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1. Longe de Casa


Fic: La Fleur et Le Chien - Parte I: Tudo o que tiraram de mim.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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La fleur et le chien


Capítulo I – Longe de casa



Si un jour la vie t'arrache à moi
Si tu meurs que tu sois loin de mo
Peu m'importe si tu m'aimes
Car moi je mourrais aussi (1)

Hymne À L'Amour




9:00, Ministério da Magia da França, Paris.


- Bonjour Madame Fleurir.
- Bonjour, Sophie.



A moça sorriu para a secretária e cruzou a porta de madeira maciça, onde uma pequena placa de metal dizia “Violette Fleurir”. Jogou a bolsa sobre um pequeno sofá azul encostado à parede e pendurou o casaco branco no gancho atrás da porta. Passou os olhos rapidamente pelo escritório, verificando se tudo estava no seu lugar. Havia adquirido aquele hábito há muito tempo, sempre inspecionava o lugar onde estava, buscando qualquer indício de que alguém havia mexido em algo. Pierre a chamava de paranóica, mas ela sabia muito bem que precaução nunca é demais. Observou as fortes prateleiras de madeira cheias de livros, o quadro na parede onde um casal dançava uma valsa imaginária, viu sua imensa escrivaninha, centralizada na parede de frente à porta e a grande janela atrás dela, onde um encantador dia de primavera podia ser visto. Instintivamente olhou as bordas do tapete creme e azul, procurando algum vestígio de que tivesse sido levantado. Caminhou e puxou a cadeira, olhando para o assento e o encosto antes de finalmente se sentar.
Com um movimento rápido das mãos, colocou os cabelos negros atrás das orelhas, para que não atrapalhassem. Eles eram muito lisos, na altura dos ombros, e viviam caindo sobre o rosto, tapando-lhe os olhos violeta. Apoiou os cotovelos sobre a mesa, unindo as mãos para estalar os dedos, antes de finalmente olhar para o trabalho que a aguardava.
Sua mesa tinhas três pilhas de papéis e duas de jornais. Um frasquinho de tinta e uma pena esperavam que ela começasse a redigir os memorandos e relatórios, e um grande número de porta-retratos a observavam do canto esquerdo da mesa. Neles, pessoas riam, dançavam, pulavam, apenas duas fotos não se moviam, presas para sempre em uma imagem congelada. Em uma delas, uma pequena família sorria, o pai, um senhor magro de olhos azuis e cabelos negros, segurava orgulhoso uma pequena menina vestida de lilás nos braços, enquanto sua pequena esposa, debruçada em seu ombro, os olhava amorosamente, os cabelos vermelhos parecendo ter sido bagunçados pelo vento antes da fotografia. A outra foto fixa mostrava duas meninas na praia, deviam ter por volta dos doze ou treze anos, pois ainda não eram adolescentes, mas também não eram crianças de todo. Uma delas era muito bonita, estava em uma roupa de banho de duas peças carmim, que combinava com os cabelos vermelhos, presos em duas tranças. Mesmo na foto antiga, seus olhos verdes se destacam na pele corada. Estava abraçada a uma menina mais baixa, que sorria como ela, com os longos cabelos negros presos em um rabo-de-cavalo no alto da cabeça, seu biquíni violeta tinha quase a mesma cor de seus olhos expressivos. Ambas pareciam muito felizes naquele instante.
As outras fotos eram muito diferentes. Ao invés de estarem congeladas, mexiam-se e dava a impressão de terem vida. Uma delas era de um grupo de estudantes, vestindo uniformes de inverno, que não paravam de se mover, se empurrar e sorrir, embora uma das meninas estivesse emburrada e empurrasse constantemente o garoto ao seu lado. Outra delas mostrava um casal adolescente, ambos de cabelos negros. O garoto a levantava e abaixava, a beijava, e ambos sorriam. Ele com os olhos acinzentados brilhantes fitando os olhos violeta dela. Os dois também estavam em outra foto, só que mais velhos, se beijando apaixonadamente, ele vestindo um fraque e ela um vestido de noiva. A mesma menina também estava com outro rapaz em outra foto, de quando ainda eram adolescentes. O menino, pálido, de cabelos e olhos castanhos, estava como ela de casaco e luvas, brincando de fazer bonecos de neve. Um porta-retrato branco tinha a foto de um casal loiro, muito atraente, que sorria e mostrava a língua alternadamente, enquanto na fotografia da moldura ao lado, um casal também muito bonito segurava um pequeno bebê, o fazendo acenar, todos muito sorridentes. A mãe era ruiva e tinha incríveis olhos verde-esmeralda e o pai tinha os cabelos negros, parecendo bagunçados e os olhos castanhos escondidos atrás dos óculos. O bebê, que tinha os cabelos do pai e os olhos da mãe, sorria feliz, segurando uma miniatura de vassoura. A última foto da mesa, que parecia recortada de um jornal, mostrava um rapaz muito novo, de uns treze anos, que olhava timidamente para a câmera e mexia nos cabelos, deixando uma cicatriz em formato de raio aparecer na testa com o seu gesto.
A mulher começou seu trabalho, mas logo foi interrompida por um barulhinho em sua mesa. Vinha de um pequeno espelho no lado esquerdo da sua escrivaninha, onde podia ver o rosto da secretária. Sophie falou rapidamente e com a voz trêmula, só pela expressão da moça dava para perceber quem estava diante dela. Ela sempre ficava nervosa na presença de Enric, provavelmente por causa da cena de ciúmes que a esposa dele havia feito no ano passado, quando achou sobre a mesa dele um bilhete insinuante de Sophie.

- Madame Fleurir, Monsieur Saussure est ici.
- Merci, Sophie.


O rosto da secretária sumiu do espelho e Enric Saussure entrou na sala. Ele era alto e atlético, os olhos castanhos transbordando jovialidade. Facilmente se reconhecia que ele e o jovem loiro com a esposa na foto sobre a mesa eram a mesma pessoa, a despeito de todos os anos que haviam se passado depois daquela fotografia. Ele passou a mão nos cabelos, encostando-se à porta, parecia estar um pouco sem graça. Cumprimentou a amiga em um inglês perfeito, sem nenhum sotaque.

- Como você está, Violet?

A moça lhe sorriu, apontando a cadeira defronte à sua.

- Estou bem, quem não parece bem é você. Algum problema?

Ele seguiu sua indicação e sentou-se, ainda parecendo hesitante.

- Fala Enric! Algo com a Clarisse? – o semblante delicado de Violet demonstrava preocupação.
- Já viu os jornais hoje?- ele a olhava ansioso.
- Não, não olhei ainda. Algum problema?

Violet estendeu a mão para pegar um exemplar do Profeta Diário inglês, que o amigo lhe estendia. Ela soltou um soluço alto e deixou o jornal cair sobre a mesa, as mãos tapando a boca, enquanto os olhos enchiam-se de lágrimas. Enric contornou rapidamente a mesa, abraçando-a. Ela não tentou conter as lágrimas, chorando muito.
Do lado de fora da sala, Clarisse passou uma descompostura em Sophie, quando esta a tentou impedir de entrar na sala de Violet. A deslumbrante mulher loira, vestindo um lindo conjunto channel verde, quase passou por cima da secretária, abrindo a porta sem bater. Sophie pôde ver, enquanto a loira entrava, o marido de Clarisse abraçado à Violet. Sacudiu a cabeça, esperando ansiosa pela gritaria que se seguiria, aquilo seria fofoca para uma semana!
Mas ao contrário do que a secretária esperava, não houve gritos. Clarisse fechou rapidamente a porta atrás de si e correu para o marido e a amiga, a abraçando também, enquanto repetia:
- Tudo bem, Vi, tudo bem.
Violet chorava, amparada pelos amigos, sem saber direito o que sentia. Era uma confusão tão grande.
Em cima da mesa, no jornal jogado, havia uma foto de um homem barbado e cabeludo, com profundas olheiras, vestindo uma roupa andrajosa. Acima da foto, a manchete:
SIRIUS BLACK FOGE DE AZKABAN.

&*&


10:00, em algum lugar da Inglaterra.

Um cachorro negro, de aparência descuidada, vagava pelas ruas de alguma cidade inglesa. Havia andado toda a noite, e precisava de algum lugar para repousar. Desviando das pessoas na calçada, buscava com os olhinhos espertos qualquer espaço que pudesse lhe dar abrigo. Finalmente, ao lado de um restaurante, viu o espaço para as lixeiras onde podia encostar-se e talvez adormecer. Estava numa rua pequena, de forma que o barulho não seria insuportável, e a ruela parecia escura o suficiente para lhe permitir algum descanso. Por ser ao lado de um restaurante, podia até mesmo comer as sobras de alguma coisa no lixo.
O cão realmente não teve problemas em rasgar um dos sacos do lixo, e fuçou com o focinho até encontrar algo comestível. Depois, escondeu-se da luz atrás da grande lixeira, e fechou os olhos. A despeito do cansaço, não adormeceu imediatamente. Tinha que pensar em muitas coisas, traçar muitos planos. Não tinha certeza de onde estava, nem de quão longe estava de Londres. E era imperioso que chegasse lá antes do começo do ano letivo, pois precisava avisar Harry. Ele mesmo, de qualquer forma, teria que enfrentar a viagem até Hogwarts para cuidar daquele rato ordinário; ao pensar nele, grunhiu e mostrou os dentes instintivamente. Harry estava em perigo com ele por perto e precisava ser avisado. E também, a vontade de ver o afilhado era enorme.
Lambeu a pata dianteira direita, que estava um pouco ferida, pensando em Harry, em como ele devia estar. Já devia ser um rapazinho agora, quanto será que se parecia com James? Teria o mesmo sorriso, também teria um grupo de amigos com os quais se divertia na escola e uma bela garota pela qual era apaixonado? Durante os anos em Azkaban, não havia podido pensar em nada bom, por culpa da influência dos malditos dementadores. Agora pensando nos amigos que Harry podia ter, lembrou dos seus próprios. Pobres dos Marotos! Como um grupo tão perfeito de amigos pode ter tido um destino tão deplorável? Haviam sido tão felizes em Hogwarts, onde se conheceram. E olha como acabaram. Pontas morto, por culpa da traição do maldito do Rabicho, ele preso por anos, só Aluado havia escapado, e de qualquer forma, deve ter sofrido, não só pela perda dos amigos, mas por não ter mais companhia nas noites de lua cheia. Por falar nele, como será que estaria o Aluado? Teria se casado? Seria feliz, trabalhava no quê? Depois de tantos anos, Sirius finalmente pôde sentir saudade do único amigo que lhe restava. Iria procurar vê-lo, depois que ajustasse as contas com Rabicho.
Não tinha muitos outros planos além desse. Afinal, o que faria depois de acabar com a raça do traidor? Ainda era um homem procurado, não poderia mais retomar sua vida. Fungou um pouco, pensando em como seria bom poder voltar para sua casa, tomar um bom banho e vestir roupas limpas. Poder ser livre novamente, sair com Aluado, talvez levando Harry para morar com ele, e então ensinaria para o afilhado muitas tramóias para fazer com os Sonserinos e a arte de como se paquerar garotas...
Garotas. Soltou um latido baixo e sentido pensando nisso. A lembrança da sua garota havia sido uma das primeiras recordações felizes que esquecera em Azkaban e estava tentando desesperadamente não pensar nela agora. Afinal, havia se passado doze anos! Ele estivera preso, mas ela não, e tinha o direito de seguir sua vida. Talvez tivesse um namorado, ou um marido, alguns belos filhos. Ou talvez tivesse morrido. Abaixou as orelhas, triste por ter pensado nisso. Era dolorido pensar nela feliz e com uma família, enquanto ele estava ali, comendo restos de lixo e vivendo integralmente como um animal, mas pensar nela morta era pior. Antes pensar que ela estava viva e feliz. Ou melhor, antes não pensar nela. Tinha que se preocupar com Peter, só isso. Tinha que vingar James e Lily, tinha que proteger Harry, o que aconteceria depois não importava. A vida de todos eles havia sido desgraçada quando ele pediu ao James para fazer do Rabicho o Fiel do encantamento Fidelius e ele não tinha mais o direito de pensar em ser feliz novamente. Uivou triste, e não devia ter feito isso, pois um dos empregados do restaurante saiu, atraído pelo barulho e o enxotou com uma vassoura, irritado por ter visto os sacos rasgados e o lixo espalhado.
Cansado e triste, Sirius correu, procurando outro lugar para repousar. Precisava ser rápido, tinha que chegar até Londres, chegar até Harry.

&*&




19:00, Residência de Violet, Paris.

Violet estava sentada em seu sofá branco, apoiada em uma das almofadas azuis, segurando uma xícara de capuccino, o rosto encostado na mão livre. Havia conseguido ir para casa a muito custo, pois Enric e Clarisse a haviam perseguido por todo o Ministério, preocupados com ela, e relutaram muito até deixarem-na sozinha. Violet suspirou, os olhos grudados na lareira que estava na parede ao seu lado direito. Sabia muito bem do que eles tinham medo. Balançou a cabeça, para não pensar, e decidiu ligar a televisão para se distrair. Procurou o controle remoto entre as almofadas e ligou o aparelho que estava na estante diante dela, juntamente com um aparelho de som, outros porta-retratos e alguns livros.
Via e ouvia desinteressada, muitas vezes bocejando e olhando para o teto. Não adiantava, não conseguia deixar de pensar nele. Estava fora de Azkaban! Não conseguia entender como aquilo era possível, como alguém podia fugir dos terríveis dementadores? Sirius sempre havia sido inteligente e criativo, mas aquilo era impossível...
Algo na TV chamou-lhe a atenção e ela cravou os olhos no aparelho. A mesma foto de Sirius que Violet havia visto no Profeta Diário estava sendo mostrada na televisão, e um narrador trouxa dizia em francês que ele era um assassino perigoso e quem quer que o visse devia ligar para certo número.
Violet pulou do sofá, incrédula. Cornelius Fudge, Ministro da Magia inglês, devia estar enlouquecido para capturar Sirius, para estar até mesmo divulgando sua foto entre os trouxas! E se a notícia já estava na televisão francesa, provavelmente estava no mundo todo.
Andando de um lado para o outro, ela pensava no que fazer. Seu impulso mais sincero era mandar uma coruja endereçada a Sirius Black, e torcer para que esta o encontrasse. No entanto sua razão dizia que isso seria impossível. Com todo aquele empenho para capturá-lo, ele não poderia ficar muito tempo em um mesmo lugar, e enviar uma coruja da França para a Inglaterra para procurar alguém nestas condições era apenas matar a pobre coruja.
Não tinha jeito, não teria como encontrá-lo. E ele também não teria como encontrá-la. Jogou-se no sofá e suspirou, lágrimas novamente nos olhos. Havia desistido de qualquer esperança com relação a Sirius, desde que saíra do St. Mungus. A pena dele era pérpetua,e ninguém nunca havia fugido de Azkaban, até agora. Não sabia o que fazer, não tinha com quem conversar. Enric e Clarisse estavam tão preocupados, tinham medo dela voltar para a Inglaterra e procurar pessoalmente por ele. E logicamente, seria loucura abandonar seu tão respeitável cargo no Ministério da Magia francês, conseguido a tanto custo pelos amigos, para seguir um assassino ensandecido.
Foi até à lareira, para chamar por Remus. Era uma hora a menos na Inglaterra, mas achava que ele podia estar em casa. Afinal era extremamente difícil para o amigo conseguir se manter em um emprego, devido à sua condição de lobisomem. Suspirou. Ao mesmo tempo em que ansiava por falar com ele, sabia que iam brigar, sempre brigavam quando falavam sobre o Almofadinhas. Decidida, ela jogou pó-de-flú na lareira, para falar com ele de qualquer forma.
Como imaginou, ele estava em casa, e não sorriu quando a viu, como costumava fazer. Ela pôde notar o quanto ele estava abatido e com o semblante preocupado, através das chamas verdes.

- Oi Aluado. – ela tentou fingir descontração.
- Olá, Vi. – ele acenou com a cabeça, em uma atitude cansada.
- Você não parece bem...
- Estou o melhor possível. Você já soube, não é?

Violet suspirou e assentiu, não havia como negar.

- Sim, eu soube pela mídia. Você sabe de algo mais concreto?

Remus passou as mãos pelos cabelos castanhos, aparentando cansaço.

- Não muito. Só o que sei é que parece que ele, antes de fugir, só repetia “Está em Hogwarts, está em Hogwarts”.

Violet levou a mão sobre a boca, para esconder o espanto.

- Ele estava falando do Harry?
- E de quem mais seria? – Lupin abriu os braços, resignado.
- Mas, de qualquer forma, isso não quer dizer que ele pretende fazer algum mal ao Harry...
- Violet, por favor, não vamos discutir novamente. Eu sei que você quer ter esperanças, mas se ele encontrar Harry, duvido que seja para dizer “venha cá afilhado, pedir a benção de seu padrinho”.
- Remus...
- Violet, por favor! Ele entregou o James e a Lily, matou doze trouxas e o Rabicho!
- Não foi ele! Não temos como ter certeza! – os olhos dela estavam cheios de lágrimas.
- Vi, talvez não tenhamos como ter certeza, mas não há outra explicação, além da que, provavelmente, o Sirius que existe hoje não é o Almofadinhas que você e eu conhecemos em Hogwarts, há tantos anos atrás!

Ela respirou fundo. Tinha razão, ia acabar brigando com Remus.

- Eu. – ela interrompeu a frase com um soluço de choro, que fez com que Lupin abrandasse.
- Violet, desculpe-me, eu queria tanto quanto você acreditar nele. Você sabe como tem sido para mim durante todos estes anos, seria maravilhoso ter meu amigo de volta, pelo menos um deles. Mas simplesmente, todos os fatos são contra ele, e nesse momento o mais importante é proteger o Harry contra qualquer ameaça, mesmo que essa ameaça seja o Sirius.
Violet se calou. Não podia argumentar mais, porque na verdade, não tinha argumentos. Sabia que Remus sofria por falar assim de alguém que havia sido um dos seus melhores amigos, mas estava baseado nos fatos. Ela, por sua vez, tinha apenas seu coração para dizer que Sirius era inocente.

- E como está o Harry?

Remus sorriu.

- Dumbledore diz que ele é brilhante, carinhoso e com o mesmo talento do Pontas para problemas.

Violet riu. Lupin continuou.

- Você nunca pensou em vir visitá-lo?
- Você sabe que sim. – ela fez um movimento de pesar com os ombros. – Mas não tenho coragem, depois de tudo o que aconteceu, como poderia olhá-lo nos olhos?
- Violet, você não teve culpa...
- Se realmente acreditasse nisso, você também o visitaria, não é Aluado? – Violet interrompeu. – Além do que, você sabe a briga que seria para que eu saísse da França, ainda mais agora, com a fuga de Sirius.
- Bailly ainda está em cima de você?
- Em todos os momentos. Você sabe que ele não confia em mim. Mas mudando de assunto, não estou gostando da sua aparência, você tem se cuidado?

Lupin sorriu descontraído.

- Eu tenho me cuidado sim senhora. E felizmente, posso dizer o contrário da sua aparência, você está cada dia mais bonita. – ele sorriu.
- Você sempre elogia as mulheres assim quando quer mudar de assunto? – Violet riu.
- Não, somente as minhas ex-namoradas. E somente aquelas realmente muito bonitas.

A moça balançou a cabeça em desaprovação. Sabia que ele estava desconversando.

- Bom, você ainda tem poção?

Lupin pareceu gastar um minuto fazendo um cálculo mental, antes de responder.

- Devo ter o suficiente para este mês.
- De qualquer forma, vou enviar mais alguns frascos de wolfsbane para você, Ok?
- Obrigada Violet. – ele sorriu fracamente.
- Por nada, querido. E tenho esperança de que um dia essa poção não vai mais ser necessária.
- Eu também espero. Sinto saudade de você, Vi.
- Eu também Remus, queria tanto ter você por perto.

Eles se abraçaram entre as chamas.

- Cuide-se Aluado.
- Você também Violet, não faça nada precipitado.
- Mantenha-me informada sobre o Harry, e se tiver alguma notícia do Sirius, mesmo que seja ruim...
- Eu te avisarei, pode deixar, Vi.

Eles se despediram, e Violet passou a pensar no amigo. Cada vez que falava com ele, ele estava mais abatido. Suspirou. Desde que havia deixado o St. Mungus, Violet havia dedicado sua vida a procurar uma cura para a licantropia, mas seus avanços eram muito poucos.

- Talvez eu não seja tão boa em poções como o Professor Slughorn achava. Tenho certeza que se Snape tivesse se empenhado nisso, teria conseguido achar a cura há muito tempo. – ela dizia para si mesma.

Entristecida, ela deixou a sala do apartamento, indo até ao quarto. Tinha uma cama de solteiro, pois a maior parte do espaço estava ocupado por estantes abarrotadas de livros, que também se espalhavam pelo tapete branco. Nas paredes, alguns quadros trouxas disfarçavam que aquele era o quarto de uma bruxa. Ela abriu uma das portas do guarda-roupa branco, em busca de uma camisola. Pensar não estava lhe fazendo bem, então ela estava decidida a tomar uma poção do sono e dormir cedo. Fechou o guarda-roupa e foi até à mesa de cabeceira, pegar a poção. Ia tomá-la antes do banho, para que quando deitasse já fizesse efeito. Ao lado do frasco, uma flâmula com as cores da casa Corvinal de Hogwarts estava dobrada, servindo de lembrança para os momentos felizes que passara no colégio. Ela acariciou levemente o tecido, antes de fechar a gaveta.

- E eu que pensava que tinha problemas lá. – ela disse de si para si.

Entrou no chuveiro, sabendo que teria uma noite ruim. Embora fosse tomar uma poção do sono, não podia tomar uma forte o suficiente para apagá-la completamente. Não tinha confiança para abandonar-se assim no sono com tranqüilidade, ainda mais agora que Sirius estava livre. Seu coração lhe dizia que ele era inocente, mas como ter certeza? E se fosse culpado, podia ir facilmente atrás dela, mesmo na França, não seria tão difícil para ele encontrá-la. Ela estremeceu diante do pensamento de vê-lo novamente.
Não, tinha que estar apta a acordar se fosse necessário. A poção a faria adormecer rapidamente, mas ela sabia que seria um sono agitado, cheio de sonhos...

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Notas
(1) Se um dia a vida te arrancar de mim
Se tu morreres, se estiveres longe de mim
Pouco me importa que tu me ames
Porque eu morrerei também
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N.A. Olá! Espero que gostem dessa fic, pois eu amo esta história... E se gostarem (ou não) espero comentários, viu??
Agradecimentos a minha querida beta-reader Mariana...
Até o próximo capítulo ^_^V

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