“... porque o sentido da vida é sentir sua respiração penetrar minha pele...”
O verão de 1975 foi, no mímino estranho, a familia Black estava comemorando o aniversário da mãe de Sirius, Walburga. O clima parecia mais sombrio, mesmo com o sol forte que assolava a paisagem deixando na casa um cheio forte lembrando madeira podre e as vezes transformava o silêncio da noite numa orquestra de fadas mormentes dançando no jardim. Com 15 anos, eram das noites que Sirius menos gostava naquela casa, não conseguia dormir e não impediam seus pensamentos de vagarem por lugares onde não deviam estar, e naquela noite eles pareciam não ter controle, se guiavam para o quarto onde suas primas estavam, para a cama em que Bellatriz dormia em todas as ferias que passavam juntos.
Tinham tido mais uma daquelas brigas rotineiras que aconteciam sempre que ficavam sozinhos (ou não).
“Como você pode ter ficado tão mesquinha, tão egoísta? Não consigo te reconhecer mais!”
“Priminho, eu nunca mudei, você que sempre foi cego, um...” não pode terminar a frase, Sirius a segurou pelo braço colando seu corpo no dela, ficando a poucos centímetros do seu rosto. “Eu sou o que priminha?” qualquer um que precensiasse a cena perceberia o ódio transparente no lampejo dos olhares, mas o inevitável foi o toque da mão dele no braço nú de Bellatriz e a proximidade dos dois corpos, fazendo com que eles sentissem o cheiro que exalavam evidenciando a respiração acelerada de ambos. Mas ela se afastou num gesto brusco. “Um traidor do proprio sangue!” gritou correndo em direção ao quarto. Deitado na sua cama, Sirius ainda sentia seu cheiro, sacudiu a cabeça irritado tentando afastar estranhas sensações.
No outro dia o Grimmauld Place n°12 recebia familias de bruxos mas tradicionais para a festa. Desejava poder não estar ali, tudo o sufocava, as pessoas que dançavam ao seu redor o deixava zonzo, assim como o cheiro de firewiskey tomando conta do ambiente. Olhou para o lado e lá estava ela, sozinha na sacada, sem nenhum olhar, exeto o dele. Caminhou devagar, o calor imóvel o levava para algo mais confortante. Bellatriz estava de costas escorada na grade, seu vestido preto contornava seu corpo igulando-se uma segunda pele. Tinha os longos cabelos presos com um coqui deixando a mostra seu pescoço e parte das costas. Olhava fixamente o céu escuro, as estrelas brilhavam incansavelmente. Sirius se postou atraz dela sem toca-la que na mesma hora ela sentiu o cheiro que a embriagara na noite anterior.
_ Não devia estar aqui fora, afinal todos os seus parentes amantes de puro sangue estão presentes nesta “linda” festa _ Ele se colocou ao lado dela, escorando também na grade, dizendo com um tédio acentuado olhando para ela que demorou a encara-lo, parecia querer fuzila-lo apenas com o olhar.
_ Eu faço o que eu quero! _ Sirius riu.
_ Neste ponto somos iguais! _ Bella o olha com uma expressão arrogante e é retribuido por um olhar maroto do rapaz.
_ Eu gosto de noites sem lua _ disse num tom seco desviando o olhar do de Sirius e olhando para o céu parecendo querer chorar...
Durante todo o restante da festa, eles buscavam pelo olhar um do outro em meio à todas as pessoas que se misturavam ao cinza do ambiente que se tornavam seres sem vida, numa casa sem alma.
A dor que prende você.
O medo que prende você.
Libera vida em mim...
Não aguentando mais, Sirius foi para o jardim. Debaixo da enorme pilastra Bellatriz discutia com sua mãe, que a xingava, insistindo que obedecesse às suas ordens. Nunca vira sua prima chorar, mas chorava calada, sem que ninguem percebesse, apenas ele observava aquelas lágrimas como cristais sobre a neve. Ela estava prometida a um destino já traçado e ele não soube explicar o que sentiu...
Subiu para o seu quarto depois de ser barrado pela sua mãe lhe dando os sermões de sempre. Ao abrir a porta encontrou Bellatriz deitada em sua cama, estava de olhos fechados ainda molhados pelas lágriams que cairam silenciosas. Fechou a porta sem entender o que ela fazia ali, a luz vinda do abajur a fazia lembrar um anjo, estranhamente triste. Seus cabelos já desfeitos do penteado caiam em seus olhos. Ao abri-los vão de encontro ao de Sirius. O silêncio os envolve num entendimento próprio e numa fração de segundos ela se levanta correndo para os braços dele e se beijam enfurecidamente. Não tinham o controle de suas ações, ele envolveu sua cintura com suas mãos famintas percorrendo todo o corpo trêmulo de Bella, que segurava-lhe o rosto e os cabelos passando para o tórax e as costas, sentindo seus cabelos serem puxados. O que pensavam? Que estariam fazendo uma loucura muito mais forte que eles. Pararam de se beijar mas continuaram colados um no outro ofegantes sem desviar o olhar. Tudo queimava dentro deles, queriam um ao outro intensamente, necessitavam embriagar-se no perfume intenso dos corpos acessos. Precisavam se fazer amantes, precisavam ser os primeiros da vida um do outro e absorver a vida que vinha de cada um, a vida que queimava insanamente dentro de cada um.
No nosso mútuo
De vergonha nós idolizamos
para cegar eles da verdade
que mostra o caminho onde estamos.
Sirius tirou sua camisa devagar observando Bella, que então o ajudou a retirar a calça, sentindo seu membro gritando de desejo, se beijaram com violência enquanto ele retivara o vestido com vontade. Bella sentiu sua boca macia deslizar para pescoço indo depois para seus seios firmes. Gemeu baixinho sentindo a boca quente dele os engoloindo. Os dois se jogaram na cama, após um longo beijo na boca ele levantou seu tórax e retirou-lhe a calsinha, não resistindo beijou seu sexo completamente úmido a deixando louca. Então ele se levantou e tirou sua cueca deixando a mostra sua virilidade ardente, acariciando-o, no qual Bellatriz estremeceu num misto de medo e desejo. Ele se deitou por cima dela, o contato dos corpos nús os embalaram numa canção desesperada. Se uniram nos movimentos perfeitos para seus anseios. Estavam se contemplando, sem parar de se olharem sentiam um desespero louco os dominarem. Queriam gritar mas nenhum som foi ouvido, queriam chorar mas não havia tempo para lamentações. Se tormaram uma só pessoa intensificando no sangue os laços que os unia para sempre.
A partir daquele momento eles entenderam que a felicidade era estar perto um do outro, a vida se fazia quando seus corpos estavam enlaçados ou quando estremeciam a cada toque, a cada respiração, sem isso, o sentido da vida deixaria de existir.
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N/A:
Como disse, essa fic retratará momentos não interligados...
Dessa vez, escrevi como imaginei a primeira vez deles, com momentos confusos, sentimentos que até então eles não entendiam, até sentirem pela primeira vez seus toques, seus cheiros e suas respirações...
Bejinhos
Aninha Black |