Coração Ensangüentado
Todo mundo sabia que era um casamento de aparências. Os Malfoy eram a família mais preconceituosa e movida por falsos sentimentos do mundo bruxo. Conhecidos por serem sangues-puros, eles faziam questão de mostrar seu total desprezo aos mestiços, sendo sempre os integrantes de tal família alunos da casa da Sonserina. Outra família igualmente preconceituosa, mas com diversos casos de deserção de parentes por conta de serem contra esse tipo de preconceitos, eram os Black. Num belo dia, a união entre essas duas famílias foi feita, sendo que Lúcio Malfoy e Narcisa Black tornaram-se o mais novo ramo da família Malfoy, mesmo passando por cima de sentimentos antigos. Durante o tempo de estudos em Hogwarts desse casal, eles tinham um amigo em comum. Um estudante também da casa de Sonserina, mas que não tinha um sobrenome renomado ou dinheiro, mas, pelo menos aparentemente, tinha o mesmo desprezo pelos sangues-ruins. Esse se chamava Severus Snape. Lúcio, Narcisa, Snape e Bellatrix, a irmã de Narcisa, eram o quarteto sonserino mais famoso de toda Hogwarts. Desde sempre, todos viam que Lucio e Narcisa davam-se bem até demais, mas ninguém sabia de verdade por quem realmente a senhorita Black havia se apaixonado. Ele não era bonito, nem popular, mas era gentil e a tratava com carinho. Snape era o que ela precisava para ser feliz, mas sabia que não poderia casar-se com ele um dia. Precisava do sobrenome de Lúcio para manter a tradição familiar de manter o sangue puro e desertar todo aquele que simpatizasse ou fosse trouxa. Eles manteram um relacionamento secreto, mas precisava acabar.
Agora eu sei que o final chega,
Você sabia desde o começo,
Não queria acreditar que era verdade,
Você está sozinha outra vez,
Mas minha alma estará com você...
Depois de uma longa noite de amor, onde nada parecia estar contra o casal, Narcisa tomou coragem e terminou com Snape. Ele ficou arrasado, mas entendia o porquê do fim. Lúcio realmente era o cara certo para ela. Ele tinha dinheiro e poderia dar uma vida de rainha para ela. Apenas queria que a mulher de sua vida fosse feliz, mesmo que isso significasse tentar viver com a idéia de que aquela que um dia foi sua dormisse nos braços de outro. Tentou conter as lágrimas. Conseguiu até um bom tempo depois que ela foi embora, mas desabou sobre seus joelhos lá mesmo na cama onde se encontraram várias vezes. Depois que Draco nasceu, Severus sentiu-se no fim de suas energias. Mesmo sabendo que ela tinha que fazê-lo, não deixava de estar triste. O único consolo para ele era que, um dia, Draco seria seu aluno e ele faria de tudo para ser o professor favorito do filho da mulher que amava. Onze anos depois, Draco estudava em Hogwarts pela casa de Sonserina. Severus estava satisfeito. Ele conseguiu o que queria com o Malfoy. Era o aluno mais aplicado de suas aulas. Nunca se atrasava e tinha o maior respeito por ele. Mas, mesmo com todo esse carinho, ele não conseguia mais falar com Narcisa. Temia não controlar-se e agarra-la na frente de Lúcio, que nunca suspeitou de nada entre sua esposa e Snape. Nas reuniões de pais e professores evitava ir, dizendo estar indisposto ou qualquer outra coisa. Depois, se Lúcio quisesse saber de algo, ia procura-lo depois das aulas, mas sempre sozinho.
Por que o relógio ainda está correndo,
Se meu mundo não está girando?
Escuto sua voz pelo vento em direção da porta,
Você está sozinha de novo,
Eu estou apenas esperando...
Alguns anos depois, Voldemort retornou com força, dando início a algo que o Ministro encarou como um complô para tirá-lo do poder. Aproveitando-se disso, Lúcio mostrou-se do lado do Ministro, dizendo que ele estava certo em relação a estar preocupado com Dumbledore e Harry. Claro que sua intenção era tirar o máximo de inimigos do caminho da ascensão de Voldemort. Enquanto isso, Narcisa preocupava-se com seu marido, não que sentisse amor por ele, os anos de convivência fizeram com que ela se acostumasse em tê-lo por perto. Sem falar que qualquer deslize que ele desse, Voldemort poderia descontar em Draco ou até mesmo nela. Assim que Harry conseguiu provar para todo o mundo que falava a verdade, Lúcio Malfoy foi preso. Draco agora estava designado a ser o seu substituto e deveria matar Dumbledore. A senhora Malfoy tinha certeza que aquilo era um modo de vingar-se pelo fracasso de Lúcio. Precisava de ajuda para proteger seu filho e foi atrás do único que poderia fazê-lo. Snape já esperava por isso, já que estava infiltrado mais uma vez entre os comensais. Mas ele precisava ser forte não por isso, mas para rever Narcisa como a mulher de seu amigo.
Você rasgou em pedaços meu coração,
Antes de você ir embora sem arrependimentos,
Eu chorei por você, minhas lágrimas viraram sangue,
Eu estou pronto para me render.
As palavras que aquela mulher falava entravam em seus ouvidos como uma melodia torturante. Severus quase não pôde responder depois de ouvir aquela voz implorando por ajuda depois de tanto tempo distante. Narcisa viu o brilho nos olhos do professor que a tempos não via. Desde a nossa última vez, se não me engano... pensava ela, deixando escapar um sorriso dos lábios. Naquele momento não havia mais como resistir. Ele precisava sentir aquela boca da qual nunca esqueceu o gosto. Precisava mostrar que a amava e que nunca mais teve outra mulher para não correr o risco de apagar de sua mente o cheiro do perfume que embalou tantas vezes seu sono e inspirou noites de sonhos eróticos. A senhora Malfoy não pôde evitar. Sentiu-se como há anos não sentia. Aquele corpo quente com a língua úmida que explorava sua boca. Rendeu-se a seus sentimentos contidos e aproveitou o momento como um modo de reviver os anos “perdidos” longe de Severus. Esquecendo-se do verdadeiro objetivo do encontro fizeram amor. Não havia mais Lúcio, sobrenome, dinheiro ou seja lá o que impediu essa união antes. Somente a vontade de estar naquele lugar onde estavam, fazendo o que faziam, amando-se como sempre deveriam estar.
Você diz que eu levo isso muito a sério
E tudo que eu peço é compreensão,
Trazendo de volta pra você uma parte do meu coração despedaçado
Eu estou pronto para me render
Draco Malfoy não conseguiu cumprir a missão como era previsto. Contudo, Snape o fez por ele. Tal atitude causou uma nova preocupação em Narcisa, pois a Armada Dumbledore não deixaria barato o que houve. Agora, com o marido na cadeia, o filho e o homem que ama sendo procurados e sua índole sendo questionada, estava tudo um caos. Porém, os momentos de amor eram cada vez mais freqüentes. Jamais ficara sem dormir por ficar a noite inteira fazendo amor com Lúcio. Na verdade, quase não fazia. Mas aquele clima de tensão estava acabando com ela, mesmo sentindo-se feliz por estar com Snape. A notícia de que Voldemort libertara presos de Azkaban e invadira Hogwarts chegou num susto. Imediatamente, Snape e Draco foram para o colégio para mostrar a sua verdadeira posição na guerra. Narcisa não podia ficar de braços cruzados. Preparou-se e foi junto com eles para a batalha. Chegando lá, os três já começaram derrubando oito comensais. Hermione, que estava próximo à janela e viu tudo. Assim que ela derrotou o comensal contra o qual lutava, desceu correndo em direção aos jardins, onde conversou com os três apontando a varinha em sinal de receio. Depois de ver que as intenções deles eram boas, os levou ao centro da batalha, ajudando Neville, que estava pronto para acabar de vez com Bellatrix.
Eu me lembro dos momentos,
A vida foi curta pro romance,
Como uma rosa isso irá desaparecer
Eu estou deixando tudo...
A dor de perder sua irmã era justa, mas sabia que ela fez por onde. O próximo passo era derrotar os demais comensais, mas era tudo mais fácil agora, já que tinham reforços e que acreditavam neles. Andando mais um pouco e derrotando quem estava a sua frente, os cinco chegaram à sala onde Harry lutava contra Voldemort. Estava tudo cercado por um campo de força poderoso. Ninguém pode impedir a luta entre os maiores inimigos. Enquanto estavam todos observando nervosos a luta, Lúcio aproximava-se discretamente, para matar sua mulher e seu filho antes que pudessem se defender. Porém, assim como ele, Gina também aproximou-se devagar e o lançou longe com um estuperfaça que denunciou a sua presença. Ninguém atreveu-se a fazer nada, aquela decisão deveria ser tomada por Narcisa. Draco balançou a cabeça em sinal de apoio a mãe, que fechou os olhos e o matou. Assim que o último comensal foi morto, Harry sentiu-se mais confiante e derrotou também Voldemort. Todos se abraçaram como se não houvesse mais diferenças de sangue. Snape beijou Narcisa em sinal de orgulho. Estava claro que eles iriam ficar juntos de verdade a partir daquele dia. Com o fim da guerra e a morte de Voldemort e Lúcio, não haviam mais barreiras. Apenas a vontade de estar junto com quem se ama e sempre amou de verdade.
Sem arrependimentos, a guerra está acabada,
O retorno de um soldado,
Colocando minhas mãos em meu coração sangrando,
Eu estou deixando tudo pra trás,
Sem mais esperas
Eu esperei por tanto tempo!