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6. CAPÍTULO SEIS


Fic: Glória Mortal - Concluida


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPÍTULO SEIS

Na manhã seguinte, seu ombro estava latejando tão violentamente que parecia Luna quando dançava a música final de seu show. Gina reconhecia que as horas extras que passara com Neville, seguidas de uma noite agitada, rolando sozinha entre os lençóis, não ajudaram em nada. Não gostava de ingerir coisa alguma que fosse mais forte do que um analgésico simples, e tomou uma dose mínima antes de se vestir para ir à cerimônia fúnebre.
Ela e Neville tinham topado com uma informação apetitosa. David Angelini fizera três retiradas vultosas de suas contas, nos seis meses anteriores, até atingir a considerável soma de um milhão, seiscentos e trinta e dois dólares americanos. Isso representava mais de dois terços de sua poupança pessoal, e ele fizera as retiradas em fichas de crédito anônimas e dinheiro vivo.
Ainda estavam investigando Randall Slade e Mirina, mas até aquele momento os dois pareciam limpos. Apenas um casal jovem às vésperas do matrimônio. Só Deus sabia como é que alguém poderia estar feliz à beira de um passo como aquele, pensou Gina enquanto tentava achar o blazer cinza.
Aquela droga de botão do paletó ainda estava faltando, notou enquanto o fechava. E então se lembrou de que o botão estava com Harry, que o carregava para cima e para baixo como uma espécie de talismã. Ela estava vestindo aquele mesmo blazer da primeira vez em que eles tinham se encontrado, também em um funeral. Apressadamente, passou o pente pelos cabelos e fugiu do apartamento e das lembranças.
A Catedral de Saint Patrick já estava transbordando de gente na hora em que ela chegou. Policiais com uniforme de gala tinham interditado três quarteirões da Quinta Avenida. Formavam uma espécie de guarda de honra, analisou Gina, em homenagem a uma advogada que todos os policiais da cidade respeitavam. Tanto o tráfego de rua quanto o aéreo tinham sido desviados da avenida normalmente engarrafada, e a mídia estava amontoada, formando um desfile movimentado do outro lado da larga avenida. Depois que o terceiro policial a parou, Gina resolveu pregar o distintivo no paletó e continuou, sem outros obstáculos, até a antiga catedral e o som dos cânticos fúnebres.
Ela não ligava muito para igrejas. Elas a faziam se sentir culpada, por motivos que não fazia questão de explorar. O aroma de cera de velas e de incenso estava forte. Alguns rituais, pensou, enquanto entrava em um dos bancos laterais, eram tão imemoriais quanto a lua. Desistiu de qualquer esperança que pudesse acalentar em relação a falar diretamente com algum dos membros da família de Lilá Brown naquela manhã, e se acomodou para assistir ao show.
Os ritos católicos haviam voltado a ser celebrados em latim, em algum momento da década anterior. Gina imaginava que aquilo adicionava uma espécie de misticismo, e era um fator de unidade. A língua morta, para ela, certamente parecia apropriada para uma missa de falecimento.
A voz do padre ressoou, alcançando os locais mais elevados da estrutura, e as respostas da congregação ecoaram logo em seguida. Calada e observando tudo, Gina olhava devagar pela multidão. Dignitários e políticos sentavam-se, com as cabeças baixas. Ela se posicionara próxima o bastante para conseguir olhar mais de perto a família. Quando Neville chegou e se colocou ao lado dela, Gina inclinou a cabeça.
- Aquele é Marco Angelini - murmurou - e aquela moça ao lado deve ser a filha.
- Acompanhada do noivo, à direita dela.
- Hum-humm. - Gina analisou o casal: jovem e atraente. A moça tinha constituição frágil, com cabelos dourados como os da mãe. O vestido preto sóbrio que usava descia a partir do pescoço alto, cobria os braços até os punhos e continuava até os tornozelos. Não usava véu, nem óculos escuros para esconder os olhos avermelhados e inchados. Pesar, puro e simples, em estado bruto, parecia rodeá-la.
Ao seu lado estava Randall Slade, alto, com o braço comprido amparando-a pelos ombros. Tinha um rosto marcante, quase primitivamente bonito, que Gina se lembrava bem da imagem que gerara na tela do seu computador: maxilar muito largo, nariz comprido, olhos contraídos. Parecia grande e rígido, mas o braço em volta da jovem repousava carinhosamente.
Do outro lado de Marco Angelini estava o seu filho. David estava ligeiramente afastado do pai. Aquele tipo de linguagem corporal indicava atrito. Olhava direto para a frente, com o rosto sem expressão. Era um pouco mais baixo do que o pai, e tão moreno quanto a irmã era loura. E estava só, pensou Gina. Muito só. O banco da família estava completo com a presença de Simas Finnigan.
No banco de trás estava o comandante, a esposa e o resto da família.
Gina sabia que Harry estava lá. Já o tinha avistado rapidamente na ponta de um banco, ao lado de uma loura chorosa. Naquele momento, enquanto Gina arriscava uma nova olhada, viu que ele se inclinou na direção da mulher e murmurou algo em seu ouvido que a fez apoiar a cabeça no ombro dele. Furiosa por causa da rápida fisgada de ciúme, Gina olhou novamente a multidão ao seu redor. Deu de cara com C. J. Morse.
- Como foi que aquele pequeno canalha conseguiu entrar? - Neville, como bom católico, franziu a testa diante do uso de palavras rudes na igreja.
- Quem? - perguntou.
- Morse, na direção do ponteiro das oito horas. - Fazendo o olhar circular, Neville avistou o repórter.
- Em uma multidão como esta, alguns dos mais escorregadios sempre conseguem furar a segurança.
Gina estava resolvendo se deveria arrastá-lo para fora, só pela satisfação de fazer isto. Decidiu, afinal, que um tumulto como aquele só serviria para dar a ele o tipo de atenção que buscava.
- Ah, ele que se dane!
Neville fez um som agudo de quem acaba de levar um beliscão.
- Por Cristo, Weasley, você está dentro da Catedral de Saint Patrick!
- Já que Deus criou uma peste manhosa como Morse, agora tem de ouvir algumas reclamações.
- Mostre um pouco de respeito.
Gina olhou mais uma vez para Mirina, que naquele instante levava a mão até o rosto.
- Já mostrei muito respeito por aqui. - murmurou. - Muito. - Dizendo isto, passou por trás de Neville e saiu pela lateral, em direção à rua.
No instante em que ele conseguiu alcançá-la, ela estava acabando de dar algumas instruções a um dos policiais.
- Qual foi o problema, Gina?
- Precisava tomar um pouco de ar. - Igrejas, para ela, sempre pareciam ter o cheiro de pessoas agonizantes ou mortas. - E também queria dar uma dura naquele peste. - Sorrindo, se virou para neville. - Mandei os policiais à procura dele. Vão confiscar qualquer aparelho de comunicação que ele estiver carregando. Lei da privacidade.
- Você vai deixá-lo revoltado.
- Que bom. Ele também me deixa revoltada. - Soltou um longo suspiro, olhando para a mídia do outro lado da avenida. - Quero ser mico de circo se o público tem o direito de saber de tudo. Pelo menos aqueles repórteres lá estão jogando de acordo com as regras, e demonstrando um pouco daquele respeito pela família que você estava invocando há pouco.
- Estou vendo que você já encerrou aqui, por agora.
- Não há nada que eu possa fazer ficando aqui.
- Achei que você ia se sentar ao lado de Potter.
- Não.
Neville concordou com a cabeça e quase enfiou a mão no bolso em busca do saquinho de amêndoas, antes de se lembrar que não era o momento adequado.
- Foi aquilo, então, que a deixou injuriada, garota?
- Não sei do que você está falando. - Começou a andar sem nenhum destino em mente, então parou e se virou para trás. - Quem era aquela loura que estava agarrada nele?
- Não sei, - e sugou o ar por entre os dentes - mas era muito bonita. Quer que eu fique de olho nele, para você?
- Ah, cale a boca! - Enfiou as mãos nos bolsos. - A mulher do comandante me falou que haveria uma pequena cerimônia particular depois da igreja, na casa deles. Quanto tempo mais você acha que este espetáculo vai levar?
- No mínimo, mais uma hora.
- Então vou dar uma passada na Central de Polícia. Encontro você na casa do comandante daqui a duas horas.
- Você é quem manda.
Uma cerimônia pequena e particular queria dizer que havia pelo menos cem pessoas se acotovelando na elegante casa do comandante. Havia comida para consolar os vivos e bebidas para aliviar a dor dos enlutados. Anfitriã perfeita, Anna Lupin veio correndo assim que avistou Gina. Manteve a voz em tom baixo, com uma expressão cuidadosa no olhar.
- Tenente, é mesmo necessário que a senhorita faça isso aqui, e agora?
- Senhora Lupin, serei o mais discreta possível. Quanto mais cedo eu terminar a fase dos interrogatórios, mais depressa poderemos encontrar o assassino da promotora Brown.
- Seus filhos estão arrasados. A pobre Mirina mal consegue se manter em pé. Seria mais apropriado se a senhorita...
- Anna. - O comandante Lupin colocou a mão sobre o ombro de sua mulher. - Deixe que a tenente Weasley faça o seu trabalho.
Anna não disse nada, simplesmente se virou e saiu tensa.
- Tenente, nós dissemos adeus a uma amiga muito querida hoje.
- Eu compreendo, comandante. Vou terminar aqui o mais rápido que puder.
- Seja cuidadosa com Mirina, Weasley. No momento ela está muito frágil.
- Sim, senhor. Talvez eu pudesse falar com ela primeiro, em particular.
- Vou providenciar isso.
Quando ele a deixou, Gina voltou até o saguão e se voltou na direção de Harry.
- Tenente.
- Potter. - e olhou para o cálice de vinho que ele trazia na mão. - Estou de serviço.
- Eu sei. Este vinho não era para você.
Gina seguiu o olhar dele até a loura, que estava sentada em um canto.
- Certo. - De repente ela começou a se sentir como se estivesse morrendo de tanta inveja até a medula. - Você se movimenta bem depressa.
Antes que tivesse a chance de se retirar, ele colocou a mão sobre o braço dela. Sua voz, assim como seus olhos, estavam cuidadosamente neutros.
- Gina, Suzanna é uma amiga comum, minha e de Lilá. É também a viúva de um policial, morto no cumprimento do dever. Foi Lilá quem mandou o assassino do marido dela para a cadeia.
- Suzanna Kimball. - reconheceu Gina, tentando conter o sentimento de vergonha. - O marido dela era um bom policial.
- Foi o que me informaram. - Com um leve traço de divertimento transparecendo em sua boca, Harry deu uma olhada na roupa de Gina. - Eu tinha a esperança de que você tivesse colocado fogo neste blazer. Cinza não cai bem em você, tenente.
- Eu não vim aqui para desfilar. Agora, se você me der licença...
- Você podia dar uma olhada nos problemas de Randall Slade com o jogo. - os dedos que seguravam seu braço o apertaram um pouco mais. - Ele deve elevadas somas de dinheiro a várias pessoas. Da mesma forma que David Angelini.
- Isso é verdade?
- Absoluta verdade. Eu sou uma dessas pessoas.
- E de repente você decidiu que eu poderia estar interessada. - Seu olhar endureceu.
- Estou apenas cuidando dos meus próprios interesses. Ele se enrolou em uma dívida impressionante em um dos meus cassinos em Las Vegas II. E há também a história de um pequeno escândalo, que aconteceu há alguns anos, envolvendo a roleta, uma ruiva e uma fatalidade, em um obscuro satélite-cassino localizado no Setor 38.
- Que escândalo?
- Você é a policial aqui. - encerrou ele. - Descubra. - Deixou Gina para ir até a viúva do policial, e segurou a sua mão.
- Mirina já está à sua espera em meu escritório. - murmurou Lupin no ouvido de Gina. - Prometi que você não vai segurá-la por muito tempo.
- Não, não vou. - Lutando para alisar os pêlos que Harry havia acabado de encrespar dentro dela, Gina seguiu as largas costas do comandante através da sala.
Embora o escritório doméstico não fosse tão espartano quanto a sua sala na Central de Polícia, era óbvio que Lupin mantinha o gosto exuberante e feminino de sua mulher do lado de fora, ali, naquele espaço. As paredes eram pintadas de bege-claro, o tapete era um pouco mais escuro e as poltronas eram largas, em um prático tom castanho.
Sua mesa de trabalho e um balcão ficavam no centro do aposento. Em um canto, ao lado da janela, Mirina Angelini estava à espera, em seu longo vestido fechado, preto. Lupin foi até ela antes, conversou baixinho e apertou carinhosamente sua mão. Lançando um olhar de advertência para Gina, deixou-as a sós.
- Senhorita Angelini, - começou Gina - eu conhecia a sua mãe, trabalhei com ela e a admirava. Estou muito sentida com a sua perda.
- Todos estão. - respondeu Mirina com uma voz tão frágil e pálida quanto seu rosto sem cor. Os olhos eram escuros, quase pretos, e estavam vidrados. - Com exceção da pessoa que a matou, imagino. Quero me desculpar por antecedência, tenente Weasley, para o caso de ser de pouca ajuda para as investigações. Não resisti à pressão e tive de me colocar sob o efeito de tranqüilizantes. Como todos poderão confirmar, estou absolutamente inconformada.
- A senhorita e sua mãe eram muito chegadas?
- Ela era a mulher mais maravilhosa que eu já conheci. Por que razão eu deveria estar calma e controlada depois de a ter perdido dessa forma?
Gina chegou mais perto e se sentou em uma das largas poltronas.
- Não posso imaginar nenhuma razão para a senhorita manter a calma.
- Meu pai quer uma demonstração pública de força e resistência. - Mirina virou o rosto para a janela. - Eu o estou decepcionando. As aparências são muito importantes para o meu pai.
- E a sua mãe, era importante para ele?
- Sim. Suas vidas pessoais e profissionais estavam entrelaçadas. O divórcio não mudou isso. Ele está sofrendo. - e inspirou profundamente, de modo entrecortado. - Ele não vai deixar transparecer porque é muito orgulhoso, mas está sofrendo. Ele a amava. Todos nós a amávamos.
- Senhorita Angelini, conte-me a respeito do estado de espírito da sua mãe, sobre o que conversaram e de quem falaram na última vez em que tiveram contato.
- Na véspera de sua morte, estivemos no tele-link por uma hora, talvez mais. Planos para o casamento. - As lágrimas surgiram e transbordaram sobre as faces pálidas. - Nós duas estávamos cheias de planos para a cerimônia. Eu lhe enviara algumas transmissões com modelos de vestidos: vestidos de noiva e conjuntos para mães de noivas. Randall estava criando os figurinos. Conversamos a respeito de roupas. Não parece fútil, tenente, que a última conversa que eu tive com a minha mãe tenha sido sobre moda?
- Não, não me parece fútil. Parece amigável. Amoroso.
- Acha mesmo? - Mirina pressionou os dedos sobre os lábios.
- Sim, acho.
- Sobre o que conversa com sua mãe, tenente?
- Não tenho mãe. Nunca tive.
- Isso é estranho. - Mirina piscou, e então focou o olhar em Gina de novo. - Como se sente a respeito disso?
- Eu... - Não havia modo de descrever algo que simplesmente estava ali. - Você não conseguiria compreender, senhorita Angelini. - respondeu Gina com delicadeza. - Quando estava conversando com sua mãe, ela mencionou alguma coisa, ou alguém, que a estivesse preocupando?
- Não. Se está pensando a respeito do trabalho dela, minha mãe raramente conversava sobre isso. Eu não tinha muito interesse pelas leis. Ela estava feliz, empolgada por eu estar chegando para passar alguns dias. Rimos muito. Sei que ela tinha esta imagem, a sua imagem profissional, mas comigo, com a família, ela era... Mais terna, mais solta. Eu brinquei com ela a respeito de Simas. Disse que, já que Randy estava confeccionando meu vestido de noiva, podia aproveitar para preparar o dela também.
- E qual foi a reação dela?
- Simplesmente rimos com a idéia. Mamãe gostava muito de rir. - disse, com ar um pouco sonhador, agora que o tranqüilizante estava começando a fazer efeito. - Ela me disse que estava se divertindo muito fazendo o papel de mãe da noiva, e que não queria estragar isto com as dores-de-cabeça de ser ela própria uma noiva. Gostava muito de Simas, e acho que eles ficavam bem juntos. Só que eu não acredito que ela o amasse.
- Não?
- Bem, não. - Havia um leve sorriso em seus lábios, e um brilho vitrificado nos olhos. - Quando você ama alguém, quer ficar o tempo todo com essa pessoa, não é? Quer ser parte da sua vida, e quer que ela seja parte da sua. Minha mãe não estava à procura disso com Simas. Nem com ninguém.
- E o senhor Finnigan, estava à procura disso com ela?
- Não sei. Se ele estava, parecia feliz o bastante para deixar o relacionamento rolar. Eu me sinto rolando também neste instante. - murmurou. - É como se eu simplesmente não estivesse aqui.
Como precisava que Mirina permanecesse alerta por mais algum tempo, Gina se levantou para pegar água sobre o console. Trazendo o copo de volta, colocou-o nas mãos da moça.
- Esse relacionamento causava algum problema entre ele e seu pai? Ou entre o seu pai e a sua mãe?
- Era... esquisito, mas não desconfortável. - Mirina sorriu novamente. Estava sonolenta naquele momento, tão relaxada que poderia cruzar os braços sobre o peitoril da janela e se deixar ficar ali. - Isso parece contraditório. Para compreender, a senhorita teria de conhecer o meu pai. Ele se recusaria a deixar que isso o aborrecesse, ou no mínimo não permitiria que isso o afetasse. Ele ainda mantém um relacionamento amigável com Simas.
Piscou os olhos ao olhar para o copo em sua mão, como se só naquele instante tivesse percebido que o estava segurando, e tomou um gole com delicadeza.
- Não sei o que meu pai sentiria se eles tivessem resolvido se casar, mas, bem, isso não vem ao caso agora.
- Está envolvida com os negócios do seu pai, senhorita Angelini?
- Na área de moda. Faço todas as compras para as lojas de Roma e Milão, dou a última palavra sobre o que vai ser exportado para nossas lojas de Paris e Nova York, e assim por diante. Viajo um pouco para ir a feiras de moda e desfiles, embora não ligue muito para viagens. Odeio sair do planeta. A senhorita gosta?
- Eu jamais viajei para fora do planeta. - Gina percebeu que a estava perdendo.
- Ai, é horrendo! Randy gosta. Diz que é uma aventura. Mas sobre o que eu estava falando mesmo? - passou a mão pelos lindos cabelos dourados e Gina pegou o copo antes que ela o deixasse cair no chão. - Ah, sobre as compras! Adoro comprar as roupas para as lojas. Os outros aspectos do negócio nunca me interessaram.
- Seus pais e o senhor Finnigan eram todos sócios de uma empresa chamada Mercury.
- Claro. Usamos exclusivamente a Mercury para nossas necessidades de envio de mercadorias. - As pálpebras começaram a cair. - É rápida e confiável.
- Não havia nenhum problema que a senhorita tenha conhecimento neste ou em algum outro negócio da sua família?
- Não, nenhum.
Era o momento de tentar uma tática diferente.
- Sua mãe tinha conhecimento das dívidas de jogo de Randall Slade, o seu noivo?
Pela primeira vez, Mirina exibiu um lampejo de vida, e um brilho de raiva surgiu em seus olhos apáticos. Era como se ela de repente tivesse acordado.
- As dívidas de Randall não diziam respeito à minha mãe, apenas a ele e a mim. Estamos lidando com elas.
- Você não contou à sua mãe?
- Não havia motivos para deixá-la preocupada por algo que já estava sendo solucionado. Randall tem um problema com jogo, mas já procurou ajuda. Não joga mais a dinheiro.
- E as dívidas são muito altas?
- Elas estão sendo pagas. - disse Mirina secamente. - Já fizemos acordos para quitá-las.
- Sua mãe era uma mulher rica, por mérito próprio. A senhorita vai herdar uma larga porção dos seus bens.
Os tranqüilizantes, ou então o pesar, afetaram a sagacidade de Mirina. Ela pareceu não ter percebido as implicações do que ouvira.
- Sim, vou herdar, mas não vou ter a minha mãe comigo, não é? No momento em que eu me casar com Randall, ela não vai estar lá. Não vai estar lá. - repetiu, e começou a chorar baixinho.
David Angelini não era frágil. Suas emoções se apresentavam sob a forma de impaciência rígida, com influências sutis de raiva reprimida. Para todos os efeitos, ali estava um homem que se sentia insultado diante da simples idéia de conversar com uma policial.
Quando Gina se sentou diante dele no escritório de Lupin, David respondeu às perguntas laconicamente, em um tom de voz curto e elaborado.
- Obviamente, foi algum dos maníacos que ela mandou para a cadeia que fez isso com ela. - declarou. - Seu trabalho a deixava próxima demais da violência.
- O senhor fazia objeções ao trabalho dela?
- Não conseguia compreender por que ela o amava tanto. Ou por que precisava dele. - Levantou o copo que trouxera consigo e tomou um gole. - Mas o fato é que o fazia e, no fim, foi isso que a matou.
- Quando a viu pela última vez?
- No dia 18 de março. Meu aniversário.
- Teve algum contato com ela depois desse dia?
- Falei com ela mais ou menos uma semana antes de ela morrer. Foi uma ligação comum, de família. Nunca passávamos mais de uma semana sem nos falarmos.
- Como descreveria o seu estado de espírito nesse dia?
- Obcecada... com o casamento de Mirina. Minha mãe jamais fazia as coisas pela metade. Estava planejando este casamento da mesma forma que planejava um dos seus casos criminais. Achava que isso poderia me influenciar.
- O que poderia influenciá-lo?
- A febre do casamento. Minha mãe era uma mulher romântica debaixo da armadura de promotora. Tinha esperança de que eu conseguisse o par certo e constituísse família. Eu lhe disse que ia deixar esse encargo para Mirina e Randy, e continuaria casado com os negócios por mais algum tempo.
- O senhor tem envolvimento ativo com a Angelini Exportações. Deve estar a par dos problemas financeiros.
- São pedrinhas, tenente. - Seu rosto se fechou. - Pequenos solavancos da estrada. Nada mais.
- Minhas informações mostram que existem problemas mais sérios do que pedrinhas e solavancos.
- A Angelini Exportações é uma empresa sólida. Estamos apenas com uma necessidade de reorganização, um pouco de diversificação, o que já está sendo feito. - Abanou a mão com dedos elegantes que reluziam com o ouro. - Algumas pessoas importantes da companhia cometeram alguns erros infelizes, e que podem ser corrigidos. E isto não tem nada a ver com o caso de minha mãe.
- Minha função é explorar todos os ângulos, senhor Angelini. Os bens da sua mãe somam um valor substancial. Seu pai vai receber muitos bens e propriedades, e o senhor também.
- A senhorita está falando da minha mãe. - David ficou em pé. - Se está suspeitando que alguém em minha família poderia fazer algum mal a ela, então o comandante Lupin cometeu um monstruoso erro de julgamento ao colocá-la como responsável pelas investigações.
- O senhor tem todo o direito a uma opinião própria. Costuma jogar a dinheiro, senhor Angelini?
- Em que isso é da sua conta?
Já que ele ia ficar em pé, Gina se levantou para encará-lo.
- É uma pergunta simples.
- Sim. - respondeu ele. - Eu jogo, ocasionalmente, como inúmeras outras pessoas. Acho uma atividade relaxante.
- Quanto o senhor deve?
Os dedos dele apertaram o copo.
- Acho que, ao chegarmos a esse ponto, minha mãe teria me aconselhado a não falar mais nada até consultar um advogado.
- Isso, certamente, é um direito seu. Não o estou acusando de nada, senhor Angelini. Sei perfeitamente que o senhor estava em Paris na noite em que sua mãe foi morta. - Da mesma forma que sabia que havia aeronaves cruzando o Atlântico de hora em hora. - É minha função montar um quadro claro, limpo e completo. O senhor não tem nenhuma obrigação de responder a esta pergunta. Mas eu posso, com muita facilidade, ter acesso a essa informação.
Os músculos do rosto dele se contraíram por um momento.
- Eu devo oitocentos mil dólares, um pouco mais ou um pouco menos.
- Está sem condições de saldar a dívida?
- Não fujo do pagamento de minhas apostas, tenente Weasley, e também não sou um mendigo. - disse ele com rispidez. - A dívida pode e será paga em breve.
- Sua mãe estava a par dessa situação?
- Também não sou uma criança, tenente, que tem de correr para pedir socorro à mãe sempre que rala o joelho.
- O senhor e Randall Slade jogavam juntos?
- Jogávamos. Minha irmã não gostava disso, então Randy desistiu do hobby.
- Não antes de fazer dívidas próprias.
- Não saberia informar a respeito disso. - Seus olhos, muito parecidos com os do pai, se tornaram gélidos. - E também não discutiria os negócios dele com a senhorita.
Ah, discutiria, discutiria sim, pensou Gina, mas deixou a coisa passar, por ora.
- E a respeito do problema que aconteceu no Setor 38, alguns anos atrás? O senhor estava lá?
- Setor 38? - Ele pareceu convincentemente alheio ao assunto.
- Trata-se de um satélite-cassino.
- Vou com freqüência a Las Vegas II, para um rápido fim de semana, mas não me recordo de ter alguma vez freqüentado algum cassino nesse quadrante. E não sei a que problema a senhorita está se referindo.
- O senhor aposta na roleta?
- Não, é um jogo para tolos. Randy é que gosta de roleta. Eu prefiro vinte-e-um.
Randall Slade não tinha o aspecto de um tolo. Para Gina, ele pareceu um homem capaz de tirar qualquer pessoa do caminho sem diminuir o passo. Também não tinha a imagem que ela fazia de um estilista. Vestia com simplicidade um terno preto que não estava enfeitado com os botões forrados e tranças em estilo militar tão na moda. Suas mãos largas pareciam mais as de um trabalhador do que as de um artista.
- Espero que a senhorita seja breve. - disse ele no tom de voz de alguém acostumado a dar ordens. - Mirina está no andar de cima, descansando um pouco. Não quero ficar longe dela por muito tempo.
- Então serei breve. - Gina não reclamou quando ele pegou um pequeno estojo de ouro com dez cigarros longos, pretos. Tecnicamente, poderia, mas esperou até que ele o acendesse. - Como era seu relacionamento com a promotora Brown?
- Amigável. Ela estava para se tornar minha sogra. Dividíamos um profundo amor por Mirina.
- Ela aprovava o senhor.
- Não tenho motivos para acreditar no contrário.
- Sua carreira se beneficiou muito graças à sua associação com a Angelini Exportações.
- É verdade. - Soltou uma nuvem de fumaça que tinha um leve aroma de limão e menta. - Gosto de pensar que os Angelini também se beneficiaram muito graças à sua associação comigo. - Neste ponto, inspecionou o blazer cinza de Gina. - O feitio de sua roupa e esta cor são incrivelmente desfavoráveis à sua figura. A senhorita deveria dar uma olhada na minha coleção de pronta entrega aqui em Nova York.
- Vou me lembrar disso, obrigada.
- Detesto ver mulheres atraentes usando roupas feias. - Sorriu e surpreendeu Gina com um cintilar de charme. - A senhorita deveria usar cores arrojadas, cortes mais insinuantes. Uma roupa assim cairia muito melhor em uma mulher com as suas formas.
- Já me disseram. - murmurou, pensando em Harry. - O senhor está de casamento marcado com uma mulher muito rica.
- Estou de casamento marcado com uma mulher que amo muito.
- É uma feliz coincidência que ela seja rica.
- É.
- E dinheiro é uma coisa da qual o senhor precisa muito.
- E não precisamos todos nós? - Estava tranqüilo, sem se ofender, e novamente com um ar divertido.
- O senhor tem dívidas, senhor Slade. Dívidas altas, importantes, e em uma área que pode trazer muitos problemas com o processo de cobrança.
- É verdade. - Deu uma tragada no cigarro, mais uma vez. - Sou viciado em jogo, tenente. Mas estou me recuperando. Com a ajuda e o apoio de Mirina, já estou em tratamento. Não fiz uma aposta sequer nos últimos dois meses e cinco dias.
- Roleta, não era?
- Infelizmente.
- E quanto o senhor deve em números redondos?
- Quinhentos mil dólares.
- E qual o montante da herança de sua noiva?
- Provavelmente o triplo desse valor, em números redondos. Mais, se considerarmos as ações e os bens que não seriam convertidos em fichas de crédito ou dinheiro vivo. Matar a mãe de minha noiva certamente teria sido uma saída para resolver meus problemas financeiros. - e apagou a ponta do cigarro, com ar pensativo. - Por outro lado, o contrato que acabei de assinar para a minha coleção de outono também serve como saída. Dinheiro não é tão importante para mim, a ponto de matar para consegui-lo.
- E o jogo, era importante o bastante para isso?
- O jogo, para mim, era como uma mulher maravilhosa. Desejável, excitante, caprichosa. Tive de fazer uma escolha entre essa rival e Mirina. Não há nada no mundo que eu não fizesse para ficar com Mirina.
- Nada?
Ele compreendeu, e inclinou a cabeça, respondendo:
- Nada mesmo.
- Ela sabe a respeito do escândalo que aconteceu no Setor 38? - Sua expressão ligeiramente presunçosa e com ar divertido desapareceu e ele ficou pálido.
- Isso foi há quase dez anos. Não tem nada a ver com Mirina. Nada a ver com coisa alguma.
- O senhor não contou a ela.
- Eu ainda não a conhecia. Era jovem, tolo, e paguei pelo meu erro.
- Por que não explica para mim, então, senhor Slade, como foi que veio a cometer tal erro?
- Aquilo não tem nada a ver com este caso.
- Satisfaça a minha curiosidade.
- Droga, foi uma única noite em toda a minha vida. Uma noite. Tinha bebido demais, e fui burro o bastante para misturar bebida com drogas químicas. A mulher se matou. Ficou provado que a overdose foi auto-aplicada.
Interessante, pensou Gina.
- Mas o senhor estava lá. - provocou.
- Estava em estado alterado. Perdi mais dinheiro do que podia me permitir na roleta, e fizemos uma cena em público, nós dois. Como lhe disse, eu era muito novo. Joguei a culpa pela minha má sorte em cima dela. Talvez a tenha até ameaçado. Não me lembro. Sim, nós brigamos em público, ela bateu em mim e eu bati nela, de volta. Não me orgulho disso. Depois, do resto eu não me lembro.
- Não se lembra, senhor Slade?
- Conforme o meu depoimento, a única coisa de que me lembro depois daquilo foi o momento em que acordei, em um quartinho imundo. Estávamos na cama, nus. E ela estava morta. Eu ainda estava zonzo. Os guardas da segurança entraram. Devo tê-los chamado. Eles tiraram fotos. Asseguraram-me que as fotos foram destruídas depois que o caso foi encerrado e eu fui inocentado. Eu mal conhecia a mulher. - continuou, agora mais perturbado. - Eu a tinha apanhado em um bar, ou imagino que sim. Meu advogado descobriu que ela era uma acompanhante profissional, sem licença, que trabalhava nos cassinos.
Fechou os olhos e terminou:
- Acha que quero que Mirina descubra que eu fui, ainda que por pouco tempo, acusado de matar uma prostituta ilegal?
- Não. - disse Gina baixinho. - Imagino que não queira. E como o senhor mesmo disse, senhor Slade, não há nada no mundo que não fizesse para ficar com ela.
Nada mesmo.
Simas Finnigan estava aguardando por ela no momento em que Gina saiu do escritório do comandante. Seu rosto estava ainda mais encovado, e sua pele mais acinzentada.
- Eu gostaria de trocar umas palavrinhas, tenente... Gina.
Ela fez um gesto indicando a porta atrás de si, e o deixou entrar discretamente no escritório, antes dela. Então, fechou a porta, deixando os murmúrios de conversa do lado de fora.
- Este é um dia muito difícil para você, Simas.
- Sim, muito difícil. Eu queria perguntar, precisava saber... Há mais alguma coisa? Algo novo?
- A investigação está avançando. Não há nada de novo que eu possa lhe contar que você já não tenha ouvido pelos noticiários.
- Tem de haver mais. - Sua voz se elevou antes que pudesse controlá-la. - Alguma coisa a mais.
Gina Eve sentia pena dele, mesmo sabendo que havia suspeita.
- Tudo o que poderia ser feito está sendo feito.
- Você já interrogou Marco, seus filhos, até mesmo Randy. Se há algo que eles sabiam, alguma coisa que possam ter dito e que vai servir de ajuda, eu tenho o direito de saber.
Nervos?, refletiu ela. Ou pesar?
- Não. - disse baixinho. - Você não tem esse direito. Não posso lhe fornecer nenhuma informação que tenha sido conseguida durante um interrogatório, ou através dos procedimentos da investigação.
- Estamos falando da mulher que eu amava! - explodiu ele, com o rosto pálido se tornando vermelho-escuro. - Nós poderíamos estar casados.
- Você estava planejando se casar, Simas?
- Nós conversávamos a respeito. - e passou a mão sobre o rosto, uma mão que tremia levemente. - Conversávamos a respeito. - repetiu, e a cor tornou a desaparecer de sua pele. - Havia sempre um novo caso, ou um resumo para preparar. Devia haver tempo suficiente.
Com as mãos tensas, os punhos cerrados, ele se virou para o outro lado.
- Desculpe-me por ter gritado com você, Gina. Estou fora do meu normal.
- Está tudo bem, Simas. Eu sinto muito.
- Ela se foi. - disse ele bem baixo, de modo entrecortado. - Ela se foi.
Não havia nada que Gina pudesse fazer a não ser dar-lhe um pouco de privacidade. Fechou a porta atrás de si e então esfregou a mão na nuca, onde a tensão parecia ter-se alojado.
Na saída, fez um sinal para Neville.
- Preciso que você desenterre uma história para mim. - disse enquanto caminhavam para fora da casa. - Um caso antigo, tem mais ou menos dez anos. Aconteceu em um daqueles inferninhos para jogo no Setor 38.
- O que você já tem a respeito, Weasley?
- Sexo, escândalo e provável suicídio. Acidental.
- Caramba! - exclamou Neville com tom de pesar. - E eu estava planejando assistir um jogo no telão lá de casa hoje à noite.
- Isso deve ser tão divertido quanto o jogo. - Ficou olhando Harry, que estava abrindo a porta do seu carro para a loura entrar. Hesitou, mas acabou mudando de direção e foi até ele. - Obrigada pela dica, Harry.
- Estou às suas ordens, tenente. Até logo, Neville. - acrescentou com um aceno rápido de cabeça antes de entrar no carro.
- Ei. - disse Neville assim que o carro se afastou. - Ele está realmente pau da vida com você.
- Pois me pareceu que ele estava ótimo. - resmungou Gina, escancarando a porta do carro com força.
Neville deu uma gargalhada de deboche.
- Tremenda detetive, você é, hein, colega?
- Vá desenterrar aquele caso, Neville. Randall Slade é o acusado. - Bateu a porta do carro e fez cara de emburrada.



N/A: é bom saber que a fic esta fazendo tanto sucesso quanto a primeira. Agradeço a todos que, um agradecimento especial a aqueles que comentaram.
Bianca: obrigado pelo comentário, eu também acho que o Harry estaria em sérios apuros com Gina se ela descobrisse com o que ele esta envolvido, em breve ela saberá sobre outros negócios que o Harry resolveu no passado. Espere pra ver. Beijos.
¢£³ Deco: Caramba, leu a fic toda em menos de um dia. Fico feliz que tenha gostado da primeira e agora esta lendo a continuação, não se preocupa eu posto no mínimo um capitulo por semana, as vezes dois. Abraços.
Manu: obrigado pelo comentário, fico feliz que esteja acompanhando, abraços e beijos.


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