N/A: Muito obrigada Cassy por tudo que você tem feito. Temos andado meio sumidas, mas sem você essa fic não andaria! Muito obrigada pela força, querida!
Fá
Cap 20
Gina e Luna foram acomodadas provisoriamente em um quarto da casa élfica construída na Terra dos Homens. Não havia a sofisticação de nenhum dos cômodos que viram em Mithlien ou mesmo no forte do Desfiladeiro de Gondorian, porém era muito mais confortável que a cela apertada e suja em que haviam sido mantidas até chegarem ali.
Luna continuava a se comportar de maneira quase natural com relação ao elfos e, mesmo alguns dos seguidores de Lólindir não conseguiam deixar de se admirar com a garota. Era como se para ela tudo fosse normal, perfeito. Ela admirava a arte em cada canto onde se encontrava e isso, por mais que tentassem evitar, massageava-lhes o ego.
Gina era bem mais arisca. Lutava com todas as suas forças para evitar pensar nas loucuras que Harry deveria estar armando e rezava para que ele não se entregasse. Estava em choque ainda por ver o tal Lólindir se aliar a Voldemort. Que tipo de monstro ele poderia ser? Como um elfo poderia se tornar tão baixo? E acima de tudo, não conseguia acreditar que caíra nos encantos de Daeron.
Jamais imaginara ser capaz de odiar a algo ou alguém mais que ao próprio Lord das Trevas... Mas aquele elfo conseguira.
Luna estava deitada em uma das camas tentando ler um pesado volume sobre as histórias dos Primogênitos – Luna demonstrava uma facilidade nata em compreender e aprender línguas – e Gina estava sentada no chão da varanda tentando imaginar em que parte do planeta poderiam estar quando a porta do quarto se abriu.
-Bom dia.
A voz musical, masculina, soava calma e simpática, porém nenhuma das duas garotas se sentiu feliz ou relaxada por ouvi-la. Era a primeira vez que o encontravam desde a primeira vez que o viram e não sabiam muito bem como reagir diante daquele elfo.
- Tenho certeza que são muito mais bem educadas do que isso... Na próxima vez que eu vier aqui espero ser recebido com um mínimo de bons modos. – Disse Lólindir com um sorriso.
Ele caminhou até uma cadeira e se sentou enquanto a porta era fechada à suas costas. Os três se encararam por alguns minutos até que Luna se sentou na cama e disse:
- Hum... Imagino que poderia lhe dizer bom dia quando o visse, mas não consigo me imaginar sendo realmente simpática com meu carcereiro, senhor Lólindir. Claro, apesar da maneira muito mais amistosa com a qual estamos sendo tratadas aqui. – Disse sem sorrir, calmamente.
Gina a observava com os lábios levemente abertos. Como é que Luna podia falar daquele jeito com aquele... Aquela... Como?
- Não espero simpatia de nenhuma das duas, apenas um pouco de educação.
-Você não tem nenhum direito de esperar coisa alguma de qualquer uma de nós! Somos prisioneiras aqui e não convidadas! – Rugiu Gina já de pé no meio do quarto.
-Sim, são minhas prisioneiras. Mas eu não tenho nada contra nenhuma das duas além do fato de estarem onde não deveriam estar. Vocês, assim como seus amigos, não devem ficar em Talath Lend. Não é o seu lugar.
-Nem aqui é o seu! – Respondeu entre dentes. – Nós estamos no meu mundo, não é?
- Sim, a partir do momento que Tári resolveu quebrar as regras de vez, o destino do seu povo foi selado. Até então eu tinha planos de acabar eu mesmo com os Homens, porque vocês destroem a cada minuto uma parte maior de Arda[1]. Mas então, conheci Voldemort e vejo que vocês já cavaram a própria sepultura. – Disse o elfo com uma fúria gelada nos olhos.
-Meu senhor Lólindir, - começou Luna que obteve imediata atenção do elfo – por que resolveu ajudá-lo? Não deseja o bem de Arda acima de tudo? Porque apóia o terror quando pode nos ajudar a eliminá-lo? Nem todos são tão terríveis! Eu e Gina não somos, somos?
Lólindir a observava. Havia pureza, serenidade em suas palavras. Não havia discussão quanto ao que ela dizia.
- O problema não está na unidade e sim no conjunto, pequena humana. Os Homens como raça não conseguem o convívio. Destroem a si mesmos e tudo o que está a sua volta... São crianças sem limites.
-Por que você está aqui? De certo não acha que vai nos convencer de que você só quer o bem do mundo, correto? Você não precisa da nossa aprovação. – Disse sorrindo ironicamente a garota ruiva.
Não havia sido uma impressão apenas... Ela lhe lembrava sua prima. Sem tentar se conter, Lólindir sorriu com ternura ao pensar em seu passado. Recobrou a aparência séria quase imediatamente, mas percebeu que as duas viram sua leve mudança de humor.
-Como estava Tári antes de serem trazidas para cá? – Perguntou Lólindir.
Gina revirou os olhos. Aquilo só podia ser brincadeira. Deu as costas e foi para a varanda respirar um pouco de ar fresco. Quando é que ele ia finalmente revelar o monstro dentro dele?
- Por que o senhor gostaria de saber sobre a Senhora de Mithlien? Depois de quase matá-la, não há sentido em desejar saber como ela está... A menos que deseje tão profundamente o seu mal a ponto... – Disse Luna deixando seus pensamentos vagarem enquanto terminava seu comentário.
-Tári jamais morreria com um simples golpe de sua própria espada. Não desejo sua morte, pequena humana. – E levantando-se para caminhar até Luna, completou – Tári é muito querida para mim e sinto muito ter que enfrentá-la. É uma pena que não tenha sido capaz de convencê-la...
Ele ajoelhou-se em frente à Luna a encarando profundamente. Gina começou a se preocupar... O que ele estaria fazendo? Porém, quando tentou correr ao encontro de Luna para tirá-la dali, sentiu-se imobilizada.
-O senhor quase a matou... – Disse Luna com um fio de voz.
Lólindir franziu o cenho e com as duas mãos tocou o rosto da bruxa, colocando os polegares entre as sobrancelhas dela. Algumas lágrimas se formaram nos olhos de Luna. Gina não entendia o que estava acontecendo. Queria impedi-lo, mas não conseguia se mover, nem ao menos falar.
Depois de alguns minutos, os polegares de Lólindir deslizaram pelo rosto de Luna enxugando suas lágrimas. E, forçando-a a encará-lo, ele murmurou em sua língua:
- Obrigado!
-O Senhor não se parece mau... Mas está cego. – Disse Luna se desvencilhando do elfo e deitando-se na cama.
Sem dizer mais nenhuma palavra e sem nem ao menos olhar para Gina, Lólindir saiu do quarto. A ruiva estava finalmente livre e pode correr até a amiga.
-Luna? Você está bem? – Perguntou quase aos gritos. Luna não se mexia, mas respirava profundamente. Estava dormindo.
*****
Camthalion observava o imenso bosque que agora cercava toda a extensão dos muros do desfiladeiro e se espalhava por boa parte da planície. Era possível ouvir os sussurros ansiosos e rancorosos das árvores e de seus pastores. Agora Lólindir teria mais um obstáculo para suplantar antes de tentar atacar o forte.
O Comandante de Mithlien não conseguia parar de pensar na sorte que tiveram durante o ataque. Por mais que soubessem que haveria poucos elfos da guarda realmente esperando alguma aproximação, o fato dos demais terem se deixado levar pelas bebidas e pela calmaria tinha sido determinante. Tiveram apenas cinco elfos e sete anões feridos. Nenhuma morte.
E ainda havia Tári. Ela mostrara que estava mais do que apta para se tornar Senhora do Conselho... Era uma candidata muito forte tendo um poder tão grande e tanta capacidade para desenvolvê-lo.
Deixou um sorriso escapar de seus lábios. Levantou seu punho direito e o observou com ternura. Ali havia um bracelete feito de prata com adornos discretos de ouro e algumas esmeraldas. Era um trabalho delicado e seu maior tesouro...
-Camthalion, onde você pensa que vai? – Lólindir perguntou com um sorriso zombeteiro nos lábios. – Só porque é seu aniversário, não pense que haverá relaxamento em seu treinamento! Defenda-se!
Lólindir sempre fora muito rápido, mas Camthalion treinava há tantos anos com ele que já sabia como reagir àquela investida. Pulou rapidamente para trás aparando o golpe na altura de seu peito. As investidas continuaram e o duelo se estendeu por mais de três horas seguidas. Já era quase final da tarde quando ela chegou.
Trajava uma armadura muito rústica e suas duas espadas estavam desembainhadas. Lólindir e Camthalion pararam o duelo e permitiram que ela se aproximasse. E como eles esperavam, ela atacou sorrindo enquanto jogava um bracelete de prata para o ar.
-Pertencerá ao vencedor! – Disse disparando o primeiro golpe em Lólindir.
Os três lutaram sorrindo e se provocando. O primeiro a sair derrotado fora Lólindir, que costumava quase sempre a ganhar todas. Sentou-se embaixo de uma árvore levemente emburrado. Tári e Camthalion travaram uma disputa que ganhou em violência e determinação conforme as horas passavam. Quando faltava pouco mais de uma hora para a lua chegar ao ponto mais alto do céu, Tári desferiu o golpe final derrubando a espada de Camthalion e encostando Dúath em seu pescoço.
Nem Lólindir e nem Camthalion acreditavam. Era a primeira vez que ela os vencia em uma daquelas disputas desde que se tornaram guerreiros. Ela evoluíra. Mas nenhum dos dois se sentiu mal, pois a felicidade que irradiava do rosto da jovem elfa era contagiante. Ela pulava, dançava e cantava feliz com os olhos derramando uma prepotência quase infantil.
Ela pulou nos braços de Lólindir e pegou o bracelete que ele segurava para entregar-lhe por ser a vencedora. Ela pulou para o chão, olhou o bracelete e sorriu. Camthalion sentiu o coração se esquentar com a ternura daquele sorriso e sentiu seu pulso acelerar quando percebeu os olhos sorridentes dela pousados nos seus. Tári se aproximou de Camthalion ainda sorrindo e delicadamente pegou sua mão direita. Abriu o bracelete e o colocou em seu punho, pois seu braço era muito mais grosso que o de uma mulher.
- Não é bem uma jóia masculina, mas foi feita, e agora ganha também, por mim. Não saberia lhe dar outra coisa que mostrasse a você o quanto eu o amo, meu amigo!
Mesmo agora sentia um rubor subir-lhe as faces.
-Meu senhor Camthalion? – Chamou Ireth próxima do Comandante. – A Senhora já se recompôs e o aguarda em seus aposentos.
O elfo respirou fundo para poder controlar seus sentimentos e seguiu a elfa.
Dentro de um dos cômodos com acesso ao terraço no qual Camthalion se encontrava há pouco estava Lúthien, o Senhor da Aliança dos Elfos. Ele observava o Comandante e um sentimento incômodo o afligia... Por mais que tenha tentado se controlar, não conseguiu impedir sua própria curiosidade e invadiu os pensamentos de Camthalion. A cena que o Comandante reviveu deu a Lúthien o último incentivo para ter uma conversa definitiva com o elfo.
Ele já vira o que a cobiça e um coração rejeitado são capazes de fazer.
****
Harry, Rony, Hermione e Neville suavam como porcos embaixo do sol quente do meio-dia. Elladan os colocara para correr ao redor do lago interno e dos jardins adjacentes. As primeiras semanas seriam focadas no condicionamento físico, nos exercícios de defesa pessoal e durante a noite conheceriam um pouco sobre métodos de cura, poções e, enfim, aprenderiam a língua dos elfos. Dormiam pouco mais de sete horas por dia e sentiam-se exaustos. No fim da primeira semana, nem ânimo para conversarem entre si eles tinham. Com o rapto de Elwë, um acordo inicial de paz foi acertado entre as duas partes, e sendo assim, depois de um mês ainda não haviam sido atacados. Porém, o cerco continuava ativo.
Passados um mês e uma semana, Maglor iniciou o treinamento com espadas dos garotos e foi nesse momento que os conhecimentos em cura foram colocados em prática. Eles treinavam com espadas de madeira apenas para não se cortarem, mas as pancadas e escoriações ocorriam o tempo todo.
Passou-se mais um mês e a falta de notícia somado ao cansaço dos treinamentos deixaram Harry irascível. Seu mau humor começou a contagiar os demais e Elladan viu que a hora de mudar o treinamento havia chegado. Era hora de sua mãe assumir um pouco as rédeas do grupo.
Naquela manhã, logo após o desjejum, os quatro jovens bruxos e Hagrid estavam em um dos pátios mais largos existentes dentro do jardim principal do Desfiladeiro. Ficava próximo da entrada da cidadela e dali podiam ver quem entrava ou saía do local. Hagrid sempre ficava com os garotos nos momentos antes do início do treinamento passando algumas parcas informações sobre a guerra iminente e contando uma história ou outra sobre o povo élfico ou dos anões.
O tempo passou, quase duas horas após o horário habitual de início do treinamento e Hagrid estava ficando sem assunto. Quando Harry resolveu inquiri-lo sobre os motivos de estarem sendo enrolados, Tári e Camthalion apareceram no portão da cidadela seguidos por Maglor e Elladan.
-Bom dia, meus jovens. Desculpem-me o atraso, mas tivemos que cuidar de alguns assuntos antes de virmos aqui.
-Claro que esses assuntos não nos dizem o menor respeito... Portanto por que se incomodar, não é? – Comentou Harry entre dentes.
Tári sorriu. Não com simpatia, mas de modo zombeteiro.
-A partir de hoje, Harry, Rony, Hermione e Neville, vocês terão acesso a toda e qualquer informação que quiserem. – Disse a elfa ainda sorrindo daquele modo provocativo.
Harry levantou uma das sobrancelhas desconfiado.
-Então porque ainda não estamos sabendo o que está havendo aqui? Eu quero saber tudo! – Disse o bruxo bastante sério.
Tári alargou o sorriso e foi acompanhada por Maglor e Elladan. Camthalion também parecida animado, mas seu meio-sorriso era muito mais de desafio que de zombaria.
-Pois bem, prestem atenção no que eu vou dizer. Vocês receberão uma resposta para cada vez que conseguirem tocar com a espada de madeira qualquer uma das pessoas das quais desejarem uma informação. Portanto, escolham seus alvos conforme as suas perguntas. – E com um sorriso ainda maior – Essa determinação foi passada para todos os elfos que são guerreiros. Os demais estão proibidos de lhes dar informação, seja ela qual for. Compreendem o alcance dessa determinação?
Hermione estava com os olhos arregalados. Rony sentia-se animado, Neville parecia que já esperava por aquilo e Harry estava inconformado. Levaria décadas para conseguir qualquer que fosse a informação necessária.
-Muito bem, - disse Maglor – eu continuarei a treinar-lhes, mas ter que lutar por qualquer resposta que seja vai estimulá-los a se esmerarem em seus treinamentos.
-Vocês não podem fazer isso! Nós nem temos criado problemas para que possamos terminar esse treinamento o mais rápido possível. Eu quero buscar a Gina!
- Silêncio! – Disse Maglor – Quero uma hora de corrida. Comecem a aquecer.
Neste momento, Tári, Camthalion e Elladan começavam a se virar para voltarem à cidadela, mas Rony se adiantou e se colocou na frente deles. Ele encarou os três com muita atenção e disse por fim, levantando sua espada para Tári.
-Onde está minha irmã?
Tári esticou a mão em direção a Maglor que lhe estendeu uma espada de madeira. Pediu com um gesto que Elladan e Camthalion se afastassem.
-Eu tenho essa informação, Ronald Weasley. – Disse sorrindo, provocando. – Você a quer? – E segurando a espada com as duas mãos, encerrou. – Venha pegá-la!
Rony atacou com vontade e Tári apenas se defendeu. Queria testá-lo, sentir sua capacidade. Maglor sorriu largamente olhando para Elladan, o bruxo jamais havia duelado daquela maneira, tão concentrado e dedicado. O estímulo era perfeito. Mas em apenas quarenta minutos, sem receber um único ataque, ele já estava exausto e quando Tári percebeu que a vivacidade do duelo esmoreceu, ela deu uma pancada forte nos dedos do ruivo que seguravam a espada e esse a deixou cair. Ela o desarmara.
-Você luta bem, Ronald. Tem garra e força. Será um bom guerreiro se continuar se dedicando ao máximo... Mas você perdeu e, portanto, continuará sem saber onde está sua irmã.
Rony suava, sofria para recuperar o fôlego e suas faces estavam tão vermelhas que parecia que ele ia explodir. Harry observou a elfa durante toda a disputa e imaginou uma nova estratégia para conseguir o que queria. Andou em direção a ela lançando olhares cheios de significados para os demais bruxos. Rony percebeu o movimento e com um pulo estava em pé novamente.
-Espere, Tári. – Disse Harry. – Eu tenho uma pergunta para você.
-A Senhora de Mithlien tem mais o que fazer do que ficar presa em disputas sem sentido com vocês. – Disse Camthalion com desprezo.
-Não, Camthalion... – Começou Tári. – Vamos ver o que o jovem acha que vai conseguir com sua nova estratégia.
-Você vai usar seus poderes para se defender de nós? – Perguntou Harry inconformado.
-Por que não deveria? Alguns dos elfos com os quais irão lutar possuem dons diferenciados também. E mais, eu os avisei... Escolham seus informantes com inteligência.
Ela, Elladan e Camthalion se retiraram, mas Harry já pensava melhor em como agir. Com um sinal de sua cabeça, ele, Hermione, Rony e Neville cercaram Maglor. Harry, então, perguntou:
- Como a Gina está?
Com um sorriso, Maglor levantou sua espada de madeira dizendo:
-Esse vai ser o melhor e mais rápido treinamento de espadas que eu já dei. Nada como um bom estímulo, não concorda Senhor Potter?
Os quatro começaram seus ataques e, assim como Tári, Maglor apenas se defendeu. Os garotos ainda se cansavam rápido demais e esse era o maior problema na visão de seu mestre. Os duelos em Talath Lend eram longos, extremamente exaustivos e eles precisavam desenvolver agilidade para poderem lutar contra elfos. Mas eles ainda se prendiam demais às lições e pouco usavam da própria criatividade... Uma vez ouvira Dumbledore conversando com Tári sobre a intensa dependência dos bruxos com relação à própria varinha, à própria magia. Se os garotos conseguirem quebrar essa dependência, possuiriam uma arma muito valiosa para ganharem a própria guerra.
Harry percebeu que eles não conseguiriam nada daquela maneira. Estava exausto e a espada de madeira parecia pesar toneladas. Seus braços estavam moles e sua respiração estava tão rápida e ruidosa que temia não conseguir puxar a quantidade de ar necessária para não sufocar.
Ele precisava das informações, precisava saber como Gina estava e como iriam buscá-la. Ele iria, nem que fosse sozinho! Mas se tivesse os elfos ao seu lado sabia que seria mais fácil. Ele precisava vencer os duelos... E pensar que sempre tivera tanta facilidade em Hogwarts... Não se adaptara à espada com a mesma facilidade com que se adaptara à própria varinha... Era como se a varinha fosse extensão do próprio corpo.
E então uma luz se fez na mente de Harry. Rápido e preciso, o garoto puxou de dentro de suas vestes sua varinha ao mesmo tempo em que recuava sua espada da disputa. E em alto e bom som, ele disse:
- EXPELLIARMUS!
A espada de Maglor voou longe dando a Rony a oportunidade de ouro. Com um piscar de olhos, a espada do jovem ruivo bateu com força no braço de Maglor.
Havia um sorriso aberto no rosto do mestre élfico. Harry via satisfação e respeito nos olhos do elfo vencido.
- Finalmente, jovem bruxo. – Disse Maglor se levantando. – Já começava a pensar que nunca iriam se lembrar das suas outras armas.
-Não sabia que era válido usarmos as varinhas em um duelo de espadas! – Disse Hermione com o cenho franzido.
-Vocês são o que são. Seus dons precisam ser usados sempre que necessário para ajudar suas vidas... Por isso vocês os têm. Porém, enquanto esteve entre nós, Alvo Dumbledore se esmerou em todo o tipo de conhecimento que não conseguiria possuir em seu mundo e isso foi uma das maiores vantagens que obteve para si próprio. Acredito que vocês sabem o quanto ele se destacou entre vocês mesmos.
-Como está a Gina?
Com um sorriso, Maglor respondeu.
-Ela está bem.
Um silêncio confuso e irritante se seguiu à resposta do elfo.
-Você definitivamente não pode estar falando sério, não é? – Perguntou Rony. – Nós lutamos tudo isso apenas para você dizer que ela estava bem? Onde ela está? Luna está com ela?
- Desculpa, Rony, - começou Neville – mas acho que estamos fazendo as perguntas da maneira errada.
O sorriso de Maglor aumentou.
-Como assim, Neville?
-Bem, se precisamos disputar um duelo toda vez que quisermos uma informação, temos que desenvolver as perguntas com mais cuidado... – Disse pensativo.
- Então... – Rony começou puxando sua varinha e apontando para o elfo. – Eu quero saber tudo sobre a Gina e Luna! Onde elas estão?
Hagrid que até então se manteve em silêncio a pedido de Maglor, resolveu se manifestar.
- Maglor, precisamos ser mais flexíveis... Os garotos estão se esforçando ao máximo.
-Não, meu amigo Hagrid. Eles não estão. Se facilitarmos agora eles voltarão a se acomodar. O destino que lhes foi dado exige no mínimo a perfeição em suas decisões. Qualquer erro, qualquer atitude mal pensada, será fatal. – E com pesar, Maglor completou. – Veja o exemplo das jovens seqüestradas. Um erro de nossa parte somada a falta de cuidado e desconfiança das garotas lhes custou a liberdade...
-Gina e Luna não tiveram culpa! – Começou Harry. Um nó em sua garganta se formava e as palavras de Tári voltaram a pesar em seu peito... Ele a afastara e agora ela corria ainda mais perigos... – A culpa foi minha e eu preciso ir buscá-las. – Disse com determinação.
-Assumir culpas não servirá de nada, Harry Potter. Sair em um resgate sem estratégia e conhecimento será o mesmo que dar ainda mais armas para Lólindir e... Agora, infelizmente ao seu próprio inimigo, o bruxo que se autodenomina Lord.
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Lúthien acordara com uma sensação estranha. Não conseguia se concentrar em mais nada a não ser nas últimas palavras que ouvira sua mulher dizer em seu sonho confuso.
- Não prorrogue mais sua conversa com Camthalion. – Disse ela enquanto desaparecia na neblina espessa onde ambos se encontraram.
Ele sempre sonhava com ela, mas nunca havia contato ou diálogos e o som de sua voz o deixou intrigado. Não parecia realmente a voz de Gilraen, nem o jeito terno dela se expressar... Talvez fosse seu inconsciente trazendo a tona o seu nervosismo em presenciar a lembrança de Camthalion meses atrás. Ainda não soubera como abordá-lo...
Mas não poderia mais prorrogar a conversa...
Sentia-se estranho em tocar no assunto com Camthalion. Vira o elfo nascer, crescer. Em muitos momentos, quando notou que Lólindir e Tári jamais seriam um casal, sua opção seguinte era o atual Comandante de Mithlien. Era o mais indicado para sua filha... Ele jamais a desonraria, jamais deixaria o seu lado e era um guerreiro valente e hábil... Ela jamais ficaria desprotegida.
Sorriu.
Como se Tári precisasse de um marido que a protegesse em um duelo.
Mas ela jamais vira Camthalion por esse ângulo e ele observou silenciosamente o amor do elfo se tornar uma obsessão, uma dependência, uma dedicação intensa... Ele se jogaria nos braços de Sauron se isso pudesse tornar a vida dela melhor.
E esse pensamento o assustou.
Quando finalmente chegou ao salão de refeições, encontrou Maglor tomando seu desjejum ao lado dos bruxos que agora treinava. O elfo se dera bem com os garotos e pela maneira como se dirigia a eles, começara os admirar. Tári escolhera bem novamente.
-Maglor, saberia dizer-me onde encontrar Camthalion?
-Meu senhor Lúthien, eu não o vejo desde ontem à tarde. Posso pedir para o procurarem e mandarem-no até o senhor, se desejar.
-Sim, eu gostaria que assim o fizesse, obrigado. Eu preciso falar com ele o mais breve possível.
Ouvindo isso, Maglor levantou-se e sinalizou em direção a um dos guardas do salão e deu as ordens necessárias. Lúthien sentara-se ao lado dos garotos para tomar seu desjejum e notou o semblante cansado e o mau humor dos jovens.
- Não está sendo uma estadia agradável, não é, meus jovens? – Disse com gentileza.
- Não posso dizer que não esperava por algo assim. As missões de Dumbledore não eram exatamente um passeio no parque... – Respondeu Harry sem ao menos olhar Lúthien, que sorriu.
- Bem, ele queria prepará-los para sua guerra, e mesmo que a nossa já tivesse acabado, o treinamento de vocês seria tão duro quanto esse que estão recebendo.
Maglor retornou, sentou-se na mesa e sorriu para os jovens.
- Já terminaram o desjejum? Muito bem, vocês terão o prazer de aprender sobre cura e poções com Ireth hoje. Ela os está esperando no lago. – Dizendo isso voltou a se concentrar em Lúthien. – Já passei o seu recado, meu Senhor. Assim que o localizarem, ele virá ao seu encontro.
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Finwë, irmão gêmeo de Maglor, estava responsável pelas rondas na muralha leste do forte durante aquela manhã especialmente fria de inverno. Observava do alto de seu posto a movimentação de seu regimento. Não gostara da aproximação do bosque, era problemático com relação à visualização de qualquer movimento próximo à muralha, porém não podia negar que pelos sussurros irritadiços e os estalos intensos vindos das árvores, qualquer que fosse o invasor teria sérios problemas em dar mais que dois passos debaixo de suas sombras.
Ouviu a aproximação rápida de um cavalo à suas costas. Era um dos mensageiros do Senhor dos Elfos e pela maneira como observava atentamente à sua volta, Finwë teve certeza que procurava alguém. Sinalizou para o jovem elfo se aproximar do posto elevado em que se localizava e assim que o outro o fez, cumprimentou-o cordialmente.
- Bom dia, Müriel! – Disse Finwë.
-Bom dia, Capitão Finwë! Estou procurando pelo Comandante Camthalion, o Senhor Lúthien deseja vê-lo imediatamente. – disse o jovem mensageiro.
-Eu não o vejo desde ontem à tarde... – Começou a responder Finwë, mas um estalo alto vindo do bosque chamou sua atenção. Então o som de cascos aproximando rapidamente de um dos portões laterais seguidos por mais estalos altos como chibatas colocou Finwë e seu regimento em posição.
Com um sinal, todos os arcos da muralha estavam tensos com uma flecha engatilhada na direção dos sons. Então, o ribombar dos cascos cessaram e um grito de dor e surpresa foi ouvido. As árvores intensificaram os estalos e do meio do bosque três pareciam se mover em direção ao portão mais próximo do Desfiladeiro.
- Chame o Senhor Lúthien, a Senhora Tári ou o Comandante Camthalion, Müriel! Diga que os Ents desejam lhes falar. – Disse Finwë com os olhos arregalados observando as copas se moverem lentamente através do bosque.
O mensageiro Müriel voltou à construção principal com velocidade e instantes antes dos Ents chegarem ao portão, Lúthien e Maglor chegaram montados em Mearas a toda velocidade.
-O que está acontecendo, Capitão Finwë? – Perguntou Lúthien observando o portão ser aberto.
- Eu não sei, meu senhor, mas três Ents se aproximam. Nós ouvimos barulhos de um cavalo se aproximando e então...
Mas Finwë se interrompeu quando o portão foi completamente aberto. Diante deles três Ents estavam de pé, um deles segurava um elfo loiro usando uma túnica de Mithlien e outro segurava um cavalo muito branco.
-Parece que sua filha estava adivinhando, Lúthien Cúlnamo... – Disse o Ent que mantinha as mãos livres. – Este elfo jura ser parte da sua Aliança, mas estava vindo do acampamento inimigo...
Enquanto o Ent falava, o que segurava o elfo estendeu-o jogando-o no chão a frente de Lúthien.
-Camthalion... Mas o que... – E respirando fundo, sentindo sua energia crescer, perguntou com a voz metalizada. – Camthalion, o que você está escondendo?
-Não tenho nada a esconder, meu Senhor Lúthien! – Respondeu Camthalion levantando a cabeça rapidamente para seu Senhor.
Fora rápido demais. Lúthien não queria acreditar, mas teve um vislumbre, uma imagem vinda da mente de seu Comandante. Camthalion não esperava que Lúthien pudesse desconfiar tão rapidamente dele... Não sem antes questionar o que estava fazendo. Não sem antes dar-lhe uma chance de se explicar...
Não se preparara para uma pergunta dessas à queima-roupa. Sua surpresa enfraqueceu por menos de um segundo sua barreira mental, mas fora o suficiente.
Na imagem, Lúthien pode ver Camthalion em pé dentro de uma das salas do Palácio de Yavëtil. Na frente dele, de pé e de costas para seu interlocutor, estava Lólindir. E ao fundo da imagem, Lúthien podia ouvir a voz do Comandante ecoando, gerando verdadeiras ondas de fúria em seu corpo.
Eu recebi sua mensagem e vim para saber o que deseja, Lólindir.
Camthalion soube o que Lúthien vira assim que suas defesas caíram. Por mais rápido que fosse, não conseguira subi-las a tempo de impedir que uma, uma maldita lembrança da noite anterior escapasse de sua mente. A face do elfo que fora seu mentor, que fora como um pai, quebrou-se em dor, fúria e decepção.
Não havia o que negar.
Com a voz firme, metalizada, com os olhos mais brilhantes e os punhos fechados com força, o Senhor dos Elfos da Aliança deu a ordem que consumiria seu coração durante muitos anos.
-Capitão Maglor Tinúviel, que você seja testemunha assim como Capitão Finwë Tinúviel. Eu, Lúthien Cúlnamo, Senhor da Aliança Conservadora dos Elfos de Talath Lend acuso formalmente o Comandante de Mithlien, Camthalion Faelivrin, de traição contra Mithlien, contra seu povo e contra a nossa Aliança. Prendam-no.
Camthalion se rendeu em silêncio.
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[1] Segundo Silmarillion, Arda é um dos nomes que se referem à Terra.
N/A: Qualquer dúvida com relação à termos usados, por favor, me perguntem que eu farei adendos aos capítulos facilitando suas leituras. Vocês podem notar mudanças na configuração do capítulos nesse próximos dias, pois ainda não estou muito feliz com a maneira que eu os coloquei aqui. Qualquer sugestão também é bem vinda.
Obrigada novamente a todos os leitores.
Fá