Capítulo 16
Declaração de Guerra
Harry passou uma noite horrível. Enquanto os convidados continuaram a festejar por toda a madrugada, ele se vira aterrorizado por não saber o que havia acontecido com seus pais. Dumbledore o tinha segurado pelo que lhe pareceram horas e nunca, até aquele momento, lhe fora tão difícil se concentrar nas palavras do alquimista. Quando finalmente Harry se viu dispensado, sua primeira atitude foi correr por todo o castelo procurando qualquer sinal deles. Contudo, não achou nem rastro fosse de sua mãe, de seu pai ou do xerife Snape. Já estava voltando para o pátio com as entranhas roendo de preocupação e decidido a pedir ajuda para Remus e Peter, quando encontrou com Alea, a elfa que criara James.
– ALEA! – Harry correu até ela. – Você viu meus pais?
– Oh, mestre Harry! – a elfa se virou para ele com um ar de adoração (com Harry, ela tinha exatamente o comportamento oposto do que com Lily). – Eu creio que eles já se recolheram, meu senhor, mas...
– Obrigado Alea.
Harry voltou a correr, agora em direção ao andar de cima, sem dar atenção ao fato de que a elfa continuava a falar com ele e depois a chamá-lo. Subiu os degraus de dois em dois até alcançar o patamar dos quartos.
Foi aí que se sangue gelou.
A porta do quarto de James estava fechada e, se ele já conseguia reconhecer um pouco de magia, havia um feitiço de imperturbabilidade nela. Era impossível saber o que se passava lá dentro e até mesmo bater à porta. Não era um comportamento completamente estranho. Algumas vezes, Harry já tinha visto o pai agir assim. Em todas, James havia se aborrecido com algo que se referia a Lily. Aí ele se trancava daquele jeito para deixar claro que não queria conversar com ninguém. Harry seguiu até o quarto da mãe, mas lá a situação era outra. A porta estava aberta e a cama completamente intocada. Algo se apertou dentro dele enquanto ele revia mentalmente a imagem de Lily se retirando da festa e de Snape a seguindo.
– Não... – gemeu baixinho. Ela não faria uma coisa dessas. Lily não podia fazer isso com o seu pai! Ela não podia preferir “aquele homem”...
Recusando-se a continuar naquela linha de pensamento, Harry fez a única coisa que lhe pareceu razoável: foi até o quarto que ele sabia ter sido destinado ao hóspede. Dessa vez não correu. Não tinha certeza de que gostaria de chegar até lá. A visão do quarto completamente vazio o jogou no inferno.
Ele sempre tivera a certeza de que, apesar de tudo – da desconfiança, do engano, do tempo – seus pais ainda gostavam um do outro. E que, mais dia, menos dia, eles voltariam a ficar juntos. Dumbledore lhe dissera isso no dia em que se conheceram, naquele mesmo dia em que Harry achara que James e Lily se odiavam acima de todas as coisas. E agora... isso! Ele sempre achou que, entre todas as pessoas do mundo, ninguém conhecia a sua mãe melhor do ele. Acreditava piamente que ela tinha sido enganada e que, durante todos aqueles anos, ela, mesmo ferida, não deixara de amar ao seu pai. Inferno! Ele tinha garantido isso para James, e agora o seu pai devia estar sofrendo muito, por culpa dele. Tinha sido Harry que tinha alimentado as suas esperanças. Não devia ter dito coisa alguma.
Por um instante pensou em voltar até o quarto do pai e tentar falar-lhe. Mas dizer o quê? Ele não sabia nem se algum dia conseguiria olhar nos olhos de James novamente. E ainda tinha a sua mãe. Harry amava Lily acima de qualquer coisa. Perdoaria tudo o que ela fizesse. Ela tinha se arriscado para criá-lo em segurança (mesmo que estivesse enganada quanto a isso). Por muito tempo, havia sido apenas eles os dois contra tudo, contra o mundo! Só que desta vez, Harry não sabia se conseguiria entendê-la ou perdoá-la. Sentia-se traído. Se ela ao menos tivesse sido sincera com ele, se tivesse dito que ele não deveria ter a menor esperança, se alguma vez houvesse falado que havia outro homem de que ela...
Não voltou para a festa porque tivesse vontade ou porque quisesse ver ou falar com qualquer outra pessoa, mesmo com seus amigos. Voltou porque seus pés o arrastaram para lá e porque a idéia de ficar em seu quarto, onde poderiam achá-lo facilmente, não o agradava. Ao chegar ao pátio, esgueirou-se pelas sombras até poder alcançar uma escadaria que o conduziu para uma pequena torre da murada. Ali não havia vigias, a torre era usada apenas em caso de ataque ao castelo; ali, ninguém o encontraria.
Sentou no chão, em uma parte escura, ficou ali sem ver nada e sem querer ser visto. Em algum momento, o cansaço o deve ter apanhado e ele dormiu, sem ver quando a festa acabou ou se chegou a acabar. Quando as trombetas soaram do alto de outra das torres do castelo, Harry acordou num susto. Amanhecia e aquele, pelo que os garotos Weasley haviam explicado, era o chamado para a missa à qual se seguiria o fim da sagração.
Com os músculos reclamando por terem ficado tanto tempo parados, encostados à pedra dura, o garoto levantou lentamente e caminhou até a murada. Toda a sua curiosidade pela cerimônia e a excitação do dia anterior tinham sumido. Ele nem pensou em descer e ver o ritual de perto. De onde estava conseguiu identificar: frei Tuck, que estava junto ao altar com o rosto muito vermelho e inchado. Pelo que Harry o vira beber na noite anterior dava para imaginar também que ele estivesse com dor de cabeça, mau humor e uma bruta ressaca. À sua esquerda, estavam todos os Weasley vestidos com roupas novas. À direita, Harry reconheceu James, com vestes de um azul escuro, que só não chamavam mais atenção porque ao seu lado estava Dumblendore com uma magnífica capa cor de beterraba bordada de estrelas prateadas que refulgiam com a luz do sol. Um pouco atrás, Hermione era reconhecível pela postura e o rico vestido açafrão. Então, o coração do garoto falhou uma batida quando ele identificou quem estava junto com os três. Lily se sobressaía com os longos cabelos vermelho-escuros cobertos por um véu que parecia apenas deixá-los mais visíveis e brilhantes.
Ela estava lá! Estava lá! Harry se sentiu aliviado em saber que ela não tinha... bem, na sua cabeça a idéia que se formara fora a de sua mãe fugindo com o xerife. Mas, se ela estava lá embaixo, ao lado de James, então... Ele segurou o entusiasmo. De qualquer forma, ela teria de lhe explicar o que tinha acontecido na noite anterior. Provavelmente, ela estava ali apenas fazendo o que tinha feito nos últimos meses: representando o seu papel de senhora do castelo. Era um ritual e Harry já a vira ao lado de James em vários. Procurou com os olhos pelo pátio e não viu nem sinal do xerife, gostou disso. Tudo estar igual era mais do que ele ousava esperar depois do que imaginara ter acontecido naquela noite. O garoto desabou sobre os braços escorados à murada e ficou assistindo ao que acontecia.
Percy saiu da capela acompanhado por seus padrinhos. Vinha com o traje completo de cavaleiro, com exceção da espada. Ele se ajoelhou próximo ao altar, os padrinhos sempre o escoltando e daquela posição assistiu toda a cerimônia e comungou.
Harry tinha a impressão de que a missa deveria durar mais tempo, mas não pode deixar de rir enquanto frei Tuck editava e cortava as partes mais longas. Ele parava, dava uma pensadinha e, depois, com um maneio de cabeça passava para a parte seguinte. Não fosse as outras coisas na sua cabeça, Harry teria rido quase tanto quando Hagrid – que já não tirava a mão da barriga, aguardando cada parte cortada ou editada – e o resto do povo que estava lá embaixo.
Quando acabou, Percy levantou e caminhou até a frente de James. A voz do pai de Harry se ergueu e um silêncio respeitoso baixou em todo o pátio.
– Você, Percy Alfardo Weasley, jura pelo penhor de sua alma ser sempre leal a Deus, ao seu Senhor e ao seu rei?
– Juro – respondeu Percy com a voz firme.
– Jura usar sua espada para defender os mais fracos e necessitados antes de usá-la para seu próprio proveito?
– Juro!
– Ajoelhe-se – ordenou James e Percy obedeceu.
James sacou de sua espada e apontou-a para Percy, depois tocou com a ponta sobre o ombro direito do rapaz:
– Sendo assim, – depois tocou o ombro esquerdo – eu, em nome de nosso Senhor, o sagro cavaleiro – um último toque sobre a cabeça do jovem. – Levante-se, Sir Percy Weasley!
Foi uma comoção. Palmas soaram altas por todo o pátio e o abraço entre o Sr. e a Sra. Weasley fez Harry sorrir. Percy se ergueu e, como mandava o cerimonial, ele e James se abraçaram e trocaram beijos no rosto como pai e filho. Pelo que Hermione explicara ainda faltava uma coisa: a entrega da espada. Lily se adiantou com a espada deitada em suas duas mãos – Harry não conseguia distinguir bem os rostos de onde estava, mas ela parecia sorrir – e a entregou a Percy. Após pegá-la, ele se inclinou e beijou a mão que a senhora lhe oferecia. Foi no instante seguinte que o chão em que Harry estava girou.
Enquanto todos corriam para cumprimentar Percy, Harry pensou ver distintamente seu pai enlaçar sua mãe pela cintura. Com os olhos arregalados, ele a viu erguer um pouco a cabeça e os dois se beijarem... na boca! O queixo de Harry caiu e, ainda desconfiando dos próprios olhos, arrancou deles a armação que lhe fora dada por Dumbledore, esfregou-os e voltou a colocar as lentes. Eles ainda estavam abraçados. Lily apoiava a mão sobre o peito do marido e, naquele instante, ela – definitivamente – estava gargalhando com alguma coisa que ele tinha dito em seu ouvido.
Com o coração soando nas orelhas, Harry se desabalou em direção ao pátio. Saltou degraus, escorregou e quase caiu por duas vezes, mas chegou lá embaixo o mais rápido que conseguiu. Continuou correndo, tentando passar pela multidão que ainda se amontoava para cumprimentar Percy. Levou uma eternidade até que conseguisse ficar frente a frente com os dois. James e Lily demoraram a notá-lo. Estavam estranhos se comparados ao que Harry conhecia deles. Sua mãe parecia muito jovem e... ria sem parar. Harry não se lembrava de vê-la rir de tudo, daquele jeito. James não podia estar mais diferente. Toda a sua atenção estava em Lily e ele não parava de falar em voz baixa como que estimulado pelo riso dela e... Por todos os santos, ele estava sem barba?!
– Pai? – perguntou incerto. – Mãe?
– Harry! Onde você se meteu? – perguntou James num misto de alívio e bom humor.
– Estávamos preocupados, querido – disse Lily, ela continuava bem segura e satisfeita nos braços de James e não correra para verificar se Harry estava inteiro, como ela normalmente fazia.
– Não parecem.
– O quê? – perguntou James que parecia a beira de uma gargalhada, talvez, pela expressão do filho.
– Preocupados.
– Ah, bem, parece que eu convenci a sua mãe que você é intocável dentro das paredes desse castelo, então, só nos perguntávamos se alguém não havia dado cerveja ou vinho demais a você.
– Eu... acho que bebi demais sim.
James não resistiu e caiu na risada. Lily lhe deu um tapinha cheio de intimidade no peito e se aproximou do filho, pegando o pelas mãos.
– Sim, o que você está vendo é real, meu bem, logo – ela disse feliz – eu não acho que você tenha bebido demais.
– Vocês fizeram as pazes, então? – Harry queria ter certeza.
O pai se juntou a eles abraçando Lily por trás e escorando a cabeça no ombro dela.
– É o que parece. E, se der sorte, até já encomendamos um irmãozinho para você. Ui! – ele levou outro tapa.
Harry estava tonto. Não sabia exatamente como reagir. Não com aquelas duas pessoas novas a sua frente. Pareciam tão diferentes. Tão jovens. Tão pouco... “pais.” Os dois tinham uma intimidade que Harry desconhecia e, mesmo tendo sonhado por meses em vê-los juntos, agora, ele se sentia meio... excluído. James e Lily estavam na sua frente e discutiam baixinho algo que tinha apenas a ver com eles e Harry começou a pensar que talvez devesse sair dali e conversar com eles outra hora.
– Hei, bobão – chamou James, percebendo que ele ensaiava se afastar. – Por que está aí parado? Achei que adoraria isso. Será que seus velhos cabeças-duras não merecem sequer um abraço depois de tudo?
As palavras sacudiram Harry. Sim, ele quisera aquilo mais que tudo, apenas precisava se acostumar. Sorriu e jogou-se nos braços que os dois abriam para ele. Lily sussurrou no seu ouvido que agora eles seriam uma família de verdade, a palavra causou em Harry uma felicidade insana e ele estreitou o abraço. Um instante depois, outra pessoa foi puxada para o grupo e Harry se viu diante dos olhos aquosos de Hermione. Os dois riram um para o outro enquanto enlaçavam os dedos, exultantes. O momento durou até James se afastar deles e convocar todos os convidados a se deleitarem com o almoço e as bebidas que viriam.
– A festa é para durar até amanhã – berrou sobre as ovações do pessoal que estava ali. – E vou tomar como uma ofensa pessoal a mim e a minha família se alguém for embora antes disso!
Ouviram-se gritos de “Viva Sir James” e ele se voltou novamente para Lily, deu-lhe um beijo rápido e disse algo ao seu ouvido, depois se inclinou para Harry e Hermione.
– Ajudem Lily, vocês são os anfitriões, certo? E Harry, filho, você ainda está com a roupa de ontem, vá ao seu quarto, se lave e se troque. Alea deixou vestes novas para você lá.
– Aonde você vai?
– Um pouco de política para lembrar que a vida não são só coisas boas – ele falou com uma careta.
Harry olhou para trás e viu que, mesmo com expressões encantadas e felizes, Dumblendore, Remus, Peter e Arthur esperavam por James.
– Posso ir junto? – perguntou com uma sensação desconfortável na boca do estômago.
– Numa outra vez, hoje quero que você fique ao lado da sua mãe, certo? – ele chegou mais perto do ouvido de Harry. – O tempo todo. Promete?
O garoto assentiu e o viu se afastar sem compreender exatamente o porquê do pedido. James e os outros homens se encaminharam para dentro do castelo, antes de segui-los, Dumbledore encarou Harry com os olhos azuis faiscando atrás das lentes e lhe piscou. Harry lembrou imediatamente o que ele lhe dissera sobre James e Lily quando tinham se conhecido e lhe sorriu de volta. Assim, que eles saíram do pátio, Harry viu que estava apenas com Hermione a seu lado, sua mãe já havia sido puxada para conversar com os convidados.
– Por que ele não quer que eu a perca de vista? – perguntou, certo de que Hermione tinha ouvido o que James dissera.
– Acho que é por causa do xerife – respondeu a garota, deixando claro que ela sabia, talvez, até mais do que ele.
– Ele não confia na minha mãe? – indignou-se Harry.
– Claro que confia, Harry. É no xerife que James não confia.
Os olhares dos dois se juntaram para mirar a porta grande por onde o grupo havia desaparecido.
– O que você sabe? – questionou Harry.
Hermione se aproximou e falou baixo, só para ele.
– Bem, eu andei perguntando aqui e ali, porque James nunca quis me contar nada disso. O que soube foi que a sua mãe e o xerife foram criados meio juntos. Parece que a mãe dele, do xerife Snape, tomou conta da sua mãe quando seus avós se apavoraram por ela ser bruxa. Pelo que ouvi dizer, Lily sempre o tratou como irmão, mas é bem claro que o xerife não pensa na sua mãe desse jeito. E agora que seus pais estão juntos, e... bem, todo mundo viu isso, eu acho que James teme que o xerife possa fazer alguma coisa.
– Como uma vingança?
Hermione assentiu com a cabeça.
– Certo – disse Harry, decidido. – Vou trocar a droga da roupa e você chame Rony, Ginny e Neville, se Marian quiser ajudar ótimo. Peça para os gêmeos também. Não quero que percam minha mãe de vista.
A garota concordou e cada um saiu correndo para um lado. Se Harry não confiasse tanto em seu pai, teria dado um jeito de estar em dois lugares ao mesmo tempo. A curiosidade em saber o que seria discutido em uma reunião que, embora James tivesse resumido como política, Harry ainda lembrava que no dia anterior Dumbledore havia se referia a assuntos importantes. Por causa disso, Harry se debateu sobre o que deveria fazer até chegar ao seu quarto, enquanto trocava de roupas e mesmo quando voltava para o pátio. A sensação esquisita na boca do seu estômago continuava, mas ele não se atreveria a decepcionar James. E se ele não estivesse lá e, mesmo com todos os seus amigos de olho, alguma coisa acontecesse com a sua mãe? Engoliu a custo a curiosidade e rumou sem vontade para a festa.
Snape não tinha participado da sagração e James sabia por quê. Que homem gostaria de ver a mulher que amava nos braços de outro? James não duvidava do que Severus sentia por Lily, apenas sempre tivera certeza – a não ser por algumas horas no dia anterior – de quem seria o vencedor naquela disputa. E foi assim que ele entrou em sua sala de audiências, onde o xerife de Nottinghan esperava o grupo: como um vencedor. Ele até sorriu para Snape, recebendo de volta um olhar de profundo ódio que mais o divertiu que abalou. Fosse o que fosse, Snape jamais despertara a parte a mais nobre de sua natureza e, como Lily lhe acusara uma vez, há muitos anos, ele nem ao menos se esforçava para isso.
Todos se acomodaram nas cadeiras da sala, com Dumbledore ocupando o lugar de destaque. Quando aquele grupo – que de fato era bem maior – se reunia, era o alquimista que o presidia. O grupo de opositores das artes das trevas, e de tudo o que elas representavam, era conhecido entre seus membros pelo nome que o alquimista lhe dera: a Ordem da Fênix. A explicação para o nome, segundo o próprio Dumbledore, era que, por mais que as forças do mal tentassem eliminá-los, eles sempre renasceriam. No fim, sempre há esperança, dizia o alquimista.
– Acho – principiou o velho líder – que podemos começar. Severus, por favor, eu gostaria que relatasse aos nossos amigos as últimas notícias que me trouxe sobre a corte do príncipe John.
Ignorando o fato de a palavra amigos ter provocado um esgar de contrariedade em Snape, Dumbledore recostou-se à cadeira e uniu as pontas dos dedos num gesto característico e esperou. Todos os olhares se voltaram para Snape.
– Teremos tempos difíceis pela frente – começou o xerife, sem rodeios. – O príncipe John não planeja devolver o trono para o irmão.
– Isso não é exatamente uma novidade – retorquiu James.
Severus o ignorou.
– Acredito que o Lord das Trevas pretenda se beneficiar bastante da troca de governo. Pelo que tenho ouvido, ele já está fazendo parte do círculo íntimo do príncipe.
– Você tem idéia de como o príncipe pretende se apoderar do trono, Severus?
A pergunta educada partiu de Remus, mas não pareceu causar menos desagrado no xerife e James não gostou nada da expressão de desprezo que ele dirigiu ao seu amigo. Sabia que Snape concordava com aqueles bruxos que achavam que caçar a matar lobisomens era praticamente uma caridade. É claro que, andando com quem ele andava, Snape sabia da condição de Remus e, como os outros, ele achava Lupin menos digno de estar vivo por ter sido contaminado. Mais que isso, como a maioria das pessoas, Snape considerava um lobisomem alguém indigno de confiança, alguém em que os instintos animalescos e selvagens sempre seriam mais fortes. James apertou o copo em sua mão e o seu sorrisinho vitorioso sumiu.
– Até onde me deixaram saber, o príncipe John pretende comprar o apoio dos barões normandos e de alguns barões saxões que não se oponham, por uma boa quantia, sustentá-lo no poder. (1)
– A maioria dos saxões se oporá – assegurou James. – John sempre deixou claro que acredita que todo o poder deve ficar nas mãos dos normandos.
– Os que se opuserem serão esmagados – assegurou Snape friamente.
– Teremos uma guerra civil, então – concluiu Dumbledore, com uma ruga de preocupação na testa.
– Eu não creio que a idéia seja essa – objetou Snape, com calma. – Provocar uma rebelião. Creio que a corte normanda planeja algo mais silencioso. Minha impressão é de que o príncipe usará de algumas táticas que seu pai, no passado, provou serem eficazes. Lembrem que o rei Henrique se livrou de vários dos líderes entre os senhores saxões. – Ele lançou um olhar de desprezo para Peter. – Como o antigo conde de Huntington.
Houve um mau estar na sala. Após a morte do antigo conde de Huntington, o maior de todos os líderes dos nobres saxões, o título e as terras foram dados a um normando: o pai de Marian, Willian Fitzwalter. Este, ao morrer, deixou parte das terras e o título para o tutor de sua filha, seu amigo Peter Petegreew (cuja ascendência era de um nobre normando – que nada lhe deixara de herança – e uma saxã plebéia ou, em outros termos, era filho de um homem comum e uma bruxa). James se perguntava o que John esperava do novo conde? Achava que Peter manteria o acordo de Fitzwalter ou não confiava nele por sua proximidade com James?
– Esse tipo de ação leva tempo – comentou Arthur. – Digo, fazer o que fizeram com o conde. Se forem muitos os opositores, o príncipe não poderá...
– Basta que ele pegue os líderes – atalhou Snape. – E, convenhamos, desde que o antigo conde de Huntington foi morto, os saxões estão acéfalos. Além disso, não acho que o príncipe tenha muita pressa. Ele é um homem paciente e enquanto Ricardo está se divertindo com seus soldadinhos nas cruzadas, ele tem todo o tempo do mundo para agir. Começará a criar acusações falsas contra qualquer nobre que se oponha a seus desejos. Não será difícil fazer com que se acreditem nelas, afinal, o finado rei Henrique não convenceu a todos que o conde de Huntigton era um adorador do demônio? Com tantas ofertas de poder, será fácil achar quem sustente essas afirmações.
– E... – titubeou Peter – e os bruxos? Quero dizer, corrompê-los com ouro não é tão fácil, não é?
Dumbledore deu um longo suspiro.
– Não estamos falando de ouro aqui, Peter. Temos de ter em mente que temos duas conspirações com que lidar. Uma que envolve o trono da Inglaterra e outra, a de nosso próprio povo. A que tem como centro o desejo de Voldemort de usar a anarquia política do mundo dos não-mágicos para dominá-los. E a grande verdade, meu caro Peter, é que estamos divididos. Muitos dos nossos concordam com Voldemort e vão ajudá-lo a se aproveitar da guerra civil (seja ela aberta ou silenciosa) para desestruturar a sociedade dos comuns. Os que não concordam... bem, esses dependem da nossa liderança. Mas, temo que, numa guerra como a que se avizinha, muitos terão de escolher entre se dobrar a Voldemort ou morrer.
A palavra morrer não pareceu fazer bem a Peter, que se encolheu.
– Tem uma coisa que eu ainda não entendi – questionou Remus. – Como ele pretende comprar o apoio dos barões? O tesouro real não seria suficiente?
– O príncipe aumentará os impostos – respondeu Snape sem olhar para ele.
– Dos barões? – protestou Arthur. – Mas isso não faz sentido.
– Do povo – completou o xerife.
Remus trocou um olhar incrédulo com James e Dumbledore fez um sinal pedindo calma, antes de falar.
– Isso pode dificultar bastante nossas ações. Seria mais seguro se pudéssemos continuar a defender os inocentes da mesma forma que fazemos agora, praticamente na clandestinidade. Porém, talvez tenhamos de nos mostrar antes do previsto se as coisas começarem a sair do controle.
– SE as coisas começarem a sair do controle? – James objetou, furioso. – Dumbledore, você não espera que eu vá realmente aguardar que John explore aqueles que estão sob a minha proteção e ficar quieto até as coisas saírem do controle?
– James... – começou o alquimista, mas Snape cortou friamente.
– Todos os reis aumentam impostos, Potter. É um fato. Se fizer oposição logo de início, sua lealdade será questionada.
– Minha lealdade é para com Ricardo! E John não é rei para aumentar impostos, ele terá de justificar isso!
– Sobre os impostos, James tem razão – concordou Dumbledore. – Mas eu não duvido que John fabrique essa justificativa. Há somente o poder dos barões entre ele e qualquer coisa absurda que proponha, se John tiver a maioria dos barões ao seu lado, e se eles virem vantagens no que ele pretende. Se os maiores prejudicados forem os saxões e os bruxos que se opõem a ele, então...
Ninguém achou que todos aqueles “ses” fossem meras possibilidades. Pelo contrário, aquilo era o que provavelmente aconteceria.
– Deixe-me adivinhar – falou James jogando-se contra o espaldar de sua cadeira e encarando Snape com asco – os xerifes dos condados serão responsáveis, por uma boa quantia, imagino, de recolherem os impostos. Estou errado, Snape?
Dumbledore falou antes que Snape respondesse da forma grosseira que sua expressão indicava.
– Não acho que Severus aprecie a tarefa, James, mas ainda precisamos que ele faça tudo para manter sua posição na corte e junto a Voldemort.
– Eu tenho certeza de que ele não aprecia – debochou James. – Quando foi que Snape gostou de exercer seu poder sobre os outros, não é mesmo?
As palavras tiveram o efeito de um feitiço explosivo. Snape avançou em direção a James e este se ergueu da cadeira para enfrentá-lo.
– Escute aqui, Potter – berrou Snape cheio de ódio – eu não vou ficar aturando indiretas de um pilantra como você! É muito confortável ter a conduta perfeita quando se tem dinheiro para comprar a bajulação de todos a sua volta!
– Comprar?! – indignou-se James. – Eu faço tudo para proteger...
– JÁ CHEGA! – a voz imperiosa de Dumbledore os fez calar. – Não é o momento de vocês se comportarem como dois moleques! Sentem – pediu mais suavemente, mas ainda enérgico. – James, eu apreciaria se segurasse as provocações, Severus não contou nem a metade do que realmente me preocupa. E como tem a ver com o seu filho, acho que deveria ouvir.
A referência a Harry roubou toda a cor do rosto de James e ele se sentou lívido. Até sua respiração ficou superficial. Remus lhe fez um gesto para que se acalmasse, mas James manteve os olhos raivosos em Snape.
– Voldemort já sabe que meu filho voltou para casa – disse indiferente. – Você mesmo me contou isso Dumbledore, embora... nós ainda não saibamos como ele soube, não é mesmo? – alfinetou.
– O Lorde das Trevas sabe mais do isso – afirmou Snape.
– Ao que você se refere?
– Ele sabe que vocês encontraram o outro rapaz da profecia.
James levantou da cadeira.
– Isso não é possível! – objetou Remus.
– Meu Deus – lamentou Peter. – É como lutar contra o ar... Parece que ele está em toda parte.
Arthur parecia aturdido. Ele mesmo só fora informado completamente sobre o outro rapaz porque seu filho mais velho fora designado para se responsabilizar por sua segurança.
– COMO? – perguntou James. – Como ele pode saber?
– Me diga você e a sua “corte”, Potter. Eu fiquei tão surpreso quanto você parece agora. Afinal, Dumbledore não achou que a localização do outro rapaz da profecia fosse algo relevante a ser repartido comigo.
– Já discutimos isso, Severus – disse Dumbledore, calmamente, desviando do assunto. – Na verdade, embora ganhássemos muito se descobríssemos como Voldemort ficou a par de nossos movimentos, me preocupam mais as decisões subseqüentes a isso que Voldemort comunicou a seus asseclas.
Todos os olhares se voltaram novamente para Snape e ele pareceu satisfeito com isso, o que o fez fazer uma longa pausa antes de falar.
– Que decisões? – rosnou James exasperado.
– Bem – principiou Snape lentamente – parece que o Lorde das Trevas avalia três obstáculos a seus planos de domínio. Ricardo, mas ele considera o rei trouxa o mais simples, já que tem o príncipe regente em suas mãos, até onde sabemos. Depois, e a quem ele dá mais importância, os dois rapazes que (dizem, ele mesmo nunca confirmou, exceto por querer matá-los) uma profecia vaticinou que seriam os únicos a poderem derrotá-lo. Acredito que o Lorde sempre pretendeu matá-los antes que se tornassem realmente perigosos para ele.
– Sabemos disso, Snape – argumentou Remus quando o outro fez uma longa pausa dramática. – Continue, por favor – pediu antes que James se descontrolasse.
– Lorde Voldemort enviou três homens à Terra Santa com a missão de matar o jovem Robert.
– Quem? – quis saber James.
– Rockwood e dois homens de confiança de Lucius Malfoy, Crabbe e Goyle.
– Bem, se fosse apenas por Crabbe e Goyle, não teríamos o que temer – resmungou Peter. – Um verme cego é mais inteligente que os dois juntos. Mas Rockwood é perigoso. – Todos olharam para Peter. – O que? – perguntou ele. – Meu tempo na corte não foi completamente inútil!
– Eles têm ordens de eliminar o rapaz que ande acompanhado por Moody e mais dois – disse Snape. – Admita James que Moody foi uma escolha muito óbvia sua.
Dessa vez foi Arthur quem saltou da cadeira com o rosto transtornado. Remus ergueu-se também e colocou a mão em seu ombro para acalmá-lo.
– Há quanto tempo eles partiram? – perguntou James com urgência.
– Duas semanas. Nem se canse, nenhum meio de comunicação mágico será mais rápido do que eles.
James olhou atônito para Remus e Peter e, sem conseguir encarar Arthur, focou em Dumbledore.
– Há quanto tempo sabe...?
– Severus só ficou a par desta informação há dois dias. Rumamos imediatamente para cá quando soubemos.
– Eu devia ter sido...
– Não faria sentido, James – ponderou Dumbledore. – Eu despachei os meios mais rápidos que conheço tentando avisar Alastor assim que soube. Agora, só nos resta confiar e rezar. – O velho alquimista parecia muito abatido quando olhou tristemente para Arthur Weasley. – Desculpe, Arthur, não foi possível fazer mais. Espero que você e Molly tenham tanta confiança em Will quanto eu tenho.
Arthur limitou-se a mexer com a cabeça e desabou novamente na cadeira com a cabeça entre as mãos. Snape não pareceu comovido quando falou.
– Lorde Voldemort só apresentou essa decisão quando ela já poderia chegar até a Ordem sem que fosse barrada, ele próprio me encarregou de dizê-la a vocês. Ele achou que a informação, mesmo com atraso reforçaria minha posição como agente duplo junto a Dumbledore.
– Reforçar? – Ironizou James. – Ele superestima você, não?
– Na verdade, ele contava com a próxima informação para isso...
Um silêncio caiu sobre os homens na sala e mesmo Arthur ergueu a cabeça.
– Fale Severus – estimulou Dumbledore.
Snape manteve a mesma fleuma e encarou James com o que o outro qualificou de prazer sádico.
– Ao que parece, o Lorde das Trevas quer que você saiba que ele tem um voluntário disposto a assassinar o seu filho bem debaixo do seu nariz.
A palidez do rosto de James contrastava com a descrença em seus olhos.
– Ele quer? Por quê? Isso... isso é insano! Até aquele maldito sabe que Harry é intocável aqui, nesse castelo!
– Seu filho já foi tirado daqui.
– É mesmo? – berrou James fora de si. – E de quem foi a culpa? Tem idéia de onde minha desconfiança sobre aquele flagrante ridículo me leva, mestre das poções?
– James – pediu Dumbledore, pressentindo o perigo ao ver Snape erguer o queixo para revidar – precisamos analisar essa informação friamente. Acalme-se. Harry é nossa prioridade hoje e não há treze anos que, agora, são passado.
Com esforço James voltou a sentar.
– Dumbledore tem razão – disse Remus. – Qual o propósito de Voldemort em informá-lo disso. Ele sabe que vai reforçar a segurança sobre Harry. O garoto não vai respirar sem ter um de nós por perto.
– Quer minha opinião, Lupin? – perguntou Snape, pela primeira vez se dirigindo a Remus. Sua expressão ainda era uma máscara de desprezo. – Lorde Voldemort não quer apenas matar o garoto, ele precisa destruir as lideranças de qualquer resistência a ele.
– O que quer dizer? – James mudou o tom da pergunta dessa vez, suas entranhas estavam pesando como chumbo e suas mãos geladas de desespero. – Matar meu filho seria o suficiente para eu...
– Querer vingança? – desdenhou Snape. – Pense, Potter! O que seria melhor do que você, além de perder o filho, ser traído por alguém próximo. Muito próximo! – o olhar dele passou rapidamente por Remus, mas James percebeu. – Ele quer destruí-lo junto com o garoto. Quer que você aperte tanto a mão que a situação lhe escorra pelos dedos. E sabe por quê, Potter? Porque Lord Voldemort é inteligente o bastante para ter certeza de que você vai confiar na pessoa errada!
– Você enlouqueceu! – rosnou James, já quase berrando. – A não ser, é claro,... que você saiba de algo que não sabemos, Snape. Sabe? Se sabe fale. Acuse, se tiver coragem! É claro que você não tem. É só desconfiança barata, próprio de alguém como você, Snape! Eu confio plenamente em cada uma das pessoas que me cerca, ouviu bem?
– Mesmo? – questionou Snape com a voz macia. – Até a vida do seu filho?
James baixou a cabeça. Ele tremia e não queria demonstrar. Não para Snape. Não! Ele não confiava era em Snape, não o deixaria minar sua confiança em seus amigos e servidores. Não! Aquilo era uma forma de deixá-lo maluco. Sim, era isso o que Voldemort queria. Que ele desconfiasse de todos e acabasse descuidando da segurança de Harry por isso. O que não ia acontecer.
– Nem todos têm seu pendor para a representação, Snape – disse com todo o veneno quer foi capaz.
Novamente as coisas beiraram o descontrole, mas Dumbledore foi mais rápido.
– O que me preocupa é que isso é tudo o que sabemos. Nenhuma outra indicação foi dada por Voldemort.
– Sim – falou Snape, mais controlado – ele apenas convidou seu grupo mais próximo a comemorar, pois logo teria as melhores notícias sobre o futuro dos bruxos. Ou seja, a morte de todos os que ameaçam os seus planos. Não deu muitos detalhes.
– Logo, a conclusão de que eu abrigo um traidor é sua.
– É uma conclusão óbvia para qualquer ser inteligente.
– É uma conclusão óbvia para qualquer um que nunca tenha tido amigos. Eu não me espanto de vir de você!
– Acho – interrompeu Dumbledore, antes que os ânimos piorassem – que deveríamos encerrar nossa pequena reunião por aqui. Não teremos boas idéias de cabeça quente. Nossa preocupação agora deve ser manter Harry em segurança e tentar tudo para que nada venha a acontecer ao jovem Robert.
Ninguém protestou. Pelo contrário. Arthur parecia ansioso demais por encontrar Molly e mesmo escrever para o filho. Remus estava preocupado em afastar James e Severus um do outro, o mais rápido que pudesse, e não parava de agradecer mentalmente o fato de Sirius não estar ali. Nesse caso, não tinha certeza de que poderiam tê-los segurado. Peter concordava com ele e os dois praticamente arrastaram James de volta à festa. Dumbledore os seguiu e Snape, após eles se afastarem, também tomou o rumo do pátio.
Quando o grupo chegou à festa, Lily foi a primeira a avistá-los. Ela não deixara de cuidar a porta por onde eles deveriam retornar por um único instante, desde que os homens haviam se retirado para a tal reunião. Estava tão ansiosa que deixou a mesa em que estivera sentada entre Harry e Hermione e correu, sem qualquer pudor, até alcançar James. Lily somente tinha aceitado não participar da reunião porque era necessário que um dos anfitriões ficasse com os convidados, porém, ela mal podia conter a curiosidade para saber o que havia sido discutido. Afinal, ela também pertencia a Ordem da Fênix, assim como outras bruxas como Minerva McGonagall, Pomona Sprout e Papoula Ponfrey. Havia se engajado quando Voldemort era apenas uma ameaça dúbia, e não ficaria de fora agora que uma das principais funções do grupo era, justamente, proteger ao seu filho.
Assim que alcançou os homens, James se adiantou para recebê-la. Ele tomou suas mãos e, num gesto que pretendia ser calmante, beijou-as. Lily não se deixou enganar com o sorriso galante ou a postura relaxada, James estava pálido demais.
– Tudo bem por aqui? – ele perguntou antes que ela falasse.
– Sim – Lily respondeu apreensiva. – Como...?
– Mais tarde – respondeu James no mesmo tom calmo que já a estava enervando. Depois ele sorriu ao se virar para os outros. – Creio que um bom almoço é tudo o que precisamos, não é? Peter, Dumbledore trouxe alguns barris daquela excelente cerveja dele, porque não providencia para que sejam abertos? – Peter deu um sorrisinho estranho e sumiu de vista. James se voltou para os outros. – Vamos para a mesa? – convidou circulando a cintura da esposa com o braço e colando-a a si de um jeito possessivo.
– Excelente! – comemorou Dumbledore batendo as mãos. – Nada como boa comida e boa bebida, não é mesmo?
Inconformada, Lily se viu empurrada pelo grupo para voltar à mesa e aos convidados, o que a impediria de perguntar mais. Contudo, nem todos pareciam concordar que mergulhar no festim era o melhor que se podia a fazer. Severus nem se mexeu. Ficou parado no mesmo lugar vendo-os se afastarem, seus olhos cheios de rancor, pareciam ter se grudado exatamente no ponto em que os corpos de Lily e James se colavam. Havia uma fúria fria e assassina na forma como ele os encarava.
Então, com um volteio nas vestes negras que usava, ele deu as costas para os dois, para a maldita festa e, o mais rápido que pudesse, daria as costas para aquele maldito lugar. O estábulo estava vazio, os cavalos tinham sido alimentados e agora todos os servos deviam estar se embebedando na festa. Snape já estava terminando de colocar os arreios em seu cavalo, quando um barulho o fez sacar a varinha e virar-se disposto a fazer picadinho de James Potter. Porém, foi com o olhar assustado e nervoso de Lily que ele se deparou. Severus recolocou a varinha sob as vestes e virou-se novamente para encilhar o cavalo. Apenas as mãos nervosas traíam a frieza estudada que ele colocou na voz.
– O que quer?
Lily demorou para responder. Talvez, ela estivesse arrependida. Talvez tivesse vindo ali para lhe dizer que cometera um erro. O mesmo erro que há quinze anos, quando se casara com Potter. Ela poderia estar ali para reconhecer que errara duas vezes em não escolher a ele. Seu coração acelerou.
– De quem você desconfia, Severus?
– O quê? – ele a encarou.
– O que você disse – a voz dela tinha um tom de angústia e ansiedade – para James, Dumbledore e os outros... sobre um traidor. De quem você desconfia?
Uma raiva gelada cheia de frustração invadiu Snape e, por um momento, ele pensou que gostaria de, ao menos uma vez, conseguir dirigi-la contra Lily.
– Então, ele lhe contou.
Lily torceu as mãos nervosamente.
– James não queria me preocupar...
– Oh, ele não queria. Bem, eu posso fazer isso sem remorso, não é?
Ela respirou fundo, mas pareceu achar melhor ignorar o outro assunto entre eles.
– James me contou que você desconfia que Voldemort possa ter alguém dentro do castelo. Alguém que pode ameaçar Harry. Por favor Severus, me diga, você desconfia de alguém?
– Seu maridinho não lhe afirmou que todos os servidores dele são absolutamente fiéis – ironizou. – Ou será que você acha que eu posso ter razão?
– Isso não é uma disputa, Severus – falou irritada. – Não estou fazendo uma tabela para ver quem marca mais pontos entre vocês dois. James é meu marido e eu o amo – o rosto de Snape se contraiu. – E, apesar de tudo, eu ainda amo você. É como um irmão para mim e sempre será.
– Me faria mais feliz se você me matasse antes de repetir isso – rosnou ele entre os dentes e voltou a dar as costas para ela, ocupando-se de sua montaria.
Lily avançou rapidamente até ficar ao lado dele, puxando-o pelo braço e lhe pedindo aflita.
– Será que pode se esquecer de você um momento? É da segurança do Harry que estamos falando. Do meu filho... Severus, por favor?
Os lábios de Severus se apertaram de contrariedade, mas ele respondeu.
– É só contabilizar, Lily. Quem poderia estar a par de todos os planos que traçamos? Quem poderia saber do garoto na Terra Santa? Quem estaria seguro o suficiente de suas capacidades para se oferecer para levar seu filho até Voldemort?
– Eu...
– Olhe quem está sempre cercando o Potter! Acha realmente que pode confiar a segurança do seu filho a um lobisomem? A um garoto mimado de uma das famílias mais ligadas com as artes das trevas que a Inglaterra já conheceu? Ou a um bastardo ávido por reconhecimentos?
Lily recuou horrorizada.
– Você não está sugerindo...
– Estou! Um deles... com toda a certeza.
– Não! Não! Eu não consigo... Severus isso é loucura! Se você soubesse o que Remus têm sofrido. Não, nunca! Ele foi criado com James. São como irmãos, ele só não se matou quando Autumn morreu porque James pediu, não deixou. E... Sirius? Ele é padrinho do Harry! Tem tanta devoção ao garoto quanto o próprio pai. E, meu Deus, Peter... ele, ele deve tudo a Sir Potter. Sua educação como cavaleiros, suas armas, ele... ama o James, ele nunca! Você não tem noção do que está dizendo, Severus!
Snape não demonstrou qualquer tipo de comoção às recusas dela. Seu olhar tinha uma frieza que nada tinha de condescendente.
– Odeio dizer isso, Lily – ele falou com sarcasmo – mas, às vezes, acho que você e seu marido se merecem. A credulidade de vocês dois dá pena. No caso dele é arrogância, eu sei. Afinal – debochou Snape – quem não amaria o maravilhoso James Potter! Mas no seu, Lily... deveria pensar melhor, é o seu filho que está correndo risco.
A cor do rosto de Lily havia sumido completamente enquanto ela o encarava sem parar de negar com a cabeça. Parecia tão desamparada, tão indefesa. Severus largou tudo e quase correu para onde ela estava pegando-a pelos braços.
– Ouça Lily! Venha comigo! – Ela olhou-o incrédula. – Sei o que sente, eu sei, não estou cobrando que mude, quero apenas... Eu a protegeria. Cuidaria de você e do seu filho. Ninguém encostaria um dedo em vocês. Acredite Lily, pelo garoto ser seu filho, eu morreria por ele!
– Qualquer pessoa neste castelo morreria por Harry – afirmou uma voz carregada vinda da porta do estábulo.
Lily se soltou de Snape e caminhou em direção ao marido sem olhar para trás. Assim que ela chegou até ele, ambos deram as mãos. Snape pensou que poderia matá-los, os dois, ali mesmo. Como ela podia se deixar levar pela presunção daquele idiota? Como podia confiar que nada aconteceria, fiando-se apenas no fato de seu maridinho herói podia tudo. Snape nunca achou Lily tão tola e cega quanto naquele instante, mas foi a James que ele respondeu.
– Você é patético, Potter! Sua arrogância ainda será a sua ruína e eu vou adorar vê-lo despencar de cima dela.
Potter lhe sorriu com soberba. O queixo dele parecia pedir um soco.
– Eu não espero que você entenda o que eu tenho, Snape. Basta-me que você saiba que eu tenho e, pelo visto, você não!
– James, por favor – Lily pediu, mas ele não se deteve.
– Além do mais, eu confio em mais na metade do dedo mindinho de qualquer um dos meus amigos do que em você inteiro. E não é nem pelo fato de que não posso dar as costas que você logo vem tentando colocar as patas em cima da minha mulher. É só porque você... é você, sabe?
– James! – Repreendeu Lily, mas ela não parecia furiosa com ele, só aborrecida e isso, novamente, doeu em Snape. – Venha, vamos voltar para festa.
– Eu realmente gostaria de ver a sua cara quando tudo isso desmoronar – atirou e James nem se moveu para fora do estábulo, embora Lily praticamente o puxasse. – Mas eu não tenho interesse em ver seu garoto morto. Se você acredita ou não, não me importa, ainda assim, eu salvaria o menino.
– Comovente – desdenhou James. – Eu realmente gostaria de saber por quê. A essa altura, você já deveria saber que isso não será o suficiente para ter Lily, não é mesmo?
– Você não terá Lily para sempre.
– Querem parar de falar de mim como se eu fosse uma coisa!
Snape deu alguns passos em direção ao casal. Ele sabia o feitiço exato e, de repente, aquilo não tinha nada a ver com Lily. Era só entre eles os dois. Só os dois. Um único feitiço. Verde, rápido. E James Potter seria história.
– Meus motivos não são da sua conta. Basta que saiba que não se aplicam a você.
James soltou a mão de Lily e, dando um passo a frete, quase encobrindo-a com o corpo, cruzou os braços.
– Ora, ora, sem Dumbledore por perto sua máscara cai, não é Snape? Vamos, vá em frente! Me ameace. É o que quer.
Lily rolou os olhos e já ia se intrometer, mas Snape falou antes.
– Eu não preciso. Se você fosse um homem mais prudente, talvez. Mas sendo o pavão petulante que é, tudo o que preciso fazer é sentar e esperar o glorioso dia em que vou colocar uma corda no seu pescoço e puxá-la até o final.
É claro que o idiota manteve a mesma empáfia, embora Lily olhasse chocada para Snape. Bem, ela deveria saber que nenhum desejo era maior nele do que vê-la viúva.
– É como dizem – desdenhou James – a esperança é a última que morre. – Ele passou o braço sobre os ombros de uma Lily mais do que incomodada com a discussão e já chegava à porta quando voltou a cabeça e disse por cima do ombro: – É claro que vai ter de nascer umas duas vezes antes de conseguir chegar perto disso.
Snape revidou exatamente onde sabia que causaria dor.
– Talvez não seja necessário esperar tanto. Afinal, tenho certeza que um dos amigos que você acha bons o suficiente para andarem com você fará isso para mim. Vai me entregá-lo numa bandeja.
Daí em diante tudo foi muito rápido. James estourou com a provocação e deu um empurrão em Lily jogando-a para fora do estábulo ao mesmo tempo em que sacava a varinha e atacava Snape. É claro que o outro já esperava por isso. Também armado, Snape desviou o feitiço feroz de James e atacou. Era o que ele queria. Desde o início, era o que os dois queriam.
James também bloqueou o feitiço dele, mas seu escudo o ricocheteou e o feitiço atingiu Lily que voltava para o estábulo com a varinha em riste para apartá-los. Ela caiu desacordada no chão. Um urro de raiva foi a reação dos dois homens e, a partir daí, o duelo se tornou de vida ou morte. Os cavalos passaram a relinchar e coicear nas baias, tentado se soltar e sair dali. Um feitiço acabou atingindo a palha e a fumaça e o cheiro de queimado deixaram os animais ainda mais nervosos.
Luzes de cores diferentes se sucediam numa rapidez vertiginosa. Nem Snape nem James chegavam a pronunciar os feitiços, apenas os lançavam, rebatiam e revidavam sem se importar com o que estava em volta. Foi Snape quem atingiu James primeiro. Lily mexeu com a cabeça, tossindo por causa da fumaça, e o movimento dela alertou o marido. A distração foi quase fatal. Um feitiço de corte rasgou o peito de James de fora a fora e logo uma onda de vermelho vivo encharcou as vestes azuis. Ele cambaleou para trás e olhou o peito.
– Arte das trevas, Snape? Quem é que ainda pode se enganar com um canalha como você, hein?
James ergueu a varinha e, mesmo segurando o ferimento com as mãos, disparou mais uma série de ataques furiosos, que Snape rebateu e revidou, sem voltar a atingi-lo. Porém, os ataques foram suficientes para fazer com que o xerife recuasse e, quando ele se bateu contra um dos pilares que sustentava o teto do estábulo, James o atingiu. Uma série de tentáculos de aparência vegetal começaram a brotar do corpo de Snape e, dolorosamente, passaram a se enrolar nele, amarrando-o e rapidamente imobilizando-o. Os espinhos dos tentáculos cravavam na pele e a pressão ia se tornando cada vez maior nos braços nas pernas, no tronco. Um outro feitiço veio logo em seguida e Severus pode sentir sua cabeça aumentar vertiginosamente de tamanho, deformando suas feições fazendo seu cérebro parecer oco. James ainda ergueu a varinha uma terceira vez para atingi-lo, mas outra tosse de Lily o deteve. Ele lançou um olhar de desprezo para Snape e deu-lhe as costas para ajudá-la.
Os tentáculos continuavam crescendo e, à medida que se enrolavam, apertavam mais e mais até que os joelhos de Snape cederam e sua cabeça enorme pesou o suficiente para que ele caísse no chão. Contudo, ele não ia se entregar assim. James Potter não sairia de um duelo com ele se achando vencedor. Nunca! A mão direita ainda segurava firmemente a varinha e ele conseguiu, com esforço, soltar os dedos o suficiente para apontá-la para o teto.
Um raio branco cruzou por cima da cabeça de James e, antes que ele pudesse chegar até Lily, uma das vigas do estábulo fez um crack surdo e veio abaixo enterrando James sob pedaços de madeiro enormes, colmo e caliça.
Antes de tudo o mais sumir de sua mente e o inchaço em sua cabeça o apagar, Snape ainda pode ouvir os gritos dos convidados que agora, certamente, corriam para eles. E... um último pensamento: se Deus fosse generoso, James Potter estava morto.
~~~ XXX~~~
(1) Na Inglaterra desse período, costumava-se chamar de barões a todos os nobres que possuíssem terras e tivessem algum poder, independente dos títulos ostentados. A hierarquia de títulos que normalmente conhecemos é mais aplicada à França, chegando à Inglaterra num período posterior.
N/B: Em meio às risadas provocadas por frei Tuck e Hagrid, à preocupação com os passos do infame traidor, (que infelizmente sabemos quem é), e o encantamento com os detalhes da cerimônia de sagração, eis que surge a minha bem conhecida, afamada e cada vez maior, ojeriza pelo velho Sebs. O fulano se acha, mas não se encontra! - Misericórdia! - Ok, Imaginá-lo como essa mistura interessante de Visgo do Diabo com o Bozo até dissolveu um pouco o féu, mas, ... caramba! O homem consegue ser intragável, amargo e incomodo ao extremo! E você, minha amada e talentosa Anam, consegue escrevê-lo como poucos! - Quando eu crescer, quero escrever assim! ;D - Fantástica a cena do duelo! PERFEITA! =D - Só uma idéia martelava minha mente, enquanto eu a lia, entusiasmada... "Ah, o Sirius tinha de estar aqui! Ele vai querer comer o fígado de alguém por perder isso..." - rsrsrsrsrsrs... - Que mais posso dizer, amada, além de meu pedido de desculpas pela demora? ESTONTEANTE! - Assim ficou este capítulo: estonteante! =D - Parabéns, Anam! Até o próximo! Conta comigo para te aplaudir, sempre! Beijão! SUUUUUCESSSSSOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!! - ;D
N/A: Quero começar desejando a todos um excelente ano de 2009, cheio de coisas boas, conquistas, superações e, claro, uma enorme quantidade de coisas boas para se ler. Eu pretendia que o capítulo viesse no Natal, mas acho que ainda conta como um presentinho atrasado, não?
Sim, demorou de novo, acho que meu cérebro estava exausto do ano e andou travando, junto claro com o sono de beleza do baby, rsrs. O pequenino adora uma caminha (vamos torcer que continue assim depois que nascer, hihi).
Ok, gente, eu demoro, eu sei (não é sempre, mas...), porém, vocês podem ter duas certezas comigo: eu sempre acabo atualizando e eu nunca abandono uma história, certo?
Dito isso, vamos ao que interessa.
Primeiro: obrigada a todos os parabéns que recebi pelo bebê. Vocês completaram a minha felicidade, delirando comigo com essa notícia. Obrigada de coração.
Segundo: o que acharam do capítulo???????
Ahh eu fiquei com vontade de alongar a cena das pazes (vocês entendem), mas o Harry se impôs, quis aparecer. Prometo que não faltará romance daqui para frente, viram?
Sobre o fim... humm, teve gente que achou que a maternidade estava me amolecendo, não é? Huahuahuauahuahuahua (risada maléfica) Isso é para quem não conhece os hormônios da gravidez, hehe.
No próximo: Sirius e Sonja!!
Agora, o que eu queria fazer há tempos e não podia: vou responder um por um os que comentaram o capítulo passado. Eeeeehhhhhh!!!
Charlotte Ravenclaw – Obrigada, querida!!!!
Guida Potter – Tb adoro o frei Tuck, Guida. Acho-o engraçadíssimo, o adoro bêbado, espere quando ele começar a flertar, rsrs. Beijos querida!
Tonks & Lupin – Anotado! Hehe, beijão!
Bernardo Cardoso – Hahaha! Morcegosa amestrada? Adorei! Bjs amigo.
Deby – Não sabe mesmo Deby. De fato, ele ainda vai ter vários estágios antes de realmente se tocar hihi. Bjs!
Regina McGonagall – O bebê segurando o pergaminho foi ótima, Regina, adorei! Hihihi. Sim, seu Snape deveria se conformar, mas... acho que se conformar não é a praia dele, rsrs. Bjs e obrigada.
Eleonora – Melhor? Que bom!!! O filhote deve estar estimulando (quando não está me fazendo dormir, hihi). Bjs!
Priscila Louredo – Hahaha! Tb foi a minha, comadre, tb foi a minha. Se bem que o James desdenhando do outro chegou quase lá. Bjs.
Kika – Hihi, eu tb não o perdoei por torturar o Harry por 6 anos, Kika. Que bom que gostou. Bjs!
Bruna Briti – Ahh que feliz, Bru!! Obrigada. Sim, eu tb estava louca para escrever essa reconciliação e os dois juntos são maravilhosos, não? Bruninha, eu não mandei a música pq quando meu PC queimou eu a perdi. Estou tentando recuperá-la assim que o fizer, envio para vc. Nossa, querida que terror! Bem, eu tb te desejo tudo de bom e um PC bonzinho de volta, hehe. Beijocas.
Ana Carol Murta – Se quinza anos merece? Até mais querida. Mas infelizmente foi numa época de fim de semestre bem puxada para mim. Pode ser atrasado? Se pode, o capítulo é todo seu! Que bom que quando você leu, gostou. Fiquei super feliz. Beijo grande!
Belzinha – Hehe (sim, Bel, a intenção é essa: afinal, qual é a motivação do Snape?). Agradeço muito, amiga! Inclusive vc dizer na comu que andava viciada, hihi. Beijo grande!
Gina W. Potter – Valeu querida!!! Que bom que teve esse condão, de alegrar. Um beijo enorme!
Pedro Henrique Freitas – Bem, Pedro, eu acho que o Dumbledore definiu bem o sentimento da Lily. Ela já sabia que o James não a havia traído, mas ela precisava de uma outra história, algo para ocupar o lugar vazio que o fim da desconfiança deixou. Especialmente, ela precisava de algo forte o suficiente para levá-la a pedir perdão pelo erro dela. Mas, acho que o James é tão louco por ela que nem pensou em nada diferente. Obrigada pelas felicitações querido. E também obrigada por relevar o esforço de manter os personagens na linha. Acho que se não for assim é outra coisa e não HP, não é? Beijos!
Fadinha Ruiva – Hahaha, Dani, o James é tudo isso, hihi. E, quanto ao Harry, a coisa está só começando. Que bom, que bom que vc gostou tanto. Fico muito feliz mesmo. Um beijão!
Nath Tsubasa Evans – Sim, querida, muita coisa vai se resolver, ao menos... por enquanto. É só esperar, hehe. Bjs!
Camilla Martins – Que bom que gostou, querida. O BB ta bem. Tá ficando grandiii! Bjs
Sô – Hahaha, que bom que gostou comadre! Mas da próxima é só me dizer, nem precisa escrever, ok? Ahhh eu tenho uma encomenda, assim que vc tiver tempo. Talvez seja difícil, hihi. Bjs.
Mayana Sodré – Ahh querida, bom ver seu comentário de novo e ainda mais gostando do que leu. Muito obrigada mesmo!!!
Escarlet Esthier Petry – Atrasadinho, mas veio, hihi. Bjs.
Cassandra Melissa Wisney – Cassie, juro que vou recompensar sua espera, mas eu te disse que seu amor só aparece mesmo na segunda fase, não falei? Agora, vou fazer a do AS hihi. Bjs!
Um trilhão de beijos, abraços e desejos de um 2009 perfeito para cada um de vocês.
Sally
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