CAPÍTULO 5
A premonição de Marilyn "Trelawney" e o "nunca" de Richard e Gina
Gina continuou olhando para aquele rosto e para aqueles olhos azuis, que deveriam ser desconhecidos, mas despertavam uma estranha sensação familiar dentro dela... Em seu íntimo, da outra ponta da mesa, Richard se amaldiçoava pela mudança na aparência. Seu rosto tinha outra cor, seus olhos também; ela nunca o reconheceria.
Quando pensou em fazer um sinal para a garota, Vanda se inclinou sobre ele para apanhar um copo, interrompendo assim o movimento.
-Desculpe – disse ela, rindo. Richard, sem graça, foi obrigado a fitá-la. – Não queria incomodar... Mas, então... – ela segurou a mão dele novamente. – Como era lá em Beauxbatons?
Richard lançou um breve olhar para Gina antes de começar a contar para Vanda. Nesse breve olhar, para seu desespero, encontrou a face da garota totalmente transformada e concentrada no encontro de sua mão com a de Vanda.
Do seu lugar, Gina suspirou. A forte sensação voltara por um breve instante a disparar seu coração. Por um instante pensou que voltaria a se apaixonar, que acabaria sentindo algo mais por aquele novo aluno, que conseguiria apagar de uma vez por todas o vampiro apaixonado da cabeça.
Mas, ao ver o novato de mãos dadas com Vanda, percebeu que não tinha chance alguma...
-O que houve, Gina? – perguntou Hermione, ao ver a expressão da amiga.
-Nada... Mas parece que a Vanda esqueceu o vampiro apaixonado rapidinho, não é? – ela deu um sorriso murcho enquanto apontava para o casal.
A teoria do amor impossível retornou imediatamente a mente dela, tão ou mais concreta do que antes. Continuou a comer sua torta em silêncio até que reparou que a luz refletida no prato foi interrompida por uma sombra gigantesca.
Ela se virou e encontrou um jovem alto, de cabelos encaracolados e uma boca cheia de dentes que sorriam para ela.
-Oi – disse o rapaz. – Sou Buddy Strogne... Será que posso me sentar?
Hermione girou os olhos, Harry bufou e Rony engoliu em seco o que diria se Buddy fosse um pouco mais fraquinho. Gina, porém, permitiu, distraidamente.
Buddy entrelaçou os braços sobre a superfície da mesa e a ficou secando com o olhar.
- Sabia que você é a garota mais linda desse Salão? – perguntou, se aproximando dela.
Gina, discretamente, mexeu-se um pouquinho para o lado.
-Você é dona de uma beleza espetacular. Tudo em você é lindo... Seus olhos, seu sorriso, sua boca, seu cabelo... Linda, linda...
Gina, corada até as orelhas e queimando por dentro por ter deixado aquele tal de Buddy sentar ao seu lado, ignorou-o. Buddy, persistente, continuou.
-Eu acho que formaríamos um casal perfeito em todos os aspectos... O que me diz, Gina?
Ela mordeu o lábio antes de tomar coragem e responder.
-Não estou disposta a formar um casal “perfeito” com alguém que todos os dias troca de garota e já formou uns duzentos casais “imperfeitos”... Lamento, Strogne, mas nunca sairia com você.
A sineta soou e todos começaram a sair do Salão Principal. Gina deu as costas a Buddy sem dar sequer um “tchau”.
Buddy, enraivecido, ouviu as risadas de Draco, Crabbe e Goyle, que se aproximavam, quase morrendo de tanto rir.
-Parece que Buddy Strogne não é tão infalível assim – debochou Draco. – Francamente, levar um fora e da Weasley...
-Quem disse que eu levei um fora? – perguntou Buddy, ainda fitando as portas do salão por onde Gina havia saído.
-Bom, foi o que pensamos – disse Draco, parando de rir. – Ela saiu de cara fechada e...
-É, eu levei um fora, mas só dessa vez... Da próxima eu consigo.
-Quer dizer que você não vai desistir?
-Ah claro que não... Agora é que eu vou insistir. Buddy Strogne não aceita um não como resposta. Nunca levou um “não”...
-Até hoje.
-É Draco, até hoje... Essa Gina me provocou, me desafiou. Eu adoro desafios. E quando pego um, caro Draco, só largo quando venço...
* * *
-Quer dizer que os pais da Susana estão reunidos com Dumbledore? – perguntou Gina a Hermione, enquanto caminhavam para a segunda aula, cujas salas de ambas ficavam próximas.
-Exatamente. Imagino a barra que deve estar sendo para a família. O boato é de que os passeios em Hogsmeade sejam proibidos por tempo indeterminado e... O que é aquilo?
Rony e Harry apareceram logo atrás. Pararam de chofre como as duas, e ficaram analisando o corpo de longe.
-Está... Morto? – perguntou Mione, com a garganta seca.
-Só há um jeito de descobrir – falou Harry, passando a mochila para Rony. Harry esticou o pé e, com um movimento, virou o corpo de frente. Levou um choque, enquanto Mione e Gina soltavam gritos horrorizados.
O rosto do rapaz era um conjunto de cortes e hematomas. A boca gotejava sangue e os olhos quase não eram visíveis sob o inchaço.
-É sonserino – Harry apontou o brasão. – Está vivo, mas é irreconhecível... – Harry parou de falar ao ver que o rapaz apontava um dedo roxo para a garganta. – O que ele está querendo dizer?
-Já sei! – Mione adiantou-se, apontou a varinha para a garganta do rapaz e destravou-lhe a voz.
-Obrigado... – agradeceu a voz fraca.
-Harry ele tem que ser levado para a ala hospitalar imediatamente – disse Gina, horrorizada.
-Tem razão... – ele voltou-se para o rapaz. – Mas, por que está assim? Alguém bateu em... ?
-NÃO! – ele berrou, tão súbito que todos estremeceram. – Ninguém me bateu, ninguém me bateu...
-Está bem... Então, o que aconteceu?
-Caí... caí da escada aqui – ele apontou para uma escada próxima. – Bati a cabeça com força no último degrau... Foi isso... Acreditem em mim...
-Claro que acreditamos – falou Harry, paciente. – Por que não acreditaríamos? Bom, fique calmo, vamos levá-lo a enfermaria... Rony ajude-me aqui.
-Não – interrompeu Mione. – Ele pode ter tido uma contusão grave durante a queda. Qualquer movimento brusco pode ser fatal ou pode piorar as coisas. Espere aí – ela conjurou uma maca branca, que deslizou por debaixo do corpo do jovem e se ergueu novamente, com ele em cima. – Agora sim. Vamos.
Hermione guiou a maca, enquanto Gina, Rony e Harry andavam dos lados. Nenhum deles viu, mas os olhos do rapaz captaram muito bem as pequenas palavras escritas à tinta nas paredes, separadas uma das outras como se fossem simples pichações, mas formando uma frase direta, terrível...
EU
CORTO
SUA
GARGANTA!
O jovem fechou os olhos, dilacerado pela dor e pelo medo, enquanto a maca continuava a flutuar.
A maca flutuante passou por vários grupos de alunos, inclusive o grupo formado por Buddy, Draco, Crabbe e Goyle.
-E se ele abrir a boca, Buddy? – indagou Draco, desesperado. – E se ele contar por que está assim?
-Ele não vai contar... – respondeu Buddy, com um sorriso. – Eu garanto...
* * *
O inconveniente de uma escola é que você está sempre cercado de pessoas intrometidas... Hoje, por esse tipo de pessoa, acabei perdendo uma nova refeição...
Não posso me esquecer... O rapaz caído no chão, com o líquido viscoso escorrendo por todos os cantos... Seria uma bela refeição se Harry Potter e amigos não tivessem aparecido... Seria uma bela refeição se eu tivesse mais tempo para me isolar...
Só que o tempo pode ser ingrato durante o dia, mas será meu aliado durante a noite. Quando todos estiverem dormindo, ficarei a espreita para pegar algum malandro que se aventurar na noite pelos corredores do castelo...
Meu paladar palpita só de imaginar... Ops, tenho que parar agora. Parece que logo o professor vai recolher os trabalhos e eu não quero que ele veja que, ao invés da tarefa, estou escrevendo mais uma página do meu diário sinistro...
Meu precioso diário, dono do meu segredo. Dono do meu nome.
* * *
-Horrível o estado daquele rapaz, não é? – comentou Luna com Gina, durante a aula de Herbologia. – Como é mesmo o nome dele...?
-Patrick Geller – respondeu Gina, enquanto limpava as mãos sujas de terra. – Nós o encontramos todo estourado, caído no chão. Parece que caiu da escada...
O sinal tocou e a classe foi dispensada. Gina saiu ao lado de Luna. Estavam no Saguão de Entrada quando ela viu a tal Marylin, que lia a Coluna do Espião pela manhã e “ofendera” ela e Hermione, parada na escadaria de mármore.
-Luna, você conhece aquela garota ali? – perguntou Gina, apontando, sem se preocupar com discrição.
-Ah Marylin “Trelawney” – Luna gargalhou. – A falsa vidente em miniatura...
-Falsa vidente? – indagou Gina enquanto observava Marylin de longe. – Ela pareceu tão segura de si hoje de manhã, achando-se acima do bem e do mal, sem defeito algum...
-Ela acredita que tem o dom da vidência incorporado dentro dela, diz que tem sensações de verdade... Aí se julga normal como todos nós.
Gina sorriu graças à frase proferida pela “normal” Luna Lovegood.
-Ela pagou um preço alto por isso – disse Luna, a examinando. – Pode ver que ninguém anda com ela. Ninguém tem paciência de ficar ouvindo previsões o tempo todo... Uma vez ela disse ter tido uma visão.
-Visão pertence a outro ramo da vidência, se não me engano... – murmurou Gina, com a mão no queixo. – Lembro-me de já ter lido em algum lugar... Ah! Premonição!
-Premonição? – Luna fez uma careta de estranheza. – As ex-amigas dela deram o nome de “Loucura”...
-Estou falando sério, Luna. Premonição é um tipo de profecia diferente... A pessoa tem breves visões de algo muito grave que vai acontecer... E não precisa de objeto algum, nem de bola de cristal, nem nada. É um dom que nasce com a pessoa. Acho que ela extrapolou ao dizer com freqüência o que ia acontecer com as amigas. Isso era invencionice. Mas essa tal visão... Pode ter sido verdadeira.
Gina parou de falar ao ver que o novato descia a escadaria de mármore, conversando animadamente com... Vanda. Quando os dois chegaram ao saguão, Gina teve a ligeira impressão de que os olhos do rapaz a fitaram por um breve instante... E também teve a ligeira impressão de sentir-se atraída por ele...
-Nem tinha percebido que havia um novato na Grifinória – comentou Luna, sem perceber a atenção especial de Gina. – Parece que esse já foi fisgado...
-EI! AJUDEM AQUI!
Gina arregalou os olhos. O grito vinha dos pés da escadaria de mármore, onde Michael Curtis amparava uma jovem aparentemente desmaiada: Marylin.
Todos que estavam nas proximidades se aproximaram. Gina espiou por cima dos ombros e levou as mãos à boca... Marylin não estava simplesmente desmaiada. Para começar, seu corpo tremia, como se fosse percorrido por fortes convulsões; e, para completar, seus olhos não estavam fechados; estavam meio abertos, brancos, envolvidos por pálpebras que estremeciam fortemente...
-O que é isso? – perguntou Curtis, horrorizado. – Alguém explica, por favor!
Ninguém conseguia explicar... Só conseguiam ver aquela cena deprimente, esperando que as convulsões cessassem...
-Morte...
Marylin falou, enquanto estremecia em nova convulsão...
-Morte... Ai!... Não faça isso, pare... Não mate – a cabeça dela começou a virar de um lado para outro, em sinal de negação. Os olhos se fecharam e agora se apertavam. – Não tome o sangue dela... Não tome... NÃO!
Ela despertou, os olhos em foco, suada e ofegante, sem tremor algum. Olhou para os lados e levantou-se, alarmada com tantas pessoas ao redor.
-O que foi? – perguntou ela, o olhar assustado. – Por que estão me olhando desse jeito? – ninguém respondeu. – HEIN? POR QUE? – berrou ela, perdendo a paciência.
-É que você caiu aí na escada – explicou Curtis, tão sério como Gina jamais o vira. – E começou a tremer, e depois... A balbuciar coisas.
-Coisas?
-Sim... Coisas relacionadas à morte...
Os olhos de Marylin quase saltaram das órbitas. Gina percebeu que a jovem tivera uma leve vertigem, pois precisou se apoiar no corrimão, enquanto levava a outra mão para a têmpora e começava a massageá-la levemente.
-Minha nossa... – murmurou para si mesma, como se não tivesse trinta pessoas a observando. – Então... Aconteceu de novo... Isso quer dizer que...
Ela parou de falar subitamente. Lançando olhares assustados para a “platéia”, recolheu o material caído no chão e subiu a escadaria, apressada, sem mais murmurações, deixando uma aura de mistério pairando no ar...
* * *
-Olá, querida – falou Curtis, enquanto enlaçava Hermione, que estava sentada na mesa jantando, pelas costas.
-Me solta! – bufou Hermione, desvencilhando-se. – Não basta o que você já provocou? Fez meu nome sair naquela porcaria de coluna de fofocas!
-Eu gostei... Mas poderia ter mais destaque! Que tal se nós dois sairmos desse salão lotado e irmos até um cantinho lá do saguão de entrada, hein? Íamos aprontar loucuras... Aí sim o Espião ia ter coisas interessantes pra contar...
-Seu abusado! – Mione apanhou a mochila e fez um movimento para bater em Curtis. Errou e ainda conseguiu derrubar os livros no chão. – Olha o que você fez!
-Eu te ajudo...
-Não precisa! – Mione o empurrou.
O olhar em devaneio de Gina, que pensava novamente no vampiro apaixonado, bateu nos livros de Hermione.
-Droga! Tinha uma redação importantíssima de Poções para fazer – ela deu um tapa na testa. – Pra amanhã, como pude me esquecer...
-Eu sei como – falou Hermione, fechando a mochila. – Gina, desde ontem, depois do passeio em Hogsmeade, tenho percebido que você está diferente.
-É verdade – concordou Rony, ao mesmo tempo em que acompanhava a figura indesejável de Curtis se afastando. – E estava pensativa também na Madame Puddifoot.
-Não estou diferente... – ela deu um sorriso forçado.
-Ah está sim – intrometeu-se Harry. – Pensativa, às vezes meio deprimida...
-Eu estou bem, ok? Muito bem. Os estudos é que estão me estafando, os N.O.M.s que em breve vou ter que prestar. Só isso. Agora me deixem ir fazer essa redação. Pelo menos os livros não vão ficar desconfiando de mim...
Muito nervosa e vermelha, Gina saiu decidida do Salão Principal.
Richard a acompanhou com o olhar. Não podia segui-la, nem se revelar como o vampiro apaixonado, por mais que desejasse isso do fundo do coração. Agora ele era considerado um vampiro assassino... Ao invés de beijos, ganharia gritos de medo; ao invés de um sorriso, encontraria desconfiança...
Não havia como... Ela nunca acreditaria em sua inocência.
* * *
-Anne?
-O que foi, Marylin? – perguntou a garota, irritada. – Se for pra falar o que vai acontecer no jantar, não precisa...
-Não, não é isso – os dedos de Marylin estremeciam. – Só quero pedir que você não saia da sala comunal. Fique aqui.
-Ah-ah, me poupe... Eu tenho mais o que fazer. Tenho que jantar e ainda ir pra biblioteca adiantar umas lições de História da Magia. Acha que vou levar uma bronca do Binns só porque a Marylin “Trelawney” está sentindo que eu devo ficar aqui?
Anne ia saindo, mas foi interrompida por Marylin, que barrou a porta com o próprio corpo. Seus olhos eram puro pânico.
-Não saia. Por que senão você vai morrer! Se fizer isso, vai morrer!
Anne riu.
-Vão tomar o seu sangue... – completou Marylin.
-Fique quieta – pediu Anne, perdendo a paciência. – Vicky, venha aqui me ajudar a tirar essa maluca manualmente, antes que eu a estupore.
Vicky e Anne empurraram Marylin com força. A garota caiu com tudo no chão do dormitório, tendo como trilha sonora as risadas de Anne e Vicky.
-Até que foi bom seu aviso, sua louca... – comentou Anne, irônica. – Vou comer dois pedaços de pudim hoje, aproveitando assim minha última refeição...
As duas saíram, ainda rindo, largando Marylin caída no chão.
* * *
-Como está a Parvati depois da briga com a Luna? – perguntou Vanda, remexendo na bolsa.
-Péssima... Ela jura que nunca falou nada daquilo. Que aquilo é fofoca pura. É como se o Espião tivesse colocado a própria opinião, mas dizendo que era dela... Bom, misturado com fofocas reais, Luna nunca vai acreditar que aquilo é uma mentira... No que está mexendo aí, Srta. Vanda?
Vanda sorriu, enigmática.
-Olhe só, Padma, o colar que minha mãe me mandou!
Vanda mexeu nos cabelos e abriu um sorriso de ponta a ponta. Com um ar de suspense, foi abrindo lentamente o papel de embrulho, revelando, aos poucos, o presente.
O colar de safiras coloridas reluziu fortemente. Padma arregalou os olhos.
-Vanda... É lindo! É a coisa mais linda que já vi!
-Não é? – ela retirou o colar de dentro do pacote e o prendeu ao pescoço. – Lindo e exótico, tanto quanto a dona.
-Nossa já é o destaque do salão – comentou Padma, olhando ao redor.
-Eu sabia que seria... Aliás, eu sempre fui – gargalhou. – Agora pretendo me transformar em destaque para alguém que ainda não acha isso...
Ela olhou para o calado Richard.
-Não sei o que vê de tão interessante no novato... Estava tão fixada no vampiro apaixonado...
-A fila anda, querida amiga... Agora dê licença que vou exibir o meu brilho e o brilho das minhas safiras para o Richard...
* * *
Gina mergulhou nos livros de Poções. Conseguiu terminar a redação uma hora e meia depois, mas, mesmo ao finalizá-la, continuou com a pena nos dedos, escrevendo sem pensar, as letras e palavras saindo de dentro do coração, movendo seus dedos...
Alguém pode dizer o que se passa em mim?
Juro nem sei por que é que eu fico assim.
Eu acho que é coisa que vem do coração
Aí não tem jeito é paixão!
Posso fugir, mas não me esconder,
Posso querer disfarçar.
Posso mentir, falar que estou bem,
Mas esse é o sintoma de amar.
Posso lutar e nunca vencer.
Acho que é por isso que eu estou assim.
Posso quase tudo menos fingir
Ter ele pra mim.
As palavras foram seladas com uma gota de lágrima... Ausência... O impossível... O amor que nunca se concretizaria... E não era somente a distância que impedia... O príncipe se transformara em dragão... Em um dragão assassino...
-Escrevendo coisas apaixonadas?
Gina virou-se, ocultando os pergaminhos o mais rápido que pôde.
-Não interessa... – respondeu, corada, para o rosto risonho de Buddy Strogne. – Estava fazendo uma redação de Poções, só isso...
-Ah sei... Só se for sobre a Fórmula do Amor – ele se inclinou, levando a mão ao queixo de Gina. – Será que o destino uniu a autora com o principal ingrediente da fórmula?
-Não – ela tirou a mão dele com força. Apanhou os livros da mesa e foi recolocar nas devidas prateleiras. Buddy, infelizmente, foi atrás.
-Quem é ele? – perguntou Buddy, persistente.
Naquele instante, Gina esbarrou em Anne. Pediu desculpas e continuou o caminho pelas altas prateleiras lotadas de volumes.
-Não tem nenhum ele. E, mesmo se tivesse – ela virou-se e o encarou. – Nunca contaria a você.
Buddy bufou, enquanto Gina arrumava um dos livros.
-Tudo bem... Não vou insistir. Mas saiba, ouça bem, saiba que eu gosto muito de você. E de nada adianta ficar se lamentando por um amor impossível, alguém que você nunca terá... Você deve entregar seus sentimentos pra quem está perto, ao alcance... Pense nisso.
Buddy saiu, fazendo uma careta de indignação pelas próprias palavras melosas...
Gina terminou de guardar os livros e também saiu da biblioteca.
Andou lentamente, ainda perdida em pensamentos. As palavras apaixonadas, que tinham vindo ela não sabia de onde, estavam certas... Podia lutar para ocultar tudo o que estava sentindo, mentir que não estava apaixonada... A única coisa que não podia trazer para a realidade era o próprio vampiro. Nunca traria...
Buddy também estava certo. Lamentar-se pelo nunca era bobagem...
Gina dobrou um corredor com suas passadas lentas e...
Escorregou.
Caiu de cara no chão. Por sorte, o instinto fez com que pousasse as mãos e conseguisse amortecer a queda.
Com algumas partes do corpo doloridas, preparou-se para se levantar. Mas imobilizou-se ao ver em que tinha escorregado...
Uma imensa poça de sangue. Sangue fresco. Sangue que cobrira suas mãos, sangue que sujara suas vestes, sangue que respingara em seu rosto.
Gina começou a chorar, em desespero...
Enquanto ela continuava de costas, ajoelhada sobre a poça, no seu choro de repugnância e desespero, alguém se aproximava por trás...
Gina estava tão distraída que não ouvia os passos da pessoa que saía de trás de um armário, com uma enorme foice nas mãos... Uma pessoa que dilatava as narinas e delirava...
Ali estava uma nova presa, com sangue por dentro e sangue por fora...
Vamp passou a língua por cima dos lábios, enquanto se aproximava de Gina, preparando o golpe mortal, o golpe que rasgaria a embalagem do corpo coberto e recheado de sangue.
* * *
N/A: Vamp é uma fic que já está completa, mas vou postar os capítulos aos poucos. Por favor, deixe seu comentário! |