Novembro chegou e trouxe com ele as luzes e as árvores de natal. O ministério estava completamente decorado para o natal. Todas as salas estavam com símbolos que representavam esse período. Exceto por uma: a minha, é claro. Mas não por muito tempo. Cheguei hoje no ministério e me deparei com uma ruiva indo de um lado para o outro com a varinha em punho apontando-a para todos os lugares não decorados da minha sala.
- O que você pensa que está fazendo, Weasley? - Perguntei perplexo.
- Decorando sua sala. Não percebeu? – ela respondeu sem tirar os olhos do que estava fazendo.
- Isso eu percebi! – ela sabe me deixar irritado – O que eu quis dizer, caso sua mente limitada não tenha entendido, foi: porque está acabando com a minha sala?
- Você não achou que eu deixaria justamente a sala em frente a minha ficar diferente de todo o resto do ministério, achou?
- Não. Mas eu achei que você iria respeitar a minha sala! – eu disse simplesmente. - O que você estava pensando quando resolveu fazer...isso?
- Pensei que precisava de ajuda, já que sua sala estava tão, er, vazia!
- Faça-me o favor, Weasley! Se minha sala estava do jeito que estava, deveria ser porque eu a queria daquela forma.
- Escuta Malfoy! – ela iniciou – Eu só quis ajudar. O que tem de mais em uma simples decoração de natal? O que tem de mais no NATAL? Porque você finge não se importar com isso?
- O natal? – comecei numa voz fria e comedida. – O natal é uma data triste e sem graça, por isso não gosto de comemorá-lo. E – prossegui – sabe o que mais? Não lhe devo satisfações do que eu faço ou deixo de fazer. Agora, retire-se de minha sala.
- Ótimo!Já ia fazer isso!
Pude ver a mágoa e a irritação estampadas em seu rosto delicado – “Merlim, eu disse isso mesmo?”. Durante toda aquela manhã, não consegui fazer nada e muito menos desfazer tudo aquilo que a Weasley havia feito. Não era de todo ruim, a ruiva pobretona não tinha mau gosto. A decoração dera um ar mais feliz a minha sala. Mas isso não modifica os fatos. Ela não só invadira meu escritório como também ousara me enfrentar, algo que nunca acontecera.
Olhei com desprezo para a mini árvore de natal que ela colocara em minha mesa. Bem ao seu lado se encontrava uma ripa de madeira que eu logo deduzi ser uma varinha. “Deve ser a varinha da Weasley”, pensei. Levantei-me e a alcancei, dei a volta em minha mesa e saí da sala fechando a porta com um ‘click’. Andei um pouco e parei na porta da sala da dona da varinha que estava em minha mão esquerda. Não se bem o porquê, mas estava meio nervoso. Bati duas vezes na porta e a abri ao ouvir a voz suave que me mandava entrar ecoar em meus ouvidos.
Vi a surpresa em seu rosto ao descobrir de quem se tratava:
- O que quer Draco? – Ela me chamou pelo primeiro nome ou eu estou devaneando? Que tipo de intimidade é essa?
- Olá pra você também, Ginevra! – Se ela me chama de ‘Draco’ eu a chamarei pelo primeiro nome também!
- Vamos lá, Draco! Não veio até aqui só para me dizer ‘oi’, veio?
- Obvio que não! Não perderia tanto tempo com você!
- Então o que veio fazer aqui? – ela perguntou consternada.
- Eu vim fazer um favor. E você deveria me agradecer. – eu disse com frieza – Encontrei sua varinha em minha sala e achei que sentiria falta dela. Mas pelo que vi você sabe defender-se muito bem sem ela, Ginevra. – Porque diabos eu não conseguia parar de chamá-la assim?
- Sei me defender muito bem, Draco. Mas ainda preciso de minha varinha – ela andou perigosamente até mim. – Pode me devolvê-la?
- Posso pensar nisso. – eu disse tentando deixá-la mais nervosa ainda.
- Não me amole, Draco. – e, pelo visto havia atingido meu propósito. – Ande, devolva-a.
- Tudo bem, você venceu! – quando entreguei a varinha a ela senti sua pele macia tocar a minha. Uma onda de choque percorreu todo o meu corpo e apressei-me a soltá-la.
- Fale a verdade, Draco. – ela mudou de assunto. – Porque ficou com tanta raiva? Sei que não gosta muito de comemorações – Sabe? – mas não vejo motivos para irritar-se tanto com uma simples decoração. E, por favor, não me venha com essa de que é ocupado demais para o natal! Porque sei que isso não é o que exatamente acha. – ela anda bem informada sobre a minha vida. Talvez eu pergunte a ela qual a cor do meu pijama, ou até, quem sabe, eu a questione sobre o meu ponto de vista político. Ela deverá, certamente, saber como responder, já que sabe tanto sobre mim.
- Ginevra, esse não é um assunto que eu goste de conversar. – eu falei tentando manter a compostura.
- Como? – ela riu-se – Nunca conheci ninguém que não gostasse de falar sobre o natal. – ela prosseguiu – Quem não gosta de falar do NATAL?
- Alguém que nunca desfrutou de tudo isso? Alguém que nunca viu a própria casa com uma mísera árvore? Ou, até mesmo, alguém que passava o natal sozinho numa mansão enorme na companhia de elfos domésticos? – Como era possível eu estar desabafando com alguém que eu odiei e que me odiou a vida inteira? – Talvez seja por esse motivo que eu nunca decorei meu apartamento. Para espantar as lembranças, digo.
- Não sabia que era tão difícil pra você, Draco.
- Nem eu mesmo sabia Gina. – Gina? O que estava acontecendo comigo Merlim?
- Vamos! – ela disse antes de começar a me puxar para fora de sua sala.
- Aonde eu iria com você?
- Para sua casa, ué! – agora estava claro: ela queria me matar! E na minha própria casa! – Você não disse que não decora seu apartamento? – ela disse ao ver minha cara de completo espanto. – Então, eu resolvi de ajudar!
- Não, não e NÃO!
- Sim, sim e SIM! – a ruiva olhou para mim. – Pare de agir como uma criança boba e me diga logo onde é sua casa. – Sim senhora, capitã! – Vamos aparatar.
Minutos depois, estávamos adentrando a sala de estar do meu apartamento. Gina olhou-me com desgosto e desaprovação de disse:
- Temos muito trabalho a fazer!
- Temos? Você é quem quis vir aqui.
- Como quiser. Eu faço tudo sozinha. – ela pareceu desapontada. – Mas, se não vai ajudar, é melhor que não atrapalhe.
Gina conjurou uma árvore de Natal e alguns enfeites e, assim como havia feito em meu escritório, começou a lançar feitiços e mais feitiços.
Algum tempo depois ela ordenou que eu levantasse e admirasse seu trabalho. Minha sala estava agora coberta por luzes e enfeites. A árvore que Gina conjurara estava ricamente decorada em prata e dourado. Não pude negar que gostei – não só do que ela havia feito, mas do que ela fizera por mim, na verdade. Fato que era bem fácil de se perceber, já que um sorriso brotava em meus lábios.
- Você realmente fez um ótimo trabalho!
- Nossa... Vindo de você isso é um elogio e tanto. Obrigada! – ela virou-se para a porta. – Está na minha hora. Tenho que ir.
- Foi bom estar com você! – eu disse isso mesmo?
- Também adorei estar com você! – ela me olhou profundamente. – Eu sempre te imaginei como um cara frio e sem escrúpulos. É bom saber que há alguma coisa além dessa máscara de maldade que você criou apenas pra se esconder. – e num surto ela me beijou. Não sei bem o que a fez agir assim, mas ela realmente sabia como me deixar totalmente encabulado. Depois ela apenas sorriu e virou-se para a porta, abrindo-a e saindo rapidamente.
Eu não podia estar me apaixonando por ela, podia? Essa Ruiva Natalina não podia estar me deixando assim.
O que estava acontecendo comigo?
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