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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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1. Não Exatamente


Fic: Não Exatamente


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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- Por que há sempre algo sobre você que eu não consigo compreender? E não me diga que não é por que eu não tentei o suficiente.  – Pausou. Tinha as mãos trêmulas e os olhos embaçados. Sua mente a levava a lugares perigosos – Você vai me matar?

- Não exatamente. – A voz dele estava morta.

 

 

 

No primeiro ano ela o observara com curiosidade, longe, distante.

No segundo ano ele a fez chorar.

No terceiro ano ela tirou lágrimas dos olhos dele quando sentiu o nariz dele rachar sob seus dedos.

No quarto ano ela o encarou com súbito interesse quando pensou ter visto algo além da inexpressividade em seu rosto no dia em que acompanhou Viktor Krum ao baile.

No quinto ano ele a segurara firme na sala de Umbridge, suas mãos impiedosas e sua varinha contra seu pescoço, lembrou-se do toque por semanas.

No sexto ano ela pensou que aprendera a velar sua curiosidade e interesse com desprezo e competição.   

Tinha sido sutil no início, por que era muito. A culpa era grande demais, cresceu e cresceu até que não mais existia.

 O encontrara pela primeira vez na primeira noite em que buscou conforto no vento gelado. Ali estava ele, a expressão feroz de desprezo que a machucou mais do que qualquer xingamento. Nunca mostrava para ninguém, sua vulnerabilidade, por isso quando ele a encarou com olhos desinteressados, ela quis chorar. Por que pior do que não mostrar sua fragilidade, era mostrá-la apenas para descobrir que pouco importava, que não havia nada de surpreendente em seu choro, ou em seu uniforme desalinhado, ou na falta de compostura. Ele apenas piscava, sempre a mesma expressão. Mas ele não foi embora, e talvez foi por isso que ela também ficou.

A medida em que foi se tornando menos consciente de si, foi se tornando mais atenta para a figura que dominava seu campo de visão. Surpreendeu-se, foi como se estivesse vendo-o pela primeira vez, os olhos nublados, o uniforme amarrotado. Entendeu, não era sua expressão de desprezo, era sua expressão de derrota. Antes que pudesse perceber, murmurou alguma coisa erraticamente e ele a respondeu com a mesma eloquência de um primeiranista perdido nas masmorras. Conversaram sem olhar nos olhos um do outro, por que essa seria uma lembrança mais do que o tolerável de com quem estavam de fato, estavam conversando.

Antes que pudesse segurar sua língua, murmurou com a garganta apertada que desejava morrer. Não por que não desejava viver, mas por que estava com medo, terrivelmente assustada. Confidenciou que as vezes paredes se fechavam a sua volta e que nada no mundo poderia fazer com que se acalmasse e parasse de tremer. Ele não a olhou com estranheza, mas também parecia pouco se interessar, por isso a surpreendeu quando ele muito calmamente falou:

- Deveria ir ver um medibruxo.

Nem ao menos considerou, repassou em sua cabeça as visitas que sua mãe a forçara a fazer ao psiquiatra trouxa que a olhava com estranheza nos olhos enquanto ela tentava explicar o que acontecera nos últimos anos de uma maneira que parecesse plausível para um trouxa. Ele terminara a consulta dizendo que precisavam investigar mais, insistindo para que ela marcasse um novo horário e sugerindo um caso grave de depressão.

Ela sorriu polida e acenou antes de sair e nunca mais voltar.

Não tinha tempo para depressão. Ou para qualquer outra coisa.

Não considerou confidenciar aquilo para o sonserino a sua frente, apenas se remexeu desconfortável o olhando profundamente.

- Não é como se fosse me matar

Ele a encarou com igual intensidade.

- Não exatamente

Engoliu com dificuldade, não queria pensar sobre o que aquilo poderia significar.

Na mesma madrugada, quando não dormiu e dedicou todos os pensamentos para o menino loiro que a acompanhara em seu pior estado, pensou apenas durante três segundos que fora o máximo de compreensão que conseguira encontrar em alguém de todos os seus anos em Hogwarts.

 

 

Nos dias seguintes notou que seus olhos o buscavam pelos corredores cheios, que propositalmente percorria todos os corredores da biblioteca para procura-lo, mesmo que sua mente já tivesse mapeado completamente o lugar. Tomava as refeições com mais calma, ansiando pelo momento em que poderia casualmente encará-lo sem suspeitas. Mas ele nunca olhou para ela, não havia o menor traço de reconhecimento em suas feições. Sentia que tinha sonhado.

Mas ali estava ele, caminhando diretamente até ela, até a mesa da Grifinória. Provavelmente faria alguma piada sobre ela estar encarando. Seu rosto esquentou, queria enterrar-se, mas ainda assim não ousava desviar o olhar dos olhos que passara a semana inteira buscando, e que aparentemente passaram a semana inteira a ignorando.

- Granger

Puxou o ar. Havia algo diferente, no tom, era algo sobre a falta de emoção, não havia ódio, ou ofensas implícitas, era apenas uma contatação.

Acenou positivamente enquanto Draco Malfoy a informava que seriam uma dupla para as rondas noturnas de monitoria para aquela semana. Harry a olhava questionador, Ronald almoçava, seu coração retumbava em nervosismo não processado.

- Pensei que fazia rondas com a Corvinal – Harry falou

- Eu também pensei – Respondeu simples

Quando desceu as escadas para o ponto inicial das rondas, o encontrou parado rigidamente ao lado de uma coluna. Ele não a cumprimentou, nem ao menos acenou em reconhecimento de sua presença. Apenas começou a caminhar e ela caminhou ao seu lado. Subiram escadas, viraram corredores, abriram salas de aula vazias e analisaram as masmorras com cuidado. Não encontraram ninguém. Não falaram nada.

- Foi estranho? – Perguntou Ronald quando ela entrou no Salão Comunal.

- Estranho? – Questionou confusa.

- Foi estranho fazer rondas com o Malfoy? – Ele questionou e ela ponderou por alguns segundos.

- Nós nem ao menos conversamos – Optou por responder antes de subir para seu quarto.

Pensou sobre a pergunta. Não, não havia sido estranho, seu silêncio fora, de certa forma, reconfortante.

 

 

Na outra semana o mesmo padrão se repetira, por algum motivo Mcgonagall os tinha pareado novamente, e ela não podia se importar menos. Dessa vez quando ela descera para a ronda, ela o observou se balançar sobre seus pés algumas vezes antes de tremulamente dizer:

- Boa noite

Era a primeira vez em que isso acontecia, fora tão rápido e inesperado que não foi capaz de reagir, teve que correr alguns passos para alcançá-lo, pois ele se afastara com a mesma rapidez que pronunciara as palavras. O restante da ronda foi silenciosa.

As noites seguintes se moldaram da mesma forma, até que ela não se importava em cumprimenta-lo primeiro antes de seguirem na rota conhecida de forma vagarosa. Era bom, o silêncio que os envolvia após uma breve saudação curiosa o suficiente para que envolvesse seus pensamentos durante todo o trajeto. As vezes se pegava o encarando, estudando sua postura, se perguntando o que havia acontecido no dia dele. Por que seus ombros estavam tão tensos? Por que ele estava usando suéter no verão? Por que parecia que ele não dormia a noites? Por que ele parecia tão avoado nas aulas? Por que não tinha...

Em um movimento rápido seu braço foi puxado e seu corpo se desviou da gárgula que ornava o final o corredor.

- Granger – Ele chamou e ela puxou seu braço para si assustada com o toque e com a brusquidão – Você deveria apenas perguntar.

- O que? – Não entendeu.

- Consigo ouvir seu cérebro – Ele falou e ela corou – Se eu não tivesse te puxado, você estaria afundada na parede! Geralmente as pessoas olham para frente quando caminham, deveria tentar.

Ela poderia revirar os olhos com a ironia, mas estava mais concentrada no fato de que havia sido pega encarando e agindo de maneira estúpida.

- Parece algo que o iria divertir – Tentou rapidamente, pensando no quão patética iria ter sido se tivesse batido contra a gárgula.

Ele a encarou como se a estudasse, como se testasse a veracidade de suas palavras, o tom de sua fala, o contexto. Estava presa, por sua altura que se elevava sobre ela, por sua aura que estreitava suas paredes de conforto pessoal. Por seus olhos, que liam através dela, através do que apresentava. O ar trêmulo e frágil deixou seu corpo.

- Não exatamente – Ele murmurou e deu as costas.

 

 

Os dias se passaram e ela não se viu mais surpresa quando as listas de escala de monitoria apresentavam seu nome escrito em caligrafia caprichada ao lado do nome dele.

Draco Malfoy e Hermione Granger

A primeira vez que viu a escala no quadro de avisos da monitoria, pronunciou ambos os nomes com estranheza.

Draco Malfoy.

Hermione Granger.

Malfoy.

Granger.

Draco.

Hermione. 

Draco e Hermione.

Hermione e Draco.

Quis rir, depois quis chorar. Ele tinha um nome bonito, do tipo que não poderia pertencer a qualquer pessoa. Achou surreal ver os dois na mesma folha, escritos lado a lado, pela mesma caligrafia, na mesma linha. Em um impulso injustificado, puxou a folha e a enfiou na bolsa. Só percebeu que parecia meio desequilibrada quando sentiu o rosto molhado e dor nas bochechas do sorriso dolorido. Estava cansada. Estava envergonhada.  

 

 

No outro dia, quando desceu para a ronda, mal conseguia ficar em pé, tinha roxos enfeitando seus olhos e nós adornando seus cachos. Sentia-se fraca e não lembrava de ter comido.

Às vezes acontecia, as circunstâncias a empurravam de uma maneira tão forte que ela não conseguia se levantar. Iria morrer. Seus pais iriam morrer. Ronald iria morrer. Harry iria morrer. Assim como Credric. Assim como Sirius. Seriam todos arrastados pela guerra e iriam morrer. Nunca iria se formar com méritos e iria morrer como a bruxa mais inteligente de sua geração que nunca chegara à idade adulta. Iria morrer. Iria morrer. Iria morrer.

- Granger! – Estava sendo sacudida, não conseguia ver, seus olhos estavam embaçados.

Tudo escureceu.

Quando voltou a consciência, a primeira coisa que percebeu foi o cheiro forte da Ala Hospitalar. A segunda coisa que percebeu foi a voz de Harry.

- Você disse que Malfoy a trouxe?

- Foi exatamente o que eu disse, Sr. Potter – A voz gasta de Mcgonagall encheu seus ouvidos – Sr. Malfoy a trouxe na hora da ronda noturna, aparentemente ela se sentiu mal.

- Talvez ele a tenha feito ficar mal – Ouviu a voz de Harry azedar.

- Creio que seja exatamente o oposto Sr. Potter – A professora – Meu velho coração está cheio de esperança com as recentes atitudes do Sr. Malfoy.

- Ele de fato parecia muito tenso quando apareceu com a menina no colo – Madame Pomfrey falou.

Antes que pudesse se controlar, um som saiu de sua garganta seca, uma espécie de tosse e gemido.

- Oh! Ela está acordando! – A voz da enfermeira estava mais perto agora – Saia já Sr. Potter! Você será notificado quando ela puder lhe receber.

Houve movimentação e ela escutou os protestos de Harry enquanto sentia mãos lhe tocando e analisando, tentou novamente abrir os olhos. Não conseguiu.

- Pobrezinha! Terá que dormir mais um pouquinho – Um líquido gelado entrou em seus lábios e se sentiu mais pesada.

- Durante todos esses anos, eu não sabia do histórico de amizade entre o Sr. Malfoy e a Srta. Granger.

- Estou cada vez mais surpresa – A voz da professora se distanciava – Coloquei-os como uma dupla de monitoria a pedido do Sr. Malfoy, mas...

 

 

Não faziam mais rondas juntos. Não havia mais um momento de silêncio compartilhado e compreensão improvável. Não havia uma espécie estranha de relação. Não havia nada. Por que se aparentemente Draco Malfoy havia pedido para serem uma dupla, ele também havia pedido para que Mcgonagall nunca mais os pareasse juntos. Passaram-se duas semanas desde que havia sido liberada da ala hospitalar, a princípio tentara agradecer, mas Draco Malfoy a estava evitando com mais vontade do que a um Hipogrifo. E agora ela estava ali fazendo rondas com um monitor que falava mais do que a boca. Como se não bastasse Harry e Rony em seus ouvidos o dia inteiro. Pedindo soluções e explicações. Ela simplesmente não aguentaria.

No dia seguinte, ela receosamente se aproximou da monitora da Corvinal que estava fazendo suas rondas com Draco Malfoy e inventou um trabalho extra de feitiços que a impediria de fazer suas rondas naquela noite, pedindo encarecidamente para trocar com ela no dia seguinte. A menina concordou sem resistências e ela se preparou avidamente. Quando desceu as escadas, seu coração batia em descompassos nervosos, que cessaram rapidamente quando ela viu o monitor Lufano a encarando com um sorriso receptivo.

- Boa noite Hermione! – Ele a cumprimentou animado

- O que faz aqui? – Sua frustração falou antes que ela pudesse se importar em ser educada.

- Ah – Ele faliu envergonhado coçando a cabeça – Troquei de ronda com o Malfoy, ele falou algo sobre um trabalho extra de feitiços.

- Trabalho extra de feitiços – Murmurou para si rindo miserável.

Fez a ronda em silêncio. Incômodo e vingativo, sentiu-se idiota. Perguntou-se se parecia uma das meninas que viviam atrás dele, com investidas e poções do amor, será que ele achava que ela estava apaixonada?

 Riu. Que absurdo.

 

 

Começou o dia seguinte encarando Draco Malfoy, seu cabelo irritável, sua postura afiada e seus olhos bonitos. Encarou-o no café da manhã, nas aulas compartilhadas, no almoço e nas aulas do período da tarde, parou de olhá-lo apenas quando na janta se levantou irritada derrubando um copo de suco de abóbora no chão. O olhou violentamente antes de marchar para fora do salão e fazer com assertividade todo o caminho até a torre de astronomia. O mesmo lugar da primeira vez.

O vento castigou sua figura solitária por apenas alguns minutos antes que uma voz grave invadisse seus ouvidos.

- Acaso está tentando convencer Hogwarts inteira de que temos um relacionamento platônico? – Ele praticamente gritava, ela não sabia se era por causa do vento ou por causa da raiva.

- Está com medo que descubram? – Gritou de volta.

- Não temos um relacionamento Granger! – Ele vociferou

- Pediu a McGonagall que nos colocasse como dupla nas rondas noturnas – Apontou, tinha a mesma euforia de uma criança com um doce novo ao enunciar a informação.

Assistiu ele empalidecer e ficar um minuto em silêncio.

- Foi uma estupidez – Ele falou mais baixo e ela se aproximou para escutar a voz branda recém adquirida.

- Estupidez foi o maldito trabalho extra de feitiços que inventou – Falou – Eu queria apenas conversar, agradecer.

- Não quero seus agradecimentos – Ele a olhou com censura nos olhos – Já recebi o bastante de Potter, obrigado.

- Harry lhe agradeceu em meu nome? – Ela indagou

- A palavra ameaçar é mais correta.

Suspirou cansada. Nem ao menos tinha pensado naquela possibilidade. Quase quis chorar em alívio. Não se fora, ainda estava ali, o fio estreito. Sentiu-se fraca e o cansaço acumulado apoderou-se dela.

- Você me odeia? – Ela perguntou hesitante

- Não exatamente – Ele a olhou nos olhos pela primeira vez.

 

 

Foram pareados novamente, não sabia de quem era a obra por trás de seus nomes juntos na escala, mas não se importou em descobrir. Desceu as escadas com os pés mais leves que o normal, cumprimentou o Sonserino com um sorriso leve que pareceu capturar sua atenção por alguns segundos antes que ele acenasse com a cabeça. Realizaram o caminho em silêncio, como sempre, surpreendendo-se apenas quando ao final da ronda se viu em frente ao quadro da Mulher Gorda. Draco a encarou por alguns segundos antes de se virar e ir embora.

 

 

Ele a levou para seu Salão Comunal todos os dias naquela semana.

 

 

Uma semana depois o silêncio começou a incomodar. Não por que era desconfortável, mas por que queria falar. Queria falar, desesperadamente falar. Novamente foi puxada para o lado para desviar de uma estátua, mas dessa vez a mão dele envolvia sua cintura antes de se afastar como se nada tivesse acontecido. Congelou.

- Já falei para olhar para frente, Granger – Ele balbuciou continuando a andar, parecendo não perceber ou se importar que ela continuava no mesmo lugar.

- Apenas não posso evitar – Murmurou baixinho.

Ele parou de andar ao perceber o quão longe a voz dela estava, deu meia volta e parou em frente a ela, seu corpo tão rígido quanto o da estátua atrás de si.

- O que disse? – Ele questionou

- Disse que o silêncio me incomoda – Mentiu – Me perco em pensamentos quando não falo e não presto mais atenção ao que está a minha volta.

Ele levantou um a sobrancelha, descrente, irônico.

- Esta é a pior desculpa que já escutei para conversar comigo.

- Pessoas tem que inventar desculpas para falar com você? – Ignorou o calor nas bochechas e ergueu o queixo – Isso é um péssimo sinal Malfoy.

- Pessoas não, Granger – Ele a encarou interessado curvando a cabeça, nunca vira esse olhar no rosto dele antes – Apenas alguns tipos de garotas.

- Que tipo de garotas? – Perguntou inconsequentemente.

- Garotas apaixonadas – Ele sussurrou se aproximando.

Ela recuou um passo tentando impor distância, ele não se mexeu, mas parecia tão próximo que se fechava ao redor dela. Em seu último esforço engoliu com dificuldade e tentou ajeitar a postura.

- Pareço apaixonada para você Malfoy?

Ele a analisou dos pés à cabeça, sem permissão, irreverente, os olhos queimavam e seu corpo enfraqueceu. Mas tão logo os olhos dele alcançaram o rosto dela, tornaram-se frios e tempestuosos. Ele tombou a cabeça para o lado como se considerasse.

- Não exatamente, Granger.

 

 

Para alguém que a acusara de inventar desculpas. Draco Malfoy certamente engolira a sua muito bem. Não ficavam um minuto em silêncio agora, mas não era exatamente conversa. Quando não haviam questões da monitoria para passar ele a fazia perguntas sobre as matérias. Poderia ser cômico, mas era trágico. Nunca em sua vida pensou que se sentiria frustrada com revisões de graça. Mas sentia-se. Continuava cultivando a estranha vontade de escutar ele falar sobre o motivo de não dormir, ou sobre os nós em seus ombros. Mas ao invés disso, ele era muito sistemático em sua fala.

Quais são os doze usos do sangue de dragão? Por que raiz de valeriana é a principal base da poção polissuco? Quais são os ingredientes da poção morto-vivo? Quais são os principais venenos que podem seu combatidos com um bezoar?

Ele apenas a mantinha falando, não havia uma pergunta para qual ela não soubesse a resposta. Todas também eram diretamente relacionadas com as matérias que estavam estudando. Mas era exaustivo. Não aguentava mais.

- Apenas pare! – Passou a mão na cabeça irritada – Posso explodir se me fizer mais uma pergunta, Malfoy! Gostava de fazer rondas antes, mas agora conto os minutos para que acabem!

- Achei que você não gostava do silêncio – Ele franziu o cenho e a encarou com expressão traída.

- Gosto muito menos de incomodar meu cérebro a esta hora da noite com mais informações – Explicou – Ambos já sabemos as respostas a essas perguntas.

- Então o que você sugere? – Ele levantou as sobrancelhas incomodado

Tornou-se subitamente tímida.

- Talvez, apenas – Olhou para ele e buscou sua coragem Grifinória – Como foi seu dia?

- Como foi meu dia? – Ele repetiu e a olhou com estranheza, mas foi breve antes que ele recuasse dois passos – Isso parece uma péssima ideia, Granger.

Ele começou a andar, mas ela puxou-o pela mão.

- Sim, eu sei – Procurou os olhos dele que estavam voltados para baixo – Mas e se não for?

Engoliu nervosa, ele não estava falando nada. Seguiu o olhar dele e encontrou sua própria mão segurando a dele avidamente. Largou-a no mesmo instante, quase sentindo-se tentada a dar as costas e pedir desculpas.

- Parece tão ruim assim? – Murmurou incerta.

Surpreendeu-se quando ele riu. Simplesmente riu. Inclinou a cabeça para trás e riu, seus cabelos voltaram despenteados, os olhos voltaram calorosos.

Seu olhar ficou preso por um segundo. Era aquilo que elas viam? Era aquele sorriso que ele dava para as meninas que levava para a cama? Era por aquela expressão que as meninas que os seguiam pelos corredores estavam apaixonadas? Porque se fosse, ela poderia entender.  Inevitavelmente se viu rindo em resposta, podia sentir o entendimento, a compreensão. Estavam na mesma página.

- Não exatamente – Ele sorriu.

 

 

Três semanas precisaram passar para que pudessem de fato conversar. No dia seguinte ao pedido para que de fato conversassem estava tão tensa sobre o que falar que nada falou. As outras semanas foram como testes. E agora ela quase poderia dizer que sabia como conversar com ele. Porém nunca se sentia confiante o suficiente, nunca sabia como chamá-lo. Cada nova conversa engajada era uma conquista. Cada resposta, imprevisível. Entretinha-a, mais do que as sequências de runas em código do Profeta Diário. Mas ainda assim era superficial, era uma superfície rasa. Longe do pessoal. Definitivamente não o suficiente para acalentar sua curiosidade.

- As aulas de Snape não eram exatamente ruins – Draco falava enquanto andava em ritmo constante – Ele apenas é muito melhor em DCAT do que em poções.

- Ele o mataria se o escutasse falar assim – Ela riu nervosamente, o tipo de humor culpado em que entrava quando falava mal de algum professor.

- Não se preocupe – Ele falou despreocupado – Eu já fiz questão de falar pessoalmente para ele.

- O que? – O encarou horrorizada – Falou para Snape que ele é melhor em DCAT?

Uma risadinha culpada escapou de seus lábios e ela cobriu a boca envergonhada. Ele a encarava como se não pudesse entender o que era tão chocante.

- Não – Ele negou – Na verdade apenas falei para Snape que ele não era um bom professor em poções.

- Oh Merlin! – Ela se sufocou no riso, ele ainda a encarava com estranheza – Como você ainda pode estar vivo?

- Snape é bem diferente do que vocês grifinórios pensam – Ele a encarou sério.

- Sim – Ela passou as mãos nas vestes nervosamente – Às vezes eu esqueço que ele é professor da sua casa.

- Sim – Ele balançou a cabeça – Tem isso também.

Parou quando viu o quadro da Mulher Gorda alcançar sua visão.

- Malfoy – Chamou desconfortável, o nome a lembrava, o nome era amargo em seus lábios e pintava o rosto de Lúcio Malfoy em sua mente – Sobre aquele dia...

- Já disse que não preciso de seus...

- Muito obrigada! – Ela o cortou – Sei que você não quer que eu agradeça, mas eu provavelmente teria um tempo muito difícil se você não tivesse me levado para a Ala Hospitalar.

Ele ficou em silêncio a encarando profundamente.

- Eu também já tive – Ele acenou desconfortável – Eu sei como é ruim.

- Ataques de pânico? – Ela perguntou descrente.

Ele acenou brevemente com a cabeça.

- Por que? – Ela foi dominada pela curiosidade, uma vontade se apossando de seu corpo de se lançar a frente, até estar próxima dele, de força-lo a falar todas as coisas que ela queria saber. Ele pareceu sentir sua loucura, por que deu um passo para trás desconfortável – Me desculpe, não é da minha conta.

- Tem sido um ano difícil – Ele falou tão casualmente que se não fosse pela rigidez de seus ombros ela de fato se perguntaria se estava mesmo sendo um ano difícil.

Inevitavelmente olhou para o braço esquerdo do menino, todas as discussões que teve com Harry e Rony tomando espaço em sua mente. As memórias do andar apressado de Draco Malfoy no beco diagonal e dos saltos elegantes de sua mãe. Sentiu-se tonta, estava apenas imaginando. É claro que estava.

- Vai ficar tudo bem, não vai? – Ela deu um sorriso mal construído se sentindo estranha.

- Não exatamente.

 

 

- Você sabe que tem uma escolha, não sabe? – Às vezes a voz dele a pegava de surpresa, grave, instigante, raramente levantada por vontade própria.

- O que quer dizer? – Perguntou suavemente, estava encostada contra o parapeito da Torre de Astronomia.

- Você não é obrigada a ficar ao lado de Harry Potter em todas as missões suicidas que ele insiste em se meter.

Ficou quieta por alguns instantes.

- Não é sobre heroísmo – Ela sentiu necessidade de justificar – É sobre lealdade.

- Para mim parece ser bastante como estupidez – Ele murmurou, ela riu baixinho.

- Não acho que você poderia entender – Ela olhou para ele com delicadeza.

- Por que eu não tenho amigos?

- Não foi isso que eu quis dizer.

- Sei bem o que quis dizer, Granger – Ele a olhou brevemente antes de voltar-se para a visão a sua frente – Eu também acho que você não poderia entender.

- O que? – Perguntou franzindo o cenho

- Não acho que você poderia entender que lutar contra Voldemort não é uma matéria requisitada para os N.I.E.M.S.

Ela piscou, olhou para a beleza de Hogwarts e virou para o lado do vento, assim poderia culpar a aspereza do ar por seus olhos molhados. Entendia o que ele queria dizer. Era metódica, tinha sua rotina.

Acordar. Tomar banho. Trinta centímetros de pergaminhos para feitiços. Relatórios de monitoria. Manter Harry e Rony vivos. Matar Voldemort. Lavar os cabelos. Dormir.

Não era normal que fosse parte de sua rotina, de sua lista de afazeres, mas era o que fazia sentido. Era o que a impedia de entrar em colapso. Era assim que poderia sorrir e pensar que estava no controle. Era apenas mais algo em sua lista que a ocuparia e traria estresse.

- Granger – A voz dele escovou seus cabelos

Voltou-se para ele, ele estava a menos de um braço de distância.

- Você está chorando – Ele constatou, ela sorriu triste levando a mão ao rosto para afastar as lágrimas.

- Tenho medo do que vai acontecer – Ela murmurou – Tenho medo do futuro.

- Preciso que não tenha – Ele se aproximou

- Por quê? – Questionou franzindo cenho pobremente

- Por que é a bruxa mais brilhante de nossa geração – Os dedos dele tocaram seu rosto e a respiração dela ficou presa – Preciso que não esteja tão obcecada com o futuro, por que só assim você faria algo estúpido.

- Algo estúpido? – Estupidamente questionou sentindo que ele se aproximava.

- Apenas cale-se Hermione– Ele pediu encostando a testa na dela.

O suspiro de surpresa deixou seus lábios segundos antes que ele a calasse com os seus.

Era simples, tinha cheiro e gosto dele. Era tão real que doía. O parapeito machucava suas costas e o vento bagunçava seus cabelos. Mas Draco Malfoy era droga para seus pensamentos. Timidamente esticou as mãos e o tocou. As lágrimas ainda escapavam de seus olhos. Ele se afastou minimamente, respirando sobre ela. Respirando-a.

- Merlin! – Exclamou bêbada – Isso não pode ser estúpido.

- Não exatamente – Ele respondeu antes de juntar seus lábios novamente.

 

 

Um mês se passou e as coisas começaram a ficar diferentes. Conversar com Draco Malfoy era o ponto alto do seu dia. Conversar com Harry era o ponto mais difícil de seu dia. Lidar com Ronald era um novo desafio a cada dia.

- Você deveria pedir para McGonagall mudar sua dupla – Ronald murmurou pela terceira vez na semana.

- Já tivemos essa conversa antes, Rony – Pontuou cansada sem tirar os olhos do pergaminho a sua frente.

Ronald detestava que ela estivesse fazendo rondas com Malfoy. Harry nunca se importara antes, ele fazia comentários de pena, expressando o quanto se sentia mal por ela ter que compartilhar aquelas horas diárias com o Sonserino e Rony geralmente o acompanhava. Mas na última semana ela percebeu Rony os encarando com desconfiança quando se cruzaram na ronda conjunta.

- Não acha que consigo ver? – Ele falou irritado – Ele está entrando em sua cabeça, você está cada vez mais intolerante!

Poderia revirar os olhos, mas a leitura estava interessante e Rony estava atrapalhando.

Não seu grande idiota! Estou cansada de toda essa maldita aura negativa que nos cerca, estou com medo do que vai acontecer no próximo ano. Estou triste e preocupada. Quero proteger você e nosso melhor amigo, mas também quero sair correndo e me esconder.

- Você se surpreenderia em como ele pode ser uma companhia bastante tolerável – Optou por dizer ao invés de expor seus verdadeiros pensamentos.

- Tolerável? – Ronald explodiu – Aquela doninha maldita pode ser um comensal da morte!

- Alguns meses atrás você achava que Harry estava paranoico por acreditar nessa possibilidade – Falou irritada amassando a ponta do pergaminho com seus dedos.

- O sobrenome dele é Malfoy – Ronald argumentou se levantando – Ele deve ser exatamente como o pai dele.

- Draco não é como o pai dele – Levantou-se exasperada. O pergaminho era apenas uma sombra do que fora segundos atrás.

- Não pode estar falando sério Hermione! – Harry se levantou acompanhando a amiga – Desde quando o chama pelo primeiro nome?

Piscou incomodada.

- Não sei

 Era a primeira vez que o chamava daquela maneira.

 

 

Katie Bell foi amaldiçoada uma semana depois.

 

 

Nevava, o castelo estava frio, as pedras pioravam a situação. Mesmo assim se recusara a colocar feitiços de aquecimento ao redor do seu corpo. Era um lembrete, era algo além do que estava em sua mente para se concentrar. Era banal e simples, mas engolia todos os seus pensamentos. Parou, ele não parou junto. Andavam lado a lado haviam algumas horas, quando ele rotineiramente a conduzira para seu Salão Comunal, ela cruzara o quadro da Mulher Gorda sem pensar duas vezes. E agora ela estava parada em frente as portas fechadas do Grande Salão. Não conseguia olhar para cima. Não conseguia olhar para ele. Lambeu os lábios inquieta e se lembrou de todas as vezes que ele a incomodara, dizendo que ela apenas deveria perguntar ao invés de remoer os pensamentos dentro de si e o quanto o irritava escutar o cérebro dela trabalhar. Apenas deixou que a pergunta deslizasse de sua boca quando os sapatos engraxados entraram em seu campo de visão.

- Você é um Comensal da Morte? – Quase não reconheceu a própria voz.

Um minuto inteiro se passou antes que ele respondesse.

- Sim – Não havia hesitações, mas dois minutos se passaram antes que ele continuasse, parecendo mais ansioso – Pensei que já soubesse.

Três minutos se passaram, ainda encarava o chão.

- Não exatamente. – Balançou a cabeça transtornada antes de contornar o corpo do menino e caminhar sem rumo.

 

 

Duas semanas depois, Hermione respirava fundo e repassava mentalmente sua lista de “motivos pelos quis devo ficar longe de Draco Malfoy”. Fazia duas semanas que ela pedira para que McGonagall nunca mais os colocasse juntos para absolutamente nenhuma atividade da monitoria. A professora a encarara interrogativa e exigira um motivo. Duas lágrimas escaparam de Hermione e ela respondeu para a professora que não poderia dar um, e que se seu pedido não fosse atendido ela se retiraria de sua posição.

Ele nem mesmo perguntara o que estava acontecendo para ela, parecia o de sempre, com mais olheiras. Não se falavam desde a noite de sua simples confissão. De seu tom desinteressado e de suas palavras frias.

“Pensei que já soubesse”.

Bem, não. Não sabia que ele era um Comensal da Morte. Ou se sabia, ignorava e não estava disposta a saber.

Ele tinha sido tão cruelmente honesto que a machucara. Por que esse era o tipo de coisa sobre a qual ela esperava que ele mentisse. Ela queria que ele tivesse mentido.

Queria sacudi-lo e perguntar como ele teve a ousadia de ser tão verdadeiro sobre algo tão sério. Se não fosse sobre aquilo, ela provavelmente estaria extasiada pela dose inesperada de honestidade. Mas agora sentia que mais um peso estava ligado ao seu corpo, estava sufocada. Queria vomitar a informação para fora, a única que tinha certeza que guardaria com seu coração e alma. Por que fora Draco Malfoy quem revelara a ela. Em um tom simplista de cumplicidade e confiança que muito se assemelhava a descaso, mas era conforto. Ele estivera confortável em revelar a informação que poderia lhe custar a vida. Era intoxicante.

Por isso agradecia quando tinha qualquer coisa para se concentrar que não fosse seus próprios pensamentos. Como o monólogo apressado sobre Pansy Parkinson que o apaixonado monitor da Lufa-Lufa a presenteava. A garota o tinha xingado e ele tinha se apaixonado. Hermione poderia rir se chorar não fosse mais apropriado, ele estava fazendo com que ela se lembrasse de si mesma.

 

 

- Granger – Era um sussurro, estava imaginando.

Estava na Torre de Astronomia novamente, acostumara-se a desviar dos quadros e buscar consolo no vento frio. Poderia congelar seus pensamentos.

- Granger – Novamente.

Ela podia escutá-lo em sua mente, dia e noite. O suspiro em sua voz, o ar pesado, a posição de sua boca contra seus lábios quando ele murmurava o nome dela em descrença.

- Granger.

Virou para trás assustada. Não havia ninguém.

Ela quase desejou que houvesse.

 

 

Ronald e Lavander terminaram. O ruivo a abraçou dois dias depois e disse que sentia muito por não ter dado a ela a devida atenção até aquele ponto do ano. Ela franzira o cenho confusa, mas aceitara o abraço familiar. Não tinha notado absolutamente nenhuma diferença. Quando se esquivou dos braços do ruivo, Harry os encarava com um sorrisinho engraçado, Ginny sorria e Neville tinha as sobrancelhas curiosas. Ela os observou confusa, talvez o abraçar no pátio não tinha sido uma boa ideia. Olhou ao redor constrangida, Draco Malfoy a encarava, ele parecia ter encontrado uma resposta. Empalideceu e deu um passo vacilante em sua direção Ele deu as costas e saiu.

 

 

Corria pelo castelo, mal conseguia ver. Mal sabia como parar.

- Mione, você não vai acreditar! – Um Ronald dissera cinco minutos antes – Talvez Harry esteja em problemas, mas quem liga? Ele colocou o maldito Malfoy para sangrar até a morte.

Sua visão ficara branca, e depois ela corria.

O que tinha acontecido? E se ele morresse? E se ele ficasse com danos permanentes? Será que seu rosto tinha sido machucado? E se descobrissem que ele era um comensal da morte? E se...

Parou.

As pernas congeladas no chão como se ela nunca tivesse corrido.

Ele era um comensal da morte.

Harry não havia machucado nada mais do que um comensal da morte, correto?

Deu meia volta em direção ao Salão Comunal em passos vagarosos.

 

 

Era talvez a quarta noite que não conseguia dormir se não o checasse, coincidentemente era a quarta noite desde o acontecimento, tinha novamente caminhado até a Ala Hospitalar, embrulhada em um cobertor comprido que se arrastara por todo o caminho. A ponta do nariz estava gelada e as bochechas ardiam de frio. Sentia-se febril, tonta, ansiosa, nervosa.

Algo errado tinha acontecido. Algo que não pudera prever. Algo fora da curva. Harry e aquele maldito livro. Ele tinha colocado Draco Malfoy na Ala Hospitalar por uma semana. Um feitiço desconhecido, como poderia ser tão irresponsável?

Sectumsempra

Ela o fizera confessar, pressionara Harry tão forte que até Ginny se assustara tentando bloquear o corpo dela para que ela não o alcançasse.

Caminhou até a maca que abrigava o corpo adormecido de Draco na ponta dos pés, como fizera nas outras noites. Ela sempre tentava dormir antes, tremia na cama até que cedesse a suas vontades e o observasse, precisava ter a confirmação de que ele respirava, de que estava bem.

Receosa passou pelo biombo que dava privacidade a cada paciente. Prendeu a respiração, tensa.

Ele dormia.

Suspirou aliviada fechando os olhos. Ele estava ali, e dormia pacificamente.

Abriu os olhos novamente apenas para encontra-lo encarando o fundo de sua alma.

Perdeu a respiração.

- E-eu... – Começou, falhou.

Ele a olhava em silêncio. Piscava a olhando inexpressivo.

- Pensei que estivesse dormindo – Mal reconheceu a própria voz.

- Eu dificilmente durmo, Granger – A voz dele parecia arranhar sua garganta – Me deram poções para dormir, este é o primeiro dia sem.

Por que ele continuava fazendo aquilo? Por que continuava sendo honesto e lhe revelando aspectos que ela desesperadamente queria saber, mas não deveria? Se irritou.

- Por que está me falando isso? – Perguntou incomodada

Ele a olhou cético.

- Você não gosta do silêncio.

- Acha que quero saber sobre você? – Cuspiu irritada.

- Acho, ou não estaria aqui – Ele foi direto – Também acho que você deseja não querer.

Balançou o corpo alternando o peso de perna, sentindo-se exposta, mesmo com o corpo inteiro embrulhado em um cobertor. O observou com mais cuidado, ele parecia abatido, se aproximou timidamente do leito.

- Eu sinto muito – Pedia desculpas por Harry, pedia desculpas por ele, pedia desculpas por si

Ele balançou a cabeça em aceitação.

- Você está bem? – Vencida esticou as mãos e passou pelo cabelo claro, ele fechou os olhos com o toque.

- Não exatamente – Ele murmurou, ela continuou com as mãos nos cabelos dele e ele continuou com os olhos fechados. Só foi embora quando a respiração dele ficou uniforme.

 

 

Ficara tanto tempo fugindo e bloqueando a culpa que agora não se importava mais.

Tentava se importar. De fato, tentava, simplesmente não conseguia.

Não quando Draco passeava as mãos por seus cabelos e seu pescoço, e depois descia os lábios para onde anteriormente estavam seus dedos.

- Draco – Ela murmurava perdida e ele estremecia. Estremecia ao escutar se nome tão puramente sendo pronunciado, as sílabas limpas deixando os lábios dela como se fosse seu feitiço preferido. Não havia nada mais bonito.

Não soube quando começou a usar o primeiro nome dele, talvez tenha sido um acidente no início, mas ele parecera tão extasiado, tão desacreditado que ela não poderia mais chama-lo pelo sobrenome. Chamá-lo de Malfoy quando ele tinha um nome tão bonito era quase uma ofensa.

 

 

- Granger. – Sorriu com o tom falsamente desinteressado.

- Você poderia me chamar pelo meu nome – Ela sugeriu se virando para recebe-lo, estava na biblioteca, tinha os cabelos presos para não atrapalharem sua leitura.

- Você gostaria disso? – Ele questionou se aproximando e ela se desconcertou um pouco ao se chocar com o corpo dele envolvido no uniforme verde prateado do quadribol.

- Sim – Murmurou corando ao analisa-lo com mais atenção.

Lindo. Uma maldita afronta ao seu visual bagunçado.

- O que estaria disposta a dar para que eu a chamasse pelo primeiro nome? – Ele sorriu e deu mais um passo à frente.

Ela automaticamente envolveu os braços ao redor da cintura dele se surpreendendo com a maciez de seu uniforme e apreciando a rigidez de seu corpo. Levantou o queixo para estuda-lo com cuidado, ele parecia fazer o mesmo com ela. Os olhos sempre frios para todos, mas que se aqueciam singelamente quando pousavam sobre ela. Sorriu envergonhada e ele arqueou uma sobrancelha curiosa.

- Em que tipo de coisas você está pensando para corar desse jeito, Hermione?

Parou de respirar, presa nos olhos sugestivos e no sorriso pendurado no rosto dele. Muito devagar ele puxou a cabeça dela para o lado e abaixou até suavemente cumprimentar a pele do pescoço dela com os lábios. Seu corpo amoleceu e ela sentiu o sorriso em seus lábios antes que pudesse registrar a ação. Apertou os braços envolta dele com mais força.

- Não faça isso comigo – Murmurou perdida

- Fazer o que, Hermione?

Tornou a olhá-lo sob a expressão corada e satisfeita, e novamente se surpreendeu ao encontra-lo sorrindo, a aparição rara e bonita dos dentes brancos perfeitamente alinhados que teriam feito seus pais dentistas acenarem em aprovação. Novamente o rubor subiu para suas bochechas, estava encarando.

Ele riu baixinho, abaixou até ela e beijou sua testa exposta.

Puxou o ar.

Ele sabia como surpreendê-la, como deixa-la sem ar. Nunca previsível, nunca nada menos do que intenso.

Quando ele sorria, ela poderia duvidar que estavam em uma guerra, que pertenciam a lados distintos, que não deixaram de ser inimigos.

O aperto de suas mãos afrouxou. O ar ficou tenso. Não olhou para ele, subitamente consciente da estranheza. E como sempre, estavam na mesma página.

- Às vezes eu acredito que exista uma espécie de estranha inclinação, em nós. – Se pronunciou baixinho.

O toque dele em sua cintura continuava firme.

- Que tipo de inclinação? – Ele perguntou buscando seus olhos.

Passou a mão por cima do antebraço esquerdo dele. A mandíbula de Draco ficou tensa e seus olhos se tornaram gelados. Ali estava o elo frágil.

Engoliu desconfortável. Não tinham aquela discussão, não podiam ter aquela discussão, uma vez que o fizessem, tudo estaria acabado.

Lembrou-se das últimas noites, de como custava ignorar o que escutava sobre ele. De como Harry parecia cada vez mais resoluto em suas opiniões. E de como ela ficava estranhamente silenciosa durante essas conversas. Era o que custava esconder a verdade. Tentava não se lembrar de que algo grande estava para acontecer. Desistira de tentar entender por que Draco desaparecia na sala precisa durante horas.

“Você não vai querer saber”

Ele respondera quando ela questionara. Sim, ele estava certo, ela não queria saber a resposta. Estava quase grata por ele não ter falado nada. Colocava um véu em frente a parte de sua mente que dizia que iria se arrepender disso depois.

- Inclinação a autodestruição – Murmurou gelada, seus braços caindo ao lado do corpo – Às vezes me pergunto se deveríamos parar. Acha que poderíamos apenas esquecer?

Ele tombou a cabeça para o lado, era o gesto que fazia quando avaliava alguma possibilidade. Franziu o cenho, sentindo a falta de senso em suas palavras tarde demais.

Como poderia abrir mão da única coisa que a fazia sentir como se estivesse vida? Que fazia seu coração pulsar e que esquentava sua pele.

- Não exatamente, Hermione. – Ele murmurou o nome dela, como uma oração, como um feitiço proibido. E antes que pudesse entender, ela se inclinava para ele.

 

 

Não havia exatamente uma regra ou um padrão, mas quando parava para pensar, ela tinha os braços envolta de Draco e ele as mãos passeando por seu corpo, ou por baixo de tecido fino de sua camiseta. Ficava tonta, subia ao céu e descia. Havia calma em suas ações, era familiar agora. O contorno de seus ombros, a maciez de seus cabelos, a palidez de sua pele e o quão rapidamente vermelha ficava sobre seus lábios.

Conversavam quase tanto quanto se beijavam. Gostava de escutar a voz dele vibrar por suas costelas ou sobre seus ouvidos quando ele a abraçava e sua bochecha era pressionada contra o peito dele. Era demais. Era lindo. Poderia chorar.

 

 

- Hermione – Ele a chamara em um tom peculiarmente estranho naquela noite.

- Sim? – Se virou buscando os olhos dele.

Estavam em uma sala de aula vazia, as rondas haviam acabado a pelo menos uma hora. Ela tinha a camisa aberta e a saia do uniforme levantada, seu corpo ainda estava mole contra o chão, a capa de Draco abrigava os dois corpos do frio do chão, e o braço dele poupava sua cabeça de sentir a pedra dura.

- Você acha que sou uma pessoa ruim? – Ele não a olhava.

Ficou em silêncio, não poderia responder.

- Você se acha uma pessoa ruim? – Devolveu a pergunta.

- Depende do ponto de vista – Ele falou baixinho.

“Depende do seu lado da guerra”, foi o que ela escutou.

- Se depende do ponto de vista então é relativo – Ela coçou a garganta e olhou para cima – Você nunca terá uma resposta fechada para essa pergunta.

- Não me importo com o que pensam de mim – A voz dele vibrou – Mas eu gostaria de entender sua perspectiva.

Se ela não o conhecesse melhor, diria que ele estava tímido.

- Quer saber o que eu penso de você? – Ela perguntou surpresa, seu interior se aquecendo rapidamente.

Ele acenou positivamente. Ela sorriu.

Parou de sorrir quando percebeu que teria que falar.

- Quero que seja honesta Granger.

- Draco, e-eu – Lambeu os lábios nervosa – Eu não sei o que penso, na verdade tento não pensar sobre isso com frequência.

- Tenta não pensar sobre mim? – Ele se virou para olhar para ela – Bom, então eu diria que você está fazendo isso de uma maneira estúpida. Eu não diria que a melhor maneira de me evitar é me beijando contra cada parede dessa escola.

- O quê? – Corou de vergonha e raiva – Não foi isso que eu quis dizer. E não diga que não é assim para você também.

- O que é assim para mim?

- Temos essa questão entre nós – Ela apontou para o espaço entre eles desconfortável – O que eu sou e o que você é.

- Apenas diga Hermione – Ele sentou irritado – Por que você continua sendo tão malditamente infantil sobre isso?

- Infantil? – Inqueriu o imitando e se sentando – Acaso não consegue ver o óbvio?

- E você não pode verbalizar esse óbvio do qual fala tanto?

- Você é um comensal da morte! – Falou mais alto sentindo as lágrimas acumularem – E eu sou uma maldita sangue-ruim.

Ele arregalou os olhos parecendo assustado.

- Por que você está se referindo a si mesma dessa maneira?

Puxou o ar descrente.

- Você me chamou assim durante anos – Falou frustrada – E não me diga que isso não o frustra, que eu não sou sangue-puro.

- Acha que é isso que penso quando estamos juntos? – Ele a olhou questionador antes de se afastar incomodado – É sobre isso que fica pensando quando estamos juntos? Sobre eu ser um comensal da morte?

Ela ficou em silêncio envergonhada.

- Não é como se eu pudesse esquecer – Falou baixinho

Draco ficou muito quieto, ela ergueu os olhos e o encontrou a analisando com o cenho franzido. Ele estava sem camisa, ela mesma provavelmente tinha arrancado o tecido do corpo alheio em algum momento.

- Eu sinto muito por você – Ele falou venenoso – Deve seu uma absoluta porcaria.

- Não me diga que não se importa – Ela negou descrente.

- Mas eu não me importo – Hermione riu.

- Draco Malfoy não se importa? – Ela tornou a rir – Gostaria de saber o que seu pai tem a dizer sobre isso.

Draco ficou tenso. E a encarou sério durante alguns segundos.

- Meu pai – Ele riu – O que sabe sobre ele, Granger?

- Que assim como você, ele é um comensal da morte – Ela coçou a garganta – Ou talvez devo dizer que assim como ele, você é um comensal da morte.

- Eu entendo – Ele sorriu miserável.

Ela se viu presa, talvez tinha sido muito maldosa.

- Draco...

- Não ouse retirar o que disse – Ele começou a vestir a camisa, fechando os botões com lentidão – Eu sei o que vocês pensavam. O que talvez toda essa escola pense. Que eu me escondo atrás do meu pai. Que eu penso exatamente como ele. Estou certo?

- Bom, sim. – Murmurou.

- É claro que vocês pensariam isso. É claro que o maldito Potter iria pensar dessa forma, não é como se ele tivesse pais para entender de qualquer forma – Ele falou alcançando a gravata e passando o tecido pelo pescoço antes de começar a fazer o nó sem nem mesmo olhar – Eu cresci sob um legado, Granger, a família sangue-puro mais tradicional da Grã-Bretanha. Meu pai não era apenas meu modelo enquanto eu crescia, ele era o modelo de muitas pessoas.

- Draco... – Ela novamente tentou interromper, preocupada com o rumo da conversa, mas apenas um olhar gelado da parte dele a calou.

- Então é claro que eu me protegia através dele. Por que é isso que meu pai sempre fez por minha família. Tenho certeza de que você não entenderia, mas não é exatamente pacífico ser herdeiro de um dos maiores cofres do mundo bruxo. – Ele puxou a respiração cansado – Algumas coisas realmente ruins já aconteceram Granger. E eu admito que demorou para que eu crescesse além disso, eu não sou meu pai, não concordo com tudo o que ele pensa ou faz. Mas por que me condenam tanto por amá-lo?

Hermione tinha lágrimas nos olhos.

- Draco...

- E como eu poderia me negar a fazer qualquer coisa para salvar minha família? – Ele continuou falando, o tom de voz crescendo a cada instante – Estamos passando por um período delicado.

- Mas Voldemort... – Ela tentou novamente.

- Voldemort pode se explodir – Ela arregalou os olhos assustada, ele apenas travou a mandíbula e continuou a falar - Eu espero que Potter o mate logo. Até lá eu estarei ao lado de minha família, não me importa o que isso signifique.

- Draco...

- Meu nome é Draco Black Malfoy – Ele se aproximou dela, a voz suavizando quando encontrou seus olhos arregalados – Quando chamar meu nome, quero que tenha consciência de quem está chamando. Porque eu a chamo sabendo que é Hermione Jean Granger.

Algo se emocionou dentro dela. Ele a aceitava, como ela era. Sorriu, as lágrimas escorriam, mas não podia evitar. Sorria em alívio pelo que ele lhe dissera. Chorava por que não poderia fazer o mesmo.

Se lançou contra ele não podendo se segurar, as pernas envolvendo seu corpo, as mãos tentando alcançar cada pedacinho dele. Buscou seus lábios e se afundou contra ele. Era lindo. Era dela. Eram bonitos juntos.

- Hermione – Ele chamou trêmulo quando ela deixou de lhe beijar – Sou uma pessoa ruim?

- Pessoas vão morrer por causa de Voldemort – Ela sorriu amarga – Pessoas vão morrer por causa de comensais como você.

- Pessoas vão morrer dos dois lados, Hermione – Ele suspirou – Não pense que Voldemort tem apenas seguidores leais. Essas pessoas tem família, filhos e filhas pequenos. Essas pessoas também tem medo, Hermione.

- É diferente – Ela murmurou incerta, quase envergonhada.

- É claro que é diferente – Olhou para ele confusa, ele pousou as mãos sobre a bochecha dela, a olhava como se explicasse algo a uma criança – A diferença é que vocês têm uma filosofia bonita para justificar suas ações.

Ar faltou. A verdade escorrendo através de seus pensamentos sem sutileza alguma. A dor da compreensão cavou seus músculos e ela o olhou desesperada.

- Então me diga Hermione – Ele pediu – Eu sou uma pessoa ruim?

- Não – Ela o apertou nos braços – Você não é uma pessoa ruim. E eu creio que isso signifique que eu também não sou uma pessoa boa.

Ele a apertou de volta

- Não Hermione – Ele sussurrava em seu ouvido – Não exatamente.

 

 

Dois dias depois, Hermione percebeu que nunca vira sua marca negra.

 

 

Draco e ela não estavam mais se falando. As provas estavam se aproximando, faltavam duas semanas, e ela não tinha tempo para absolutamente nada. Eles se viam quase todas as noites, mas falar era a última coisa que faziam. A mudança era palpável. Era algo sobre o quão complexa fora a última conversa e sobre como ela achava difícil aceitar. Ela estava quase agradecida por não ter tempo, assim não precisava pensar em nada. Mas o fato de que não tinha conseguido processar a conversa fazia com que suas tentativas de trocar quaisquer palavras com Draco fossem frustradas. Ela não o chamava mais pelo nome. Ela simplesmente não o chamava mais. E ele parecia querer lembrá-la do que aquilo significava. Estavam novamente presos em um ciclo de superficialidade, ironicamente logo após terem a conversa mais complexa que já tiveram. Hermione sentia que poderia comparar o relacionamento deles a um balão trouxa, expansivo e frágil.

- Srta. Granger? – A voz de Slughorn encheu seus ouvidos

- Sim professor? – Ela sorriu envergonhada.

- Eu estava me perguntando se você não poderia nos ajudar com a revisão? Por favor identifique a primeira poção.

Hermione olhou para a bancada da sala, onde diferentes poções borbulhavam. Ela acenou prontamente e caminhou a frente pronta para identificar todas as poções. Tirou a tampa do primeiro caldeirão. Empalideceu.

Cheirava a Draco Malfoy. Ela tossiu desconfortável encarando o brilho perolado.

- Amortentia – Ela murmurou intoxicada, horrorizada. E dando um passo para trás rapidamente.

O professor riu a olhando com um brilho experiente.

- O que você sentiu? – A voz de Ronald soou próximo aos seus ouvidos. Próximo demais.

- Nada demais – Ela desconversou envergonhada.

- Mione – O braço dele envolveu seus ombros, ela enrijeceu – Foi como no início do ano?

Hermione o olhou curiosa, ela se lembrava bem do que havia falado.

- Não – Ela murmurou remexendo os ombros desconfortável, o braço sumiu de seus ombros.

Timidamente ela buscou o olhar de Draco, ele a olhava com a cabeça tombada para o lado, como se a estudasse. Corou, era como se a poção ainda estivesse aberta à sua frente. Ele sorriu discretamente e tornou a prestar atenção no professor. Maldição, fora pega.

 

 

Estava no Salão Comunal. Tinha um livro nas mãos para disfarçar o tremor dos dedos e conversava baixo com Harry e Ronald. Eles falavam sobre Dumbledore, sobre Slughorn, sobre Voldemort. Ela permanecera em silêncio, apenas absorvendo as informações. Draco Malfoy era trazido na conversa ocasionalmente e quando isso acontecia, ela agarrava o livro com mais força, as mãos tremiam com mais intensidade nesses momentos.

 

 

Estava próximo, ela conseguia sentir no ar. Harry visitava a sala de Dumbledore com mais frequência e até mesmo Ronald parara de comer desenfreadamente. As provas tinham passado, o nervosismo não. Nunca fora sobre as provas em primeiro lugar. Draco e ela não se encontravam mais. Ela o seguia com frequência, e ela tinha certeza que ele fingia não perceber. Quando as aulas acabavam, ele entrava na sala precisa e não saía mais. E ela entrava em um estado trêmulo, e não saía mais.

 

 

Horcrux

Harry descobriu depois de várias tentativas falhas, Slughorn o falou. Harry calmamente os sentou perto da lareira e em voz baixa explicou o que estava acontecendo, o que significavam e o que teriam de fazer no outro ano. Hermione acenava com a cabeça, sua mente buscava livros que poderiam ser úteis e ela novamente acrescentou mais um item à sua lista.

Acordar. Tomar banho. Trinta centímetros de pergaminhos para feitiços. Relatórios de monitoria. Manter Harry e Rony vivos. Destruir as Horcruxes. Matar Voldemort. Lavar os cabelos. Dormir.

- De qualquer forma – Harry murmurou – Dumbledore e eu sairemos do colégio amanhã, preciso que vocês fiquem de olho no Malfoy.

- Vão sair do colégio? – Hermione exclamou preocupada – Não me parece um bom momento.

- Sei disso – Harry murmurou tenso – Apenas tomem cuidado e não percam o Malfoy de vista.

Hermione tremeu. A compreensão varrendo seus ossos.

- Não o perderei de vista – Exclamou determinada. Rony a olhou curioso.

 

 

Caminhava pelo corredor com as pernas pesadas. Chegara a hora.

Subiu até o sétimo andar, encarou a tapeçaria e fechou os olhos se concentrando em Draco. 

Draco.

Draco.

Draco Black.

Draco Black Malfoy.

Abriu os olhos, uma porta simples se moldava a sua frente. Hesitou antes de abrir, segurando o trinco gelado entre os dedos.

Era vasto lá dentro, havia de tudo e parecia uma verdadeira bagunça. Era como um depósito mal organizado, pilhas e mais pilhas de diversas coisas. Caminhou devagar, tomando coragem.

Ele apareceu em seu campo de visão. Olhava para um armário tenso, ele comia uma maçã verde e parecia alheio a sua presença, estava sentado rigidamente em uma cama velha.

Coçou a garganta e em segundos a varinha dele estava apontada para ela. Ele franziu o cenho e abaixou a varinha.

- Você não deveria estar aqui – Ele falou desviando o olhar e voltando a comer a maçã.

- Algo me diz que você também não – Ela falou se aproximando devagar.

- Estou fazendo meu dever, Granger. – Ele a observou – O que você está fazendo aqui?

- Vim por você – Ele riu baixinho em resposta e tornou a morder a maçã.

- O que quer? – Ele olhou um relógio que estava no chão– Sorte sua, temos muito tempo.

- Vai acontecer algo grande, não vai? – Ela perguntou incerta

- Sim.

- Eu irei te odiar após isso? – Arriscou.

- Sim.

- Você irá se odiar após isso?

- Dificilmente.

- Você se importa comigo? – Sentiu a garganta arranhar

- Sim.

- Você tem uma marca negra?

Ele a olhou rapidamente antes de desviar o olhar.

- Sim.

- Posso vê-la?

Ele novamente a olhou, mas dessa vez o olhar foi sustentado. Ele acenou positivamente com a cabeça, mas não se moveu. Então ela se moveu por ele.

Caminhou até onde ele estava sem hesitações e ele se levantou para recebê-la. Hermione ergueu os braços e afrouxou a gravada verde e prateada, retirou-a do pescoço dele e passou a trabalhar com os botões de sua camisa, abrindo um por um. Os dedos trêmulos dificultavam seu trabalho, e ele respirava pesadamente em frente a ela. O peito recém revelado subia e descia em descompassos.

Seu olhar nunca deixava o dele.

Quando terminou o último botão, ela deslizou as mãos pelo peito dele até alcançar seus ombros. Conhecia aquela parte do corpo dele, já o enchera de beijos, já se acostumara com a firmeza dos músculos e com a suavidade da pele pálida.

Muito devagar ela deslizou a camisa pelos ombros dele e puxou os braços dele para fora de suas mangas.

O tecido caiu no chão.

Hermione buscou a mão dele com a sua, entrelaçou seus dedos. A respiração de Draco estava curta. Ela ainda mantinha seus olhos presos nos dele. Com cuidado deslizou os dedos na parte inferior do braço dele, onde deveria estar a marca negra, não olhou para baixo. Ele puxou o ar com força.

- Granger – Ele murmurou

- Draco – Ela sussurrou se erguendo nas pontas dos pés e deixando que seus lábios roçassem os dele com muita calma.

- Hermione – Ele respondeu, seu tom de voz era quebrado, entregue, fascinado.

Fechou os olhos, quase não respirava. Tudo o que sentia era Draco. A rigidez do peito dele contra o dela, suas respirações compartilhadas, a textura suave de seus lábios. Era tanto. Era tão pouco.

Estava tão perto...

Draco avançou, finalmente incontrolável, não havia receio em seu olhar, apenas vontade. Ele beijou-a sem cuidado, uma bonita antítese ao momento que compartilhavam segundos antes. Ele segurou-a firmemente, suas mãos deslizando por todo o seu corpo, por toda a sua alma. Ele estava em tudo.

Distraidamente sentiu o tecido de sua camisa repuxar, até abandonar seu corpo, seu sutiã seguiu o mesmo caminho. Ainda vestia a saia, os sapatos e as meias, mas ele a olhava tenso, reverente, os olhos ficando subitamente vermelhos.

- Draco – Tornou a chamar.

- Shh – Ele a silenciou.

Muito lentamente ele envolveu sua cintura e deslizou as mãos grandes por suas costas puxando-a para si.

 Era um movimento que ela nunca vira antes no repertório deles.

Ele estava abraçando-a.

Faltou o ar. Iria quebrar, iria quebrar. Agarrou-se a ele com tudo o que tinha, puxou a pele e pressionou seu rosto com tanta força contra o peito quente que sentiu os ossos doerem.

Queria entrar em seu peito, se esconder nas cavidades escuras de sua alma e acalentar seus demônios. Queria estar com ele, queria ser com ele, queria ele...

Abaixou as mãos até encontrar a fivela do cinto de Draco Malfoy.

O queria tanto que doía. Precisava dele. Puxou o couro de dragão incoerentemente.

- Draco – Engasgou suavemente quando um beijo molhado foi deixado em seu pescoço.

- Hermione – Ele respondeu baixinho falando em sua pele

Os olhos arderam, como ela poderia aguentar? Como poderia quando ele murmurava seu nome tão reverentemente?

Puxou as calças dele para baixo e a cueca se juntou ao processo. Parou, registrou tarde demais que nunca havia feito aquilo antes.

- Tire os sapatos – Falou olhando para o lado, tentando ignorar a parte de sua mente que apontava o rubor alarmante de suas bochechas.

Ele a obedeceu.

Hermione piscou desconfortável, tinha Draco Malfoy nu a sua frente. A pele pálida como se nunca tivesse sido beijada pelo sol, imaculada em todos os lugares, exceto no antebraço esquerdo.

Prendeu a respiração para não recuar.

Estava ali, uma maldição. O que definia seu destino. O que definia o fim. A cobra se movendo suavemente em seu braço. Engoliu com dificuldade e deu um passo a frente. Deveria ser feia, deveria odiá-la, mas formava uma imagem etérea em Draco.

Alcançou a barra de sua saia e empurrou-a para baixo, se livrando juntamente da meia, da calcinha e dos sapatos.

O encarou temerosa. Tremia, nunca esteve tão exposta em sua vida. Nunca havia ficado completamente nua na frente dele.

- Hermione – Ele chamou, havia incompreensão em sua voz.

- Eu sei – Ela respondeu ofegante – Eu sei, Draco.

Respirou com dificuldade, o ar parecia rarefeito. Sentia que poderia morrer, poderia desaparecer.

Ele deu os dois passos que os separavam em direção a ela. Tomou-a pela cintura e beijou seus lábios ansiosos. Ela respirou em alívio, em dor, em desespero. Precisava memoriza-lo.

Passou a mão por seus ombros, por seu pescoço, desceu para o peito dele e apertou seus braços. Precisava memoriza-lo.

Foi guiada e seu corpo atingiu uma superfície macia demais, a cama velha rangeu abaixo dela. Não se importou. Puxou-o para si novamente, beijou seus lábios gravando o gosto de Draco Malfoy.

Ele era dela, ele era ela. Ia explodir, ia chorar.

As lágrimas abandonaram seus olhos.

- Hermione...

- Não – Ela o cortou – Apenas não pare.

A compreensão o atingiu e ele apenas desceu sobre ela novamente.

Suas pernas se enroscavam, seus seios tocavam o peito dele e ela nunca esteve tão próxima de alguém. Tão ligada. Tão vulnerável.

Iria quebrar. Iria quebrar.

- Draco – Chamou incoerentemente. Precisava falar o nome dele.

Ele estava em tudo. Ele era tudo. Beijava seus lábios, seu pescoço, seu seio, sua barriga, suas pernas e entre elas. Expandiu, até tornar-se pequena novamente e chorar.

- Draco – Chamou novamente, sua mente falando-lhe palavras que seus lábios não ousariam.

Ele gentilmente afastou as pernas dela, a olhava com dureza, a tensão que nunca deixava seu corpo, mas para sua surpresa ele fechou os olhos quando entrou dentro dela.

Doeu. Onde nunca havia doído antes, onde nunca antes havia sido tocada. Era rude, sem cuidado e desesperado.

Mas ele estava li, com ela, dentro dela.

- Draco – Hermione chamou novamente.

Ela era dele, ela era ele.

Chorou, lágrimas deixavam seus olhos. Eram um só.

Hermione Granger e Draco Malfoy.

Malfoy e Granger.

Draco e Hermione.

Hermione e Draco.

- Draco, eu... – Ele beijou seu pescoço, pressionou entre suas pernas e sua mente ficou em branco.

- Não diga nada – Ele murmurou.

Se segurou mais rigidamente, estavam na mesma página. Estavam sempre na mesma página.

Ele tinha a mandíbula tensa, investia lentamente contra ela e beijava seu corpo em necessidade.

Iria quebrar. Iria quebrar.

Olhou para os lados, não poderia olhar para ele.

- Olhe para mim – Ele pediu

- Draco...

- Por favor – Ela não pode negar.

O observou cuidado, o maxilar travado, os olhos tempestuosos, o cabelo bagunçado. Ele era dela, ele era ela. Iria quebrar, iria quebrar.

- Draco – Chamou presa.

- Não – Ele negou

- Eu preciso – Quase gritava

- Não, Hermione – Ele parecia com medo.

Apertou as pernas ao redor dele o puxando mais para si.

- Draco – Buscou os olhos dele, os seus já estavam inundados – Maldição, eu amo você.

Quebrou-se, soltou-se languidamente e ele se moveu com mais aspereza. Parecia querer machucá-la. Buscou os olhos dele enquanto ele se movia em busca de seu próprio prazer.

Voltou a passar a mão por seus braços, por seu pescoço e peito, absorvendo a visão de Draco sobre ela e de seus corpos juntos. O corpo dele ficou rígido, Hermione ficou quente e ele se soltou sobre ela.

- Maldição – Ele murmurou contra o pescoço dela

- Draco – Chamou suavemente.

- Não ouse falar – Ele saiu de dentro dela e Hermione retraiu.

Ele rolou para o lado e Hermione estendeu as mãos para tocá-lo.

- Por que disse aquilo? – Ele perguntou irritado

Ficou em silêncio.

Por que eu quis. Por que eu não poderia mais segurar. Por que é o que de mais faz sentido em mim. Por que é a verdade.

­- Por que sim.

Se aproximou dele, deitou contra seu peito e não disfarçou o sorriso quando ele habilmente moveu seu corpo para que ela ficasse sobre ele, até que seu pescoço ficasse na altura de seus lábios.

Ainda estava sensível, sentiu-se fraca quando ele começou a passar a língua e os lábios por seu pescoço.

- Hermione – Ele chamou contra a pele dela. A vibração de sua voz enviou arrepios por sua espinha.

- O que? – Murmurou sonolenta.

- Como pode falar as coisas tão inconsequentemente? – Ele parecia angustiado.

- Acha que menti? – Ela perguntou inquieta

- Não exatamente – Ele sussurrou fraco.

Hermione sorriu tranquila. Acomodou-se contra ele, apertando seu corpo com os braços e pernas.

Eram um só. Ele não iria a lugar algum. Ela também não.

 

 

Estava só, e estava escuro.

Não escutava nada e tinha certeza de que fora enfeitiçada. Tentou se mover, não estava presa, mas quase desejou estar. Estava vestida em suas roupas novamente. As mesmas que não lembrava de ter colocado no corpo.

Maneou o pescoço e ficou em pé, tateando ao redor. Tinha um tecido quente sob seus sapatos que estava abrigando seu corpo minutos antes.

Piscou. Draco Malfoy.

Empurrou as paredes com força, não eram paredes, caiu no corredor ao se descobrir no breu de um armário de vassouras do sexto andar. Buscou a varinha, não encontrou.

Draco Malfoy tomara sua varinha.

Algo explodiu em algum lugar do castelo. Correu.

 

 

Não podia se mover. Nunca mais poderia se mover. Estava apenas vagamente consciente da presença dos outros alunos se agrupando cada vez mais. Rony estava ao seu lado, Ginny tremia ao lado dele. Harry apareceu trêmulo, tropeçava nos próprios pés e ninguém o parou quando ele se jogou ao chão ao lado do corpo.

Dumbledore estava morto.

Varinhas estavam levantadas em respeito, ela nem mesmo tinha a sua consigo.

- Sr. Potter – A voz machucada de Minerva McGonagall soou difusa em seus ouvidos.

- Snape – Escutou Harry chorar – Malfoy.

Caiu no chão. Perdeu a força das pernas e seus joelhos bateram contra a pedra.

- Mione – Ronald a levantou tentando sustenta-la.

Se livrou dos braços dele, deu as costas e saiu sem olhar para trás. Ronald não precisava tocar em seu corpo, ele não deveria tocar em alguém sujo como ela.

 

 

Caminhou pela chuva fraca sem rumo, a casa de Hagrid queimava e ela apenas esperava que ele não estivesse mais ali.

Um loiro inconfundível adentrou a floresta proibida.

Correu furiosamente em direção a ele.

- Malfoy! – Gritava, a chuva aumentava com seus passos. – Malfoy!

Parou. Ele a encarava branco. Parecia querer vomitar.

- Achou que eu ia morrer? – Gritou furiosa avançando contra ele – Achou que eu não acordaria quando me colocou em um maldito armário de vassouras?

- Hermione... – Ele suspirou

- Não diga meu nome – Continuou gritando – Como pôde? Como pôde matar Dumbledore?

- Já tivemos essa conversa – Ele argumentou.

- Ah meu Deus! – Ela gritou novamente, estava encharcada – Como pôde me tocar sabendo que iria usar suas mãos para matar o único homem que nos protegeu durante todos esses anos?

- Eu disse que você me odiaria – Ele gritou de volta.

- Acaso pensou no que estava fazendo? – Buscou a varinha em sua saia, não encontrou – Pensou sobre que tipo de consequência isso vai trazer a você?

- Pouco me importo com isso – Ele desdenhou, mas o horror preso em seu rosto dizia o contrário.

- Pensou em mim então? Pensou em que tipo de consequência isso traria para mim? – Não poderia dizer o que era chuva e o que eram suas lágrimas, ambas caíam violentamente.

- Hermione – Ele se aproximou, ela deu dois passos para trás.

- Não fale meu maldito nome – Berrou.

- Eu sempre soube que você não iria me perdoar – Ele novamente se aproximou, desta vez ela não recuou.

- Perdoar você? – Ela riu – Acha que essa é minha preocupação? Não tenho medo de nunca perdoar você Draco, tenho medo de nunca me perdoar. Nunca me perdoar por protegê-lo, por não falar nada, por estar ao seu lado, por não interferir!

Ele a observou em silêncio, as gotas do cabelo dele caíam sobre ela. As mãos dele agora estavam fechadas nos braços dela.

- Como eu poderia não perdoar você? – Ela suspirou cansada – Eu o amo, Draco.

Baixou a cabeça para o peito dele, seu lugar de segurança, seu lugar preferido durante aquele ano. Ergueu os olhos para os dele.

- Mas eu quero muito – Puxou o ar – Muito não o amar.

Ele a olhava culpado, parecia fraco e abatido. Mas ainda era o homem mais bonito para ela, era dela. Se odiava por isso.

Como poderia olhar nos olhos de Harry sabendo que compartilhou o mais íntimo de sua mente com o homem que matara o mais próximo que sobrara a ele de figura paterna após a morte de Sirius? Como enfrentaria a família Weasley com o corpo maculado pelo filho do comensal da morte responsável por tantos de seus sofrimentos? Como se apresentaria perante seus pais amando o mesmo que poderia ser incumbido de mata-los?

- Draco – Chamou impotente – O que você fez?

Ele piscou para ela, tinha os olhos grandes e molhados, ela também não poderia dizer se fora apenas a chuva, que agora tinha parado. Olhou para as mãos dele, onde sua própria varinha parecia ter encontrado um lugar de conforto.

O buscou sem forças, e ele abaixou sobre ela segurando seu pescoço e beijando seus lábios com uma delicadeza que ela não sabia poder pertencer a Draco Malfoy. Ele parecia ter medo de beijá-la. Como ele poderia? Ela era dele.

Draco olhou para Hermione sem forças. Ela estava entregue, odiando-se com cada fibra. Ainda assim se inclinava para seu toque. Uma lágrima escapou de seus olhos.

Odiava-se. 

Buscou os olhos dela. Sempre tão bonitos, receptivos. Estavam caóticos, perdidos, tristes, arrependidos. Ele poderia reconhecer tudo o que estava ali. A quantidade de emoções visíveis nos olhos de Hermione era quase um insulto aos seus anos de oclumência.

Odiava-se e iria se odiar mais. Passaria a vida se odiando.

Suspirou. Tomara uma decisão.

Hermione Granger assistiu petrificada Draco Malfoy erguer a mão portando sua varinha e apontar para seu rosto.

Ele não vacilou. Recuou alarmada quando a expressão dele enrijeceu.

- Draco – Chamou confusa – O que está fazendo?

- Ajudando – Ele murmurou resoluto.

Hermione suspirou cansada, ignorando seu interior que se rachava em padrões estranhos.

- Por que há sempre algo sobre você que eu não consigo compreender? E não me diga que não é por que eu não tentei o suficiente.  – Pausou exausta. Tinha as mãos trêmulas e os olhos embaçados. Sua mente a levava a lugares perigosos – Você vai me matar?

Perguntou como uma criança que tira uma dúvida simples. Se surpreendera ao perceber que não se importava muito com a resposta.

- Não exatamente – A voz dele estava morta.

O encarou confusa, quase esperando que ele desse as costas e caminhasse para longe. A mão que segurava sua varinha vacilou.

Compreensão a atingiu. Estavam na mesma página. Estavam sempre na mesma página.

- Draco... – Negou com a cabeça dando um passo para frente.

- Obliviate... – A voz dele a atingiu.

Parou, a magia a impedia de se mover. Ele endureceu, fechou os olhos e ela quase não pode ver lágrimas deixando seus olhos.

Quase. 

 

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