A Mansão da Montanha
O sol brilhava refletindo a brancura das colinas geladas ao redor de Hogwarts. Hermione caminhava na grama em frente às portas do castelo olhando a paisagem e inspirando o ar gelado. Ele tinha cheiro de chuva e terra. Como ela amava aquele lugar! Parecia que nunca tinha se dado conta de como gostava dali e como se sentia em casa e feliz. Toda a nostalgia doída que sentira no outro dia havia mudado para uma excitação quase infantil, como se o presente de Natal tivesse chegado antecipado.
Ouviu um apito e virou para ver Madame Hook chamando-a, correndo ao seu encontro.
- O almoço será servido em instantes e Dumbledore quer sua presença à mesa. – falou a professora de Quadribol, com seus cabelos curtos e espetados, e os olhos de cobre.
Hermione gemeu baixinho.
- Ora, vamos! Não comece com frescuras. – e saiu andando rapidamente.
Hermione teria desejado pular para o dia seguinte, para evitar esse almoço. Ao chegar ao salão principal, sentou-se numa das únicas duas cadeiras disponíveis. Olhou a mesa redonda com curiosidade e apreensão. Isso não era um bom sinal. Recebeu uma piscadela de Hagrid e deu um sorriso para o amigo. No mesmo instante, sentiu uma presença ao seu lado e virando-se para ver quem sentava ali, deu de cara com Snape novamente. Ela saltou levemente no lugar.
- De novo assustada, Senhorita Granger? Ou será que minha aparência causa tanta repulsa que não pode olhar para mim sem ter esta expressão de nojo no rosto? – perguntou Snape, levantando uma sobrancelha.
Hermione ofegou. Não era isso que sentia. Ela apenas havia se assustado com a massa negra que se materializou ao seu lado.
- Não é isso professor Snape. Eu apenas gostaria de saber como o senhor quer aparecer como um gato silencioso ao meu lado e estranhar que eu me assuste? – ela falou levantando o queixo.
- Bem, essa é uma habilidade que todos os seus dons de sabe-tudo em feitiços não dariam conta de explicar. – falou num sussurro, com um sorriso torto no canto dos lábios.
Hermione olhava para a expressão de Severo e não podia acreditar. Depois de tantos anos ele ainda tinha coragem de zombar dela.
- Com licença. – ele disse, esticando o braço esquerdo para pegar um pãozinho na travessa ao lado de Hermione. O cheiro amadeirado invadiu suas narinas e ela piscou lentamente, sem perceber que Severo parou o movimento do braço a meio caminho e a fitava.
- Algum problema Senhorita Granger? A senhorita está pálida feito cera. – disse Snape, com um vinco na testa.
Hermione virou o rosto para olhá-lo e ele escaneava o rosto dela meticulosamente.
- Nenhum problema, eu estou bem obrigada. – falou Hermione, virando o rosto e fitando firmemente o faisão que soltava fumaça à sua frente.
- Meus caros colegas. – começou Dumbledore, se levantando com uma taça de vinho na mão. – É com imenso prazer e regozijo que inicio este almoço e dou abertura às nossas tão esperadas e almejadas férias.
Severo rosnou ao lado de Hermione.
- Eu tenho absoluta certeza que iremos nos divertir à beça e descansar também. Agradeço à minha querida Minerva por tão brilhante plano e por todo o trabalho que teve para preparar tudo para que nossos dias naquele lugar sejam inesquecíveis. – falou o homem, e segurou com carinho a mão de Minerva. Hermione registrou aquilo como se estivesse fora de seu próprio corpo. Ela se surpreendia a cada minuto e não estava conseguindo associar com segurança o que era real e o que era alucinação.
Os professores com trajes de viagem, diferentes do que ela tinha visto a vida inteira. Madame Hook usava uma espécie de agasalho, parecido com as roupas de esporte trouxas, Dumbledore, como sempre extravagante, usava uma capa muito roxa, com bordados prata nas barras, e por baixo, um suéter cinza chumbo, camisa lilás e calças cinza. Estava realmente peculiar. Ele continuou seu discurso.
- Antes, porém, de embarcarmos nesta incrível aventura, eu tenho um anúncio a fazer e algumas recomendações. O anúncio trata-se da mais nova professora de Hogwarts, a nossa querida Hermione Granger. – e todos aplaudiram. – Ela irá ocupar a cadeira de Feitiços, deixada pelo Flitwick que está se aposentando após o Natal.
O antigo professor de Feitiços, levantou a taça em direção à Hermione e piscou para ela. Ela retribuiu com um leve aceno de cabeça e um sorriso.
- Seja muito bem-vinda minha cara. E faça de nossos alunos os melhores bruxos desta era. – falou Dumbledore, sorrindo para ela. Todos levantaram suas taças para Hermione, que fez o mesmo com a sua, porém, muito constrangida e corada.
- Meus parabéns, Senhorita Granger. Espero que tenha o bom senso de não enlouquecer com estes pestes durante a sua estadia em Hogwarts. Estou ao seu dispor, se precisar de algo. – falou Severo num tom baixo, olhando de canto de olho para Hermione.
- Obrigada. – disse apenas.
- Bem, agora as recomendações. – continuou Dumbledore. – Todos nós devemos nos lembrar que iremos para a nossa ‘casa de diversão’ através de uma chave de portal. As nossas bagagens já estão em nossos aposentos na mansão e, portanto, após o almoço todos devem pegar seus últimos pertences e se reunir exatamente as 14 pm no jardim em frente à entrada principal do castelo. A última recomendação que tenho é: divirtam-se, aproveitem e voltem cheios de energia e alegria para mais um ano letivo. – E levantou ainda mais a taça de vinho. Desta vez todos se colocaram de pé e brindaram.
Hermione comeu pouco, pois se lembrava bem como era uma viajem de chave de portal e como não sabia quanto tempo levaria, não queria passar mal.
Ao aterrissarem, ela cambaleou um pouco e quase caiu. Ela tinha viajado desta maneira apenas umas três vezes na vida e não tinha se habituado ainda. Severo a olhava alguns passos atrás e balançou a cabeça. Ao passar por ela, que se ajeitava, disse:
- Você tem algum problema de equilíbrio, Senhorita Granger?
Hermione apenas abriu a boca e tornou a fechá-la, sem falar nada. Ele riu baixinho e continuou caminhando, deixando-a para trás.
O grupo caminhou através de um corredor ladeado por árvores e que dava num pátio de pedra com uma fonte no meio, desativada por causa do frio, mas que mesmo assim, era linda. Em toda a volta do pátio, árvores extremamente cuidadas dirigiam os olhos para a entrada da mansão que era maravilhosa. Era quase um castelo na verdade, bem menor do que Hogwarts, mas ainda assim era imenso. Escondia detalhes de arquitetura que Hermione decidiu tomar um tempo assim que possível para observar com calma.
As dependências da mansão então, nem se comparam a nada que Hermione tivesse visto na vida. Era clara e aconchegante. Tinha uma grande lareira no canto direito do cômodo e uma escada do lado oposto.
- Tome as chaves do seu quarto. – falou a Profa. Minerva, com um sorriso no rosto. – Nos encontraremos aqui as 18 pm para o jantar e a divulgação das atividades.
- Obrigada professora. – falou Hermione.
A mulher acenou com a cabeça e saiu. Hermione olhou a escada e subiu devagar. Ela ainda olhava as paredes, com quadros renascentistas, tapeçarias enormes e archotes que davam a tudo um ar medieval que ela adorava.
Chegando à porta de seu quarto ela girou a chave na fechadura e sentiu o coração acelerar. Algo lhe dizia que estas férias iriam revelar momentos especiais e surpresas agradáveis. Entrou no quarto e ficou de boca aberta. Ele tinha uma grande janela do lado oposto e uma cama enorme de espaldar, com várias almofadas espalhadas. Uma mesinha ao lado da cama apoiava um belo abajour e do lado oposto da cama, um armário de madeira trabalhada. Ela viu que sua bagagem não estava no quarto. Fechou a porta e se dirigiu para o armário e ao abrir a porta, viu suas roupas e sapatos organizados e impecáveis. Isso só podia ser magia.
Após apreciar a vista da janela de seu quarto, e testar o macio colchão da cama, Hermione desceu para o saguão e decidiu andar um pouco para conhecer os jardins da propriedade.
Ao fechar a porta, viu no fim do corredor que Snape saia também de seu quarto com um livro na mão. Ele caminhou em direção à escada e Hermione atrasou um pouco, evitando ouvir mais algum desaforo. Mas não obteve sucesso. Snape parou no topo da escada e a observava com expressão curiosa. Ela decidiu se mover em direção a ele, meio insegura, pois agora sim ela tinha chances de ouvir algo desagradável. Ela parou em frente à Snape e ele ainda mantinha os olhos fixos nela.
- Algum problema, professor? – perguntou, tentando parecer natural.
De perto ele era um tanto mais alto que Hermione e ela teve que levantar a cabeça para encará-lo. Ele a observou por mais alguns segundos e falou:
- Estou de férias. Não quero pensar em problemas. Por favor. – e indicou os degraus para que ela descesse primeiro. Ela o fez, mas logo ele estava perto, descendo silenciosamente.
Hermione desceu as escadas sem olhar para trás. Cruzou a ampla sala e após passar pela enorme porta de carvalho ela percebeu uma presença. Olhou por cima do ombro e viu que Snape estava bem atrás de si.
Ela parou devagar e se virou, tentando mostrar paciência.
- O senhor está me seguindo?
- Eu pretendo encontrar um local agradável para minha leitura. – Snape tinha uma expressão que não podia ser decifrada.
Hermione não respondeu nada. Ela não podia objetar, nem tinha motivos para isso, pois, provavelmente, ele estava provavelmente com a mesma intenção dela: encontrar um pouco de ar puro e desfrutar de um tempo livre.
Eles se encaminharam para a direita da casa entre algumas árvores, em silêncio. O tempo estava agradável, mesmo estando inverno. Hermione pensou se isso não seria magia também. O sol brilhava tímido, mas aquecia mesmo assim. Os dois encontraram uma clareira após cruzarem alguns arbustos e árvores. Era um grande gramado, com bancos de jardim espalhados e mesas e cadeiras de jardim convidativas.
- Acho que encontrei. – falou Snape. – Com licença. – e se dirigiu a um dos bancos que ficava meio sombreado pelas árvores.
Hermione observou ele se sentar no banco, abrir o livro e parecer extremamente concentrado na mesma hora. Ela imaginou o que ele estaria lendo que o interessava tanto.
Ela caminhou mais alguns passos e tirou os sapatos, sentindo a grama gelada nos pés e um arrepio lhe percorrer a espinha. Encontrou uma árvore que tinha pequenas flores brancas e colheu algumas cantarolando, sem perceber que Snape a observava. Ele a via esticar o corpo para pegar as flores, que reunia entre os dedos. Após ela fez um pequeno buquê, o levou atrás da orelha e ajeitou os cabelos em torno dele. Conforme Hermione se afastava lentamente, Snape ia baixando o livro nas mãos, sem saber o porquê ele não conseguia tirar os olhos dela. Hermione usava roupas trouxas, que ele identificou como um traje comum, calças jeans e blusa. Ele havia percebido que ela mudara. Estava diferente, adulta e bonita. Não parecia mais aquela sabe-tudo despenteada e arrogante. Ela estava sutil e quieta, não ficava mais levantando a mão a toda hora e mostrando que sabia de cor os livros antes mesmo de eles serem cogitados pelos professores.
Ele rosnou para si mesmo e baixou os olhos para o seu livro. Mas logo percebeu que lia o mesmo parágrafo várias vezes, sem captar nada. Fechou o livro com raiva e tomou um susto ao ver Hermione parada à sua frente. Ele olhou seus pés e viu que ela ainda estava descalça.
- Eu adoro sentir a grama nos pés. – Hermione falou, inocentemente, levantando o ombro – Posso perguntar o que o senhor está lendo?
Snape endureceu as costas e fitou os olhos castanhos de Hermione. As pequenas flores caíam molemente de seu arranjo improvisado. Ela lhe pareceu uma criança de pura inocência.
- Estou lendo Shakespeare. Gosta? – falou Snape olhando as flores.
- Sim, muito. – respondeu Hermione, meio bobamente.
- O que mais gosta em Shakespeare? – perguntou ele.
- Romeu e Julieta.
- Humm, compreensível para uma jovem. O curioso é que eu também gosto. – falou Snape se sentando. – Estou lendo isso agora.
Hermione não acreditou e quis pegá-lo na mentira.
- Pode ler para mim a parte em que estava? – ela se sentou no banco colocando as pernas junto ao corpo e ele girou o tronco para olhá-la. Ele pareceu surpreso, mas não se incomodou, começou a ler.
“- Meu inimigo é apenas o teu nome. Continuarias sendo o que és se acaso Montecchio tu não fosses? Que é Montecchio? Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que pertença ao corpo. Sê outro nome. Quê há num simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume. Assim Romeu, se não tivesses o nome de Romeu, conservara a tão preciosa perfeição que dele é sem esse título. Romeu, risca o teu nome, e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira.
- Sim, aceito a tua palavra. Dá-me o nome apenas do amor, que ficarei rebatizado. De agora em diante não serei Romeu.
- Quem és tu que, encoberto pela noite, entra em meu segredo?
- Por um nome não sei dizer-te quem eu seja. Meu nome, cara santa, me é odioso, por ser teu inimigo; se o tivesse diante de mim escrito, o rasgaria.
- Minhas orelhas não beberam sequer cem palavras de tua boca, mas reconheço o tom. Não és Romeu, um dos Montecchios?
- Não, bela menina; nem um, nem outro, se isto te desgosta.
- Dize-me como entraste e porque vieste. Muito alto é o muro do jardim, difícil de escalar, sendo o ponto a própria morte – se quem és atendermos – caso fosses encontrado por um dos meus parentes.
- Do amor as lestes asas me fizeram transvoar o muro, pois barreira alguma conseguirá deter do amor o curso, tentando o amor tudo o que o amor realiza. Teus parentes assim, não poderiam me desviar do propósito.
- No caso de seres visto poderão matar-te.
- Ai! Em teus olhos há maior perigo do que em vinte punhais de teus parentes. Olha-me com doçura, e é quanto basta para deixar-me à prova do ódio deles.”
Hermione falou olhando para Snape:
“- Por nada neste mundo desejara que fosses visto aqui.”
Ao que ele respondeu devolvendo o olhar:
“- A capa tenho da noite para deles me ocultar. Basta que me ames, e eles que me vejam! Prefiro ter cerceada logo a vida pelo ódio deles, a ter morte longa, faltando o teu amor.”
Eles se fitaram por alguns instantes. O som da voz grave de Snape ecoando nos ouvidos de Hermione e a intensidade do olhar dele recitando o último verso atingiram-na em ondas até que ela quebrou o silêncio.
- Não tinha idéia que o senhor gostava deste tipo de literatura. – falou de repente interessada demais nos próprios dedos.
- A senhorita não tem idéia de muitas coisas a meu respeito. Não sou o monstro que pareço ser, apesar de muitas vezes gostar de fingir ser isso. – falou Severo, fechando suavemente o livro. – Mas, estou no momento lendo esta obra para uma pesquisa que estou pensando em iniciar.
Hermione sentiu os dedos formigarem e olhou Snape mais uma vez. Uma pesquisa! Baixou o rosto tentando controlar sua curiosidade. Por fim, disse:
- Bem, eu espero poder conhecer outro lado seu, que não o do “morcegão das masmorras”, agora que seremos colegas em Hogwarts. – falou Hermione, sem poder conter um riso. Ela ficou ainda mais abismada ao ver um leve sorriso nos lábios de Snape.
- Isso irá depender da senhorita.
- Podemos começar então este broto de coleguismo? – pediu a moça.
Era estranho esse otimismo todo de Hermione. Ele sempre a vira sendo monossilábica e fria com ele. Começou a achar que estava indo longe demais. Ele lembrou que havia prometido para si mesmo que iria dar a importância que ela merecia. Hermione era apenas uma nova professora e sua ex-aluna. Severo a olhava com uma sobrancelha erguida, o sorriso havia sumido.
Hermione imaginou que havia pedido demais da casca grossa de Snape. Ia abrir a boca para retirar o que disse, mas foi interrompida pela mão estendida de Severo.
- Feito. – ele soltou.
Ela estendeu a mão e apertou a de Snape. Não se lembrava se já tinha feito isso, muito provavelmente não. A mão dela estava gelada, pois o sol já quase se punha e um vento de inverno os encontrava.
- Feito. – ela disse.
E antes que soltasse a mão de Hermione, ele disse:
- Você está gelada. – e se levantou, deixando o livro na mão de Hermione, pegou os sapatos dela no meio do gramado e voltou, entregando-os a ela.
Por um instante, Hermione achou que estava mesmo delirando, vendo o homem mais arrogante de Hogwarts sendo cavalheiro.
- Não precisava se incomodar. – ela disse um pouco assustada.
Ele assumiu uma expressão dura.
- É imensamente difícil poder ser educado. Algo tão elementar e tantas vezes entendido de forma errada. – ele falou em tom gélido.
- Obrigada. – falou Hermione, muito sem jeito agora.
Ela calçou os sapatos e lhe estendeu o livro, bastante constrangida. Sentiu-se incomodada pela sua grosseria por algum motivo e pensando que talvez valesse à pena, acrescentou:
- Entenda, é bastante novo para mim, ver o professor mais mal humorado e ranzinza de Hogwarts sendo tão gentil, lendo Romeu e Julieta. – e fez um gesto como que se desculpando.
- Se já assustava tanto como professor, sendo gentil assusto mais, talvez eu deva achar que não há solução para mim. – falou Severo em tom grave, enquanto eles se dirigiam de volta à mansão.
- Absolutamente! Sempre há solução para as pessoas, tudo depende das escolhas que elas fazem. Eu mesma fiz algumas escolhas ruins, e agora pago um preço por elas, mas ainda há esperanças para mim. Para você também, só depende de você mesmo. – falou Hermione, como quem defende uma teoria muito coerente.
Severo a fitou curioso.
- A senhorita provavelmente tem algo de interessante por baixo desta cara de sabe-tudo insuportável. – falou Snape com ar de superioridade.
Hermione bufou.
- Ora é claro que tenho! Pois se eu disse que até mesmo um velho ranzinza tem solução. – e girando deu as costas para Severo e foi apressada para o meio das árvores.
Severo segurou uma risada na garganta e a seguiu.
- Típico de uma grifinória. – falou ele ao alcançá-la.
Hermione estancou e não se daria por vencida tão facilmente. Virou para fuzilá-lo com os olhos e encontrou-o muito sério. Por algum motivo ela não conseguiu despejar todos os desaforos que vinham à sua mente por causa do comentário preconceituoso do homem.
Severo não movia um músculo enquanto fixava os olhos de Hermione. Parecia que ele tinha o dom de encarar as pessoas até que elas não suportassem mais ser invadidas por seus olhos frios.
De repente a mente de Hermione ficou vazia. Era como se ela ficasse letárgica quando Severo estava muito perto. Ela não havia tomado total consciência do que era isso e um aperto no peito a incomodou fazendo-a despertar, tentando respirar normalmente.
- Algum problema? – ele perguntou, e agora a olhava com a cabeça levemente inclinada, com uma sobrancelha levantada.
- Não, nenhum. – disse Hermione e seguiu para a mansão.
~*~*~*
Após o delicioso jantar, todos estavam preguiçosos demais para se moverem dos seus lugares à mesa. Ela era retangular e grande, e poderia folgadamente abrigar o dobro de pessoas que se reuniam ali. A sala de jantar era circular e as paredes de pedra davam a impressão de que seria um ambiente muito frio, mas a temperatura estava agradável, e até mesmo quente, depois de algumas cervejas amanteigadas. A enorme lareira possuía um fogo resignado e crepitava entrecortando as conversas altas dos professores animados. Hermione pensou que de fora se poderia ver uma mansão apinhada de chaminés, pois em todos os cômodos que ela conhecera até agora havia uma lareira grande e linda.
Hermione estava achando tudo muito agradável. Estava com uma expectativa quase palpável sobre as atividades que poderia realizar naquele período. Ela poderia ler seus livros, ouvir as músicas que a emocionavam, conversar longamente e se divertir com as tiradas de Dumbledore. Ela queria passear e conhecer os arredores dos terrenos da propriedade. Ela adorava estar ao ar livre, no campo, em meio às árvores e a natureza.
Mas, estranhamente, havia algo que a estava deixando com uma sensação no peito diferente disso. Era como se ela se sentisse criança e fosse ganhar um presente de Natal no dia seguinte. Percebeu que estava ansiosa pelo que seria aquele início de amizade com Snape. Ele era uma incógnita agora. Ela podia descrevê-lo muito bem até aquela data. Naquela tarde ela havia visto por uma fresta um Severo muito diferente e, incrivelmente, este Severo havia gerado nela um interesse e uma curiosidade que ela mal podia conter.
Durante todo o jantar, Snape esteve conversando com um professor novo de Defesa Contra as Artes das Trevas, o Sr. Smith. Ele era um homem muito simpático. Quem o visse de longe, com uma careca salpicada de alguns fios brancos, óculos discretos e um sorriso amável, não poderia dizer que ele enfrentava artes das trevas. Parecia muito mais um vovô carinhoso do que um mestre em DCAT. Ele era muito alto e esbelto, porém forte, com braços compridos. Apesar de sua aparência grande, ele era de uma sutileza incrível. Quase não se percebia a sua presença em um ambiente. Ele falava baixo e sorria sempre.
Hermione observava os dois conversando, tentando ser discreta, mas estava difícil. Ela gostaria muito de ouvir a conversa. Ela gostaria mesmo era de ouvir o que Severo falava. Tentava entender alguma coisa dos lábios dele, mas percebeu que estava satisfeita em vê-los apenas se movendo. Snape nesta noite usava um casaco marrom escuro, por cima de uma camisa branca. Ela achou interessante, pois nunca, em seus sete anos em Hogwarts, ela o vira usando outra cor que não fosse o preto sobre a camisa branca.
- Meus amigos. Lamento interromper a conversa, mas Minerva quer falar sobre a programação para amanhã. – falou Dumbledore, se levantando e inclinando ligeiramente para a esquerda, se apoiando no encosto da cadeira ao lado, e soltando uma risada. – Bem, acho melhor me sentar enquanto isso.
- Muito bem. Antes de mais nada quero deixar claro que toda a programação foi elaborada para promover a integração e momentos de proximidade entre nós. Porém, acredito que muitos gostariam de fazer outras atividades, desta forma, todos estão livres para participarem se quiserem. – falou Minerva, com as bochechas coradas. Ela usava um vestido azul e não tinha o costumeiro chapéu pontudo sobre a cabeça. Os cabelos tinham uma parte presos no alto da cabeça e o resto caia em grandes ondas pelos ombros e costas da professora. Hermione pensou que ela havia remoçado uns quinze anos com os cabelos soltos e uma roupa mais leve.
Enquanto a mulher informava os horários e atividades, Severo virou-se e olhou para Hermione, que estava sentada do outro lado da mesa, duas cadeiras atrás dele. Eles se olharam por um instante e a voz de Dumbledore quebrou o contato visual deles.
- Bem, eu vou me recolher, mas vocês fiquem à vontade. Boa noite a todos. – Dumbledore se levantou e foi seguido por Minerva. Hermione os observou um pouco espantada. Dumbledore e Minerva? Não podia ser. Ela tirou os olhos deles e seguiu-os imediatamente para Severo que a observava. Ele fez um aceno de cabeça como quem diz: “Curioso, não?” Hermione baixou a cabeça com um sorriso e também se levantou para ir para seu quarto. Deu um “boa noite” geral a todos e seguiu para a escada. Ao chegar ao topo da escada ouviu atrás de si:
- Boa noite Senhorita Granger.
Virou-se e viu que Severo estava muito perto.
~*~*~*
N/B Sô Prates – Bem Fadinha querida, primeiro tenho que pedir desculpas publicamente pela demora, depois, tenho que dizer que não sei como não fiquei admirada ao saber que o Severo lê Shakespeare, creio que sempre achei que tinha muito mais dentro daquela casca grossa do que a Tia Jô deixava aparecer e espero que você mostre esse lado dele prá gente. Hum, sei não, acho que acabei me apaixonando pelo morcegão...
Bem, adorei a mansão, especialmente a cena dos mestres vestidos informalmente. Os olhares trocados entre a Hermione e o Severo quando Alvo e Minerva se retiram da sala, também foi divino. Ele a observando de pé no chão... enfim, capítulo delicioso, que me deixou com um gostinho de quero mais.
Agora, se me dá licença, preciso comentar essa conversinha do James e do Sirius aí em baixo: Meninas, alguma de vocês já pensou em fazer disso aí uma short??? Pois deveriam pensar, morri de dar risada lendo isso!!! Sô, acho que você tem uma veia humorística! Sério mesmo!
Bem, FELIZ ANO NOVO!!! E muita inspiração prá você e prá nossa Beta também!!!
E que venha o próximo capítulo!!!
N/B Sô Sag – James afasta algumas nuvens do caminho e esfrega os olhos, desacreditando da própria visão. - "Sirius, você PRECISA ver isto!" - "Isto o quê?" - Responde Almofadinhas, muito ocupado piscando para algumas anjinhas risonhas que passavam por ali. - "Seb... Digo, Snape!" - Exclama James, forçando o amigo a olhar para baixo - " Veja o que ele está lendo!!!! " - "Ah, Pontas, francamente, eu não vim para o paraíso para voltar a olhar para o narigão de... O QUÊ?????? Não! Não pode ser... - Injuriado, Sirius pula em uma nuvenzinha de transporte e começa a se afastar pelo céu rosa dourado. - Onde você vai, cara?" - Pergunta James, enquanto limpa os óculos na túnica mais uma vez. - " Falar com Santo Expedito! Severus Snape lendo Romeu e Julieta TEM de ser algum tipo de brincadeira milagrosa dele..." ------ ;D ------- Desculpe Betinha, não resisti! Hi!Hi!Hi! - Brincadeira à parte, ... UAU! Shakespeare, é???? Hum.... Por essa eu não esperava! =D - "Você tem algum problema de equilíbrio Srta. Granger?" - "Tenho. Você!" - rsrsrsrsrsrsrsrsrs... Como é que ele consegue ser tão implicantemente sedutor???? Affff!!!! - ;D - Amei a mansão! Ficou muito bom colocar nossos amados personagens em um ambiente tão diferente! ADOREI! - E aí, quando vem o terceiro???? Antes do Natal? De presente??????? - Ok, ok... Eu tentar não custa, não é? ;D - Parabéns Fadinha! Capítulo TUDO DE BOM! - Beijo grande de FELIZ NATAL para você! Que o Ano Novo seja cheio de inpiração e sucesso! TEDORO!!!! Até o próximo!!!!! Beijão! APLAUSOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! =D
N/A – Depois de um merecido descanso de fim de ano, eu voltei. =D Desculpem a demora, prometo tentar não demorar tanto para postar os próximos capítulos. Well, well, well... O que estão achando? Eu estou amando escrever essa fic, tem sido uma motivação para sentar no micro no FDS, depois de uma semana inteira, oito horas por dia, com a cara na tela. Mas, como eu imaginava, tem suas compensações e estou muito feliz por estarem gostando. Realmente é um shipper complexo. Tanto Severo com Hermione, eu acho ambos complexos. Que responsa!!..hihi... Mas nada disso seria possível sem minhas betas amadas. Obrigada queridas, vcs são o máximo!!! ;D Espero mais e mais reviews. Bjos carinhosos!!
Bom, vamos aos agradecimentos:
Loryzinhah Snape; Dark Lady; Grazielle; Elane Black; Mari Granger Weasley; Gislene Tristão; Pathy Potter; Thays Phoenix – Obrigada meninas!! Desculpem a demora, vou tentar ser mais rápida. Que bom que estão gostando!! =***
Rosy SS – Vc é a responsável pelo coro hein??!..hihihi... Bom, vcs pediram, aí está. De novo, desculpem a demora.
Mickky – Querida, você veio!!! Que felizzzzzzz!!! =DD Você gostou mesmo?! Sabe que sua opinião é mega importante né?? Você pode dar pitaco à vontade, se quiser, por MP, ok?! Adorei saber que você ficou descompassada, como eu...hihihi... Obrigada amore. Espero continuar agradando. Mega bjo!!
Dinha Prince - Bom, antes, obrigada pelos elogios, fico feliz que esteja gostando. Bem, sobre a fic que me cativou eu conto com o maior prazer, adoro contaminar outras pessoas, *sorriso maquiavélico*. É a “Uma Virada do Destino”, ela está postada aqui na Floreios. Eu indico com louvor, é ótima!!
Renata Gomes - Obrigada Renata! É, eu me tornei fã do shipper, agora já era...rsrsrsrs... Que bom que você gostou, mas eu estou só começando. Se estou ganhando fãs eu fico tremendamente honrada. Continue comentando e curtindo, ok? Beijo grande!!
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