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15. CAPITULO CATORZE


Fic: Lobo Domado - Concluida


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPITULO CATORZE

Casar-se com o lobo? Gina ficou olhando para ele, sentindo quentura nas faces. Aquele homem só podia estar louco. Estaria mesmo disposto a arriscar a vida só para cumprir a palavra empenhada? Ela queria gritar, socá-lo por falar com tanta frieza em tomá-la como esposa... e por ser tão devotado no cumprimento da tarefa confiada pelo pai.
Isso era ridículo, claro. Ele não queria realmente desposá-la, e ela... Oh, Deus. Só de pensar em se casar com ele Gina já ficava sem fôlego. Como passar o resto da vida olhando para aquele rosto amado, mas sabendo que Harry não sentia nada por ela? Vivendo longe dele talvez suportasse a dor, mas casando-se com ele, vendo-o todos os dias...
- Não. - murmurou Gina.
Harry olhou para ela com a testa franzida, como se não houvesse ouvido direito.
- O quê?
- Não. - ela repetiu.
Fez-se um silêncio tão demorado que Gina até pensou que Harry havia adormecido, mas finalmente as pálpebras dele se ergueram e ela pôde ver o espanto que havia naqueles olhos. Os Potter eram muitos cheios de si, como ela já sabia, mas o Lobo era ainda mais do que os outros. Dificilmente entenderia uma mulher recusando um pedido de casamento dele.
Sem dúvida iria querer saber o motivo. Gina encolheu-se quando aqueles olhos verdes pousaram nela, mas obrigou-se a encará-lo.
- Seria muito perigoso. - ela explicou, sem parar de olhar para ele. - Não posso permitir que você continue arriscando a sua vida. Com as jóias, poderei me sustentar durante um bom tempo e construir uma nova vida em alguma cidade por que tenhamos de passar no seu caminho de volta a Wessex. Será muito mais simples, Harry. Você se desincumbirá da tarefa que recebeu do seu pai e poderá cuidar dos seus próprios problemas.
Orgulhosa por conseguir falar com tanta convicção, Gina até ensaiou um sorriso. Mas evidentemente toda aquela eloqüência seria inútil.
O semblante de Harry mostrava com cristalina clareza que, na opinião dele, as palavras que ela acabava de dizer não passavam de tolices próprias da natureza feminina.
- Pare de tagarelar, mulher. - ele disse, outra vez fechando os olhos.
- Escute bem, Harry Potter! - gritou Gina, quase em desespero. - Não vou me casar com você!
Harry nem abriu os olhos. Apenas mostrou um daqueles sorrisos preguiçosos que tanto a irritavam.
- Guarde seus guinchos para a nossa cama nupcial. - ele recomendou.
Gina pensou em protestar, mas acabou desistindo. Não adiantava mesmo discutir com o Lobo. Autoritário como era ele sempre queria que tudo fosse feito a seu jeito, estivesse certo ou errado! Como podia querer obrigá-la a se casar com ele apenas por sentir pena dela, ou mesmo por achar que era uma questão de honra?
Gina cerrou os punhos, lutando contra o próprio desespero. Não podia se casar com ele! Tinha que haver uma saída que não aquela... Então olhou para ele. Harry estava com a respiração pausada, como se cochilasse. Tinha o costume de fazer isso aqui e ali, descansando apenas quando era possível.
Se ele realmente dormisse... A mente ágil de Gina pensou num plano, examinando as possibilidades. Não seria a primeira vez que estaria conseguindo fugir de Harry. E agora, já que eles não estavam mais indo para Baddersly, ele não devia estar pensando que ela tentaria a fuga. Ali eles estavam absolutamente sozinhos. Ela só precisaria se levantar e sair andando. Rumaria para o leste, em busca de alguma vila litorânea, e se apresentaria como viúva de um soldado. Não seria fácil viajar sozinha, sem a proteção de ninguém, mas talvez conseguisse contratar um criado...
Dinheiro! Ela precisaria das jóias, que estavam na pequena sacola pendurada no cinto de Harry. Ainda não as havia pedido de volta, já que não tivera motivos para isso. Gina quase pronunciou um dos palavrões que o Lobo costumava dizer quando percebeu o quanto tinha sido tola. Bem, antes de partir precisaria pegar as jóias. E teria que fazer isso sem acordá-lo. Preso ao cinto de Harry por uma tira de couro, o saquinho repousava sobre uma das coxas dele.
Gina respirou fundo e aproximou-se. Ele continuava imóvel, com a respiração pausada e constante. A beleza daquele homem deixou-a arrepiada e ela vacilou, mas logo em seguida estendeu a mão.
No instante seguinte Harry agarrou-a pelo pulso, num gesto tão rápido que deixou Gina sem ação. Ela apenas ficou olhando para ele, que a fitava com um ar ameaçador.
- Está querendo alguma coisa, Gina?
Ele estava evidentemente enraivecido, o que a fez pensar que corria um sério perigo, mas de alguma forma Gina reuniu coragem para responder.
- Eu só queria pegar minhas jóias.
Harry sorriu, com um misto de ironia e ferocidade
- Você me decepciona, moça. Achei que estava querendo pegar as minhas jóias.
Como não ouviu resposta ele largou o pulso dela e soltou uma torrente de palavrões. Gina esfregou o pulso, fitando-o com os olhos arregalados.
- Eu não lhe avisei que não devia tentar fugir de mim novamente, Gina?
Gina assentiu com a cabeça.
- Sim, mas agora é diferente, Harry. - ela argumentou, quando reencontrou a voz. - Você me resgatou do meu tio, pelo que lhe fico muito grata, mas não precisa fazer mais nada. - Então ela recuou e ergueu as duas mãos espalmadas, como se as faíscas que partiam dos olhos dele pudessem atingi-la. - E não fique olhando para mim desse jeito. Eu só estava tentando protegê-lo do perigo que você representa para si próprio! Desde o começo vem dizendo que não vê a hora de se livrar de mim, que eu sou apenas um fardo importuno.
Horrorizada, Gina sentiu os olhos cheios de lágrimas e os lábios trêmulos. Ah, não... Não podia começar a chorar agora. A muito custo ela se controlou e, como Harry não dissesse nada, retomou a palavra, mas sem olhar para ele.
- E claro que você não pode estar querendo se prender a mim pelo resto da vida.
Então ela sentiu no queixo os dedos dele, pressionando de leve para que o olhasse nos olhos. Quando ergueu a cabeça, viu que Harry agora estava com o semblante relaxado. Talvez ela inadvertidamente houvesse feito alguma coisa para aplacar a ira do Lobo, embora não soubesse o quê.
- Não se aflija com isso, moça. Estou perfeitamente satisfeito com a decisão que tomei.
Depois ele passou o polegar pela face dela, o que a deixou arrepiada, e logo em seguida sorriu... um sorriso presunçoso, irritantemente masculino.
- Vamos embora antes que você me faça provar a minha satisfação. - ele resmungou levantando-se.
A única opção de Gina foi segui-lo.
Harry marchava pela margem do rio, atento a qualquer perigo, mas com freqüência a mulher que o acompanhava se intrometia nos pensamentos dele. Por que ela o recusara. Ele era um nobre, um proprietário de terras, não era nenhum pobretão. Salvara a vida dela em mais de uma ocasião e a fizera gritar no êxtase do prazer. Por Deus... Se Gina dera a ele a própria virgindade, por que não queria recebê-lo como marido?
Então ele soltou um resmungo de inquietação. Por que tudo que se relacionava com aquela mulher tinha que ser complicado? Harry não gostava de complicações. E Gina era a mais ranzinza das mulheres! Por que não dizia a verdade? Em vez disso, dava uma explicação que só podia ser mentirosa.
Naturalmente a opinião dela não fazia a menor diferença, porque estava decidido que eles se casariam. Era a solução mais natural para neutralizar a ameaça representada pelo tio dela. Legalmente Macnair ainda era o guardião de Gina, e a forma mais rápida e simples de tirá-lo dessa posição seria fazer com que ela tivesse um marido. Já que não havia à mão nenhum pretendente adequado, a escolha lógica era ele. A única escolha, melhor dizendo, já que a ele Gina havia entregue a virgindade.
No que dizia respeito a Harry, tanto fazia casar-se com ela ou com qualquer uma outra. Ele já vinha mesmo pensando em construir uma família. Já era mais do que hora de ter um herdeiro e Gina ainda não havia passado da idade de ter filhos. Em certos aspectos, particularmente na cama, ela até teria um desempenho melhor do que a maioria das outras mulheres. Depois de experimentar o fogo da paixão que queimava entre eles, Harry não acreditava que pudesse se satisfazer com nenhuma outra.
Gina seria admiravelmente adequada para ele, ainda mais quando se instalasse em Wessex. Além disso, ele não precisaria mais ficar dia e noite amarrado a ela. Cuidaria dos próprios assuntos sem nenhuma interferência irritante e, quando chegasse em casa, receberia o abraço caloroso da esposa.
Não seria dificil adequar-se a uma rotina assim, desde que conseguisse suportar as idiotices que vez por outra ela fazia, como agora...
Harry trincou os dentes. A relutância que Gina demonstrava em se casar com ele o deixava estranhamente vulnerável, algo desagradável para um experimentado guerreiro. Só isso já seria suficientemente ruim, mas para piorar ela havia tentado escapar outra vez! A raiva de Harry retornou com força redobrada. Aquilo era como uma traição, principalmente depois da noite anterior, quando ela o procurara cheia de doçura, calor e desejo.
Talvez jamais ele chegasse a entender aquela mulher. Num momento ela voltava para ele aqueles olhos enormes cheios de adoração; no instante seguinte parecia uma corça ferida e ficava com os lábios trêmulos como se ele a houvesse esbofeteado. Mas ele não fizera nada para que ocorresse essa mudança! Harry coçou a cabeça. Ele, sim, tinha motivos para ficar magoado.
Gina estava ficando para trás e ele se voltou, ensaiando uma cara feia. Se pensava que conseguiria fugir outra vez ele estava muito enganada. Se fosse preciso ele a arrastaria por uma corda, como uma mula. E, quando chegasse a Wessex, a acorrentaria na cama.
Havia algo de tentador naquela idéia, mas Harry preferiu não procurar saber o que era. Continuava dominado pela frustração. O que Gina podia estar pretendendo? Embora às vezes agisse de forma absolutamente idiota, havia uma mente brilhante dentro daquela cabecinha linda. Disso ele não tinha a menor dúvida. O que aquele cérebro podia estar maquinando?
Harry achou melhor não dar importância àquilo. Logo eles chegariam a Stile e lá o serviço seria terminado. Apesar dos protestos dela, Gina Weasley seria esposa dele. E, apesar do próprio mau humor, Harry via aquela perspectiva com satisfação.
Ele se encontrava numa de suas fases de mau humor, resmungando com ela como um urso ferido, e Gina também estava aborrecida demais para ver alguma graça naquela situação. Embora se esforçasse para acompanhar os passos dele, continuava firmemente decidida a fugir de Harry Potter, o que só não fazia imediatamente porque ele a arrastava pelo braço.
Stile era uma cidade, não uma aldeia, e quando viu o mercado apinhado de gente Gina teve esperanças de poder desaparecer entre as barracas. Mas Harry deve ter adivinhado o pensamento dela, porque, no instante em que eles passaram a circular pelas movimentadas ruas, voltou a agarrá-la pelo pulso. Embora parecesse tomar um certo cuidado para não machuca-la, o aperto daqueles dedos era forte o suficiente para retê-la. Pelo menos por enquanto, dificilmente ela conseguiria escapar do Lobo de Wessex.
Finalmente eles chegaram ao local onde se comerciavam cavalos e Harry começou a andar de um lado para outro, arrastando-a consigo enquanto olhava éguas e potros, puros-sangues e pangarés. Parando diante do maior daqueles animais, examinou-o com cuidado. O cavalo não era tão grande quanto o que ele montava ao sair de Campion, mas Harry pareceu gostar do que via.
Finalmente começou a negociar com o vendedor. Gina ouvia distraidamente a conversa dos dois homens enquanto planejava a fuga. Talvez naquela noite, quando ele adormecesse... Nem mesmo o Lobo de Wessex poderia ficar acordado o tempo todo, e na escuridão não seria dificil desaparecer no meio daqueles prédios.
A certa altura Harry começou a falar em voz baixa e Gina procurou prestar mais atenção na conversa. Ele perguntava ao homem se tinha notícia de vendas na última semana envolvendo animais daquele porte. Com surpresa, Gina percebeu que Harry fazia a descrição dos cavalos que haviam servido aos soldados dele. Era perda de tempo procurar ali por aqueles animais, que agora certamente estavam nas estrebarias do tio dela.
Uma sela, que Harry afirmou ser de péssima qualidade, também foi comprada para equipar o animal. Finalmente ele montou e, aparentemente sem a menor dificuldade, abaixou-se para segurar nos braços de Gina e ergue-la, sentando-a na frente da sela. Logo em seguida pôs o animal em movimento, afastando-se do mercado.
- Espere! - ela protestou, quando conseguiu falar. - Onde está o meu cavalo?
- É este aqui, moça. - ele respondeu, com um sorriso tão tenso quanto forçado. - Dadas as circunstâncias, achei que poderíamos dividir a montaria.
Obviamente Harry já havia aprendido a interpretar as reações dela. Percebera que Gina pretendia abandoná-lo e não estava contente com isso.
Bem, o Lobo que esperneasse à vontade. Ela nem se importava com isso! E o comportamento dele só a incentivava a procurar escapar. Gina segurou a saia enquanto o animal seguia a galope.
Nenhuma outra palavra foi trocada entre eles até que Harry fez o cavalo parar diante de uma construção de pedra. Depois de desmontar ele ergueu as mãos para tirá-la de cima do animal. Talvez fosse apenas imaginação dela, mas Gina ficou com a impressão de que ele se demorava muito mais do que o necessário com as mãos na cintura dela, parecendo até ter contido a respiração.
Talvez não fosse só imaginação, ela pensou, erguendo os olhos para ele. Apesar do comportamento grosseiro Harry a desejava, isso era evidente. Então ela segurou naqueles braços musculosos, o que a deixou meio tonta.
Harry sorriu, mostrando os dentes brancos, o que só complicou o que Gina já estava sentindo
- Comporte-se direitinho aí dentro e depois eu lhe darei comida. - ele prometeu.
Gina teve certa dificuldade para encontrar a voz, mas conseguiu falar.
- O que vamos fazer aqui?
- Temos um assunto a tratar. Depois procuraremos um lugar onde encher a barriga.
Harry moveu os lábios num sorriso, como se visse alguma graça naquelas palavras. Logo depois dirigiu-se à entrada.
O interior daquele lugar estava um tanto escuro, mas Gina não demorou para acostumar os olhos à penumbra e perceber onde eles estavam. Uma igreja!
Uma enorme raiva se apossou dela. Harry Potter não podia tratá-la daquele jeito, arrastando-a para cá e para lá, como se ela fosse apenas um traste e não uma pessoa humana dotada de sentimentos e vontade. O que dava a ele esse direito? Apenas o fato de que era homem? Ah, aquilo acabaria naquele momento mesmo!
- Não! - ela protestou, soltando o braço do aperto dos dedos dele com um safanão e voltando-se para encará-lo, com os braços cruzados, imitando uma postura que o Lobo gostava tanto de adotar. - Não pode me obrigar a me casar com você, Harry.
Olhando-a nos olhos ele soltou uma torrente de palavrões em voz baixa. Logo depois voltou-se de lado, como se fosse começar a socar um dos bancos de madeira.
- Cuidado com a língua! - censurou-o Gina. - Não tem respeito pela casa do Senhor?
No mesmo instante Harry mostrou o quanto a reprimenda o desagradava. Voltando-se rapidamente, agarrou-a pelos pulsos e olhou para ela, com uma expressão implacável. Com o canto do olho Gina viu que um padre se aproximava. Ao ver a postura de Harry, porém, o religioso deu meia-volta e desapareceu na escuridão.
Gina, porém, não recuou. Continuou enfrentando o olhar de Harry, até concluir que estava agindo de forma ridícula. Como uma mulher tão frágil quanto ela poderia fazer frente a um cavaleiro tão poderoso? Percebeu também que, por absurdo que pudesse parecer, não era pela força que o Lobo pretendia submetê-la.
Agora ele parecia acostumado às discussões com ela e queria vencê-la pela força dos argumentos. Ainda estava longe de ser um lobo domado, mas havia mudado...
- Por que, Gina? - ele disse, finalmente, numa voz estranhamente tensa. - Dê-me um bom motivo para me rejeitar. Dê-me apenas um bom motivo e talvez eu reconsidere a minha decisão.
Gina ficou olhando para aquele rosto que significava tanto para ela e sentiu a raiva se dissipar. A recusa o deixara com o orgulho ferido. A evidência disso estava naqueles olhos verdes, que brilhavam intensamente esperando a resposta. A rejeição dela devia significar para ele uma enorme humilhação.
Subitamente Gina sentiu uma vontade muito grande de confortá-lo, de restaurar a dignidade ferida de Harry Potter, de beijá-lo na boca, de declarar que o que mais queria no mundo era se casar com ele... se as coisas fossem diferentes. Então abaixou os olhos.
- Porque você não me ama.
Primeiro Harry soltou mais um palavrão, depois apertou os lábios, como se estivesse contendo o riso.
- Que coisa mais ridícula, Gina!
No mesmo instante ela abaixou a cabeça e se ocupou em alisar a saia, não querendo mostrar o quanto aquelas palavras a magoavam. De que adiantava dizer a verdade se ele apenas caçoava dela? E aquilo era uma prova de que, lamentavelmente, o Lobo não havia mudado muito. Gina juntou as mãos diante do corpo e continuou com os olhos abaixados.
Logo depois a voz de Harry voltou a soar, desta vez com brandura, como se ele houvesse percebido o sofrimento dela. Mesmo assim havia uma certa exasperação na pergunta que fez.
- Nós estamos falando aqui sobre e vida e morte, Gina, em protegê-la do seu tio, e você está preocupada com amor?
Quando ergueu os olhos Gina viu que ele estava com uma expressão sofrida, como se quisesse muito fazê-la pensar com bom senso. Então Harry se adiantou um passo, balançando a cabeça para os lados.
- Gina... o amor é apenas uma tolice inventada pelos trovadores. Não é nada que seja do conhecimento de homens e mulheres de verdade, maridos e esposas.
Ao ouvir aquelas palavras Gina sentiu um golpe, ao mesmo tempo que se entristecia por ele... e por si própria. Como seria possível convencê-lo? Discutir com o Lobo seria inútil, mas mesmo assim era preciso tentar. Então ela respirou fundo e começou a argumentar numa voz tão tensa quanto a dele.
- Não concordo, Harry, porque sei que meus pais se amavam muito. E não venha me dizer que seu pai não amou as esposas dele.
Harry hesitou, obviamente sem esperar ouvir aquilo. Gina se sentiu reanimada, mas sabia que não podia olhar nos olhos dele. Então prosseguiu, imprudentemente dando o passo final, expondo a alma num momento de descuido.
- O amor existe, Harry, porque eu mesma o sinto... por você.
Gina ouviu que ele respirava fundo, evidentemente tomado de surpresa. Quando finalmente ergueu os olhos, o que viu naquele rosto bonito demonstrava que Harry travava no íntimo uma luta quase sobre-humana para não revelar os próprios sentimentos.
Depois de um demorado silêncio ele segurou nas mãos dela, agora perfeitamente controlado.
- Então você só tem motivos para se casar comigo.
Gina recuou. Era evidente que o Lobo não sentia nada por ela e só estava se aproveitando de um momento de fraqueza. Então ela retirou as mãos e voltou a alisar a saia, como se só tivesse aquela preocupação.
- Gina...
- Não. - ela disse, falando baixinho.
- Moça...
Harry voltou as costas para ela e nesse momento toda a determinação de Gina desmoronou. Se ele continuasse insistindo ela permaneceria inabalável. Se ele resmungasse e dissesse palavrões, ela não recuaria um milímetro. Mas Harry estava sentindo alguma coisa que não queria que ela visse, fosse o que fosse. Talvez nem ele próprio quisesse ver. E agora ele estava com as mãos no encosto de um dos bancos, a cabeça abaixada e o corpo meio dobrado para a frente, numa postura de derrota que ela jamais havia esperado ver no Lobo de Wessex.
Gina sentiu que estava perdida.
Tentando controlar as lágrimas, percebeu naquele momento a verdadeira extensão do amor que sentia por aquele homem... um amor tão grande que a deixava disposta a entregar a ele a liberdade duramente conquistada. Talvez para sempre.
- Está bem, Harry. - ela declarou.

Cumprindo a promessa, Harry comprou comida. Eles passaram numa taverna e encomendaram um guisado quente e pedaços de pão, que levaram para comer num lugar afastado. Ele não queria se demorar na taverna. Um cavaleiro e uma bela dama sempre chamavam a atenção e eles não poderiam comer com tranqüilidade num lugar público, sem a proteção de ninguém, menos ainda quando ainda podiam estar sendo perseguidos por Macnair.
A ação furtiva não estava de acordo com o modo de agir de Harry, um homem acostumado a enfrentar o inimigo em campo aberto, lealmente. Mas agora ele estava sozinho, sem a proteção dos soldados com quem travara tantas batalhas, e não queria passar a noite de núpcias obrigando Gina a correr os perigos de uma estrada. Assim sendo eles alugaram um quarto numa calma hospedaria nas imediações da cidade. Isso facilitaria as coisas se fosse preciso fugir de uma hora para outra. Embora não acreditasse que Macnair iria tão longe para persegui-los, Harry não empenharia nisso a própria vida nem a da esposa.
A esposa dele. Havia algo de estranhamente satisfatório na constatação de que agora ele era marido da moça. Agora ela era esposa dele, pelo resto da vida aqueceria a cama dele à noite, estaria sempre pronta a tratá-lo com aquele jeito maternal que era só dela, iluminaria a vida dele com aquele sorriso luminoso, com covinhas...
Harry franziu a testa. Ultimamente não houvera muitos sorrisos. A moça havia capitulado, mas não estava com a aparência de uma noiva cheia de amor. Pelo contrário, tinha um ar de tristeza que a fazia parecer ainda menor e mais frágil. Parecia até que ele havia cometido uma maldade em vez de ter feito o nobre gesto de desposá-la.
Aquilo atingia em cheio o amor-próprio de Harry. Diabo! Onde estava a Gina que o beijara tão apaixonadamente na beira do riacho? Aquela criatura amuada era apenas uma sombra da vibrante mulher de antes. Se era assim que ela o amava, então ele podia viver muito bem sem amor!
Harry quase rogou uma praga. Bobagens de mulher! Canções de amor de nada serviriam se apenas faziam com que uma mulher casada sonhasse com um poeta que, embora tivesse um rosto bonito, não teria forças nem para empunhar uma espada. De que valeriam palavras doces? Uma mulher deveria se contentar em ter um lar decente, uma vida livre e um homem forte que a protegesse.
Isso ele poderia oferecer a Gina. Então por que ela estava tão infeliz? E por que as mulheres eram tão ranzinzas?
Harry ficou olhando para Gina. Depois de ter comido em silêncio ela agora estava deitada muito quieta na cama, coberta até o queixo, como se fosse uma virgem e soubesse que naquela noite faria o sacrificio supremo.
Ah, mas que absurdo! Harry sabia que não era nada disso, e ela também. Então ele deixou cair no chão o cinto com a espada, produzindo um barulho que ecoou pelo quarto. Gina nem se mexeu, permanecendo silenciosa, o que o deixou ainda mais aborrecido. Harry queria que ela sorrisse, mostrasse as covinhas do rosto, agisse com aquele jeito cheio de cativante inocência, demonstrasse pelo menos um pouco de alegria com o casamento.
Mas Gina não fazia isso. Harry apagou a vela, tirou o resto das roupas na escuridão e caminhou para a cama.
- Não vai dar as boas-vindas a seu marido? - ele inquiriu.
Embora a atitude fria de Gina o atingisse, era impossível ficar indiferente ao fato de que ela estava nua por baixo dos lençóis. E tratava-se da esposa dele. Harry deitou-se ao lado dela e espichou-se na cama.
- Sim, Harry. Eu lhe dou as boa-vindas.
A voz dela era macia e triste, o que o irritou ainda mais. Harry deitou-se por cima de Gina e prendeu as mãos dela por cima da cabeça, querendo mostrar que a submeteria facilmente.
- Não tenho palavras doces para lhe dizer, mulher. - ele resmungou.
- Eu sei disso, Harry.
A voz de Gina agora era entrecortada, como se ela estivesse chorando. Oh, Deus! Mas que noite de núpcias! Harry queria rolar com ela na cama. Sentia os seios dela pressionados contra o peito, o cheiro de flores silvestres que partia dos cabelos de Gina. Ah, ele a desejava, provavelmente a desejaria pelo resto da vida.
- Eu lhe darei minha proteção, um lar e filhos. - declarou Harry, começando a respirar com dificuldade.
- Eu sei.
- Então qual é o problema? - ele resmungou, impaciente.
- Você não me dará amor, nem respeito. Eu não terei vontade própria.
Harry soltou um resmungo. Mais bobagens de mulher! Talvez Gina estivesse na época do fluxo menstrual. Então ele apertou os pulsos dela, pressionando-os contra a cama.
- Mas lhe darei prazer, mulher. - ele disse, beijando-a na boca para encerrar aquele debate.
Harry estava faminto por ela. O amor feito à beira do rio parecia ter acontecido há muitos anos e ele queria possuí-la, como um homem enlouquecido de desejo. Era até bom ela não ser mais virgem, porque ele não queria ter a preocupação de ser cuidadoso. Não naquela noite. Não quando ela era dele por direito.
Harry moveu os lábios pelas faces macias de Gina, desceu pelo pescoço e alcançou os ombros. Era muito bom fazer aquilo. A paixão que sempre se acendia entre eles agora queimava intensamente, deixando-o com o sangue quente e a mente entontecida. Que poder possuía aquela mulher que o deixava com todos os sentidos ativados?
Descendo pelo corpo de Gina ele chegou aos seios redondos, firmes e cheios. Chupou-os com ânsia até ouvi-la gemer. Podia existir uma barreira entre eles, mas na cama tudo isso desmoronava, não havia restrições... ou queixas. Harry sorriu, usando o joelho para abrir as pernas de Gina. Depois ajeitou-se entre as coxas dela.
Esposa, ele pensou enquanto a penetrava com um movimento ansioso. Minha esposa.
Estava com os dedos entrelaçados com os dela enquanto movimentava freneticamente os quadris, como se quisesse confundir os corpos. Deus... Não podia existir nada melhor do que aquilo...
O que Gina fazia tornava aquele prazer quase inimaginável. Com os olhos fechados, ela mexia a cabeça para os lados e soltava gemidos. Ao mesmo tempo, subia e descia os quadris, acompanhando o que Harry fazia. Finalmente a voz dela subiu de tom e o gemido tornou-se demorado. Harry fechou os olhos e ergueu a cabeça, chegando ao clímax junto com a esposa. Naquele instante o mundo parecia parar.
Por experiências passadas Gina concluiu que Harrry dormiria como uma pedra depois de tanto dispêndio de energia. Estava roncando outra vez, um sinal de que não despertaria com facilidade. Aquela era a chance e ela foi escorregando para fora da cama.
Vestiu-se em silêncio, sem olhar para ele. Não queria pensar nos prazeres fisicos que havia experimentado momentos antes para não se sentir tentada a permanecer com um homem que não a amava... um homem que nem acreditava na existência de emoções tão ternas.
Harry havia prometido um lar e uma família, mas Gina sabia que o casamento com ele seria apenas um pálido arremedo da vida feliz que ela tivera no castelo de Campion. Por mais inocente que fosse, conhecia a diferença entre amor verdadeiro e simples desejo. Sabia também que só despertaria no marido paixão e luxúria. E quando isso passasse? Ela não suportaria ser descartada como um traste imprestável, mandada para algum lugar escuro do castelo de Wessex...
Sentindo um nó na garganta, Gina perdeu preciosos minutos tateando na escuridão, procurando o cinto onde estava o saquinho com as jóias. Quando o encontrou bem ao lado da cama, percebeu que Harry não devia estar temendo que ela tentasse nova fuga já que agora eles estavam casados. Aquilo a fez sentir um aperto no peito causado pelo sentimento de culpa.
Gina sabia que precisava se apressar, mas percebeu que os membros se movimentavam com vagar, como se o corpo travasse uma batalha com a mente, relutando em partir. Mas era evidente que dificilmente surgiria outra chance como aquela. Harry dormia, não suspeitava de nada e estava... vulnerável. Mas não seria assim para sempre. Como o Lobo reagiria quando despertasse e descobrisse que ela havia fugido?
Certamente se sentiria traído.
Procurando ignorar a pena que estava sentindo pelo homem que não a amava, Gina obrigou as pernas rebeldes a se movimentarem e aproximou-se cuidadosamente da janela. Abriu as venezianas e olhou para fora.
A escuridão parecia total e ela levou algum tempo para ver o chão lá embaixo. O quarto ficava no primeiro andar e, mesmo pulando da estreita saliência que havia abaixo da janela, seria um salto e tanto até o chão. Mas ela conseguiria.
Subitamente um som de vozes lá embaixo fez com que Gina ficasse imóvel. Ela não queria cair no meio de um grupo de malfeitores, menos ainda àquela hora da noite. No escuro não era possível dizer quantos homens se aproximavam, mas a voz de um deles se destacou das demais, falando com clareza.
- Eles estão aqui na hospedaria.
- Tem certeza?
- Tenho. O estalajadeiro me disse que um cavaleiro moreno e muito alto e uma dama baixinha alugaram um quarto aqui. O sujeito estava com medo de se tornar um traidor de Wessex, mas prontamente aceitou o meu dinheiro. Não teremos dificuldade para entrar.
Enquanto o grupo passava bem embaixo da janela Gina ficou imóvel, chocada. Aqueles homens estavam atrás deles. O tio dela! Sem saber quanto tempo ainda se passaria antes que o bando irrompesse no quarto, Gina girou o corpo e correu para a cama. Encostou o dedo nos lábios de Harry e aproximou a boca do ouvido dele.
- Há homens na rua vindo para cá à nossa procura! - ela cochichou, nervosa.
Gina não precisou falar duas vezes. O Lobo instantaneamente estava de pé, vestindo as roupas, enquanto ela reunia as sacolas. Com espantosa facilidade ele passou o corpo enorme pela apertada janela e saltou para o chão. No instante seguinte foi Gina quem saltou, caindo nos braços dele. Logo depois eles corriam em volta do edificio, dirigindo-se à estrebaria, onde estava o cavalo.
Em questão de minutos Harry preparou o animal. Quando eles partiram na escuridão, a galope, ainda ouviram os gritos de protesto dos perseguidores, que entravam no quarto do primeiro andar sem encontrar ninguém.
Em vez de cavalgar pela estrada eles seguiam pelo meio das árvores, onde estava muito escuro. Gina ficou confusa, mas Harry aparentemente sabia o que estava fazendo e ela não disse nada. Ele havia adquirido em Stile um arco e flechas, dos quais fez uso pela manhã. Como haviam cavalgado uma boa distância, acharam que havia segurança e acenderam um fogo para assar a lebre abatida. Gina elogiou o sabor da comida e Harry a brindou com um dos seus raros sorrisos. Aquilo a deixou alegre.
A quase calamidade da noite anterior a convenceu de que, pelo menos por enquanto, era mais seguro eles continuarem juntos. Embora ainda não tivesse a menor intenção de passar o resto da vida com o Lobo de Wessex, Gina resolveu que ficaria ao lado dele, pelo menos até que o tio dela não representasse mais uma ameaça. Depois resolveria para onde ir e o que fazer.
- Você agiu muito bem ontem à noite, Gina. - Surpresa com aquelas palavras, Gina ergueu os olhos e viu que ele a fitava com uma expressão grave, mas satisfeita. Naquele instante seria impossível negar o amor que ela sentia por ele. Quando Harry a olhava daquele jeito, como uma igual e não como uma idiota incapaz de raciocinar, ela o considerava um homem poderoso justamente por saber confiar nas pessoas certas.
Força, dignidade, lealdade e uma forte disposição para proteger os mais fracos... tudo isso o Lobo tinha de sobra. Se pelo menos esse lado nobre aparecesse com mais freqüência, Gina se sentiria tentada a ficar com ele para sempre.
- Devemos a vida à sua atenção e à sua rapidez de raciocínio. - acrescentou Harry.
Ele continuava sério e aquelas palavras eram simples e sinceras. Não se referiu ao fato de que estava indefeso, adormecido na cama, assim como não exagerou no que disse sobre a atuação dela, como alguns homens teriam feito.
Harry Potter não era muito pródigo em palavras. Sabendo disso, Gina deu o devido valor às que acabava de ouvir. Então sorriu, contente também com a constatação de que ele já não era tão rude.
- Obrigada.
- Estou grato a você, minha esposa. – declarou Harry, enrolando as palavras.
Gina começou a se perguntar se merecia aquele respeito. Chegava a ser irônico estar sendo elogiada por Harry pelo que fizera numa coisa que havia começado como uma tentativa de fuga. Que Deus permitisse que ele jamais soubesse da verdade!
Nesse instante Harry pigarreou, anunciando que voltaria a falar. Gina olhou para ele e viu naquele rosto algo que a deixou com a respiração contida.
- Parece que estou bem servido com o nosso casamento. - ele declarou.
Logo depois levantou-se para apagar o fogo e Gina ficou olhando, sem saber o que responder. Haveria seriedade ou sarcasmo naquelas palavras? Estaria ele se referindo ao descontentamento dela com o casamento, que o feria profundamente, ou demonstrava uma satisfação genuína?
Confusa demais para responder, Gina permaneceu em silêncio. Como ele aparentemente não diria mais nada, ela se levantou e foi lavar as mãos num riacho ali perto. Quando se voltou viu Harry sentado no chão, encostado numa árvore e com os joelhos dobrados. Toda a atenção dele estava numa flecha que tinha nas mãos, girando vagarosamente enquanto a examinava.
Gina reparou que se tratava de uma flecha que ele havia arrancado de um dos corpos encontrados no acampamento onde ocorrera a chacina. Aquela constatação a deixou enormemente abatida. Harry ergueu a cabeça e pareceu reparar naquela reação, mas não fez nenhum comentário.
- Não sabemos quem estava nos procurando ontem à noite. - foi só o que ele disse.
- Não. - concordou Gina, depois de uma breve hesitação. Ela já havia relatado a Harry a conversa que ouvira embaixo da janela. Embora achasse que aqueles homens tinham sido mandados por Macnair, nada do que ouvira comprovava essa tese. - Parece que todo o mundo está querendo nos matar.
Harry mostrou um sorriso que era mais uma careta.
- Parece que sim, não é mesmo, moça?
Depois ele olhou novamente para a flecha, que girava entre os dedos. Finalmente, parecendo ter uma idéia, levou o projétil à boca para sentir o gosto. Logo depois o semblante dele assumiu uma dureza como ela jamais vira.
- O que foi? - conseguiu perguntar Gina.
Por alguns instantes Harry pareceu distante, olhando para ela como se não a conhecesse. Depois ergueu a arma que segurava.
- Esta flecha foi feita com cola produzida de gordura animal, e não com a que se obtém do peixe. - ele explicou. - É mais cara e utilizada por bem pouca gente, mas sei de alguém que só usa desse tipo.
- Quem? - perguntou Marion, um tanto temerosa de ouvir a resposta.
- Meu vizinho, Voldemort.
Ele pronunciou o nome do vizinho como se estivesse dizendo uma obscenidade, o que fez Gina empalidecer. Ela já ouvira Harry falar daquele homem como um inimigo de Wessex, mas por que Voldemort atacaria a caravana? Harry estivera apenas cumprindo uma tarefa confiada pelo pai, escoltando uma mulher sozinha. Que interesse Voldemort poderia ter nisso?
- Mas estávamos muito longe da sua propriedade para atrair a atenção desse homem. - ela ponderou. - Por que ele o seguiria até lá?
A expressão do Lobo mostrava que, quando provocado, ele podia se transformar num guerreiro de terrível ferocidade.
- Por quê? - repetiu Harry, olhando fixamente para a flecha que segurava com o punho cerrado. - Eu poderia lhe responder com uma única palavra, Gina... assassinato.
Gina conteve a respiração. Harry havia falado em Voldemort como alguém que ameaçava as propriedades e os servos dele, mas seria o homem também capaz de assassinar pessoas a sangue-frio?
- Mas... por quê? - ela repetiu a pergunta.
Harry riu alto.
- Porque ele cobiça Wessex. Porque durante muitos anos considerou-se dono daquela região inteira. Ouvi dizer que, quando o rei Edward me deu a propriedade como recompensa, ele ficou bufando de raiva. Mas sabe que não pode reivindicar as terras, que não tem nenhum direito legal sobre Wessex, e isso o torna um inimigo perigoso. - Gina ficou muito quieta, pensando nas implicações do que acabava de ouvir.
- Ele acha que, matando o proprietário de Wessex, poderá ter direito sobre as terras, não é?
- A cobiça pode levar um homem a cometer as piores perversidades, moça. - disse Harry pensativo. - Seu tio mostrou isso.
- É verdade. - concordou Gina franzindo a testa. - As duas situações são muito parecidas. Meu tio me mataria para se apossar do que é meu, assim como Voldemort tiraria a sua vida para ter Wessex.
Harry apertou os lábios.
- Sim. Parece que temos muitos inimigos, minha esposa, e bem poucos amigos.
Gina ergueu a cabeça, melindrando-se com aquilo.
- Não, isso não é verdade. Nós temos o seu pai, um poderoso conde, e seus seis irmãos, bons homens e guerreiros valorosos. Eles nos ajudarão. Na minha opinião eles valem mais do que uma legião de amigos.
O semblante de Harry relaxou um pouco.
- Pode ser, mulher, mas antes teremos que alcançá-los.
- Então vamos para Campion?
Gina sentia uma enorme alegria ao pensar na possibilidade de rever o conde e os seis rapazes de quem havia se tomado amiga. Mas logo se arrependeu daquilo quando viu que Harry a olhava de um jeito estranho e parecendo ressentido.
- Não, vamos para Wessex.
Cuidado foi o que não faltou, porque eles se deslocaram sempre pelo meio das árvores, longe da estrada, de uma forma tal que Gina nem conseguia se orientar. Os longos dias de viagem eram cansativos e quando a noite caía eles se deitavam e adormeciam imediatamente, exaustos demais para juntar os corpos na improvisada cama.
Embora Gina em parte sentisse falta da paixão, até preferia que Harry não a procurasse. Não conseguia pensar direito quando ele a tocava e não queria ter o raciocínio pautado pela luxúria. Por enquanto ela não reclamava de nada e o mau humor de Harry parecia sob controle, mas sem dúvida ainda havia constrangimento no casamento deles. Por trás de uma aparente compreensão permaneciam os mesmos conflitos sem solução.
Gina achava que aqueles assuntos poderiam esperar até que eles estivessem em algum lugar seguro, fosse Wessex, Campion ou mesmo Baddersly, se o tio dela fosse derrotado. Então seria possível pensar no que fazer no futuro.
Por mais amarga que pudesse ser a permanência dela com Harry, Gina não podia deixar de querer ficar por mais algum tempo. Na verdade, quanto mais tempo passava com o marido, menos desejava se afastar dele, embora uma vida ao lado do Lobo tivesse bem pouco a oferecer. Ela podia ter conquistado o respeito de Harry, mas não tinha o amor dele. Além disso, aquele continuava sendo o homem mais teimoso, temperamental e autoritário que ela já havia conhecido.
A certa altura da cavalgada Gina reparou que a paisagem lembrava muito a de Campion, com suas colinas e seus vales de luxuriante vegetação.
- Imagino que não estejamos longe do castelo do seu pai. - ela murmurou.
- Não. Campion fica a apenas três dias a cavalo daqui, indo-se para oeste. Localiza-se a sudoeste de Wessex. - explicou Harry, parecendo um pouco tenso. - Veja. Estas são minhas terras.
- Já? - exclamou Gina, sinceramente admirada com o que via. - É um lugar lindo, Harry, e as terras devem ser férteis, já que a vegetação é rica.
Harry continuou tenso, como se a visão da propriedade dele o desagradasse de alguma forma.
- O lugar não é tão grande quanto Campion, mas é meu, algo que ganhei com meu próprio trabalho. - ele disse. - Espero que você não se decepcione muito com o castelo, que está precisando de alguns consertos. Vou logo avisando, Gina: não se trata de um lugar tão luxuoso quanto a casa do meu pai ou o castelo de Baddersly.
Gina sentiu que o amava ainda mais quando percebeu aquela vulnerabilidade no Lobo.
- Não dou importância a riquezas, Harry. Você já devia saber disso. Estou certa de que sua casa servirá perfeitamente para nós.
Gina sentiu um nó na garganta, fruto do sentimento de culpa. Como podia estar prometendo que gostaria da casa dele se ainda planejava abandoná-lo?
Harry soltou um resmungo, como se não acreditasse muito na resposta, mas Gina sentiu que ele ficava mais relaxado.
- Depois de tanto tempo na estrada, acho que Wessex parecerá um palácio. - ele disse finalmente.
- Sem dúvida. - apressou-se em concordar Gina. - No momento só consigo pensar numa comida quente e numa cama macia.
Tarde demais ela percebeu a imprudência que era falar em cama, principalmente porque eles estavam montados no mesmo cavalo. Quase no mesmo instante uma parte do corpo de Harry se enrijeceu contra as nádegas dela, uma evidência do desejo que se apossava dele.
Quando ele soltou mais um de seus resmungos ininteligíveis, Gina procurou mudar de assunto.
- Ainda demoraremos para ver Wessex? - ela conseguiu dizer.
- Prefiro não ir direto para o castelo. Passaremos antes pelo Monte da Boa Vista.
- O que o nome tem a ver com o lugar? – perguntou Gina, tentando sorrir.
- Trata-se de um promontório de onde se pode ver a maior parte da propriedade, o vale e a elevação onde se encontra o castelo. Quero dar uma olhada lá de cima para ver o estado em que se encontram as minhas terras.
- Teme um ataque de Voldemort? - perguntou Gina inquieta.
- Não, mas quero saber o que ele pode ter feito na minha ausência. Deixei soldados tomando conta da propriedade e quero ver se eles foram atacados por meu vizinho. Infelizmente temos que considerar todas as possibilidades, inclusive as piores. Assim evitaremos cair numa cilada.
- No entanto, se foi realmente Voldemort quem atacou a caravana e chacinou os homens, a esta altura deve pensar que você foi morto. – argumentou Gina. - Não estará esperando que você volte para casa.
- Talvez. - respondeu Harry, em tom de mau agouro.
Ele estava com os olhos e os lábios apertados, o que fez Gina concluir que havia alguma coisa da qual ela não tinha conhecimento. Aparentemente o Lobo não havia perdido a tendência para dispensar opiniões alheias. Mesmo assim ela se achava no direito de estar a par de tudo, principalmente num momento como aquele, quando eles estavam sozinhos numa situação potencialmente perigosa.
Quando abriu a boca para protestar Gina foi silenciada pelo olhar de Harry. O que podia estar acontecendo? Com os olhos muito abertos ela olhou em volta, temendo encontrar a resposta. E o medo dela aumentou quando Harry parou o cavalo e desmontou. Uma vez no chão ele ergueu os braços para tirá-la de cima da montaria, tomando cuidado para não fazer barulho.
- Subirei sozinho ao Monte da Boa Vista.
- Mas Harry...
- Não discuta comigo, mulher. - ele cortou, sem olhar para ela. - Fique aqui com o cavalo e espere por mim. Só quero dar uma olhada. - Como se acabasse de se lembrar de mais uma coisa, Harry ergueu a mão e acariciou a face dela. - Eu voltarei.
Aquilo não serviu muito para tranqüilizar Gina, mas ela achou melhor não discutir. Relutante, suspirou e ficou observando enquanto ele desaparecia no meio da densa vegetação de arbustos.
Depois de levar o cavalo para beber água num riacho que passava ali perto ela foi se sentar embaixo de uma árvore e ficou com o olhar distante. Esperava que a qualquer momento Harry gritasse pelo nome dela, chamando-a para ver pela primeira vez o castelo de Wessex. Mas isso não aconteceu e ela achou que não suportaria mais ficar ali sentada, esperando.
A calma que cercava a clareira só a deixava mais nervosa e Gina se levantou, dirigindo-se ao riacho para espalhar um pouco de água no rosto e na nuca.
Logo depois percebeu que o cavalo estava se afastando, seguindo na direção para onde fora o novo dono.
Oh, Deus! Imediatamente Gina saiu correndo. Harry não ficaria nada contente se o cavalo desaparecesse. Desviando-se rapidamente dos arbustos ela conseguiu alcançar o animal antes que ele chegasse ao alto da colina. Ali o amarrou a uma árvore e ficou alisando o pescoço do animal, querendo acalmá-lo tanto quanto precisava se acalmar.
Depois apurou os ouvidos.
Não era possível ver nada por causa das árvores, mas Harry dissera que do alto daquele monte se tinha uma ampla vista da propriedade. Na certa ele havia se apressado na subida, ou resolvera cortar caminho. Subitamente temerosa pela segurança dele, Gina não pensou duas vezes antes de começar a caminhar para o alto do monte, só parando quando ouviu alguma coisa.
Vozes? Aquilo a deixou petrificada. Teria Harry pretendido se encontrar com alguém ali sem que ela tomasse conhecimento? Contra a vontade Gina se viu imaginando um encontro clandestino dele com uma mulher. Nesse instante deu-se conta de que não sabia nada sobre a vida particular do homem com quem havia se casado. Talvez Harry tivesse uma amante, que certamente ficaria furiosa quando soubesse que ele havia se casado.
Gina continuou imóvel, pensando na possibilidade de que aquilo fosse verdade. Talvez devesse fugir imediatamente... Poderia fazer o caminho de volta, pegar o cavalo e cavalgar para bem longe, deixando Harry, o castelo de Wessex e o que mais estivesse esperando por ele. Vá logo, ela se recomendou. Suma daqui antes que o amor que sente por ele acabe por destruí-la.
A antiga Gina teria fugido, já que seria incapaz de enfrentar os próprios fantasmas, mas a nova Gina não faria isso. Sabia que, fossem quais fossem os defeitos do Lobo, ele não merecia ser abandonado ali, sem um cavalo, menos ainda depois de tudo o que fizera por ela. E a sensação de perigo que a fizera subir a colina ainda estava no ar. Ela não o abandonaria justamente quando achava que ele podia estar correndo um sério risco.
Reunindo coragem, Gina obrigou-se a seguir adiante e continuou escalando o promontório, até que o som de uma gargalhada a fez parar. Com alívio ela reconheceu a voz e concluiu que não era uma mulher quem estava falando, mas sim Smith, o vassalo de Harry. Só que aquela voz parecia diferente. Muito diferente.
- Achei que você podia se arrastar até aqui. - tripudiou Smith. - E um homem dificil de matar, Harry, mas isso eu já sabia há muito tempo. Foi esse um dos motivos por que fiquei ao seu lado durante tanto tempo, para que também me mantivesse vivo. Mas agora sou eu quem detém o poder de vida ou morte. Chegou sua hora, amigo velho.
A voz normalmente controlada de Smith agora estava alta e carregada de maldade.
- Se não tivesse saído atrás daquela mulherzinha idiota, você teria sido morto com os outros. Mas era tarde demais para mudar os planos, Harry, e você acabou escapando outra vez, com a sua sorte dos infernos e a sua herdeirazinha. O leal Harry, que não podia decepcionar o pai, que sempre tem que fazer o que é direito.
Smith soltou uma torrente de palavrões e Gina se encolheu, horrorizada.
- Sempre alerta, sempre atento a tudo, sempre protegido pela insuportável sorte dos Potter! Se você tivesse deixado que a moça seguisse na retaguarda da caravana, comigo, eu mesmo a teria salvo... para mim. Aquela mulher não é muito o meu tipo, mas eu teria um enorme prazer em possuí-la, só porque você se mostrava tão caído por ela!
Smith soltou mais uma gargalhada e Gina estremeceu ao ouvir um resmungo enraivecido de Harry. Pelo menos ele estava vivo... mas em que condições? Smith o havia ferido? Por mais desesperada que estivesse para ver o que estava acontecendo, Gina preferiu não chegar mais perto. Depois do que acabava de ouvir Smith dizer sobre ela própria, não queria correr o risco de ser vista pelo vassalo traidor.
- Ah! Toquei numa ferida sua, Harry? - perguntou Smith, atormentando o antigo amo. - E você por acaso não se deitou com ela? Então é o único. Pelos comentários que ouvi dos homens, os seus irmãos, sim, e até mesmo o seu pai, usaram e abusaram dela!
Houve uma pausa e Gina percebeu que a falta de reação de Harry deixava Smith frustrado. Quando o homem voltou a falar, foi com impaciência na voz.
- Mas Harry Potter, bom filho que é não encostaria a mão na encomenda que estava levando. Sem se importar com o fato de que os homens que o acompanhavam estavam mortos, seguiu adiante no cumprimento da missão.
- Não encontrei seu corpo entre os que estavam lá, por mais que procurasse. - respondeu Harry.
Gina suspirou de alívio ao constatar que ele estava bem o suficiente para falar. E aquela simples declaração do Lobo explicava por que ele havia se aproximado de Wessex com tanto cuidado. Sem saber se o vassalo estava vivo ou morto, havia fugido ou se passado para o lado do inimigo, Harry resolvera agir com cautela. Mas não fora suficientemente cauteloso.
- Por que, Smith? Por que está se voltando contra mim depois de todos esses anos?
Embora a voz do Lobo fosse calma e clara, Harry percebeu o quanto ele estava amargurado com a traição de um homem de quem havia se considerado amigo.
- Por dinheiro, é claro. Dinheiro, terras, poder... o que todo homem quer, Harry. Nem todos nascem ricos, nem todos podem ter a vida fácil de um Potter, sabia? Em geral um homem tem que lutar muito para conseguir alguma coisa. Mas agora chega! Não serei mais obrigado a cumprir ordens.
- Mas quem lhe proporcionará tanta riqueza, Smith?
- Voldemort, como você já devia saber! Eu me casarei com a filha dele e terei tudo o que sempre almejei na vida.
- Vai se casar com aquela víbora? - perguntou Harry, com incredulidade na voz.
- Eu a amarrarei na cama e a cavalgarei até que ela saiba a quem deve obediência. - despachou Smith. - E que me importa o fato de que ela é uma mulher temperamental? Tudo isso será meu.
- Wessex?
Havia um leve tremor na voz de Harry, revelando a dor que ele sentia. Gina sentiu vontade de chorar, mas Smith respondeu de pronto, indiferente à dor do antigo amo.
- Sim, Wessex. Não foi difícil liquidar Collins, o seu lacaio, e agora estou no controle de tudo. De tudo, Harry! Talvez consiga fazer alguns herdeiros usando o corpo da bruxa da filha de Voldemort. Assim iniciarei uma nova linhagem, que certamente superará os decadentes Potter!
- Você acreditou nas promessas de Voldemort! - caçoou Harry. - Só um idiota acreditaria naquele cretino. Ele não dividirá nada, e você já devia saber disso. Talvez consiga se deitar por cima da filha dele para possuí-la, mas Voldemort o apunhalará pelas costas antes mesmo que você chegue ao gozo. Não lhe restará nada, Smith! Ele ficará com tudo.
- Cale a boca!
- Pense um pouco, Smith. - voltou à carga Harry. - Pense na forma de agir de Voldemort. Ele sempre quis ser dono das minhas terras. Apenas o usará para conseguir o que quer, Smith. Depois...
- Cale a boca!
Gina encolheu-se e levou a mão à boca para sufocar um soluço. O que aquele homem podia ter feito com o Lobo? Smith devia se achar numa situação de superioridade para falar daquele jeito com Harry Potter. E o que ela, uma mulher sozinha e fraca, poderia fazer contra um experimentado guerreiro?
- Cale a boca e levante-se, Harry. - ordenou Smith. - Eu pretendia lhe conceder uma morte rápida, em respeito à nossa longa amizade, mas pelo que você acabou de dizer acho que merece um destino mais interessante. Vou levá-lo a Voldemort para que ele decida o que fazer com você! Talvez isso o faça perder um pouco dessa fanfarronice muito própria dos Potter.
Outra vez Smith gargalhou, um som que deixou Gina com o sangue gelado. Então ela ouviu o barulho de cascos de cavalos. Espiando entre as árvores, viu Smith e mais dois homens montados. A princípio não viu Harry e, por um terrível momento, pensou que o vassalo traidor havia resolvido dar cabo dele. Mas logo depois o viu amarrado por trás dos cavalos, uma figura que, mesmo em situação de inferioridade, mantinha o orgulho e a dignidade.
No instante seguinte Smith esporeou o cavalo, que saiu arrastando Harry.
Gina caiu de joelhos, horrorizada com o que estava vendo. Oh, Deus! O que ela poderia fazer? A resposta surgiu no mesmo instante. Corra para Campion, Gina.
Então ela sacudiu a cabeça, trêmula de medo e desespero. Embora tivesse alguma idéia da direção em que deveria seguir para alcançar as terras do conde, poderia facilmente se perder. Seriam vários dias de cavalgada e ela já sabia dos perigos a que estaria exposta uma mulher que se aventurasse a viajar sozinha, sem falar na ameaça representada por Smith e seus homens. Estava com muito pouca comida e não tinha armas, nada além de um pequeno punhal. Como conseguiria chegar a Campion?
Ainda ajoelhada, Gina lembrou-se de que não muito tempo antes havia empreendido várias tentativas de fuga, aventurando-se por florestas selvagens tão sozinha e desprovida de armas. Que diferença haveria agora? Havia, sim, uma diferença: a vida do Lobo estava em jogo.
Aquilo chegava a ser irônico. A pequena esposa de Harry, que ele considerava uma desmiolada, era a única pessoa no mundo que poderia salvá-lo. Ela mesma, a frágil Gina Weasley.
Gina ergueu a cabeça e levantou-se. A esposa do Lobo não se dobraria a nada, por maior que fosse o desafio.
A primeira noite foi a pior de todas. Com um medo terrível dos animais selvagens, mas não querendo correr o risco que representaria acender um fogo, Gina subiu numa árvore para descansar. Mesmo relaxando os músculos, não conseguiu adormecer, e a ausência de sono tornou impossível um descanso reparador.
No dia seguinte ela cavalgou praticamente o tempo todo. Como não tinha mais provisões, alimentou-se com nozes, morangos e outros frutos que encontrou pelo caminho. Quando começava a fraquejar, pensava no marido, que naquele momento devia estar trancado em alguma cela escura. Isso a enchia de determinação, fazendo-a seguir adiante.
O terceiro dia amanheceu escuro, ameaçando chuva. Mesmo temendo estar indo na direção errada, Gina prosseguiu na cavalgada. Sempre que possível examinava a posição do sol, tentando se orientar, como Harry costumava fazer.
A certa altura alcançou uma estrada e viu um grupo de viajantes. Pensou em pedir informações, mas teve medo de ser atacada por aqueles homens e procurou passar bem ao largo deles.
Quando o céu se tornou mais escuro ainda, indicando uma chuvarada iminente, Gina começou a se desesperar. Não fazia a menor idéia de onde podia estar e uma tempestade naquele momento a deixaria sem as últimas reservas de energia. Quando alcançou o alto de uma colina ela divisou uma campina adiante, pontilhada por figuras que se moviam. Eram pessoas trabalhando na lavoura, mas desta vez ela não cortaria caminho. Sentindo-se fraca, faminta e assustada, fez com que o cavalo se dirigisse ao mais alto daqueles homens. Talvez conseguisse com ele comida e abrigo durante a tempestade, além de indicações sobre a direção que deveria seguir.
Ela estava com as jóias. Se aqueles homens a ajudassem, seriam regiamente pagos. Mas era possível também que eles fossem... Bem, ela não tinha alternativas. Gina segurou disfarçadamente no cabo do punhal e foi se aproximando.
O homem alto havia parado de trabalhar e agora observava a aproximação dela. Estava desarmado e tinha longos e negros cabelos que tremulavam ao vento. Quando um raio de sol atravessou as nuvens e iluminou o rosto dele, Gina soltou um grito de puro alívio.
- Dino!
Primeiro ele abriu a boca, espantando ao ouvir o próprio nome. Depois sorriu. Evidentemente a reconhecia.
- Dino!
Gina parou o cavalo, desmontou e, soluçando de uma forma descontrolada, saiu correndo para cair nos braços do cunhado.


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