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2. CAPÍTULO DOIS


Fic: Glória Mortal - Concluida


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPÍTULO DOIS

Gina preferia voltar para o apartamento que ainda mantinha, apesar de passar a maioria das noites na casa de Harry. Em sua própria casa, ela poderia remoer as idéias e os pensamentos, poderia dormir e conseguiria reconstruir o último dia da vida de Lilá Brown, por completo. Em vez de fazer isto, porém, foi direto para a casa de Harry.
Estava cansada o bastante para desistir da direção e deixar o piloto automático manobrar o carro pelo tráfego do final de tarde. Comida era a primeira coisa de que precisava, resolveu. E se conseguisse dez minutos para ficar sozinha, a fim de clarear as idéias, melhor ainda.
A primavera resolvera dar o ar de sua graça lindamente. Era uma tentação para Gina abrir as janelas do carro, ignorar os sons do tráfego agitado, o zumbido dos maxi-ônibus, as reclamações dos pedestres e o assobio constante do tráfego aéreo por cima de sua cabeça.
A fim de escapar do eco da voz dos guias que conduziam os pequenos dirigíveis para turistas, ela fez um desvio e pegou a Décima Avenida. Seguir direto pelo Centro e depois cortar por dentro do parque teria sido bem mais rápido, mas ela teria de agüentar a monótona declamação dos guias, falando das atrações de Nova York, da história e da tradição da Broadway, da exuberância dos museus e da variedade de lojas, além do luminoso que convidaria os passageiros para uma visita à loja de presentes que pertencia à própria concessionária dos dirigíveis.
Como a rota do dirigível passava bem em frente ao seu apartamento, ela já ouvira toda aquela ladainha inúmeras vezes. Só não se importava de ser lembrada da conveniência das passarelas deslizantes que conectavam as lojas de moda das mais famosas grifes da Quinta Avenida com a Madison, ou a mais nova calçada aérea construída ao lado do Empire State.
Uma pequena retenção do tráfego, na altura da Rua Cinqüenta e Dois, deu-lhe a oportunidade de apreciar um cartaz, no qual um homem e uma mulher muito bonitos trocavam um beijo apaixonado, adocicado, conforme eles exclamavam cada vez que separavam os lábios em busca de ar, pelo aromatizador de hálito Riacho da Montanha.
Quando seus veículos esbarraram na lateral um do outro, dois motoristas de táxi começaram a trocar criativos insultos. Um maxi-ônibus transbordando de passageiros começou a buzinar sem parar, adicionando à cena um som agudo de arrebentar os tímpanos, o que fez com que os pedestres das rampas próximas e das calçadas balançassem a cabeça ou os punhos.
Uma aeronave do controle de tráfego mergulhou bem baixo, trombeteando o aviso-padrão para que os táxis seguissem em frente ou seriam multados. E o tráfego se arrastava para o norte, cidade acima, cheio de ruídos e nervos à flor da pele. A paisagem da cidade mudou à medida que Gina saía do Centro em direção às regiões mais afastadas. Ali era o lugar que os ricos e privilegiados escolhiam para morar. As ruas eram mais largas, mais limpas e cheias de árvores em pequenos parques, que pareciam ilhas verdejantes. Ali os veículos se aquietavam, produzindo apenas um sussurro, e os que caminhavam pelas ruas faziam isto envergando roupas bem cortadas e sapatos finos.
Gina passou por um pedestre que estava levando dois cães de caça de pêlos dourados para passear, com o autocontrole e a firmeza típicos de um andróide qualificado.
Ao chegar aos portões da residência de Harry, seu carro ficou à espera de que a segurança automática a deixasse entrar. As árvores da propriedade estavam florindo. Grandes cachos de flores brancas e rosadas se alternavam com outras mais fortes, vermelhas e azuis, e tudo estava acarpetado por uma grande extensão de grama da cor de esmeralda.
A casa propriamente dita sobressaía contra o fundo do céu que escurecia e os vidros refletiam o sol que se punha e iluminava o revestimento de pedra solene e acinzentado. Já fazia meses desde que Gina a vira pela primeira vez, e mesmo assim ela jamais conseguira se acostumar com o tamanho, a suntuosidade, a riqueza em estado simples e puro. Ela tinha de parar de se perguntar o que estava fazendo ali com ele.
Deixou o carro ao pé da escadaria de granito e subiu por ela. Não bateu na porta. Era uma questão de orgulho e teimosia. O mordomo de Harry a desprezava, e não se preocupava em esconder isto.
Como era de esperar, Moody surgiu no saguão como uma nuvem súbita de fumaça negra, com os cabelos prateados brilhando e um franzir de desaprovação já pronto no rosto comprido.
- Tenente. - Seus olhos a revistaram, fazendo-a perceber que estava usando as mesmas roupas com as quais saíra na véspera, e a esta altura consideravelmente amarrotadas. - Não sabíamos a que horas a senhorita ia voltar, nem, na verdade, se pretendia mesmo voltar.
- Não sabíamos? - Ela encolheu os ombros, e por saber que isto o ofendia, despiu o surrado casaco de couro e o colocou nas mãos elegantes do empregado. - Harry está em casa?
- Ele está às voltas com uma transmissão inter-espacial.
- A respeito do Olympus Resort?
A boca de Moody se enrugou como uma ameixa.
- Não me cabe investigar os assuntos de Harry. - respondeu. Você sabe exatamente tudo o que ele faz, e quando, pensou ela, mas se virou e seguiu pelo saguão amplo e reluzente, em direção à larga base da escadaria.
- Vou subir. Preciso de um banho. - e olhou para trás, por cima do ombro. - Por favor, avise a Harry onde estou quando ele acabar o que está fazendo.
Subiu até a suíte principal. Tal como Harry, Gina raramente usava os elevadores. No momento em que fechou a porta atrás de si, começou a se despir, deixando pelo chão uma trilha de botas, jeans, blusa e roupas íntimas, a caminho do banheiro.
Ordenou que a água saísse a 39 graus, e logo em seguida se lembrou de jogar alguns dos sais de banho que Harry trouxera para ela do satélite Silas Três. Eles cobriram a água com uma espuma verde-mar que recendia a um bosque encantado.
Espalhando-se na banheira de mármore tamanho gigante, só faltou chorar de prazer quando o calor envolveu seus músculos doloridos. Inspirando com força, submergiu e prendeu a respiração por trinta segundos, para afinal subir de volta com um suspiro de pura sensualidade. Manteve os olhos fechados e se deixou fluir.
Foi assim que ele a encontrou.
A maioria das pessoas diria que ela estava relaxada. Por outro lado, pensou Harrye, a maioria das pessoas não conhecia de verdade, e certamente não compreenderia Gina Weasley. Ele tinha mais intimidade com ela e se sentia mais próximo de seus pensamentos e de seu coração do que jamais estivera com outra mulher. No entanto, nela ainda havia porções que ele precisava explorar.
Gina era, sempre, uma fascinante experiência. Um aprendizado.
Estava nua, submersa até o queixo na água vaporosa, entre bolhas perfumadas. Seu rosto estava vermelho devido ao calor, e seus olhos estavam fechados, mas ela não estava relaxada. Dava para ver a tensão na mão que segurava a lateral da banheira e no leve sulco que havia entre seus olhos.
Não, Gina estava pensando, avaliou. E estava preocupada. E planejava algo.
Ele se moveu silenciosamente, como aprendera a fazer enquanto crescia nos becos de Dublin, ao longo do cais e nas ruas fedorentas de cidades em toda parte. Quando se sentou na borda para observá-la, ela não se moveu por vários minutos. Harry sentiu o instante exato em que ela pressentiu que ele estava atrás dela.
Seus olhos se abriram e ele sentiu as íris castanho-douradas ficarem límpidas e em estado de alerta enquanto se encontravam com as dele, de um verde forte e com ar divertido. Como sempre, a simples visão dele provocou um rápido sobressalto dentro dela. O rosto de Harry parecia uma pintura, a representação perfeita, feita a óleo, de algum anjo caído. A beleza em estado bruto dele, emoldurada por todo aquele cabelo preto e encorpado, era sempre uma surpresa para ela. Gina levantou uma sobrancelha e jogou a cabeça de lado, dizendo:
- Seu tarado!
- É a minha banheira. - Ainda olhando para ela, ele deixou a mão elegante deslizar através das bolhas até alcançar a água, e acariciou a lateral do seu seio. - Você vai cozinhar aí dentro.
- Gosto da água bem quente. Preciso dela bem quente.
- Teve um dia difícil.
Ele percebeu logo, pensou ela, lutando para não se ressentir com isso. Ele sabia de tudo. Simplesmente movimentou os ombros enquanto ele se levantou e foi até o bar automático, embutido nos azulejos. O motor zumbiu suavemente enquanto o aparelho enchia dois cálices de cristal lapidado com vinho até a boca. Voltou, sentou-se sobre a borda novamente e entregou um dos cálices a ela.
- Você não dormiu; e também não comeu.
- São os ossos do ofício. - O vinho parecia ouro líquido.
- Mesmo assim você me deixa preocupado, tenente.
- Você se preocupa com muita facilidade.
- Eu amo você.
Ela ficou confusa por ouvi-lo dizer aquilo com aquela voz maravilhosa que tinha um traço leve de sotaque irlandês, e por saber que de algum modo, incrivelmente, era verdade. Já que ela não tinha nenhuma resposta para dar a ele, franziu o rosto e o enfiou no vinho. Ele não disse nada até conseguir afastar a irritação pela falta de reação dela, e então perguntou:
- Você pode me contar o que aconteceu com Lilá Brown?
- Você a conhecia. - foi a reação de Gina.
- Não muito bem. Apenas um contato social, alguns negócios em comum, a maior parte através do ex-marido dela. - Tomou um pouco de vinho e ficou olhando o vapor que subia da banheira. - Eu a achava uma mulher admirável, sensata e perigosa.
- Perigosa? Para você? - Gina se levantou um pouco até que a água começou a bater na parte alta dos seus seios.
- Não diretamente. - Seus lábios se curvaram levemente, antes que ele levasse de novo o vinho de encontro a eles. - Era perigosa para os praticantes de atos nefastos, coisas ilegais, pequenas ou grandes, e para a mente criminosa em geral. Com relação a isto, ela era muito parecida com você. É uma sorte que eu tenha corrigido os meus maus hábitos.
Gina não estava totalmente convencida disso, mas deixou passar, e perguntou:
- Através de seus assuntos de negócios e contatos sociais, você sabe de alguém que a queria ver morta?
- Isto é um interrogatório, tenente? - Tomou mais vinho, um gole maior desta vez.
- Pode ser. - respondeu ela, de modo breve. Foi a alegria que sentiu na voz dele que a incomodou.
- Como quiser. - Ele se levantou, colocou o cálice de lado e começou a desabotoar a camisa.
- O que está fazendo?
- Vou dar um mergulho, por assim dizer. - Jogou a camisa longe e abriu as calças. - Já que vou ser interrogado por uma policial nua, dentro da minha própria banheira, o mínimo que posso fazer é me juntar a ela.
- Droga, Harry! Estamos falando de um assassinato! - Ele fez uma careta quando a água quente o escaldou.
- Você é quem está me contando. - e olhou para ela através do mar de espuma. - O que há em mim de tão perverso que sempre consegue incomodar você? - e continuou, antes que ela pudesse emitir sua opinião direta. - E o que há em você que me atrai tanto, mesmo quando está sentada aí com um distintivo invisível pregado em seu seio adorável? - E passou a mão por baixo dela, ao longo dos quadris, pela barriga da perna, até chegar ao ponto que ele sabia que a deixava mole, na parte de trás do joelho. - Eu quero você. - murmurou ele. - Neste instante.
A mão dela ficou sem forças segurando a base do cálice, mas ela conseguiu se recompor e pediu:
- Fale comigo a respeito de Lilá Brown.
Pensativo, Harry se recostou. Não tinha intenção de deixá-la sair da banheira até que tivesse terminado; portanto, dava para ter um pouco de paciência.
- Ela, - começou ele - o ex-marido e Simas Finnigan estavam à frente de uma das minhas empresas. Era a Mercury, que recebeu este nome em homenagem ao deus da velocidade. É uma firma de importação e exportação, basicamente. Trata de remessas, entregas e transportes rápidos.
- Eu sei o que a Mercury faz. - respondeu ela com impaciência, tentando lidar com o aborrecimento de não saber que aquela, também, era uma das muitas companhias dele.
- Era uma empresa com organização deficiente e muito decadente quando eu a adquiri há uns dez anos. Marco Angelini, o ex de Lilá, investiu nela, bem como a mulher. Eles ainda eram casados na época, eu acho, ou tinham acabado de se divorciar. Aparentemente o fim do casamento correu de modo amigável, como essas coisas devem ser. Finngan também era um investidor. Acho que ele não se envolveu pessoalmente com Lilá, até alguns anos depois.
- E esse triângulo, Angelini, Brown e Finnigan, também era amigável?
- Parecia que sim. - De modo distraído, Harry deu uma batida em um dos azulejos. Quando ele girou, revelando um painel escondido, ele programou um pouco de música. Algo leve e romântico. - Se você está preocupada com a minha parte na história, saiba que eram apenas negócios, muito lucrativos por sinal.
- Quanto de contrabando a Mercury negocia?
- Ora, tenente... - deu um grande sorriso.
- Não brinque comigo, Harry. - A água se agitou quando ela se sentou reta.
- Gina, a minha maior vontade neste instante é fazer exatamente isso.
Ela rangeu os dentes e chutou a mão que subia por suas pernas acima.
- Lilá Brown tinha fama de ser uma promotora que não gostava de brincadeiras, era dedicada e limpa. Se ela descobrisse que algum dos negócios da Mercury estava indo contra a lei, ela teria voado em cima de você, com tudo. - disse ela.
- Sei. Então ela descobriu tudo sobre meus negócios pérfidos. Eu a atraí até uma região perigosa e cortei a garganta dela. - Os olhos dele estavam no mesmo nível dos dela, e totalmente afáveis. - É isso o que acha, tenente?
- Não, droga, você sabe que não, mas...
- Outros podem achar. - concluiu ele. - O que colocaria você em uma situação delicada.
- Não estou preocupada com isso. - Naquele momento ela só estava preocupada com ele. - Harry, eu tenho de saber. Preciso que você me conte a respeito de alguma coisa, qualquer coisa que possa envolvê-lo nesta investigação.
- E se houver?
- Vou ter de entregar o caso a outro investigador. - e sentiu frio por dentro.
- Já não passamos por isso antes?
- Agora não é como o caso DeBlass. Não é nada desse tipo. Você não é suspeito. - Quando ele levantou uma sobrancelha, ela lutou para ponderar sobre aquilo em vez de deixar transparecer irritação na voz. Por que tudo era tão complicado quando atingia Harry? - Eu não acho que você tenha alguma coisa a ver com o assassinato de Lilá Brown. Está bem claro assim?
- Você não terminou o pensamento.
- Tudo bem. Sou uma policial. Existem perguntas que eu tenho de fazer. Tenho de fazê-las a você, ou a qualquer pessoa que, mesmo remotamente, tenha conexão com a vítima. Não posso mudar isto.
- O quanto você confia em mim?
- Não tem nada a ver com confiar em você.
- Isso não responde à pergunta. - Seu olhar ficou frio, distante, e ela notou que dera o passo errado. - Se você não confia em mim até agora, e ainda não acredita em mim, então não temos nada além de episódios fascinantes de sexo.
- Você está distorcendo as coisas. - Ela lutava para ficar calma, porque ele a estava assustando. - Não estou acusando você de nada. Se eu tivesse recebido este caso para investigar sem conhecer você, ou me importar com você, o teria colocado na lista de suspeitos, a princípio. Mas conheço você, e não é disso que estamos tratando aqui. Ai, que inferno!
Ela fechou os olhos e esfregou as mãos molhadas sobre o rosto. Era terrível para ela tentar explicar os sentimentos.
- Harry, eu estou tentando conseguir respostas que possam ajudar a mantê-lo tão longe disto quanto eu puder, porque eu me importo. Ao mesmo tempo, não paro de tentar achar meios de usar você, pela sua conexão com a vítima, e também pelos seus contatos. Ponto final. É difícil para mim fazer as duas coisas.
- Não deveria ser tão difícil simplesmente dizer essas palavras. - murmurou ele, e então balançou a cabeça. - A Mercury é uma empresa totalmente dentro da lei, agora, porque não há necessidade de ser de outra forma. Ela caminha bem e produz lucros aceitáveis. Embora você possa achar que sou arrogante o suficiente para me envolver em atos criminosos tendo uma promotora pública na diretoria, deveria também saber que eu não sou tão burro a ponto de fazer isto.
- Certo. - Por acreditar nele, o aperto que sentia no peito há horas se desfez. - Mesmo assim vai haver perguntas. - disse. - E a mídia já fez a ligação entre vocês.
- Eu sei. Sinto muito. Eles estão tornando as coisas muito difíceis para você?
- Ainda nem começaram. - E em uma de suas raras demonstrações de afeto, pegou a mão dele e a apertou. - Eu sinto muito também. Parece que acabamos de entrar em outro caso complicado.
- Eu posso ajudar. - E se deixou escorregar para junto dela, trazendo as mãos entrelaçadas até os lábios. Quando a viu sorrir, sabia que ela estava finalmente pronta para relaxar. - Não há necessidade de você me manter a salvo de coisa alguma. Eu mesmo posso lidar com isso. E também não é preciso se sentir culpada, ou desconfortável, por achar que eu posso ser útil na investigação.
- Eu conto quando descobrir como posso usar você. - Desta vez ela simplesmente arqueou as sobrancelhas quando a outra mão dele começou a deslizar por sua coxa. - E se você vai tentar continuar com isso aqui dentro, vamos precisar de equipamento de mergulho.
Ele levantou o corpo e se colocou por cima dela, provocando uma ondulação que quase fez a água transbordar pelas bordas da banheira.
- Bem, acho que a gente consegue se arranjar por conta própria. - E cobriu a boca sorridente com a dele, para provar.
Mais tarde, naquela noite, enquanto ela dormia ao lado dele, Harry estava acordado, olhando as estrelas brilharem acima da clarabóia do teto em cima da cama. Uma preocupação que ele não permitira que ela visse estava estampada em seus olhos, naquele momento.
Seus destinos estavam entrelaçados, em nível pessoal e profissional. Tinha sido um assassinato o que os colocara juntos, e era um assassinato que ia continuar a enfiar o dedo em suas vidas. A mulher ao seu lado defendia os mortos. Como Lilá Brown tantas vezes fizera, pensou ele, e se perguntou se foi isto que lhe custara a vida. Ele fazia questão de não se preocupar demais, nem com muita freqüência, sobre o modo pelo qual Gina ganhava a vida. Sua carreira a definia. Ele sabia muito bem disso.
Ambos haviam construído a si próprios, ou reconstruído, a partir do pouco ou do nada que tinham sido. Ele era um homem que comprava e vendia, que controlava as coisas e que gostava do poder que disso advinha. E dos lucros. Mas de repente, ocorreu-lhe que havia certas partes de seus negócios que poderiam trazer problemas para ela se saíssem das sombras e fossem trazidos para a luz. Era totalmente verdadeiro que a Mercury era uma empresa limpa, mas nem sempre havia sido assim. E ele tinha outros conglomerados, outros interesses que lidavam com as áreas sombrias. Afinal, ele fora criado nas porções mais escuras dessas áreas. Tinha uma queda por elas.
Contrabando, tanto terrestre quanto inter-estelar, era um negócio interessante e lucrativo. Os vinhos inigualáveis de Taurus Cinco, os diamantes estonteantemente azuis retirados das cavernas de Refini e a preciosa louça fina transparente que era fabricada na Colônia de Artes, em Marte.
Era verdade que ele não precisava mais ludibriar a lei para viver, e viver bem.
Só que os vícios antigos são os mais difíceis de largar.
O problema permanecia. E se ele ainda não tivesse convertido a Mercury em uma companhia com operações legítimas? O que para ele era uma inofensiva diversificação nos negócios poderia ter o peso de uma pedra sobre Gina.
Isto tudo aliado ao simples fato de que, apesar do que eles tinham começado a construir juntos, ela estava longe de se sentir segura a respeito dele. Ela murmurou alguma coisa e se virou. Mesmo dormindo, ela hesitava antes de se virar para ele. Ele estava tendo muita dificuldade para aceitar isto. Mudanças iam ter de ser feitas, e logo, para ambos.
Por ora, ele ia lidar com o que conseguia controlar. Seria muito fácil para ele dar alguns telefonemas e fazer algumas perguntas relacionadas com Lilá Brown.
Seria bem menos simples e levaria um pouco mais de tempo para poder trazer todas aquelas áreas sombrias, que o preocupavam, para a luz.
Ele olhou para baixo, para analisá-la. Ela estava dormindo bem, sua mão estava aberta e relaxada sobre o travesseiro. Ele sabia que, às vezes, ela tinha pesadelos. Naquela noite, porém, sua mente estava calma. Confiando que ia permanecer assim, ele deslizou para fora da cama, a fim de começar.


Gina acordou com o cheiro do café. Café genuíno e forte, moído de grãos cultivados nas fazendas de Harry na América do Sul. O luxo daquilo era, Gina estava disposta a admitir, uma das primeiras coisas com as quais ela se acostumara, e na verdade já esperava e confiava quando se tratava de ficar na casa de Harry. Seus lábios se curvaram antes mesmo de abrir os olhos.
- Ai, Deus, o paraíso não pode ser melhor do que isso!
- Fico feliz por pensar assim.
Seus olhos ainda estavam embaçados, mas ela conseguiu foca-los nele. Ele já estava completamente vestido, com um daqueles ternos escuros que o faziam parecer tanto competente quanto perigoso. Na pequena sala de estar que ficava um pouco abaixo da plataforma onde a cama estava instalada, ele parecia estar aproveitando o café e a rápida olhada no noticiário em seu monitor.
O gato cinzento que ela batizara de Galahad estava esparramado como uma lesma gorda sobre o braço da poltrona, e estudava o prato de Harry com seus olhos bicolores e vorazes.
- Que horas são? - ela quis saber, e o relógio ao lado da cama murmurou a resposta: seis horas em ponto. - Caramba, há quanto tempo você já acordou?
- Levantei-me há pouco. Você não me disse a que horas ia para o trabalho.
Ela passou a mão no rosto, e depois pelos cabelos.
- Ainda tenho umas duas horas. - Como demorava a acordar de todo, rastejou para fora da cama e olhou em volta, meio tonta, à procura de alguma coisa para vestir.
Harry parou para observá-la por um momento. Era sempre um prazer olhar para Gina de manhã cedo, quando ela ainda estava nua e com os olhos vidrados. Apontou para o robe que o andróide do quarto havia recolhido do chão e colocado cuidadosamente aos pés da cama. Gina tateou até ele, sentindo-se ainda muito sonolenta para estranhar o toque da seda sobre a pele.
Harry serviu-lhe uma xícara de café e esperou até que ela se acomodasse na cadeira em frente a ele e o saboreasse. O gato, achando que sua sorte poderia mudar, pulou pesadamente sobre o colo dela, e com tanta força que a fez dar um gemido.
- Parece que você dormiu bem.
- Dormi. - Ingeriu o café como se fosse ar e fez uma pequena careta quando Galahad girou em volta de si mesmo, no colo dela, e massageou as suas coxas com as unhas pontudas. - Estou me sentindo quase humana novamente.
- Está com fome?
Ela gemeu de novo. Gina já sabia que a cozinha da casa estava cheia de artistas da gastronomia. Pegou um bolinho que tinha formato de cisne numa bandeja de prata, e o devorou com três dentadas entusiasmadas. Quando esticou o braço para pegar o bule, já estava com os olhos totalmente abertos e claros. Sentindo-se generosa, partiu a cabeça de outro cisne e ofereceu a Galahad.
- É sempre um prazer ver você acordar, sabia? - comentou ele. - Só que às vezes eu fico pensando se você não me quer apenas por causa do meu café.
- Bem... - Ela sorriu para ele e tomou mais um gole. - Eu gosto muito da comida também. E o sexo, até que não é mau.
- Você pareceu tolerá-lo muito bem a noite passada. Tenho de ir até a Austrália hoje. Pode ser que eu não volte até amanhã, ou depois de amanhã.
- Oh!
- Gostaria que você ficasse aqui enquanto eu estiver fora.
- Já conversamos a respeito disso. Eu não me sinto à vontade.
- Talvez se sentisse se considerasse esta a sua casa, tanto quanto a minha. Gina... - e colocou a mão sobre a dela antes que ela pudesse falar. - Quando é que você vai aceitar o que eu sinto por você?
- Olhe, eu simplesmente me sinto mais confortável no meu próprio canto quando você está fora. E também estou cheia de trabalho no momento.
- Você não respondeu à minha pergunta. - murmurou ele.
- Deixa pra lá. Eu aviso quando estiver de volta. - Sua voz estava curta agora, mais fria, e ele virou o monitor na direção dela. - Por falar no seu trabalho, você deve estar interessada em saber o que a mídia anda dizendo dele.
Gina leu a primeira manchete com ar cansado, como uma espécie de resignação. Sentindo a boca amarga, passava de um jornal para outro. As notícias eram todas similares. Renomada promotora de Nova York tinha sido assassinada. A polícia estava aturdida. Havia fotos de Lilá Brown, é claro. Dentro da sala de audiência, fora do tribunal. Imagens de seus filhos, comentários e citações.
Gina rugiu ao ver a própria foto estampada, e o texto sob a foto a rotulava como a mais importante investigadora criminal da cidade.
- Isso ainda vai me trazer problemas. - murmurou ela. Havia mais, naturalmente.
Vários jornais apresentavam um breve resumo do caso que ela resolvera no inverno anterior, envolvendo um importante senador americano e três prostitutas mortas. Como era de esperar, seu relacionamento com Harry era mencionado em todas as edições.
- Mas que diabos importa para o público quem sou eu ou com quem me encontro?
- Você pulou em uma arena pública, tenente. Agora seu nome rende notícias na mídia.
- Sou uma policial e não uma socialite. - Enfurecida, ela girou o corpo na direção da elaborada grade que ficava na parede do fundo do quarto. - Abra o telão! - ordenou ela - Canal 75.
A grade se abriu, revelando a tela. Os sons do noticiário matinal encheram o aposento. Os olhos de Gina se estreitaram e seus dentes se trincaram.
- Lá está ele, o covarde cara de fuinha com dentes pontudos.
Divertido com aquilo, Harry tomou um pouco de café enquanto assistia a C. J. Morse apresentar sua reportagem das seis horas. Sabia muito bem que o desprezo que Gina sentia pela mídia tinha se transformado em total ojeriza, nos dois meses anteriores. Uma aversão que surgira a partir do simples fato de que ela agora tinha de lidar com eles a cada passo de sua vida profissional e pessoal. Mesmo sem levar tudo isso em conta, Harry achava que não podia culpá-la por desprezar Morse.
- “... E assim, uma grande carreira foi cortada de modo cruel e violento. Uma mulher de convicções fortes, dedicação e integridade foi assassinada nas ruas desta grande cidade, e abandonada sangrando debaixo da chuva. Lilá Brown não será esquecida, e será sempre lembrada como uma mulher que lutava por justiça em um mundo que anseia por isso. Nem mesmo a morte poderá diminuir o brilho de seu legado. No entanto, será que o seu assassino será trazido às barras da Justiça, pela qual a vítima passou toda a vida lutando? A Secretaria de Segurança e a Polícia de Nova York ainda não nos oferecem esperança. A policial encarregada da investigação, tenente Gina Weasley, a menina-dos-olhos do seu departamento, se mostra incapaz de responder a esta pergunta.”
Gina só faltou rosnar quando sua imagem tomou toda a tela. A voz de Morse continuava:
- “Quando tentamos entrar em contato com ela pelo tele-link, a tenente Weasley se recusou a comentar sobre o assassinato e o progresso das investigações. Também não negou a especulação de que uma operação esteja a caminho para encobrir o caso.”
- Mas que canalha ordinário! Ele não conversou nada comigo sobre encobrir o caso. Como assim, encobrir? - O tapa forte que ela deu na perna fez Galahad dar um salto à procura de um local mais seguro. - Eu peguei o caso há menos de trinta horas!
- Shh... - disse Harry baixinho, enquanto a deixava e começava a andar de um lado para outro no quarto.
- “... a longa lista de nomes importantes que estão ligados à promotora Lilá Brown, entre eles o comandante Lupin, chefe da tenente Weasley. O comandante recentemente recusou o cargo de secretário de Segurança. Trata-se de um amigo antigo e íntimo da vítima, e...”
- Então é isso! - Furiosa, Gina desligou a tela manualmente com um tapa. - Vou fatiar esse verme! Onde, diabos, está Nynphadora Tonks? Já que nós somos obrigados a ter um repórter colado em nossa bunda, pelo menos ela tem mais consideração.
- Acho que ela está na Estação Penal ômega, fazendo uma reportagem sobre a reforma do sistema penitenciário. É melhor considerar a idéia de marcar uma entrevista coletiva, Gina. A maneira mais simples de lidar com esse tipo de pressão é atirar uma tora de lenha bem escolhida para as chamas.
- Ah, que se dane! Que tipo de matéria foi aquela, afinal? Uma reportagem ou um editorial?
- Existe pouca diferença entre os dois, desde que a revisão das leis que regulavam a mídia foi aprovada, há trinta anos. Um repórter tem todo o direito de dar um toque pessoal à história emitindo a sua opinião, desde que seja expressa como tal.
- Eu conheço a porcaria da lei. - O robe com cores brilhantes drapejou em volta de suas pernas quando ela se virou. - Ele não vai escapar dessa insinuação de que estamos encobrindo alguma coisa. Lupin administra um departamento limpo. Eu estou à frente de uma investigação limpa. E ele não vai escapar ileso por usar o seu nome, Harry, a fim de manchá-lo também. - continuou ela. - Era isso que ele estava insinuando com aquela desculpa pela falta de notícias. É isso o que vem por aí.
- Ele não me preocupa, Gina. Não devia preocupar você também.
- Ele não me preocupa. Simplesmente me deixa revoltada. - Fechou os olhos e respirou fundo para se acalmar. Então, lentamente, com um ar de maldade, abriu um sorriso. - Já tenho o troco certo para ele. -Abriu os olhos de novo. - Como é que você acha que o pequeno canalha ia se sentir se eu entrasse em contato com Tonks e lhe oferecesse uma entrevista exclusiva?
Harry colocou a xícara de lado.
- Venha até aqui. - falou.
- Por quê?
- Esquece... - Ele se levantou e foi até ela. Prendendo seu queixo com as mãos, deu-lhe um beijo profundo. - Sou louco por você.
- Vou considerar isso como um sinal de que é uma idéia muito boa.
- Meu falecido pai, de quem não sinto falta, me ensinou uma lição valiosa. “Garoto”, dizia ele com aquele sotaque irlandês pesado de um campeão de bebidas, “a única maneira de lutar é lutar sujo. O único lugar para acertar o golpe é abaixo da cintura.” Tenho a impressão de que Morse vai estar colocando uma compressa no saco antes de este dia terminar.
- Não, ele não vai estar fazendo isso não. - Deliciada consigo mesma, Gina o beijou de volta. - Porque até lá eu vou ter arrancado o saco dele fora!
Harry fingiu que estremecia.
- Mulheres cruéis são tão atraentes! Você disse que ainda tinha umas duas horas?
- Agora não tenho mais.
- Era o que eu temia. - Deu um passo para trás, tirando um disco do bolso. - Pode ser que você ache isto útil.
- E o que tem aí dentro?
- Alguns dados que eu coletei para você, sobre o ex-marido de Lilá Brown, sobre Finnigan. Alguns dos arquivos da Mercury.
Os dedos dela ficaram frios quando ela apertou o disco.
- Harry, eu não pedi a você para fazer isso.
- Não, não pediu. Você teria acesso a esses dados de qualquer modo, mas ia levar muito mais tempo, e você já sabe que se precisar do meu equipamento eletrônico ele está à sua disposição.
Ela compreendeu que ele estava falando a respeito da sala que ele tinha e do equipamento não registrado que nem mesmo os sensores do programa Compuguard, da polícia, conseguiam detectar.
- Por agora, Harry, prefiro seguir os canais apropriados.
- Como quiser. Se mudar de idéia enquanto eu estiver fora, Moody sabe que você tem acesso à sala.
- Moody gostaria que eu tivesse acesso ao inferno. - murmurou ela.
- O que é que você disse?
- Nada. Tenho de me vestir. - E se virou, parando logo em seguida. - Harry, eu estou tentando.
- Tentando o quê?
- Aceitar o que você parece sentir por mim.
- Então tente com mais força. - sugeriu ele levantando a sobrancelha.



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