Gina voltou para Hogwarts naquela manhã. Não foi fácil convencê-la a voltar para o “encarceramento”, como ela mesma falava, mas as palavras carinhosas de Hermione e ouvir Harry dizer que ficaria mais tranqüilo sabendo que ela estava em segurança a fizeram ceder aos apelos de todos. Depois de uma longa e chorosa despedida dos familiares e amigos ela se foi numa chave de portal acompanhada por Fred, Jorge e o pai.
Pela primeira vez em meses o trio pode conversar como faziam antigamente. Sentados no jardim circulando uma pequena fogueirinha azul os três conversaram sobre as lembranças de Hogwarts que vieram à tona com a visita de Gina. Falaram de seus medos, da insegurança que os rondava, da aproximação de um duelo final, mas logo mudaram o assunto para planos para o futuro. Hermione falou entusiasmada que não via a hora de deixar a vida de auror e se dedicar aos estudos de medi-bruxaria. Rony ainda não sabia o que faria depois que tudo acabasse, “se tudo acabar bem...”, completou Harry. Este por sua vez tinha certeza de que a primeira coisa que faria seria se casar com Gina, o que deixou Rony meio em dúvida se as palavras do amigo eram boas ou ruins.
_E vocês? Não pensam em se casar? – Harry perguntou achando que já havia passado do tempo de dar um empurrãozinho aos amigos.
Hermione ficou pensativa com a pergunta dele. Rony depois de uma crise de tosse provocada pela surpresa diante da pergunta de Harry e quando já estava voltando a sua cor natural falou: - Eu quero me casar um dia... Mas não precisa ser já... – falou corando novamente sem olhar para nenhum dos dois.
_Hum... E você, Mione?
Ela suspirou profundamente e respondeu: - É claro que eu quero me casar, Harry, mas só depois que eu tiver uma profissão e certa estabilidade. Não quero depender de ninguém, sabe?
E desse modo o assunto se estendeu até altas horas. A conversa enveredava por caminhos tristes, alegres, saudosos, esperançosos, mas nenhum deles conseguiu chegar à conclusão nenhuma sobre nada, apenas ficaram pensando muito a respeito da vida. Quando notaram que já estavam ficando com dores nas costas de ficarem ali sentados no chão e que seus olhos já começavam a pesar de sono eles foram para seus quartos, se separando no meio do caminho, assim como acontecia em Hogwarts.
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Uma estranha luz amarelada entrava pela janela do dormitório de Hermione. A luz batia diretamente em seu rosto e a incomodava. Ele se virou de costas para a janela, mas os latidos e aquela canção esquisita não a deixaram pegar no sono novamente. Ela abriu os olhos sonolenta. A luz amarela que vinha do pátio fazia as sombras do quarto se moverem estranhamente. Ela olhou para os lados e notou que Lilá e Parvati dormiam profundamente. “Que inveja!” – pensou.
Hermione foi até a janela para descobrir o que estava acontecendo. Abriu a folha de vidro e sentiu o sopro gelado do vento da madrugada. Pegou a coberta da cama, se enrolou nela e pôs a cabeça para fora para ver melhor. A cena era bizarra. Bem perto do Salgueiro Lutador, um cão enorme, preto e de olhos amarelos perseguia um lindo pássaro dourado, uma Fênix. “Por que ela não voa para longe?” – pensava. Mas a ave parecia estar cansada, sem forças para alçar vôos maiores. O Sinistro dava pulos muito altos e por milímetros não alcançava a Fênix. Numa última tentativa o cão saltou sobre a ave e conseguiu agarrá-la pela cauda, ainda no ar. Hermione levou as mãos à boca num lamento silencioso, mas a Fênix conseguiu escapar. O Sinistro caiu decepcionado. De sua boca caíram duas penas douradas que foram elevadas por uma lufada de vento. Hermione e o animal acompanharam as penas com o olhar e ela se admirou quando notou que uma delas começou a pegar fogo espontaneamente, enquanto a outra aterrissava suavemente no chão.
Uma sensação ruim a despertou daquele transe. Só então ela se lembrou do cão que ainda estava ali, parado. Assustou-se quando notou que ele a olhava com a boca arreganhada mostrando seus caninos enormes. O cão correu em direção a ela e, por um instante, parecia que o cão conseguiria alcançá-la facilmente, mesmo estando ela num dos dormitórios mais altos da escola. Ele deu alguns passos para trás e tentou fechar a janela antes que o bicho a alcançasse, mas foi tarde. Uma patada do Sinistro a acertou bem no coração...
_Ai!!! – uma dor insuportável riscava o peito de Hermione. Ela se sentou na cama com as mãos no lugar onde sentia a dor. Seu coração estava acelerado e a camisola grudava em seu corpo suado. Ela olhou para as próprias mãos esperando ver o sangue que jorrava do ferimento, mas não havia nada ali. Nenhuma marca, nenhum arranhão, nenhuma gota de sangue. Ela olhou ao redor. As gêmeas olhavam para ela assustadas, mas ela as tranqüilizou sorrindo. Ela olhou direito ao redor. - Eu não estou em Hogwarts! - pensou. - Foi um sonho! - ela voltou a se deitar mais aliviada. Pensou por alguns instantes naquele sonho, mas logo adormeceu de novo.
Quando acordou a primeira coisa que lhe veio à cabeça foi a imagem daquela Fênix. Da pena que se queimou no ar. – O que será que quer dizer? - ela se levantou, lavou o rosto, se trocou e desceu para tomar café. A primeira pessoa que encontrou no caminho foi Draco, mas antes mesmo que ela pudesse dar-lhe bom dia como gostaria Harry apareceu pela mesma direção que ele e ela teve que se limitar a um sério “Bom dia”, que ele nem respondeu.
Logo atrás de Harry vinha Rony, ainda com os cabelos desgrenhados. – Hei Harry! Você esqueceu sua varinha no quarto, cara! Bom dia Mione!
_Bom dia, Rony, bom dia Harry! – respondeu distraída.
_Bom dia Mione. Valeu cara! – Harry falou com os dois pegando a varinha das mãos do amigo.
_Pena de cauda de Fênix! – ela falou sozinha.
_O que?! – Harry e Rony perguntaram em uníssono. Draco se interessou pelo assunto.
_A sua varinha e a de Voldemort são feitas de penas de cauda de Fênix, não é? – ela parou o amigo no corredor, causando certo congestionamento. Draco se manteve afastado, mas parou para ouvir a conversa.
_Sim, por quê?! – Harry perguntou.
Ela sentiu novamente a mesma pontada de dor de quando acordou depois do “ataque” do Sinistro. Levou as mãos ao peito e levantou os olhos procurando instintivamente por alguém. Seus olhos se cruzaram com os de Draco. Uma sensação ruim apertou seu coração. Os amigos ficaram sem resposta e sem entender do que a garota estava falando.
O dia foi bastante agitado. Todos tinham muita pesquisa a fazer a respeito dos familiares de Voldemort, do orfanato onde ele havia sido deixado, dos lugares que sua mãe freqüentava em vida, da casa em que ela viveu com Tom Riddle. Apesar de adorar pesquisas, Hermione era a mais dispersa de todos. Não conseguia prender a atenção em documento nenhum por mais de 5 minutos. Harry e Rony se preocuparam, mas acharam melhor não comentar nada, já que Hermione não gostava de admitir que não conseguia se concentrar.
_Parvati disse que ela acordou assustada no meio da noite. – Fred comentou.
_Deve ter tido um pesadelo. – Jorge completou.
_Eu nunca vi a Hermione ficar impressionada com sonhos! O que será que ela sonhou? – Harry perguntava.
_Se estão falando de mim saibam que estou muito bem! – ela chegou de repente assustando os quatro que conversavam.
_Tem certeza, Mione? Você esteve tão estranha o dia todo. – Rony afirmou.
_Foi só um sonho bobo. Sonhei que um Sinistro atacava uma Fênix! – riu.
_Bobo, não! Um sonho estranho. – comentou Fred.
_Um Sinistro? Será que tem a ver com o Sírius? – Harry perguntou interessado.
_Duvido! No meu sonho ele atacava a Fênix, mas não foi isso que me impressionou. O problema foi que tudo que o Sinistro conseguiu foram duas penas da cauda da ave, e uma delas pegou fogo no ar. Só uma restou... – falou apreensiva.
_E o que mais? – Jorge perguntou.
Ela hesitou: - Mais nada... – mentiu.
_Você acha que uma delas sou eu e a outra... – Harry sondou.
Ela apenas assentiu com a cabeça. – Mas qual? – indagou. - E por que o Sinistro me atacou depois? - pensou. Mais uma vez um impulso levou suas mãos ao coração. – Acho que finalmente tudo isto está acabando, Harry... Acho que o meu tempo está acabando... – ela saiu da mesa deixando os quatro amigos mais confusos do que antes.
O dia parecia se arrastar. Ela nunca quis tanto que a noite chegasse. Havia tomado sua decisão, não podia mais adiar. Tinha que aproveitar todos os momentos como se fosse o último. Não adiantava ficar esperando tudo se resolver. E se a pena queimada fosse o Harry? E se Voldemort sobrevivesse? E se o ataque do Sinistro fosse um sinal de que ela não resistiria ao fim da guerra? Eles nunca teriam paz!
_Carpe diem, Hermione... Carpe diem!
“Precisamos nos ver. Vá ao porão hoje na mesma hora de sempre...”.
H.G.
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Aquele não era um bom dia para Draco. Ele estava extremamente mal – humorado. Desde a última reunião e desde que Harry havia acordado a vigilância sobre ele havia dobrado enquanto a atenção de Hermione diminuía. Ele a via olhar preocupada para ele e não entendia por quê. Achava que em algum momento poderiam se falar e ela poderia explicar o que estava havendo, mas nada. De repente ela manda aquele bilhete curtíssimo. –O que será que está acontecendo? Será que ela vai acabar tudo hoje? Será que o Weasley a convenceu finalmente? - ele descia vagarosamente as escadas para o porão com sua mente sendo bombardeada por perguntas desse tipo.
Ele abriu a porta do porão e seu rosto foi iluminado por uma luz amarela muito fraca, bem diferente da luz branca que entrava pelas pequenas janelas do lugar. Ele entrou de uma vez e se deparou com um cenário no mínimo curioso: algumas poucas velas flutuavam pelo porão, tornando-o quente e aconchegante. No lugar onde antigamente havia colchonetes de treinamento havia agora uma imensa cama de casal. Ela estava coberta com um lençol muito branco e por cima, jogado de forma aleatória, uma pequena colcha vermelha que cobria apenas parte da cama. Um cheiro adocicado de amêndoas enchia o lugar. Ele olhava para tudo aquilo sem entender nada.
_Gostou? – a voz suave de Hermione o surpreendeu.
Ele se virou para encará-la e obter alguma explicação sobre aquilo tudo, mas sua voz se perdeu no meio do caminho. Hermione estava parada atrás dele, meio acanhada, com as mãos atrás das costas, como uma criança com medo de levar uma bronca. Ele a olhou de cima a baixo. Ela vestia uma camisola branca semitransparente. No busto rendas brancas diminuíam, mas não muito a transparência da roupa. Finas alças, uma delas que insistia em não ficar no lugar, seguravam a lingerie em seu corpo. Draco se perguntava se estava dormindo e tendo mais um de seus sonhos picantes, mas aquele estava real demais, ou pelo menos era o que ele esperava.
_Fala alguma coisa, Draco. – ela pediu colocando sensualmente a alça da camisola no lugar.
_E... eu... eu estou... sem palavras...
Ela sorriu encabulada. Havia causado o impacto que pretendia. Ela se aproximou dele devagar, ainda com as mãos para trás, ficou nas pontas dos pés e tocou de leve os lábios dele com os seus. Sorriu de novo, ele sorriu de volta meio confuso. Ela segurou os braços dele delicadamente e o beijou novamente, de leve enquanto escorregava seus braços até o pescoço dele, causando-lhe arrepios. Depois o beijou no pescoço, repetidas vezes, sorrindo quando notava que ele se contorcia arrepiado. Era sua vingança por todas as vezes que ele havia feito aquilo com ela.
_Você vai ficar aí parado? – sussurrou.
_Não brinque com fogo, Granger... – ele respondeu olhando-a daquele jeito que a deixava sem reação.
Ela se sentia exatamente como no começo, quando ela ainda resistia às investidas dele. – Achei que você fosse mais de fazer, e menos de falar, Malfoy... – ela desafiou.
Sem tirar os olhos dela ele tocou sua face com as costas dos dedos, suavemente. Dali foi descendo até o pescoço, no colo ele usou as duas mãos e as espalmou para tocar suavemente os seios dela, por cima da renda, deixando-a arrepiada. Ela havia fechado os olhos.– Isso não é justo Hermione... – ele falou acariciando-lhe a cintura.
_Dessa vez eu não vou fugir... – ela falou meio sem voz. – Eu percebi que não tenho que esperar o momento especial... – ela abriu os olhos para encará-lo. – Nós é que temos que torná-lo especial, não é?
Ele sorriu e a beijou, encostando totalmente o corpo dela ao seu. Ela jogou os braços em volta do pescoço dele, Draco acariciava suas costas e ela passava as unhas de leve na nuca dele. O corpo dele começava a reagir ao seu toque, ela sentiu, mas não se assustou dessa vez, era aquilo que ela queria. Draco não resistia mais, a pegou no colo e a levou para a cama. Deitou-se sobre ela e começou a beijar seu corpo urgentemente. Desceu as alças da camisola e beijou-lhe o ombro, o colo, percebeu que não conseguiria tirar a camisola dela naquela posição, se impacientou, mas se controlou. Estava ofegante, completamente excitado. Havia esperado por aquele momento há tempos, não poderia estragar tudo se mostrando afoito demais.
_Você tem cert...
Ela o calou colocando um dedo sob seus lábios. – Certeza absoluta, Draco... – ela desceu a mão até o peito dele e começou a desabotoar-lhe a camisa.
Draco estava se sentindo estranho, como se aquela fosse sua primeira vez, mas não era... Definitivamente não era. Então por que estava tão nervoso? Por que aquilo lhe parecia tão novo? Ela terminou de abrir os botões da camisa e começou a tirá-la. Riu lembrando-se do dia em que foi acordá-lo e o viu sem camisa pela primeira vez. Quem diria que um dia ela própria iria tirá-la. Ela tocava a pele dos braços dele enquanto tirava a camisa, se admirava de estar tão calma, mas se espantou no meio do caminho quando notou que ele tinha uma faixa em um dos braços.
_Você ainda está machucado, Draco? – ela parou de repente.
_Já está quase curado! Nem dói mais... – ele mesmo terminou de tirar a peça de roupa. Ela o olhava preocupada. – Não se preocupe... – ele tocou-lhe a perna levantando a camisola dela.
Não ia deixar uma faixa idiota estragar o clima dos dois. Notou que ela havia esfriado um pouco, então a beijou novamente, fazendo questão de tocar-lhe a pele enquanto tirava a camisola. Ela logo se esqueceu da faixa, e ele logo tirou a roupa dela. Agora ela estava só de calcinha, ele aproveitava para passear afoitamente suas mãos pelo corpo dela, beijava-a deixando um rastro de calor onde sua língua a tocava. Hermione gemia e suspirava a cada toque dele. Ela perdeu a respiração quando sentiu o toque quente da boca dele em seus seios, sugando seu mamilo e fazendo suas pernas tremerem. Sentia que cairia se já não estivesse deitada. Levou desesperadamente suas mãos até a calça dele. Deu vivas quando percebeu que bastava desfazer o frágil laço que a prendia ao corpo. Draco se assustou e se divertiu com a ferocidade com que ela arrancou suas calças. Tudo que separava seus corpos agora era uma calcinha. Um minúsculo pedaço de renda branca que foi facilmente eliminado pelas mãos ágeis de Draco.
Finalmente eram só os dois, nada mais os separava. Draco estava ansioso, mas esperou, queria deixá-la mais à vontade, queria deixá-la com mais vontade, então começou a tocá-la de leve, primeiro com as costas da mão passando-a pelo seu rosto, descendo até o pescoço, depois, já com a palma da mão ele passeou pelo tórax, abdômen e a fez se contrair quando tocou seu ventre. Ele se demorou propositalmente ali, fazendo espirais com o dedo até chegar onde queria. Ela exclamou de prazer, fazendo-o ficar mais excitado ainda. Ele continuou as carícias, cada vez mais profundas arrancando-lhe gemidos cada vez mais altos. Não havia mais como voltar atrás, sem conseguir mais se segurar, mas tentando não ser rude penetrou o corpo de Hermione fazendo-a apertar com força os seus braços. Conforme ele se movimentava sobre ela sentia a pressão que ela fazia com as unhas em seu corpo diminuir. Logo seus corpos entraram numa sintonia perfeita. Finalmente eram um só. Finalmente ele poderia se sentir seguro quanto aos sentimentos dela. Nada mais poderia separá-los. Ou quase nada... – Eu te amo, Hermione... – ele sussurrou.
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Hermione despertou com a luz clara do Sol que batia em seu rosto. Por alguns minutos achou que estava sonhando de novo, mas a luz era forte demais. Abriu os olhos e notou que estava completamente nua. Vários flats daquela noite passaram por sua mente e a fizeram sorrir. Ela olhou para o lado e se deparou com Draco olhando-a e sorrindo.
_Bom dia. – falou. – Faz tempo que você está acordado?
_Bom dia. – ele a beijou. – Só um pouquinho...
_Por que você não me acordou? Deve ser tarde. Todos já devem ter levantado. – ela se sentou na cama puxando o lençol para se cobrir, não que adiantasse alguma coisa, mas a fazia se sentir mais à vontade. Não estava acostumada a ficar nua na frente de outra pessoa.
Draco colocou sua mão por baixo do lençol e começou a acariciar sua barriga: - Que se danem os outros! – ele falou jogando o lençol para fora da cama e deitando-a novamente.
_Hum... – ela tentava falar alguma coisa. – Draco... – mas ele não parava de beijá-la. Ela conseguiu afastá-lo alguns milímetros e falou: - É melhor a gente subir.
_O que tinha que subir já subiu!
_Draco! – ela o empurrou sem graça. – To falando sério! Mais tarde a gente continua... – ela conseguiu afastá-lo a tempo de pegar sua camisola jogada no chão.
Ele deitou-se novamente cobrindo-se da cintura para baixo com a colcha vermelha, o que não escondia nada. – Mais tarde quando?
_À noite. – ela procurava a calcinha.
_Está procurando isso? – ele girava a pequena calcinha no dedo. – Vem buscar!
_Draco! – ela pulou na cama tentando agarrar a mão dele, mas não conseguiu. Ele a prendeu na cama debaixo de seu corpo. Ela desistiu e começou a beijá-lo. Aos poucos foi virando-se e ficando por cima dele, ela se afastou de repente levantando uma das mãos no ar: - Aha! Ta vendo como eu aprendo rápido. – Draco se jogou na cama derrotado. Hermione vestiu a calcinha e o roupão. – Se alguém me encontrar por aí eu digo que estava tomando banho. Levanta daí, preguiçoso! Ainda tenho que arrumar tudo isso!
_Pode deixar que eu arrumo. Vai subindo. – falou levantando-se finalmente.
_Ta bom. – ela se aproximou para se despedir com um beijo rápido. Ele a prendeu.
_Nos vemos aqui mais tarde então? – falou sério.
_Sim senhor! – ela bateu continência. – Depois que todos dormirem.
_Vou ver se eu consigo arrumar uma piscina de poção do sono por aí! – falou desanimado. Hermione sorriu e saiu do porão.
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_HERMIONE! - ela foi surpreendida por um grito desesperado.
_Rony! O que houve?!
_Onde você estava?!
_Eu... Eu fui tomar banho!
_Aqui em baixo?!
_Eu... Eu desci para pegar um copo de água! O que foi que houve?!
_Você viu o Malfoy?!
_Por que deveria?! – perguntou fazendo-se de ofendida.
_Eu o vi sair do quarto ontem de madrugada! Achei que ele ia ao banheiro ou coisa assim, mas acordei e ele não estava na cama! Acho que o desgraçado fugiu! – Rony dizia desesperado.
_Vá com calma, Rony! Ele pode estar em qualquer lugar! Ah! Olha ele ali! – Hermione apontou para Draco que vinha da mesma direção que ela. – Onde você estava, Malfoy?!!! – ela gritou.
Draco se assustou a princípio, mas depois entrou no jogo: - Não é da sua conta, Granger! – e saiu andando.
Rony o segurou pelo braço, nervoso: - Responda a pergunta dela, Malfoy! – Hermione começou a se sentir mal fazendo o amigo passar por aquilo.
Draco soltou bruscamente o braço das mãos de Rony: - Antes de fazer escândalo, Weasley, certifique-se de que eu sou o único fora da cama. A gente tem que se distrair com alguma coisa, não é? Já foi ver se sua namoradinha está no quarto? Ela anda me perseguindo, sabia?
Até Hermione se surpreendeu com a resposta dele. Rony ficou vermelho de raiva. Pensou em arrancar-lhe os olhos com as próprias mãos, mas Lilá apareceu e interrompeu seus planos. Draco deu meia volta para se afastar, não sem antes lançar um sorriso sedutor a Lilá. Ela ficou meio desnorteada e perguntou:
_O que deu nele?!
_Onde você estava Lilá?! – Rony perguntou mais vermelho que antes. Hermione aproveitou para sair também de fininho dali.
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Dezenas de corujas eram vistas entrando e saindo da Ordem várias vezes ao dia. O corpo de aurores estava sempre desfalcado, pois todos os dias alguns saíam em busca de novas pistas, ou das próprias horcruxes. Ao fim de quase um mês eles já haviam trazido para Harry destruir quatro horcruxes. Faltavam apenas o medalhão verdadeiro de Servoleo e o caldeirão. Durante todo esse tempo Harry era impedido de sair da Ordem. Ninguém mais queria correr o risco de que desta vez conseguissem eliminá-lo de verdade. Hermione e Rony tinham a impressão de que haviam voltado ao quinto ano, quando o mau-humor de Harry chegou ao ápice. A única coisa que deixava Harry melhor, e Rony preocupado, era o fim do ano letivo, o que significava que em breve Gina estaria de volta.
Hermione sentia os tempos de escola retornarem também pelo fato de que agora Rony e Lilá estavam namorando sério (o que deixou Harry confuso e decepcionado, ele tinha certeza de que os amigos acabariam juntos), e ela não desgrudava dos três e não os deixava conversar a vontade. Para algo isso serviu: o humor de Draco não podia estar melhor. Hermione sentia como se ele e Harry tivessem invertido os papéis. Ela também estava feliz. Apesar de sair quase todas às vezes com um grupo de aurores, quando voltava ela era aguardada ansiosamente por Draco para mais uma noite de amor, no fim das quais ambos faziam planos para o futuro.
Mas nem tudo eram buscas, mau-humor, namoros insuportáveis ou momentos de prazer. Os comensais estavam cientes de que a Ordem havia acabado com cinco das sete horcruxes. Voldemort estava impassível e seu instinto assassino mais aguçado. Em poucas semanas dezenas de trouxas haviam sumido misteriosamente, o que causava terror e uma situação desconfortável entre os ministérios da Magia e dos trouxas. O medo se espalhou também na comunidade bruxa quando pais de nascidos trouxas e mestiços começaram a sumir de suas casas e aparecerem mortos dias depois. A situação se tornava cada vez mais insustentável. Harry voltou a sentir as conhecidas dores na cicatriz e a ver como Voldemort aniquilava suas vítimas. Com isso ele não conseguia mais dormir e sua teimosia e mau-humor aumentaram.
_Eu não posso mais ficar aqui parado! – ele exclamava.
_E o que você quer fazer, Harry? – Rony tentava.
_Você não vai ter chance se não destruirmos as horcruxes que faltam! -Hermione argumentava.
_Voldemort não estaria tão nervoso se ainda tivesse duas chances de sobreviver. E se já destruímos todas?! E se só nos resta ir até onde ele está e matá-lo?!
_E se ainda faltarem duas?! – Rony impacientava-se. – E se ele te vencer?! Não haverá mais nada, Harry!
A discussão entre os amigos seguia aos berros. Os outros tentavam não interferir, mas se tornou cada vez mais difícil. Chegou a ponto de terem de estuporá-lo para que ele não fugisse da Ordem sozinho.
Em um canto afastado alguém lia:
“Você não está cooperando o suficiente. Faça já o que combinamos ou eu terei que adiantar as coisas por aqui! Estou perdendo a paciência com você! Você tem três dias, ou alguém vai morrer!”.
L.M. ““.
_Droga! Eu não posso fazer isso! Não agora! Não agora que tudo está indo tão bem! O que eu faço? Eu preciso ganhar tempo! Eu não posso fazer ainda! – passos aflitos eram dados de um lado para o outro. O tempo estava acabando.
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MINISTÉRIO DA MAGIA CONSEGUE FINALMENTE!
“O Ministério da Magia finalmente conseguiu ter êxito em alguma coisa. Enquanto o mundo sofre com sumiços de trouxas e bruxos um reles ladrão de jóias foi preso na manhã da última quarta-feira e aguarda julgamento. Mundungus Fletcher é conhecido por furtar objetos de valor financeiro e sentimental de antigas mansões abandonadas. Apesar de não oferecer real perigo a ação do Ministério traz um fio de esperança para aqueles que esperam a captura dos terríveis Comensais da Morte e o fim desta trágica guerra...
Rita Skeeter, para o Profeta Diário.”“.
_Então é isso que o Ministério anda fazendo? – Rony amassou o jornal bruscamente enquanto acompanhava os amigos pelo corredor da casa. – Não acredito que enquanto arriscamos nossas vidas atrás de Comensais da Morte eles se preocupam em prender ladrões de galinha!
_Pelo menos estão fazendo alguma coisa, Rony! – Hermione respondeu. – Apesar de não gostar nem um pouco da Skeeter ela tem razão. Este pequeno ato deixa as pessoas um pouco mais confiantes.
_Não acredito... – ele resmungou.
_Quem eles prenderam afinal? –Harry perguntou.
_Mundungus Fletcher. Lembra dele? – Rony falou.
_Claro que sim! Aquele crápula andava roubando coisas daqui lembram-se?
_Ah! É mesmo. Não estava ligando o nome à pessoa. – Hermione falou.
No meio do caminho deram de cara com Draco olhando uma tapeçaria antiga. Hermione se aproximou dele.
_Os nomes dos seus pais estão aí, não é?
Ele se assustou com a chegada repentina de Hermione. Estava tão distraído que não ouviu quando eles chegaram conversando. – Hum?! Ah, sim! Minha mãe é uma Black.
_Nem dá para acreditar! – Harry se aproximou mal-educado. – Bellatrix é sua tia, não é? Não dá para acreditar que ela teve coragem de matar o próprio primo... – ele passou a mão carinhosamente pelo lugar onde estaria o nome de seu padrinho. Todos estavam em silêncio, como numa homenagem póstuma a Sirius.
_Não adianta ficar aí sofrendo, cara! Infelizmente ele não vai voltar... – Rony colocou a mão no ombro do amigo consoladoramente.
Harry estava absorto em pensamentos. Ainda mantinha a mão sobre a família do padrinho quando sobressaltou a todos com seu grito: É ISSO! – ele saiu correndo em direção à sala de Gui.
_Isso o quê, Harry? – Hermione perguntou tentando acompanhar os passos do amigo.
_Precisamos ir a Azkaban! Precisamos falar com Mundungus!
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_Vamos homem! Se você cooperar quem sabe não conseguimos aliviar a sua pena? Diga-nos tudo o que sabe sobre os Black. Que tipo de coisas você roubou da mansão deles no Largo Grimmauld? E, principalmente, onde elas estão? – um oficial do ministério interrogava o homenzinho enquanto Harry, Lupin e Tonks acompanhavam tudo da sala vizinha.
_Mas... mas o que vocês querem saber? Eu não tenho nada a dizer... – ele se defendia.
_Não me faça perder a paciência, homem! Se você tiver alguma informação relevante podemos acabar de vez com essa guerra. Você não quer que essa guerra acabe?! – o homem bateu impaciente na mesa.
_É claro que eu quero, mas não tenho informação nenhuma! EU NÃO SOU UM COMENSAL!!!
Harry e os outros estavam ficando impacientes na outra sala. Quanto tempo mais aquilo duraria? Harry saiu de seu lugar sem dar chance de ser impedido e invadiu a outra sala.
_É CLARO QUE VOCÊ NÃO É UM COMENSAL! NÃO TEM CÉREBRO SUFICIENTE PARA ISSO! DIGA LOGO DE UMA VEZ ONDE VOCÊ ESCONDE AS COISAS QUE ROUBA!
O homenzinho quase caiu da cadeira com o susto que levou. O oficial também se assustou, mas demorou a notar o que estava acontecendo. – Sr. Potter! O sr. não pode invadir um interrogatório desse jeito! Isso é trabalho para profissionais.
Lupin e Tonks entraram logo em seguida na sala. – Desculpe oficial, mas ele está nervoso. O sr. entende, não é? – Lupin tentou. Segurou Harry pelo braço e afastou-o do homenzinho.
Harry não ouvia nem via nada além de Mundungus agora branco como uma folha de papel. – Eu sei que você conhecia muito bem os Black. Diga-me: você tirou da mansão Grimmauld algum medalhão, ou algo parecido.
_Medalhão? Medalhão é o que mais há nessas mansões antigas.
_Ótimo! Onde você o esconde? Isso é muito importante, Mundungus! Por favor, coopere! – Harry falou agora mais controlado.
_Eu sei exatamente de que medalhão está falando. O medalhão de Slytherin, não é? Também achei estranho quando o achei escondido entre as coisas de Regulus, mas porque ele é tão importante?
_Isso não é da sua conta, Mundungus. Só nos diga onde você o escondeu! – Tonks se adiantou.
_Ora, eu não vou...
_Você não está em posição de se negar a nada, homem! Quer voltar para companhia dos dementadores? Você está atrasando uma investigação importante! Pode ser condenado por isso! Acusado de traição, sabia?! – o oficial pressionou.
_Ok, ok... Eu tenho um cofre no Gringots. É lá que eu guardo todas as coisas que acho... – todos o olharam irônicos, mas ele fingiu não notar. – A chave está com os meus pertences aqui mesmo no ministério. O cofre é o 805.
_Ótimo! Vamos Harry! Não podemos perder tempo. – Lupin fez sinal para que Harry o acompanhasse, mas ele continuou parado.
_Tem mais uma coisa. – Harry falou. – Qual é o nome completo de Regulus Black?
_Para que isso Harry? – Tonks perguntou.
_É importante. Para não sairmos numa busca inútil. – ele se virou de Tonks para o homem novamente.
_Ora! Eu não sei! Nem ao menos conheci esse homem! – Mundungus respondeu entediado.
_Droga! Tonks você não sabe?
_Hum... Difícil em Harry! É tão raro as pessoas usarem o nome do meio... Não me lembro...
_Não tem idéia nem de com qual letra começa?
_Hum... Não... Não me lembro... – Tonks se esforçava para lembrar.
_Será que não começava com A?
_A? – Tonks perguntou;
_Arcturus! – Lupin respondeu. – Claro! Sirius vivia tirando sarro do irmão por causa do nome. Regulus o odiava.
_Regulus Arcturus Black! R.A.B. Finalmente! – Harry saiu da sala satisfeito, mas logo se lembrou de algo e voltou. – Só mais uma perguntinha: você costumava roubar caldeirões também? Roubou algum da mansão Black?
_Só para reiterar, garoto, eu não roubava nada, apenas encontrava e pegava para mim, afinal achado não é roubado, ou é?
_Que seja... – falou impaciente.
_Todos os caldeirões que eu encontrava vendia para um cara no ministério. Eles costumam fazer relatórios imensos sobre eles.
Harry se desanimou de novo. – Puxa vida!!! Quantos caldeirões existem no Ministério? Milhares! Como vamos saber qual é?
_Entretanto... – ele continuou. – Um deles me chamou muita atenção e eu resolvi não vendê-lo, mesmo porque não me pagariam o que ele valia, principalmente com aquelas esmeraldas incrustadas nele! – falou lembrando-se da aparência do objeto. Vendo as expressões ansiosas nos rostos de todos eles completou. – Também está no cofre, mas cuidado com ele. É uma peça rara. –gritou para ser ouvido pelos três que já estavam de saída.
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_Draco? – Hermione se aproximou cautelosamente de Draco que estava deitado sob um bolo de colchonetes com os olhos fechados e os braços cruzados sob a cabeça. – Tudo bem com você? Parece tão preocupado de uns tempos para cá.
_E estou mesmo... Estou preocupado com o que vai acontecer daqui para frente...
_Como assim? As horcruxes foram destruídas, Voldemort não tem mais chance! – ela se deitou ao lado dele apoiando-se em seu braço.
_Eu não teria tanta certeza...
_Do que está falando?
_Me pareceu fácil demais! Se as horcruxes são a única chance dele como é que ele nem sabia onde elas estavam? É estranho.
_Ninguém mais sabia das horcruxes. Ele é muito autoconfiante! Achou que nunca chegaríamos lá.
Draco permaneceu em silêncio, mirando o teto de madeira. – Hermione...
_Hum?
_Você sabe que eu te amo, não sabe?
A pergunta a surpreendeu. – Sim, por quê?
_Você sabe que eu nunca faria nada para te magoar, mas às vezes as coisas não saem como esperamos. Às vezes temos que tomar decisões...
_Do que você está falando, Draco? Está me deixando preocupada também...
_Você promete que nunca vamos nos separar? Que quando tudo isso acabar ficaremos juntos? – ele se levantou e a olhou desesperado.
_Claro, mas por que tudo isso, Draco? O que está acontecendo? Ou o que vai acontecer? O que você sabe e eu não?
_Nada... Só quero que saiba que eu te amo! Eu sempre vou te amar... Não se esqueça disso nunca!
_Você está me deixando assustada, Draco. Conte-me o que há.
Draco a olhava confuso, desesperado. Ele a enlaçou num abraço apertado e falou: -Não está havendo nada... Eu só estou... preocupado... Tenho medo de te perder para essa guerra idiota...
Hermione sentiu uma pontada de dor no peito, exatamente no local em que o Sinistro a atacara no sonho. Foi inevitável se lembrar dele e das duas penas da fênix. Ela retribuiu o abraço forte de Draco sentindo-se completamente segura.
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Foi a primeira vez que todo um bairro havia sido enfeitiçado. Todas as casas da redondeza receberam feitiço anti-aparatação, as portas não podiam ser abertas com magia, já passava das 10 da manhã de uma quinta feira, mas todos ainda dormiam.
Apenas aqueles de ouvidos muito aguçados conseguiam ouvir passos cautelosos e respirações ansiosas. O clima era tenso. Vários grupos de aurores cercavam a antiga mansão Riddle. Era ali que a batalha final aconteceria. Praticamente todo contingente havia sido convocado. Eles sabiam que seria arriscado. Não haveria o elemento surpresa. Tanto por causa do traidor quanto por causa das medidas de segurança que precisaram ser tomadas com os trouxas. Um jato de luz esverdeada passou de raspão pelo braço de Lilá. Ela soltou um grito assustado. Logo raios de variadas cores riscavam a neblina. Não havia mais como manter a formação. Era cada um por si.Os aurores não usavam feitiços letais com medo de acertarem seus parceiros, mas para os comensais isso não fazia diferença. Eles atiravam para matar. A ordem era não permitir que eles chegassem a casa. Já haviam muitos caídos. Alguns aurores, alguns comensais, mas não dava tempo de parar para socorrer ninguém.
Em outra parte do bairro, fora do alcance da batalha, mas perto mansão Fred, Jorge, Rony, Neville, Luna, Gui, Carlinhos, Tonks e outros mais experientes davam cobertura para que Harry conseguisse invadir a mansão. Eles estavam quase lá faltava pouco, já era possível ver a portinhola do porão nos fundos da casa, mas algo atingiu Luna em cheio na perna. Ela soltou um grito agudo e muito forte. Tarde demais! Das janelas do segundo andar feitiços eram lançados contra o grupo que teve que dispersar. Como na época do quadribol Fred e Jorge faziam cobertura para Harry. Um de cada lado o acompanhava enquanto ele enfrentava os feitiços e ganhava o porão da casa. Os três foram os únicos que conseguiram entrar.
_Beleza, Harry! Estamos dentro! – Fred exclamou.
_Ta todo mundo bem? – Jorge perguntou.
_Sim, mas é melhor vocês saírem daqui. A coisa vai ficar perigosa!
_Nem pensar cara! Vamos com você até o final! – Fred afirmou.
_É claro! Nossa missão é te levar a salvo até o chefão! – Jorge completou.
_Valeu caras, mas daqui para frente é comigo! – Harry se preparava para subir as escadas do porão quando a porta se abriu bruscamente atrás deles.
_Espere Harry! – Rony entrou correndo.
_Rony! O que foi?
_Você ainda não pode subir! A última horcruxe ainda não foi destruída!
_Do que você está falando? – os gêmeos perguntaram.
_Um dos comensais acabou de dizer! Aquele caldeirão não era o caldeirão certo. O verdadeiro está escondido aqui!
_Um comensal falou? Mas por quê?
_Não faço idéia, mas não há tempo para isso! Nós temos que achá-lo!
Mas os comensais já estavam no porão. Com um barulho descomunal eles arrombaram a porta e despejaram seus feitiços. Eles se espalharam e se defenderam como puderam, mas aqueles comensais não eram exatamente perigosos. Eram novos, alguns até reconhecidos como velhos alunos de Hogwarts. Eles não eram muito ágeis, era óbvio que estavam ali obrigados pelos pais, e não porque acreditavam realmente nos ideais de Voldemort. Eles logo foram neutralizados pelos quatro que conseguiram sair do porão. Agora a casa era deles.
_Daqui eu continuo sozinho. Confio em vocês para encontrarem e destruírem o caldeirão verdadeiro.
_Mas Harry! Você ainda não pode encontrá-lo! – Rony exclamou.
_Não há mais tempo, Rony! Eu não posso mais adiar! Eu confio em vocês! Agora vão!
Mas nenhum dos quatro se mexeu. Sabiam que era chegada a hora. Sabiam o que fazer, mas não tinham coragem. Seus corações batiam freneticamente com ansiedade, medo e excitação.
_Foi bom conhecer vocês! – Harry falou. – Vocês foram os irmãos que eu nunca tive. Minha verdadeira família! – ele se emocionou. Os outros também. – Se eu não voltar... – Rony ia protestar, mas Harry não deixou fazendo um gesto. – Se eu não voltar digam a Gina que eu a amo muito e digam aos pais de vocês que sou muito agradecido por tudo. Vocês todos foram minha verdadeira família. Ah! Rony, diga a Hermione que eu a considero muito também! Diga que eu a amo muito.
_Eu não vou dizer nada, cara! Você mesmo vai dizer tudo isso! – ele estendeu a mão para Harry que a apertou. Os dois ficaram assim por um tempo, tentando não chorar. Fred e Jorge juntaram suas mãos às deles. Um deles falou.
_Colin adoraria estar aqui para tirar uma foto, não?
Eles riram e se separaram.
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Do lado de fora a batalha continuava. Não havia descanso. Alguém avisou os comensais de que Harry estava na casa e eles tentavam recuar. Restava aos aurores prendê-los ali. Draco procurava desesperadamente por Hermione no meio daquela confusão. Sabia que ela não havia sido escolhida para ir para a mansão junto com Harry para poder vigiá-lo, o que o deixou contente já que assim a teria sempre por perto, mas agora ele a havia perdido de vista. Ele viu seu pai derrubando com um único feitiço três ou quatro aurores. Os dois se encararam por um tempo. Draco sentiu seu peito queimar de raiva quando notou que ele também procurava por alguém. Desviou o olhar procurando por ela novamente. Tinha que encontrá-la antes que seu pai o fizesse.
_Onde você está Hermione? – sussurrou seguindo Lucius de perto.
Hermione se defendia como podia do comensal que a atacava. Ela o conhecia, já o havia visto antes. Ele esteve em Hogwarts, não uma, mas duas vezes. Durante o julgamento de Bicuço e durante o ataque do último ano. Macnair a atacava com ferocidade. Hermione conseguiu usar um feitiço para jogá-lo para longe e logo o estuporou. Aproveitou também para amarrá-lo. Sabia que outro comensal poderia muito bem soltá-lo, mas achava difícil que algum deles perderia tempo fazendo isso. Quando terminou olhou em volta a procura de Draco. Viu Lilá em apuros com um comensal e foi ajudá-la, mas ela conseguiu se livrar facilmente de seu adversário. As duas se encararam por instantes. Hermione pensou em se aproximar para saber se ela estava bem, mas Lilá correu em sua direção passando diretamente por ela enquanto falava:
_Não fique aí parada, Granger! Harry já está na mansão. Precisamos dar cobertura a ele!
Hermione se virou confusa para acompanhar o movimento da garota, foi quando ela finalmente avistou Draco. Seu coração bateu aliviado. Ele estava bem. Correu em sua direção, gritou seu nome, mas ele não a ouviu, estava longe demais e se afastava. Ela o seguiu. Ele dobrou a esquina e parou, ouviu passos apressados e alguém chamando seu nome.
_ É ela...– pensou. Respirou fundo, sentiu seus olhos marejarem, mas foi em frente. Correu o máximo que pode para ganhar distância, mas sem permitir que ela o perdesse de vista.
Enquanto corria Hermione podia ver vários ângulos de uma batalha terrível. Muitos conhecidos estavam caídos, mas muitos comensais também estavam. Percebeu que seguia Draco em direção a mansão, achou bom já que poderia haver algo com que ajudar por lá. Ela achou estranho o fato do caminho estar totalmente livre. Com a varinha em punho e muito encostada a uma parede ela foi se esgueirando até a porta principal. Quando chegou a parte da frente da casa ela viu Draco entrando sorrateiramente. Ela foi em direção a ele, mas parou bruscamente alguns passos à frente. Draco apontava sua varinha para alguém, mas ela não conseguia ver quem era. Encostou-se à parede pensando no que faria se a pessoa atacasse Draco.
Draco parecia desesperado. Ele estava com a camisa meio rasgada e muito suja, inclusive de sangue.As mangas estavam erguidas e Hermione notou que ele não usava mais a faixa que o protegia. Ela estreitou os olhos para tentar interpretar a mancha escura em seu braço. Fechou os olhos e respirou fundo, olhou novamente, seu coração acelerou e ela resolveu se aproximar mais. Ela não estava enganada: era uma marca negra. Ela sentiu o chão sumir sob seus pés, se esqueceu da batalha por alguns segundos ficando totalmente vulnerável. Se apoiou a parede da mansão para não cair quando sentiu a paisagem rodar a sua frente. Ela ainda viu Draco estuporar a pessoa, não sabia o que fazer. Draco olhou para fora antes de entrar e viu que ela estava lá, parada, olhando-o espantada, decepcionada. Os dois se encararam por alguns segundos. Draco ia em sua direção, mas desistiu ao ouvir o som de uma aparatação. Hermione se firmou sobre as pernas e deu meia volta. Draco continuou parado observando-a se afastar. O ruído alto sinalizou a chegada de Lucius Malfoy, mas Hermione já estava fora de seu campo de visão.
_Tem mais alguém aí dentro, Draco? – Lucius perguntou olhando para Neville estirado no chão.
_Acho que não. Não deu tempo de olhar... – ele respondeu ainda olhando para onde Hermione estivera segundos antes.
_Ele está morto?
Draco hesitou: - Sim...
_Ótimo! Venha! – os dois seguiram para dentro da mansão, mas encontraram outros aurores já dentro da casa. Eles foram cada um para um cômodo. Lucius foi atacado ferozmente, Draco conseguiu se esconder.
Dentro da mansão os irmãos vasculhavam cada cômodo em busca de algum caldeirão. Eles não eram difíceis de encontrar, já que Voldemort se instalara ali há algum tempo e utilizava caldeirões o tempo todo. Eles destruíam todos os que encontravam.
_Há milhares de caldeirões aqui dentro. Será que já destruímos o que procurávamos? – Fred perguntou.
_Espero que sim. A essa altura Harry já o encontrou.
Draco correu para se esconder dos aurores que o atacaram. Entrou num cômodo qualquer bem a tempo de ouvir o final da conversa dos irmãos Weasley. Pensou em Hermione e sentiu nojo de si mesmo. Como havia tido coragem? Como havia sido tão covarde? Por que não fizera o que seu coração mandara?
_Ela nunca vai me perdoar... – as lágrimas que ele segurou por tanto tempo finalmente se libertaram. Ele chorou em silêncio. Chorou como a muito não fazia. Desde a tentativa frustrada de matar Dumbledore. Mais uma vez ele chorou de medo, mas não medo de ser punido por não ser capaz de cumprir uma ordem, mas medo de perder o amor de sua vida. Sim... Naquele momento ele teve certeza que realmente amava Hermione. Que pela primeira vez ele tinha um sentimento bom em seu peito, e não era por um familiar. Era por Hermione. A nascida trouxa a quem ele havia humilhado durante anos a fio, e que fora a única a dar-lhe um voto de confiança. Agora aquela confiança estava sendo traída. - Eu não posso perder você, Hermione... – ele pensava. Uma raiva imensa se apoderou dele quando percebeu que tudo aquilo era culpa de seu pai. - Não! A culpa é minha também. Sou culpado por ser tão covarde, sou culpado por não enfrentá-lo! Dumbledore me disse naquele dia que ele poderia me proteger, e a minha mãe e até ao me pai, mas eu não acreditei. E no fim ele estava certo! Ele protegeu minha mãe, e a Ordem me protegeu! Não seria diferente agora! Lucius nunca vai poder fazer nada contra Hermione, ou contra mim! Eu tenho que fazer alguma coisa! Tenho que reverter essa situação e ela vai ter que me perdoar! - ele secou bruscamente as lágrimas que insistiam em cair e se levantou sorrateiro. Saiu do cômodo sem se deixar ser notado pelos irmãos.
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_Vejo que melhorou muito desde a última vez que nos encontramos, Potter. – a figura bizarra de Voldemort falava com Harry enquanto tentava estancar o sangue que escorria de seu braço ferido.
Eles estavam ofegantes e muito machucados. Harry sentia todo seu corpo doer por causa dos vários crucios que Voldemort havia usado nele. Ele não se conformava com o fato de mesmo depois de tanto treinamento ainda não conseguir ler a mente de Voldemort para se defender adequadamente. Este, entretanto, conseguia neutralizar todos os feitiços de Harry, forçando o rapaz a utilizar toda habilidade que seu corpo jovem e forte possuía. Um duelo bruxo contra Voldemort era vantajoso para o vilão, mas numa luta corpo a corpo Harry se saía muito melhor. Foi assim que Harry conseguiu desviar de um feitiço e aproveitar a distração de Voldemort para atacá-lo com o Sectusempra. Ainda assim o feitiço não fora efetivo.
_Desista Potter! Seus amigos nunca encontrarão a última horcruxe. Você não tem chance!
_Nunca, Voldemort! Posso morrer tentando, mas não vou desistir! – ele gritava irritado com a falta de progresso.
_Crucio! – Voldemort derrubou Harry novamente com o mesmo feitiço de antes.
Harry fazia um esforço enorme para não gritar de dor. Não queira admitir a Voldemort que o feitiço estivesse realmente machucando-o. Ele se contorcia no chão, mas não gritava. Por instantes achou que o feitiço pudesse ter afetado seus ouvidos, pois na verdade ele não ouvia nada, não via nada, não sentia nada...
Um filme começou a passar em sua mente. Ele reviu a noite em que conheceu Hagrid, a seleção do primeiro ano, os primeiros presentes de Natal, a noite em que Hermione o abraçou depois de ser despetrificada, a primeira taça de quadribol conquistada, a primeira briga com Rony, e a reconciliação dos dois, o primeiro beijo com Cho, e o dia em que percebeu que estava apaixonado por Gina... - Gina... – o primeiro beijo em frente a todos, a noite em que passaram juntos. – Gina... - Harry... Harry você pode me ouvir? Acorda... Você precisa acordar. Precisa reagir! - Gina...
De repente tudo parou, a dor sumiu e ele começou a ouvir uma risada, uma risada sinistra. Conseguiu ouvir também uma respiração muito alta, ofegante. Sentiu um líquido salgado escorrendo de sua boca. Abriu os olhos com dificuldade. A parca claridade daquela sala o incomodava. Seus sentidos voltaram. Ele percebeu que a respiração ofegante era sua, o líquido salgado era sangue, e a luz estava fraca por que alguém estafa fazendo sombra. A risada foi ficando cada vez mais próxima. Ele forçou os olhos para tentar ver algo, mas tudo que viu foi um vulto ao longe. Um vulto de cabelos muito claros que saía da sala carregando algo nas mãos, mas sem óculos ele não podia reconhecer quem era.
Voldemort se ajoelhou em frente a Harry e ainda sorria. – Ah, Potter! Sabe que eu estou contente, apesar de tudo. Você é um adversário de respeito. É muito forte resistente. Está durando muito mais do que eu esperava. Está durando muito mais do que o fraco do seu pai. HAHAHAHAHAHAHA!!!! – ele ria tanto e com tanto gosto que até lacrimejava. – Ai, ai... Ele deve estar orgulhoso, sabe? Ah... Sua mãezinha de sangue-ruim também deve estar... Ela também não durou muito! Um simples Avada kedavra e ela caiu estatelada no chão! HAHAHAHAHAHA!!! Lembro-me como se fosse ontem! – ele parou de rir e aproximou seu rosto do de Harry. – Nunca me senti tão satisfeito depois de matar alguém, Potter! E agora sinto que minha satisfação vai ser maior ainda! – ele se afastou, deu alguns passou e voltou a encarar Harry que tentava se levantar do chão. – Ah não, não! Não estou falando de matar você. Na verdade já estou cansado de tentar te matar, vai ser mais como uma sensação de missão cumprida, mas não vai me dar tanta satisfação. – Harry já conseguia se apoiar sobre um dos joelhos. – Não... Prazer eu vou sentir depois que eu matar aquela garota... Como é mesmo o nome dela? Hum... – ele levou a mão ao rosto, pensativo. – Ah sim! Ginevra! – Harry se assustou ao ouvir o nome da namorada, Voldemort percebeu. – Sim... Gina... Gininha... Sua namoradinha... HAHAHAHA! Vai ser a primeira depois de você Potter! Ah! Mas claro, só depois que eu me divertir um pouco, por que você sabe, com essa história de acabar com você eu não tenho tido tempo de me divertir... Mas depois de te ver morto vou comemorar! Vou comemorar mandando Hogwarts pelos ares, poupando apenas a pequena Ginevra para depois acabar com ela bem devagar... Bem dolorosamente...
_CALA A BOCA! – Harry já estava totalmente de pé. Seus olhos transmitiam uma raiva jamais vista. Aquilo foi demais. Ouvi-lo macular a memória de seus pais e depois ameaçar Gina foi a gota d’água. – VOCÊ NÃO VAI FAZER NADA DISSO! NÃO VAI TOCAR EM UM FIO DE CABELO DA GINA! EU NÃO VOU DEIXAR!
_HAHAHAHAHA!!! E como pretende me impedir, Potter? – ele desafiou.
_Matando você! – Harry apontou a varinha em direção a Voldemort. – Avada...
_HAHAHAHAHAHA!!!! Você acha mesmo que vai conseguir, Potter?! Você não tem capacidade para tanto! Não tem ódi... – mas ele não teve ânimo de continuar.
_Kedavra! – um jato de luz verde saiu da varinha de Harry e acertou Voldemort em cheio.
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_ Onde será que está o idiota do Weasley? Preciso entregar logo isso a ele!
_Malfoy! O que você pensa que está fazendo?
_Você! O que faz aqui?! Você deveria estar lá fora!
_Eu é que pergunto: aonde você vai com este caldeirão? Passe ele para cá!
_Não!
_Malfoy! Não seja idiota! Entregue-me de uma vez este caldeirão, ou você vai se arrepender! Você sabe que vai! – Lilá se aproximou de Draco com a varinha preparada. Draco empunhou também a sua. Os dois estavam em posição de combate. – Me dê esse caldeirão! AGORA!
_NÃO!
_Impedimenta! – Lilá gritou.
_Expeliarmus! – Draco gritou ao mesmo tempo. Seu feitiço foi mais eficiente. Lilá foi lançada para trás perdendo a varinha. Draco nada sofreu.
_Lilá! O que você está fazendo aqui?! – Rony correu em direção a namorada enquanto os gêmeos cercavam Draco com as varinhas em riste.
_Rony! Malfoy está com o caldeirão verdadeiro! Ele estava tentando escondê-lo! Ele me atacou!
_MENTIRA! ISSO É MENTIRA! BROWN SUA DESGRAÇADA! – Draco avançou para cima de Lilá, mas foi impedido de continuar pelos gêmeos. Os três Weasley o olhavam completamente enojados. O ódio era perceptível principalmente no olhar de Rony!
_Malfoy, você... Como você pode?! Gui confiou em você! Hermione confiou em você!
Draco sentiu seu coração diminuir ao ouvir o nome de Hermione. - Weasley! Tome! Este é o caldeirão certo! Eu ia levá-lo até você! Eu ia te entregar para que vocês destruíssem! Mas ela tentou me impedir! Ela é a traidora! O tempo todo era ela! – Draco dizia aos berros, completamente desesperado.
_É mentira dele, Rony! Eu nunca trairia a Ordem! Você sabe! – Lilá dizia apoiando-se em Rony e com lágrimas nos olhos.
_Vagabunda! Diga a verdade!
_Rony... Você sabe que eu nunca te trairia. Eu te amo!
_Imperius! – Draco exclamou furioso indo em direção a garota e agarrando-a pelo pescoço. – DIGA, BROWN! DIGA A VERDADE!
_NÃO! NÃO!
_DIGA! – Draco praticamente implorava! Sentia que aquele era seu fim. Jamais acreditariam nele.
_NÃO! Rony! Ajude-me! Ele vai me matar!
Os irmãos tentavam em vão livrar Lilá das mãos de Draco, mas ele adquirira uma força inimaginável. Uma força que apenas o desespero fornecia.
_FALE! – Draco gritava.
_Rony! Rony!
Um dos gêmeos então estuporou Draco. Lilá caiu no chão e levou as mãos ao pescoço, chorando. Rony se abaixou ao lado dela e a abraçou.
_Está tudo bem agora. Já acabou... – Rony dizia tentando acalmá-la.
_Precisamos destruir de uma vez o caldeirão! – Fred falou.
_Tem razão! Deixa comigo! – Jorge completou apontando sua varinha para o caldeirão. – Destructo! – um jato de luz branca saiu da varinha de Jorge e se chocou com o caldeirão, um barulho muito alto foi ouvido, mas ao contrário do que se esperava Jorge foi lançado para trás e nada aconteceu ao objeto.
_O que foi isso? – Rony perguntou espantado.
Fred correu em direção ao irmão. – Jorge, você está bem? Jorge! – ele se virou desesperado para Rony. – Ele não responde! Acho que não está respirando!
_Não pode ser! – Rony correu ao encontro do irmão também. – Jorge! Jorge!
Lilá assistia a tudo impassível. Um barulho alto foi ouvido, três comensais entraram na sala. Olhavam de Lilá para Draco caído no chão e então para os ruivos curvados sobre um terceiro.
_O que você fez?! – Lucius foi em direção a Draco e depois para Lilá. – O que você fez?!
Lilá foi mais rápida e atacou-o com um feitiço não pronunciado. Lucius foi jogado desacordado contra uma parede. Os outros comensais começaram a atacar.
Rony correu em direção ao caldeirão, agarrou-o e o jogou para Lilá. – Corra! Corra!
Ela obedeceu. Correu o mais rápido que pode. Rony tentava dar cobertura para que Fred conseguisse sair da casa carregando Jorge. Outros aurores chegaram e controlaram os comensais enquanto os Weasley corriam. Lilá já estava muito à frente, mas foi impedida de continuar por Neville que surgiu de repente.
_Lilá?! O que houve?! – ele massageava a cabeça. – O Malfoy! Foi o Malfoy!
_E... Eu sei Neville, mas agora precisamos sair daqui! Precisamos sair! – ela voltou a correr, mas parou quando ouviu seu nome.
_Lilá, espere! – Rony conseguiu alcançá-la. – Me entregue o caldeirão! – ela hesitou. – Anda! Rápido! Precisamos destruí-lo!
_Não! – gritou.
_O quê?! – Rony perguntou confuso.
_Você não pode! Não pode!
_Lilá! Ficou maluca?
_Ehr... Você... É que... Você não pode fazer isso, ou vai acabar como seu irmão. Não pode Uón-Uón!
_Lilá! Não é hora para isso! Me dê logo esse caldeirão! – ele se aproximou dela.
_Rony, cuidado! – Neville gritou.
Um grupo de comensais cercou o grupo e os atacou ao mesmo tempo. Lilá num impulso levantou as mãos protegendo-se com o caldeirão. Os feitiços bateram em cheio nele que explodiu numa enorme bola de energia e som. Todos foram lançados para longe.
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Voldemort fora lançado longe pelo feitiço de Harry. Ele esperou alguns segundos por algum movimento de Voldemort, mas este não o fez. Então decidiu se aproximar para ter certeza de que finalmente estava tudo acabado.
_Essa... foi... realmente... muito boa, Potter! – Voldemort o desafiava com um sorriso enviesado. Quase não tinha forças para abrir os olhos, mas conseguia rir debochado da situação. – Eu falei que você não tinha capacidade, Potter. – ele se apoiou sobre os cotovelos e tentou se levantar. – Avisei que não conseguiria.
Harry se afastou começando a se desesperar. Sentia as forças se esgotando, mas não podia desistir. - Será que eles não conseguiram encontrar o caldeirão? - pensava levando as mãos à cabeça, preocupado.
_E como poderiam, Potter?! – Voldemort conseguira se sentar, mas não tinha forças para ficar de pé. – O caldeirão está bem escondido, Potter! Está bem aqui! – ele apontou sem olhar. – E mesmo que conseguissem encontrá-lo, o máximo que fariam seria se matarem um a um, porque o caldeirão está protegido! Hahahahaha! Ai, ai... – ele levou uma mão à barriga. – Mas você me machucou, Potter.
Harry olhou para a direção em que Voldemort apontava, mas não conseguia ver nada. Não sabia se não via por que estava sem os óculos, ou se não via porque não havia nada para ser visto. Voldemort notou a expressão incerta de Harry, olhou naquela direção e se assustou.
_Não pode ser!
Harry voltou-se para ele, e pelo tom de voz percebeu que o caldeirão não estava onde deveria.
_Acabou Voldemort! – Harry apontara novamente a varinha para o bruxo. – Tenho certeza de que eles conseguiram! – Harry se aproximara do homem vagarosamente e com a varinha preparada. – Chegou a sua hora, Tom Riddle!
_Não seja idiota, Potter! Você não vai conseguir...
_Sectusempra! – Harry fechou os olhos para não ver a cena que se seguiria.
Voldemort soltou um grito desesperado de dor. Harry lembrou-se de Draco, de como ele havia ficado. Não tinha coragem de abrir os olhos, mesmo sendo Voldemort, Harry fez aquilo porque tinha que ser feito, e não porque lhe daria prazer. Sem abrir os olhos ele deu meia volta e preparou-se para sair. Um misto de alívio e culpa se apossou de seu corpo. Apesar de ter vencido a guerra, ele agora era um assassino, mesmo que o assassinado fosse Voldemort.
_Não... vou... te deixar...sair dessa, Potter!
Harry se virou exausto, sem acreditar. Voldemort apontava a varinha em direção a ele que não teve tempo de se defender.
_Estupefaça! – Harry fora lançado ao chão desacordado. – Hahahahahaha! Eu não vou sozinho, Potter! – Voldemort sentia a vida se esvair de seu corpo. Já havia sentido aquela sensação antes, mas não como agora. Dessa vez era o fim, e ele sabia disso. Reuniu suas últimas forças e apontou a varinha para as cortinas. – Incendio! – repetiu o feitiço várias vezes, até ter certeza de que as chamas não seriam apagadas facilmente. Seu braço caiu exausto ao lado do corpo. Ele fechou os olhos e morreu...
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Draco sentiu uma pontada forte na cabeça exatamente onde ele a havia batido contra o chão. Olhou ao redor e viu dois aurores carregando alguém. Reconheceu os cabelos claros de seu pai. Ele tentou se levantar sentiu um cheiro forte de queimado. Olhou para o andar de cima e percebeu que havia fogo. Muito fogo.
_Potter! – ele se levantou cambaleante e subiu as escadas em direção ao cômodo em que Harry estava. O viu jogado exatamente no meio da sala. Olhou ao redor a procura de Voldemort e o encontrou deformado e banhado em sangue. Reconheceu logo o feitiço. Uma tora de madeira caiu do teto em chamas. Não havia tempo para apreciar a cena. Com um feitiço ele levitou o corpo de Harry e ia descer com ele, mas os aurores já estavam voltando.
_Onde está o Malfoy?! Ele fugiu! Ele fugiu!
Draco levitou o corpo de Harry até o lado de fora da casa pela janela colocando-o suavemente sobre a grama do jardim depois aparatou.
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_Ai! Mas o que houve aqui?! – Rony se perguntava tentando se levantar do chão, mas sem sucesso. Olhou ao seu redor e viu Lilá olhando fixamente para os pedaços do caldeirão a sua frente. – Lilá? Você está bem?
Ela o olhou, mas não respondeu.
_Rony, olhe! A casa está pegando fogo! – Neville gritou chamando a atenção de Rony.
_Não pode ser! O Harry! Ele ainda está lá! – Rony tentou se levantar novamente, mas sentiu que não podia se apoiar em um dos braços, também não conseguia se levantar apenas com as pernas, uma delas estava quebrada. Ele ignorou a dor e ficou em pé. Tentou andar, mas não pode porque a dor era insuportável e porque Fred o segurava. – Harry! Harry!
_Não adianta, Rony! Está tudo acabado! Ele se foi! – Fred dizia emocionado.
_Não! Não pode! – Rony se desesperara.
Todos olhavam emocionados para a casa em chamas. Ninguém notou quando Lilá aparatou.
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Hermione havia perdido a noção de quanto tempo estivera andando sem rumo. Ela sentia a cabeça doendo, o corpo pesado, uma ânsia terrível e o coração dilacerado. - Era isso que o sonho queria dizer. Que eu seria ferida, no coração, da pior maneira possível! - pensava. Logo ela não pode mais resistir. Apoiou-se cambaleante em uma parede, sentiu seu estômago se contrair e vomitou. Limpou a boca com as costas das mãos e tentou continuar, mas não pode. Sua visão ficou escura, ela não podia ver mais nada, desmaiou.
Draco aparatou longe da casa e começou a procurar por Hermione. - Preciso encontrá-la! Preciso explicar o que houve! - ele estava tão aflito que nem se lembrou de usar um feitiço de localização. Andava desesperado olhando para todos os lados e nada. Estava quase desistindo quando a viu caída numa calçada próxima. Correu até lá e segurou sua cabeça chamando por seu nome: - Hermione! Hermione acorde, por favor! – mas ela não respondia. Colocou sua cabeça delicadamente no chão e resolveu ouvir seu coração. Ainda batia. - Ela deve ter sido estuporada. - tirou sua varinha das vestes e apontou para ela para invocar o contra-feitiço, mas não houve tempo.
_Estupefaça! – Draco caiu estuporado. Dino pegou Hermione no colo enquanto Simas amarrava Draco magicamente.
_Ela ainda está viva? – Simas perguntou.
_Está, mas temos que levá-la a Saint Mungus o quanto antes!
_Certo. Você a leva, eu vou a Azkaban entregar esse aqui!
_Ok!
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_Sinto muito Sr. e Sra. Weasley, mas não há mais nada que possamos fazer. Infelizmente ele se foi...
O choro estérico de Molly Weasley era ouvido em vários corredores do hospital. – MEU FILHO! MEU FILHINHO! ESTÁ MORTO! MORTO! NÃO PODE SER!
Todos os Weasley estavam jogados em cadeiras naquele corredor, eles já haviam sido medicados e curados, só aguardavam notícias de Jorge. Agora choravam copiosamente pela perda do irmão. Fred parecia ser o que mais sentia a perda. Nunca havia se separado de seu gêmeo, chorava como uma criança escondendo o rosto nas mãos enquanto tentava conciliar precariamente o choro e a respiração. Rony mais afastado era o mais contido. Sentia como se tivesse perdido dois irmãos ao mesmo tempo, mas não conseguia chorar e não sabia por que.
_Hei, Rony! – as gêmeas Patil se aproximaram dele. – O que houve? – Padma olhava em volta confusa, Parvati procurou por Jorge e quando não o encontrou entrou em desespero. – Rony! Não me diga que... Cadê o Jorge?
Rony não teve forças para responder. Olhou para os próprios pés e sentiu uma lágrima escorrer de seus olhos. Padma abraçou com força a irmã. Rony não agüentou a situação e saiu. Ele andou pelos corredores do hospital a procura de qualquer um, qualquer coisa que pudesse animá-lo. Lembrou-se de Lilá e foi procurá-la. Encontrou Neville e resolveu perguntar.
_Hei Neville...
_Rony! Eu sinto muito cara! – ele estendeu a mão para Rony que a apertou sem força.
_É cara... Não vai ser nada fácil... Duas perdas no mesmo dia...
_Duas? Quem mais morreu? – perguntou confuso.
Rony olhou para Neville com as orelhas vermelhas de raiva. Neville não entendeu a princípio, mas depois continuou.
_Harry? Não, Harry está vivo, cara! Só está desacordado, mas está vivo! As gêmeas o encontraram do lado de fora da casa. Elas ficaram de te avisar! – falou entusiasmado.
_Elas foram até lá, mas aí souberam do Jorge...
_Ah, é... Uma delas era namorada dele, né? – ele ficou sem jeito.
_É... Onde ele está? Eu quero vê-lo.
_Nem adianta, cara! Os medi-bruxos não deixam.
_Droga! Hei, você viu a Lilá?
_Não, achei que estivesse com você!
_Não a vejo desde que a casa pegou fogo. E a Hermione? Você sabe dela?
_Dino a trouxe para cá. Parece que Malfoy a atacou depois que fugiu da casa, mas Simas o encontrou e o levou para Azkaban...
_Ótimo! Vou falar com ela... Preciso conversar com alguém...
_Sem dúvida, cara! Já que o Harry não pode, Hermione é a melhor opção. – falou confortador.
_Valeu, cara.
_Mais uma vez, eu sinto muito, Rony.
Rony saiu à procura do quarto onde Hermione estava. Perguntou a recepcionista daquele andar, mas um medi-bruxo muito simpático se aproximou e disse:
_Ah, que bom que apareceu, Sr. Granger?
_Weasley! – respondeu confuso.
_Me acompanhe, por favor. Precisamos conversar.
Rony acompanhou o homem até seu consultório um andar acima. Antes de entrar o homem falou com sua secretária: - Srta. Wayne, por favor, traga a paciente do 308.
_Sim senhor! – a mulher mirradinha, mas muito ágil saiu rapidamente de seu posto e se dirigiu ao corredor dos quartos.
_Por aqui, senhor Weasley. – os dois entraram e o homem contornou a mesa para se sentar. – Tenha a gentileza. – ele apontou a cadeira para Rony, que se sentou sentindo-se desconfortável com toda aquela formalidade. O homem sorria para ele satisfeito.
_Ehr... Doutor, eu só queria saber se Hermione está bem? Se eu posso falar com ela? Soube que ela foi atacada por um comensal...
_Ah, não se preocupe! A moça e o bebê estão ótimos! – o homem disse mais sorridente ainda.
_Que bebê?! – Rony se sobressaltou.
_Como assim? Você não sabia que sua namorada estava grávida?
Rony olhava para o homem estupefato. Um barulho alto foi ouvido atrás dele e a secretária mirradinha entrou assustadíssima.
_Doutor! Ah doutor! A paciente desapareceu!
N/A: Esse é o último capítulo do que eu chamaria da primeira parte dessa fic. Pensei em colocá-la como completa e continuar com outra, mas desisti. Alias quase desisti de escrevê-la tb. Por que os comentários pararam? Gostaria que vcs me deixassem algum recado nem que fosse para dizer: “Desista Lika, não precisa nem escrever o resto!”
Sem comentários ficamos sem saber se tem alguém lendo a fic ou se estamos escrevendo a toa. Não queria chegar ao ponto de pedir por comentários pq acho que qdo a fic é boa as pessoas comentam e ponto, mas estou desmotivada a continuar escrevendo pq não tenho tido nenhum tipo de retorno. Por favor, comentem este último cap para eu saber se devo ou não continuar escrevendo. Tenho mtas idéias para a continuação, mas fico sem ânimo de escrever qdo entro no site e vejo que ninguém comentou. Espero q compreendam esse meu desabafo. Obrigada, Lika Tesamma.
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