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1. Liberdade


Fic: ROSA VERMELHA


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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O homem sempre busca aquilo que lhe fará feliz, e as vezes por buscar de mais não enxerga as coisas que realmente constrói a felicidade, cujas coisas sempre esteve ao seu lado...

A.B


Liberdade...

Draco Malfoy olhou os olhos cor de esmeralda e desviou o seu olhar para parede, ele não estava nem um pouco a fim de ouvir aquilo que ele tinha para lhe dizer. Afinal de contas era por causa dele que ele se encontrava naquela situação, dentro de uma cela suja de Azkaban.

-O que você espera que eu lhe diga?-Disse o loiro após um tempo, vendo que o moreno nada dizia.

-A verdade, acho que isso é o mínimo, não?-Indagou Harry impaciente.

Draco deu um sorriso e virou o rosto encarando o moreno.

-A verdade? É tudo que quer saber senhor Potter?-Perguntou em tom irônico.

-Sim.

Draco se levantou da cama de lençóis velhos e sujos e se aproximou da grade da cela, deixando que a fraca luz que vinha do corredor iluminasse o seu rosto, revelando seu rosto esquelético, de pele pálida levemente suja, e duas manchas arroxeadas de baixo de cada olho. O loiro pode ver o rosto de espanto de Potter quando ele se aproximou, fazendo-o sorrir amargurado.

-É assustador não?

Harry levou a mão ate o cabelo e mexeu no mesmo sem jeito, e após dá uma breve tossida, voltou para sua posse de imponente e o encarou com firmeza, ignorando a aparência precária que Malfoy exibia.

-Fale logo Malfoy o que realmente aconteceu.

-O que irei ganhar com isso? Mais alguns anos em Azkaban, não muito obrigado.

-Sua liberdade.

Aquela palavra sagrada dentro daquele lugar frio e repugnante era um sonho impossível, que nenhum criminoso dentro de Azkaban tinha esperança em ser realizado. E ouvi-la de outra boca, sendo essa não condenada, era ainda mais sedutor, como se a mesma estivesse ao seu alcance, algo que poderia pegar com as próprias mãos. Coisa que se Malfoy fizesse a agarraria e nunca mais a soltaria.

-Liberdade.-Sussurrou ele insanamente.

O loiro sentiu o seu corpo ser levado para outro lugar, um ponto onde o seu sonho tinha parado na noite passada, exatamente no lugar onde ele deixara cair a rosa vermelha, cuja qual começara tudo aquilo. Mas diferente ao episódio que ele tanto conhecia, ele não continuou por aquele caminho, ele desviou e voltou para sua velha mansão, e deitou sobre a sua cama e fechou seus olhos sentindo a leve brisa de primavera tocar a sua pele. A liberdade não é uma condição, mas um estado de espírito. Era isso que ele sempre falava para si mesmo, mas a verdadeira liberdade, não aquele de querer e fazer tudo, mas aquele de simplesmente puder viver seguindo os caminhos do mundo, de simplesmente puder viver.

Draco colocou ambas as mãos na grade e aproximou seu rosto ainda mai nas mesmas, seus olhos acinzentados demonstrando a necessidade dele de se sentir livre novamente.

-Toda a verdade?-Perguntou ele.

-Sim.

-E como isso poderá me dá a liberdade?

-É um trato que eu faço com você, quero somente saber de tudo e em troca lhe tirarei daqui.

Draco abriu um sorriso que nunca antes dera, ‘é tão simples’ pensou ele cariciando a grade da cela, ‘ era tão simples ser feliz...’ ele levantou seus olhos para Potter e balançou a cabeça em concordância.

-Eu digo toda a verdade que você queira.

Harry sabia que aquela seria a pior parte da sua promessa, mas ele não poderia voltar atrás, ele ouviria Malfoy até o fim e não iria fazer nada contra o mesmo, e ainda no fim o soltaria.

-Pode começar.

A voz de Draco saiu baixo no inicio, mas conforme ele falava, e a empolgação o dominava, não pelo seu feito, mas sim pelo que esperaria ele após terminar, a voz se tornou mais lata e clara, de modo que Harry conseguisse o entender muito bem. E ele realmente estava certo, era horrível ouvir aquela uma daquelas palavras, era terrível saber daquilo tudo e saber que não poderia fazer mais nada...Mas...

-E minha liberdade?

O moreno estava confuso, ele o perguntou novamente sobre os últimos fatos, e o loiro os repetiu três vezes, Harry estava espantado com aquilo.

-Como você...

-Vai me soltar, ou não?-A voz de urgência de Draco quebrou o transe de choque que envolvia Harry.

-Não.-A voz seca do moreno, foi um balde de água fria na empolgação do loiro.

-Não.-Repetiu Draco deixando o seu corpo escorregar pela grade e cair de joelho no chão.-Você disse que...

-Tenho que saber a verdade! Eu disse a verdade! E não a mentira.-Os olhos esmeralda estava cheio de lagrimas, a dor expressa nas palavras ríspidas e na expressão de seu rosto.

-Eu disse...-Sussurrou Draco, olhando para suas mãos, como se estivesse olhando para algo precioso.-Ela está escapando.-Comentou num murmúrio.

-Sabia que não poderia confiar em você.-Disse Harry e depois se retirou dali.

Draco nem reparou na saída do moreno, ele somente olhava suas mãos vendo a sua própria liberdade sendo roubada de si, a mesma sempre esteve com ele, a liberdade de viver mesmo que entregue á morte, a liberdade de pensar no que quiser, mesmo que entregue a idealizações alheias, a liberdade de amar, mesmo que entregue ao ódio... Mas aquela liberdade foi retirado dele, quando deram para ele a falsa esperança de que receberia a liberdade falsa, aquela que todos os homens têm, e se acham felicitados pela mesma, sem imaginar que esta é que lhe faz buscar incansavelmente a felicidade insustentável, enquanto a liberdade verdadeira é esquecida dentro de si, cuja qual só aparece quando a falsa liberdade e retirada da seu corpo, e a liberdade da alma se expõe.

O loiro levou a mão ao rosto chorando desesperadamente, dizendo em murmúrios que devolvessem a sua liberdade, a mesma que sempre foi habitada no seu ser, mas que foi retirada cruelmente, dando a ele a certeza que seria livre...

Ser livre é viver numa prisão sem grades, está preso é encontrar em si o mundo de liberdades...Essa é a verdadeira liberdade, conhecer a si mesmo...e esse é o primeiro caminho para a felicidade... o Segundo é as vezes é resposta da primeira, ou as vezes o reflexo que esta deixou de refletir...



Mas lembrem, há aqueles que vêem a felicidade como uma rosa vermelha, onde o caule dela cheio de espinhos são os cincos difíceis caminhos que necessita percorrer para chegar na maciez e perfume inebriante das pétalas.

A.B

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