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12. CAPITULO XII


Fic: Coração de Guerreira. Concluída!


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPITULO XII

Anoitecia, quando Luna ouviu passos aproximando-se de sua cabana. Quem quer que estivesse chegando, não fazia a menor questão de manter silêncio. Aliás, os passos soavam tão pesados, que ela imaginou um gigante encaminhando-se para a cabana minúscula, a fim de esmagá-la. Tendo acabado de se deitar, Luna rolou com agilidade, apanhando a espada antes mesmo de se pôr de pé.
Mesmo assim, ela mal se posicionara, quando a porta se abriu com um estrondo, sem qualquer batida ou aviso anterior. Luna não teve tempo de interrogar o visitante, pois uma figura enorme e ameaçadora já atravessava a soleira. Com a habilidade resultante de longa prática, ela não hesitou antes de atacar a forma escura com sua espada, antes que a criatura tivesse a chance de atacá-la primeiro. Porém, em vez de reagir e lutar, seu oponente praguejou em alto e bom som, em uma voz familiar, que fez a espada cair de seus dedos trêmulos.
- Ah, não! Harry! - Luna gritou, em pânico, ao mesmo tempo que estendia os braços e pousava as mãos frenéticas no corpo musculoso.
- Está tentando me matar? - ele resmungou, quando os dedos dela encontraram o rasgo em sua túnica.
A acusação transformou o medo de Luna em indignação.
- Por que não está usando a armadura? - ela inquiriu com voz dura.
- Porque não esperava ser atacado!
- Deveria estar sempre preparado para um ataque! - Luna argumentou, um segundo antes de seus dedos sentirem a umidade do sangue de Harry. - Ah, meu Deus! Cortei você!
O pânico voltou a sacudi-la e, forçando-o a dar meia-volta, ela soltou-lhe o cinturão e deixou-o cair no chão. Como a túnica atrapalhasse o exame do ferimento, Luna ergueu-a, até que Harry levantou os braços, deixando que ela o despisse parcialmente.
- Está escuro demais, aqui. Vamos até a porta. - ela sussurrou, aflita, arrastando-o para a entrada da cabana.
Infelizmente, o dia se fora e a iluminação não era suficiente. Por isso, ela se ajoelhou para acender a lareira. Harry permaneceu imóvel e silencioso, atrás dela, e Luna perguntou-se por que ele estaria se comportando de maneira tão estranha, uma vez que não era do feitio do cavaleiro irascível ser tão dócil e submisso. Bem, talvez, fosse a dor do corte. Por que mais ele a deixaria apalpá-lo, virá-lo e cutucá-lo, na semi-escuridão? Foi somente quando as chamas se ergueram e Luna virou-se, que uma outra possibilidade lhe ocorreu. Abaixada diante do fogo fraco, ergueu os olhos e… perdeu o fôlego.
Harry continuava de pé, parecendo enorme e formidável, sem dar sinais de possuir um ferimento. Estava despido da cintura para cima, o peito largo, coberto de pêlos negros, refletindo o brilho avermelhado do fogo. Por um momento, Luna foi incapaz de mover-se, ou de falar, pois descobriu-se hipnotizada pela beleza máscula à sua frente.
Fixou os olhos no ventre liso, sentindo o olhar dele a queimar-lhe a pele, sentindo o sangue latejar em suas veias. Respirando fundo, forçou-se a concentrar a atenção no local do ferimento, onde Harry voltara a sangrar. Depois de um exame cuidadoso, concluiu que o corte era superficial e, então, suspirou aliviada.
- Foi só um arranhão. - Harry murmurou, como se houvesse lido os pensamentos dela. - Sua intenção era marcar-me com sua espada, da mesma maneira que me marcou com seus dentes?
As palavras sussurradas em voz rouca fizeram Luna estremecer diante da lembrança de sua recente perda de controle. Fechando os olhos, ela tentou afastar imagens de Harry e ela, na cabana, os lábios colados, os corpos pressionados um contra o outro… Permaneceu na mesma posição, pois teve medo de se levantar, de olhar para ele. O que Harry faria? Se ele a tocasse, teria forças para rejeitá-lo?
- Se foi, - ele continuou com voz ainda mais suave - saiba que prefiro sentir a sua boca, ao metal de sua espada.
A arrogância de Harry salvou-a, pois Luna irritou-se com tamanha presunção. Por que ele não podia, simplesmente, deixá-la em paz? Quantas vezes ela teria de lhe dizer não? Até quando ele pretendia testá-la? Endireitando-se, empinou o queixo e encarou o homem que brincava com seus sentimentos, de maneira tão injusta.
- Teve sorte por não ter sido atravessado pela lâmina de minha espada, idiota! - sibilou, cruzando os braços. - Como se atreve a entrar aqui, sem bater? Não tem o direito de…
As palavras morreram nos lábios de Luna, diante do olhar de advertência que Harry lhe lançou.
- Você já me enlouqueceu por tempo demais. - ele murmurou com um brilho selvagem no olhar, que assustou Luna.
Assim como as mãos firmes que pousaram nos ombros dela. Sabendo que seria um grande erro permitir que ele a tocasse, Luna tratou de esquivar-se rapidamente. Então, apanhou a túnica de Harry, que havia atirado no chão, em sua ânsia de examinar-lhe o ferimento, e estendeu-a para ele.
Harry, porém, não a pegou. Por um longo momento, permaneceram em silêncio. Os únicos sons na cabana eram da respiração alterada de ambos e do crepitar do fogo. Embora não olhasse para ele, Luna sentiu os olhos de Harry fixos em seu rosto, com uma intensidade que parecia capaz de queimá-la. Desesperada, falou em tom brusco:
- Vista isso e deixe-me em paz, Harry! Eu já disse que não vou me deitar com você!
Bateu no peito largo à sua frente, mas Harry não fez menção de obedecê-la, provocando nela uma pontada de pânico. Ali estava um inimigo que ela não sabia como combater, pois ele não se detinha diante da frieza ou de palavras rudes e, nem mesmo, da ameaça de sua espada. Luna não seria capaz de ignorá-lo, ou de enganá-lo, nem de vencê-lo em luta. E a determinação de Harry era tão firme quanto a dela. O que aconteceria se ele voltasse a tocá-la? Luna sentia o tênue controle se dissipar. Estavam muito próximos. Suas mãos, ocupadas em segurar a túnica, poderiam abandonar o tecido e, com facilidade, acariciarem os músculos firmes do abdômen de Harry. O fogo aquecia-lhe as costas, mas não era nada se comparado ao calor que Harry emanava. Luna respirou fundo, mas o que aspirou foi o odor másculo e tão característico de Harry. Sentiu-se atordoada de desejo.
- Então, case comigo. - ele falou de repente.
Luna ficou imóvel, chocada e incrédula. Com certeza, não ouvira bem o que ele dissera.
- O quê? - inquiriu, finalmente erguendo os olhos para fitá-lo.
Divisou nas sombras as feições que haviam se tornado tão preciosas para ela, que Luna sentia-se tentada a arriscar tudo pelo prazer que sabia que encontraria nos braços dele. No entanto, não encontrou a retribuição de tamanha afeição naquele olhar.
- Case comigo. - ele repetiu.
Naquele momento, Luna sentiu o coração, que até então fora guardado com tanto cuidado, despedaçar-se. Aquela não era uma oferta de união apaixonada, mas sim mais uma ordem que Luna dava entre dentes.
- Então, você não precisará temer o risco de gravidez. Se uma criança nascer, ela terá o meu nome. - Harry acrescentou, sem se mostrar entusiasmado pela perspectiva.
Embora Luna jamais houvesse sonhado em constituir uma família, ela se sentiu ultrajada pela atitude que ele demonstrava com relação a um bebê inocente. Porém, não teve chance de questioná-lo, pois Harry prosseguiu com seu discurso:
- Expulsarei Draco e retomarei Ansquith, eu prometo. Se for necessário, derrubarei aqueles muros, com a força dos exércitos dos Potter.
Luna fitou-o incrédula. Não era a ausência de amor na proposta de Harry que a magoava, uma vez que ela nunca confiara em sentimentos tão etéreos. Também não a feriu a menção de batalhas, em lugar de palavras românticas. Foi a maneira como ele a fitava, como se ela não fosse nada além de uma fraqueza de seu corpo, que ele desprezava. E, também, a maneira como ele falava, sem a menor consideração com os pensamentos dela, ou os sentimentos e desejos. Mais alarmante ainda eram os planos de Harry com relação a Ansquith, que ele pretendia "retomar" por si mesmo, sem sequer mencionar a presença dela.
- E você e seus irmãos salvarão meu pai e minha propriedade, enquanto eu estiver descansando e me divertindo em Baddersly? - Luna perguntou com voz enganosamente suave.
Apesar de demonstrar certa surpresa pela pergunta, Harry assentiu.
- Seria mais seguro. - disse.
Recuando um passo, Luna plantou as duas mãos no peito de Harry e empurrou-o com toda força. O ataque inesperado tirou-lhe o equilíbrio e ele cambaleou para trás. Aproveitando a oportunidade, ela o pôs para fora da cabana.
- Saia! - Luna gritou, incapaz de controlar o tom de voz. - Saia daqui!
Ignorando a expressão chocada do rosto de Harry, ela bateu a porta com violência. Então, apoiando-se contra a madeira, jurou nunca dar a um homem qualquer poder sobre ela, ou sobre suas terras. Nunca mais voltaria a viver sob o domínio de outra pessoa, sem poder desfrutar de sua liberdade. Alguns momentos de prazer não valiam uma vida de servidão e, embora ela sentisse admiração e afeição, além do desejo intenso que tinha por Harry Potter, não se deixaria influenciar por ele.
Sabia que tal atitude certamente dificultaria a batalha que teria pela frente, mas mesmo que Harry decidisse não ajudá-la, Luna não se curvaria às vontades dele, ou de homem algum. Ao ouvir resmungos e passos se afastando, deu-se conta de que Harry decidira deixá-la em paz. Então, deitou na cama de palha, determinada a curar o coração que ele ferira com tamanha crueldade.
Durante a longa noite, Luna construiu uma barreira eficiente ao seu redor. Ao longo de muitos anos, vivera isolada de contato humano e, por isso, tinha o hábito de ficar sozinha. Também tinha lembranças dos anos perdidos, da opressão, para lembrá-la do alto preço que pagaria se abrisse mão de sua independência.
Embora não acreditasse que Harry jamais a obrigasse a trabalhar como escrava, como Gunilda fizera, Luna decidiu concentrar-se naquela perda de liberdade. Imaginou a vida atrás dos muros de um castelo, onde o contato era limitado a criados, onde Harry a deixaria, para ir aonde ele bem entendesse, para fazer o que ele quisesse, enquanto ela esperava, relegada às tarefas que ele lhe designasse.
E quando sua mente desviava-se para os aspectos mais agradáveis de uma união com o cavaleiro, Luna forçava-se a pensar no que perderia, em vez de imaginar o que ganharia. Afinal, havia pouco a ganhar na proposta fria que Harry fizera.
Bem, viriam as noites frias, passadas na cama quente e macia, em que ela exploraria os mistérios daquele corpo espetacular, ao mesmo tempo que se entregaria aos prazeres de seu próprio corpo. Mas embora algum tempo antes, Luna houvesse desfrutado de conversas amigáveis, ultimamente os interesses comuns haviam dado lugar a palavras duras e competição pelo poder. E, no final, Harry provara não ter o menor respeito pelas habilidades dela, vendo-a apenas como um corpo a ser usado e deixado de lado.
Se Harry queria um ornamento inútil, por que não se casava com uma das tantas encontradas na corte? Por que a atormentava tanto, levando-a a pensar que eram parecidos, quando, na verdade, ele não era diferente de qualquer outro homem? Luna culpou-se pela atração que sentira pelo primeiro verdadeiro cavaleiro que conhecera em muitos anos. E, mesmo quando jurava não abrir mão de sua liberdade, perguntava-se o que a luz do dia traria. Os homens eram temperamentais, seres orgulhosos. Se Harry fosse assim, como reagiria à recusa de Luna? Usaria a traição como vingança?
Sem saber ao certo o que esperar, Luna sentiu-se aliviada ao vê-lo aparecer na mina, no final da tarde. Apesar de tudo o que repetira para si mesma ao longo da noite, sentiu uma pontada de dor quando ele a fitou com a expressão fria de um inimigo. Então, perguntou-se se, algum dia, haviam sido amigos. Respirando fundo, lembrou-se da noite em que haviam conversado, enquanto comiam coelho assado, mas logo tratou de afastar as lembranças, bem como das vezes em que haviam discutido estratégias, comando, armas e as exigências cotidianas da vida na floresta.
Forçou-se a lembrar-se da expressão hostil no rosto de Harry, na primeira vez em que ela o derrotara, e de todos os confrontos que haviam tido desde então. Não era amizade, mas sim a luta pela supremacia que permeava seu relacionamento e, agora, a batalha final fora delineada.
- Está quase completo. - Harry declarou, inclinando-se na direção da entrada.
- Bom. - Luna murmurou.
No silêncio constrangido que se seguiu, ela tentou reunir a força necessária para tocar no assunto que continuava pendente entre eles. Embora uma parte dela lhe dissesse, covardemente, para ignorar a questão, Luna recusava-se a ceder, pois precisava certificar-se da posição de Harry.
- Não teríamos conseguido fazer isso sem você e, por isso, sou muito grata. - começou, erguendo os olhos para fitá-lo. Seria sofrimento a sombra que obscurecia aqueles olhos cinzentos? Não, pois a boca de Harry formou uma linha dura. - Creio que podemos prosseguir sozinhos, daqui por diante.
Ele soltou uma gargalhada sonora.
- Um bando de arqueiros contra cavaleiros? Impossível. - declarou com a arrogância costumeira.
Luna ignorou o insulto.
- Mesmo assim, não tenho a intenção de cobrar a promessa que você fez.
No mesmo instante, ela se deu conta de que escolhera as palavras erradas, pois a tensão que tomou conta de Harry era visível.
- Sou um Potter. - ele disse. - Sempre honro meus compromissos.
A palavra "compromisso" fez Luna pensar na proposta de Harry. Perguntou-se se ele também honraria o compromisso do casamento. Ora, ela nunca saberia. Luna assentiu e virou-se, tomada por uma sensação estranha, como se o tivesse traído, quando na verdade, tudo o que fizera fora se proteger. Como havia aprendido muito tempo antes, se não protegesse a si mesma, ninguém mais o faria.
Ignorando a partida de Luna, Harry voltou à mina e pôs-se a trabalhar com força desnecessariamente excessiva. Ela continuava tentando livrar-se dele! Não bastava tê-lo rejeitado e recusado até mesmo sua honrada proposta de casamento, agora ela queria vê-lo longe, definitivamente! Mas ele não lhe daria essa satisfação. Por mais que ela o insultasse, Harry iria até o fim, no cumprimento de suas responsabilidades para com Ansquith. Não tinha a menor intenção de esconder-se, só porque Luna não suportava a sua presença.
Na verdade, fizera essa tentativa na noite anterior. Voltara para Baddersly, onde até mesmo as atenções exageradas de Florian haviam sido bem-vindas. Depois de ter sido rejeitado por Luna, Harry sentira-se desolado e infeliz, carente de companhia familiar, mas o castelo não lhe oferecera conforto. Ora, ficara tão deprimido, que chegara a sentir saudade dos irmãos, pela primeira vez em sua vida adulta.
Pior que isso foi a insegurança que o invadiu, com relação ao túnel e à batalha que se aproximava, e que o levou a questionar a própria capacidade. A recusa de Luna à sua proposta de casamento havia virado sua vida de cabeça para baixo, fazendo com que ele passasse a duvidar de tudo, inclusive de si mesmo. Se algo desse errado, quem a ajudaria? Apesar de ela o evitar mais do que antes, a segurança de Luna pesava sobre seus ombros e tal preocupação o mantivera acordado até tarde da noite. Acabara decidindo enviar um mensageiro a Campion, para explicar a situação a seu pai, caso Dunstan se encontrasse ocupado demais com os negócios de Wessex, para se importar com um problema tão sem importância, nas vizinhanças da propriedade de sua esposa.
Depois de uma noite maldormida, despachara o mensageiro ao amanhecer e, então, cavalgara sozinho pelos campos, a fim de se certificar de que conhecia bem o terreno onde lutaria, caso a necessidade surgisse. Até então, ninguém vira sinais dos temidos mercenários e Ansquith parecia pacífica, mas Harry queria estar preparado para qualquer eventualidade. Aquela pequena batalha havia se transformado na mais importante de sua vida, desde que se tornara um guerreiro, e ele estava determinado a vencê-la.
E uma vez resolvida aquela questão, Harry estaria livre de qualquer obrigação. Jurou para si mesmo que, quando Luna estivesse instalada em Ansquith, junto do pai, ele deixaria Baddersly para sempre. Embora estivesse determinado a cumprir sua determinação, não informara ninguém sobre suas intenções, nem mesmo o pai, na mensagem que enviara.
Luna sempre sonhara em lutar nos exércitos de Edward, como Dunstan fizera, mas Campion não aprovara, recusando-se a permitir que todos os filhos servissem o rei.
Agora, porém, Harry estava decidido a seguir seu próprio caminho, mesmo que para isso tivesse de desafiar a vontade do pai. O que significava pouco para ele, assim como tudo mais que um dia fora importante em sua vida. Nem mesmo a perspectiva de finalmente engrossar as fileiras de Edward o entusiasmava. Batalhas, vitórias e as devidas recompensas haviam perdido o brilho. A verdade era que Harry decidira realizar seu sonho, mas descobrira tratar-se de um sonho vazio.
Mesmo assim, não voltaria para casa, para o conforto duvidoso de sua família. Não era do seu feitio desabafar as insatisfações para os irmãos e, se o fizesse, eles ririam e zombariam de suas queixas atuais. E, claro, não poderia ficar ali, onde todos os lugares guardavam lembranças de Luna, onde provavelmente a veria cavalgando, de vez em quando e, talvez, fosse obrigado a assistir ao casamento dela com outro homem, um dia.
Tal pensamento provocou-lhe uma intensa pontada de dor. Nos momentos de maior lucidez, Harry mal acreditava na própria reação à rejeição de Luna. Não só o seu orgulho fora ferido mais uma vez por aquela mulher, mas havia um vazio em seu peito, como se ela houvesse ordenado a um cirurgião que removesse alguma parte vital de suas entranhas.
Ao menos, o desejo ardente se fora. Provavelmente, para sempre, pois Harry não conseguia sequer imaginar-se desejando outra mulher. Na verdade, não conseguia imaginar-se querendo qualquer coisa. Era somente a determinação de compensar todas as suas frustrações com a destruição de Draco Malfoy que o mantinha em ação. E, para isso, Harry fora até a floresta, a fim de verificar como iam as escavações.
Estava tão impaciente pela conclusão do túnel, que pensou em ajudar os mineiros, mas a simples idéia de aprofundar-se na escuridão já o deixava sem fôlego e, por isso, decidiu limitar-se à entrada da passagem, ajudando os arqueiros a remover a terra retirada de lá. E continuou a trabalhar duro, mesmo depois de Luna ter partido, sentindo-se grato pela possibilidade de uma atividade física onde gastar a energia represada. E depois do jantar, voltou à mina, como se a força de sua vontade pudesse completar a escavação.
- Milorde! - alguém chamou de dentro da mina, e Harry foi espiar. - Milorde, tivemos um problema. Poderia descer e dar uma olhada?
Harry praguejou baixinho. Teria o inimigo descoberto o túnel? Ou teriam os mineiros, simplesmente, se deparado com uma grande rocha? Embora soubesse que diversos problemas poderiam ocorrer lá embaixo, não o agradava a idéia de descer e ver por si mesmo o que acontecia. Aquela não era uma tarefa para cavaleiros, mas sim para mineiros, para… quem quer que estivesse no comando. No mesmo instante, uma imagem de Luna descendo pelo túnel formou-se em sua mente. Depois de praguejar novamente, Harry cerrou os dentes e forçou-se a descer pela escada estreita.
A medida que a escuridão o envolvia, Harry lutou contra a claustrofobia que ameaçava sufocá-lo. Tentou não pensar nas paredes de terra úmida, nos frágeis pedaços de madeira que sustentavam precariamente todo o peso do mundo lá em cima.
Respirando fundo, concentrou-se em Luna e seguiu adiante. Quase imediatamente, avistou uma luz, que logo reconheceu como sendo um lampião nas mãos de um dos homens de Luna.
- Vou chamar Will. Poderia ficar no meu lugar, enquanto isso? - o homem falou, estendendo-lhe o lampião com gestos apressados.
Antes mesmo que Harry tivesse tempo de responder, o homem se fora, desaparecendo na escuridão. Parado no túnel silencioso e abafado, Harry admitiu para si mesmo que preferiria sair ele mesmo à procura de Will, em vez de ficar ali e ajudar quem quer que se encontrasse mais adiante. Ao mesmo tempo, sabia que seria uma grande covardia sair correndo atrás do homem que se afastava. Resmungando um palavrão, reuniu toda a sua determinação e, abaixando-se, encaminhou-se na direção do suposto problema.
Notou, com satisfação, que o túnel inclinava-se gradualmente para cima, de acordo com suas instruções. O risco de Draco mandar seus homens inundarem a passagem era mínimo, mas Harry acreditava com firmeza na necessidade de estarem preparados para qualquer eventualidade. Infelizmente, nada poderia prepará-lo para aquela excursão lenta através do túnel escuro, úmido e sufocante. O cheiro da terra molhada penetrou-lhe as narinas, provocando-lhe a sensação de estar preso em uma armadilha.
Recusando-se a sucumbir à força do pânico, Harry forçou-se a pensar em Luna. Quanto antes o túnel estivesse pronto, mais cedo ela teria o que desejava, e mesmo que os desejos dela não o incluíssem, Harry lutaria até a morte para satisfazê-los. Era um Potter e honraria sua palavra.
Franzindo o cenho, deu-se conta de que deveria chegar logo ao final da passagem, mesmo detestando a idéia de ver-se diante de uma parede negra, que marcava o ponto onde haviam parado as escavações. Teria atacado Ansquith, de espada em punho, sem pensar duas vezes, mas aquela lenta caminhada pelas profundezas da terra provocava-lhe suores frios. Disse a si mesmo que era o calor, e não sua própria fraqueza, que o fazia sentir assim.
Ao que parecia, atingira o fim do túnel, mas onde estava o homem que, supostamente, precisava de ajuda? Mal formulara a pergunta para si mesmo, Harry ouviu um ruído atrás de si. Virou-se a tempo de ver um carrinho de mão disparado na sua direção. Encolheu-se o mais que pôde, contra a parede de terra, mas sendo a passagem muito estreita, a roda atingiu-lhe uma das pernas, tirando-lhe o equilíbrio. No mesmo instante, seu mundo mergulhou na mais absoluta escuridão, pois ele perdeu o lampião e foi coberto pela terra que caiu do carrinho.
Por um momento, deixou-se dominar pelo pânico, agitando os braços na tentativa de livrar-se da terra que o cobria. Então, conseguiu sentar-se e respirou fundo, com desespero, a fim de evitar o sufocamento que o ameaçava. Na escuridão total, Harry sentiu-se tonto e desorientado. Para onde havia se virado? Respirando fundo mais uma vez, forçou-se a se concentrar e colocou-se de pé. Infelizmente, era tarde demais.
Mal acabara de se levantar, com a mão firme no cabo da espada e preparado para enfrentar o inimigo desconhecido, sem a visão para guiá-lo, Harry ouviu o estalar da madeira cedendo e, então, se partindo, seguido pelo som abafado da terra caindo.
Atirando-se na direção do barulho, rolou no chão, ao mesmo tempo que o teto do túnel desabava. Cobriu a cabeça com as mãos, mas grandes bocados de terra caíram sobre suas costas com força impressionante. Segundos depois, sentiu a boca cheia de terra. Nada mais existia, além da escuridão e do peso que o mantinha imóvel.
Foi somente depois que o rugido do desabamento cessou de ecoar pelo que restava do túnel que Harry ouviu a voz. Gemeu em resposta, mas a única reação que provocou foi uma gargalhada. Snape. Harry praguejou consigo mesmo, ao reconhecer a voz do arqueiro. Teria o sujeito destruído o túnel deliberadamente? Com que propósito?
- E agora, cavaleiro? - Snape inquiriu em tom de zombaria. - Foi avisado para ficar longe dela, mas não foi capaz de impedir que suas mãos imundas a tocassem, não é? E, por causa do seu bom nome e da sua riqueza, além de seu grande exército, ela permitiu que tocasse, não foi?
Embora Harry não pudesse responder, Snape praguejou aos berros, como um homem enlouquecido.
- Eu o vi, ontem, na cabana, seminu, com a porta aberta, como se quisesse exibir o uso que faz dela. E eu sabia que era só por causa deste túnel idiota. Pois, agora, está acabado! Depois do que acaba de acontecer aqui, ninguém mais vai se dispor a escavar esta área. E Luna será minha! Está me ouvindo, bastardo? Espero que esteja, pois vou lhe dizer, exatamente, o que vou fazer com ela, como vou possuí-la, muitas e muitas vezes. Enquanto você estiver aqui, respirando pela última vez, eu a terei no chão da floresta, como uma cadela, toda para mim!
Sentindo o sangue latejar nas têmporas, Harry lutou com violência, até conseguir afastar a terra para poder respirar. Se Snape continuava recitando obscenidades sobre Luna, Harry já não o ouvia. Luna… Seu peito voltou a doer, quando ele pensou nela.
Mate-o, Luna, Harry pensou, cerrando os olhos, na esperança de que a força de seu pensamento enviasse a mensagem ao seu destino, antes de perder a consciência.


Embora não fosse covarde, Luna fizera o possível para evitar Harry depois daquele breve encontro. Então, preferira a solidão da cabana, ao risco de encontrá-lo durante o jantar. Sentia-se esgotada e acreditara que seria melhor manter-se longe dos olhares curiosos de seus homens. Porém, a luz fraca do anoitecer trouxera consigo lembranças da noite anterior, quando Harry invadira a cabana, com uma proposta de casamento.
Na verdade, podia ouvir os passos pesados e ruidosos lá fora. Pânico, raiva e um estranho prazer misturaram-se, enquanto ela se punha de pé e abria a porta.
- Eu lhe disse para me deixar em paz! - gritou, mas recuou em seguida, surpresa.
Não era Harry quem se encontrava parado diante da cabana, mas sim, Snape.
- O que foi? Algum problema? - perguntou, tentando desviar os pensamentos de Harry Potter para a possibilidade de alguma dificuldade que houvesse surgido entre seus homens.
- Não há problema algum. – Snape respondeu, entrando e fechando a porta atrás de si.
Sem dúvida, o arqueiro voltara a imaginar traições que exigiam o mais absoluto segredo. Infelizmente, Luna a não sentia a menor disposição em acalmá-lo. Cruzando os braços, perguntou em tom impaciente:
- O que foi, então?
- Estou com você desde o início. - ele começou a falar, adiantando-se para ela. - Não fosse por mim, você estaria apodrecendo naquele calabouço, ou já teria se casado com Draco. Nunca exigi pagamento. Simplesmente a segui, aceitando suas ordens, como o restante dos homens, quando nós dois sabíamos que eu era diferente. E já esperei tempo demais.
Confusa e apreensiva, Luna recuou um passo, perguntando-se se ele havia bebido. As faces de Snape apresentavam-se afogueadas e ele parecia mais agitado que o normal, como se houvesse feito algo errado. Antes que ela conseguisse chegar a uma conclusão sobre o que estava acontecendo, Snape atirou-se sobre ela, prensando-a contra a parede da cabana. O volume pressionado contra seu ventre não deixava dúvidas quanto ao seu significado. E quando Luna abriu a boca para protestar, ele colou os lábios aos dela com violência.
Aflita, Luna tentou mordê-lo, mas Snape apenas soltou um gemido e deslizou uma das mãos entre as pernas dela. Na posição em que se encontrava, ela não conseguia se mover, pois Snape prendera seus braços entre os corpos de ambos, agarrando-lhe os punhos com firmeza. Seria impossível alcançar a espada e o peso do corpo dele a impedia de chutá-lo.
Por um momento, Luna pensou que o arqueiro estivesse bêbado e que não representava uma verdadeira ameaça. No entanto, quando ele deslizou a mão por dentro de suas roupas, ela se deu conta de que o perigo era mais sério do que havia imaginado.
- Agora, vou possuí-la, como sempre desejei, e você vai se esquecer daquele maldito Potter. - Snape declarou e, para o horror de Luna, começou a livrar-se das próprias roupas. - Já cuidei dele em caráter definitivo.
As palavras do arqueiro, muito mais do que seus atos, colocaram Luna em ação. Com a força nascida do desespero, ela ergueu uma das pernas e, então, pisou com toda força no pé de Snape. Quando ele se encolheu, ela acertou-lhe uma cotovelada no rosto, ao mesmo tempo que puxava a espada da bainha.
Agora, era Snape quem se via encurralado contra a parede, a ponta da lâmina encostada no ventre.
- O que fez a ele? - Luna inquiriu.
- Pouco importa Potter e seu túnel estúpido! Está tudo acabado, inclusive ele! Agora, você me pertence!
Atirou-se para ela com um rugido animalesco e Luna reagiu instintivamente, protegendo-se contra o ataque com a arma que havia muito tempo aprendera a dominar. A expressão de Snape teria sido cômica, não fosse a seriedade da situação. Mesmo enquanto olhava para a espada que Luna cravara em seu ventre, mostrava-se incrédulo.
- O que… - ele tentou falar, mas o sangue já jorrava do ferimento.
Embora, por Harry, Luna não devesse sentir piedade por aquele bandido, ela seria incapaz de permitir que até mesmo um cachorro sangrasse até a morte. Então, com outro golpe certeiro, certificou-se de que Snape estava morto.
Em seguida, chamou seus homens.


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