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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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Visualizando o capítulo:

19. Voldemort e Lólindir


Fic: O Passado de Dumbledore - Cap 26 postado!


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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N/A: Nome do capítulo pode ser mudado, e o resumo também. Ele foi feito na hora da postagem quando percebi que alguém poderia não querer ler tudo de novo para continuar a leitura da fic. Não que deva haver muitos leitores, mas àqueles que ainda tentam, meu mais sincero Obrigada!
 

Resumo dos capítulos anteriores: Harry teve sonhos com um mundo desconhecido que acabou por se revelar o mundo élfico, local onde Tári, esposa de Dumbledore vivia. Ela era uma elfa, assim como sua família, e teve um filho com Dumbledore, Elladan. Tári é a Senhora Élfica de Mithlien, um dos clãs de elfos que ainda vivem na Terra, em um local protegido chamado Talath Lend. Harry foi trazido para Talath Lend, a fim de protegê-lo e ajudá-lo a se preparar para o embate final com Voldemort. 
Harry levou consigo Hermione, Rony, Gina e Luna, além de encontrarem lá Neville. Descobriram que nesse mundo uma guerra ainda maior está sendo travada há muitos anos e acabam se envolvendo na mesma, pois é uma guerra entre elfos e como esses se posicionam com relação aos homens. A Aliança Conservadora defende a não intervenção dos elfos no mundo dos homens e a Aliança Rebelde defende a destruição da raça humana. O líder da Aliança Rebelde, Lólindir, aliou-se com Voldemort assim que soube que Tári quebrou a lei mais uma vez trazendo humanos à Talath Lend. Lólindir, a fim de usar a impulsividade e o sangue quente de Tári, sequestra Gina e Luna através de um de seus traidores, Daeron, que passa a fazer a ponte entre os bruxos de Voldemort e os elfos de Lólindir.

[Retirei uma parte do resumo, que obviamente não deveria estar aqui já que resume este capítulo. Ai que cabeça!]



Capítulo 19
 


O dia amanheceu chuvoso. O som das gotas batendo levemente em sua janela convidava-o a permanecer em sua cama. Os sonhos tinham sido tão bons, e agora ele sabia bem a razão. Apesar de se sentir manipulado sabendo que Tári os invadia, estava internamente grato por isso. Fazia tanto tempo que não dormia tranqüilamente.


 


Os sons de algumas batidas em sua porta fizeram-no abrir os olhos.


 


- Harry? – A voz inconfundível de Hagrid o chamava. – Já levantou?


 


- Ainda não, mas já estou levantando. – Disse jogando as pernas para fora da cama. – Algum problema?


 


A porta se abriu e o meio gigante entrou rapidamente no quarto.


 


- Por Merlin, Harry! Vamos logo, daqui a pouco o café será servido. – E o olhando com o cenho franzido, continuou. – Você está bem?


 


Como um choque, a realidade o atingiu. Parecia que fazia décadas que aquela conversa toda tinha acontecido. Gina... Parecia que havia engolido um grande frasco de fel. Sua boca amargou e seu coração se comprimiu. Olhou para o rosto do amigo. Havia grandes olheiras ali... Ele parecia muito mais velho.


 


- Sim. Só um minuto e estarei pronto. – Disse mecanicamente enquanto se levantava e ia rápido para o banheiro. Olhou-se no espelho... Não estava muito diferente já que as olheiras permaneciam e o semblante sério, pesaroso ainda se mantinha esculpido ali. Chacoalhou a cabeça com força. Precisava se controlar. O desespero não ajudaria em nada a resgatá-la... Respirou fundo e começou a se arrumar.


 


Hagrid se sentou em uma grande poltrona que havia ali para esperar o garoto. Estava preocupado... Não sabia se era certo Lúthien os colocar a par de tudo. Tivera tanto trabalho em esconder o que estava acontecendo! Lembrava-se da última vez que estivera em Mithlien e da guerra dos anões na qual participara ao lado de Dumbledore.


 


Eles não estavam preparados para aquilo...


 


-Hagrid? – Chamou Harry, já pronto. E olhando para a outra cama no quarto, que estava vazia. – Rony já levantou? – perguntou desconfiado.


 


- Ah sim, ele está com Neville no hall próximo à sala de jantar. Eu acho que nem dormiu... E Hermione já estava descendo quando eu subi para chamá-lo.


 


Mais duas batidas rápidas na porta chamaram a atenção dos dois bruxos.


 


-Baldur? – Perguntou Hagrid com um meio sorriso.


 


-Eu estava cansado do assunto carregado da sala. Tári me disse que estaria aqui. Como vai Harry? – Disse o anão, enquanto abria a porta, com um sorriso simpático.


 


-Sobre o que será a reunião de hoje? – Harry perguntou para os dois enquanto se encaminhava para a porta do quarto.


 


- Eu imagino que será sobre o ataque ao Desfiladeiro. É o mais importante que ainda está faltando... – Disse o anão enquanto seguia o garoto e Hagrid pelo corredor.


 


-Acho que o treinamento dos garotos também estará na pauta. – Disse Hagrid com o olhar distante.


 


Assim que Harry chegou ao hall, viu Rony e Hermione de mãos dadas. Neville conversava com Elladan enquanto apontava alguma coisa do lado de fora da janela. Olhou ao redor e viu muitos dos Senhores Élficos andando e conversando ali perto. Os anões eram, sem sombra de dúvidas, os mais alegres, apesar de tudo. Viu também um pequeno grupo estranho, bastante sorridente, que conversava animadamente com os anões. Ele nunca havia visto tais criaturas. Eram ainda menores que os anões e andavam descalços, apesar de estarem muito bem vestidos...


 


Seus olhos focalizaram um grande painel pintado a óleo atrás daquele estranho grupo, e com surpresa, reconheceu um grande cavaleiro, de armadura reluzente, ao lado de seu cavalo de pelagem castanho-avermelhada. Os olhos azuis eram inconfundíveis e o fato dele segurar em uma das mãos uma varinha e na outra uma espada, confirmava suas suspeitas. Os cabelos acaju provavam a juventude de Dumbledore e a visão daqueles cabelos fê-lo lembrar de outro tom avermelhado... Um tom que ele sabia que não veria ali.


 


-Olá, Harry. – Disse Hermione se aproximando com um Rony silencioso e emburrado ao seu lado. – Não vou perguntar se dormiu bem... Fique tranqüilo. – Ela emendou rápida enquanto ele ouvia Rony bufar ao seu lado.


 


Será que Rony o estava culpando? E se tivesse, não estaria certo em fazê-lo? Foi então que uma lembrança dançou em sua mente e a voz de Tári, no mesmo salão circular onde passaram a noite anterior, dizia uma verdade que só agora era realmente capaz de entender.


 


-Quando você não permitiu que ela lutasse ao seu lado, que ela participasse de sua vida, você quis afastá-la de seu próprio destino. Mas ele é imutável. O fim não depende de nós individualmente, apenas os caminhos. Não existe apenas um meio de se alcançar um objetivo. Se ela fizer parte de seu destino, ela estará lá te esperando. E se participar dessa guerra for uma das provações que o destino irá colocar na sua vida, ela irá participar. Você apenas está limitando o número de caminhos que ela pode escolher... E talvez esteja apenas jogando-a em um caminho muito mais tortuoso do que aqueles em que ela poderia trilhar ao seu lado. Você possui o livre arbítrio, é responsável pelos seus erros e falhas, assim como pelos seus acertos. Logo, não será o destino aquele que consertará o seu caminho.


-Harry, estão nos chamando para o café. – Disse Hermione preocupada com a desatenção do amigo. Eu só espero que ele entenda que não deve fazer nenhuma loucura...


 


 O café da manhã se passou em silêncio entre os elfos e os bruxos, com exceção de Hagrid. O grupo que Harry não conhecia foi apresentado, sendo seu líder a mais rechonchuda e mais altas das criaturas, chamado Sancho. Eram Hobbits e tinham chegado durante a madrugada com um pequeno exército de 500 soldados. Segundo Sancho, se viessem em muitos, chamariam a atenção dos elfos, apesar de serem extremamente silenciosos. Ainda havia dito que, durante a próxima madrugada, mais 500 chegariam.


 


 Assim que terminaram o desjejum, Lúthien chamou a todos para se unirem a ele novamente na sala de reuniões da torre.


 


Poucos minutos depois, já acomodados na grande sala circular, deu-se início a reunião.


 


-Camthalion? – Começou Lúthien. – Faça uma breve explicação da situação do cerco até esse momento.


 


Camthalion fez um rápido sinal positivo com a cabeça, deu um passo à frente e começou.


 


- Desde o início da semana, as tropas de Lólindir, assim como de seus aliados, estão se reunindo a oeste do bosque. Há dois dias, eles começaram a se espalhar por toda a planície na tentativa de fechar o cerco a nossa fortaleza. Nossas últimas informações são que Lólindir não se encontra entre eles e nem as mulheres seqüestradas. O traidor partiu ontem à tarde em direção à Fëfalas levando-as consigo. – Interrompeu seu relatório ao notar que uma das Senhoras desejava falar.


 


-Não é comum esse comportamento de Lólindir. – Disse Silmarwen, Senhora de Balan, com o cenho franzido. – Ele costuma se animar com o calor das batalhas...


 


-Concordo, Silmarwen. – Disse Lúthien encarando a elfa que parecia estar com o olhar perdido em algum ponto fora das grandes janelas do salão. – Continue, Camthalion.


 


- Supomos que não irão iniciar os ataques até que Lólindir chegue ao acampamento. – Ele respirou fundo procurando os olhos de Tári que fez um rápido meneio com a cabeça, encorajando-o. – Ele não se encontra em Talath Lend.


 


O silêncio dos ouvintes foi quebrado imediatamente. Burburinhos por toda a sala pipocavam. Harry fechou os olhos enquanto uma intensa tontura o afligia. Sentiu a sala rodar e ensurdeceu.


 


Um elfo, de cabelos loiros e olhos acinzentados, o encarava sentado do lado oposto de uma mesa retangular. Parecia uma sala de jantar em uma casa aconchegante. O elfo lhe demonstrava indiferença e até um pouco de tédio. Não parecia algo real...


 


-Eu sei que você pode me ouvir, criança humana. – Disse com sua voz musical, suave, porém com um tom monótono. - Entregue-se ao meu exército, que se encontra acampado a oeste do bosque, e libertarei as duas jovens que se encontram aqui comigo.


 


-Quem é você? – Harry perguntou mesmo vendo a resposta se desenhar em sua mente. Que diabos está acontecendo comigo?


 


Sua cicatriz queimou como fogo. Sua cabeça começou a latejar e sentiu a visão mudar, como se estivesse se levantando e caminhando para algum lugar. Mas ele tinha certeza que estava sentado! Sentia que sua cabeça flutuava sobre seu corpo imóvel... Não era possível! Não ali!


 


Foi quando viu uma grande moldura dourada, oval, pendurada em uma das paredes do recinto onde aparentemente sua mente se encontrava. Um espelho. Sua respiração falhou e seu coração perdeu o compasso... Como num sonho repetido, viu-se encarando mais uma vez as duas fendas avermelhadas que aterrorizavam seus sonhos. Viu um sorriso se desenhar naquele rosto pálido, distorcido. Então seus olhos focalizaram o elfo, com quem falara a pouco, através do espelho, atrás de Voldemort. Ele estava agora em pé com uma expressão estranha no olhar. Seria nojo? Não teve tempo de analisar, pois naquele momento, ao lado do elfo, de joelhos, ele via duas massas disformes de cabelos vermelhos e loiros.


 


-Bom dia, Harry... Sentimos saudades. – Disse Voldemort em língua de cobra. Então, a cabeça de Gina se moveu para cima, como se fosse forçada por uma mão invisível, e ele pode ver o seu rosto. Os olhos de Gina se abriram no mesmo momento em que via um filete de sangue escorrer de seus lábios. – Estamos esperando, Harry.


 


Sua cicatriz explodiu em dor no mesmo instante em que um grito rasgado explodia da sua garganta.


 


-Nããããããããoooooo!


 


 


Os presentes não haviam percebido de imediato o que estava ocorrendo com Harry. Somente quando Hermione começou a chamá-lo com o tom cada vez mais urgente que as atenções se voltaram aos bruxos. Quando ela tentou se aproximar de Harry, sentiu-se bater em uma parede invisível. Ele parecia estar dentro de uma redoma.


 


-Tári! – Disse Lúthien com a voz firme, chamando-lhe a atenção. Ele conhecia muito bem o poder da própria filha.


 


Porém ela não respondeu. Já estava agachada ao lado de Harry segurando seu corpo e sua cabeça com as mãos. Lúthien tentou se aproximar, mas também foi impedido pela tal redoma. Seus olhos se enfureceram e quando ele levantou a mão para quebrar o encanto que protegia sua filha e o jovem bruxo, Elladan tocou em um de seus ombros e lhe pediu silenciosamente para esperar.


 


Os olhos azuis de Elladan estavam fixos no rosto de Harry que suava profusamente. Ele começou a entoar alguma espécie de melodia, que talvez fossem apenas palavras ditas em grande velocidade, mas afetaram rapidamente a Harry e Tári.


 


Os dois pareciam relaxar e a respiração do garoto entrou no mesmo ritmo que a da elfa. O suor ainda escorria de seu rosto e a dor ainda o atormentava, mas os nós de seus dedos já não estavam mais brancos pela força com que apertava os braços de sua cadeira. A elfa sorriu discretamente ao sentir os efeitos do encantamento do filho e procurou se ajeitar melhor para ajudar o garoto. Ela se levantou, ainda o mantendo sentado na cadeira e apoiando sua cabeça. Elladan entrou na redoma sem dificuldades trazendo consigo outra cadeira para a mãe.


Ela se sentou e enquanto Elladan mantinha o tronco do bruxo encostado na cadeira, Tári segurava o rosto de Harry com as duas mãos, tocando com os polegares o local onde as sobrancelhas do garoto se uniriam.


 


De repente, ele começou a ficar agitado, a respiração acelerou novamente e num grito rasgado, doído, ele saiu do estado de transe, desmaiando logo em seguida nos braços da elfa. Mãe e filho se encararam com um misto de surpresa e terror. O salão circular estava mergulhado no mais profundo silêncio. Elladan tomou Harry nos seus braços e o colocou em uma espécie de divã que havia em um ponto mais afastado da sala.


 


Tári permanecia sentada no mesmo lugar colocando os pensamentos em ordem. Lólindir tinha ido longe demais... Longe demais!


 


Camthalion mantinha os olhos fixos em Tári. Queria ajudá-la, mas não sabia ao certo o que fazer. Fez a menção de se aproximar, mas ela se levantou o encarando profundamente.


 


- Camthalion, quero minha Guarda pronta em uma hora. No portão principal. – Disse com os olhos faiscando.


 


-O que pensa que está fazendo, Tári? – Disse Lúthien levantando a mão para Camthalion, impedindo-o de sair.


 


-Desculpe-me, meu pai, mas não irei me deter pelas suas palavras. – Ela disse se encaminhando para a saída. Sua respiração estava rasa e sua voz seca.


 


-Então se deterá pelas minhas ordens! – Disse Lúthien em um rugido. – Eu a proíbo de sair dessa sala!


 


Ela não parou. Um vento frio já conhecido pelos bruxos começou a circular na sala. Findecánon dava um sorriso enviesado para alguns dos elfos, com ares de “eu disse”. Rony tinha o cenho tão franzido, que seus olhos eram praticamente um risco. Hermione estava ao lado de Harry, checando se estava tudo bem com o amigo. Hagrid já estava de pé caminhando na direção de Tári ao lado de todos os anões que estavam na torre. Neville estava constrangido como se as palavras tivessem sido proferidas a ele e não à elfa.


 


Os olhos de Lúthien começaram a faiscar e o vento frio se tornou um vendaval dentro da sala. A porta, que tinha sido aberta para Tári sair, fechou-se com um baque forte. A voz metalizada de Lúthien tomou o ambiente, carregadas de um poder irresistível fazendo com que todos evitassem encará-lo.


 


- Sua indulgência e insubordinação não mais serão toleradas.


 


Tári se virou para encará-lo com os olhos tão brilhantes quanto os dele. Seus cabelos chicoteavam nas costas com a força dos ventos. O ódio embaçava sua visão, ensurdecia seus ouvidos. Ela precisava se livrar das correntes que a prendiam naquela sala.


 


Uma luta de vontades se travava ali. Os Senhores Élficos encaravam pai e filha com terror e vergonha. Os Senhores de Anões observavam tensos, prontos para uma luta.


 


Elladan olhava de um para o outro, como se não acreditasse no que via e pela primeira vez desde que os jovens bruxos o viram, ele perdeu o controle. Seus olhos também adquiriram aquele brilho estranho, seu rosto se distorceu enquanto falava com a voz tão metalizada quanto a dos dois Senhores Élficos que se encaravam.


 


-Já basta! – E olhando para o avô, disse. – Lólindir se aliou a um Homem. – A ventania cessou imediatamente. Todas as atenções se voltaram a Elladan e antes que Tári pudesse impedir, ele terminou, ainda com a voz alterada. – Ele se aliou ao Homem que se autodenomina Lord Voldemort.


 


Lúthien desviou os olhos de Elladan e voltou a encarar Tári que repreendia o filho com seu olhar. Ela voltou seus olhos para o pai e por mais alguns instantes se encararam em silêncio.


 


- Não vou permitir que ele traga aquele monstro para Talath Lend. – Ela disse dando as costas e indo em direção à saída.


 


- Lúthien, - disse Glóin – se Tári pretende agir para resolver imediatamente essa situação, eu sinto lhe dizer meu amigo, mas eu a seguirei. – Completou voltando os olhos para Tári, que parava novamente se voltando para o anão.


 


- Mestre Glóin, eu... – Começou Tári.


 


-Eu não aceitarei um “não” como resposta.


 


-Todos nós a seguiremos, Mestre Glóin. – Disse Mestre Balrin de pé ao lado de Baldur e Hagrid. Para confirmar o que o anão dizia, todos os demais anões deram um passo a frente. – Nossos machados serão seus machados, minha cara Tári, assim como suas espadas foram nossas, tantos anos atrás.


 


Lúthien sabia que por ser Senhor dos Elfos, nenhum dos seus se adiantaria e se comprometeria como acabaram de fazer os anões, mas ele sentia que muitos deles desejavam isso. Por mais que odiasse essa postura imperiosa, teimosa e intempestiva, sua filha tinha dentro de si aquilo que era necessário para ser uma grande líder: a admiração e gratidão de seus amigos. Quando que ele imaginaria anões lutando voluntariamente ao lado de um elfo? Talvez só Légolas, há muito tempo, tivesse conseguido tal proeza.


 


-Eu entendo o sentimento que os movem, Mestre Glóin, mas minha filha está agindo puramente com o coração.


 


-Meu pai...


 


- Imagino que pelo menos me respeitar enquanto eu falo você possa, Tári, ou nem mesmo isso eu mereço de você? – Lúthien disse olhando-a do alto de sua posição de pai e Senhor dos Elfos. Ela desviou os olhos imediatamente.


 


-Perdoe-me, meu pai... Meu Senhor. – Ela disse com voz meio estrangulada, relutante, mas ainda assim visivelmente envergonhada. Não era comum se sentir daquela maneira, mas seu pai era o único que conseguia trazer-lhe a razão. Talvez esse fosse o motivo pelo qual os dois discutiam tanto.


 


-Como eu dizia, Tári está agindo impulsivamente, ainda mais do que o normal, Mestre Glóin. Da última vez que isso ocorreu, ela desapareceu pela passagem de Mithlien e retornou casada com um Homem. – Ele disse desviando os olhos dela e virando-se para todos. – Mas não quero que pensem que discordo do que ela pensa em fazer. Não concordo com a maneira que isso seria feito.


 


-Isso o quê? – Disse Rony, alto e firme. Ele parecia ter crescido alguns centímetros e amadurecido muitos anos desde o momento em que soubera de sua irmã... Mas o fato de Voldemort estar envolvido acendera nele um sentimento estranho e intenso.


 


Vingança... Justiça...


 


Lúthien o encarou e o ruivo não desviou os olhos. O elfo sabia que teria que tomar cuidado com as palavras... Sabia bem demais como o garoto se sentia.


 


- Tári pretende atacar o acampamento de Yavëtil, a oeste do bosque, e capturar o irmão de Lólindir, Elwë, e usá-lo como moeda de troca para que sua irmã e sua amiga sejam recuperadas.


 


- Mas ele é só um, e elas, duas. Precisamos de mais um deles que valha algo para ele. – Rony disse agora encarando Tári. O coração do bruxo batia acelerado, a respiração estava rasa e os punhos fechados com muita força. Precisava fazer alguma coisa!


 


-Acalme-se, senhor Ronald Weasley. Nós precisamos recuperá-las, mas não devemos nos rebaixar às atitudes dele. – Virou-se para Camthalion. – Organize uma reunião de Comando. Quero opções e estratégias o mais rápido possível. Convoque elfos, anões e hobbits. Quero a maior heterogeneidade... – E olhando para Tári, com o semblante muito mais amainado. – Minha filha, imagino que isso tudo muda a pauta de nossa reunião. Quero que se adiante com seus planos com relação a esses jovens.


 


Ela não concordava com a posição de seu pai, mas não havia mais abertura para discussões. Pelo menos não por enquanto. Contrariada, ela chamou Hagrid, Balrin, Elladan e os jovens bruxos para segui-la. Hagrid carregou Harry para fora, porém ainda foi capaz de ouvir antes da porta ser fechada, falando em sua língua materna, dois Senhores Élficos discutindo.


 


- Sua autoridade se esvai cada vez que concorda com as loucuras e a insensatez de sua filha, Lúthien. – Disse Findecánon, com deboche em sua voz.


-Até onde eu sei, Lúthien é o Senhor de nossa Aliança por votação quase unânime. Minha opinião ainda não mudou e provavelmente jamais o fará. – Disse Elrohir, Senhor de Tasardur, que até então não havia se pronunciado. – Apesar das loucuras e de sua insensatez, Tári possui um senso de justiça muito acima do comum, inteligência e sagacidade. Ela é jovem, Findecánon, ainda tem muito que aprender e ainda assim goza mais da minha confiança que elfos muito mais experientes. – Completou com um tom leve de riso em sua voz.


 


+++


 


Os jovens seguiram Tári até um terraço coberto que dava de frente para o jardim onde costumavam passar os dias naquele desfiladeiro. Harry acordara assim que Hagrid o colocara em uma cadeira que lembrava as usadas pelos trouxas nas praias. Ele ainda sentia a cabeça latejar, mas a dor passava rapidamente. Demorou alguns instantes para se situar e lembrar tudo o que aconteceu e assim que o fez, levantou-se num pulo.


 


- O que aconteceu? Quanto tempo eu fiquei desacordado? Como estão a Gina e a Luna?


 


-Acalme-se, Harry. – Disse Rony numa voz estranha. Ele ainda encarava Tári, mas acabou virando-se para o amigo antes de continuar. – Você ficou desacordado apenas alguns minutos. A reunião seguirá sem a gente. – E respirando fundo com os olhos faiscando completou. – Aparentemente não adiantou nada deixar minha irmã infeliz e ficar se arrastando pelos cantos com dor de cotovelo. VOLDEMORT A TEM AGORA! – Finalizou com um grito carregado de ódio e medo.


 


Harry começou a tremer de nervoso. Era como se Rony tivesse lido sua mente, mas ouvir aquilo da boca dele, gritado com tanto ódio, era infinitamente pior.


 


- Rony... – Começou Hermione com a voz chorosa.


 


-Sem “Rony”, Hermione. Sinceramente, é melhor me dar um tempo.


 


- Rony, eu prometo cara...


 


-Sem promessas, Harry. Estou de saco cheio delas... – Deu as costas caminhando até o muro de pedras do terraço.


 


- Eu não tenho muito tempo para gastar com vocês agora, portanto não me interrompam. – Ela começou encarando as costas do ruivo com um discreto pesar nos olhos. - Eu irei dar início ao treinamento de vocês imediatamente. Ao contrário de Harry e Neville, o casal deve estar fora de forma, portanto o treinamento de vocês será focado no condicionamento físico. Neville, você treinará com Harry todos os dias até ele ser capaz de derrotá-lo com as espadas de madeira. Elladan, quero que você assuma até depois de amanhã, analise-os e me entregue um relatório com tudo o que puder observar e exigir deles. Maglor assumirá assim que eu liberá-lo de sua próxima missão.


 


- Minha Senhora... – Ele começou pensando em se opor, mas seu olhar se cruzou com o dela e ele resolveu aquiescer. – Assim será feito.


 


- Hagrid, procure Baldur e Glóin e os leve até meus aposentos. Eu os quero lá, assim como seus Comandantes e você mesmo. Você encontrará Camthalion no caminho, peça para ele trazer Maglor e mais quatro capitães de sua confiança. Seja rápido, por favor. – Ela concluiu se encaminhando para dentro da construção com passos rápidos e determinados.


 


 


+++


 


Ao contrário do que pensaram os garotos, o treinamento não começara muito interessante. Elladan iniciara pedindo para que se sentassem, no chão mesmo, depois de terem caminhado até uma parte do jardim Oeste, cercada de grandes árvores que davam alguma privacidade ao grupo. A chuva passara, mas a grama continuava molhada. Hermione parecia indecisa se deveria sentar ou não. Mas Rony a olhou tão seriamente que acabou se sentando sem pensar mais nenhuma vez. Ele estava tão estranho...


 


O jovem elfo pensava se aquilo tudo seria uma boa idéia. Sabia que se aproximar dos Homens não seria inteligente... Pelo menos não por enquanto. Temia, por mais que se negasse a acreditar, em ter feito a escolha errada.


 


Seria essa a provação pela qual sua avó o havia alertado?


 


 


Neville sorrira para Elladan, encorajando-o. O elfo achava interessante a maneira apaixonada com que o jovem bruxo se relacionava com os seres do reino vegetal. Havia reverência em seu olhar, um respeito que mesmo entre os elfos, apenas os experientes ou mais sensitivos possuíam. Jamais seria um guerreiro... Jamais poderia matar sem sofrer milhares de vezes o dor que infligiria a outro ser.


 


Hermione... Observara seus movimentos com crescente curiosidade desde que colocara seus olhos sobre ela. Temera estar sentindo aquilo que rendera sua mãe tantos anos antes, mas ao ver a jovem se entregar progressivamente aos cuidados de Rony, descobrira que seu sentimento não passara de profunda admiração. Via sua dedicação e paixão pelos livros, a maneira como bebia com os olhos e ouvidos cada uma das palavras – histórias e canções – que os elfos ofereciam gratuita e prazerosamente à sua mente sedenta. Se fosse uma eldar, seria uma das mais respeitadas e desejadas.


 


Ronald... Conhecera poucos corações como o dele, estava certo. A fidelidade e o calor de seu sangue determinavam sua personalidade. Nascera para liderar, para ser um guerreiro. Harry não poderia estar mais bem servido. Rony seria para Harry aquilo que Camthalion é para Tári, se não fosse o pequeno problema que o Comandante de Mithlien tinha com seus sentimentos.


 


Harry... Havia força, paixão, inteligência, frustração e cobrança em demasia dentro do bruxo. Uma combinação explosiva, principalmente com tal destino. Era como olhar para a alma de sua mãe. Se Rony nascera para lutar, Harry fora feito para vencer. Mas havia muito que fazer para desenvolver seus talentos e controlar seu ímpeto.


 


Tári teria trabalho... Mas ele a ajudaria.


 


O silêncio do elfo incomodava Harry. Percebia que ele observava cada um deles com cuidado, praticamente sem se mover, sem um único sorriso ou expressão. Estava concentrado. Porém, quando os olhos azuis, tão familiares, pousaram em seu rosto, sentiu-se estranho. Por um instante vira o rosto de Dumbledore no lugar da face do elfo e formou-se um nó dolorido em sua garganta.


 


Nenhum deles, fosse quem fosse, não era ele. Não o substituiria.


 


Assim como ninguém a substituiria... Não podia perdê-la! O desespero voltou a se alastrar. A determinação e o semblante carregado de Rony deixavam sua boca amarga e lembravam-no que, mais do que nunca, aquilo tinha ido longe demais. Não deveria ter vindo! Não deveria tê-la trazido... Aquela guerra não era dele!


 


E agora Voldemort o havia encontrado e seus problemas apenas aumentaram... Como se não bastasse encontrar uma maneira de sair dali, descobrir uma maneira de voltar ao seu mundo e encontrar as benditas Horcruxes, ainda havia o seqüestro de Gina e Luna e uma batalha iminente em um mundo que pouco conhecia. Não havia recebido nenhuma grande ajuda até agora, pelo contrário, os problemas só aumentavam... De maneira assustadora.


 


-Se existe alguma coisa que você realmente precisa compreender nesse treinamento, ou melhor, na vida, Harry Potter, é que você não está e nunca esteve sozinho. Que nunca a responsabilidade é somente sua e que você não é a coluna que sustenta o mundo. Enquanto você não entender e aceitar isso, todo o resto será em vão. – Disse Elladan com os olhos fechados.


 


Harry sentiu uma grande vontade de rebater o comentário de Elladan, mas algumas lembranças afloraram fazendo-o notar que era exatamente aquilo que todos os que o amavam vinham lhe dizendo durante esses últimos anos. Mas ele não queria perder mais ninguém... Não queria que mais ninguém arriscasse sua vida para protegê-lo. Não suportaria mais perdas... Aquilo precisava acabar!


 


 


-Existe um momento em nossas vidas, sempre muito marcante, em que percebemos que nos tornamos adultos. – Elladan disse mantendo seus olhos fechados. – Cada um de vocês terá o seu próprio. E sei que ao final desse treinamento, na sua última noite em Talath Lend, vocês deitarão suas cabeças sobre seus travesseiros e apesar de seus olhos pesarem como chumbo, notarão que será impossível dormir tão cedo. E quando acordarem terão se tornado Homens, e Mulher – emendou com um sorriso – diante de si mesmos. A compreensão do mundo será diferente, assim como seus valores e a confiança em si mesmos. Hoje vocês começam a conhecer a si e a seus companheiros realmente. Seus limites, seus poderes, sua capacidade de superação. E não digo só com relação ao físico e palpável, mas é exatamente por onde começarão.


 


Elladan então se levantou, abriu seus olhos e começou a caminhar lentamente entre os jovens sentados.


 


-Não foi simplesmente por falta de tempo que minha mãe pediu para que eu iniciasse esse treinamento. Ela viu em vocês muitos desafios que eu mesmo precisei superar.


 


-Poderia nos dar um exemplo? – Perguntou Rony. – Por acaso você teve alguma irmã seqüestrada? Ou algum maníaco desejando transformar o mundo onde você vive em cinzas? Que odiasse você e qualquer um que simpatizasse com você? – Concluiu Rony, com a voz dura, carregada de sarcasmo e mágoa.


 


-Assim como vocês, eu vivo em guerra. Não tenho lembranças de poder andar tranqüilamente pelas terras onde vivo. Paz eu só vivi no seu mundo, onde nasci. Como meu pai não podia viver conosco em Mithlien, eu o via muito pouco e ele era o humano com o qual eu mais tinha contato. Eu era meio-humano, único aqui, e considerado pelas outras crianças uma aberração. Eu cresci muitas vezes mais rápido e amadureci também. Quando atingi a idade adulta, tive que fazer uma opção que jamais vou saber se foi a mais acertada. Tive que escolher entre ser um Elfo ou um Homem. Inicialmente, eu quis ser Homem, mas meu pai não me estimulou ou apoiou. Minha mãe resolveu não se meter, e me disse que eu deveria escolher sozinho. A minha escolha determinaria o meu afastamento de Talath Lend, de minha mãe e de tudo que eu realmente conhecia como meu mundo.


 


 


Elladan respirou fundo com os olhos fechados. Quando os abriu, continuou. – Mas não estamos aqui para discutir minhas culpas, ou refletir sobre a vida e suas facetas. Pelo menos não por enquanto. Não podemos perder tempo. Para começar – disse com um sorriso enviesado – vocês têm quinze minutos para subirem até seus quartos e vestirem as roupas que estão sobre suas camas. A partir de hoje, aqueles serão os seus uniformes.


 


Então, ele fechou novamente os olhos e quando notou que nenhum deles havia dado um único passo, disse com um sorriso enviesado.


 


-Precisarei pedir novamente?


 


++++


 


Lúthien sabia que uma reunião ia acontecer nos aposentos de Tári e era para lá que ele estava se encaminhando. Esperava que Tári fosse capaz de usar a razão. Ele não poderia aceitar qualquer atitude irracional por parte dela naquele momento. Não poderia permitir que mais vidas fossem colocadas em risco desnecessário.


 


Mas Lólindir havia ido longe demais...


 


Abriu a porta dos aposentos da filha sem bater, e como esperava, encontrou um grande grupo sentado em inúmeras cadeiras, na cama e nas poltronas – além de alguns que permaneciam de pé. Porém, todos estavam em profundo silêncio.


 


-Nós o estávamos esperando, meu pai. – Tári disse sentada no braço de uma das poltronas ao centro da grande aglomeração de anões, elfos e hobbits. Na poltrona onde sua filha estava, encarando-a com grande preocupação, encontrava-se o Comandante de Mithlien. As mãos do elfo envolviam suavemente uma das mãos de Tári, como se quisesse confortá-la.


 


Precisava conversar com Camthalion antes que ele se ferisse.


 


-Já me esperavam? Por que aqui e não na sala circular? – Lúthien perguntou desconfiado.


 


-Nem todos conseguem engolir com tanta classe os comentários envenenados de Findecánon, meu amigo. – Respondeu Glóin arrancando risadas dos demais. – Sente-se. Será muito importante ter sua opinião antes de conversarmos com os demais.


 


Lúthien sabia em que direção os planos deveriam estar seguindo e o desejo de que ele se juntasse àquela pequena reunião, que apoiasse aquele ataque através do bosque milenar... Respirou fundo e resolveu se adiantar. Se o ataque tivesse que acontecer, que fosse o quanto antes, que fosse de surpresa!


 


- Sobre exatamente o que vocês querem saber a respeito do bosque Imrath Dúath? – Perguntou Lúthien com os olhos fechados.


 


Tári sorriu. A conversa seria rápida... Precisava apenas que seu pai conseguisse convencer a todos da Aliança... Isso incluiria Findecánon.


 


 


 


+++


 


A noite mal havia caído. Balrin e Baldur, junto aos seus guerreiros, esperavam escondidos no bosque próximo ao acampamento de Lólindir. Balrin segurava seu machado com firmeza, tenso pela expectativa. De onde estavam não podiam ver nenhum inimigo, mas pela música que ouviam, eles não deveriam estar preocupados com nenhuma espécie de ataque.


 


Maglor apareceu rapidamente, ao lado de Baldur, dando o sinal combinado, e desaparecendo logo em seguida. Avançaram e como esperavam, mesmo sendo sorrateiros e o mais silenciosos possível, chamaram a atenção dos inimigos.


Anões não foram feitos para espreitar seus inimigos! Anões se deliciavam com o calor das batalhas! Por isso, jamais haveria um elfo que usasse discreto como um adjetivo para um anão!


 


Começaram a correr e foram barrados por um cerco de elfos armados com arcos e flechas. A floresta favorecia os movimentos dos elfos, portanto precisavam usar a cabeça.


 


Com um movimento rápido demais, até mesmo para os olhos élficos, e muito bem ensaiado, os anões que ficavam na linha que determinava o círculo onde haviam sido encurralados levantaram seus escudos sendo seguidos pelos demais, como se uma onda se propagasse da parte mais externa para a mais interna do círculo. Mas havia uma particularidade. Os anões mais internos levantavam seus escudos sempre acima do seu companheiro da frente formando ao redor de todos eles um grande escudo parecendo um casco de tartaruga.


 


Os elfos se assustaram pela rapidez do movimento, apesar de já conhecerem a manobra. O segredo era não se aproximar, já que as espadas curtas dos anões eram fatais quando o inimigo se aproximava o suficiente do escudo. Mas um grito veio do centro do grande casco, e em outro movimento veloz, ele se partiu, formando dez cascos menores. Agora eles poderiam se mover ao redor das árvores. Poderiam avançar.


 


Dez cornetas soaram ao mesmo tempo determinando o movimento. Os cascos começaram a se mover em direções distintas, mas nunca recuando em direção ao desfiladeiro. As flechas já não eram eficientes. Muitos dos elfos ainda sofriam os efeitos das bebidas da festa em que estavam e outros estavam enfarados da boa comida. Seus movimentos estavam mais lentos que o normal. Resolveram atacar com suas espadas e lanças, e iniciou-se a batalha dos elfos contra os escudos. Em um determinado momento, os cascos se abriam e rapidamente anões pulavam em direção aos elfos que mantinham uma distancia segura de seus escudos unidos. Essas investidas eram rápidas e precisas, ferindo as pernas longas dos elfos e dificultando seus movimentos. A maior parte dos anões que saia dos cascos retornava com a mesma rapidez e os que não conseguiam logo eram englobados pelo casco que corria em seu socorro.


 


O barulho dos metais se chocando chamou a atenção dos elfos que ficaram no acampamento e os preocupou já que aumentava cada vez mais, mostrando que os inimigos conseguiam avançar.


 


Maglor e mais vinte elfos conseguiram se aproximar das tendas encobertos pelos sons das batalhas. Os anões eram realmente muito barulhentos. Tári sabia que eles não acreditariam que apenas anões estavam atacando e mandou um grupo de quase cinqüenta elfos avançar por outro ponto do bosque que daria acesso ao local onde armazenavam seus alimentos. Isso somado ao fato que era Camthalion e ela que lideravam o grupo, seria o suficiente para convencer que somente eles estavam atacando. Era sabido que Tári agia por impulso. Perfeito!


 


Ela conseguia acompanhar os movimentos de Maglor com sua mente. A tenda de Elwë estava protegida com dez guardas que prestavam atenção aos gritos de seus companheiros. Não fora difícil dominá-los, ainda mais liderados por um elfo tão talentoso e ágil quanto Maglor. Ele entrou na tenda seguido por cinco elfos e encontraram Elwë segurando uma corneta nas mãos. Com os olhos assustados ele sussurrou:


 


-Saiam e eu não a tocarei.


 


-Você não está em posição de negociar, Elwë. – Disse Maglor enquanto uma flecha passava por cima de seu ombro e atingia a corneta lançando-a longe do alcance do irmão de Lólindir.


 


-Você não p... – Elwë tentou dizer, mas antes que pudesse reagir já estava dominado e amordaçado.


 


Eles eram rápidos! Pensou com orgulho, Tári. Ela, então, levou uma corneta dourada aos lábios e a tocou o mais alto que pode. Uma luz forte emanou do instrumento e uma manada de Mearas saiu do bosque e avançou sobre eles. Um brilho gelado reluzia em seus olhos e um barulho ensurdecedor de relinchos e de suas patas que batiam como tambores de Trolls fizeram os elfos de Lólindir tremerem.


 


Hagrid vinha montado num animal castanho, gigante como precisaria ser uma montaria para ele. Parecia um gigantesco lobo. E quando os inimigos o viram, ele puxou seu guarda-chuvas rosa e gritou com ódio e determinação:


 


-Aquamenti!


 


E um jorro de água, mais forte que a cachoeira mais alta de Talath Lend, saiu da ponta daquele objeto. Os elfos de Tári já estavam preparados e quando o viram, montaram nos Mearas que retornaram tão rápidos ao desfiladeiro que mal puderam ver os elfos de Lólindir serem derrubados e levados pelas forças da água.


 


Os gritos e a luz que vieram de outra parte da floresta desconcentraram os elfos que lutavam com os anões. Esperando por isso, os anões se reorganizaram em um único escudo segundos antes de Hagrid aparecer seguido por uma tropa de pôneis fortes e reluzentes. O jorro de água atingiu os elfos de Lólindir, e quando o imenso lobo no qual Hagrid estava se virou para retornar ao desfiladeiro, inúmeras cornetas élficas tocaram.


 


Hagrid e os anões estavam sendo perseguidos.


 


O lobo de Hagrid não poderia correr na mesma velocidade que havia avançado sobre o acampamento de Lólindir, já que os pôneis eram bem mais lentos. E o meio-gigante não deixaria seus amigos para trás. Lançou mais água sobre os ombros, sabendo que o avanço sobre a lama seria mais difícil para os inimigos, apesar de muitos os seguirem pelas árvores.


 


O fim do bosque estava perto, as árvores estavam cada vez mais afastadas, logo veria o grande gramado... Mas as cornetas estavam cada vez mais próximas!


 


+++++


 


 


 Enquanto o ataque ao acampamento ocorria, Lúthien e os demais Senhores Élficos da Aliança Conservadora se encontravam à beira do lago da cachoeira Eámanë, de pé e de mãos dadas formando um grande círculo no gramado. Lúthien olhava para o céu com os olhos desfocados. Ele procurava manter a atenção na energia da filha, precisava saber o momento certo. Tinham somente uma chance, não podiam errar.


 


-Lúthien, é chegada a hora. – Disse Silmarwen, Senhora de Balan, encarando-o seriamente.


 


Uma brisa fria começou a circular entre os elfos. No mesmo instante, como se tivessem ensaiado milhares e milhares de vezes, começaram a recitar uma única frase em élfico. O tom passou a ser aumentado a cada repetição. Os olhos de todos tornaram-se luz e as vozes se metalizaram.


 


Elladan encontrava-se no gramado, preocupado e atento, ora observando os elfos entoarem o antigo encantamento ora olhando o bosque a frente do Desfiladeiro. Não haveria espaço para falhas...


 


Harry e seus amigos não puderam participar do ataque e, para evitar que fizessem alguma loucura, Lúthien confiscou suas varinhas e os levou até o gramado deixando Elladan responsável por eles. E assim, aos garotos só restara observar. De onde estavam, tinham uma vista privilegiada da entrada do bosque onde Tári agora estava, parada sobre um magnífico Meara completamente negro, virada de frente para as árvores.


 


 


++++


 


Foi quando Hagrid a viu. Tári estava parada logo à frente fazendo sinal para que passassem por ela rapidamente. Ela recitava uma frase em élfico, repetidas vezes aumentando o tom a cada repetição. Hagrid sentiu o conhecido vento frio passar pelo seu corpo quando passou ao seu lado seguido de perto pelos pôneis com os anões. Pensou em parar e ajudá-la no que quer que ela estivesse fazendo, mas a voz autoritária de sua amiga soou em sua mente impelindo-o a seguir em direção ao desfiladeiro.


 


Os galhos das árvores começaram a chacoalhar com intensidade e as folhas eram levantadas do chão em rodamoinhos. A voz de Tári havia alcançado aquele tom metalizado ao mesmo tempo em que seus olhos eram tomados por uma luz intensa, fria. O Meara no qual estava montada também ostentava luz no lugar dos olhos e seus relinchos se metalizaram. Ele batia a pata direita no chão repetidas vezes fazendo ecoar um som de tambores ensurdecedor. O ar ficava cada vez mais frio e Hagrid via, olhando por sobre o ombro enquanto se afastava, uma neblina estranha se espalhar pelo bosque.


 


+++


 


Alguns dos elfos de Lólindir se detiveram ao ver tal demonstração de poder. Sentiam-se incapazes de prosseguir. Porém, alguns grupos, instigados por seus Capitães, persistiam na perseguição. Eles se aproximavam cautelosos, com os arcos tensos, prontos para lançar uma chuva de flechas sobre a elfa. A neblina estava pesada... Não conseguiam vê-la. Precisavam avançar mais para poderem atacar. Faltando apenas alguns metros para alcançarem-na, Tári levantou as duas mãos ao lado do corpo, acima de sua cabeça, como se orasse aos céus, e gritou em sua língua:


 


-Levantem-se, levantem-se e honrem o pacto de meus antepassados.


 


E então, algo que nenhum dos bruxos jamais tinha visto aconteceu. Algumas árvores frondosas ganharam vida, fendas pequenas brotaram em seu tronco e, para seu espanto e pavor, elas gritaram. Seriam os lendários Pastores que desapareceram no decorrer dos milênios?


 


Ao som de seus gritos, todas as árvores do bosque acordaram. Os Mearas que carregavam os elfos de volta à fortaleza pararam no meio da extensa planície entre o bosque e o desfiladeiro, permitindo que os pôneis e o lobo de Hagrid seguissem adiante.


 


Eles resfolegavam inquietos virados para o bosque. Batiam suas patas no chão com força e davam impulsos para empinar. Seus olhos também começaram a emitir aquela luz fria, e a neblina que se espalhava pelo bosque, agora vinha na direção deles também. Mas não era apenas a neblina que se aproximava...


 


Todo o bosque parecia se mover. O chão tremia e uma nuvem de poeira começou a subir. Então, o som de um galope veloz chegou aos seus ouvidos e, da neblina que se aproximava, Tári cavalgava molemente sobre o Meara que a carregava. Ela iria cair.


 


Sem pensar nem um segundo, Camthalion deu a ordem para que os demais fossem para o desfiladeiro enquanto ele se aproximava de Tári e a tomava em seus braços no momento em que ela desmaiava.


 


Da muralha mais externa, os jovens bruxos olhavam sem piscar, sem acreditar, a cena que se desenhava a frente. Um grande arco de cavalos se aproximava dos grandes portões enquanto dois cavalos vinham bem atrás quase engolidos pela neblina que reluzia a luz da Lua fantasmagoricamente. Então, e de modo mais fantástico, todo o bosque fora envolvido e encoberto por uma nuvem de poeira e neblina. Quando os dois últimos cavalos entraram, eles finalmente conseguiram distinguir galhos e folhas dentro da nuvem... O bosque havia se movido e agora encobria toda a planície deixando todos os acampamentos inimigos à vista.


 


 


 


 

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