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12. Abismo


Fic: O Mistério de Starta - por Livinha e Pamela Black - Último Capítulo no AR!


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 12

Abismo


Um arrepio correu por sua espinha, parecendo alojar-se inteira e intensamente à sua base. Suas pernas estavam trêmulas, mas as mãos firmes, prendendo-se a ele, traziam-no para mais perto. Ela suspirava entre o beijo, aproveitando cada sensação que percorria seu corpo. Frio, calor, segurança, receio... Tudo parecia vir ao mesmo tempo junto do gosto da boca dele, do cheiro da pele, dos cabelos se bagunçando sob suas mãos...

Há quanto tempo eles estavam fechados naquela sala? Um segundo? Uma hora? Uma eternidade... Syndia não se lembrava - pois sua mente não conseguia trabalhar em nada, a não ser comandar seus membros para prender-se a Draco -, mas tinha absoluta certeza de que nunca se sentira daquele jeito antes. Seu ar nunca faltara antes daquela maneira, seu corpo nunca reagira tão bem ao toque de outro homem, nada nunca parecera tão perfeito.

No entanto, aquilo era errado. Deveria ser. Ela não queria se envolver com outra pessoa, por mais que sentisse falta de carinho, de atenção, daquela sensação gostosa que se sente só em saber que há uma pessoa ao seu lado. Ela deveria parar com aquilo. Naquele momento.

Contudo, quando Draco a soltou bruscamente, Syndia logo sentia falta daquelas sensações que o rapaz a fizera sentir.

- Ah, droga! - gemeu Draco do outro lado da sala e apoiando-se em sua mesa, de costas para Syndia.

- Você não devia ter feito isso, Draco - murmurou Syndia com a voz fraca, não o olhando. - Não... Não devia...

- Eu não devia? Você quem não devia ter correspondido tão bem, Vechten! - exasperou.

- O quê? - Ela o olhou, sem entender a agressividade.

- Isso mesmo, você... - Ele a encarou. - Por que você me beijou de volta? Por que pediu que eu a beijasse de novo? Por quê?

- Você preferia que eu batesse em você? - retorquiu Syndia, irritando-se.

- Seria uma opção. - E uma excelente saída, pensou Draco.

- Vá para o inferno, Malfoy! - sibilou Syndia. - E me deixe em paz!

Syndia saiu da sala, batendo a porta atrás de si. Tão logo ela fez isso, Draco a enfeitiçou para que ninguém o perturbasse.

As mãos dele fecharam-se em punho, caindo pesadamente sobre a mesa, e seu rosto se fechou numa expressão enraivecida. Deixá-la em paz? Syndia queria que ele a deixasse em paz? E ele, como ficaria, principalmente depois daquele beijo?

Sim, ele queria beijá-la há alguns minutos, mas apenas para ter certeza de que sentia por ela apenas atração física. Nada mais. No entanto... Merlin, por que ele queria ir atrás dela novamente, agarrá-la, falar que nunca a deixaria em paz enquanto ele não estivesse em paz, e principalmente, ao seu lado? Por que ele queria dizer-lhe palavras que nunca nem sequer cogitou que algum dia diria a uma mulher? A uma pessoa!

- Não. Não vou pensar nisso - irritou-se. - Afinal, não sou idiota para pensar asneiras.

Draco tirou o feitiço da porta de sua sala enquanto se dirigia até sua cadeira, sentando-se e voltando a olhar para os papéis em que estava trabalhando antes de Syndia chegar.

Era completamente óbvio que os pensamentos que tivera agora pouco não tinham nada a ver com ele. Fora apenas uma coisa de momento, pois foi muito bom beijar Syndia Vechten. Ela era uma mulher bonita, com um corpo que se encaixava ao seu muito bem, e foi apenas por isso - por essa aparente perfeição - que ele sentiu todas essas sensações novas. Afinal, nunca conseguia agradar-se com uma mulher inteiramente. Syndia fora a primeira. Por isso esses pensamentos insanos e sem sentido.

- Com licença, Sr. Malfoy?

Draco ergueu o olhar para Elliot.

- O quê? - Draco sorriu internamente ao notar que sua voz estava normal.

- Eu busquei aqueles relatórios que o senhor pediu.

- Ótimo. Me dê aqui.

- Precisa de mais alguma coisa? - Elliot perguntou quando saía da sala.

- Não.

- Com licença.

Draco sorriu para si mesmo, encostando-se mais confortavelmente à cadeira depois que a porta de sua sala foi fechada.

- Não, não estou apaixonado, afinal, sou um Malfoy. E um Malfoy não se apaixona, não ama! - E mais convicto de seus pensamentos estarem trabalhando corretamente do que antes, Draco ajeitou os papéis de sua mesa, parecendo mais feliz. - Sinto muito, Syndia, mas o que eu quero com você não chega a sentimentos.

E com essa certeza, Draco voltou a trabalhar.

xxx---xxx


Fechar a porta de sua casa atrás de si pareceu o maior dos alívios. Sim, era inteiramente maravilhoso saber que estava segura. Que não correria riscos de ser abordada novamente com perguntas, olhares, uma possível presença.

Syndia não queria nem pensar em como seu dia fora conturbado após o que acontecera entre ela e Draco Malfoy. Não que a tivesse afetado sobremaneira. Ela conseguira colocar as sensações daquela manhã de lado enquanto trabalhava. Conseguira ficar sem pensar nelas. No entanto, a sensação de que a qualquer momento Draco poderia aparecer, surpreendendo-a... Essa não a abandonara, pelo contrário, a deixara muito inquieta.

Gui também não fora de muita ajuda. A preocupação e evidente suspeita que o rapaz mantinha em seu olhar fez com que Syndia quisesse sair correndo do Ministério da Magia. As perguntas apareceram, obviamente:

- Onde você foi? - ele perguntou assim que a vira.

- Em nenhum lugar interessante.

- Tem certeza?

- Claro, Gui.

- E você está afobada porque veio correndo?

- Eu não estou afobada! - Syndia respirou fundo e o encarou. - Só estou impaciente de que terminemos esse trabalho logo.

- Sabe, você é uma mentirosa horrível, Syn.

Syndia preferiu prestar atenção à pasta de arquivos que estava em sua mão naquele momento. Fingiu que suas bochechas não estavam ficando mais quentes. Fingiu que suas mãos não estavam trêmulas e que Gui não estava olhando-a como se conseguisse desvendar o que se passava em sua cabeça.

- Você não vai me dizer o que está havendo?

- Prefiro não falar sobre isso.

- Se você diz...

Durante aquela manhã, eles não falaram mais nada sobre o assunto. Conversaram apenas sobre o trabalho. Contudo, a falta de informação do grupo Aziza e da misteriosa cidade que Syndia tanto queria descobrir, fez com que o silêncio se instalasse por mais tempo, também deixando Gui inquieto.

O rapaz tinha quase certeza do que acontecera, mas se recusava a pensar nisso.

Gina lhe contara o que Malfoy fizera a Syndia, no Beco Diagonal. E pensar que aquele filhote de comensal estava dando em cima de sua amiga era, no mínimo, nojento. Syndia merecia alguém melhor, não um rapaz metido, orgulhoso de seu sangue-puro, preconceituoso em todos os sentidos possíveis e imagináveis.

Esses pensamentos queimavam Gui de tal maneira que, à tarde, quando saíam do banco Gringotes após entregarem o relatório diário para Kito, ele não agüentou e perguntou:

- Ele não te beijou de novo, beijou? O Malfoy?

Mas a feição de Syndia mais vermelha do que estava de manhã foi a resposta necessária.

- Eu tenho que ir embora - ela murmurou, aparatando em seguida.

E agora, em seu quarto, Syndia não conseguia mais fugir. A pergunta de Gui pareceu mexer com toda sua cabeça. Como ela poderia responder à pergunta do amigo? “Sim, ele me beijou, mas na segunda vez eu o instiguei.”

Ela não saberia como dizer a Gui em como Draco Malfoy a fizera se esquecer, naqueles minutos, de todo seu receio em se entregar a um possível sentimento, a um possível relacionamento. Principalmente naquela manhã, e em grande parte daquele dia, ela não pensara no fracasso que fora sua vida quando Karl fez parte dela. Parecia que nada daquilo importava, era um passado morto, esquecido. Totalmente sem importância.

Entretanto, ela também não queria nada disso.

Eu não vou me envolver com ele, Syndia pensou determinada. Não se deixaria levar pelo seu corpo. Pois era apenas isso que Malfoy representava: atração. Nada mais. E ela sabia que, na próxima vez que se encontrasse com ele, não se portaria feito uma adolescente.

xxx---xxx


Aquela manhã estava incrível. A intensa neve que caíra na noite anterior deixou o céu limpidamente azul, e ao chegar na casa dos pais, Syndia percebeu que o jardim estava mais bonito do que já era. A neve formara um manto sobre a grama e a luz do sol fazia o orvalho congelado nos galhos das árvores formar pequenos arco-íris.

Syndia parou o carro à entrada da casa e entrou rapidamente, sendo recepcionada pelo pai.

- Olá, minha querida. Como você está?

- Bem - ela respondeu um pouco afogueada.

- Pelo visto o frio chegou mais cedo - riu Oren ao ver as bochechas da filha rosadas.

- Até que não está tão frio. Onde está a mamãe? - Syndia perguntou, retirando o casaco. O interior da casa estava maravilhosamente quente.

- Com uma visita, na sala. Vamos?

- Visita? Para almoçar?

- Não necessariamente. A não ser que sua mãe convide ou ele se convide.

- Isso quer dizer que não é você quem está cozinhando hoje? - Syndia perguntou levemente decepcionada.

- Não. É Lillu.

- Hum... Mamãe deve ter feito isso de propósito.

Oren riu.

- Ela disse que sente falta da comida bruxa. Como se tivesse alguma diferença - sussurrou Oren, pois estavam entrando na sala onde Lyx estava com sua visita.

Foi Syndia quem riu daquela vez, o que chamou a atenção da mãe.

- Ah, Syn, querida, que bom te ver!

- Oi, mamãe.

As duas se cumprimentaram e, quando se virou, Lyx fez as apresentações. Ou ao menos assim ela queria.

- Alexander, esta é minha...

- Syndia! - o homem saudou. - Eu já a vi, Lyx. Faz algum tempo, na verdade. Pouco antes do outono.

- Sério? Onde?

- O Sr. Malcom fez uma palestra que o Gringotes nos obrigou a assistir - Syndia respondeu. - Uma palestra muito interessante, na verdade.

- Ora, querida, gentileza de sua parte. E o que nós combinamos naquele baile, sobre o "senhor"?

- Certo, desculpe - sorriu Syndia.

- Então quer dizer que vocês já tinham se visto? - retorquiu Oren, servindo-se de uísque.

- Sim. Eu já vi, Oren, como sua filha cresceu e está cada vez mais parecida com Lyx e Glacière.

Quando todos se sentaram, Syndia falou:

- Papai me disse que você estava com visita, mamãe, mas não sabia que era Malcom. É realmente um prazer revê-lo.

- Ah, o prazer foi meu. Fazia um bom tempo que não via Lyx e Oren, então, como estava na cidade e não tinha nenhum assunto urgente para tratar, resolvi visitá-los.

- O senhor vai ficar para o almoço, não vai?

- Ah, minha querida, eu não gostaria de incomodar e...

- Mas não será incômodo! - protestou Lyx e reafirmou o convite da filha. - A comida de Lillu é uma delícia, Alexander. Além disso, você acabou de chegar.

- Lyx, eu não diria que acabei de chegar - o homem sorriu. - Porém, se realmente não for incômodo, eu aceito o convite.

- Ótimo - falou Oren, sorrindo. - Vou dizer a Lillu para colocar mais um lugar à mesa. Com licença.

- E então, minha querida? - Alexander virou-se para Syndia. - Conseguiu aproveitar o baile àquela noite, mesmo depois de um velho tomar todo o seu tempo?

- Oras, mas quem disse que você tomou meu tempo, Malcom? Gostei muito de conversar com você.

- Então vocês se viram foi naquele baile do Ministério da Magia e do banco Gringotes? - perguntou Lyx.

- Esse mesmo. E devo dizer que sua filha estava linda, àquela noite, Lyx. Ou melhor: mais linda do que já é.

- Eu disse a você, Syn - Lyx falou sorrindo diante do constrangimento da filha. - Ela nem sequer sabia que roupa usar, Alexander, mas ainda bem que eu apareci para ajudá-la. Se não, nem quero saber com que roupa ela iria.

- Na verdade, a mamãe me preparou para um baile de gala, não um simples baile de colegas de profissão. Um baile que, ainda por cima, seria após uma palestra. Algo sem sentido, mas o que posso fazer, não é mesmo?

- Mas não foi sem sentido - falou Alexander. - Foi para conciliar o Ministério e a parte do Gringotes que tem ligação com os bruxos. Estávamos com problemas, não sabia, Syndia?

- Não. Que tipo de problemas?

- O de sempre - retorquiu o homem, entediado. - Os duendes sempre querendo mais e mais, e o Ministério o mesmo. Ninguém dá o braço a torcer nessas situações. Os duendes queriam aumentar as taxas do câmbio.

- Certo... Isso não faz parte do meu trabalho, Malcom - desculpou-se Syndia. - Eu trabalho com descoberta de lugares com possível ouro e, com meu parceiro, desfazemos os feitiços, caso encontremos riqueza.

- Ah, você me disse algo sobre isso, quando nos falamos. Você estava procurando os rastros daquele grupo... Aziza, certo?

- Esse mesmo.

- E encontraram algo?

- Não muito. Mas sabemos que eles estão atrás de uma cidade fantasma no Oriente Médio.

- Cidade fantasma no Oriente? Interessante...

- Nem me fale - sorriu Syndia. - É fantasma, porque não conseguimos informação alguma sobre ela. Tudo desaparece, quando diz respeito a Starta.

- Starta? Tem certeza que é essa cidade que eles estão procurando?

- Isso mesmo. - Percebendo o interesse do homem, Syndia perguntou: - Já ouviu falar dela?

- Um pouco. Sou um homem que viaja muito, Syndia - sorriu Alexander. - O que ouço de histórias...

- Então a cidade é realmente uma mentira?

- Bem... O que eu ouvi é que ela é bem real. Mas só aparece para as pessoas certas.

- Ouvi algo parecido, também.

- Verdade? E o que você ouviu? Quem sabe não podemos juntar nossas descobertas?

Syndia riu levemente diante da feição curiosa de Alexander. Ele se parecia com aquelas crianças que tinham um mistério em mãos.

- O Gui achou que eu fiz mal em considerar o que ouvi, por causa da minha fonte - Syndia falou. - Mas juntei as peças com o que ele havia dito anteriormente e achei totalmente verossímil.

- E o que você descobriu?

- Que a cidade apenas se tornará verdadeiramente real... Quero dizer, que ela não desaparecerá mais, apenas quando a deusa da cidade aparecer.

- E quem foi sua fonte?

- Uma colega. Luna Lovegood.

- Você está coletando informações com um Lovegood? - inquiriu Lyx que, até aquele momento, não se interessara muito pela conversa.

- E qual o problema, mamãe? Não creio que Luna esteja delirando, pois as informações dela batem com o que descobri.

- Você deveria se concentrar em algo mais concreto, Syn.

- Como o quê, mamãe? - Syndia sorriu, relanceando Alexander, que retribuiu o sorriso.

- Bem, aquele rapaz mandou flores para você novamente?

Imediatamente, Syndia sentiu seu rosto esquentar. Sua mãe não estava fazendo aquilo!

- Não comece com isso, mamãe, por favor.

- Pois começo - Lyx retorquiu. Olhou para Alexander e sorriu enlevada. - Alexander, sabia que minha filha está sendo cortejada por Draco Malfoy?

- Verdade?

- Totalmente.

- Não estou - Syndia falou firmemente, mas não querendo ser indelicada na frente do visitante. - Ele apenas me mandou flores como um bom cavalheiro. Saímos para jantar e ele me mandou flores no dia seguinte. - E nos dias seguintes...

- Pois eu adorei quando soube da notícia. Os Malfoy são uma família tradicional. Certo que tiveram alguns deslizes, mas qual família é perfeita? E eu sempre gostei do garoto.

- Eu não o vejo há semanas, mamãe - falou Syndia com a voz num claro tom de que queria terminar aquela conversa. - Onde está o papai, que não voltou da cozinha? Com licença, Malcom. Vou ver o que meu pai está aprontando.

- Claro.

Depois de Syndia sair, Alexander voltou-se para Lyx.

- Então quer dizer que Draco Malfoy e Syndia estão se vendo, Lyx?

- Não é maravilhoso, Alexander? Ah, como eu gostaria que a Syn se relacionasse com alguém do nosso mundo, sabe? Ela se envolveu com um homenzinho horrível quando esteve nos Estados Unidos. Nós o conhecemos, mas nem sequer notamos o interesse por trás daquele sorriso bem feito. Quando ele abandonou a Syn... Pobrezinha, ficou mal durante um tempo horrivelmente longo.

- Espero que com o Malfoy não seja assim.

- Eu também - suspirou Lyx. - Mas ela disse que não o vê há semanas.

- Ora, quem sabe eles não estão destinados um ao outro? Se for assim, nada os atrapalhará - falou Alexander.

Lyx sorriu exultante. Finalmente encontrara um aliado em seus ideais maternos.

- Se eles não estiverem, darei um jeito nesse destino.

- Não há como mudar o destino, Lyx - riu Alexander.

- Então eles estão destinados - falou Lyx presunçosa. - Ou não me chamo Lyx Goldstein Vechten.

- Sra. Vechten, o almoço será servido. - Lillu, a elfo doméstica, apareceu à porta, ao que os dois conspiradores seguiram para a sala de jantar.

O assunto Malfoy, para alívio de Syndia, foi totalmente esquecido à mesa.

xxx---xxx


O som da chuva pesada mais uma vez o invadia em sonho. Os gritos o deixavam irrequieto na cama. Os olhos esverdeados pareciam gritar, pedindo ajuda... Não, os olhos deveriam ser acinzentados, os olhos dos Black! Olhos esverdeados não deveriam ter nada a ver com aquilo!

Draco acordou sobressaltado, sentando-se na cama. Sua respiração estava descontrolada e ele percebeu que suava. Xingando alto, foi até o banheiro, retirando sua roupa no percurso, e enfiou-se debaixo do chuveiro de água gelada. Xingou novamente, mas não fez a temperatura mudar. Água gelada era o que ele precisava, mesmo já estando no inverno. Sua mente precisava acordar, raciocinar. Ele precisava entender o que estava acontecendo.

Desde quando os pesadelos que tinha com sua mãe tinham que mudar daquela maneira? Por que Syndia tomava o lugar dela? E por que, sempre que acordava, a raiva que sempre sentira do pai não fervilhava, mas apenas a vontade de ver se a mulher que invadia seus sonhos estava realmente bem?

Ele não devia estar sentido aquilo. Realmente não devia sentir-se daquela maneira.

Saiu debaixo do chuveiro. Aquela água gelada não o ajudaria a pensar, embora se sentisse totalmente desperto. Rapidamente colocou uma roupa e saiu de casa.

Andar sempre fora uma das coisas que o acalmava. No entanto, daquela vez ele não se contentaria em caminhar apenas pelos jardins enregelados da propriedade dos Malfoy. Portanto, aparatou no primeiro lugar que lhe veio à mente.

O pequeno parque já começava a apresentar seus transeuntes, mas nenhum prestou atenção em Draco. Inicialmente, ele também não lhes deu atenção. Sua cabeça parecia girar, pensamentos nunca presentes enchiam sua mente com “como’s”, “por que’s” e “quando’s”. Entretanto, resposta alguma lhe aparecia. Ou ele simplesmente não queria vê-la.

E ele não a veria, pois não havia resposta bastante para Draco, disso ele tinha certeza. Mas o que Draco também não sabia era que a resposta estava - literalmente - à sua frente naquele momento. E isso o fez estacar em meio à passarela.

Um belo restaurante lhe acendeu lembranças que ele já fizera questão de distorcer para sua tranqüilidade. As lembranças voltaram à sua originalidade: uma alegria desconhecida ao vislumbrar uma bela mulher em um vestido simples; vontade de provocá-la para ver os olhos castanho-esverdeados brilhando em astúcia ou as bochechas corando; um arrepio estranho quando tocou de leve seu braço enquanto a ajudava com o casaco... E, mesmo que não quisesse admitir, uma vontade quase louca de tocá-la, abraçá-la e... Por Mérlin, beijá-la também até que o ar lhe faltasse.

No entanto, ele teve tudo isso. Há alguns dias, essa vontade foi saciada. E por que - por todos os deuses que existiam - ele não conseguia se contentar com aquilo? Por que necessitava de mais? Por que sentir Syndia Vechten em seus braços era de vital importância? Por que saber que ela estava bem lhe era tão necessário?

A agonia que invadia Draco ao ter tantas perguntas sem resposta não se comparava a nada que ele sentira outrora. Essas dúvidas pareciam colocar em xeque toda uma vida, toda sua personalidade. O que ele deveria fazer, mesmo não tendo as respostas? O que ele deveria fazer por simplesmente não ter as respostas? Arriscar uma resposta prática? Talvez...

xxx


O som da campainha surpreendeu Syndia.

- Está esperando alguém, querida? - perguntou a Sra. Prescott.

- Não. Mas deve ser minha mãe... Ela adora me fazer surpresas - sorriu Syndia.

Segurando Bóris na mão esquerda, Syndia foi até a porta, abrindo-a, enquanto sua vizinha Eleonora se levantava para recepcionar a visita. No entanto, quase o gato caiu de suas mãos, pois não era Lyx quem a encarava e muito menos seu pai. Não era um olhar amistoso ou um sorriso.

Olhos cinzas pareciam fuzilá-la e os lábios do rapaz à sua frente formavam uma linha fina.

Assim como Draco, Syndia não se mexia.

- Então, querida, quem é? É mesmo sua mãe quem... Oh.

Eleonora Prescott vivera o bastante para saber o que estava acontecendo ali no momento em que vislumbrara um rapaz louro e alto à porta da casa de sua vizinha e a encarando de uma maneira, digamos, perturbada.

- Oh, bem, não é sua mãe - continuou a Sra. Prescott. - Por que não convida o rapaz para entrar, Syndia? Por favor, meu rapaz.

Finalmente Draco pareceu notar a senhora próxima à porta. Mas seu olhar não se demorou mais que um segundo.

- Preciso falar com você - disse à Syndia.

- Desculpe - falou Syndia, recuperando-se daquele olhar que parecia queimá-la em brasa -, mas estou com visitas se não viu ainda, Malfoy.

- Então você é Draco Malfoy? - perguntou a Sra. Prescott, novamente chamando a atenção de Draco. Syndia também a olhou, parecendo assustada. A mulher fingiu não perceber. - Bem, sendo assim, acho melhor eu ir.

- Não, Sra. Prescott! - apressou-se Syndia. - Nós estávamos conversando e...

-Ah, querida, que é isso. - A mulher fez um gesto indiferente com a mão. Pegou seu gato das mãos de Syndia e, antes de sair da casa, fez com que Draco entrasse. - Deixei um bolo no forno, então tenho que voltar mesmo. Depois nos falamos. Foi um prazer conhecê-lo, Sr. Malfoy.

- Ah... Claro - disse Draco.

- O que você está fazendo aqui? - sibilou Syndia quando Eleonora fechou a porta da casa. - Eu não disse para me deixar em paz?

- Sim, você disse. Mas eu duvido que você esteja em paz, Syndia.

- Eu estava completamente em paz até agora mesmo.

- O que mudou?

- Mudou que eu quero te expulsar daqui - ela falou entre os dentes. - A chutes.

Draco soltou um riso pelo nariz e cruzou os braços.

- Sabe, tem uma coisa que meu pai me ensinou. Uma das únicas que prestou, na verdade - falou. Olhando-a nos olhos, continuou: - Eu sei reconhecer uma mentira, Syndia. E também um caso perdido, embora este seja mais difícil quando se refere a mim.

- E posso saber o que isso tem a ver comigo? - ela retorquiu querendo sair correndo dali. Deus, ela estava tão bem em sua casa, conversando amenidades com Eleonora, a figura de Draco Malfoy totalmente enfurnada em um canto de seu cérebro que ela não acessaria àquele dia. Que fizera questão de não acessar nos últimos dias. E então, de repente, ele estava ali à sua frente, dizendo coisas sem sentido e parecendo mais perigoso do que ela jamais o vira.

- Isso tem tudo a ver com você, embora o caso perdido seja eu. - Ele riu. - Sabe, foi estranho reconhecer isso, mas acho que, ao fim de tudo, não foi tão doloroso quanto pensei. Claro, isso tudo ainda é uma porcaria, não acha? Essas coisas que eu não deveria sequer estar pensando...

Syndia ergueu as mãos, pedindo que ele parasse de falar. Draco assim o fez, encarando-a. Algo no gesto dela lhe pareceu muito interessante de estudar. Fechando os olhos por alguns segundos, ela suspirou. Reuniu forças naqueles segundos para olhá-lo novamente e, quando as sentiu, assim o fez. Contudo, a força se esvaía só em olhar para aqueles olhos que pareciam penetrá-la sem limites.

- Olha, eu não sei do que você está falando. Não sei o que o fato de você conseguir detectar mentirosos e de diagnosticar casos perdidos têm a ver comigo. - Mais confiante, continuou. - De repente você chega em minha casa, atrapalha minha visita com uma mulher que eu adoro, fica me encarando feito um louco na minha porta e agora fica falando de sua educação. O que realmente você quer em minha casa, Draco Malfoy?

- Bem, eu tenho uma resposta para você, não se preocupe.

- Ah, que ótimo! - Syndia falou com sarcasmo. - E por acaso eu terei a honra de tê-la?

- Não acho que você vá gostar da minha resposta. - Draco deu um meio sorriso.

Automaticamente, Syndia sentiu algo gelado descer por seu estômago e alojar-se em seu ventre. Já ouvira aquilo. Mas cruzou os braços petulantemente e falou:

- Prefiro lhe dar o benefício da dúvida.

Ainda sem desfazer o sorriso presunçoso, Draco falou:

- Obrigado por isso, então, Srta. Vechten.

Mas ele não disse mais nada após isso, o que realmente começou a irritar Syndia.

- Draco Malfoy, queira, por favor, responder à minha pergunta?

- Não pense que eu tenha uma tendência ao melodramático. - Sem se importar com a feição curiosa de Syndia, Draco continuou: - Onde alcancei, não dá mais pra voltar. Percebi que atravessei uma linha traçada por mim mesmo, mas sem realmente querer cruzá-la. Então, o que posso fazer, não é? Aproveitar até que isso passe me pareceu a melhor opção. Não pense que a esteja diminuindo. Só não quero elevá-la por enquanto, embora isso já esteja um pouco difícil, admito.

- Mas do que você está falando?

- Que eu ainda quero ter alguma salvação, então, descruze os braços, por favor.

Syndia chegou a mexer os braços, mas não os descruzou.

- Explique melhor, Malfoy - exigiu Syndia.

Dando de ombros, Draco se aproximou de Syndia, ele mesmo descruzando seus braços e colocando-os ao lado do corpo da moça. Sem entender, e também pega de surpresa com aquela proximidade, ela não o impediu.

- Facilite a minha vida - ele disse, olhando-a. - Faça algo com seus braços e não os deixe moles como estão agora. Se você fizer alguma coisa, será o melhor para nós dois, tenho certeza. Além de eu conseguir ficar mais aliviado, é claro.

- Você é doido - Syndia falou estupefata e meneando a cabeça.

- Devo ser mesmo - Draco simplesmente murmurou antes de colocar seus lábios sobre os de Syndia.

De início foi apenas um contato de leve e Draco não a tocou. Algo como fora o beijo na loja do Beco Diagonal, embora ele não apertasse seus lábios nos dela como fizera antes. Seus olhos estavam até abertos, vislumbrando o choque que perpassou pelos orbes castanho-esverdeados. Mas, para seu desespero, o choque transformou-se em algo que ele não esperava. Transformou-se em deleite, para em seguida serem ocultos pelas pálpebras fechadas e um suspiro escapar dos lábios dela.

Draco gemeu, frustrado. Sua mão direita estava no rosto de Syndia quando ele falou:

- Você não devia ter feito isso. Realmente não devia. Agora, não me diga que não a preveni.

- O quê? - ela perguntou num sussurro.

- Droga, Syndia... Eu deveria ter prevenido a mim mesmo também.

Em seguida nada mais foi dito, ou, caso tenha sido, eles não se importariam ou sequer lembrariam. A única coisa de que tinham certeza naquele momento era que queriam repetir o que havia acontecido na sala de Draco. Contudo, por muito mais tempo. E com muito mais certeza e redenção.

Então, sem que conseguissem conter, já tremiam pelo toque do outro. Buscando mais, querendo sanar aquela angustiante necessidade o quanto antes. O pequeno sofá da sala de Syndia nunca parecera tão convidativo como naquele momento.




N/B Sônia: O QUE???????? Eu não acredito que o capítulo terminou aqui! JUSTO AQUI????? – De jeito nenhum! De volta à escrita, já!!!!! Eu me nego a começar o ano só... imaginando, o que foi ISSO!!!!!!! – Querem que eu tenha uma síncope nervosa esquizo-suicida, é????? – Cáspita! - Eu já não sou muito novinha, e vocês ainda ficam colocando meu pobre coração á prova, assim, desmesuradamente???? Primeiro: Uma cena com Draco Malfoy envolvendo lençóis e a ausência de roupas... ALELUIA!!!! Onze capítulos pedindo, e ela veio!=D – E daí essa última cena... Não! Não! EU QUERO MAIS!!! Senão fico de mal! E desaposento a chibata!!! Ai, ai,ai!!!!!!!!!!!!!! – Rsrsrsrs... Surtos psicóticos à parte, AMEI! Cada linha! Cada beijo! ;D – Beijão grande! Um Ano Novo cheio de Inspiração e tudo de bom! Até o próximo! =D – P.s.: Vixi, que ainda tô sem fôlego...

N/A: Sim, finalmente temos os devidos beijos!hihi... E algumas passagens, no mínimo, interessantes, se vocês perceberem. Mas paremos por aqui com os toques de spoilers. Esperamos realmente que todos tenham gostado do capítulo como nossa amada beta já nos mostrou gostar. =D

Outra coisa: o título do capítulo é a música de Ana Carolina e Jorge Vercilo: Abismo. Ela coube tão perfeitamente no capítulo que não teve como deixá-la de lado. Caso se interessem, é só acessar o Multiply da Livinha que lá tem a música para ouvir.

http://livinha1.multiply.com

Sonia Sag: mana, o que seríamos de nós se realmente você tivesse uma síncope? Longe disso... Talvez se deixarmos os capítulos mais café-com-leite...Hihi... E como foi dito no capítulo anterior, pedido de beta é ordem! Draco em caminha e banheiro!hihi.. Beijos, amada! E um Novo Ano também cheio de inspirações e internetes decentes!

Priscila Louredo: achamos que você ficaria feliz por estar vendo o Draco como Draco!hihihi... E agora? Gostou da caracterização dele?? Beijos, mana! Feliz Ano Novo!!!!

Kelly: teclado da Liv arrumado, capítulo devidamente postado! E sim, a Pam dá até dó, tadinha (pensa na mana trabalhando feito doida). Ao menos ela está de folga até o ano novo. Esperamos que tenha gostado da continuação do beijo, mana! Beijos pra você e um excelente Novo Ano! (Liv: Amo!!)

Jhonatas T Potter: e quem é vivo sempre aparece! E sabemos como é essa vida de estudante, Jhonatas, pois tivemos a nossa. Eu, Liv, ainda tenho na faculdade. Mas é bom saber que você vai conseguir um tempo pra você, pois é essencial. E na medida que o tempo permitir, damos uma olhada sim na tua fic. Beijos e um ótimo ano novo pra você.

E a quem acompanha a fic, embora sem dar sinal de vida:

Tenham um Novo Ano cheio de realizações! Beijos a todos.

Livinha e Pamela Black.

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