Ginny percorreu o quarto de seu marido com o olhar. Ali, nesses lençóis estava seu odor e isso a transtornava, acariciou essa cama como se fosse o proprietário. Se levantou calmamente, pois a maior parte do corpo lhe doía, porém estar ali lhe enchia de energias. Se aproximou ao guarda roupa e o abriu, tocou uma a uma todas as camisas e ternos de Mauricio. Pegou um em particular de cor azul e a vestiu.
Ginny: Deixá-lo...morreria antes do que estar sem ele... É bom, eu sei, porém se não investigo logo o que passou a ele, vou me separar.
Se aproximou do escritório e abriu uma de suas gavetas, ali estavam às fotos de seu casamento. Ela sorrindo e ele frio, distante, mas... era sua imaginação ou ele a olhava em todas essas fotos? Não havia dúvidas, o olhar de Mauricio era pura e exclusivamente para ela. Tentou abrir outra gaveta, porém comprovou que estava fechada com chave, mas isso não a ia deter, pegou um grampo de seu cabelo e se dispôs a abrir-lo quando Conceição entrou.
Conceição: Senhora, deverias estar descansando.
Ginny voltou à cama.
Ginny: Tens razão, tudo me dói.
Conceição: Lhe disse que não devia ir, o senhor se irritou muito, saiu a busca-la como louco e logo você teve esse acidente.
Ginny: Mauricio se irritou?
Conceição: É que entendeu que você o deixava para sempre e se desesperou, gritou que você não poderia deixá-lo.
Ginny (incrédula) : De verdade? Você crê que... Ah! esquece. Sabe uma coisa? É muito bonito o povoado.
Conceição: Sim, é pequeno, mas muito lindo. Além disso, de vez em quando chega gente interessante.
Ginny: Pois sabia que eu conheci alguém hoje, sem nome é Valentino Lanús.
Conceição: Conheceu ao senhor Lanús? Ele é dono da maioria das terras que tem por aqui, viaja muito, porém de vez em quando chega e fica uma temporada aqui, é jovem e muito belo.
Ginny: Sim, ele é, mas eu sou uma mulher casada e apaixonada e por isso só lhe ofereci minha amizade.
Conceição: Pois para mim se seu marido não esta aqui você deve sair e ter amigos, não ganha nada ficando aqui trancada.
Ginny: Sim, mas não quero que Mauricio se preocupe.
Conceição: Isso é certo, porém de nenhum modo ficaras caminhando e passeando por aqui como alma, por certo que classe de acidente você sofreu?
Ginny: Um carro me atropelou... Porém não foi um golpe forte, Mauricio freou a tempo...
Conceição: Significa que ele a atropelou??? Isso é o cúmulo, não pode colocá-la em risco, esse homem está louco...
Ginny: Acalme-se, as coisas não foram assim, eu sai do caminho e justo ele vinha muito rápido e apenas conseguiu frear com dificuldade.
Conceição: Se você diz, necessita algo senhora?
Ginny: Sim, tenho a garganta seca, poderia ser uma limonada? É que faz muito calor.
Conceição: Em seguida trago e saiu.
Ginny: Ele não fez de propósito... (duvidando) Verdade Deus, que não?
Ninguém lhe contestou. Ginny se ajeitou entre os lençóis repetindo-se uma e outra vez que havia sido um acidente, porém não conseguiu convencer-se inteiramente. As palavras de Valentino que tão ligeiramente a havia tomado começavam a assustá-la... PODE SER QUE SEJA SOMENTE O COMEÇO.
Ginny: Ele não me faria isso. Passe o que passe, eu te amo Mauricio e sei que em algum lugar entre tua tristeza e tua dor guardas um pouquinho de amor por mim.
Conceição entrou.
Conceição: Tome senhora (lhe entrega o copo).
Ginny: Obrigado, e Mauricio onde está?
Conceição: Não sei, mas me disse que cuidasse da senhora e se foi, creio que saiu para andar pelo campo.
Ginny: Mas logo regressará, verdade?
Conceição: Isso depende. Eu espero que logo escute ao seu coração pelo bem de todos nós... Com licença senhora (se vai).
Ginny: Pois pelo bem de todos nós, eu espero que não escute ao seu coração pelo menos escute ao meu gritando seu nome.
Ginny acabou adormecendo.
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