Mesmo tendo sido por poucas horas, Lily dormiu muito bem, e acordou se sentindo consideravelmente energética. Depois da alimentação da manhã com o Hagrid, Lily passou o dia inteiro na biblioteca, fazendo todo o dever de casa da semana, exceto por algumas práticas de Feitiços, e por uma redação de Poções. Ela passou no escritório do Potter naquela tarde para a detenção que ele havia dado para ela ontem, e ficou aliviada em ver que ele não estava lá… talvez ele tenha esquecido, ela mesmo quase esqueceu.
James estava na Casa dos Gritos naquela tarde, com Remus, Peter, e Sirius. Ainda falta uma hora para o pôr do Sol, mas eles sempre se encontravam antes da hora ultimamente, porque eles quase não tinham tempo para se encontrar ultimamente, agora que todos eles trabalhavam, exceto o Remus, que ainda estava procurando um emprego.
“Ei! Pontas!” Sirius grita.
“Ahn?”
“Eu acabei de te fazer uma pergunta sobre as suas aulas. O que está acontecendo com você? Você está desatento a tarde inteira.” Remus comenta.
“Está sonhando acordado sobre cheirar flores, eu acho...” Sirius diz, levantando uma sobrancelha para o seu melhor amigo. Não foi uma dica muito sutil sobre a Lily, e o James fica grato que somente o Sirius sabe sobre ela.
“As aulas estão bem. Na verdade, quando eu me aposentar de ser um Auror, eu posso considerar ensinar como profissão.”
“Por falar nisso, por que o Ministério te posicionou em Hogwarts? Eles realmente consideram que a escola esteja sendo ameaçada?”
“Bem, nós já tivemos alguns incidentes com Comensais da Morte nos terrenos.”
“Sério? Quando?” Peter pergunta.
“A três dias atrás.” Ele responde. Tem realmente só três dias, que ele saiu da aula para encontrar a Lily na floresta com o Mercúrio? Tudo isso aconteceu em somente 3 dias? “Mas eu não posso falar sobre isso. Coisas do Ministério, vocês sabem.”
“Alguém em Hogwarts sabe que você é um Auror?”
“Dumbledore, é claro.”
“É claro.” Os outros três aderem.
“E a McGonagall, e o Hagrid, mas eu acho que é só.”
“A Monitora chefe ainda não sabe?”
“Almofadinhas...” James diz, de forma preventiva.
“O que foi?” Remus pergunta, curiosamente.
“A aluna favorita do Pontas.”
“O que ele realmente quer dizer com isso?” Remus pergunta, com toda a paciência, pronto a acreditar que Sirius esteja exagerando tudo, como ele sempre faz.
“A Monitora Chefe foi quem descobriu a presença dos Comensais da Morte, quando ela adotou um unicórnio órfão. Agora, eu tenho que acompanhá-la todas as noites, e o Dumbledore me designou para ajudá-la a fazer mágica sem a varinha. Então, eu tenho sido forçado a passar muito tempo com ela, nos últimos dias, e parece que eu vou continuar por um tempo.”
“Eu entendo.” Remus diz. James agradece o seu amigo, por não pressionar o assunto. A mente do Remus não é tão pervertida quanto a do Sirius, e ele não iria automaticamente assumir que ele quer levar a garota para cama.
“Por causa disso, eu tenho que sair daqui a pouco, mas eu volto meia hora depois do Sol se pôr. Vocês vão ficar aqui, ou a gente se encontra em algum lugar?”
“Fora da Casa dos Gritos.” Remus responde.
“Perfeito. Certo, então. Eu tenho que alimentar um unicórnio.”
“Não tenha pressa!” Sirius diz, de forma atrevida.
“Cala a boca, Almofadinhas!” James e Remus falam, simultaneamente. James com um pouco mais de raiva.
Com essas palavras, James se levanta do braço da cadeira, cujo enchimento dos travesseiros estavam saindo. Ele pega um pouco do chumaço que ficou grudado ao casaco dele, e joga no chão. Desde os 16 anos, ele acha a passagem da Casa dos Gritos para o Salgueiro Lutador muito desconfortável. Mesmo agachado, ele consegue bater com a cabeça algumas vezes no teto baixo. Não somente isso, mas também tem o trabalho visível de apertar o botão na base do salgueiro, e engatinhar para fora. Já é ruim o suficiente durante a noite, mas ele está excepcionalmente nervoso quanto a parar o salgueiro, em plena luz do dia.
Ele atinge o final da passagem, e coloca a cabeça para fora.
“Maldição.” Ele diz. Um grupo de alunas, aparentemente do sexto ano, estão caminhando pelos terrenos, como se estivessem vindo do lago para o castelo. James tem que esperar alguns minutos, para poder entrar no castelo… só que as garotas não entram no castelo, elas se sentam nas escadas.
“Vamos, se mexam!” Ele reclama.
Elas não se movem, entretanto, e os minutos passam, o Sol vai ficando cada vez mais e mais baixo no céu. James fica cada vez mais impaciente. Ele tem que encontrar com a Evans nos próximos 10 minutos. Percebendo que ele não tem escolha, ele se empurra para fora do buraco, e sai rolando, tentando desviar dos ramos da árvore. Ele sente uma forte chicotada no lado dele, e voa no ar, atingindo o chão, mas felizmente fora do alcance da malevolente árvore. Ele se levanta, e se limpa, suprimindo a vontade de gemer de dor. Ele percebe que os óculos dele caíram, mas os convoca rapidamente, com a esperança que eles não estejam muito quebrados, e que um simples feitiço de reparo possa consertar. Ele coloca a armação no rosto, e fica feliz em ver que os óculos estão em melhor situação do que ele mesmo.
Ele ousa olhar na direção do grupo de alunas paradas nas escadas da entrada do castelo. Elas estão todas olhando para ele, de olhos arregalados, com as bocas abertas.
“Boa tarde, garotas.” Ele diz, enquanto caminha por elas, não parando nem por um momento, para satisfazer os olhares curiosos delas.
Subindo as escadas, de 2 em 2 degraus, ele se vê na frente do dormitório da Monitora Chefe. Quando vê um grupo de estudantes, ele continua caminhando, passando direto pelo retrato da entrada. Uma vez que os estudantes estão fora de alcance, ele retorna para o quarto dela, sussurra a senha, e entra rapidamente. Ele sabe que foi ordenado pelo próprio Dumbledore para ir até lá, mas mesmo assim, ele não quer que os outros estudantes tomem conhecimento, e ele acha que a Lily também não gostaria disso. Ele sabe muito bem como que as garotas de 17 anos são, e ele também sabe o efeito que ele tem nelas. Basta apenas o comentário de uma aluna, como, por exemplo, da Victoria White, para que os boatos invejosos comecem. James sabe que as garotas das turmas do sétimo, sexto, quinto e, até mesmo algumas do quarto ano, competem pela atenção dele. As garotas não mudaram muito desde quando ele estava na escola. Ele se lembra como que, durante o sexto e sétimo anos, as garotas brigavam constantemente entre si, por ele… e mesmo ele não sendo tão arrogante e metido hoje em dia, como ele era naquela época, ele não vai negar a verdade também. As mulheres sempre se jogaram aos pés dele, brigaram por ele. Mesmo hoje em dia ele recebe pedidos, todas as semanas, de alunas que querem aula extra depois do horário… Como ele não sabe quais são os pedidos genuínos, e quais são os que somente querem a atenção dele, ele sempre concorda em ajudar todas elas… como se ele já não estivesse ocupado o suficiente. Ele não tem nem mesmo nenhuma noite livre agora…
“Espera só um minuto...” Vem a voz da Evans, do quarto dela, penetrando nos pensamentos dele.
“Não tenha pressa.” Ele diz, e então, quer se bater, pois ele se lembra que isso foi exatamente o que o Sirius disse para ele, meia hora atrás. Lily aparece do quarto dela, um minuto depois, colocando um braço no casaco dela e abotoando a frente. Ela dá uma olhada pela janela, e a testa dela se enruga ligeiramente ao ver a posição do Sol.
“Vamos nos apressar, então?” Ela sugere.
“Me desculpa pelo atraso, eu...”
“Não tem problema. Você está aqui agora.” Ela diz, com um simples sorriso. Ela retira alguns ramos e folhas das costas e do lado dele, enquanto passa por ele, pela entrada do retrato. James a segue, alguns passos atrás dela o tempo todo, de tal forma que as pessoas que os vejam não achem que eles estejam caminhando juntos. Ele sabe que isso seria inevitável, uma vez que eles cheguem ao lado de fora, na direção da cabana do Hagrid, e ele espera que o grupo de alunas nos degraus lá fora já tenham saído.
Ele dá um alto suspiro de alívio quando vê, ao chegar do lado de fora, que os terrenos estão completamente livres de alunos dispersos.
“Estranho, o Hagrid não está em casa.” Lily diz, depois de bater na porta dele, e não receber resposta alguma.
“Ele deve estar nos terrenos.” James diz, encolhendo os ombros.
“Mesmo assim, eu esperava vê-lo.”
“Você o viu essa manhã, não foi?”
“É claro, mas...” Ela pára rapidamente, se sentindo um pouco envergonhada. Então, depois de um momento de contemplação, ela continua, sabendo que não deve ter vergonha de contar algo para o Professor Potter, que ele com certeza iria entender. “Eu sempre gosto de passar tempo com um amigo...”
Ela estava meia certa. Ele com certeza entende os sentimentos dela, de querer passar tempo com amigos. Para o James, os amigos são as coisas mais importantes na vida dele. Ele daria a vida dele por eles. Sim, ele colocaria a vida dele em risco por algo que ele acreditava, no trabalho dele, por exemplo, mas ele realmente amava os amigos dele.
O que ele não percebe, entretanto, foi que ela o contava entre os amigos dela. Nos últimos dias, ela percebeu que poderia se abrir com ele, confiar nele. Ela queria que ele a considerasse uma de suas amigas, mas ela sabe muito melhor do que ter esperanças. Eles podem até ter um relacionamento estudante/professor especial, mas isso é tudo que eles ainda são… uma aluna e um professor.
Mercúrio fica feliz em vê-la, e ela não pode deixar de sorrir para ele. Ela pega a mamadeira dele no lugar dela, no degrau da porta dos fundos, e volta para um Mercúrio de aparência faminta.
Em poucos momentos, a Monitora Chefe e o Professor de Defesa Contra as Artes das Trevas estão conversando e brincando, como normal. James e Lily perdem a noção do tempo, enquanto a conversa muda para um assunto mais sério.
“O meu pai trabalhava para o Ministério. Ele era um inominável.”
“Que misterioso.”
“Até mesmo para a família dele. Ele levava o trabalho dele tão a sério, que ele nunca contou para a minha mãe, ou para mim, nenhuma dica do que ele estava trabalhando.”
“Isso foi difícil para a sua mãe?”
“Hm?”
“O que eu quero dizer é, ela sabia que o marido dela escondia tantas coisas dela. Foi difícil para ela saber que havia metade da vida dele, que ele não compartilhava com ela? Eu acho que colocaria tanta distância entre eles, se você trabalha 10 horas por dia, um longe do outro, e nas 6 horas restantes que vocês têm juntos, vocês não podem nem se abrir um com o outro...”
“Foi difícil para nós dois… O meu pai era um homem bom, não me entenda errado. Muito gentil e carinhoso, mas era difícil quando as pessoas apareciam na sua lareira, no meio da noite, e ele tinha que sair sem dar nenhum explicação, ou, de vez em quando, ele ficava tão quieto e sério, passando longas horas sozinho na biblioteca… Ele tentou não deixar o trabalho dele afetar a vida pessoal dele conosco, mas afetou. Eu me lembro como era óbvio quando ele chegava do trabalho, depois de um dia difícil ou ruim… mas ele não podia nos contar sobre isso, e eu sei que a minha mãe se sentia muito incontrolavelmente frustrada, e freqüentemente chorava.”
“Eles se conheceram antes, ou depois, dele começar a trabalhar no Ministério?”
“AH, muitos anos antes. Eles começaram a sair quando ainda estavam em Hogwarts. Começaram a namorar no quinto ano, e ficaram juntos desde então.”
“Isso é muito raro hoje em dia, não é… para as pessoas durarem tanto tempo, especialmente quando começam tão jovens.”
“Sim, mas eles foram feitos um para o outro. Mesmo tendo problemas, eles amavam um ao outro, isso era óbvio. Minha mãe implorou e alegou com o Ministério para contar para ela, mas eles se recusam a nos dar qualquer informação sobre a morte dele. Ela guarda um rancor com o Ministério desde então. Ela não gostou nada quando eu me tornei Auror, disse que eu ia acabar que nem o meu pai.”
Lily olha para ele em choque, e então, ele percebe o enorme erro que ele acabou de fazer. Ele não consegue dizer absolutamente nada, somente olha para ela em silêncio, enquanto vê a expressão dela mudar de choque, para admiração incandescente.
“Você é um auror? Um auror de verdade?” Ela não espera a resposta. “Eu estou treinando para ser uma, quando eu sair de Hogwarts. A McGonagall me disse que eu tenho as notas para tal, mas ela não foi muito específica quando aos outros requisitos que eu preciso levar em consideração. Eu estou tão feliz que eu tenho alguém que realmente sabe. Como foi o treinamento? Eu sei que o treinamento básico leva alguns anos, mas depois disso, que tipo de posições estão disponíveis no resto do departamento? Você conhece o Alastor Moody?”
James fica tanto entretido, e desanimado, com a reação dela. Não tem mais nada que ele queira mais, do que responder todas as perguntas dela, contar tudo que ela possivelmente gostaria de saber sobre ser um auror, e ele estava ligeiramente orgulhoso dela, feliz que ela queira lutar contra os bruxos das trevas. Ele não a culpa, depois do que aconteceu com os pais dela. Mas ele sabe que, tecnicamente, ele não deveria contar nada para ela, ele nem deveria ter deixado essa informação escapar.
“Para falar a verdade, eu não deveria ter dito nada… eu… Eu esqueci, eu acho… eu...”
“Não, está tudo bem. Você pode me obliviar se precisar...” Ela diz com um entendimento quase que inacreditável.
“Me desculpa...”
“Esta tudo bem. Eu tenho certeza que o seu pai deve ter deslizado algumas vezes também, e teve que apagar a memória da sua mãe, de vez em quando. É uma parte necessária do seu trabalho.” Ela diz tristemente.
James congela, enquanto digere o discurso dela. Como que o pai dele poderia obliviar a mãe dele? Um gesto tão frio, e tão cruel, em uma mulher tão boa e tolerante. A quem a mãe dele teria contado? O pai dele significava tudo para ela. Ele nunca iria…
E mesmo assim, lá no fundo da mente do James, ele sabe que era verdade.
“Você está certa… Ele fez...” Ele diz, parecendo chocado. Uma memória de quando ele era uma criança, volta à tona com uma clareza estonteante. James estava sentado na porta do quarto dele, apertando as orelhas na abertura da porta, para poder ouvir a conversa dos pais dele no andar de baixo.
“Harold, eu só estou querendo te ajudar. Você não tem que agüentar tudo sozinho, o tempo todo. É para isso que temos um ao outro, para dar suporte e nos ajudar.”
“Christine, nós já tivemos essa discussão centenas de vezes.”
“Mas eu não agüento te ver sofrer desse jeito. O tempo todo, caminhando com o peso do mundo inteiro nos seus ombros, e eu não posso fazer nada para amenizar esse peso! Que bem que eu faço a você, se eu nem mesmo posso...” Ela não termina a frase dela porque ela cai em prantos.
“Você me ajuda. Você. Você e o James me ajudam a agüentar o dia. Sabendo que vocês dois estão aqui, esperando por mim, é a melhor ajuda que qualquer pessoa jamais poderia me dar.”
“Mas será que é o suficiente?”
“Eu não preciso de mais nada, a não ser você.”
“E se eu precisar de mais? Tem tanto de você que eu não tenho, uma parte enorme sua que pertence somente ao Ministério. Eu estou cansada que eles tenham mais de você do que eu. Sou eu quem te ama, o James e eu...”
“Eu sei, eu sei...”
“Então, o que eu posso fazer? O que acontece quando você não pode conversar com a sua própria esposa sobre o que está te incomodando?”
“Eu converso. Anos atrás, você me disse que se for demais para mim, eu sempre poderia conversar com você, e então modificar a sua memória.”
“Eu te disse isso?”
“Sim, mas obviamente você não se lembra disso. Através dos anos, eu te contei tantos segredos, Christine. Tantos segredos que ninguém jamais vai saber.”
“E você sempre apaga a minha memória depois...” Ela diz, aceitando essa realidade. De que outra maneira eles podem continuar juntos? Faz sentido para ela que eles realmente se comuniquem, mas só que ela nunca se lembra disso.
“Eu sempre te dou uma escolha, se devo ou não, manter as suas memórias...”
“Mas eu escolho não mantê-las… se eu aprendesse que a realidade é muito pior do que os meus medos, então eu aceitaria o esquecimento de braços abertos.”
“Christine...”
“Eu, pelo menos, te ajudei? Quando você confiou em mim?”
“Você é um forte apoio para mim. Eu não sei o que eu faria sem você. Eu te amo tanto.”
“Eu também amo você...” E então, veio o som de um beijo amável, e dos dois subindo as escadas, passando pelo quarto dele, e entrando no quarto deles.
James dos dias de hoje achou que era terrível para o pai dele ficar apagando partes tão importantes do relacionando dos dois, mas, aparentemente, essa foi a escolha da mãe dele. Quem sabe se essa conversa continuou, e se a memória dela foi apagada mais tarde… e que ela está, até os dias de hoje, completamente alheia que o pai dele confiou os segredos dele nela, o tempo todo… James faz uma nota mental de discutir isso com a mãe dele. Ele acha estranho que somente agora ele tenha se lembrado disso. Se não fosse pela sugestão da Lily que…
Está certo. Lily ofereceu que ele apagasse a memória dela. O pai dele sempre deu uma escolha à mãe dele, ele havia dito isso, mas ela sempre escolheu esquecer. Lily disse que ele poderia obliviá-la se fosse necessário, mas estava claro que ela não queria esquecer. James sabe que ele não vai ser capaz de apagar as memórias da garota, como o pai dele fez com a mãe dele, quem sabe quantas vezes.
James olha nos olhos dela. Eles estão determinados, e com um tom quase impossível de verde. E, nesse momento, ele decide.
“Não, eu não vou apagar a sua memória. Em vez disso, eu escolho confiar em você, entende? Que, caso você não seja obliviada, você me promete que você não vai contar a ninguém, vivo ou morto?”
Muitas pessoas confiam nos fantasmas de Hogwarts, achando que, como eles não fazem mais parte desse mundo, são seguros para se confiar, mas a Lily sabe muito bem. Um quarto da informação que ela recebe por meio de fofocas, vem do Nick-Quase-Sem-Cabeça, e da Madame Cinzenta… sem mencionar o fofoqueiro de plantão, o Pirraça.
“Nenhuma palavra. Para ninguém.” Ela diz na mesma voz parada, excessivamente calma, excessivamente séria, e James sabe que ela está falando a verdade. Nesse ponto, ele sabe que ela é bem capaz de manter segredos...
“Certo.”
“Obrigada, por confiar em mim… eu não gosto da idéia de perder a minha memória.”
“E eu não gosto da idéia de tirá-la de você. Eu não quero me tornar que nem o meu pai, tendo continuamente que modificar as memórias...” Mesmo daqueles em que ele deveria ser capaz de confiar… “E, respondendo as suas perguntas… Sim, eu conheço o Alastor Moody, e ele é, provavelmente, o melhor auror no Ministério, e eu já trabalhei com ele antes. E as opções no campo criminal variam de trabalhos burocráticos, a agentes de campo, e tudo entre eles. O treinamento leva pelo menos dois anos, mas a única preparação que você precisa antecipadamente, é acadêmica. A sua educação em Hogwarts é tudo, mas ajuda estar em forma antes de começar, porque o treino físico é um dos vários aspectos do treinamento, junto com discrição, ocultabilidade, defesa, duelo, e entendimento completo das artes das trevas, cumprimento das leis, noções de feitiços de cura, e somente tudo mais no que você possa pensar…” Ele diz. Essa informação não era um segredo. O esquema do programa de treinamento do ministério é uma informação pública, então ele não se sente culpado em contar isso para ela. A única coisa de errada, é que ela sabia que ele sabia de primeira mão.
O sorriso dela brilha calorosamente, enquanto ele conta histórias do treinamento dele, e de uma peça desastrosa que ele, e alguns dos outros participantes, tentaram pregar no Olho Tonto. Eles aprenderam rapidamente que o Olho Tonto não tem senso de humor, e o Moody reconhece uma peça simples como um atentado a vida dele, o que terminou com o James e os outros a praticamente explodirem em pedacinhos, por um Moody super defensivo.
Ele percebe que estava ficando viciado naquele sorriso brilhante e admirador dela, e ele permanece contando história atrás de história, somente para que o sorriso permaneça no lugar.
Em algum momento, Hagrid retorna, encontrando tanto o professor quanto a monitora chefe deitados no seu jardim dos fundos, junto com o Mercúrio.
“Hagrid! Eu estava pensando aonde você foi...”
“Ah, você sabe, somente… caminhando por aí… eu tinha algumas coisas para discutir com os centauros...”
“Eu entendo.”
“É, eu deveria ter escolhido uma hora melhor para fazer isso. Eles sempre ficam nervosos e desconfiados durante a lua cheia, eles dizem que é uma hora de má sorte... ” Diz o Hagrid.
Lua cheia. Merlin, ele realmente havia esquecido!
Como se fosse um sinal, um uivo longo e baixo, soou à distância.
“Eu estou atrasado!” James diz, se levantando. “Eu esqueci de uma reunião. Hagrid, você pode cuidar da Evans, não pode?”
James coloca o seu casaco em volta dele, e sai antes de obter uma resposta. Ele estava quase duas horas atrasado. Sirius vai ter um prato cheio assim… Ele pode até ouvir a voz do amigo dele o zoando… “Quando eu disse para não ter pressa, eu não quis dizer para você passar a tarde inteira transando com a Monitora Chefe...”
Se arriscando um pouco, ele simplesmente pára atrás da cabana do Hagrid, fora da visão do castelo, do Hagrid, e da Evans, e se transforma em um cervo. Ele faz o máximo para manter os seus passos quietos, até ficar fora do alcance de alguém ouví-lo da cabana, e então ele corre em direção a Casa dos Gritos…
Lily fica na cabana do Hagrid, para poder conversar com ele, e manter companhia para o Mercúrio, e ela não consegue parar de sorrir. Ele confiou nela com um segredo tão importante. Eles agora tem outra coisa que os une, algo que a separa do resto. Agora não é somente ela que pode confidenciar e confiar, mas ele também confidenciou e confiou nela. Talvez a idéia de uma amizade não seja tão distante assim.
“Você parece estar feliz, Lily.” Hagrid diz.
“Eu acho que eu estou...” Ela responde, sem se importar em explicar mais a fundo. Mas o Hagrid também não quer que ela explique; ele tem as suas próprias suspeitas… “E então, o que os centauros disseram?”
“Nada bom. Como eu te disse, eu deveria ter escolhido um dia melhor. Eles não vão se mover; dizem que a floresta é tanto deles, quanto de qualquer um.”
“O que é completamente verdade.” Ela diz, razoavelmente.
“Eu sei disso, e eles sabem que eu sei disso, mas eles parecem que não entendem o perigo. Eles acham que eles estão livres dos ‘conflitos humanos’, e não vêem como isso pode afetá-los. Também não querem ajudar a proteger as outras criaturas da floresta.”
“Então eles estão tendo um ponto de vista isolacionista...”
“Sim, por enquanto. Espera até eles ouvirem sobre aquelas matanças. Você-sabe-quem não mata somente humanos, mas criaturas mágicas com inteligência para ajudá-lo podem não morrer...”
“Você acha que o lorde das trevas iria realmente entrar em contato com os centauros, para se unirem a ele?”
“Não sei dizer, mas você pode apostar que ele está tentando colocar todos os vampiros e lobisomens do lado dele, e eu diria que ele já tem até alguns do lado dele...”
“Talvez a gente possa tentar novamente, em uma semana, ou duas.”
“Você não é mais nova… eles não vão te ouvir dessa vez...”
“Eu sei, mas agora eu tenho ele...” Lily diz, acariciando o pêlo dourado do Mercúrio. |