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4. CAPÍTULO QUATRO


Fic: Glória Mortal - Concluida


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPÍTULO QUATRO

O Esquilo Azul ficava bem perto, um pouco adiante do Cinco Luas. Gina tinha uma espécie de ligação afetuosa, ainda que cautelosa, com ele. Havia dias em que ela gostava do barulho, da pressão dos corpos e dos trajes sempre mutantes da clientela. Basicamente, gostava do show no pequeno palco.
A cantora que se apresentava ali era uma das raras pessoas que Gina considerava uma verdadeira amiga. A amizade, na verdade, começou quando Gina prendeu Luna Lovegood vários anos antes, mas apesar desse começo, floresceu.
Luna podia estar andando nos trilhos agora, mas jamais seria uma pessoa comum. Naquela noite, a jovem magra e exuberante estava guinchando as letras das músicas e lançando-as de encontro aos gritos dos trompetes, que eram os instrumentos da banda composta por três mulheres. Elas ficavam no fundo do palco, em uma tela holográfica. Aquilo, aliado à baixa qualidade do vinho que Gina se arriscara a tomar, era o suficiente para fazer os seus olhos se encherem d’água.
Para o show daquela noite, o cabelo de Luna estava em um estonteante tom de verde-esmeralda. Gina sabia que Luna preferia usar cores de pedras preciosas. Continuava a cantar usando apenas um retalho brilhante da cor de safira, que lhe cobria um dos seios e descia até o vão entre as pernas. O outro seio estava decorado com pequenas pedrinhas cintilantes em volta de uma estrela de prata, que fora estrategicamente colocada sobre o mamilo.
Uma só lantejoula ou pedaço de pano fora do lugar e o Esquilo Azul poderia ser multado por exceder o que estava especificado no alvará. Os proprietários não estavam dispostos a pagar a taxa pesada que era cobrada das casas que apresentavam dançarinas nuas.
Quando Luna se virou de costas, Gina notou que o traseiro da cantora, que tinha o formato de um coração, estava igualmente decorado, nas duas nádegas. Menos um pouco, pensou Gina, e ela estaria fora dos limites determinados pela lei. A multidão a adorava. Quando desceu do palco, após terminar a apresentação, Luna se misturou aos aplausos barulhentos e aos gritos de aclamação dos clientes bêbados. Os freqüentadores que estavam nas cabines privativas para fumantes batucavam entusiasticamente com os punhos nas pequenas mesas.
- Como é que você consegue se sentar com esses troços colados na bunda? - perguntou Gina quando Luna chegou em sua mesa.
- Devagar, cuidadosamente e com grande desconforto. - e fez uma demonstração, sentando-se e soltando um pequeno suspiro. - O que achou do último número?
- Foi de levar a multidão ao delírio.
- Fui eu que compus.
- Tá falando sério? - Gina não havia compreendido uma palavra sequer da letra, mas transbordou de orgulho mesmo assim. - Que legal, Luna. Estou pasma.
- Pode ser que eu consiga um contrato para gravação. - e por baixo do brilho em seu rosto, suas bochechas se ruborizaram. - E ganhei um aumento de salário.
- Ora, vamos comemorar. - Como se estivesse brindando, Gina levantou o copo.
- Eu não sabia que você vinha aqui hoje. - Luna digitou o código pessoal no cardápio e pediu água gasosa. Precisava cuidar da garganta para a próxima apresentação.
- Vim até aqui para me encontrar com uma pessoa.
- Potter? - Os olhos de Luna, que naquela noite estavam verdes, brilharam. - Ele vem aqui? Ah, então vou ter de repetir aquele último número!
- Não, ele está na Austrália. Vou me encontrar com Nynphadora Tonks.
O desapontamento de Luna ao ver que ia perder a chance de impressionar Harry Potter logo foi substituído pela surpresa.
- Gina, você vai se encontrar com uma repórter? Deliberadamente?
- Eu confio nela. - e Gina levantou um dos ombros. - Posso precisar dela.
- Se você diz... Ei, será que ela poderia fazer uma matéria comigo?
Por nada no mundo Gina teria coragem de apagar a luz que viu nos olhos de Luna.
- Posso mencionar você. - respondeu.
- Excelente! Escute, amanhã é minha noite de folga. Você está a fim de jantar fora ou ir a algum lugar?
- Se eu conseguir. Mas pensei que você estivesse saindo com o artista performático, aquele que tinha um macaco de estimação.
- Dispensei. - e Luna ilustrou o fato espanando o ombro com os dedos. - Ele era muito devagar. Agora tenho de ir. - Deslizou para fora da cabine, fazendo pequenos sons com os enfeites no traseiro, que arranharam o banco. Seus cabelos cor de esmeralda cintilavam sob as luzes giratórias enquanto ela seguia em meio à multidão.
Gina decidiu que não queria saber o que Luna considerava muito devagar. Quando o comunicador tocou, Gina pegou no aparelho e digitou um código. O rosto de Harry encheu toda a pequena tela.
A primeira reação dela, espontânea, foi dar um sorriso imenso e satisfeito.
- Tenente, eu rastreei você.
- Estou vendo. - Em seguida tentou disfarçar um pouco o sorriso. - Harry, este é um canal oficial da polícia.
- É mesmo? - e franziu a sobrancelha. - O barulho não me parece o de um ambiente de trabalho. Você está no Esquilo Azul?
- Vim aqui para me encontrar com uma pessoa. Como está a Austrália?
- Muito cheia de gente. Se tiver sorte, estarei de volta em menos de trinta e seis horas. Eu encontro você.
- Não vai ser difícil, obviamente. - e sorriu novamente. - Escute só... - e para divertir os dois, girou o aparelho para o palco enquanto Luna rugia na sua nova apresentação.
- Ela é sem igual. - Harry conseguiu gritar depois de alguns acordes. - Mande lembranças minhas para ela.
- Eu mando. Então eu... ha... Vejo você na volta.
- Estou contando com isso. Você vai pensar em mim?
- Claro. Boa viagem, Harry.
- Gina, eu amo você.
Ela soltou um suspiro abafado quando a imagem dele se dissolveu.
- Ora, ora. – Nynphadora Tonks saiu da posição em que estava, por trás do ombro de Gina e se sentou no banco em frente. - Isso não foi lindo?
Dividida entre ficar aborrecida e envergonhada, Gina enfiou o comunicador de volta no bolso.
- Tonks, eu achava que você tinha mais classe, e que não ficava escutando às escondidas.
- Qualquer repórter que merece o salário que ganha escuta coisas às escondidas, tenente. Como um bom policial também. - Tonks se recostou na parte de trás da cabine. - Então, me conte como uma mulher se sente quando tem um homem como Potter apaixonado por ela.
Mesmo que conseguisse explicar, Gina não teria respondido a isto.
- Você está pensando em largar o noticiário sério e trabalhar na área romântica, Tonks?
tonks simplesmente levantou uma das mãos e soltou um suspiro ao olhar para o clube em volta, dizendo:
- Não posso acreditar que você escolheu se encontrar comigo aqui neste lugar novamente. A comida é terrível!
- Mas sinta a atmosfera, Tonks... A atmosfera. - Luna soltou um agudo e Tonks estremeceu.
- Tudo certo, Gina, assim está bem.
- Você voltou para a Terra bem depressa.
- Consegui pegar um transporte espacial expresso. Um daqueles que pertencem ao rapazinho que é seu namorado.
- Harry não é um rapazinho.
- Você é quem sabe. Enfim... - Tonks fez um gesto para o lado com a mão. Obviamente estava cansada e um pouco defasada, pela diferença de horário. - Vou ter de comer alguma coisa, mesmo que isso me mate. - Analisou o cardápio e escolheu, com alguma reserva, o supremo de casquinhas de siri recheadas. - O que está bebendo?
- O número cinqüenta e quatro. Era para ser um chardonnay. - Só para testar, Gina provou mais uma vez. - Está pelo menos três pontos acima de mijo de cavalo. Recomendo.
- Ótimo. - Tonks programou o pedido no cardápio e se recostou novamente. - Consegui acessar todos os dados disponíveis a respeito do assassinato de Lilá Brown na viagem de volta para a Terra. Pelo menos tudo o que a mídia divulgou até agora.
- Morse já sabe que você voltou?
- Ah, ele sabe... - O sorriso de Tonks era fino e cruel. - Tenho preferência para a cobertura dos eventos criminais. Eu entrei e ele caiu fora. Está revoltado.
- Então a minha missão foi um sucesso.
- Mas ainda não está completa. Você me prometeu uma entrevista exclusiva.
- E vou cumprir. - Gina avaliou o prato de macarrão que surgiu da abertura por onde eram servidas as refeições. Não parecia tão mal. - Vai ser tudo sob as minhas condições, Tonks. Eu passo as informações e você só as joga no ar quando eu der o sinal.
- Grande novidade! - Tonks experimentou a primeira casquinha e decidiu que estava quase comível.
- Vou providenciar para que você consiga mais dados, e que os consiga antes dos outros repórteres.
- E quando encontrar um suspeito...
- Você vai saber o nome em primeira mão.
Confiando na palavra de Gina, Tonks concordou com a cabeça enquanto experimentava outra casquinha e completou:
- Mais uma entrevista exclusiva, olho no olho, com o suspeito. E outra com você.
- Não posso garantir a matéria com o suspeito. Você sabe que eu não posso, Tonks. - continuou Gina antes que a repórter tivesse a chance de interromper. - O criminoso tem o direito de escolher a própria mídia, ou até de recusá-la por completo. A única coisa que eu posso fazer é sugerir, talvez até incentivar.
- Então eu quero fotos. Não me diga que isso você também não pode garantir! Você pode arranjar um jeito para que eu consiga gravar o momento da prisão. Quero estar lá nessa hora.
- Vou ponderar isso quando chegar o momento. Em troca, quero tudo o que você conseguir, todas as dicas que aparecerem, todos os rumores e pistas. Não quero surpresas ao ver o programa no ar.
- Isso eu não posso garantir. - disse Tonks com suavidade, colocando um pouco do macarrão entre os lábios. - Meus colegas possuem esquemas próprios.
- O que você descobrir, quando descobrir. - disse Gina de modo direto. - E qualquer outra coisa que surgir da espionagem entre os meios de comunicação. - Diante da expressão de inocência de Tonks, Gina bufou. - Emissoras espionam emissoras e repórteres espionam repórteres. A grande jogada é jogar a história no ar antes do outro. Você tem uma boa média de vitórias nesse jogo, Tonks, ou eu não teria me dado ao trabalho de vir até aqui para vê-la.
- Posso dizer o mesmo de você. - Tonks provou o vinho. - E na maior parte do tempo confio em você, apesar de não ter bom gosto para vinhos... Isto aqui quase não tem diferença de mijo de cavalo.
Gina se jogou para trás e riu. Estava se sentindo bem, estava à vontade, e quando Tonks riu de volta, sabia que haviam chegado a um acordo.
- Deixe-me ver o que você tem - pediu Tonks - e eu lhe mostro o que eu tenho.
- A maior coisa que consegui até agora - começou Gina - é um guarda-chuva desaparecido.

Gina se encontrou com Neville no apartamento de Lilá Brown às dez da manhã, no dia seguinte. Uma olhada na expressão derrotada dele lhe mostrou que as notícias não eram das melhores.
- Em que beco sem saída você entrou?
- O beco do tele-link. - Esperou até que Gina desarmasse o dispositivo de segurança da polícia que havia na porta, e então a seguiu para dentro da sala. - Ela recebeu um monte de transmissões, mantinha o aparelho no modo de gravação automática. O seu lacre estava no disco.
- Claro, eu o peguei como prova. O que você está tentando me dizer é que ninguém ligou para combinar um encontro com ela no Cinco Luas?
- Estou tentando lhe dizer que não sei a resposta para isso. - Desgostoso, Neville passou a mão pelo cabelo espetado. - A última chamada que ela recebeu foi feita às onze e quarenta e três.
- E?
- Ela apagou a gravação. Consigo saber a hora, mas só isso. A mensagem, o áudio, o vídeo, sumiu tudo. Ela apagou - continuou ele - daqui mesmo.
- Ela apagou a ligação. - murmurou Gina e começou a andar de um lado para outro. - Por que motivo faria isso? Estava com o aparelho preparado para gravação automática. Isso é o padrão para o pessoal da área legal, mesmo no caso de chamadas pessoais. Só que ela apagou essa. Porque não queria nenhum registro de quem tinha ligado... Por quê? - Ela se virou para trás. – Neville, tem certeza de que ninguém adulterou o disco depois que ele já estava conosco?
Neville olhou para ela magoado, e a seguir se sentindo insultado.
- Weasley. - foi tudo o que respondeu.
- Tá legal, tá legal, então ela apagou a gravação antes de sair. Isso me diz que ela não estava com medo, pessoalmente, mas estava protegendo a si mesma, ou a mais alguém. Se fosse alguma coisa ligada a um dos casos do tribunal, ela ia querer deixar tudo gravado. Ia querer ter certeza, absoluta de que tudo ficaria documentado.
- Diria que sim. Se fosse a ligação de um informante, ela teria colocado uma senha no acesso à ligação, sob o código dela, mas não faria sentido apagar a gravação.
- De qualquer modo vamos analisar todos os casos dela, até os mais antigos. - Gina não precisava olhar para a cara de Neville para saber que ele estava virando os olhos para cima ao ouvir isso. - Deixe-me ver. - sussurrou - Lilá saiu da prefeitura às dezenove e vinte e seis, isto está no controle eletrônico do prédio, e várias testemunhas a viram. Sua última parada foi no toalete feminino, onde ela retocou a maquiagem para ir jantar fora e bateu papo com uma colega. Essa colega me disse que ela estava calma, mas parecia empolgada. Tivera um dia muito bom no tribunal.
- Fluentes vai para a cadeia, ela já tinha preparado todo o terreno. Tirá-la do caminho não ia mudar nada.
- Ele pode ter pensado diferente. Temos de verificar isso. Ela não voltou para casa. - Com o cenho franzido, Gina olhou com atenção ao redor. - Ela não teve tempo, então foi direto para o restaurante e se encontrou com Finnigan. Já estive com ele. Sua história e os horários batem com as informações dos empregados.
- Você tem andado muito ocupada.
- O tempo está correndo. O maitre chamou um táxi para eles, da Companhia Rápido. Foram pegos às vinte e uma e quarenta e oito. Estava começando a chover.
Gina imaginou a cena. O casal bonito no banco de trás do táxi, conversando, talvez se acariciando, enquanto o motorista seguia em direção à parte alta da cidade, com os pingos da chuva tamborilando no teto do carro. Lilá estava com um vestido vermelho e um bolero da mesma cor sobre ele, de acordo com os garçons. Uma cor marcante para usar no tribunal, que ela incrementou ainda mais com pérolas verdadeiras e sapatos altos prateados, para completar a noite.
- O motorista a deixou antes - continuou Gina - e ela disse para Finnigan não sair, para que se molhar? Estava rindo quando correu para a entrada do edifício, e então se virou e atirou-lhe um beijo.
- Seu relatório diz que eles eram muito ligados.
- Ele a amava. - Mais pelo hábito do que pela fome, enfiou a mão no saquinho de amêndoas que Neville lhe estendeu. - Não quer dizer que ele não a tenha matado, mas a amava. De acordo com ele, os dois estavam satisfeitos com o arranjo, mas... - e levantou os ombros - No caso de ele não estar, era preciso armar um bom álibi, e ele providenciou um palco romântico e acolhedor. Comigo não funciona, mas ainda está cedo para avaliar. Então, ela subiu. - Gina continuou, indo em direção à porta. - Seu vestido ficou um pouco úmido, então ela foi até o quarto para pendurá-lo.
Enquanto falava, Gina seguiu a rota proposta, caminhando sobre os maravilhosos tapetes até o quarto espaçoso, com suas cores em tom pastel e a linda cama antiga. Ordenou que as luzes se acendessem para iluminar melhor a área. Os anteparos da polícia nas janelas não só frustravam os passantes que voavam perto, mas também impediam que o sol entrasse.
- Foi até o closet. - disse, e apertou o botão que abria as portas altas e espelhadas. - Pendurou a roupa. - Gina apontou para o vestido vermelho e o bolero, caprichosamente arrumados em um armário organizado por tons e cores. - Tirou os sapatos e colocou um robe.
Gina se virou para a cama. Os lençóis em tom marfim estavam espalhados ali. Não estavam dobrados, nem cuidadosamente arrumados como o resto do quarto, e sim amarrotados, como se tivessem sido jogados para o lado com impaciência.
- Colocou as jóias no cofre, na parede lateral do closet, mas não foi para a cama. Talvez tenha voltado para a sala, a fim de ver o noticiário ou tomar um último drinque.
Com Neville acompanhando-a, Gina foi até a sala de estar. Uma pasta, fechada, estava colocada sobre a mesinha, em frente ao sofá, com apenas um copo vazio ao lado.
- Ela estava relaxando, talvez relembrando a noitada ou ensaiando a estratégia para o dia seguinte no tribunal, ou talvez pensando nos planos para o casamento da filha. De repente, o tele-link tocou. Quem quer que fosse, ou o que quer que tenha dito, a fez sair de casa novamente. Ela já estava pronta para dormir, mas voltou até o quarto depois de ter apagado a gravação. Tornou a se vestir. Colocou outra roupa marcante. Estava indo para o West End. Não queria se misturar, e queria transpirar autoridade e confiança. Não chamou um táxi, isto é outra coisa que já foi confirmada. Decidiu pegar o metro. Estava chovendo.
Gina foi até um closet embutido em uma parede junto da porta de entrada do apartamento e apertou o botão para abri-lo. Lá dentro havia casacos, cachecóis e um sobretudo de homem, que ela imaginou que pertencia a Finnigan, além de uma infinidade de guarda-chuvas de várias cores.
- Ela pegou o guarda-chuva que combinava com a roupa. É uma coisa automática, e a sua cabeça estava voltada para o encontro. Não levou muito dinheiro, portanto não se tratava de suborno. Não chamou por ninguém, porque queria resolver o problema por conta própria. Só que, ao chegar ao Cinco Luas, ninguém apareceu. Ela esperou por quase uma hora, impaciente, olhando toda hora para o relógio. Saiu de novo, logo depois de uma da manhã, de volta na chuva. Pegou o guarda-chuva e começou a caminhar na direção da estação do metro. Imagino que ela estava furiosa.
- Uma mulher de classe vai parar em um clube suspeito daqueles para, no fim, ninguém aparecer. - Neville atirou mais uma amêndoa na boca - É... furiosa também seria o meu palpite.
- Então ela foi embora. Estava chovendo muito. Seu guarda-chuva estava aberto. Ela deu alguns passos. Alguém estava lá, provavelmente estava por perto o tempo todo, esperando que ela saísse.
- Alguém que não quis se encontrar com ela lá dentro. - acrescentou Neville. - Não queria ser visto.
- Certo. Eles bateram um papo por alguns minutos, de acordo com o intervalo de tempo. Talvez tenham discutido, não exatamente uma discussão, não houve tempo. Não tinha ninguém na rua, ninguém que fosse prestar atenção pelo menos. Dois minutos mais tarde, com a garganta cortada, ela já estava sangrando na calçada. Será que ele planejava matá-la desde o início?
- Muita gente anda com facas naquela área. - Pensativo, Neville coçou o queixo. - Apenas com esse fato não podemos dizer que houve premeditação. Mas pelo cálculo do tempo, pelo arranjo todo... É isso que está me incomodando.
- A mim também. Um único golpe, de lado a lado. Não há feridas defensivas, portanto ela não teve tempo de se sentir ameaçada. O assassino não levou suas jóias, nem a bolsa de couro, nem os sapatos ou fichas de crédito. Pegou apenas o guarda-chuva e foi embora.
- Por que o guarda-chuva? - Neville tentava entender.
- Ora, droga, porque estava chovendo. Sei lá, um impulso, um suvenir. Até onde eu enxergo, foi o único erro dele. Tenho um batalhão de gente por aí vasculhando por uma área de dez quarteirões para ver se ele o jogou fora.
- Se ele dispensou a lembrançinha naquela região, deve ter algum viciado em químicos circulando por lá com um guarda-chuva roxo.
- É... - a imagem disso quase a fez sorrir. - Como é que ele podia saber que ela ia apagar a gravação da mensagem, Neville? Ele tinha de ter certeza disso.
- Uma ameaça?
- Uma promotora pública convive com ameaças. E uma profissional como Lilá Brown, então, ia conseguir tirar de letra.
- Isso se as ameaças fossem dirigidas a ela. - concordou ele.
- Mas ela tem filhos. - e acenou com a cabeça para os hologramas emoldurados. - Não era apenas uma advogada. Era mãe, também.
Com a testa vincada, Gina foi até os hologramas. Curiosa, pegou um, do rapaz e da moça juntos quando eram adolescentes. Com um movimento do dedo na parte de trás, colocou o áudio da figura para tocar.
- Oi, mamã-chuva. Feliz Dia das Mães. Isso aqui vai durar mais tempo do que flores. Amamos você.
Ligeiramente perturbada, Gina colocou a moldura de volta no lugar.
- Eles são adultos agora. Não são mais crianças.
- Weasley, uma vez mãe, sempre mãe. Você jamais termina o serviço.
A mãe dela terminara, pensou. Há muito tempo.
- Então, minha próxima parada é Marco Angelini.
Angelini tinha escritórios no prédio de Harry que ficava na Quinta Avenida. Gina entrou no saguão que já se tornara familiar, com seu piso de placas imensas e butiques caras. As vozes arrulhantes das guias computadorizadas indicavam o caminho para os vários locais.
Gina consultou um dos mapas móveis e, ignorando os pequenos dirigíveis acima, seguiu em frente na direção dos elevadores da ala sul. A cabine externa e envidraçada se projetou para cima, levando-a com rapidez até o qüinquagésimo oitavo andar, abrindo as portas para um piso solene, acarpetado na cor cinza e cercado de paredes ofuscantes de tão brancas.
A empresa Angelini Exportações utilizava um conjunto de cinco salas daquele andar. Após uma rápida olhada, Gina notou que aquela companhia era café pequeno perto das Indústrias Potter. Também, pensou com um sorriso apertado, comparado com Harry, o que não era?
A recepcionista no balcão de acesso demonstrou respeito, e um pouco de nervosismo, diante do distintivo de Gina. Remexeu-se tanto na cadeira e engoliu em seco tantas vezes que Gina ficou achando que ela tinha alguma substância ilegal na gaveta. Mas o medo da polícia pelo menos teve a vantagem de fazer com que ela só faltasse empurrar Gina para dentro do escritório de Marco Angelini. Tudo levou menos de noventa segundos desde a sua chegada.
- Senhor Angelini, obrigado por me receber. Meus pêsames pela sua perda.
- Obrigado, tenente Weasley. Por favor, sente-se.
Ele não era tão elegante quanto Simas Finnigan, mas era poderoso. Um homem pequeno e atarracado, com o cabelo preto e lustroso penteado para trás, a partir de um bico-de-viúva que apontava para o centro da testa. Sua pele dourada estava pálida, e os olhos brilhantes eram bolas de gude azuis debaixo de sobrancelhas espessas. Possuía um nariz comprido e lábios finos; um imenso diamante brilhava em um dos dedos. Se o ex-marido da vítima sentia algum pesar, estava conseguindo esconder melhor do que o amante fizera.
Estava sentado atrás de uma mesa grande, lisa como cetim. O móvel estava completamente vazio, exceto por suas mãos cruzadas e imóveis. Por trás dele havia uma janela de vidro fumê que bloqueava os raios ultravioleta, mas deixava entrar a vista de Nova York.
- A senhorita veio aqui por causa de Lilá.
- Sim, tinha a esperança de que o senhor pudesse reservar um pouco do seu tempo, agora, para me responder algumas perguntas.
- A senhorita terá a minha total cooperação, tenente. Lilá e eu estávamos divorciados, mas ainda éramos parceiros, não só nos negócios, mas também na relação com nossos filhos. Eu a admirava e respeitava.
Havia o traço de um sotaque do país de origem em sua voz. Um traço muito leve. Aquilo fez Gina se lembrar de que, de acordo com o dossiê, Marco Angelini passava grande parte do seu tempo na Itália.
- Senhor Angelini, poderia me dizer quando foi a última vez que o senhor viu ou falou com a promotora Brown?
- Estive com ela no dia 18 de março último, na minha casa em Long Island.
- Ela foi visitá-lo?
- Sim, foi para o aniversário de vinte e cinco anos de meu filho. Nós dois oferecemos uma festa para ele, usando a propriedade que possuo lá, pois era mais conveniente. David, o nosso filho, quando está na Costa Leste, fica em Long Island, e isto é freqüente.
- O senhor não tornou a vê-la desde essa data?
- Não. Estávamos sempre ocupados, mas havíamos planejado um encontro para a semana que vem, a fim de discutirmos os planos para o casamento de Mirina, nossa filha. - Limpou a garganta com suavidade. - Estive na Europa durante quase todo o mês de abril.
- O senhor telefonou para a promotora Brown na noite da morte dela.
- Sim, deixei uma mensagem, para ver se podíamos nos encontrar para almoçar ou tomar uns drinques, à escolha dela.
- Para conversar a respeito do casamento. - completou Gina.
- Sim, era sobre o casamento de Mirina.
- O senhor falou com a promotora Brown entre o dia 18 de março e a noite de sua morte?
- Várias vezes. - Ele abriu as mãos e depois tornou a uni-las. - Como disse, nos considerávamos parceiros. Tínhamos os filhos, e também havia negócios em comum.
- Incluindo a Mercury.
- Sim. - Seus lábios se abriram ligeiramente. - A senhorita é... conhecida de Harry.
- Isso mesmo. O senhor e a sua ex-esposa discordavam em algum ponto com relação às suas parcerias, em nível pessoal ou profissional?
- Naturalmente que sim, em ambas as áreas. Mas tínhamos aprendido, de uma forma que não conseguimos alcançar enquanto estávamos casados, o valor do compromisso.
- Senhor Angelini, quem é que herda a parte da promotora Brown na Mercury após a morte dela?
- Sou eu. - Sua sobrancelha se levantou. - Isso está especificado nos termos do nosso contrato. Há também alguns investimentos em imóveis, que também reverterão para mim. Isto foi acertado em nosso acordo de divórcio. Com a morte de um de nós, os interesses financeiros, lucros ou perdas, iriam direto para o outro. Nós dois concordamos com isto, entenda, pois sabíamos que, no fim, tudo o que possuíamos de valor ia ficar para nossos filhos.
- E o resto dos imóveis de propriedade dela? O apartamento, as jóias, o resto das posses que não estavam especificadas no acordo?
- Iriam, acredito, direto para nossos filhos. Imagino que também haveria algum legado para os amigos pessoais, ou obras de caridade.
Gina ia pesquisar a fundo para saber quanto mais a vítima havia escondido.
- Senhor Angelini, o senhor tinha conhecimento de que sua ex-mulher estava intimamente envolvida com Simas Finnigan?
- Naturalmente.
- E isso não representava um... problema?
- Problema. O que a senhorita quer saber, tenente, é se eu, após quase doze anos de divórcio, acalentava algum ciúme homicida pela minha ex-mulher? E se eu cortei a garganta da mãe dos meus filhos e a deixei morta no meio da rua?
- Algo desse tipo.
Ele disse baixinho algumas palavras em italiano. Algo que não era, Gina suspeitava, nem um pouco lisonjeiro.
- Não, tenente. Eu não matei Lilá.
- Poderia me informar o lugar onde estava na noite da morte dela?
Gina podia ver sua mandíbula tensa e reparou o esforço necessário para que ele relaxasse novamente, embora seus olhos sequer piscassem. Imaginou que ele conseguiria fazer um buraco em uma chapa de aço com aquele olhar.
- Estava em casa, em minha residência aqui na cidade, a partir das oito da noite.
- Sozinho?
- Sim.
- Viu ou falou com alguém que possa confirmar isso?
- Não. Tenho dois empregados, mas ambos estavam de folga, motivo pelo qual eu estava em casa. Queria passar uma noite calma, com privacidade.
- O senhor não fez nem recebeu nenhuma ligação durante toda a noite?
- Recebi uma ligação por volta de três da manhã, do comandante Lupin, me informando sobre a morte de minha esposa. Estava na cama, sozinho, quando o tele-link tocou.
- Senhor Angelini, sua ex-esposa estava em um clube suspeito do West End à uma hora da manhã. Por quê?
- Não faço idéia. Não faço a mínima idéia.
Pouco depois, quando Gina entrou na cabine envidraçada para descer, ligou para Neville.
- Quero saber se Marco Angelini estava em algum tipo de aperto financeiro, e quanto desse aperto seria aliviado pela morte súbita da ex-mulher.
- Está farejando alguma coisa, Weasley?
- Alguma coisa. - murmurou. - Só não sei o quê.


N/A: Bom galera, quarto capitulo postado, comentem.
Agradecimentos especiais:
Thamis No mundo: obrigado por comentar, é ótimo saber que esta gostando. Beijos.
Bianca: mais um capitulo, fiquei feliz pelos comentários, fico feliz de estar agradando. E sim, o nome dele vai aparecer muito, espere pra ver. Beijos.

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