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2. Troy Malfoy


Fic: O Céu é o Limite


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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- Potter e Malfoy.



- O quê? - perguntei e senti um caroço se formar na minha garganta. Snider não podia estar falando sério.



Ele nem mesmo era aluno da turma, era o monitor!



- Potter, está surda?



Eu me levantei e caminhei até o professor, pensando rápido. Para convencê-lo, teria que ser muito convincente.



- Professor Snider, será que eu poderia trocar de dupla?



- Algum motivo especial para isso, Potter?



- Sim. Muitos. - inspirei. - A minha família tem uma disputa milenar com a família Malfoy, por motivos históricos. E eu receio que isso possa causar algum tipo de... Desentendimento.



- Motivo negado. - ele me cortou e fiquei boquiaberta.



- Mas...



- Hendrix e Jolie; Borgins e Creeve...



Eu olhei para o Malfoy, que também me olhava com um leve sorriso irônico.



Amy, inspira fundo. Você consegue. É apenas um trabalho de Poções, a matéria que você mais precisa de nota para ganhar a bolsa da faculdade.



Eu sabia que o Malfoy não viria até mim, e como eu não estava afim de estragar tudo, decidi ir até ele. Peguei minha mochila e meu livro e me sentei ao seu lado.



Olhei para o quadro. A primeira tarefa era fazer a Poção do Morto-Vivo.



Vendo que o Malfoy não se movia, eu mesma fui pegar os ingredientes na estante.



Após uma certa espera para conseguir algum espaço na estante (já que Grifinórios e Sonserinos brigavam pelos melhores ingredientes), voltei para a mesa.



Malfoy continuava a olhar para o seu livro, vidrado com sei lá o quê.



Ok. Vamos lá.



Picar raízes de valeriana e colocar no caldeirão. - era o que o livro dizia e foi exatamente o que eu fiz. Olhei para o Malfoy, a estátua, e desisti. Tudo bem. Fazer tudo sozinha provavelmente seria mais fácil.



Cortar a vagem suporífera e adicionar ao caldeirão.



Comecei a cortar a vagem, o que era bem trabalhoso e, enfim, o garoto ao lado se manifestou:



- Está errado.



- O que está errado? - o olhei de forma indagadora.



- O que você está fazendo, Potter.



- Estou fazendo exatamente como diz no livro.



- Está errado. - ele repetiu.



Eu apenas inspirei fundo e voltei a cortar a vagem. Depois, mexi no sentido anti-horário, como indicado no livro e adicionei a raiz de asfodelo em pó.



- Você não vai ajudar? - finalmente perguntei, irritada, quando espirrei com todo aquele pó.



- Eu tentei, mas você é muito teimosa e não quis me ouvir.



- Ah, eu sou teimosa? Só estou fazendo igualzinho ao que o livro diz! E, além do mais, fui eu que fui pegar todos os ingredientes enquanto você ficou aqui, parado, descansando, ou seja, você não pode reclamar de nada.



Ele me olhou por um tempo e deu de ombros, voltando os seus malditos olhos para o livro.



Adicionar a infusão de losna.



Ok. Faltava só um passo.



- Está péssima. - Snider declarou, atrás de mim, me fazendo quase derrubar aquela... Gororoba toda. - Potter, era esperado que você não tivesse talento nenhum, por motivos históricos, mas isso? Vou ter que tirar 10 pontos da Grifinória por sua... Tamanha incompetência.



- Espera, professor. - pedi. - Ainda não está pronta... E se tirar 10 da Grifinória, vai ter que tirar 10 da Sonserina também.



- Isso sou eu que decido, Potter. O seu único direito é ficar calada.



Vendo meus olhos arregalados e a cara vermelha, Snider se deu por satisfeito e saiu.



Mas que droga!



Massageei a têmpora e voltei a olhar o livro, pensando em uma forma de resolver tudo.



- Eu disse que estava errado, mas você insistiu em não escutar ao seu monitor. - Malfoy murmurou e o olhei como se fosse capaz de atirar com os olhos. Eu tinha dito para Albus que talvez ele fosse legal? Pois retiro tudo o que eu disse! Ele é um pé no saco! - Me dá isso aqui, deixa que eu faço. - puxou o caldeirão e os ingredientes para perto dele.



- Ah, agora você quer fazer? Estava só esperando o Snider me massacrar para depois fazer a poção perfeita. Tá bom, Malfoy. Sei muito bem qual é a sua.



Ele pareceu não reagir as minhas palavras. Ficou concentradíssimo no livro e nos ingredientes.



- É importante usar a faca de prata para cortar a vagem suporífera, e se você amassá-la também... - e ele assim o fez. - Está garantindo a absorção total do ingrediente, que é o mais importante para esta poção.



Enquanto explicava, tentei prestar atenção ao que dizia, supondo ser importange, mas eu ainda estava de braços cruzados cheia de raiva.



- Está vendo? - ele apontou para a poção. - Está violeta, exatamente como tem que ficar.



E estava mesmo. Droga.



Enquanto Malfoy terminava de corrigir a mistura, comecei a ficar feliz com a possibilidade de recuperar meus pontos. Cheguei até a melhorar meu humor e a sorrir quando percebi que o cheiro era de madeira, como solicitado no livro.



De repente, Snider apareceu, descendo de sua teia.



- Muito bem, Troy. Está na cor e consistência perfeitas. 10 pontos para a Sonserina.



E aquela seria a hora que eu viraria toda a poção em cima dele!



- Na verdade, Prof. Snider, quem concertou tudo foi a Potter.



Meus olhos se arregalaram para o Malfoy diante das suas inesperadas palavras.



- A Potter? - Snider indagou.



- Sim. - Malfoy continuou. - Eu me distraí e coloquei um ingrediente a mais na poção anterior. Por isso deu errado. Então, a Potter decidiu fazer tudo sozinha para normalizar a poção e, pelo visto, conseguiu.



O que ele estava fazendo?



- E o que você fez para normalizá-la, Potter? - Snider me perguntou e eu engasguei.



- Ela amassou a vagem suporífera com a faca de prata.



- Ah... Sim.



Já estava quase brigando com o Malfoy de novo, quando lembrei que precisava dos pontos daquela tarefa. Pelo menos, recuperar os 10 pontos para a Grifinória.



- Você tem certeza do que diz, Troy? - Snider perguntou.



- Toda certeza. - Malfoy olhou para mim como se eu estivesse verde e senti a minha pele aquecer.



- Então, 10 pontos para a Grifinória e para a Sonserina. - Snider disse. Ou algo próximo disso. Eu não tenho certeza... Estava vidrada demais naquele ser esquisito que...



Seus olhos desviaram e eu percebi que não estava respirando. Malfoy começou a arrumar suas coisas.



- Eu... Ah... - pigarreei, tentando achar minha voz. - Malfoy. Por que você fez isso?



- Acabou a aula. - ele disse e levantou.



- Espera! - exclamei. - Você não vai me responder?



Ele parou, o cabelo loiro caindo em cima dos olhos, e então disse:



- Está na hora de voar, Potter. - e saiu porta afora sem olhar para trás.



Hora de voar?



- Vamos logo, Amy. - Alice falava comigo.



- Oi?



- Pega suas coisas. Nós temos que descer, antes que o Snider nos tranque nas masmorras.



Revirei os olhos, enfiei meu livro de Poções na mochila e saí da sala com a Alice. Os olhos do Malfoy ainda estavam na minha tela mental.



- A Lorie acabou de dizer que não teremos Escrita hoje porque a professora está doente. - ela comentou.



- É mesmo?



- O que vamos fazer?



Pensei um pouco.



- Você, eu não sei. Mas eu vou treinar.



Alice bateu os pés.



- Claro, claro... A atleta Amy Potter. Inseparável da sua vassoura e sempre deixando os amigos na mão.



- Deixa de ser mentirosa!



Ela riu e eu também.



Estava feliz de ter aquele tempo livre. Eu adorava voar.





Terça-feira



O dia estava perfeito, com os raios de sol das onze da manhã aquecendo a minha pele e nenhuma nuvem no céu. Estávamos no final do outono e a temperatura começava a baixar, de modo que eu estava feliz em voar no sol. Estava ofegante e sentindo o rosto quente, e já havia perdido a conta de quantas manobras fizera no ar quando vi Luc se aproximar.



- Oi, Adrenalina! - ele disse, e com minha expressão de surpresa, acrescentou - É o seu segundo nome.



Sorri e rodopiei no ar. Em um instante, girei por trás dele, me afastando e me aproximando pelo lado oposto, fazendo Luc me olhar, surpreso. Nossos narizes estavam quase se colando.



- Giro triplo surpresa. - declarei. - Acabei de inventar.



Seus olhos brilharam e ele se aproximou ainda mais fazendo com que nossos lábios quase se colassem. Com outro rodopio, me afastei rapidamente e Luc quase se desequilibrou. Pude ver um sorriso travesso em seu rosto quando voltou para perto de mim com facilidade.



- Eu poderia ter sido atingido por um balaço agora mesmo. - ele disse. - Não paro de pensar neste sorriso por um minuto.



Senti um arrepio percorrer meu corpo quando ele envolveu os braços em minha cintura e me trouxe para perto. Fiquei me perguntando se deixaria que me beijasse naquele instante ou se não seria mais interessante me afastar de novo. Acabei optando pela terceira opção e puxei as barras de seu sobretudo para mim, colando nossos lábios. Luc demorou um pouco para reagir e me beijar de volta, o que foi bem divertido.



Eu já havia beijado outros garotos, mas era a primeira vez que tomava a iniciativa e isto fez meu peito se aquecer.



Quando terminamos, ele meio que olhou para baixo, parecendo sem graça.



- Uau. - disse.



Percebi que minhas mãos ainda estavam nos seus ombros e o empurrei levemente quando tentou me devolver o beijo.



- Vamos descer? - propus. - Descida rápida, em alta velocidade... E freio há... Sete metros do chão?



Sim. Eu estava fazendo um joguinho e acho que ele percebeu bem a tempo:



- Acho que posso fazer a cinco, se você me encontrar amanhã à noite aqui no jardim depois do jantar. - respondeu galanteadoramente.



A sensação da vitória passou por meu corpo de forma excitante.



- Combinado. - murmurei.



Foi estranho como apenas poucas horas depois, no jantar, todo mundo parecia saber que havíamos nos beijado. Eu recebia olhares diferentes das pessoas que passavam por mim, até mesmo de gente que eu mal conhecia. Fiquei me perguntando se o Luc teria contado para a escola toda e não soube dizer se me senti bem o mal com esta ideia.



- Você o beijou bem na hora do almoço, Amy. - Alice argumentou. - Tipo, exatamente na hora que todo mundo decidiu sair para pegar um sol.



Molhei uma torrada na sopa e fingi não me importar com as meninas do sétimo ano cochichando e me olhando de esguelha.



- Vocês estavam voando! - Victor apareceu e Vincent Harper, seu parceiro de laboratório, também. - Acredite se quiser, mas a Elena Fair, do quinto ano, veio me pedir informações sobre os efeitos de um beijo em alta altitude.



Elena Fair escrevia para o Jornal da Verdade e me arrepiei ao pensar que estava escrevendo sobre mim  - e não sobre o Quadribol, mas sobre um beijo meu.



- Este assunto é realmente pessoal e eu não pretendia que "explorassem" isto em uma matéria de jornal.



- Pois pode ir se acostumando porque no momento em que conseguir a sua tão querida bolsa da Wizz e se tornar parte do time de Quadribol deles, é bem provável que façam matérias sobre o seu dedinho mindinho do pé!



As palavras de Alice vieram acompanhadas com uma enorme coragem e me levantei de supetão. Ouvi Victor murmurar um "oh, não", mas continuei seguindo em direção à mesa da Sonserina, sentindo meu corpo esquentar diante de todos os olhares, mas sinceramente? Pouco importava. Eu não podia deixar que ninguém invadisse a minha privacidade daquela forma.



Ao chegar perto de Elena Fair, suas amigas ficaram de pé e um grande silêncio se fez em volta. Elena finalmente olhou para mim e arregalou os olhos:



- Potter. - disse.



- Fair. - respondi.



- O que te traz aqui? - ela perguntou um tanto forçadamente. Devia ser algo típico dos sonserinos mesmo.



- Espero que seja a primeira e a última vez que falo com você.



Eu sei que eu fui bem grosseira, mas não queria ficar na mão da maior fofoqueira sem escrúpulos da história de Hogwarts.



Um burburinho começou.



- Nossa... Pelo jeito você tem bem mais atitude que o seu pai.



- Não ouse falar de quem não conhece, Fair. E não estou falando do meu pai, mas de todas as pessoas desta escola, muitos deles meus amigos, que você anda difamando por aí no seu jornal.



Mais burburinho. Decidi abaixar um pouco o tom de voz:



- Eu realmente não quero ficar sabendo de nenhuma matéria sobre a minha vida pessoal, ou a de Luc, ou teremos sérios problemas.



- Hum... E você acha mesmo que vou aceitar ser chantageada por uma sextanista?



Seria possível que minha cabeça pudesse esquentar ainda mais? Eu não havia herdado os cabelos flamejantes da família Weasley, mas pelo jeito a capacidade de pegar fogo ficara inteirinha para mim.



- Chantagem? - aumentei o tom de voz. - Você chama isto de chantagem? Pois eu chamo de preservação dos meus direitos, algo que todo bom jornalista deveria fazer valer. Entendo que você não tenha nenhuma intenção de ser uma boa jornalista já que suas matérias não passam de manipulação midiática, são de pouco qualidade e mentirosas, mas eu acredito que você ainda preze pelo dinheiro da sua família e não vá querer gastar tudo para se defender de um processo de difamação. Um processo que já está perdido.



O silêncio era total, mas não era maior que a raiva nos olhos dela.



- Faça jus ao seu nome pelo menos uma vez. - terminei.



Enquanto voltava para a mesa da Grifinória, ouvi palmas e assobios e posso dizer que foi quase tão bom quanto a sensação de pegar o pomo de ouro.





Sexta-feira



Eram seis da manhã quando encontrei Olivia Wood nos jardins, se alongando.



- Bom dia. - cumprimentei e procurei pelo elástico para prender meu cabelo. - Onde está o Gui?



- Correndo do outro lado do rio. - ela disse. - Brigamos.



Gui era namorado de Olivia e artilheiro da Grifinória. Olivia era a capitã do time. Geralmente, corríamos os três juntos todas as manhãs antes das aulas, mas como as brigas entre os dois eram corriqueiras, várias vezes éramos só eu e Olivia.



- Discordâncias sobre as táticas? - perguntei, alongando as pernas.



- Na mosca. Ou, melhor dizendo, nos balaços. O Gui acha que devemos atacar os artilheiros deles.



- Hum... Entendi. Apostar mais no ataque que na defesa.



- Bem, eu disse que não podemos deixar você e os meninos sem proteção, mas sabe como ele é quando se trata de si mesmo.



Gui era do tipo que gostaria de levar um balaço na cara ou lançar um na cara de alguém, desde que impedíssemos o outro time de fazer um único gol.



- Quer saber? - eu disse, me erguendo, pronta para correr. Olivia fez o mesmo. - Eu confio em você, capitã. Vamos ganhar o próximo jogo, sabia?



Olivia ergueu as sobrancelhas.



- Ah é?



- Sim. - sorri, confiante. - Um olheiro vem me ver e não vou deixar o pomo escapar.



Ela gargalhou:



- Você nunca deixa, Amy.



Depois da corrida, subimos para os dormitórios e nos arrumamos para as aulas. Tive Defesa Contra as Artes das Trevas e Feitiços. À tarde, dois tempos de Runas Antigas e enfim fui treinar. Voamos por uma hora e fizemos exatamente do jeito que Olivia escolhera: com batedores impedindo que eu quebrasse ossos. Por fim, ainda consegui estudar Matemática Bruxa antes do jantar.



Encontrei Luc no jardim, perto das macieiras e constatei que ele estava sentado sobre um cobertor estendido sobre a grama. Assim que me viu, acenou e me sentei ao seu lado.



- Oi.



- Oi. - ele fez um carinho em meu rosto.



Tirei um pedaço de torta da minha mochila:



- Trouxe a sobremesa!



Seus olhos se arregalaram:



- Uau.



- Torta de chocolate com creme de avelã.



Peguei os garfos, entreguei um para ele e ansiosamente, provei um pedaço da torta. Estava maravilhosa!



- Você é realmente diferente, sabia? - Luc disse.



- Por quê? - perguntei, comendo mais um pedaço.



- As garotas não costumam comer assim.



- Assim como?



- Hambúrgueres, doces... Este tipo de coisa.



Franzi o cenho:



- As garotas comem muito este tipo de coisa. - afirmei. - Talvez não... Na sua frente.



- Mas você, sim.



- Nossa, se você provar isto aqui, vai entender.



Ele riu, e finalmente decidiu pegar um pedaço da torta. Com a sua expressão de surpresa, abri um sorriso:



- Viu? Eu disse...



Terminamos de comer a torta e ficamos um tempo olhando para o lago. Internamente, fiquei me perguntando se Luc havia se decepcionado comigo por causa da torta.



- Como você consegue? - ele perguntou, de repente.



- O quê?



- Ser tão linda assim.



Deixei um sorriso escapar.



- Deixa de ser bobo.



- É sério, Amy Potter. - ele segurou minhas mãos. - Com esses olhos verdes e com esse nariz perfeito, você poderia até ser uma modelo se quisesse.



Franzi o cenho. Ser modelo era uma opção que jamais havia passado pela minha cabeça.



- Não deixe minha irmã ouvir isso ou é capaz de arrumar um agente para mim. - brinquei.



Luc riu:



- Mas isso não seria bom?



- De jeito nenhum!



- Seria um caminho fácil...



- Não gosto de caminhos fáceis. Gosto... De fazer o que eu gosto. Jogar Quadribol é a minha paixão e eu não poderia fazer outra coisa agora.



Luc demorou um tempo para responder e quando me virei para olhá-lo, ele já estava com os lábios colados aos meus. Me retribuindo o beijo inesperado do dia anterior.





N/A: Gente! 2o capítulo veio rapidinho, não foi?



O que acharam do Troy? será que ele é como o pai ou tem jeito?



Não esqueçam de votar e comentar, ok?



Beijos!


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