O homem andava exasperado com uma pilha de papeis nas mãos e algumas fotografias também. Seus cabelos negros balançavam à medida que o ar lhe batia no rosto e exaltava os fios negros de um lado para o outro.
-É impossível! – disse atirando a pilha sobre a mesa de Hermione, apoiando os braços na mesma em seguida – Nenhuma pista, nenhum deslize, simplesmente não acharam nada! A analise deu que ela já estava ali há algum tempo e que foi inquestionavelmente morta por magia, mas o ministério tem registro e controle total sobre todos os usos de maldições imperdoáveis, seria como se um bruxo menor de idade usasse magia no meio de uma escola trouxa...
-Harry, se acalme esta bem? – Hermione pediu pegando algumas das pastas que ele havia trazido e percorrendo as mesmas com os olhos numa velocidade impressionante – Tenho certeza de que vamos encontrar alguma coisa, só temos que...
A mulher parou de falar aproximando o papel dos olhos e depois pegando uma das fotos e procurando algo com uma pequena lupa.
-O que foi? O que você encontrou? – Harry perguntou exasperado dando a volta na mesa e ficando ao lado dela.
-Nada... – Hermione guardou a foto e a pasta que lia com cuidado e sorrio com desapontamento para o amigo – Achei que tivesse sinais de uso de um certo veneno, mas eu li errado.
Harry suspirou sem esperança e sentou-se na cadeira em frente a amiga com uma expressão de poucos amigos.
-Sabe o que vai acontecer? A suprema corte vai perder o foco do julgamento e os defensores de Lucius vão armar alguma historia muito bem elaborada de como visivelmente alguém esta tramando contra a família Malfoy! – o garoto bateu com força na mesa, sua raiva visível – Temos que achar o filho da mãe que matou Narcisa Malfoy!
-Talvez eu possa ajudar...
A porta da sala se abriu e eles puderam ouvir uma voz baixa e um pouco grave, ate rouca poderia se dizer. Uma mulher alta, de longos cabelos negros e uma pele muito branca os encarava com seus grandes olhos azuis, as vezes incrivelmente elegantes, os cabelos bem cuidados e impecavelmente presos e o rosto belo ressaltado pela pouca maquiagem quase impediu que os dois jovens bruxos reconhecessem a visitante.
-Não queremos sua ajuda Lestrange, volte para casa, você não deveria sair de lá sem o Sirius. – o moreno disse com a voz arisca e a atitude rude – A não ser que queira ser presa novamente...
-Ela não saiu – um segundo ocupante entrou na sala com o costumeiro sorriso sempre jovial e a expressão calma – Concordo com você Harry, isso pode prejudicar a prisão de Lucius, e temos que assegurar que ele seja preso, e para isso, temos que tentar de tudo.
-Sirius, nós procuramos tudo, simplesmente não há nada que indique quem fez isso ou como foi feito – Harry argumentou desanimado.
-Eu conhecia minha irmã melhor que ninguém Potter, garanto que posso ser de alguma valia, e daqui por diante, eu sou Black!
Bellatrix avançou mais imponente na sala e sentou-se em outra cadeira diante de Hermione.
-Bom, se vocês insistem... – o moreno olhou para Bellatrix sentada ao seu lado com uma expressão desgostosa. Não confiava, e não gostava dela, e fazia questão de não esconder a antipatia – Vejamos...
Sirius, Harry e Bellatrix começaram a analisar as pastas de relatórios e as fotografias da cena do crime tão avidamente, que não perceberam quando Hermione discretamente escondeu uma das pastas com alguns depoimentos e fotos dentro de sua bolsa.
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Aos degraus da escadaria principal do castelo, uma ruiva lia alarmada o profeta diário, enrugando a testa em alguns momentos e suspirando preocupada em outros, seus olhos percorriam o pergaminho tão atentamente que quase saltavam das órbitas.
-Uma tragédia não acha?
Gina foi tirada de sua concentração por uma voz arrastada as suas costas, e quando pensou que o susto de ser interrompida quando estava tão concentrada não poderia ser superado, levou um susto ainda maior, Draco Malfoy estava parado as suas costas com postura fria e um rosto livre de qualquer expressão.
-Sim, eu sinto muito – ela disse levantando-se e arrumando as vestes calmamente – O que esta fazendo aqui? Achei que tivesse que ficar com... – a ruiva parou de falar olhando em volta um tanto ansiosa com uma expressão confusa.
-Potter? – ele completou sem se mover enquanto a via olhar em volta a procura de alguém – Não, todos os membros do ministério foram postos nesse caso, parece que ele vai ter uma grande repercussão, sem ninguém para me proteger das pessoas malvadas do mundo, Scrimgeour achou prudente Snape e eu ficarmos em Hogwarts – o loiro explicou com um tom de deboche.
Gina revirou os olhos arrumando as coisas na mochila e levantando-se, como ele poderia ficar tão passivo diante da morte da própria mãe? Poderia comprovar que Draco de fato era como o pai, não tinha coração, apenas por suas atitudes naquele momento que para qualquer outra pessoa normal seria a coisa mais devastadora de se acontecer.
-Sinto muito por sua perda – ela disse assumindo uma postura também fria – Espero que peguem logo quem fez isso.
A ruiva ia virar-se para ir embora dali quando foi interrompida pelas palavras dele.
-Obrigado Weasley, sinto seu namoradinho não ter vindo, prometo que na próxima visita o trago embalado numa fita vermelha – o loiro provocou com as mãos nos bolsos das vestes, encostando-se charmosamente no corrimão da escada e a olhando de lado.
Gina não se conteve e voltou-se para ele, dando alguns passos em sua direção com o olhar repleto de confusão e irritação.
-Você tem sentimentos Draco Malfoy?
O loiro não mudou a expressão, não se moveu, nem sequer abriu a boca para pronunciar uma só palavra, na verdade, ele nem piscou, apenas ficou mirando a ruiva como se fosse mais uma estatua daquele castelo, mais um enfeite magnífico e esplendido de se admirar, mas ainda assim, sem vida, portanto incapaz de suprir qualquer necessidade que não a artística.
Cansada do silencio e já certa de que ele não a responderia para ficar debochando com aquela pergunta tão tola, Gina voltou a dar as costas ao homem caminhando decidida na direção oposta a dele, deixando que o mesmo a visse de costas se afastar ate virar em um corredor e desaparecer do campo de visão do mesmo.
-Se você soubesse Ginevra Molly Weasley, nunca mais se aproximaria – Draco comentou para si mesmo com um sorriso demoniacamente debochado enquanto se desencostava do corrimão da escada e rumava para uma direção qualquer.
///***///
Já estava ali há quase duas semanas, e não havia tido qualquer noticia sobre o caso, Granger, Potter, ou mesmo o ministério, e ficar de fora de algo ao qual tinha tantas suposições o estava deixando irreconhecivelmente impaciente.
-Não acharam nada? – Severus perguntou andando de um lado para o outro naquela sala que conhecia tão bem de outros tempos.
Minerva relia a carta que acabara de receber do ministério e novamente balançava a cabeça.
-Rufus Scrimgeour disse que acha mais apropriado você e o Sr. Malfoy permanecerem aqui ate poderem disponibilizar seus aurores para proteger os dois, ou mesmo que fiquem sob a proteção de Hogwarts ate o dia do julgamento – a bruxa disse com bastante calma, pousando a carta sobre a mesa que outrora fora de Dumblendore e deixando suas mãos descansarem sobre a mesma.
-Não sou nenhuma criança, não preciso de proteção! – bruxo avançou na direção da saída com determinação.
-Severus! – minerva o chamou levantando-se imediatamente de sua cadeira com sua costumeira expressão severa – Ele deu a vida para que aquelas pessoas fossem detidas e não machucassem mais ninguém, vai realmente arriscar sua segurança e a de terceiros? O que acha lhe ele diria?!
Snape segurou a maçaneta com força e de uma maneira malignamente lenta virou o roso encarando a bruxa de lado, os cabelos longos cobriam parte do seu rosto, deixando sua figura ainda mais sombria.
-Não tenho como saber, sou apenas o homem que matou ele! – falou frio, apertando a maçaneta ainda mais – E os olhares de cada aluno, quadro ou fantasma dessa escola me lembram isso! – e dizendo essas palavras, Snape se retirou do lugar, batendo a porta com força ao passar.
-Por que você sempre se esconde quando ele vem aqui? – Minerva perguntou sentando-se na cadeira com uma expressão cansada e um suspiro longo – Acho que uma conversa com ele seria uma boa idéia.
-Severus não esta pronto para me encarar ainda Minerva, ainda não – Dumblendore apareceu lentamente em seu quadro, falando com sua voz suave que sempre acalmava quem quer q o ouvisse – Agora se me dá licença, Negellus e eu temos uma partida de xadrez pendente.
///***///
Severus saiu do castelo com um andar decidido, seus passos eram firmes, como se nada pudesse impedi-lo. Estava nervoso, impaciente, irritado, não conseguia ficar naquela escola depois de tudo e não se lembrar do que fez, deveria ter arrumado outra maneira de faze-lo, deveria ter arrumado outra maneira de executar o plano. Sempre fora um bruxo esperto, era a característica Sonserina que mais o definia, e justo quando mais precisava, ela lhe falhara. Tinha que se acalmar, tinha que relaxar, e o único lugar em que conseguia fazer aquilo sem deixar a propriedade, era a floresta.
-Severus!!
Ele virou o rosto assim que ouviu seu nome ser chamado, reconhecendo de imediato a voz que gritava seu nome. Os olhos do homem se estreitaram para ver melhor, o que diabos ela estava fazendo ali? Snape parou de andar e ali ficou como uma arvore enquanto Hermione corria apressada e visivelmente agitada em sua direção.
-O que esta fazendo aqui Hermione? – perguntou ele olhando ela dos pés a cabeça.
A garota estava extremamente ofegante, como se tivesse corrido um bom pedaço, suas roupas estavam um tanto amassadas o que indicava que ela saíra apressada, e em seu peito havia um crachá do ministério da magia que ela esquecera de devolver, o que comprovava que ela havia saído com muita pressa.
-Só agora consegui uma folga para lhe falar, mas não tenho muito tempo, tenho que voltar a Londres ainda hoje! – ela explicou ainda ofegante, apoiando as mãos nos joelhos e tentando recuperar o fôlego.
-O que aconteceu? Por que veio? – o homem a olhava confuso, com uma das sobrancelhas erguidas, não tinha tido noticias dela desde o dia seguinte ao assassinato de Narcisa, três semanas atrás.
Hermione endireitou-se diante dele agora com a respiração mais regular e suspirou olhando fundo nos olhos de Snape com um misto de preocupação e apreensão. Ela respirou fundo e mirou o chão como se aquelas palavras fossem difíceis de serem pronunciadas e logo em seguida voltou-se novamente para ele.
-Precisamos conversar seriamente – ela disse com uma postura firme, fazendo Snape ficar receoso. Calmamente a mulher retirou uma pasta de dentro da bolsa e da mesma uma fotografia, mostrando-a a Severus sem tirar os olhos dos rosto do homem – Antes que eu mostre isso ao Harry e ao resto do Ministério, tem alguma coisa que queira me contar? – perguntou seria e um pouco fria.
Snape olhou a foto e logo arregalou-se, apreensivo ao que estava mirando, olhou para ela e em seguida para foto novamente, sua expressão foi de confusão para receio, e de receio para assombro.
Ele olhou em volta, vários alunos começavam a sair de suas aulas e andar no meio do lago para relaxarem após um dia de estudo. Severus segurou Hermione pelo braço e ainda segurando a fotografia a puxou apressado na direção da floresta.
-Aqui não é um bom lugar para conversarmos – disse enquanto andava rápido – Não sei o que espera ouvir, mas lhe asseguro que sou inocente...
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Ai esta!! Demorou, mas ai esta, quentinho, saido do forno!!
Espero que gostem, desculpem a demora, tentarei me apressar mais.
Comentem que eu me animo pra escrever =B
desculpem mesmo a demora, e obrigada quem nao desistiu da fic |