Quase Honesto
Quando o amor é forte o suficiente, não se tem como esconder. Mas esse não era o caso de Cedrico e Luna. Antes mesmo de as outras pessoas o conhecerem melhor, antes até do Torneio Tribruxo, eles eram um casal. Era meio estranho, afinal, Cedrico tinha 15 anos e Luna 11 anos. Ela tinha acabado de entrar em Hogwarts e ele estava quase terminando seus estudos. No começo, era tudo um mar de rosas, durante dois anos eles viviam sem nenhuma briga (briga séria, porque todo relacionamento tem seus conflitos), mas, assim que começaram os preparativos para o Torneio, Luna deparou-se com um grande problema: O ciúme. Ele não andava mais com ela. Aparentemente depois de um tempo, ele começou a sentir vergonha da diferença de idade entre eles. Quatro anos era uma vida, principalmente quando olha-se no espelho e se vê um homem, em plenos 17 anos. Não era mais aquele menino que corria por aí, como se nada mais importasse. Luna tinha apenas 13 anos, era uma menina ainda brincalhona. Sua maturidade ainda não lhe fazia falta, mesmo desde cedo ela sentindo o que sentia por Cedrico.
Eu menti só um pouquinho
Quando eu disse que preciso de você
Você distorceu a verdade
Quando disse que já sabia
Simplesmente não consigo acreditar nisto
Não há nada a dizer
Eu fui quase honesto, quase
Assim que ele foi nomeado pelo Cálice de Fogo como o representante de Hogwarts, Cedrico decidiu dar um fim a seu relacionamento já conturbado. Luna nem sequer esperava por esse decisão. Mesmo sabendo que não andava nada bem, ela não queria terminar. Tinha em Cedrico uma imagem protetora, como o seu “príncipe reluzente” ou algo do gênero. Mas o moreno estava decidido. Afinal, já havia até se interessado por outra pessoa e sabia que era correspondido.
Vivendo sozinho, não consigo suportar este lugar
São quatro da matina, e eu ainda vejo o seu rosto
Vendo que era inútil insistir em continuar com o campeão tribruxo, a loira resolveu dar a volta por cima. Ainda doía muito, mas ela era nova demais. A sua vida estava apenas começando e Cedrico tornou-se para ela uma experiência antes de encarar o futuro. Ela parou e pensou. Percebeu que aquilo realmente era o melhor. Ele estava mais maduro e precisava de uma mulher com ele, alguém que não tivesse medo de relacionamentos mais “picantes”. Alguém como a mulher que ele escolheu: Cho Chang. Quando o moreno percebeu que Luna não se importava mais, viu-se sentindo algo que nunca sentiu. Não sabia se era raiva, ciúmes ou qualquer outra coisa. Estava a horas do baile de inverno, onde levaria sua nova namorada como acompanhante. Não pôde deixar de vê-la por diversas vezes enquanto rodopiava pelo salão dando início à comemoração. Ela nunca esteve tão linda. Parecia uma fada com aquele vestido de gala coberto por brilhantes discretos. Estava acompanhada. Definitivamente, não tinha volta.
Eu estava quase liberto
Quando disse que lhe amava
Você foi semi-sincera
Você disse que eu sangraria por você
Nós éramos francos
Agora você se foi
Você foi quase honesta, quase
Na segunda prova do torneio, Cedrico tinha que procurar dentro do Lago Negro pelo seu tesouro. Ele ria da possibilidade de Dumbledore surpreende-lo com sua inteligência, levando Luna para o fundo do lago. Não a via em nenhum lugar e começou a ficar preocupado. Nem sequer notou que Cho também não estava por perto. Depois do beijo que ele presenciou entre Luna e seu companheiro de baile, não ligava mais para a sua namorada. Agora ele tinha certeza que sentia ciúme. Sentia-se também um imbecil por ter a deixado ir por um simples fator que nunca atrapalhou em nada. O alarme soando foi uma sinfonia para seus ouvidos. Pulou imediatamente na água e saiu a procura de seu tesouro. Assim que chegou ao domínio dos Serianos, viu que quem estava lá, na verdade, era Cho. Luna havia se atrasado porque não encontrava os sapatos, mas chegou a tempo de vê-lo emergir com a coreana, sendo aplaudido com fervor pelos alunos de Hogwarts. Quando Cedrico finalmente a teve em sua visão, o motivo que assombrava a sua sanidade apareceu por trás daquela que um dia foi sua loira, beijando-a com carinho.
Vivendo sozinho
Caindo em desgraça
Eu quero reconciliar
Mas só o que existe é uma lacuna
Não consigo encarar o amanhã
Agora que você não volta mais
Se foi durante a noite
Deixando-me apenas as marcas
Depois de mais um dia exaustivo, Cedrico deciciu ir procurar Luna para conversar. Cheio de esperança, ele sabia que todas as noites ela estava no corujal. Lá, as estrelas pareciam que podiam ser tocadas com as mãos e ela adorava adormecer com aquela visão. Por sorte do moreno, ela estava sozinha. Balançando os pés através da janela e cantando uma canção doce. Ele sorriu, denunciando sua presença e fazendo com que ela se virasse para olhá-lo mas, ao contrario do que ele queria, ela apenas o mandou ir embora. Não havia mais como voltar atrás, já que ambos tinham seus novos companheiros. Passaram-se tempos sem se ver. Mesmo quando começou a prova do labirinto não a encontrou com seu namorado. Entrou mesmo sem seu sinal de boa sorte, sem perceber que ela estava escondida torcendo por ele. Minutos torturantes passavam-se. De repente, surgem Cedrico e Harry, mas algo estava estranho. Harry chorava sem parar, depois Fleur começou a gritar. Um após o outro foi se tocando que Cedrico estava morto. Naquele momento, Luna não conseguiu resistir ao choque. Viu tudo escurecer e desmaiou. Acordou três dias depois na enfermaria. Não havia quase ninguém lá, além de alguns poucos alunos que estavam atrasados para arrumar suas coisas e ir para casa. Sentiu-se triste quando lembrou do corpo pálido de Cedrico no chão. E ficava cada vez pior quando lembrava que a última coisa que disse a ele foi: “Vá embora!”
Eu questiono seu chamado pelo tom da sua voz
Eu sei que eu deveria desligar, mas não tenho escolha
Aconteceu naquela noite quando você disse para eu ir
Não pergunte quem é o culpado, eu não sei