Assim que os morenos saíram, rumo ao dormitório, Dumbledore voltou ao retrato na sala de Minerva, sua antiga sala.
- A que devo a honra, sr Ministro - falou Minerva, em tom zombateiro. Adorava atormentar o velho amigo quando estavam a sós.
- Ora Minerva, sabe que odeio estes protocolos - responde ele em tom brincalhão. - E então, pode compartilhar comigo a cena que viu dos nossos dois heróis? - Questiona o velho bruxo, curioso.
- Esta surpreso ou apenas curioso, meu amigo ? Pergunta Minerva
- Intrigado, minha querida diretora. - Responde Dumbledore - Os dois pareciam perturbados demais.
- Acha que eles estão escondendo um namoro com receio dos irmãos Weasley? - Indaga Minerva, confusa.
- Talvez não seja isso. Os irmãos Weasley ja deram claros sinais que estão interessados em outros pessoas. Com cabeleiras louras e nenhum fio moreno sequer. Mas notou como eles se referem ao "terrível" incidente? - Reflete Dumbledore, um pouco tenso.
- Alvo, nenhum comensal esta a solta mais. E imagino que tenha se ausentado por uns instantes para verificar registros da maldição Imperius - afirma Minerva
- Sim. Sou réu confesso. Mas é curioso. Nenhum casal fica daquela forma por ser pego em tal ato. Eles estavam mais do que estranhos. Pareciam confusos de verdade. Como se voltassem a realidade naquele momento. Com um peso sobre os ombros. E sendo quem são, duvido que conseguiriam fingir tal reação tão bem. - Responde Dumbledore.
- Acha que eles não podem apenas estarem apaixonados? - Questiona Minerva, risonha.
- Apenas um casal apaixonado agiria assim. - Diz Dumbledore, pensativo. - As cenas que presenciou revelam isso. Só que suspeito que eles ainda não foram capazes de sequer notar. Eles sempre foram amigos. Eles sempre negaram tão veemente confiantes para o mundo bruxo que nada havia entre eles. E então, você os flagra em uma cena de descontrole total.
- Acha que não teriam parado, caso eu não chegasse? - Pergunta Minerva, agora surpresa.
- Eles estavam sem controle, Minerva. Ninguém que foi tomado pela mais forte e pura das paixões é capaz de pensar - afirma Dumbledore.
- Alvo, você acha que eles virão a namorar?
- Com certeza - Responde Dumbledore, confiante.
- Que Merlim só permita isso no final do ano. Ou terei problemas demais para lidar. Se somente como amigos já estavam daquela forma, quiçá como amantes. - Comenta Minerva, levando as mãos aos cabelos e já temendo quantos apuros e cabelos brancos este ano ainda lhe causaria.
- Ora Minerva, até parece que não teve arroubos de paixão na juventude. - Brinca Dumbledore, sorrindo
- Alvo. Contenha-se. - Diz Minerva, severa. - Estou deveras preocupada é com quantas regras estes dois vão quebrar este ano. Logo eles que eu apostava que teriam um ano calmo. Jurava que seria Gina ou Draco nos dando problemas.
- Por que? - Indaga Dumbledore, surpreso.
- Draco não tira os olhos da menina Weasley durante as refeições. E sempre que ela parece notar, fica envergonhada. Eu jurava que os encontraria em algum encontro furtivo na torre de astronomia qualquer dia desses. - Responde Minerva com ar mais relaxado.
- Isso me parece mais coisa da srta Lovegood. Ela ainda arrastara Ron para la e lhe dará uns belos beijos - Fala Dumbledore acreditando na atitude de sua brilhante aluna.
- Que Merlim me ajude, Alvo. Ao invés de morte, este anos teremos de nos preocupar com os hormônios deles? - Pergunta Minerva cansada, se deixando cair na cadeira.
- Sempre tivemos. - Acalma Dumbledore. - Eles só estavam ocupados demais. No entanto, devo dizer, algo estava errado com aqueles dois. São jovens tímidos. Harry é contido e reservado. E Hermione é discreta e responsável demais para tratar a biblioteca como um lugar qualquer. Ainda mais tão perto das provas. E a forma que falam. Se não fosse impossível, até arriscaria dizer que alguma poção do amor foi ministrada. - Reflete Dumbledore, como se estivesse notando que algo estivesse a lhe escapar.
- E quem seria louco o bastante ou corajoso o suficiente para mexer com aqueles dois leões? - Se surpreende Minerva com as ideias do grande amigo. - Eles seriam capazes de azarar muitas gerações de quem tentar e sinceramente, - fala Minerva, séria - não acho que ninguém menos que você poderia para-los. Eles são poderosos demais, Alvo. E a amizade que detém, é o bem mais precioso deles. - explica Minerva, ainda mais séria. - Eles não se abandonaram na caçada toda pelos pedaços de alma de você-sabe-quem. Eles comentaram os mais loucos atos para vencê-lo. Ronald nem sempre esteve junto, mas eles dois, voltaram até mesmo no tempo para salvarem o Black.
- É uma amizade forjada na dificuldade e no amor, Minerva. Eles serão capazes de superar. - fala Dumbledore. - Porém, não é mais apenas amizade que existe ali. Existe uma chama. Forte. Acesa. Desperta. Incontrolável.
- E por tanto, acha que alguém tentou lhes dar poções do amor e causaram esse estrago todo? - Indaga Minerva, muito curiosa sobre onde os pensamentos do Diretor estavam caminhando.
- Não foi uma poção qualquer, se houver poção agindo. Pense comigo, muitos do mundo bruxo os querem juntos. Torcem por eles. Torcem para vê-los como um casal. E muitos bruxos querem um deles para si. Harry virou um ótimo partido. Cresceu e virou um homem. E a srta Granger esta cada dia mais bela. É uma linda mulher. Como uma grande carreira pela frente e com fortes valores morais. Dois jovens de caráter exemplar. Além do mais, poções de amor não tem efeito tão forte - Afirma Dumbledore, sério.
- Mas poções de paixões tem esse efeito devastador- Conclui Minerva
- Acha que alguém ministrou?
- Mas como? E por que?
- Essas poções são complexas demais. - Reflete Dumbledore. - Apenas bruxos muito sábios e experientes poderiam preparar. Nenhum aluno do castelo, além da própria srta Granger esta apto para isso.
- Duvido muito que ela faria isso. Por que ela usaria a si mesma como cobaia em um experimento tão louco?
- Apenas por precaução, veja com Sirius se algum dos ingredientes da poção da paixão ardente sumiu? - Sugere Dumbledore.
- Verei. Apesar da ideia ser absurda. E esta poção ser perigosíssima. - Responde Minerva, concordando com o amigo, apenas para aliviar sua consciência que não estaria sendo injusta com seus meninos. - Mas Alvo, lembre-se que apenas bruxos impotentes usam-na hoje para fazer com que seus membros inanimados voltem a subir. - Fala Minerva, em tom comisco, quase jocoso.
- Que apuros Harry passou hoje, então. - gargalha Dumbledore
- E passará vários outros ainda, Alvo. Bem sabe você. Não foi apenas uma poção agindo ali. Foi um menino virando homem. - Diz Minerva, conclusiva.
- Pode ter razão. Podem estar apenas se descobrindo e nada mais ser que um amor aflorando. Mas poções e magia antiga também podem estar agindo. - Insiste Dumbledore.
-Magia antiga? - Sobressalta-se Minerva.
- Sim. Algumas muito antigas. Amor é curioso. Ele se manifesta quando menos se espera. Imprevisível. Indestrutível. Irrefreável. Desleal as vezes. E enlouquecedor. Mas lindo. Belos frutos podem ser colhidos. Belas cenas podem acontecer. E o futuro pode ser menos sombrio com ele. Os dois precisam disto. De amor. - Conclui Dumbledore, com seu jeito sóbrio.
- Creio então que teremos de observar agora, Alvo. Quanto tempo imagina que levará para q eles iniciem um romance?
- Dois meses para superarem o efeito da poção e descobrirem q estão apaixonados.
- Pois eu aposto seis meses, pois não acredito que haja poção e muito menos magia antiga agindo. Apenas hormônios incontrolados. E agora devo ir. Preciso falar com Lupin e Tonks. E posteriormente com Sirius para deixa-lo mais tranquilo que poções não foram feitas. - Finaliza Minerva.
- Antes de ir, Lupin e Tonks finalmente estão juntos? - Curia, Dumbledore.
- Continuam mais empacados que mulas com medo. Sirius surta com isso. Acho que o vi sorrindo no café da manha apenas uma unica vez este semestre. Era somente por ter suco de romã a frente deles. Ou sera que era morango? As vezes me confundo ao trazer essas iguarias trouxas para a mesa. - Relata Minerva, pensativa.
- Se achar quem preparou a poção da paixão, me avise. Quero colocar um pouco no suco de Remus e Tonks. Quem sabe assim eles logo se agarram como os morenos fizeram. - diz Dumbledore, sugestivo.
- Se fizer isso, me avise para não ir na biblioteca neste dia. - Pede Minerva, temendo novos constrangimentos.
- Avisarei. - Promete Alvo.
- Agora com licença meu amigo, preciso ir. Temos compromissos a lidar. - Despede-se Minerva e vê o diretor deixar o quadro, no tempo que ela mesma deixava sua sala para ir de encontro a Sirius.
Continua...