Capítulo 02
Quando estava no final da escada, ele pode ouvir as instruções da Sra Weasley a Rony e Mione:
- Comportem-se, voltem logo, não passem perto da Travessa do Tranco e – ela baixou a voz ao dizer isso – fiquem de olho no Harry. Ele não está com uma cara muito boa...
- O que está fazendo ai Harry, no pé da escada? – disse Gina, que vinha descendo as escadas.
Harry olhou para trás. Gina vinha descendo as escadas e parou onde ele estava. Ela estava muito bonita. Harry pensou se não era essa a hora de cair na real e voltar a viver. Pensou em convidar Gina para sair. Seria mais fácil já que todos diziam que ela tinha uma quedinha por ele. Então,
meio que por impulso:
- Ahhh... Gina? Você não quer tomar um sorvete comigo mais tarde no Beco Diagonal?
Gina ficou extremamente vermelha e disse:
- Claro vamos todos eu, você o Rony e a Mione...
- Não Gina estou falando somente eu e você. Sem Rony e sem Mione. E ai, você topa?
Os olhos de Gina brilharam de felicidade. E ela estava bem mais vermelha quando respondeu:
- Ahhh... Só nós dois né? Ahhh... pode ser! Errr... acho melhor a gente voltar logo pra cozinha se não vai ficar muito tarde...
- Claro! – disse Harry e os dois seguiram para a cozinha.
Eles foram com Flú. Rapidamente compraram tudo o que precisariam para a escola. Então Rony disse:
- Ei Harry vamos até a loja dos Gêmeos?
- Ahhh... É que eu convidei a Gina para tomar um sorvete... – disse Harry, corando levemente.
- Ahh Rony eu vou com você! – disse Hermione enquanto puxava um Rony meio passado para o meio da rua.
- Vamos? – convidou Harry.
Eles não conversaram muito durante o caminho. Pegaram uma mesa meio escondida na sombra e quando Harry trouxe os sorvetes, eles ficaram em silêncio por alguns minutos.
- Harry e a AD hein? – disse Gina tentando quebrar o gelo.
Foi o suficiente para começarem a conversar. E eles conversaram por muito tempo. Gina conseguiu fazer Harry esquecer de Jully. Foi a primeira vez que Harry conseguiu falar de quadribol sem se lembrar de Jully depois do acidente. Já era tarde quando Rony e Mione voltaram.
- Acho que já esta na hora de irmos hein? – disse Mione meio encabulada.
- Claro, acho que perdemos a noção do tempo! – disse Gina corando.
Eles voltaram para a Toca e depois de ouvirem um sermão de uma Sra Weasley muito preocupada (Vocês poderiam ao menos terem me avisado!), todos subiram para tomar um banho antes do jantar. Harry se sentia bem melhor, gostara muito de conversar com Gina. Eles conversaram sobre tantas coisas que ele até começara a reparar como ela estava diferente... Mais bonita... Mais crescida... E o melhor: não pensava em Jully desde a hora que acordara...
Gina e Hermione mal haviam entrado no quarto quando Hermione perguntou:
- Gina o que é que esta rolando entre você e o Harry???
Gina tentou disfarçar a alegria quando respondeu:
- Ah Mione... Não está rolando nada entre a gente! Somos só amigos...
- Gina você não me engana!!! Você esta muito feliz desde que voltamos do Beco Diagonal! Eu te conheço – insitiu Mione.
- Ta bom Mione você venceu! – disse Gina, muito vermelha.
As duas se sentaram na cama de Gina, uma de frente para a outra e Gina contou todo o encontro dos dois.
- Então acho que finalmente o Harry percebeu que tinha que partir pra outra!!! E não poderia ter escolhido ninguém melhor que você!!! – disse Hermione radiante – Não que eu não gostasse da Jully, ela era minha melhor amiga também mas o que ela fez...
- Foi horrível o que ela fez!!! Imperdoável!!! Eu jamais perdoaria alguém que me abondonasse daquela maneira! Sem nem ao menos se despedir... – disse Gina séria.
- Bom, ela deve ter tido os motivos dela... – ponderou Hermione e depois disse - Mas o que importa é que Harry finalmente virou essa página...
- É, pode ser... Mas eu não quero me iludir muito!!! É melhor deixar as coisas rolarem... – respondeu Gina, mas seus olhos brilhavam de felicidade quando ela entrou no banheiro – Bom Mione vou tomar um banho...
Gina entrou no banheiro, encheu a banheira e acrescentou algumas gotas de uma poção espumante. Enquanto a banheira se enchia ela ficou relembrando o encontro com Harry. Ela gostava dele desde a primeira vez que o viu. E agora ele parecia finalmente ter reparado nela...
Rony estava deitado em sua cama lendo um livro de quadribol, Harry também deitado pensava em Gina.
Sentia um pouco de remorso em “esquecer” Jully em tão pouco tempo. Mas Gina estava tão linda! E ainda gostava dele... Ficou pensando no seu sorriso, seus olhos castanhos, seu corpo, o jeito meigo com que ela o tratava... Não podia deixar escapar essa chance! Mesmo que ainda amasse Jully, ele tinha que tentar gostar de outra pessoa, tinha que esquece-la, por mais difícil que isso fosse. E ainda tinham as crianças... Mas então ele se lembrou de Rony, que não parecia ter gostado da idéia de ele estar com a Gina. Desde que haviam voltado do Beco Diagonal, caíra entre eles um silêncio incomodo. Até que finalmente Rony quebrou o gelo:
- Harry... Você está afim da Gina?
- O quê ?! – Harry foi pego de surpresa.
- Eh cara você entendeu a minha pergunta! Pode responder sem problemas!!!
- Rony sinceramente eu não sei... Você sabe que eu ainda penso na Jully!!!
- Eu sei Harry e é por isso mesmo que estou te dizendo isso... Por que sei que a Gina gosta muito de você... Então acho que você devia investir nela e esquecer a Jully de uma vez por todas... E também prefiro ver a minha irmã com você do que com um idiota qualquer....
- Acho que preciso de um tempo pra pensar... E cara a Jully se foi... Tenho que entender... A Gina sempre foi apaixonada por mim e devo te confessar que antes da Jully aparecer eu estava interessado nela... Só preciso fazer esse interesse voltar... – Harry corou ao terminar a frase.
- Você está falando sério cara? – Rony perguntou e Harry afirmou com a cabeça.- Bom... então você tem o meu apoio!!!
Harry se sentiu muito bem em saber que tinha o consentimento de Rony para investir em Gina. Mas havia uma voz em sua cabeça que dizia que ele estava prestes a cometer um erro. E ele acabou decidindo que não daria ouvidos a ela. Então a porta se abriu e por ela entraram Gina e Hermione. Hermione estava de jeans e uma camiseta colorida, os cabelos presos em um rabo de cavalo. Já Gina parecia uma garotinha, com um vestido florido e os cabelos presos em duas tranças. O estômago de Harry, ao vê-la deu um solavanco estranho... Rony piscou marotamente para o amigo. Harry sorriu. Aquele ar inocente e ao mesmo tempo provocante de Gina estava muito interessante...
- O jantar está pronto! – Ela disse, sorrindo para Harry – e a mamãe colocou a mesa no jardim.
- A noite está maravilhosa! – disse Mione.
Eles desceram e viram que a Sra Weasley suspirava dizendo que a noite estava muito bonita e estrelada. O jantar foi muito divertido, e Harry, pela primeira vez em muitos dias estava faminto. Percebeu que ele e Gina estavam trocando uns olhares bem diferentes desde o encontro no Beco Diagonal. Depois da sobremesa, Harry e Rony embora sonolentos ainda jogaram uma partida de xadres de bruxos, e como era de se esperar, Rony venceu. Já era quase meia noite quando eles subiram para dormir. Harry se deitou na cama e ficou acariciando Edwiges. Rony já havia desmaiado na cama ao lado. Ele ficou pensando no dia em que havia passado com Gina. Fora um dia muito melhor do que quando ele ficava trancado no quarto pensando em Jully. Agora parecia que seu interesse por Gina estava voltando. Mas mesmo assim, ele continuava sentindo que não deveria se envolver com ela. Alguma coisa dentro de sua cabeça lhe dizia que Jully voltaria para ele. E de uns tempos pra cá estava pensando tanto em seus filhos que até sonhara com eles! Mas seus pensamentos estavam divididos entre as lembranças de Jully e as expectativas de Gina. Ele ficou ali pensando em toda aquela história, uma grande confusão ocorrendo em sua cabeça, as lembranças passando rápido como um filme. “Preciso me distrair”, pensou ele e tirou seu malão de baixo da cama. Abriu-o e começou a procurar algum livro quando encontrou aquela caixa. Ele a pegou nas mãos e ficou olhando-a. Sabia que tudo que estava ali traria lembranças dela. De todos os momentos que passaram juntos. Acabou não resistindo e a abriu. Como o quarto só estava iluminado pelo luar, ele não conseguia enxergar direito todos os objetos da caixa, exceto um deles, que brilhava intensamente. Era um cordão de prata, onde uma pequena borboleta de cristal era usada como pingente. Assim que ele tocou o cordão, a borboleta começou a bater as asas suavemente. Ele se lembrava muito bem do dia em que havia dado o medalhão de presente a ela. Ele pegou o medalhão nas mãos e o segurou, fechou os olhos e começou a se lembrar daquele Natal...
“ Um bom tempo já tinha se passado desde o dia em que eles haviam se beijado desde a primeira vez. E embora ambos tivessem tentado fingir que aquilo não havia acontecido, eles acabaram se rendendo ao sentimento e começaram a namorar. Mas preferiram que, a princípio, ninguém ficasse sabendo. Nem mesmo Rony e Mione. E durante um pouco mais de um mês, eles se encontraram às escondidas. Finalmente o Natal chegou. Harry estava extremamente apreensivo por que não tinha a menor idéia do que dar de presente a Jully. E ela também não fazia a menor idéia do que dar a Harry. Mas eles não estavam falando a respeito. Tinha ficado cada vez mais difícil ficarem sozinhos, por que o estoque de desculpas esfarrapadas de ambos já tinha se esgotado. Então, quando finalmente conseguiam uma brecha para se encontrarem eles faziam o que qualquer casal faz. O calor que Harry sentira a primeira vez que beijara Jully só aumentara desde então e ela, devido ao tempo em que estavam juntos e a intimidade que nascia entre eles, estava deixando as coisas mais fáceis a ele. E estava ficando cada vez mais difícil para ela evitar que o inevitável acontecesse.
Na véspera de Natal, um pouco depois da meia-noite, Jully estava deitada em sua cama quase dormindo quando escutou algumas batidinhas leves. Ela se virou e viu Edwiges com um pequeno pedaço de pergaminho no bico. Ela se levantou e abriu a janela rapidamente, fez um carinho em Edwiges, que piou carinhosamente e voou para longe. Jully se sentou na cama e desdobrou o bilhete que dizia somente: “ Na torre de Astronomia daqui a 15 minutos”. Ela sorriu e olhou ao seu redor. Todas as meninas estavam dormindo. Deu um sorriso e tirou o malão lentamente de baixo da cama. Pegou sua varinha e uma capa de viagem. Vestiu o roupão, a capa e colocou a varinha no bolso desta. Quando se levantou da cama, arrumou os cabelos vendo seu reflexo no vidro da janela e estava quase saindo quando ouviu novamente as batidinhas na janela. Era Edwiges, que agora trazia um pequeno pacote. Ela o pegou e quando o abriu, dele caiu a capa da invisibilidade de Harry e um outro bilhete, em que estava escrito: “Use minha capa para chegar até lá. E não se preocupe, eu me viro...” Ela deu um sorriso, e saiu do dormitório. Quando estava quase saindo pelo quadro da mulher gorda, ela vestiu a capa. E quando estava quase chegando na torre, viu Madame Norra andando pelo corredor e se sentiu aliviada por estar usando a capa. Quando chegou na entrada da torre, tirou a capa e subiu as escadas correndo. Estava muito frio. Ao entrar, viu que Harry já a esperava. Ele se virou e sorriu. Ela retribuiu o sorriso e disse:
- Não tinha um lugar melhor não? Eu estou morrendo de frio...
- Vem cá! – disse Harry enquanto a abraçava – Eu esquento você!
Eles começaram a se beijar e logo o frio passou. Se a temperatura de seus beijos pudesse ser passada ao ambiente, ficaria realmente quente naquela torre. Sem pararem de se beijar, eles foram tirando suas capas e seus roupões. Mas quando Harry começou a baixar a alça da camisola, Jully pareceu acordar do transe:
- Não! Pára! Pára... – ela disse ofegante, enquanto se desvencilhava dele...
Ele então se virou de costas, pegou a capa do chão e ficou observando os jardins, sem olhar para ela. Não agüentava mais esperar e ela ficava fazendo isso...
Jully percebeu que ele ficara chateado. Pensou em ir embora mas desistiu. Então vestiu seu roupão e andou em direção a ele.
- Harry... Por favor, não fique chateado comigo... É que eu não quero que seja assim... Eu... Eu ainda não me sinto preparada... – ela disse, sincera.
- Tudo bem... – ele respondeu, embora ainda não olhasse pra ela e nem conseguisse esconder a decepção.
- Olha eu já comprei o seu presente... – Jully disse, tentando mudar de assunto.
- Hum... – respondeu Harry. Por mais que soubesse que a culpa não era dela, ele estava com raiva - Por que ela o tentava se na hora H pulava fora? Por que ela tinha ido até a torre então?
Jully percebeu que ele estava chateado com ela. Se sentiu mau. Depois de alguns minutos pensando no que fazer e segurando o máximo que pôde, ela não aguentou e começou a chorar. Ela se abaixou, e pegou a capa para voltar ao dormitório. Harry, quando percebeu que ela estava chorando, caiu em si e viu que ela não tinha culpa de nada e sentiu um grande remorso.
- Jully espera! – e ele correu ao seu encontro. No meio da escada conseguiu alcança-la. Ele a abraçou e disse:
- Jully olha... Me desculpa! Por favor! Eu prometo que não vou mais forçar a barra....
- Harry... eu... eu também quero fazer isso mas é que eu não acho que seja a hora... Estamos juntos a muito pouco tempo... Eu ainda não me sinto segura... Não acho que...
Harry entendeu perfeitamente o que ela queria dizer. Mas não acreditou. Como ela podia duvidar de seus sentimentos?
- Peraí Jully você está querendo dizer que acha que eu não te amo o suficiente?
- Claro que não!!! – ela disse, e percebeu que não devia ter falado aquilo para ele...
- Foi o que então? Você acha que eu estou com você só por que quero fazer...
- Não!!! Não é nada disso!!! – disse Jully, que estava chorando de novo.
Mas Harry não tinha gostado das insinuações de Jully. Ficara realmente chateado. E as lágrimas dela, dessa vez não iam faze-lo amolecer.
- Bom é melhor irmos embora... Já está ficando tarde e... – ele disse enquanto ia em direção a porta.
- Eu só vou embora quando você aceitar as minhas desculpas! – ela disse enquanto se aproximava e o olhava nos olhos. Ele desviou o olhar. Não queria olhar nos olhos dela. Não queria desculpa-la. Como ela podia ter duvidado dele!!
- Ta bom... – ele disse e continuou descendo as escadas. Ela correu e parou um degrau abaixo dele e disse:
- Isso não foi verdadeiro...
- Jully você me pediu que eu fosse sincero com você... E eu estou realmente muito chateado... Amanhã a gente conversa... – E ele continuou a descer as escadas. Jully ficou esperando e desejando muito que ele olhasse para trás e dissesse que ela estava desculpada. Então de repente ele olhou para trás e disse:
- Ah! E não se esqueça de vestir a capa da invisibilidade... – e foi embora pelo corredor escuro.
Jully ficou ali por alguns minutos pensando no que tinha feito e depois de mais ou menos meia hora ela desceu as escadas para voltar ao salão comunal. Quando estava no corredor do retrato da Mulher Gorda ela teve uma idéia. Virou e foi correndo até o corujal. Lá estava muito frio. Viu que a maior parte das corujas estava caçando. Então, cruzou os dedos e procurou Pearl entre as corujas que estava lá. Olhou por longos minutos mas não a encontrou. Mas alguma coisa lhe dizia que mesmo que ela estivesse ali, ela não a veria naquela escuridão. Só tinha um jeito de descobrir. Ela foi até o meio do corujal e chamou:
- Pearl? – e quase no mesmo instante ele viu um par de olhos cor de mel na escuridão. – Pearl vem cá!
E a coruja foi ao encontro de sua dona e pousou em seu ombro. Jully fez um carinho na cabeça da coruja e disse:
- Pearl, preciso que você me faça um favor.. – Ela pegou um rolinho de pergaminho do bolso e o amarrou na perna estendida da coruja. – Entregue ao Harry. E espere a resposta dele. Depois a traga para mim, eu vou estar no dormitório.
A coruja estalou o bico e levantou vôo. Jully voltou o mais rápido que pôde ao dormitório e esperou.
No dormitório dos meninos...
Harry tinha voltado da torre de Astronomia a uma meia hora, mas não conseguia dormir. Estava muito confuso. Muitas coisas estavam passando pela sua cabeça naquele momento. E enquanto ele estava ali, perdido em pensamentos quando ouviu uma batidinha na janela. Olhou e viu uma coruja com olhos cor de mel olhando para ele. Ele se levantou e abriu a janela:
- Pronto Pearl! Pode ir... – respondeu ele mal humorado enquanto fechava a janela. A coruja então, antes que ele fechasse a janela, bicou a mão de Harry e deu um pio de protesto.
- Ai! O que mais você quer? Eu já peguei essa carta idiota e não tenho biscoitos aqui...
Pearl piou novamente, como se dissesse a Harry que ele tinha que ler a carta. Então ele se sentou na cama, e abriu a carta, tentando ignorar o vento gelado que entrava:
“ Harry,
Me perdoe por favor! Eu não quis que você entendesse o que eu disse daquela forma.
Aprendi que não se deve falar sobre suas paranóias aos meninos... Mas a sua reação me fez perceber que você me ama de verdade! E eu te amo muito! Tenha certeza disso! Então por favor... ME PERDOA!
Estou esperando uma resposta!
Jully
Ah... Se a Pearl te bicar não liga! Eu pedi pra ela esperar ai até você me responder!”
Ele terminou de ler e viu que Pearl estava parada no parapeito da janela imóvel, esperando a resposta. Ele abriu a gaveta do criado-mudo, pegou uma pena e escreveu atrás do mesmo pergaminho:
“ Tudo bem Jully... Você sabe que eu não consigo ficar bravo com você durante muito tempo...
Também te amo!”
Ele enrolou o pergaminho e recolocou-o na perna de Pearl que piscou pra ele e voou para o dormitório das meninas.
E finalmente chegou o Natal. Harry acordou e viu a habitual pilha de presentes na beirada de sua cama, que como sempre, era menor que a de Rony. Ele mal desejou feliz natal ao amigo e começou a procurar o presente de Jully. Encontrou somente um envelope em que um pequeno bilhete com a sua caligrafia dizia:
“O seu presente é muito especial então quero entrega-lo pessoalmente.”
Harry sorriu para si e guardou o papel no malão. Se trocou e junto com Rony desceu para tomar café. Quando eles estavam saindo pelo buraco do retrato da Mulher Gorda, encontraram Jully e Hermione voltando do café. Harry deu um sorriso a Jully, que ela retribuiu. Até a hora do almoço eles não conseguiram se falar a sós. Mas quando acabou o almoço de Natal, ouve uma brecha. Eles estavam no salão comunal jogando xadrez de bruxo quando Rony, que tinha comido uma torta de banana inteira, começou a passar mal. Ele acabou jogado em uma das poltronas em frente a lareira, meio esverdeado e suando muito e Hermione tinha ido até a enfermaria pedir uma poção para Madame Pomfrey. Então Harry disse:
- Rony acho que vou comer alguns sapos de chocolate, você quer um?
Rony se levantou de um salto, com a mão na boca e correu para o banheiro. Harry riu e cochichou a Jully:
- Vou pegar o seu presente e vamos dizer a Mione que vamos visitar o Hagrid!
- Ta! Eu também vou pegar o seu! – ela respondeu e ambos subiram correndo aos seus dormitórios.
Se encontraram no salão comunal em cinco minutos, ambos de luvas, cachecol e gorro. Quando estavam saindo pelo retrato, eles encontraram Hermione voltando, apressada, com um vidrinho nas mãos.
- A enfermaria estava lotada quando cheguei! Parece que aquela torta de banana que o Rony comeu não estava tão boa quanto parecia... Madame Pomfrey estava distribuindo muitas poções, por sorte consegui pegar a última... Mas onde vocês vão? – ela perguntou vendo que eles estavam encapuzados.
- Mione nós vamos visitar o Hagrid! Eu prometi a ele que iríamos lá hoje mas com o Rony deste jeito... Você se importa de ficar com ele? – disse Harry. Jully cruzou os dedos por dentro da capa.
- Ahh... Tudo bem eu fico com ele! – disse Hermione sorrindo. Ela sabia muito bem que eles não iam visitar o Hagrid, mas se eles não queriam contar a ela...
Quando eles cruzaram o corredor Jully perguntou:
- Torre de Astronomia?
- Não... È Natal... Vamos até um lugar que tenha neve... Que tal atrás das estufas? – disse Harry, e vendo a expressão de espanto de Jully – Sem segundas intenções, prometo!
- Tudo bem! – disse ela sorrindo e, de mãos dadas, eles correram para lá.
Lá eles se beijaram durante um bom tempo até que Harry disse:
- Bom agora vamos aos presentes. – e entregou a Jully uma caixinha pequena. Quando ela abriu encontrou um cordão de prata onde uma borboletinha de cristal servia de pingente.
- Ohhh! Harry... é linda! – disse Jully.
- Comprei essa borboleta por que achei a sua cara. E por que quando o dono dela sente uma emoção muito forte, ela bate as asas. Então sempre que você estiver muito triste, ou muito feliz, ela vai bater as asas e você vai lembrar de mim. – explicou Harry.
- Eu amei! E aqui está o seu presente... – e ela lhe entregou uma caixinha preta. Ele a abriu e encontrou dentro uma pulseira de couro onde havia um pingente de ouro com forma de raio. – Parece que tivemos a mesma idéia. Esse raio é feito com ouro élfico. É para dar sorte...
- Uau! – disse Harry - É muito legal! Mas Jully eu não preciso mais de sorte! Eu já encontrei você...
E eles se beijaram novamente. Então um farfalhar de asas fez Jully interromper o beijo. Ela olhou para o seu e viu um pontinho preto com um pequeno pacote.
- Bem a tempo! – ela disse, dando pulinhos de alegria. Harry estava sem entender. Então Pearl sobrevoou os dois, deixou cair um pacotinho nas mãos de Jully e voou para o corujal. Jully se sentou na neve e fez sinal para Harry se sentar ao lado dela.
- O que é isso? – Harry perguntou. Jully abria lentamente o pacote, que continha um par de espelhos com a moldura prata. Pareciam muito velhos. – Espelhos?
- Harry... estes são os espelhos gêmeos! São chamados assim por que ambos podem refletir a sua própria imagem e a imagem do outro. Este é seu – ela entregou um dos espelhos a Harry e pegou o outro para si. – E este é meu. Sempre, a qualquer hora e qualquer lugar que você quiser falar comigo, é só me chamar pelo seu espelho e eu escutarei pelo meu.
Harry então se lembrou que Sirius havia lhe dado um espelho igual a aquele no ano passado, mas não queria relembrar aquilo... Ficou parado, mirando a própria imagem no espelho quando Jully disse, animada:
- Então? Vamos testar?
- Claro! Eu vou para algum lugar e daqui a cinco minutos você me chama pelo espelho. – disse Harry, levantando.
- OK!
Harry então sai e Jully ficou esperando. Quando os cinco minutos se passaram...
- Harry? – perguntou Jully a sua própria imagem no espelho. A princípio parecia não ter funcionado, quando de repente ela viu a imagem de Harry sorrindo:
- Oi! Funciona! – disse ele empolgado.
- Promete que vai andar sempre com ele? – ela perguntou séria.
- Claro! Prometo! – ele respondeu e ambos sorriram um ao outro pelo espelho.
Eles brincaram de adivinharem onde estavam com o espelho até o anoitecer...”
A borboleta do cordão continuava a bater as asas suavemente. Ele a olhou e guardou de volta na caixa, mas quando ela bateu no fundo, produziu um som metálico. Era aquilo. Ele virou um pouco a caixa e viu o reflexo de seus olhos no espelho gêmeo. Quantas vezes ele já tinha tentado falar com Jully pelo espelho, ele já nem fazia mais idéia. Mas a esperança é a ultima que morre... “Quem sabe hoje não é diferente?” ele pensou, uma pontinha de esperança crescendo em seu peito enquanto tirava o espelho gêmeo do fundo da caixa. Ele mirou a própria imagem por alguns segundos, respirou fundo e disse:
- Jully? – e esperou. Esperou durante quase quinze minutos e não recebeu resposta. Então ele deixou o espelho em cima da cama e desceu para beber água, decepcionado. Mas assim que ele fechou a porta, apareceu no espelho um par de olhos cor de mel que disse, com uma voz fraca:
- Harry?
Mas ela também não obteve resposta.
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