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4. A Quermesse


Fic: Desencontros


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Capítulo 4 - A Quermesse

Definitivamente as coisas não ocorreram exatamente como Harry havia planejado. Passara toda a sexta-feira ajudando a sua tia a carregar a decoração da quermesse de um lado pro outro, parecia que enfim sua tia tinha ficado agradecida em tê-lo por perto, ou isso ou ela não tinha conseguido nenhum outro burro de carga para ficar no lugar dele. Mal parara para almoçar e novamente lá estava ele ajudando a pendurar bandeirolas, faixas, enfeites e arrumando o salão da Igreja para o baile. Quando se deu conta as barracas já estavam sendo arrumadas e ele só teve tempo, antes de correr para casa e se arrumar para voltar à festa, de passar rapidamente pelos Weasley para cumprimentá-los e ser apresentado a Bill e Charlie que haviam chegado na noite anterior.

Como ele já esperava fora os barulhos e conversas naturais nesse tipo de festividade, um zum-zum constante era ouvido em quase todos os lugares. A curiosidade sobre a “mulher misteriosa”, como Harry passara a chamá-la, aumentava a cada minuto que passava e ela não aparecia. Todos pareciam ter alguma opinião sobre quem ela era ou sobre o que ela havia ido fazer em Bourghill, pois aparentemente ela tinha chegado trazendo consigo uma grande quantidade de bagagem.

Harry teve a certeza que o motivo do alvoroço tinha finalmente chegado quando percebeu a maioria das pessoas olhando para uma mesma direção e as conversas diminuindo consideravelmente. Realmente Harry nunca havia visto uma jovem com cabelos tão bonitos. Uma cascata de seda dourada que chegava a cintura, emoldurando um rosto de formas perfeitas, olhos azuis claro e uma boca rosada. Certamente todo aquele conjunto tinha sido mais que suficiente para que sua tia Petúnia tirasse as piores conclusões sobre as intenções daquela jovem, mas o mais inesperado era que ela viesse à festa acompanhada justamente do pastor e de sua esposa, a diretora McGonagall.

Foi como um rastilho de pólvora que a história correu: a jovem se chamava Fleur Delacour e era filha de uns amigos franceses da diretora. Como a França havia se rendido aos alemães, quem era contra os desmandos nazistas e ficara ao lado do general De Gaulle, corria perigo se permanecesse na França. Portanto a jovem tinha sido convidada a lecionar a língua francesa na escola local. E Harry constatou que era bastante provável que o francês virasse a disciplina favorita de muitos alunos.

---~~~---

Bill e Charles não eram tolos. Tinham plena consciência de que se ajudassem sua mãe na venda dos bolos e doces, logo no início da festa, em pouco tempo poderiam sair e se divertir durante boa parte da noite. Fazia quase um ano que não iam até em casa. A última vez havia sido durante o feriado no final do ano. Nada mudara muito, obviamente. Seus pais continuavam formidáveis como sempre e tirando os muitos centímetros que Ron ganhara e a cara de criança que Ginny perdera, tudo continuava na mesma. Bill serviu a fatia de bolo de chocolate que a senhora Dursley havia acabado de comprar quando seus olhos focalizaram a mais bela garota que ele havia visto na vida.

Engoliu em seco ao perceber que ela se aproximava da barraca de sua família junto com a esposa do pastor e procurou não demonstrar tanto interesse quando sua mãe correu para cumprimentá-las.

- Olá, Minerva. – A Sra. Weasley cumprimentou alegre.

- Boa Noite, Molly. Trouxe Fleur para provar um pouco de suas delícias.

- Oh, sim. E o que irão querer? – Perguntou para a jovem.

- Quelle sucrerie est celui?

- Ahm? – Molly olhou da jovem para Minerva e só então para onde a loira apontava.

- Pardon. Que doce serr aquele?

Molly conteve um suspiro exasperado. Depois de tudo ainda tinha que aturar uma forasteira achando que todos ali falavam a sua língua. Olhou novamente para onde a jovem tinha apontado e respondeu de forma pausada como se estivesse diante de uma criança de três anos.

- Esse é um doce de pêssego, uma de minhas especialidades. – A loira pensou um pouco antes de responder.

- Ah, oui. Je vou querrer.

- Sirva um pouco de doce de pêssego pra moça, Bill, por favor. – Molly pediu ao filho que estava próximo a ela no interior da barraca, pois tinha receio de que pudesse dizer alguma besteira para a recém-chegada. Mas teve que chamar novamente seu filho mais velho que parecia hipnotizado. – BILL!

- Ah, claro... Doce de pêssego.

O rapaz se concentrou no que fazia tentando não procurar a figura da jovem francesa com os olhos. Com presteza entregou-lhe o prato com o doce e o talher, sentindo um pequeno tremor percorrer sua pele quando esbarrou seus dedos nos dela. Olharam-se por uma fração de segundo antes dela agradecer e voltar sua atenção novamente para a conversa entre a senhora Weasley e a sua anfitriã.

Bill foi tirado de seu mundo de sonhos platinados ao notar a careta divertida que seu irmão Charlie fazia.

- O que foi? – Perguntou levemente irritado.

- Você acha que realmente tem alguma chance com ela?

- E por que não?

-Certo, eu esqueci que você é aquele que sempre se dá bem. – Charlie comentou com sarcasmo.

- E você é aquele que não consegue ficar de boca fechada. – Bill respondeu de cara amarrada, dando um passo em direção ao irmão.

- Já está bom, meninos. Vocês já ajudaram bastante, então por que não vão aproveitar a festa? – A Sra. Weasley sugeriu ao perceber um início de discussão.

- Valeu mãe! – Disse Charlie saindo depressa de perto do irmão antes que ele resolvesse revidar sua brincadeira.

- Divirtam-se. – Riu ao ser beijada no rosto pelo filho mais velho.

- Obrigado, mãe.

Molly Weasley sabia que os “meninos” em questão já eram na verdade dois homens, mas nada impedia que ela sentisse como se eles ainda fossem duas crianças, igual a todas as mães. Tinha plena consciência de que em breve eles iriam arrumar lindas moças e formariam suas próprias famílias, só torcia para que fossem moças decentes e não alguma “aventureira”. Havia percebido os olhares compridos de Bill para a recém chegada, mas ainda não confiava na moça para se “encantar” com a idéia.

----~~~---

Harry rumou imediatamente para a barraca dos Weasley à procura de seu amigo Ronald para ver o que ele achava da nova professora de francês, mas quando chegou só encontrou o senhor e a senhora Weasley desdobrando-se para atender a todas as pessoas que queriam provar dos deliciosos quitutes feitos por Molly.

Identificou ao longe os gêmeos que tentavam passar despercebidos para uma parte mais afastada da festa junto com duas garotas que Harry já havia visto na escola, mas nem sinal de Ron. Decidido a aproveitar ao máximo a festa e deixando a conversa com o amigo para outra hora, resolveu se divertir um pouco nas barracas de jogos. Não haviam muitas então ficou fácil decidir que passaria em duas barracas por cada noite de festa. Não poderia gastar todo o dinheiro que sua mãe conseguiu lhe mandar, e que ele conseguira receber, assim num rompante. Olhou para as opções e caminhou para a barraca de tiro ao pato. Quase se arrependeu ao ver um pouco mais à frente Dudley e seus amigos Draco e Blaise, mas no momento que foi visto por eles e estes começaram a lhe lançar algumas piadinhas, apenas fingiu que não os tinha escutado e manteve-se em seu lugar. Não iria deixar que eles achassem que estava incomodado, mesmo que sua vontade real fosse de partir a cara do primo em dois.

Na vez de Dudley, Harry teve que se segurar para não gargalhar. Ele, o primo, não só havia errado todos os alvos, como quase conseguira acertar o chapéu do senhor Brown, pai de Lavander, dono da barraca. Draco e Blaise não foram tão ruins quanto Dudley, mas conseguiram acertar somente o mínimo de alvos necessário para ganhar alguma coisa e acabaram levando como prêmio algumas bolas de gude cada um.

Pensando que estaria, enfim, livre para se divertir, Harry se aproximou da espingarda de chumbinho que usaria para acertar os pequenos patos que se movimentavam, sem nenhuma pretensão real de ganhar algum prêmio, porém ao ver Dudley e sua turma espreitando-o como urubus em cima da carniça, transformou o que seria apenas diversão numa questão de honra. Procurou se concentrar nos alvos à sua frente enquanto empunhava a arma e tentava ignorar as indiretas lançadas principalmente por Malfoy. Com a liberação para começar dada pelo senhor Brown, Harry mirou e... Um a um os doze patos foram sendo derrubados. E com apenas catorze dos quinze tiros a que tinha direito. Olhando de forma sarcástica para a gangue de seu primo, que resolvera se calar no momento que ele acertara o quinto pato seguido, se aproximou do pai de Lavander para escolher o prêmio. Ignorou o lenço de seda vermelha, a carteira para cigarros e focalizou com os olhos brilhando, uma bela bola de futebol que estava atrás de um urso de pelúcia. Um urso maior do que aquele sobre o qual ouvira Ginny se lamentando com Hermione na semana anterior...

Ele e Ron tinham acabado de derrotar os gêmeos no jogo de futebol que disputaram no gramado próximo aos fundos da Toca. A bola que Fred tinha arranjado não era das melhores e simplesmente não deslizava pela grama como deveria, mas dava para o gasto. Tudo que ele queria agora era um grande copo de suco e com sorte, algum biscoito feito pela senhora Weasley, então depois de se refrescar no braço do rio que passava logo atrás da casa, ele rumou para a cozinha, enquanto seus amigos iam tomar um banho.

Assim que abriu levemente a porta de trás, ouviu os resmungos furiosos e ao mesmo tempo tristes de Ginny.

- Eles vão me pagar, Hermione, ora se vão!

- Mas você tem certeza que foram eles? – Tentou argumentar.

- Quem mais seria capaz de retirar quase todo enchimento do meu urso e achar que eu não iria perceber Mione? – Ginny urrou com raiva, parando de andar e um lado ao outro da cozinha e sentando de frente para a amiga, que concluiu resignada.

- É...

- Eu o tinha desde... Desde que eu posso me lembrar... – Afundou o rosto nas mãos, visivelmente desconsolada.

- Eu sei...

- Era a única coisa que tinha sido só minha. Todo o resto já foi de alguém, menos aquele urso. Foi o pastor Dumbledore que me deu quando eu fiz um ano...

- Ah, Gi... – Hermione resolveu sentar ao lado da amiga e a abraçou.

Harry parou de prestar atenção na conversa das duas garotas e instintivamente olhou para um ponto do gramado onde a bola que haviam jogado, jazia quieta. Então fora desse modo que Fred tinha “conseguido” aquela bola...


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Ginny estava tentando se divertir. Estivera tão ansiosa pela quermesse, o baile, a chegada dos irmãos e agora parecia que tinha sido enganada. Enquanto se arrumava na casa de Hermione ficou imaginando mil e uma coisas que poderiam acontecer e se sentia levemente frustrada mesmo sabendo que nenhuma delas era possível (como a idéia de um lindo jovem aparecendo no meio da festa e lhe declarando amor eterno). Não que Dean houvesse feito algo realmente errado. Ele a buscara na casa da amiga e vieram caminhando juntos até o local da festa. No meio do caminho ele até pegara em sua mão – e ela tinha que admitir que se sentiu mais empolgada neste momento -, mas fora isso, nada havia acontecido. Eles passearam pelas barracas, evitando sempre que possível a da família dela (ele comprou um pacote de pipocas enquanto tentava a sorte numa barraca de jogos).

Contudo, Dean Thomas parecia não ter muita sorte ou vontade de ficar jogando o que quer que fosse e assim que ouviram os primeiros acordes do grupo que viera tocar, ele a conduziu até o salão para que dançassem um pouco. E ali estava ela, muitas músicas depois, esperando pacientemente que ele trouxesse um copo de refresco para ela. É lógico que para isso ele precisava primeiro, parar de conversar com Seamus perto da mesa de bebidas.

- Sabe que mesmo sendo quem é, você está bem jeitosa? – Uma voz desagradável chegou aos ouvidos de Ginny, que estava parada num canto do salão, fazendo-a se sentir desconfortável.

- Como é? – Ela só poderia ter escutado errado. – Com licença. – Tentou se afastar, mas Blaise Zabini impediu-a, segurando seu braço com força.

- Você está pensando em ir embora? – Perguntou irônico. – Mas eu pensei em levar você para conhecer um lugar especial aqui perto...

- Por favor, me deixe ir embora. – Falou ríspida, enquanto olhava impaciente para o salão à procura de ajuda e respirando aliviada ao perceber que Dean se aproximava.

- Vem ruivinha, vamos sair... – Blaise começou a puxá-la, mas parou ao ver o outro rapaz entregando à garota um copo.

- Pronto, Ginny, seu refresco.

Ginny aproveitou para soltar seu braço das garras de Blaise e pegou o copo tentando transparecer uma calma que estava longe de sentir ao responder.

- Obrigada.

- Você estava indo dançar com o Blaise? – Dean questionou curioso, fazendo-a se sobressaltar.

- N-não!

- Por mim tudo bem, sério.

- Não! – Disse irritada, mas sendo ignorada pelo amigo que continuou esperançoso.

- Eu ia mesmo perguntar se você não se importava se eu fosse dançar algumas músicas com a Parvati...

- Viu? Até seu amiguinho quer que você “dance” comigo, vem. – Blaise tentou novamente segurá-la para levá-la dali, mas Ginny falou com raiva.

- Não encoste em mim!

- O que foi? – Dean perguntou confuso tentando tocá-la.

- E você também!

Ginny saiu apressada do salão. Lágrimas se formavam em seus olhos, mas ela as impedia de cair. Para a jovem ruiva a festa tinha terminado. Como ele se atrevia? Ou melhor, como eles se atreviam! Pensou em voltar até a barraca da família e procurar refugio nos braços da mãe, porém isso implicava em ter que contar aos pais o que tinha acontecido e ela não era burra. Não podia deixar que eles comprassem uma briga com uma das famílias mais influentes da cidade. Bebeu de um só gole o refresco que só então percebeu que ainda segurava e sentou-se nos degraus em frente à entrada da igreja. Era melhor ficar por ali até se acalmar, só então voltaria pra junto da família.


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Até que a festa estava melhor do que ele havia imaginado. Chegara cedo, ajudara sua mãe com a arrumação e assim que foi possível, rumou para o salão onde ele já podia ouvir alguns acordes de seu ritmo preferido. Viu Hermione chegando junto com Neville e cumprimentou-os à distância. Quando viu o casal de amigos indo para o meio do salão se encheu de coragem e convidou para fazer o mesmo, uma garota da classe de Ginny, que desde que chegara não tirava os olhos nem da pista de dança, nem dele.

Ron estava dançando animado quando percebeu a irmã saindo apressada do salão. Algo tinha acontecido e era melhor verificar. Ai do Dean se ele tivesse aprontado alguma com ela. Parou relutante de dançar e se desculpou com a menina de cabelos escuros e olhos enigmáticos.

- Anne, me desculpe. Acho que aconteceu algo com Ginny e eu preciso ver o que foi.

- Oh, certo. – Respondeu com um sorriso triste.

- Mais tarde a gente pode... bem... dançar novamente.

- Claro!

- Então até mais tarde. – Ron se despediu com um beijo no rosto da garota que corou.

Quando chegou próximo à porta, ele não achou nem mais um rastro de sua irmã. Ao invés encontrou uma Hermione bastante desapontada. Esquecendo-se completamente de Ginny e sua saída atribulada, aproximou-se da morena e perguntou, fazendo com que a garota se sobressaltasse.

- Tudo bem?

- Oh, Ron! É... está – Respondeu visivelmente amuada.

- Não está não. O que aconteceu? Cadê o Neville?

- Ele estava se sentindo mal, com febre... aí foi para casa. – Falou desanimada.

- Ahm... Ele realmente estava com uma cara estranha...

- É deve ser uma gripe ou algo do tipo.

Hermione se voltou novamente para o salão e ficou observando os casais se divertindo, pensando em como durara pouco sua noite. Notou que o amigo ficou um pouco inquieto e que suas orelhas começaram a ganhar uma tonalidade de vermelho cada vez mais forte, mas antes de perguntar o que estava acontecendo ele perguntou.

- Você... hum... quer que eu te faça companhia? Talvez dançar?

- Eu adoraria! – Ela respondeu com os olhos brilhando.

Ronald segurou as mãos de Hermione rapidamente, como se assim tivesse certeza de que ela não fosse escapar. Suas mãos grandes suavam e ele tinha a impressão de que não era por causa do calor. Conduziu-a até o salão com passos inicialmente incertos, mas que ganhavam mais confiança a cada momento e assim que uma nova música começou, segurou-a em seus braços começando a se movimentar ao ritmo suave da canção.

Hermione achou que as coisas não poderiam ter tomado um rumo tão inesperado e ao mesmo tempo tão... bom. No momento em que se sentia um tantinho egoísta por estar frustrada com a súbita doença de Neville, Ron tinha surgido para salvá-la, montado em seu cavalo branco. Tá, ela estava tendo um surto de exagero, mas era assim que se sentia. E agora ela estava ali, com o coração descompassado pelas batidas da música, ou pelo menos era nisso que ela queria acreditar.


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Tudo bem, ele tinha que admitir que devia ser no mínimo estranho ficar andando de um lado para o outro com aquele urso, afinal ele não era tão fácil de se esconder. Talvez fosse melhor deixar na barraca dos Weasley... Mas e se eles perguntassem alguma coisa? Quem sabe fosse mais prático ir até em casa e deixá-lo guardado em seu quarto até que tivesse uma oportunidade de entregá-lo. Na verdade não tinha pensado naquilo. Como iria fazer para entregar aquele urso? Ia falar o que? ‘Como seu urso virou uma bola, muito ruim por sinal, eu resolvi te dar esse em troca’?

Encontrar o que dizer era mais fácil que aturar os olhares curiosos e as piadinhas sem graça que Dudley e sua turma estavam fazendo desde o momento em que o viram escolhendo o prêmio. Pensou até em trocar o urso pela bola, mas desistiu ao ver os engraçadinhos se afastando para o salão, ou teria sido a sua consciência perguntando se ele ia dar ouvidos ao que os outros achavam?

Andou pelo caminho ao lado da igreja, pensando em quanto tempo levaria para ir até em casa e voltar, quando avistou quem menos esperava, sentada nos degraus em frente às portas de carvalho. Ele deve ter feito algum barulho ou coisa parecida, pois no instante em que se decidia sobre o que fazer, Ginny o olhou. Mesmo na penumbra que as poucas luzes daquela parte da festa proporcionavam, ele notou os olhos cor de âmbar cravados nele, esperando para ver qual seria seu próximo movimento. Quando percebeu já estava de frente para a jovem ruiva, que o cumprimentou.

- Oi

- O-oi, Ginny. – Ela olhou-o divertida antes de perguntar.

- O que é isso?

- Isso? - Harry mirou o boneco de pelúcia em sua mão, que ele havia colocado atrás do corpo numa tentativa inútil de escondê-lo, e depois de alguns instantes nos quais seu cérebro trabalhou furiosamente, estendeu-o para ela. – Bom, isso é pra você.

- Pra mim?

- É.

Ginny pegou o urso esperando que algo mais acontecesse. Olhou intrigada deste para o garoto a sua frente e disse num tom baixo.

- Você é estranho.

- Eu? – Harry se sentou ao lado dela na escada e esperou uma resposta.

- É. – Ela olhou rapidamente para o garoto ao seu lado, mas achou mais seguro focalizar somente o presente em suas mãos. – Quando a gente se conheceu eu achei... Bom, eu achei que fôssemos nos tornar grandes amigos, mas isso só durou até você se acertar com meu irmão. Depois disso você passou a me ignorar... E agora... Agora isso. – Apontou para o urso que segurava.

- Acho que você tem razão... Eu não tinha pensado nisso...

- Mas mesmo assim, obrigada. – Disse com um leve sorriso.

- Por nada.

Ficaram alguns segundos em um incômodo silêncio, até que Harry voltou a falar, visivelmente encabulado.


- Será que... hum... a gente pode voltar a ser... bem... ser amigos? Digo, amigos mesmo, conversar como a gente fez... essas coisas...


- Eu nunca te tratei de forma diferente.

- Eu sei, eu... Me desculpe...

- Vou pensar. – Falou ela com um sorriso maroto nos lábios, ao vê-lo todo atrapalhado, tentando se retratar.

- Ok, certo. – Ele passou as mãos pelos cabelos, totalmente sem-graça ao perceber que ela estava rindo dele. Mas lembrou-se de algo que o deixara curioso e resolveu aproveitar para perguntar. – Ei, você não vinha com o Dean?

- Nem me fale daquele idiota! – Respondeu subitamente furiosa.


---~~~---

- Meninos, vocês poderiam procurar sua irmã, por favor? – A senhora Weasley pediu, quando Bill e Charles se aproximaram novamente da barraca, algum tempo depois.

- Eu vou só comer alguma coisa, mãe. Dançar me deixou faminto. – Charles falou enquanto pegava um pedaço de bolo.

O senhor Weasley chegou perto da esposa e a abraçou antes de perguntar aos filhos.

- Vocês estão se divertindo?

- Muito – Charlie respondeu antes mesmo que Bill abrisse a boca. – Ei, eu não sabia que a Tonks tinha se tornado professora.

- Você está falando da Nymphadora, aquela menina que estudou com você?

- É, ela está diferente.

- Ela voltou para Bourghill no início do último ano letivo e a Minerva colocou-a para dar aulas às crianças menores. – Informou Molly.

- Mas a senhora sabe como ela fez para mudar a cor dos cabelos daquele jeito?

- Ela pintou meu querido. – A mãe riu da ignorância do filho. – As moças em Londres têm esses modismos...

- Ah, certo.

- Bom, eu estou indo procurar a Ginny. – Bill falou depois de engolir seu pedaço de bolo. – Você vem Charlie?

- Vou.

Os dois mais velhos irmãos Weasley começaram a procurar pela caçula entre as barracas, mas logo decidiram se separar para não perderem muito tempo. Bill rumou para o salão onde o baile já caminhava para o final e Charles resolveu verificar nos arredores da igreja.


Charles esperava sinceramente não vê-la por ali, mas quando percebeu cabelos vermelhos se destacando na forte penumbra dos fundos do prédio, meio escondidos por um grande arbusto, sentiu seu sangue ferver. Quem era o infeliz que estava tentando se aproveitar de sua pequena irmãzinha? Ah, mas esse sujeito ia ver só! Com passos ágeis e silenciosos se aproximou do local, forçou os galhos para o lado para ser percebido de forma a não dar chance para o cretino, quem quer que ele fosse escapar e disse:

- Tire suas mãos de cima dela!

Qual não foi sua surpresa ao se deparar não com Ginny, mas com Fred, que no momento estava com o rosto vermelho de susto e raiva e tentava a todo custo, preservar dos olhos de Charlie a identidade de sua acompanhante.

Refazendo-se do susto e também do alívio por não ser exatamente o Weasley que imaginara encontrar, Charles olhou para o irmão e disse com um sorriso enviesado e uma sobrancelha levantada.

- Mamãe vai adorar saber o que você anda aprontando. Ou melhor, vocês. Tenho certeza que George também está por aqui.

- Cai fora, Charlie! – Grunhiu Fred.

- Não mesmo. Podem ir saindo daqui imediatamente – Virou-se para um local mais afastado onde havia outro grande arbusto e continuou. – E você também, George, senão eu serei obrigado a contar à mamãe.

Ele ouviu um murmúrio abafado que aos seus ouvidos soou parecido com ‘Calma, Lis’ e conteve o riso. Já tivera dezessete anos e tinha plena consciência do que os hormônios faziam naquela idade. Também já levara algumas meninas para aquele mesmo lugar e sabia muito bem como aquilo podia acabar. Só tivera o bom senso de não se deixar flagrar, ou fora apenas sorte?

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Bill encontrou o salão já um pouco mais vazio. Procurou por Ginny entre as pessoas que lá estavam e os únicos cabelos vermelhos que avistou foram os de Ron, que no momento estava ao lado da poncheira com uma garota. Sua irmã não estava no salão, mas o garoto que seus pais tinham dito que a convidara estava. E não estava sozinho. O acompanhante de Ginny estava num canto mais afastado, dançando satisfeito com outra garota. Levemente curioso, Bill aproximou-se do irmão mais novo para perguntar se ele sabia de algo.

- Eu não sei direito o que aconteceu. – Ronald respondeu sincero. – Eu só vi quando ela saiu chispando do salão, mas isso já faz um bom tempo.

- E por que você não foi atrás dela?

- Eu ia, mas... – Ron começou a se explicar, mas foi interrompido pelo irmão.

- Mas você não foi!

- Eu não sou babá da Ginevra. – Explodiu com raiva.

- Mas é irmão dela também! – Bill replicou irritado. Respirou fundo e passou a mão pelo rosto. - Deixa pra lá... Se vocês a virem, digam que a mamãe está procurando por ela, ok?

Bill voltou até a porta do salão e ficou observando as pessoas e o local a sua frente, tentando pensar onde sua irmã poderia estar e nem percebeu uma pessoa se aproximar até que esta tocou em seu braço e falou com voz suave.

- Você parrece inquiété.

- Ahm?

- Prreocupado. Posso ajudarr?

- Não sei como. – Respondeu de forma ríspida. Se fosse em outro momento teria ficado extremamente satisfeito pela oportunidade de conversar com a nova professora, mas agora ele estava com a cabeça longe.

- Oui, ce bien. Me desculpe porr incomodarr. – Fleur falou com um toque de mágoa que não passou despercebido por Bill.

- Não, olha... Você é quem tem que me desculpar. Eu fui um grosso. – Pediu impedindo-a de se afastar. – Estou procurando por minha irmã mais nova.

- Hum, cerrto. Querr companhia?

- Com prazer.

- Ela é pequena?

- Vai fazer catorze.

- Igual a minha irmã...

Bill e Fleur iniciaram uma conversa amena enquanto começavam a caminhar a esmo pelo espaço em frente ao salão, onde havia algumas barracas. A francesa aceitou prontamente o braço que ele ofereceu enquanto andavam. A conversa ajudava, e muito, a se conhecerem melhor, mas também contribuiu para que os pensamentos de Bill voassem para longe de sua irmã ou de qualquer outra coisa que não fosse a jovem ao seu lado.

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Ron olhou para Hermione depois que viu seu irmão se afastando e ficou confuso. Ela parecia tão chateada. E o mais estranho é que do modo como retorcia as mãos, ela parecia estar chateada não com ele, como ficava normalmente, mas sim com ela mesma.

- Mione, por que você está com essa cara?

- Ah, Ron. Você estava indo procurar por ela, quando me encontrou, não é?

- Estava...

- Se aconteceu alguma coisa, a culpa vai ser em parte minha.

- Como?! – Exclamou confuso.

- É. Se você não tivesse ficado aqui comigo, bem... Você a teria alcançado, não é?

- É, mas... – Ele viu os olhos castanhos se encherem de lágrimas e se apressou em continuar. – Não se preocupe, a Ginny sabe se cuidar.

- A gente podia ajudar a procurar, o que acha?

- Você não quer mais dançar?

- Como você pode pensar em dançar com sua irmã desaparecida?

- Ela não está desaparecida, Hermione. Minha mãe está procurando por ela. Ela deve estar conversando com alguma amiga e além do mais, essa banda até que é bem legal.

- Francamente, Ronald. Você é mesmo um legume insensível!

Ron olhou aturdido quando Hermione lhe deu as costas, começando a se afastar, com a expressão furiosa – e ele agora tinha certeza que ela estava com raiva dele – que não se passou meio segundo antes dele ir até ela. Segurou em seu braço impedindo-a de continuar e disparou.

- Me desculpe.

- Por?

- Ahm? – Como assim, ‘por’? Tinha que ter um ‘por’? Não bastava só se desculpar, ele ainda tinha que saber o porquê? Deu um sorriso torto e continuou incerto. – Por tudo?

- Ron, você é inacreditável.

- Isso significa que você me desculpa?

- Isso significa que eu não sei mais o que fazer com você!

- Eu tenho uma ou duas idéias... – Ele respondeu sem pensar, ficando com as orelhas vermelhas ao perceber o exato conteúdo de sua fala, que também não passou despercebido de Hermione. Tentando diminuir a tensão que surgiu entre eles falou. – Eu vou... Procurar a Ginny. Você vem?

Hermione assentiu com um balançar de cabeça e o seguiu para fora do salão. Por um momento ela achara que Ron tinha falado o que falara num sentido completamente diferente, mas na verdade não fora. Ou fora? E se tivesse sido, como era suposto que ela reagisse? Pensamentos confusos em que ela se via entrelaçada ao ruivo perpassavam em sua mente adolescente com mais vagar do que seria aconselhável e ela procurou afasta-los antes de ajudá-lo a procurar por Ginny.

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Harry e Ginny estavam conversando sentados na escada da igreja há um bom tempo. Eles não sabiam realmente precisar ao certo quanto, mas tinha sido o suficiente para ela acalmar os nervos abalados pelo “ataque” de Blaise e o estômago de Harry roncar tão alto que até a ruiva foi capaz de escutar.

- Acho que está na hora de irmos até a barraca da mamãe.

- É, talvez seja realmente uma boa idéia... – Ele se levantou e ofereceu uma das mãos para ajudá-la a se levantar. – Vamos lá.

- Certo.

Ela aceitou a oferta e segurou a mão do rapaz para se levantar. Um formigamento estranho fez com que eles se soltassem o mais rápido que puderam, mas isso não impediu que continuassem se olhando ainda por alguns instantes sem proferir uma palavra que fosse. Ginny sentiu-se grata pela semi-escuridão do local esconder seu rubor e Harry, tão logo começou a se afogar no maremoto de pensamentos ilógicos, desviou rapidamente o olhar. Contudo o abalo em sua mente tinha sido tão forte que ele só percebeu que falara quando a última sílaba já havia escapado de sua boca.

- Nossa! Você está muito bonita.

Ginny não esperava ouvir aquilo. Não que não houvesse desejado ouvir um elogio depois de tanto esmero, mas naquele momento ouvi-lo havia a surpreendido. Sem conseguir se conter, aproximou-se de Harry e erguendo-se um pouco na ponta dos pés, beijou-lhe o rosto com doçura.

O toque suave dos lábios da garota em sua pele desencadeou uma onda de calor que preencheu a alma de Harry em pouco tempo. Ele acreditava que sua mente iria explodir em pensamentos, mas na verdade as únicas coisas que ocupavam seu cérebro eram o sorriso e o perfume de Ginny.

- Obrigada.

- Como? – Ele devia ter perdido alguma coisa enquanto estava nas nuvens.

- Obrigada. – A ruiva repetiu, olhando-o nos olhos.

- Por quê?

Ginny quebrou o contato entre os olhos verdes e âmbar e respondeu vacilante.

- Pelo presente... Pelo elogio... Por ser meu amigo.

- Não tem de que. – Respondeu sem saber ao certo o que dizer. – É melhor irmos agora.

Ela concordou e juntos começaram a caminhar. Harry então resolveu partir para um assunto menos perigoso, ao menos para suas emoções.

- Ginny, eu ainda acho que você tem que contar para alguém o que Blaise tentou fazer.

- Nem pensar, Harry. Eu já te expliquei o porquê e você me prometeu que não vai abrir a boca!

- Eu sei e não vou quebrar a minha promessa, mas e se ele tentar de novo?

- Eu não vou dar chance pra ele tentar.

- Tá eu não vou mais discutir isso com você. Mas você não pode me impedir de fazer alguma coisa.

- Não precisa, Harry. A família dele é poderosa e...

- Eu não tenho medo deles, Ginny. – Ele a interrompeu e continuou com um sorriso maroto. - Além do mais, não tem nada que eles possam fazer para me prejudicar.

- Eu não quero que você se meta em confusão por minha causa, Harry.

- Tudo bem, Ginny. Tudo bem...


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Quando Bill chegou novamente à barraca de sua família, algum tempo depois e se dizendo bastante preocupado com o paradeiro de sua irmã, foi recebido com um olhar irônico de Charlie que estava junto ao seu pai do lado de fora da barraca.

- Pai, eu procurei por ela em toda a quermesse e não a encontrei.

- Me diz uma coisa, Bill. Você ficou esse tempo todo procurando por Ginny?

- Er... é. Você a encontrou?

- Eu não, mas encontrei um par de gêmeos que está bastante encrencado. – Charlie falou com um risinho, apontando Fred e George, que estavam sentados ouvindo uma bronca da mãe, com a cabeça.

- E Ginevra?

- Sua irmã está lá na caminhonete conversando com Ronald e uns amigos. – O pai respondeu com tranqüilidade.

- O Ron a encontrou?

- Ron? Não, mas ele também estava procurando por ela. Ginny e Harry chegaram há pouco.

- Ela estava com esse tal Harry?

- Aparentemente sim.

- E ele é de confiança? Não foi ele quem a convidou, não é?

- Não, realmente não foi com ele que sua irmã veio à festa. E acho que ele é de confiança sim. – Diante dos olhares céticos dos filhos, Arthur continuou. – Ele é amigo de Ronald e tem freqüentado nossa casa desde que veio morar com os tios na Páscoa.

- Ele é de Londres?

- É. Pelo que ele contou, o pai é piloto e a mãe enfermeira, ambos da RAF, e ele veio para cá por conta da evacuação proposta pelo governo.

- E quem são os tios dele?

- Os Dursley.

- Mas ao menos ele não parece ser tão intragável quanto os parentes.

- Para vocês verem, meus filhos, essa guerra afeta nossas vidas aonde quer que nós estejamos...

Bill e Charlie trocaram um olhar apreensivo e resolveram mudar de assunto. Teriam muito tempo ainda para conversar com seus pais sobre a guerra. E definitivamente aquele momento não era propício para a conversa como a que teriam que ter em breve com sua família.

---~~~---

No sábado a quermesse começou logo no final da manhã e iria se estender novamente até à noite. E apesar de terem ido dormir bastante tarde, os Weasley se levantaram cedo para conseguirem organizar tudo que iriam precisar para aquele dia. Na noite anterior tinham conseguido vender todos os doces e bolos que Molly produzira e o que ela havia reservado para a venda no sábado parecia, em vista da noite anterior, insuficiente. O jeito era juntar o que havia sido separado para o último dia e se por a fazer mais.

Molly levantara com o nascer do sol e começou logo a misturar as massas e a cozê-las no forno á lenha, junto com Ginny, que não tivera outra alternativa a não ser ajudar a mãe, transformando-os em bolos saborosíssimos.

Fred e George também foram tirados da cama muito antes do que esperavam para colherem as frutas que seriam transformadas em geléias e doces. Apesar das reclamações resmungadas de tempos em tempos, os gêmeos sabiam que a punição pelo flagrante do dia anterior poderia ser bem pior, então se puseram a terminar logo a tarefa imposta por sua mãe.


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Assim que Harry se levantou, um pouco mais tarde que o normal e comeu sua refeição matinal (sua tia tinha lhe avisado que devido à festa na noite anterior o café da manhã seria servido às 08:30 e não às 07:30, como de costume), ele se arrumou e foi até a barraca dos Weasley para ver se eles precisavam de algum tipo de ajuda. Ele definitivamente preferia ajudar a eles a servir de escravo para sua tia, o que inevitavelmente iria ocorrer se passasse mais alguns minutos na casa dos Dursley.

Tão logo chegou até lá, notou a falta de alguns membros da família. Procurou por Ron no meio daquele mar de ruivos e assim que o encontrou, perguntou.

- Onde está Ginny?

- Ficou com a minha mãe e os gêmeos preparando mais coisas para amanhã. – O ruivo olhou intrigado para o amigo que parecia levemente decepcionado.

- Ahm...

- Por quê? – Perguntou finalmente sendo vencido pela curiosidade.

- Por nada, é só que... fiquei curioso, só isso. – Olhou em volta para impedir que o outro visse o quanto ficara embaraçado.

- Certo. – Ron balançou a cabeça tentando afastar algumas idéias que surgiram em sua cabeça e continuou. – Eles virão assim que terminarem.

Harry deu de ombros e sentou ao lado de Ron na caçamba da caminhonete como tinham feito na noite anterior, voltando a observar o vai e vem de pessoas que estavam organizando as suas barracas, mas engoliu em seco ao ouvir a pergunta de seu amigo.

- Harry, você sabe como a Ginny conseguiu aquele urso?

- Ela... ela não contou?

- Ela só disse que era um presente de uma pessoa especial. – Harry sentiu algo se remexer dentro de seu peito antes de falar.

- Sério?! Quer dizer... Não. Eu não faço a menor idéia.

Ron precisou de muito esforço para acreditar realmente nas palavras do amigo. Algo ali não se encaixava, e ele ia tentar descobrir o que era. Harry estava parecendo muito... Não, provavelmente estava apenas imaginando coisas. Mas resolveu aproveitar que estavam sozinhos e perguntar mais uma coisa a respeito da irmã que o intrigara.

- Você acreditou naquela história dela ter discutido com Dean por causa da Parvati?

Harry pensou em contar a Ron toda a verdade, mas havia prometido para Ginny que não iria fazê-lo. Engolindo a raiva que sentia por Blaise com certa dificuldade, apenas respondeu.

- E por que ela iria mentir?

---~~~---

O movimento de pessoas já estava grande quando finalmente a senhora Weasley chegou junto com seus filhos. Harry levantou-se imediatamente do banco onde estava indo de encontro à Ginny.

- Olá! Boa tarde.

- Oi, Harry. - Ela sorriu e algo ronronou dentro do garoto.

- Conseguiram providenciar tudo?

- Conseguimos e tomara que a gente venda tudo realmente, quem sabe assim eu ganhe sapatos novos de aniversário. – Ginny disse rolando os olhos.

- Seu aniversário está chegando?

- Hum hum, mês que vêm.

- Ahm. – Harry a olhava de forma tão intensa imerso em pensamentos que levou um segundo a mais para entender o que ela estava perguntando.

- Cadê o Ronald?

- Foi buscar a Hermione.

- Ué, o Neville ainda não melhorou?

- Não sei, ainda não o vi. – Remexeu nos cabelos, deixando ainda mais bagunçados e perguntou. - Você quer dar uma volta?

- Eu adoraria.

Ginny avisou a mãe que iria dar uma volta pela festa junto com Harry e em seguida os dois desapareceram no meio das pessoas que circulavam entre as diversas barracas, sob os olhares atentos dos irmãos dela. Naquele sábado o número de pessoas era ainda maior por causa das que tinham vindo das cidades vizinhas e que buscavam, assim como os moradores de Bourghill, um pouco de alegria em meio aos dissabores da guerra.


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Ron bateu vigorosamente na porta de Hermione. A ansiedade havia tomado o lugar da razão e ele agora parecia levemente esverdeado devido à tensão. E se ela já tivesse saído? Ele demorara mais do que o previsto para ser liberado pelo pai a deixar a barraca e ela podia ter desistido de esperar por ele como disse que faria. Já estava prestes a bater novamente na porta quando esta foi aberta e a senhora Granger o convidou a entrar e esperar pela garota – que ainda estava terminando de se arrumar – na sala.

Com um sorriso torto de alívio, Ron agradeceu e sentou-se confortavelmente no sofá. Tão logo a mãe de Hermione se retirou do local, novas batidas na porta principal foram ouvidas e para desconforto de Ron, Neville, que já havia se recuperado parcialmente, também foi convidado a entrar e sentar para esperar por Hermione. O outro rapaz encarava-o com um olhar confuso e Ron não podia afirmar com certeza, mas achava que a senhora Granger tinha uma expressão de divertimento no rosto quando avisou-os que iria apressar sua filha.

Os dois rapazes ainda permaneceram em silêncio durante os longos minutos pelos quais ainda esperaram pela garota. Nenhum deles se atreveu a dizer qualquer coisa além do cumprimento inicial, contudo quando Neville parecia prestes a perguntar alguma coisa a Ron, foi interrompido pela chegada de Hermione.

- O que você...

- Boa tarde.

- Tarde, Mione. – Disse Ron se levantando.

- Boa tarde, Hermione.

- Neville, você melhorou. Que bom! – Ela falou sincera, mas com um sorriso torto.

- Eu tomei o remédio que seu pai mandou, então... aqui estou.

- Er... que ótimo!

- É Neville, que ótimo. – O ruivo repetiu, fazendo com que Hermione não pudesse mais ignora-lo.

- Oi, Ron.

Os três ficaram se entreolhando por alguns momentos até que Neville resolveu se manifestar.

- Pronta para irmos, Hermione?

- É Hermione, não esqueceu nada? – Perguntou Ron ironicamente.

- Oh, sim... Céus! – Hermione olhava para as próprias mãos que retorcia ferozmente. – É que... Neville, - a morena olhou diretamente para o amigo com uma expressão mortificada. – Já que você... bem... estava doente ontem... eu... bem...

Ron sentiu como estava sendo difícil para Hermione dizer o que tinha acontecido, e tentando ajuda-la resolveu tomar para si a tarefa de contar a Neville.

- O que a Hermione está tentando dizer, Neville, é que como ontem você não pode fazer companhia a ela, eu tomei o seu lugar. E hoje eu vim até aqui para buscá-la.

- Sim... certo. – Neville falou desapontado e virou-se para Hermione um pouco magoado. – Eu não tive culpa de ficar doente.

- É claro que não! – Hermione se apressou em dizer.

- Nem ela tem culpa de não saber se você estaria melhor hoje, não é? – Concluiu Ron, defendendo a amiga.

- É claro que não! – Respondeu o outro rapaz. – Eu não quis dizer isso.

- Nós sabemos. – Falou Hermione para acalmar os ânimos.

- Tudo bem para mim, Hermione, se você quiser ir à quermesse com ele. – Neville disse olhando diretamente para a garota. – Eu vou entender.

- Pra mim também, Hermione. – Completou Ron, também olhando-a.

Era tudo que Hermione precisava naquele momento: dois pares de olhos cravados nela. Ela tinha que decidir rapidamente e tentar amenizar qualquer estrago que sua decisão pudesse fazer, já que era amiga dos dois. Mas pensar era algo definitivamente complicado quando certos olhos azuis estavam fixos nela, fazendo-a corar.


---~~~~----

Ginny estava rindo do esforço que Harry fazia para acertar o martelo com força na alavanca, para tentar atingir o gongo. Ele até podia ter boa mira, mas força, nisso ele ainda precisava melhorar. Estava tão distraída que se assustou quando Ron passou o braço por seu ombro.

- Desculpe, não queria te assustar.

- Tudo bem.

- Ele já conseguiu? – Perguntou observando o amigo se preparar para uma nova tentativa.

- Ainda não. – Olhou para o irmão que mirava Harry com uma careta e perguntou. – Cadê a Mione?

- A Hermione? – O rosto do rapaz ficou levemente avermelhado. – Ela...

- Estou aqui! – A garota se aproximou com um sorriso. – Fui dar um alô para a diretora McGonagall e a nova professora de francês.

- Ela estava lá? Eu queria conhecê-la. – Ronald disse esperançoso tentando localizar as mulheres na direção de onde a amiga viera.

- Francamente, Ron.

- Desisto! – Harry falou, cansado e frustrado, se aproximando dos demais.

- Você não é de nada, isso sim. – Brincou o ruivo.

- Ah, e você consegue? – O moreno perguntou sarcástico.

- Claro que sim.

- Então prove!

Ron deu um sorriso confiante, daqueles que fazia o coração de Hermione falhar não uma, mas duas batidas, e se aproximou do rapaz responsável pelo brinquedo. Apanhou o martelo e depois de olhar significativamente para Harry (e Hermione tinha quase certeza que quando seus olhares se encontraram no processo ele havia piscado pra ela), se preparou e com apenas um golpe certeiro fez com que o gongo soasse fortemente.

Sob o olhar ainda incrédulo de Harry, Ron se aproximou de Hermione e lhe entregou o prêmio: um lindo par de fivelas para o cabelo. Ginny se limitou a tentar parar de rir diante do olhar feroz que o moreno lhe lançou. Mas foi impossível até mesmo para Hermione, ao ver Ron com o peito estufado de orgulho de sua “proeza” e a expressão indignada de Harry.

- Eu sabia que cortar lenha ainda ia me ajudar em alguma coisa.


---~~~~----

Alguns dias depois, aquela festa ainda servia como fonte de comentários e lembranças. Muitos ainda se deliciavam com as fofocas sobre a nova professora de francês, ou como ela e o filho mais velho dos Weasley pareciam estar se entendendo muito bem durante todo o fim de semana, não passando mais do que poucos momentos sem a companhia um do outro.

Outras pessoas ainda tentavam descobrir qual o teor da conversa que flagraram entre Petúnia Dursley e Molly Weasley, já que era de conhecimento geral que a primeira não gostava de se misturar com pessoas de classes diferentes.

Para Dudley o período logo após a quermesse ficou marcado pela sua curiosidade em saber para quem Harry havia dado o urso que ganhara logo no primeiro dia e por causa disso ficava perturbando o primo com insinuações sobre sua vida amorosa, tentando fazê-lo contar algo, mesmo que sem perceber.

Contudo a festa da igreja se tornou um outro tipo de marco, pois foi a partir dali que o quarteto se tornou realmente inseparável. Harry, Ginny, Ronald e Hermione passaram a ser vistos sempre juntos, qualquer que fosse a ocasião. Antes era possível encontrar os dois rapazes sozinhos jogando futebol ou nadando no lago, mas agora as duas garotas estavam sempre por perto, mesmo que não participassem das mesmas atividades.

É claro que isso acabou iniciando alguns comentários entre os jovens da cidade de que eles estavam namorando. Ron e Hermione, quando questionados sobre o fato, imediatamente tinham a mesma reação: coravam e depois de trocarem um olhar que muitos classificariam como cúmplice, respondiam, ‘Que isso!’

Já Harry e Ginny eram mais enfáticos. Diziam a quem perguntasse se realmente estavam juntos, que eram apenas bons amigos, apesar de serem sempre vistos lado a lado e muitas vezes de mãos dadas ou abraçados.

A quermesse só deixou de ser o fato mais importante das conversas da cidade quando os alemães intensificaram os ataques aéreos sobre Londres e os portos ingleses uma semana depois.



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N/A: Ufa, terminei. Esse capítulo estava pronto na minha cabeça, mas foi difícil de colocar no papel. Quando tinha tempo, não tinha inspiração, e quando ela aparecia cadê o tempo??? Final de bimestre na escola, preparar festa junina, provas... Loucura, fora alguns desencontros pessoais durante o período... Mas o importante é que a tão esperada quermesse está aí e espero que vocês tenham gostado. Dêem um desconto para as frases em francês, pois eu estudei essa língua faz muito tempo, lá pelos idos de 1988, ou seja no século passado... Pior no milênio passado!!! (Depois dessa, Priscila enfia a cabeça no rio e tenta se afogar...) Obrigada a quem lê, mesmo que não comente.

Um beijo especial para minhas betas Pam e Paty (gente chique é outra coisa). Amores, amo vocês.

Ah sim!!! A minha beta-amiga-irmã Pamela, criou uma comunidade para as minhas fics no orkut: www.orkut.com/Community.aspx?cmm=34517336. Sintam-se convidados (ou seriam intimados?) a aparecer por lá. Bjks da Pri.


N/B Paty – Sim, sim a Pri é chique, tem duas betas agora, e nem pensem em pensar (que redundante) que euzinha possa ter ficado com raiva de dividir o posto: NUNCA! Afinal, minha outra irmã é quem vai betar junto e nós três juntas somos páreo duro meus amores huahauahua... as 3P's yes!!!! Tá, parando minha enrolação, o capítulo foi tudo!!! A quermesse foi linda e minha irmã Pri se superou, escreveu um bocado. Mana a parte da Gi e do Harry foi tão fofo (suspira) que lindo um amor crescendo rssssss... agora a parte da Mione decidindo entre Neville e Rony hauahauhauah... foi muito hilária kkkk... o capítulo todo foi maravilhoso, parabéns mana e não esqueça que amo vc!!!

N/B Pam: Ai essa quermesse não podia ser melhor! Foi tudo perfeito! O clima junino que estamos, os casais se aproximando, gente nova chegando...se conhecendo..Foi tão bom! Tava precisando ler algo assim, tão lindo! Adorei a briga da Gina com o Dean, garoto babaca! Largar a Gi para ir dançar com a Parvati! Humpf! Mas foi tão fofo o Harry todo tímido levando o urso para a Gi! E o Ron teve uma sorte hein?! O Nev ficar doente bem no dia do baile! rsrs Amore, adorei esse cap! Perfeito como sempre...aliás, cada vez mais perfeito! Amo-te.Beijos

Pamela Black: Amore obrigada por tudo. Comeu muito doce da Molly??? Eu não podia deixar meu Ron perder essa né? E o Dean é totalmente sem noção. Bjks e te amo.

Paty Black: Mana amada. Esses casais que nos fazem suspirar e rir, hahaha Não foi!! Deu vinte e tantas páginas, uau!!! Bjks te amo.

Sally Owens - Acertou quem era a mulher misteriosa? Adorei o seu vestido de florzinhas, hahaha. A quermesse ficou a contento? Bjks cheias de saudade.

Gabi Weasley - Filha, achei que tinha me abandonado!!! Espero que isso não se repita, mocinha. E também que você tenha gostado. Bjks

Mayana Sodré - Hahaha, tive que rir com seu comentário. É o Ron continua sendo meio... tapado por aqui, principalmente porque eu estou tentando manter a
personalidade dos personagens. Acertou quem era a mulher? Bjks

Bernardo: Be o que achou da quermesse? Está atendendo suas expectativas??? E se você fala que garotos são insensíveis, quem sou eu pra descordar??? Bjks.

Srtáh Míííhh: Obrigada querida, espero que goste sempre. Bjks

Lady Eldar: Pedido feito, pedido atendido (quem sou eu pra dizer não a você srta. Anne). Mas a Mione não ficou com ciúmes, ou ficou... Nunca saberemos, hahaha. Bjks querida.

Alessandra Amorim: Ei, você é do Rio também???? Legal!! Espero que goste e leia sempre, mesmo quando não der para comentar. Bjks

Marcia M: Na mosca!!! E pode deixar que o que é da Fleur já tá guardado, hihihi. Bjks querida e obrigada. Ei, você sabia que minha filha faz aniversário junto com vc??? Feliz Aniversário!!!

Milinha Potter: Obrigada querida e espero que tenha gostado desse também. Bjks

Sonia Sag: E ai? O seu vestido de bolinhas ficou bom? Se divertiu muito???? Eu acho que te vi lá no salão dançando com um ruivo, hhummmm (cara pensativa). É acho que era você mesma!!! hahaha Obrigada querida e bjks.

Liz Negrão: QUerida é claro que eu desculpo, mas só com a condição de você não sumir por muito tempo. Bjks

Lis Strange: Querida!!!! Bom vc já sabia que não era a Tonks, mas e aí? Gostou da quermesse? E da surpresa? Te amo. Bjks

Quelone: Que bom te ver por aqui também!! Espero que goste dessa. Adorava seus comentário na "Depois do Funeral" e vou amar lê-los aqui. Bjks.

Georgea: Que bom, mana que você está gostando e que eu estou conseguindo passar as idéias de um jeito verdadeiro. Você sabe como a gente se sente satisfeita quando consegue. Bjks.

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