Pela segunda vez Gina dirigiu seus passos para o jardim banhado pela luz da lua e acompanhada por um homem alto e atraente e, pela segunda vez, desejou fervorosamente que fosse Harry quem estivesse a seu lado. Caminharam em silêncio, desfrutando do ar fresco da noite e do prazer das mãos entrelaçadas.
- Está apaixonada por ele, não é?
A pergunta de Colin quebrou o silêncio como uma pedra lançada contra um cristal. Gina se deteve e lhe olhou com olhos assombrados.
- Gina. - Colin suspirou e acariciou a bochecha da mulher com um dedo - Posso ler em você como um livro. Está fazendo todo o possível para ocultá-lo, mas está louca por ele.
- Colin, eu... - balbuciou, sentindo-se culpada e muito miserável - Nunca foi minha intenção me apaixonar por ele. Na realidade, nem sequer gosto do jeito dele.
- Meu Deus! - Colin deu uma risada breve e falsa - Eu gostaria que não gostasse de mim desse modo. Mas - acrescentou, lhe elevando o queixo - isso nunca ocorreu.
- Oh, Colin...
- Sempre foi sincera comigo, querida - disse ele - Não tem por que se sentir culpada de nada. Eu pensei que com uma perseguição permanente e discreta podia acabar com sua resistência. Colin deslizou seu braço por cima dos ombros de Gina enquanto continuavam o passeio pelo jardim na penumbra - Tem que saber, Gina, sua aparência engana, parece uma flor delicada e frágil, tão frágil que um homem teme toca-la por medo de que possa se romper, mas na verdade é incrivelmente forte. Nunca cambaleia, querida. Esperei um longo ano para conquista-la, mas você nunca dá um passo em falso.
- Meu temperamento e mudança de humor teriam te elnlouquecido Colin. - Lançando um suspiro, Gina se reclinou contra seu ombro - Eu nunca poderia ser o que você necessita e se tratasse de mudar não adiantaria. Terminaríamos nos odiando um ao outro.
- Sei. Sempre o soube, mas não queria admiti-lo. Quando partiu para a Bretanha, eu sabia que tudo tinha terminado entre nós. Por isso vim vê-la; tinha que vê-la uma vez mais.
As palavras de Colin pareciam tão definitivas que Gina elevou rapidamente a vista e o olhou com surpresa.
- Mas voltaremos a ver-nos, Colin, ainda somos amigos. Eu retornarei logo a Washington.
Colin voltou a deter-se e a olhou enquanto o silêncio crescia entre ambos.
- Tem certeza, Gina?
Uma vez que pronunciou estas palavras, Colin lhe fez dar meia volta e os dois empreenderam a volta ao iluminado castelo.
Na manhã seguinte, os raios de sol esquentavam os ombros nus de Gina enquanto ela se despedia de Colin. Ele já tinha saudado a Condessa e Harry, e Gina o tinha acompanhado da fresca atmosfera do vestíbulo principal até o calor que desprendiam os ladrilhos do pátio. O pequeno Renault cor vermelha lhe esperava com a bagagem já no porta-malas. Colin deu uma olhada antes de voltar-se para ela e lhe agarrar as mãos.
- Que seja feliz, Gina - disse, apertando por um momento as mãos dela e logo as soltando - Pensa em mim alguma vez.
- É obvio que pensarei em você, Colin. Escreverei e o contarei a data de minha volta. Colin lhe sorriu e seus olhos se atrasaram no limpo rosto de Gina, como se quisesse fixar em sua memória cada detalhe.
- Pensarei em ti exatamente como está hoje, com um vestido amarelo, o sol no cabelo e um castelo a suas costas... a beleza eterna de Gina Weasley, a moça dos olhos dourados.
A boca de Colin desceu ao seu rosto e Gina sentiu uma súbita quebra de onda de emoção e a estranha premonição de que nunca mais voltaria a vê-lo. abraçou-se ao Dean, atendo-se a seu pescoço e ao passado. Os lábios dele beijaram seu cabelo antes de separar-se dela.
- Adeus, querida.
Colin sorriu e lhe deu uns tapinhas na bochecha.
- Adeus, Colin. Se cuide.
Devolveu-lhe o sorriso, reprimindo decididamente as lágrimas que lhe queimavam os olhos.
Gina observou-o enquanto se afastava em direção ao carro, subia nele e, com uma saudação com a mão, perdia-se no sinuoso caminho. O carro se converteu em um ponto vermelho à distância e então, paulatinamente, foi perdendo-se de vista. Gina permaneceu imóvel, sentindo que as lágrimas banhavam suas bochechas uma vez liberadas da prisão de seus olhos. Um braço a enlaçou pela cintura e, ao voltar-se, encontrou a sua avó com uma expressão tenra e pormenorizada em seu rosto anguloso.
- Está triste porque ele partiu, ma petite?
O braço da Condessa era confortável e Gina reclinou a cabeça sobre o frágil ombro de sua avó.
- Oui, Grandmère, muito triste.
- Mas não está apaixonada por ele.
Era uma afirmação mais que uma pergunta, e ela lançou um fundo suspiro.
- Era uma pessoa muito especial para mim. – enxugou uma lágrima que permanecia em sua bochecha e soluçou como uma menina - Farei muito de menos. Agora irei a meu quarto e porei-me a chorar como é devido.
- Oui, acredito que é uma sábia decisão. - A Condessa lhe espalmou o ombro - Um bom pranto é o melhor para esclarecer a mente e limpar o coração. - Gina a abraçou estreitamente - Vamos, ma petite, vai a seu aposento e derrama todas suas lágrimas.
Gina subiu velozmente os degraus de pedra e entrou no fresco vestíbulo do castelo. Correu para a escada principal e se chocou contra algo duro. Umas mãos a aprisionaram pelos ombros.
- Deve olhar por onde vai, ma chérie - a voz zombadora de Harry ressonou em seus ouvidos - Se chocará contra as paredes e poderia arruinar seu formoso nariz.
Tratou de escapar mas uma mão poderosa lhe impediu todo movimento enquanto a outra lhe jogava a cabeça para trás pressionando seu queixo. Ao descobrir os olhos avermelhados de Gina, a expressão zombadora do Harry se converteu em surpresa, então em preocupação e, por último, em uma desacostumada impotência. - Gina?
Seu nome era em realidade uma pergunta e tinha empregado o tom de voz mais carinhoso que já tinha ouvido dele. A ternura que se advertia em seus olhos escuros terminou por destruir a delicada compostura que Gina se esforçava por manter.
- Oh, por favor - exclamou com um soluço desesperado - Me deixe!
Debateu-se para liberar-se de seus braços enquanto lutava desesperadamente para não desmoronar de todo e desejando, não obstante, que ele a estreitasse contra seu peito.
- Posso fazer algo por ti?
Harry a reteve colocando uma mão sobre seu braço.
Sim, sou idiota!, - gritou seu cérebro - Me ame! - Não - disse em voz alta, correndo para cima das escadas - Não, não, não!
Subiu os degraus como se fosse uma lebre dourada perseguida pelos caçadores. Quando chegou a seu quarto, abriu a porta com violência, fechou-a e se jogou sobre a enorme cama, sepultando o rosto entre as duas mãos.
As lágrimas tinham produzido seu milagre. Gina, finalmente, sentiu-se capaz de enxugar o rosto e enfrentar o mundo e qualquer surpresa que o futuro lhe proporcionasse. Deu uma olhada no envelope de papel pardo que tinha jogado com negligência sobre a escrivaninha.
- Bem, acredito que já é hora de ver o que o velho Barkley me enviou com o Colin. Gina se levantou da cama e se dirigiu à escrivaninha para abrir o envelope. Voltou a deitar-se na cama, rompeu o lacre e deixou cair o conteúdo do envelope.
Havia só uma folha com o impressionante cabeçalho da assinatura de advogados, que a fez pensar novamente em Colin, e outro envelope selado. Agarrou a folha belamente datilografada, perguntando-se que novo formalismo tinha encontrado o testamento para que ela preenchesse. Quando começou a ler o conteúdo da carta e a inesperada mensagem que incluía, sentou-se de repente na cama.
Estimada senhorita Weasley:
Anexo encontrará você um envelope dirigido a seu nome e que contém uma carta de seu pai. Esta carta foi deixada a meu cuidado para que fosse entregue só se você estabelecesse contato com a família de sua mãe na Bretanha. Através de Colin Creevey, chegou a meu conhecimento que atualmente você reside no castelo Kergallen, em companhia de sua senhora avó, de modo que decidi que Colin lhe entregue esta carta na data mais próxima possível.
Se você me tivesse informado sobre seus planos, eu teria completado antes com a vontade de seu pai. Eu, naturalmente, ignoro o conteúdo desta carta, mas estou persuadido de que a mensagem de seu pai a reconfortará.
M. Barkley
Gina deixou de ler, pôs a carta do advogado de lado e agarrou a mensagem que seu pai lhe tinha deixado em custódia. Olhou o envelope que tinha ficado virado na cama e, lhe dando a volta, seus olhos se nublaram ao reconhecer a caligrafia familiar. Abriu muito rapidamente o mesmo.
A carta estava escrita com a letra clara e pessoal de seu pai:
Minha querida Gina:
Quando leres está carta, sua mãe e eu não estaremos já contigo e rogo para que sua dor não seja muito profunda, porque o amor que nós sentimos por ti permanece vivo e intenso como a vida mesma.
No momento em que escrevo estas linhas tem dez anos e já é a viva imagem de sua mãe, é tão adorável que estou pensando inclusive nos meninos que terei que se separar de seu lado dentro de poucos anos. Esta manhã estive observando-a enquanto estava agradavelmente sentada, uma ocupação incomum em ti, já que estou acostumado a vê-la quando patina ou deslizando à velocidade vertiginosa pelos corrimões das escadas, sem pensar nos riscos.
Estava sentada no jardim com meu caderno de esboços e meus lápis, desenhando muito concentrada as azaléias. A vi nesse instante e compreendi, com orgulho e também com desespero, que estava crescendo e que, não seria sempre minha pequena menina, a salvo na segurança que sua mãe e eu lhe tínhamos dado. Soube então que era necessário que escrevesse alguns fatos que talvez algum dia tivesse necessidade de entender. Darei instruções ao velho Barkley (um sorriso apareceu nos lábios de Ginny ao notar que conhecia o advogado por esse nome fazia já muitos anos) para que conserve está carta para você até o dia em que sua avó, ou algum membro da família de sua mãe, entre em contato com você. Se isso não ocorrer, não haveria necessidade alguma de revelar o segredo que sua mãe e eu mantivemos durante mais de uma década.
Eu me encontrava pintando nas calçadas de Paris, desfrutando do esplendor da primavera, apaixonado pela cidade e sem mais amante que minha arte. Naquela época, eu era muito jovem e, temo, muito impulsivo. Foi então que conheci um homem, Jean-Paul le Goff, que se sentiu vivamente impressionado, segundo suas palavras, por meu jovem e acanhado talento. Encarregou-me que pintasse o retrato de sua noiva para dar de presente no dia de suas bodas e fez todos os acertos para que eu me mudasse para a Bretanha e me alojasse no castelo de Kergallen. Minha vida começou no momento em que entrei no enorme vestíbulo e vi pela primeira vez a sua mãe.
Não era minha intenção seguir os desmandos de meu coração do instante em que a vi, um delicado anjo com o cabelo da cor do fogo. Tratei com todas minhas forças de antepor minha arte a meus sentimentos. Eu estava ali para pintar seu retrato, ela pertencia ao castelo e ao homem que me tinha contratado. Era um anjo, uma aristocrata que pertencia a uma família cuja linhagem se remontava do início dos tempos. Todas estas coisas me repeti centenas de vezes. Arthur Weasley, um artista itinerante, não tinha direito de possuí-la nem em seus sonhos; devia deixar em paz a realidade. Houve momentos, enquanto efetuava os esboços preliminares, em que acreditava que morreria de amor por ela. Dizia-me mesmo que devia partir, mas não encontrei a coragem para fazê-lo. Agora agradeço a Deus não tê-lo feito.
Uma noite, enquanto dava um passeio pelo jardim, encontrei-me com ela. Pensei em me afastar para não incomodá-la, mas ela me escutou e, quando se voltou, descobri em seus olhos aquilo com que não me tinha atrevido a sonhar. Ela me amava. Poderia ter gritado de felicidade mas existiam inumeráveis obstáculos. Ela estava comprometida a casar-se com outro homem e, além disso, a honra de ambas as famílias amparava esse vínculo. Nós não tínhamos direito a nosso amor. Mas alguém precisa ter direito para amar, Gina? Alguns nos condenaram. Rogo que você não o faça. Depois de muitas palavras e muitas mais lágrimas, decidimos desafiar aquilo que alguns poderiam chamar o direito e a honra, e nos casamos. Molly me implorou que mantivesse as bodas em segredo até que encontrasse a melhor maneira de dizer a Jean-Paul e a sua mãe. Eu desejava que o mundo soubesse, mas acatei a seus rogos. Ela tinha renunciado a tanto por mim, que eu não podia lhe negar absolutamente nada.
Durante este tempo de espera, produziu-se um problema ainda mais sério. A Condessa, sua avó, tinha entre suas posses uma Madonna feita por Raphael, que exibia com orgulho no salão principal do castelo. Tratava-se de uma pintura, conforme me explicou a condessa, que tinha estado em sua família durante gerações. Depois de Molly, ela amava esta pintura mais que qualquer outra coisa no mundo. Para ela, parecia simbolizar a continuidade de sua família, um farol brilhante que ainda projetava sua luz depois do inferno da guerra. Eu tinha examinado atentamente essa pintura e suspeitava que se tratava de uma falsificação. Mas não disse nada, pensando a princípio que talvez a condessa tivesse feito pintar uma cópia. Os alemães lhe tinham arrebatado tantas coisas - lar, marido, etc. - que também levaram possivelmente o Raphael original.
Quando anunciou que tinha decidido doar a pintura ao Louvre com objetivo de compartilhar sua grandeza, o medo esteve a ponto de me deixar paralisado. Eu me tinha afeiçoado àquela mulher, por seu orgulho e determinação, sua graça e sua dignidade. Não desejava que a ferissem e compreendi que ela estava convencida de que a pintura era autêntica. Eu sabia que a Molly atormentaria o escândalo se recusassem a pintura por ser uma fraude e a Condessa não se recomporia jamais de semelhante golpe. Não podia permitir que tal coisa ocorresse. Ofereci-me a limpar a pintura a fim de poder estudá-la a fundo e me senti como um traidor.
Levei a Madonna a meu estúdio na torre e, depois, de um detido estudo, não tive nenhuma dúvida de que se tratava de uma excelente cópia. Não obstante, eu não teria sabido o que fazer se não fosse pela carta que encontrei oculta atrás do bastidor. A carta era uma confissão do primeiro marido da condessa, um grito desesperado pela traição que tinha cometido. Confessava ter perdido quase todas suas posses e também as de sua esposa. Estava afogado pelas dívidas e, depois de decidir que os alemães derrotariam aos aliados, deu todos os passos necessários para lhes vender a pintura. Encarregou que pintassem uma cópia e substituiu o original sem o conhecimento de sua esposa, convencido de que o dinheiro que receberia pela venda da Madonna lhe faria imune às conseqüências da guerra, e de que o trato com os alemães manteria sua propriedade a salvo. Quando já era muito tarde, compreendeu a insensatez de sua ação e, ocultando a confissão no bastidor do quadro falso, saiu ao encontro dos homens com quem tinha combinado para lhes devolver o dinheiro. A carta terminava no parágrafo em que falava desta decisão e rogava que perdoassem seu proceder em caso de não ter êxito em sua empresa.
Quando terminei de ler a carta, Molly entrou no estúdio. Eu não tinha tido a precaução de fechar a porta com a chave. Foi impossível ocultar minha reação e a carta que ainda conservava na mão, e portanto me vi obrigado a compartilhar essa carga com a única pessoa a quem eu teria economizado qualquer desgosto. Naquele momento, e naquela torre isolada, descobri que a mulher que eu amava possuía mais força que muitos homens. Ela decidiu que sua mãe jamais devia inteirar-se da existência dessa carta. Disse que era imperativo que a condessa fosse protegida da humilhação e que nunca devia inteirar-se de que essa pintura que ela amava tanto não era mais que uma falsificação. Elaboramos um plano para ocultar a pintura e fazer todo mundo acreditar que tinha sido roubada. Talvez cometemos um engano. Ainda hoje não sei se atuamos corretamente. Mas para sua mãe não havia outra saída. E, em conseqüência, levamos a cabo nosso plano.
Os projetos de Molly de informar a sua mãe sobre nossas bodas foram feitos realidade muito em breve. Molly descobriu, para nossa enorme felicidade, que levava um filho no ventre, você, o fruto de nosso amor e que cresceria até converter-se no tesouro mais prezado de nossas vidas. Quando contou a sua mãe que nos tínhamos casado em segredo e que estava grávida, a Condessa ficou furiosa. Tinha direito de sentir-se assim, Ginny, e a animosidade que sentia por mim ficou plenamente justificada a seus olhos. Tinha-lhe arrebatado a sua filha sem sua autorização e, ao fazê-lo, tinha manchado a honra de sua família. Presa de ira, repudiou Molly, e nos ordenou que abandonássemos o castelo e não voltássemos a pôr nossos pés nele. Eu pensei que, transcorrido certo tempo, ela revogaria sua decisão, já que amava Molly mais que a sua vida. Mas esse mesmo dia descobriu que o Raphael tinha desaparecido. Somando dois mais dois, acusou-me de lhe haver roubado, não só a sua filha mas também seu tesouro familiar. Como podia negá-lo? Um delito não era pior que o outro e a mensagem nos olhos de sua mãe me implorava que mantivesse silêncio. De modo que levei a sua mãe do castelo, afastando-a de seu país, de sua família e de sua herança, e a levei comigo aos Estados Unidos.
Decidimos não falar de sua mãe, porque isso só nos produzia uma grande dor, e construímos nossa vida tendo a você para que fortalecesse ainda mais nosso vínculo. E agora já tem a história e com ela, me perdoe, a responsabilidade. Talvez no momento em que ler esta carta seja possível contar toda a verdade. Se não for assim, deixa que permaneça oculta, do mesmo modo que foi a falsa Madonna de Raphael, separada do mundo e oculta em algo imensamente mais precioso. Faz o que lhe disser o coração.
Seu pai que a ama.
As lágrimas de Gina tinham caído sobre o papel desde a primeira linha e agora, quando acabou de ler a carta, secou o rosto e lançou um profundo suspiro. Abandonou a cama e caminhou para a janela. Olhou longamente o jardim onde seus pais confessaram pela primeira vez seu amor.
-O que devo fazer? - perguntou-se em voz alta, com a carta ainda na mão.
Se tivesse lido esta carta faz um mês, teria ido diretamente falar com a condessa, mas agora não sei o que fazer, repetiu-se em silêncio.
Para deixar limpo o nome de seu pai teria que revelar um segredo que tinha permanecido oculto durante vinte e cinco anos. Obteria algo revelando o conteúdo da carta, ou só faria vãos os sacrifícios de seus pais? Seu pai lhe dizia na carta que devia fazer aquilo que lhe ditasse o coração, mas este estava tão cheio de amor e de angústia depois de ter lido a mensagem de seu pai, que ela era incapaz de escutar o que pudesse lhe dizer, e em sua mente se formaram grandes nuvens de confusão. Gina sentiu o súbito impulso de consultar Harry, mas o desprezou rapidamente. O fato de confiar nele a tornaria ainda mais vulnerável, e a separação que logo ocorreria entre eles seria mais angustiosa.
Devia pensar, decidiu, suspirando várias vezes. Devia afastar a névoa de sua mente e pensar clara e cuidadosamente, e quando achasse uma resposta tinha que se assegurar de que fosse a correta.
Caminhando de um lado a outro de seu quarto, deteve-se de repente e começou a trocar de roupa a toda pressa. Recordou a sensação de liberdade que tinha experimentado enquanto caminhava pelo bosque e era precisamente esta sensação, decidiu enquanto colocava os jeans e uma camisa, de que ela necessitava para tranqüilizar seu coração e esclarecer suas idéias.
Mil perdões pela demora, mas minha vida andou bem complicada, mas uma vez atendendo pedidos essa fic é baseada no Livro Mistérios.
Bom pessoal o próximo capitulo será o ultimo. Bjos |