito esperançoso, mas ela não conseguia controlar. Alexey descobrira pra onde Olivanders havia partido, graças aos seus poderes. Sabia que ele estava num vilarejo na Irlanda, embora a localização exata lhe fosse desconhecida. Contudo, este ponto cabia a Alexey descobrir. A Ariadne cabia saber onde o artesão estava para se certificar de que suas suspeitas estavam corretas, e caso elas fossem concretizadas, mais um passo seria dado para o fim de Voldemort. Para o fim daquela guerra.
Não pode deixar de soltar um riso sarcástico. Se alguém lhe dissesse, dois anos atrás, que ela estaria lutando mais uma vez naquela guerra, riria da pessoa, dizendo que ela era uma imbecil. Mas com a morte de Dumbledore, tudo mudara. Ela era necessária ali para ajudar Harry com seu fardo. Tinha que ajudar o filho de sua melhor amiga a lutar contra a dor e o sofrimento. Justo ela que se negou a fazer tal coisa quando lhe foi necessário e que, talvez por não ter lutado na hora certa, acabou fazendo com que tanto a dor quanto o sofrimento seguissem atormentando-a pela vida toda. Talvez até o fim de seus dias.
Meneou a cabeça, tentando tirar esses pensamentos depressivos e que ela fazia questão de apagar. Voltou a se concentrar no que teria que fazer dali por diante. Deveria fazer-se de forte mais uma vez e lutar contra Voldemort. Aí, então, quem sabe seria mais fácil conviver com a dor e o sofrimento, uma vez que o assassino das pessoas que ela amou estaria, finalmente, destruído?
Foi tirada de seus devaneios por três batidas na porta. Assim que abriu a mesma, se afastou, dando passagem para Harry entrar.
- Olá, Harry. Sente-se.
Ele obedeceu e, assim que Ariadne sentou-se à sua frente, do outro lado da mesa, lhe lançou um olhar ansioso. E ela não o decepcionou.
- Não vou dizer que já tenho minhas dúvidas esclarecidas. Apenas te chamei aqui porque queria lhe dizer que sabemos onde Olivanders está. Creio que o localizaremos rapidamente. Questão de dias.
- Professora, o que a senhora quer com ele?
- Tudo a seu tempo, Harry. - Ela sorriu ao ver que ele não conseguiu esconder uma expressão de desgosto e contrariedade. - Mas eu posso adiantar que, caso minhas suspeitas estiverem corretas, teremos uma Horcrux a menos para ser destruída.
Harry franziu o cenho, principalmente ao ver a professora completar num murmúrio:
- Isso se realmente entendi Voldemort. - Aumentando a voz, Ariadne continuou: - Eu gostaria de te fazer uma pergunta, Harry, embora já saiba a resposta, mas... Assim que eu souber a localização de Olivanders, você gostaria de ir comigo?
Harry ainda estava meio zonzo. Como seria possível que houvesse uma Horcrux a menos? O que levaria Voldemort a deixar de dividir sua alma em sete partes, um número totalmente significativo quando se referia à magia? E por que a professora tinha tanta fé de que ele não tinha aquela sexta Horcrux? Entretanto, sabia que ela não lhe responderia naquele momento, então decidiu ter mais paciência.
- Gostaria de ir sim, professora.
- Ótimo - Ariadne retorquiu animada. - Creio que você vai gostar de ir comigo. E, se Deus quiser, apenas iremos confirmar algo que, ao menoas para mim, já está mais do que confirmado, mas nada como Olivanders para me fazer ter essa certeza.
Harry não entendeu bulhufas, mas não fez perguntas. Já estava cansado de entender o que sua professora tanto dizia. Pelo menos parte do que ela dizia.
- Bom, não vou te segurar aqui por mais tempo, não é? Já está quase na hora do jantar.
E Harry, vendo que esse foi um jeito educado de ser dispensado, não tardou. Levantou da cadeira e se dirigiu até a porta. No entanto, antes de fechá-la atrás de si, olhou novamente pra professora, que lhe sorriu e acenou com a cabeça.
Somente quando estava sozinho com Ron e Hermione no salão comunal de Gryffindor, mais tarde, que Harry lhes contou sua conversa com a professora. Eles também não entenderam bulhufas de tudo aquilo, mas, como já estava tarde, Hermione os fez subir, pois teriam aula cedo no dia seguinte.
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Harry se remexia impaciente em sua cama. Esticou-se para alcançar a varinha no criado mudo ao lado da cama, murmurando lumus em seguida a fim de verificar as horas, e só foi ver que estava naquela situação há mais de duas horas, que soltou um bufo exasperado. Realmente não conseguia dormir, e embora não quisesse admitir a real razão daquilo tudo, não podia mais renegar a enorme vontade que sentia. Então, mandando tudo às favas, levantou e calçou seus tênis para, em seguida, ir até seu malão o mais silencioso que conseguiu, retirando de lá a capa da invisibilidade e o Mapa do Maroto. Logo saía do quarto. Antes que empurrasse o quadro da Mulher Gorda, a capa já estava sobre ele, e sentiu-a farfalhar quando o mesmo se fechou com o murmúrio da Mulher.
Primeiramente pensou que toda sua agitação devesse ao fato da animação das notícias - mesmo tortas - de Ariadne, além do fato de ela ser tão discreta com ele. Mas depois de uns sonhos que teve semi-acordado, acreditou que as Horcruxes não tinham nada a ver com sua insônia.
“Vai ser rápido e indolor”, pensou quando abriu a porta da enfermaria e adentrava silencioso.
Andou como se pisasse em ovos, olhando a todo momento para a porta da sala particular de Madame Pomfrey, caso ela saísse de lá para inspecionar seus pacientes que, como Harry pôde reparar, eram dois.
Quando chegou ao lado da cama de Ginny, começou a olhá-la. Provavelmente ele não saberia dizer naquele momento, mas adoração era o que mais se via naquele olhar, embora o amor e a saudade também estivessem num páreo duro. Porém, mais do que isso, vê-la ali, naquela cama de enfermaria, só o fazia pensar que isso poderia se repetir. Entretanto, não por causa de um jogo de Quadribol, e sim por estar envolvida com ele. Por Voldemort usá-la, machucá-la, fazer qualquer coisa com ela simplesmente por eles estarem envolvidos.
Ele apertou a varinha em sua mão de tal maneira, que pareceu sentir a madeira estalando. Lançando um último olhar para a sala de Madame Pomfrey, e pedindo que a curandeira estivesse num pesado sono, Harry retirou sua capa. Colocou-a aos pés de Ginny, junto do Mapa do Maroto e sua varinha, para só então fechar o cortinado que cercava a cama.
Se aproximando novamente, sentou-se ao lado de Ginny, sentindo quase que imediatamente o calor que o pequeno corpo dela lhe passava, fazendo-o relembrar a maravilhosa sensação que era ter aquele corpo tão perto do seu, como há uns meses, o que fez todo seu corpo se arrepiar. Sem pensar no que fazia, levou sua mão aos cabelos de Ginny, que estavam esparramados pelo travesseiro, acariciando-os. A maciez continuava igual desde a última vez que ele os tocara e o cheiro floral que eles emanavam parecia intensificar só com este ato.
Estas ações e reações eram tão instintivas, e ao mesmo tempo tão necessárias, que o deixavam louco. Ele e Ginny mais pareciam dois ímãs com os pólos contrários virados um para o outro, pois era só uma parte estar distraída ou não ver a outra, que logo davam um jeito de se aproximar. E isso só era possível, realmente, quando nenhum deles percebia, pois se o cérebro estava funcionando plenamente na hora, ele trabalhava como um poderoso isolante magnético.
Olhando-a melhor, percebeu que ela ressonava levemente e seus lábios estavam ligeiramente abertos. Tirando a mão dos cabelos ruivos, levou os dedos aos lábios de Ginny, passando-os delicadamente sobre eles. Viu-a passar a ponta da língua, e depois os dentes no lábio inferior, como se quisesse acabar com a coceirinha incômoda que a atrapalhava dormir, para em seguida se ajeitar levemente na cama. Harry se retraiu com este último gesto, mas ao ver que ela não acordara, sorriu, pensando que aquela ruiva era bem melhor de lidar quando estava dormindo.
“Claro”, uma vozinha se pôs a falar em sua mente. Uma voz que lhe lembrava muito a de Ginny. “Afinal, ela não está acordada para poder colocar uma razão nessa sua cabeça oca, ou então falando que não adianta vocês ficarem longe, pois ela já está metida na guerra até o pescoço”.
Harry revirou os olhos com este pensamento intrometido. Ele sabia muito bem o que estava fazendo, mesmo que às vezes alguns pensamentos lhe viessem à mente, dizendo que ele era, na verdade, um idiota em deixar uma garota como Ginny livre e desimpedida para qualquer idiota daquele castelo. Só esperava que todos eles fossem tão cegos quanto ele foi durante todos aqueles anos, ou então que Ginny o amasse demais a ponto de esperá-lo.
Contorceu os lábios com mais aquele pensamento totalmente egoísta, embora mais outro já viesse em sua mente, dizendo que ele estava absolutamente certo em tê-lo. Afinal, ela era sua garota e sempre seria. A garota que ele gostava muito e que tinha as qualidades mais controversas que ele já vira em alguém, além dele mesmo. Ela era cabeça-dura, ao mesmo tempo em que tinha um coração imenso; tinha ataques de raiva que contrastavam com os atos carinhosos que ela sempre tinha com ele, principalmente quando ficavam sozinhos. Aquela beleza delicada e quase infantil, misturada com uma sensualidade que lhe encantava.
E para deixá-lo mais frustrado, ela estava tão perto, mas ainda continuava tão longe. A distância que ele mesmo impusera aos dois.
- Pelo visto as coisas estão se encaixando, Gin - murmurou com a voz um pouco rouca pelo desuso e passando os dedos pelo rosto dela. - A Profa. Lakerdos está ajudando e, com essa ajuda, tenho certeza que tudo isso vai terminar o mais rápido possível.
Soltou um suspiro triste, passando mais uma vez os dedos nos lábios de Ginny.
- Sinto saudades.
Então, mais uma vez como se fossem dois ímãs, Harry nem reparou no que estava prestes a fazer ou então nas conseqüências que poderiam vir depois disso. A única coisa que seu corpo todo lhe gritava, junto de sua mente e alma, era para acabar com aquela insuportável distância entre seus rostos. E essa ordem ele não tinha condições, e muito menos vontade, de contrariar.
Então, antes que pudesse se dar conta, já se debruçava sobre Ginny, apoiando seu peso em um dos braços, enquanto dirigia o outro em direção ao rosto da garota, acariciando-o com a ponta dos dedos. E só foi sentir seus lábios tocar os dela de uma forma doce e delicada, que se sentiu no céu, num momento que lhe pareceu uma eternidade. Porém, uma eternidade que não passou de alguns segundos.
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N/B: Estou sem palavras para expressar minha dor... Mas podem ficar tranquilos, com a chantagem emocional que estou fazendo, a Livinha há de se compadecer de nosso sofrimento (Né, Livinha? *Mostra o punho e ameça a autora). Repitam comigo e bem alto, crianças: Queremos beijo na boca H/G!!! NOW!!! Também queremos outras “cossitas“ entre os beijos, hehe. *Beta desfalece só de imaginar.
Muita ação sendo armada, heim? Beijos e inspiração pra você, irmã
N/A: Hein??? hauhauhauhauhauhauah... Ai, que dó que eu tenho do Harry, gente, vocês não fazem idéia..rsrs... Para os que pediram descontrole.. certo, não foi tãããão descontrole assim.. Vocês queriam a participação da Ginny, não é? Bem, esperem e verão! o.Õ
E pode deixar que vocês não perderão muito por esperar! - afinal, o que é dessas personagens maravilhosas está muito, mas muito bem guardado!! Para todas!! --sorriso maquiavélico--
Agradecimentos especiais:
Priscila Louredo: e agora? Você entendeu aonde quis chegar com aquele balaço? huhuahuahuahuaha... Me perdoa então, né?hehe... Que bom que está gostando, querida! >.< Super beijo!!! E espero que tenha gostado deste também!
July Black: então? O que achou do “agarramento” do Harry na Gina? huahuhuahuahuahuahau... Gostou??..rsrs.. Mas até que não demorei, né?rsrs... Bjos querida! Espero que tenha gostado do capítulo!!
Mickky: que bom que está gostando da história!! Mas que dá vontade de estuporar o Harry, ah, isso dá!!hehe.. Mas se você quer estuporá-lo agora, eu imagino daqui alguns capítulos!!hehe... vai ser um Avada!! - ops, falei demais!rs - Beijos! Espero que tenha gostado deste capítulo!
Remaria: cair na tentação? Bom, ele caiu!rsrs.. mas não do jeito esperado, não é? Mas nossa ruiva vai atiçar, e muito nosso moreno dos olhos verdes! uhu!! E vai preparando esse coraçãozinho pervertido aí!hehe.. Tem bastante água pra passar debaixo da ponte! Haja Tietê!rs... Beijos querida! Espero que tenha gostado deste capítulo também! >.<
Ara Potter: opa! Casal Vinte na área! Ou Enfermaria??rs.. Mas os ânimos vão trabalhar feito Maria Fumaça... Vamos colocar primeiro o carvão e deixar esquentar de acordo, porque aí, quando movimentar, a velocidade é surpreendente! huahuahuahuahua... - e olha eu falando demais novamente -rsrs... A propósito e só pra não perder viagem... E “Com o tempo...”? Quero atualização senão vou chorar!! :’( Beijos querida!!! Espero que tenha gostado deste capítulo!!
Georgea: Beta querida!! \o/ E sim, fazer o quê? Beta sempre tem um poder sobre as Alfas aqui, né?rsrs... Ou melhor: Gama.. nossa, que confuso! Aff.. deixa pra lá..rsrs.. E a imaginação? Foi saciada?? Ou ainda está fluindo?? E sim, estamos destravando!! - li na comu seu recadinho -Mas se precisar de uma ajudinha é só falar!! - direcionando bons e pervertidos fluidos..rs, além de estar louca pela att; e não só d’O Clã! - Afinal, estamos aqui pra isso..hehe.. Beijos, maninha! A propósito, não adianta sacudir nadica de nada!hehe.. Entendeu??
Bom, é isso!!
E pra quem ficou no escuro: Espero que tenham gostado do capítulo!! =D
Beijos a todos...
Livinha