Harry mal entrou na sala dos Weasley e a gritaria começou.
-Feliz Aniversário, Harry! – Em uníssono gritaram a plenos pulmões todos os Weasley (com exceção de Percy), Mione, Luna, Neville, Kingsley, Moody, Lupin, Tonks, Fleur, Gabrielle e os pais de Fleur, a avó de Neville e os pais de Mione.
A festa foi ficando bastante animada, principalmente depois dos gêmeos resolverem abrir espaço na sala para uma pista de dança. Assim que conseguiram, pegaram Mione e Gina para começarem a dançar. Não demorou muito e Neville e Luna já faziam par, junto de Fleur e Gui. Os demais foram se juntando e revezando os pares. Harry, que já estava na esperança de passar despercebido conversando com Moody, foi arrastado por Gabrielle e não teve como fugir mais.
Lupin olhava toda a agitação, mas não estava realmente presente. Tonks percebeu e resolveu não chateá-lo, indo para a “pista” com Carlinhos e os gêmeos. Internamente, Lupin agradeceu, e saiu para o jardim. Resolveu caminhar um pouco para ver se colocava os pensamentos em ordem. O sonho de Harry e as reações dele não lhe saiam da cabeça. Que poder era aquele que estava em Harry? Parecia levemente familiar...
Suas divagações foram interrompidas por uma voz feminina, enrouquecida pela idade.
-O que está te preocupando, Remus? – Perguntou McGonagall, com um ar curioso.
-Nada de especial, Minerva. - Disse o bruxo com um sorriso que não chegava aos olhos. - Hoje não é um dia para preocupações.
-Desculpe-me por insistir, Remus, mas não deve ser nada tão irrelevante que o afastaria de certa mulher de cabelo rosa-chiclete no meio de uma festa. - Disse Minerva McGonagall tentando parecer despreocupada com o bruxo.
O sorriso de Remo foi alargado rapidamente e com um gesto discreto convidou a atual diretora de Hogwarts a acompanhá-lo enquanto se afastava da casa.
- Muito bem, Minerva, eu digo... Talvez você possa saber algo a respeito. – Começou Lupin focando o olhar em uma borboleta que atravessava o jardim dos Weasley. – Quando fomos buscar Harry, ele estava dormindo profundamente. Isso já seria estranho por si só, tendo em vista a ansiedade em que ele deveria se encontrar... Afinal, último dia sendo obrigado a viver com aquela gente. – E virando-se para McGonagall – Ele parecia sereno, calmo... – E sua voz se perdeu enquanto voltava a observar o vôo gracioso da borboleta.
-E o que o preocupou? – Perguntou McGonagall com o cenho franzido.
-Um poder, Minerva... Eu pude sentir uma energia muito poderosa envolvendo Harry, embalando seu sono... Eu não sei explicar, mas esse poder me pareceu familiar. Tentamos acordá-lo e ele começou a reagir. Queria permanecer dormindo...
-Ele disse alguma coisa?
-Como nos sonhos com Voldemort? Não. Só murmurou algumas palavras como “quem é você?” e “ eu preciso saber”. Não consigo entender, Minerva. É como se eu já tivesse presenciado um poder similar. – Ele voltou-se para a diretora, confuso. – Não sei, não me lembro. É apenas uma sensação familiar, provavelmente.
A mulher permaneceu em silêncio. Os olhos fixos em um ponto distante da paisagem, obviamente imersa em seus pensamentos.
-Você sabe alguma coisa, não? - Remo parou de andar e ficou seu olhar na bruxa. - Alguma idéia do que isso significa?
-Algumas, Remus, algumas. Mas não vou dividi-las com você, perdoe-me. Preciso me certificar antes de dizer o que estou pensando.
Por alguns segundos eles se encararam. Remus desviou seus olhos enquanto respirava profundamente, derrotado e convencido.
-Gostaria de pedir para que não dividisse essas suas preocupações com mais ninguém, nem mesmo com a Tonks. – Continuou McGonagall com o semblante um pouco mais leve. – Se for o que estou pensando, logo poderei explicar tudo e será melhor assim.
-Vai falar com Harry? – Perguntou Lupin conformado.
-Não, ele já tem o bastante para se preocupar.
A dança seguia animada dentro da casa e, por alguns momentos, foi possível esquecer que uma guerra pairava sobre suas cabeças. Harry chegou a se divertir observando os amigos até o momento em que começou a brincadeira de trocas de casais, e então, Harry acabou ficando como parceiro de Gina. Ela não deu o menor sinal de constrangimento, e para quem não conhecesse a história que havia entre os dois, eles poderiam ser considerados um dos casais mais animado da festa. Internamente, Harry ficou agradecido por não ter de presenciar algo como olheiras, ou um semblante cansado e triste no belo rosto de sua Gina, mas não pode deixar de sentir uma pontada de decepção.
O que estaria pensando? Por acaso realmente desejava que Gina estivesse definhando de tristeza por ele? Tinha era que estar feliz por ela ter superado tão bem tudo isso!
Mas tão rápido!? Sua mente iniciou uma luta de vontades e Harry teve consciência de um lado negro em seu coração que até aquele momento vivera adormecido.
Não!Eu estou feliz por ela entender que não podíamos ficar juntos por enquanto. É melhor que ela encare tudo de cabeça erguida. O que estou pensando?
E se ela não me quisesse mais? Esse seu lado parecia assumir uma voz sibilante, e por um momento Harry pensou que poderia estar sendo possuído por Voldemort novamente. Mas sua cicatriz não doía e ele se sentia no controle de si mesmo. Teria sido contaminado por aquela cobra maldita? Mas seu lado negro agora tomava impulso em suas argumentações e seu coração se contraía com um ciúmes e uma raiva reprimidas. Era como se toda a frustração e dor dos últimos anos se concentrassem naquele ponto em seu peito e justamente naquele momento.
Sim... Só podia ser isso! Ninguém esconde tão bem um sentimento assim, principalmente uma paixão como a noss... Sim! Sim, ela me esqueceu! Só poderia ser isso!
Neville!Em que o Neville está pensando para dançar com ela dessa maneira?
Um calor repentino subiu pelo seu pescoço. Uma veia começou a latejar freneticamente sobre uma de suas sobrancelhas e algumas gotas de suor começaram a se formar nas palmas de suas mãos.
E a Gina? Desde quando ela se oferece assim para alguém? Ela nunca dançou daquela maneira para mim!
Sentia que seus olhos ardiam como fogo e, então, percebeu que não piscava há alguns minutos. Seus ombros enrijecidos curvaram-se lentamente para frente. Sentia-se como uma cobra prestes a dar o bote. Neville e Gina eram agora os únicos naquela sala e, nunca antes em sua vida tivera tanta certeza do que deveria fazer.
-Harry? – Rony o encarou preocupado. Tinha acabado de encostar na parede ao lado do amigo, mas Harry nem parecia ter percebido sua aproximação.
A mão de Harry deslizou até o punho de sua varinha em um movimento rápido, mas incrivelmente discreto.
Gina e Neville? Seu lado negro sibilava em seu ouvido. Então era isso. Não demora muito e o Simas entra na roda, né?
Perdido em seus pensamento, não percebera Rony ao seu lado. Estava tão concentrado em seus sentimentos distorcidos que algumas palavras começaram a escorregar entre seus lábios...
-HARRY! – Praticamente gritou Rony aos seus ouvidos. – Posso saber por que você está tão vermelho e com esse olhar assassino vidrado na minha irmã?
-Quê? Que olhar assassino? Que tem sua irmã?! – Desconversou Harry soltando rapidamente o punho de sua varinha e ficando ereto novamente.
-Ah Harry, corta essa! Você está se roendo de ciúmes do Neville com a Gina! Tá escrito na sua testa! – Disse Rony franzindo o cenho com um meio sorriso estampado no rosto.
-Qual é, hein, Rony? Não tem ninguém para você encher o saco, não? Hoje é meu aniversário, dá um tempo! – Bufou revoltado. – Por que você não direciona um pouco da sua atenção para o Jorge e a Mione ali? É melhor você ser rápido, de repente você a perde para seu próprio irmão.
-Não viaja Harry! Eles estão só dançando. E se eu quisesse dançar com a Mione, eu estaria lá. Pensei que você tava meio isolado e resolvi vir aqui dar uma força. Mas como não é o caso, vou lá antes que... Como é que você disse? – E coçou o queixo fingindo se concentrar em algo importante e muito difícil. – Antes que eu a perca para o Jorge? – E com um sorriso zombeteiro, emendou. – Assim como você vai perder a Gina para o Neville?
Rony saiu gargalhando alto, deixando um Harry mais do que revoltado para trás. Da onde estava, Harry pode observar o amigo. Rony parou a alguns metros da Mione, virando-se para dar uma breve olhada para ele e, em seguida, com um sorriso discreto, para Gina. Então, respirou fundo, olhou para Hermione, tomou o lugar de Jorge e começou a dançar com ela.
Hermione só não ficou mais surpresa que o próprio Harry, que entendera bem o recado e se sentiu ainda pior. Resolveu sair para uma caminhada.
A festa terminou bastante tarde, por volta das quatro da manhã. O Sr. Wealey e os demais que tinham compromissos no dia seguinte bem cedo retiraram-se logo depois do parabéns.
Harry havia dormido profundamente. Sonhara novamente com aquela bela floresta, e coincidentemente encontrara-se no mesmo lugar, na mesma trilha. Escutara a mesma música distante, mas em momento algum conseguiu distinguir as vozes. Tinha esperança de falar novamente com aquele ser que possuía aquela voz misteriosa, talvez descobrir o porquê daquela estranha sensação de familiaridade.
Por mais que tivesse tentado, não conseguia tirar aquela voz de sua cabeça. Um medo e, uma esperança teimosa, começaram a crescer em seu peito... Seria sua mãe?
Seus pensamentos foram interrompidos por um bocejo particularmente alto e longo de Rony.
-Bom dia, Harry!
-Bom dia, Rony. – Respondeu Harry sem muita disposição.
-Merlin! Um bom dia desses nem preciso. Que foi que aconteceu com você logo cedo? Dormiu mal?
-É, dormi mal. Mas você, ao contrário, parece ter dormido muito bem. Você teve algum sonho com a Mione ou foi impressão minha tê-lo ouvido a chamando? – Disse com um sorrisinho zombeteiro e malicioso nos lábios.
-Há-há-há. Você acha que vai me deixar sem graça com isso? Pois devo dizer que não estou nem aí para você.
-Hummm... Será que minha festa de “aniversário-surpresa” serviu para mais alguma coisa além de comemorar o dia do meu nascimento?
Rony o encarou com um meio sorriso cheio de significados.
-Vai me dizer que você não soube da novidade? – Disse ainda com o sorriso no rosto.
-Você e a Mione se acertaram e resolveram finalmente engatar um namoro. – Disse Harry num tom monótono. Ele já havia se levantado e buscava uma troca de roupa em seu malão.
-Quem te disse? – Perguntou Rony com um pouco de decepção estampada no rosto.
Harry parou todo e qualquer movimento que havia começado. Seu queixo foi caindo aos poucos conforme percebia que Rony estava realmente chocado com sua “revelação”.
- Ah, eu prometi a Mione que nós mesmos falaríamos com você... Falei para todo mundo deixar que a gente contasse... Só quis jogar um verde... – A decepção era marcada em cada palavra. – Quem te contou?
- Ninguém me contou, Rony! Eu estava brincando! – Disse o mais rápido que conseguiu. – É sério isso mesmo?
-Nã... Não... Não é isso, é que... é que... – Rony estava completamente confuso. Nitidamente as coisas não aconteceram como ele queria.
-É que o que, Rony? – Perguntou Harry completamente desperto.
-Não, não é bem isso... Ah, não adianta. A Mione vai me matar! Ela queria que contássemos juntos...
-O QUÊ? Vocês estão namorando?
-NÃO! Ainda não. Bem, por mim eu já estaria, mas ela quer que a gente veja como vai ficar... Sei lá. Eu acho que ela tava com medo de ser sacanagem minha... Eu estava um pouco alegre demais sabe? Muito firewhisky...
-Você bebeu mais ainda? Digo, depois que eu sai?
-É... Eu bebi mais um pouco, e acabei abusando um pouco nas brincadeiras... Sorte minha! Em uma delas, coloquei a Mione contra a parede e ...err...
-E? Não vai me dizer que você a beijou sem mais nem menos? Do nada?
-É foi mais ou menos isso... – Disse Rony completamente vermelho. – E ela correspondeu! – Terminou com um meio sorriso, jogando a cabeça para trás cheio de si. – Se eu soubesse antes, não tinha perdido tanto tempo!
Dizendo isso, ele e Harry começaram a gargalhar, e só pararam quando Gina e Hermione entraram no quarto, curiosas, depois de ouvirem os dois rindo como loucos.
A semana seguinte passou normalmente. Rony e Hermione ainda não haviam assumido para todos o romance e, por isso, só ficavam juntos quando estavam sozinhos. Gina pediu para o pai de Luna deixá-la na Toca até o casamento de Gui. Neville foi embora, mas no final da semana voltou para ficar até o casamento também (Gina insistiu com o irmão para que convidassem eles e Gui atendeu prontamente). Os garotos passaram a semana jogando quadribol, snap explosivo e até xadrez. Quando era necessário, ajudavam na arrumação da Toca para o tão esperado casamento.