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2. Capitulo 1


Fic: Lobo Domado - Concluida


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capitulo 01

Gina conteve a respiração quando viu as imponentes e majestosas paredes de pedra que se erguiam ao longe. Aparentemente era para lá que eles se dirigiam. As inúmeras torres pareciam muito altas e sólidas, o que aumentava a apreensão dela. O que a aguardava ali?
Quando olhou para os cavaleiros de cabelos pretos que lideravam a caravana ela sentiu a tensão diminuir. Naquelas semanas de viagem havia passado a confiar nos rapazes que a haviam encontrado desmaiada na estrada. Mas também não tinha outra escolha, porque não podia recorrer a ninguém além deles.
E não se lembrava de nada.
Talvez fosse por causa da pancada na cabeça. Rony, que parecia ser o mais instruído daqueles homens, tinha dito que às vezes um golpe na cabeça podia roubar a memória de uma pessoa. Gina se via obrigada a acreditar, já que não se lembrava de nada sobre o próprio passado. Tudo o que havia acontecido antes que os irmãos Potter aparecessem era um enorme vazio... um vazio aterrador.
Embora ela estivesse viva, respirasse, caminhasse e andasse, era muito misteriosa aquela ausência de passado. Ao ouvir o canto de uma ave, facilmente a identificava como um pardal. Até se lembrava de uma receita para preparar no forno aves maiores, mas como e quando havia aprendido aquilo eram informações que não estavam na memória dela. O passado parecia ser algo inexistente.
Aqueles homens a chamavam de Gina. Isso não significava nada para ela, mas eles haviam descoberto o nome inscrito no que pensavam ser o livro de salmos dela. E a tratavam como uma Lady, argumentando que só uma Lady possuía as coisas com que a haviam encontrado: roupas finas, um espelho, livros, moedas e jóias. E resolveram levá-la consigo, já que estavam com pressa de voltar para casa e não sabiam quem ela era.
- Vamos, lady Gina! - chamou-a Rony.
Obviamente feliz por finalmente chegar ao destino ele atravessou ao lado dela o enorme portão do castelo, que a essa altura já estava aberto para permitir a entrada dos recém-chegados. Depois ajudou-a a desmontar e Gina riu da ansiedade com que ele a levou para o interior do castelo. Embora fosse um cavaleiro, um guerreiro, Rony era um homem instruído e bondoso, alguém por quem ela prontamente sentira simpatia.
Quando entrou no salão do castelo, Marion mal conteve uma exclamação de espanto. O cômodo era de uma enormidade como ela jamais vira. A luz penetrava pelas janelas altas e arqueadas e havia muitas cadeiras e bancos, uma indicação da riqueza da família Potter.
Tudo era grandioso... e muito sujo. Gina procurou não torcer o nariz quando sentiu o cheiro de comida passada misturado com o de urina de cachorro. Nem mesmo o vento que entrava pelas janelas era capaz de dissipar aqueles maus odores. Embora não estivesse em pleno gozo das faculdades mentais, ela logo concluiu que aquele castelo carecia de uma castelã.
Aquele pensamento fez com que Gina parasse, sentindo um arrepio na nuca. Ela poderia realizar a tarefa. Tinha certeza disso, uma certeza que se fazia acompanhar por uma sensação de saudade, de excitação. Não só poderia realizar o trabalho como também ficaria extremamente feliz com isso.
- Ah! Dino! Rony!
Tão logo aquela voz se fez ouvir, enormes cachorros invadiram o salão, latindo de uma forma ensurdecedora e seguidos de perto por homens morenos e muito altos que faziam um barulho talvez ainda maior. Gina ergueu as mãos para tapar os ouvidos. Um tanto assustada, recuou para dar passagem aos gigantes, que se aproximaram dos igualmente altos Rony e Dino para abraçá-los até com violência. Mas aqueles gestos só podiam ser amistosos, porque os rapazes pareciam muito felizes.
Todos falavam ao mesmo tempo, comunicando-se aos gritos, e Gina ficou observando, espantada com afeição que parecia unir aquele grupo de homens muito altos.
Depois, como se houvesse um acordo tácito entre eles, todos fizeram silêncio e se voltaram para uma figura que se aproximava.
O recém-chegado não era tão alto nem tão forte quanto os demais, mas Gina prontamente adivinhou que se tratava do pai daquela vasta prole, do conde de Campion. Os cabelos dele ainda eram pretos, embora mesclados por fios brancos. A boca não era tão generosa quanto a dos rapazes, mas a semelhança era patente. Apesar da idade, tratava-se de um homem atraente.
Gina observou-o mais de perto, ao mesmo tempo que se mantinha atenta às reações dos demais. Embora evidentemente fosse o patriarca, um nobre, aquele homem não parecia precisar usar de tirania para impor sua autoridade. Movia-se com graça natural, com a dignidade de quem angariava respeito não pela força bruta, mas sim por um misto de serenidade e segurança. Gina até se sentiu mais relaxada na presença dele.
Embora Campion não tivesse um comportamento tão espalhafatoso como o dos demais, estava evidentemente alegre com o retorno dos dois filhos, o que deixou claro quando pronunciou o nome dos dois rapazes.
- Dino, Rony. - ele disse, numa voz um tanto baixa e que tremia a emoção.
Logo depois, para espanto de Gina, o elegante conde abriu os braços para receber o grandalhão Dino.
Presenciando a cena ela pensou em si própria. Seria tão bom fazer parte de uma família tão afetuosa quanto aquela. Fascinada, ficou observando enquanto o conde se afastava de Dino para abraçar Rony, de uma forma igualmente efusiva. Depois, quase de súbito, foi nela que a atenção de Campion se concentrou. As sobrancelhas do conde se ergueram numa contida demonstração de curiosidade ao mesmo tempo que ele inclinava a cabeça numa elegante reverência, algo que a fez enrubescer de timidez.
- Senhor, encontramos um bando de assaltantes atacando a caravana de lady Gina. - explicou Rony - Prontamente os afugentamos, mas infelizmente não chegamos a tempo de livrá-la do ataque que sofreu. Ela foi jogada no chão, bateu com a cabeça em uma coisa e agora não se lembra nem do próprio nome. Os integrantes da caravana de lady Gina ou foram assassinados ou fugiram, assustados. Assim sendo, nós a tomamos sob a nossa proteção até que ela recupere a... a saúde.
- Minha senhora. - disse Campion, inclinando-se numa saudação formal. - Será um prazer tê-la conosco. Há muito tempo que uma donzela não enfeita o nosso salão. Eu sou Campion e estes são meus filhos. - Enquanto falava ele fez um gesto indicando os rapazes. - Como já conhece Dino e Rony quero apresentar-lhe Simas.
Um outro Potter adiantou-se para fazer uma reverência. Embora os cabelos fossem tão negros quanto os de Dino, aquele rapaz tinha atitudes um tanto displicentes, algo que não estava muito de acordo com a postura de Campion.
- Minha senhora. - disse Simas, mostrando os dentes brancos num sorriso bonito, talvez até bonito demais. Logo depois se adiantou um rapaz de uns vinte anos.
- Sou Fred, minha senhora.
O sorriso de Fred era tão amistoso que até parecia que ele estava querendo namorar Gina. Mesmo assim ela respondeu ao cumprimento com genuína satisfação.
O rapaz que se adiantou logo depois de Fred era evidentemente mais jovem, mas tinha um ar amargurado. Parecia ter certa dificuldade para caminhar, como se sentisse dor numa das pernas.
- Sou Reynold. - ele disse, preferindo não responder ao sorriso de Marion.
- E finalmente Nicholas. - anunciou o conde, mas ninguém se adiantou.
Campion repetiu o nome, numa voz levemente exasperada. Gina quase riu quando o mais jovem dos Potter apareceu, ofegante. Devia ter no máximo uns catorze anos e era uma reprodução em escala menor dos irmãos mais velhos.
- O que é, meu senhor? - ele perguntou, olhando para o pai com cara de inocência.
Campion fez um gesto de cabeça na direção de Gina.
- Quero que conheça a nossa hóspede.
- Saudações! - exclamou Nicholas, examinando Gina da cabeça aos pés, com a curiosidade própria da idade.
Na certa queria fazer mil perguntas e ela, mas sentiu o olhar de reprovação do pai e conteve-se.
Campion voltou-se para os fundos do salão.
- Wilda.
O chamado foi feito sem que ele alterasse o tom de voz, mas no instante seguinte uma jovem criada se apresentou.
- Estou aqui, meu senhor.
A jovem falava em tom respeitoso, mas Gina pôde constatar que, naquele castelo, até mesmo os criados sentiam prazer em servir Campion. Depois de ter passado tantos anos na companhia do tirânico tio, aquilo não espantava, ao mesmo tempo que era muito agradável.
- Esta senhora se hospedará conosco. - disse Campion. - Por favor, leve-a a um quarto que tenha lareira e ordene ao pessoal da cozinha que lhe mande alguma comida. Já é tarde e ela certamente quer descansar depois da longa viagem.
- Sim, meu senhor. - respondeu Wilda.
Embora percebesse que estava sendo cortesmente dispensada, Gina achou que ainda não podia se retirar e voltou-se para o conde.
- Meu senhor, jamais poderei agradecer o suficiente pela sua hospitalidade, mas prometo que não se arrependerá do que está fazendo. - ela declarou.
Logo depois voltou-se para seguir Wilda, rezando para que o conde não mudasse de idéia.
Gina ainda não sabia quase nada sobre aquele castelo e as pessoas que ali moravam, mas estava gostando do que já vira. Embora fossem muito altos e de modos um tanto grosseiros, os irmãos Potter eram bonitos e atraentes, o pai deles era um homem bondoso e a criadagem dava mostras de gostar dali. E ela se sentia muito bem-vinda. Por estranho que pudesse parecer, era como se estivesse voltando para casa.
- Venham. - disse o conde aos filhos que retomavam - Mandei que servissem comida e bebida para vocês dois.
- E para mim também, senhor! - reivindicou Nicholas. Campion sorriu para o filho mais jovem.
- Para todos nós, então.
Embora a mesa do jantar já tivesse sido retirada, ele ordenou a uma criada que fosse buscar pão, queijo, maçãs e cerveja. Quando todos estavam sentados em volta da comprida e alta mesa, Campion fez um gesto para que Dino falasse e ficou escutando enquanto o filho guerreiro relatava a viagem feita ao sul para recolher dinheiro de um arrendatário de terras que não parecia muito disposto a pagar o que devia.
- Depois, quando já voltávamos para cá, cruzamos com uma pequena caravana que estava sendo atacada por perigosos assaltantes; - disse Dino. - Matamos os desgraçados, mas alguns dos nossos homens saíram feridos do combate.
- O estranho é que os cretinos não se pareciam muito com os bandidos que costumamos enfrentar. - acrescentou Rony. - Eram excelentes guerreiros, mais parecendo soldados treinados, e montavam cavalos muito bem tratados, não os pangarés que assaltantes de estrada costumam ter.
- Eles apenas lutaram para defender a própria vida, o que qualquer vagabundo na mesma situação também faria. - minimizou Dino. - Não foi nada além disso.
O conde olhou para Rony, mas o rapaz não disse mais nada, como sempre acatando a opinião do irmão. Rony não gostava de discussões, mas Campion sabia ser ele o mais prudente dos filhos. Dava opiniões que sempre deviam ser levadas em conta. Rony podia não ser tão audaz quanto Dino, mas reparava em tudo.
Observava, refletia e fazia planos baseado nessas reflexões. Era essa a fortaleza dele e o motivo por que Campion sempre o designava para acompanhar o irmão mais atirado.
- Alguns membros da caravana atacada saíram correndo e desapareceram no meio das árvores. - disse Dino, com uma expressão de desprezo. - Pareciam jovens pouco indicados para trabalhar no campo, menos ainda para compor a escolta de uma dama. A única que ficou e sobreviveu foi a moça que trouxemos. Quando nós a reanimamos, ela não soube nos dizer quem era.
Nesse ponto Rony voltou a falar.
- Está claro, meu senhor, que essa mulher é uma dama de sangue nobre, tanto pelas roupas que usa quando pela postura. Conversei com ela longamente durante a viagem e pude concluir que se trata de uma pessoa instruída. Sabe ler e escrever, além de ter razoáveis conhecimentos de aritmética.
- E mesmo assim não se lembra do próprio nome? - perguntou Campion.
- Mesmo assim, meu senhor.
Por um longo momento Campion ficou olhando fixamente para o filho, deixando claro que achava muito estranha aquela história, mas Rony sustentou o olhar dele sem pestanejar. Obviamente acreditava no que a mulher tinha dito. Depois Campion olhou para o outro filho, querendo ouvir a opinião dele, mas percebeu que Rony não achava que valia a pena continuar falando sobre a mulher. Mexia nervosamente na bainha da espada, impaciente para mudar de assunto.
- E quem deu nome a ela? Você? - perguntou Simas rindo.
Campion dirigiu a ele um olhar de repreensão, reparando que o rapaz acabava de encher novamente o copo de vinho. Simas estava ficando impossível.
- Nós passamos a chamá-la de Gina porque encontramos esse nome escrito num dos livros dela. - respondeu Rony, ignorando o riso de galhofa do irmão.
- Ah, foi? - atiçou Simas. - E você não está caído por ela, irmãozinho?
- Rony está apaixonado! - gritou Nicholas.
Uma onda de risos se espalhou pelos rapazes, sem que Campion interferisse. Ao ver a expressão de Rony, porém, ele concluiu que o filho não tinha nenhum interesse na jovem além da compaixão.
- Não? - voltou a falar Simas. - Então terá sido o nosso Dino o atingido pela flecha de Cupido? - Mais risos se seguiram à pergunta do irreverente rapaz. Bem que Simas podia usar aquela agudeza de espírito para tirar um bom proveito, em vez de apenas caçoar dos outros. - Pelo que estou vendo, nosso bom irmão gosta de mulheres baixinhas e rechonchudas!
Dino se pôs de pé e subitamente o silêncio tomou conta do ambiente.
- Está querendo briga? - ele vociferou, dando um passo na direção de Simas, que se recostou na parede numa postura displicente.
- Por Deus, não. - respondeu o mais jovem dos dois irmãos, fingindo bocejar. - Tudo esteve muito calmo sem você por aqui... para cacarejar como um galo sempre que lhe dá na telha.
- Já chega. - interferiu Campion. - Sente-se, Dino. E você, Simas, tenha a bondade de se referir à nossa hóspede com um pouco mais de respeito.
A tendência que Simas vinha apresentando para encontrar defeito em tudo era uma coisa que começava a incomodar o pai. A jovem em questão podia não ser uma beldade de tirar o fôlego, mas era até bonitinha.
Se Simas não estivesse tão influenciado pelo gosto atual por mulheres exuberantes, teria reparado na beleza dos cabelos vermelhos e revoltos da hóspede deles. Repararia também que, embora não fosse branca como um fantasma, a pele dela tinha uma alvura sem mácula. Além disso, o mistério daqueles olhos castanhos e grandes poderia ser a perdição de qualquer homem.
Campion preferiu guardar para si aqueles pensamentos. Não queria ver os filhos brigando entre si pelos favores da visitante. Eles que ignorassem a beleza da moça, mas Campion não permitiria que a tratassem com rudeza, o que deixou muito claro com o olhar que dirigiu aos filhos.
Depois de um longo e tenso momento Dino voltou a se sentar, dirigindo um olhar duro ao irmão mais jovem, que riu debochadamente. Um dia Simas ainda pagaria caro por aquelas atitudes, pensou Campion antes de voltar ao assunto em questão.
- Continuaremos a chamá-la de Gina. - ele decidiu - Agora contem-me onde a encontraram. Talvez estivesse apenas indo para alguma aldeia ou visitando os vizinhos.
- Nada disso, senhor. - discordou Rony. - Uma carroça levava suprimentos para uma longa viagem, talvez para uma peregrinação. - Nesse ponto ele fez uma pausa, como se não estivesse muito certo do que iria dizer, mas logo se encheu de determinação. - Eu quis voltar pela estrada para pedir informações sobre ela, mas Diuno... não achou que o assunto fosse importante o suficiente para atrasar o nosso retomo.
Campion apenas assentiu com a cabeça, sem dizer nada. As palavras de Dino estavam carregadas de censura e era bem provável que os dois rapazes tivessem tido uma boa discussão por causa do destino da moça. Rony não dava muita importância às mulheres e daria prioridade ao retorno da expedição, deixando em segundo plano o mistério de uma jovem sozinha e desmemoriada. Mas quem poderia censurá-lo por isso? Dando uma busca nas redondezas talvez eles tivessem podido levá-la de volta para casa em segurança. Mas talvez não. Com estradas tão precárias e a imprevisibilidade do tempo, Campion estava até inclinado a apoiar a decisão de Rony. Por alguns instantes o conde coçou o queixo, pensativo. Depois suspirou e pôs as duas mãos sobre a mesa.
- Até que possamos descobrir a identidade dela, a moça ficará conosco e será tratada como uma fidalga. - decretou Campion, correndo os olhos pelos círculo formado pelos filhos. Não era bom ver que o decreto parecia não ser muito bem recebido pelos membros de uma família sem mulher. Apenas Nicholas não dava a impressão de fazer restrições à presença da visitante e Campion já antevia os problemas que a curiosidade do jovem filho poderia causar.
Rony e Reynold mostravam-se claramente contrariados enquanto Dino parecia preocupado. Obviamente sentia pena da pobre moça.
Campion, por sua vez, não achava que a jovem podia correr algum perigo. Embora pequena e franzina, ela parecia forte o suficiente para se defender... até mesmo de algum dos Potter. Havia muito mais na misteriosa Gina do que os olhos podiam ver, disso ele tinha certeza.
Campion recostou-se na cadeira e sorriu sozinho, ao mesmo tempo que outra vez coçava o queixo. Talvez... talvez ela até tivesse força e habilidade para domar aquele bando de lobos.


Que feras lindas, pensou Gina, admirando o próprio trabalho. Havia passado o inverno inteiro naquilo, mas na semana anterior finalmente terminara a tapeçaria que agora enchia de cores a grande parede do salão.
Ela própria fizera o desenho, oito lobos espalhados por um campo verde com castelo de Campion ao fundo. O lobo era o símbolo dos Potter, naturalmente aquele trabalho foi recebido com bom humor pelos irmãos, que caçoaram de Nicholas por ser ele o mais nanico dos lobos presentes na tapeçaria e se lamentavam em altos brados por terem sido representados como animais de diferentes cores. O único dos Potter que não apresentou nenhuma queixa foi o conde, que reagiu com a polidez de sempre, e o mais velho dos rapazes, Harry, que não morava no castelo.
Naquela última semana o salão estava sempre cheio e ouviam-se comentários que deixariam magoada qualquer outra mulher, mas Gina não se abalava. Sem se perturbar ela ouvia os resmungos de Rony, as observações bem-humoradas de Simas, as brincadeiras de Fred, os comentários maliciosos de Reynold e as perguntas do curioso Nicholas. Agora era como se aqueles rapazes fossem irmãos dela.
Sentada perto da lareira e ocupada num bordado, Gina se admirava da sorte que tivera. Era uma completa desconhecida, sem nome, sem fortuna e sem família, mas fora acolhida com calor pelos Potter. Agora tinha ali quase todos os poderes de uma castelã.
Campion e seus belos e morenos filhos proporcionavam a ela um lar e uma posição, tratando-a sempre com afeição e respeito. Era por isso que ela sempre estava sorrindo, mesmo quando os terríveis rapazes a tomavam como alvo das brincadeiras mais impiedosas.
Assustada com o som da grande porta dupla se abrindo, Gina ergueu os olhos do bordado para ver um gigante atravessando o vestíbulo. O recém-chegado se vestia como um cavaleiro e se fazia acompanhar por outros com roupas similares, mas nenhum tinha o porte do que seguia na frente.
Deus misericordioso, como aquele homem era grande... Parecia até maior do que os irmãos Potter, que eram mais altos do que o pai. Mas quem era ele? Quem poderia invadir o vestíbulo do castelo como se estivesse na própria casa, marchando com tanta arrogância?
Até que Gina achou ver algo conhecido naquela figura. Aquele homem tinha uma graça natural de movimentos, embora fosse gigantesco como nenhum outro que ela conhecesse. O formidável guerreiro retirou o elmo e sacudiu os cabelos muito pretos. Então não houve mais dúvidas.
Harry.
Por alguns instantes Gina permaneceu sentada, observando com interesse o recém-chegado. Embora os irmãos falassem com freqüência do primogênito de Campion, Harry vivia em terras próprias e era a primeira vez que ela o via. E logo a curiosidade se transformou em admiração. Pelas feições daquele homem, era possível ver que se tratava de uma pessoa franca. Mesmo assim, ninguém, ninguém jamais s referira a Harry usando a palavra franqueza.
O mais velho dos irmãos Potter era o homem mais belo que Gina jamais vira. Embora muito alto, mais até do que Rony, carregava com naturalidade todo aquele peso. Parecia um predador, uma fera ameaçadora, mas Gina não se sentia intimidada diante daquele figura formidável. Na verdade se espantava por sentir o coração batendo mais depressa.
O que guardava na memória abrangia um período muito curto e não se lembrava de ter se sentido tão impressionada ao ver os ombros largos e as pernas musculosas de um homem.
Mas não era só isso que a afetava. Os cabelos que caíam nos ombros dele tinham a cor das asas de corvo. O rosto era de traços fortes, com queixo quadrado e lábios... Ah, os lábios tinham um desenho perfeito, nem muito cheios nem muito finos. Gina engoliu em seco.
Já conhecia os outros irmãos Potter, todos belíssimos exemplares masculinos, mas nenhum havia provocado nela sensações como as de agora. Os rapazes mereciam dela afeição, carinho, amizade, mas Harry...
Finalmente ele olhou para ela e Gina deu-se conta de que estava negligenciando seus deveres de castelã. Então pôs-se de pé, deixando cair no chão o bordado.
- Arthur! - ela disse, com a voz meio trêmula, chamando um criado que ia passando. - Traga vinho o comida para lorde Harry.
Dito isso Harry se abaixou para apanhar o bordado, mas Harry se antecipou nisso. Surpresa com aquilo ela olhou para a mão que entregava o tecido preso nos bastidores. Era a mão de um guerreiro, forte e calejada, mas segurava o bordado com leveza e graça. Gina corou, como se estivesse olhando para uma parte íntima do corpo dele, e rapidamente ergueu os olhos para o rosto de Harry.
Ele não estava sorrindo, mas também não mostrava uma expressão de desagrado. Talvez por isso Gina tinha se sentido encorajada a sorrir.
- São verdes! - ela murmurou, agradavelmente surpresa.
- O quê?
A voz de Harry era grave, bem de acordo com o com dele, e o som provocou um arrepio em Gina.
- Os seus olhos. - ela explicou. - Eles são diferentes dos seus irmãos. Eu sempre quis ter olhos verdes, e não castanhos.
Os olhos de Harry eram de um verde profundo pouco comum, como uma floresta densa e carregada de mistério. Parecendo confuso ele moveu a cabeça para o lado e olhou para ela com curiosidade.
- Quem é você?
- Gina - ela respondeu, erguendo-se.
Quando os dois ficaram de pé Gina precisou levantar a cabeça para olhá-lo nos olhos.
- Gina de quê?
- Não tenho outro nome.
Gina disse aquilo com naturalidade e até sorriu.
- Então é uma visitante no castelo?
- Sou uma hóspede. - ela o corrigiu.
Uma visitante logo estaria de partida, algo que Gina não tinha intenção de fazer.
Nesse instante Arthur retornou e pôs sobre a mesa, cerveja e comida para os recém-chegados. Gina agradeceu ao criado com um gesto de cabeça e voltou-se novamente para Gina, que continuava a olhá-la com curiosidade.
- Quando você chegou ao castelo de Campion? - ele quis saber.
Gina abriu mais o sorriso. Talvez aquele homem estivesse pensando que ela havia afugentado o pai e os seis irmãos dele para usurpar poderes no castelo. No mínimo achava que ela exorbitava os direitos de uma simples hóspede.
- Há seis meses, meu senhor. E é difícil acreditar que só agora o estou conhecendo. Não acha que passou muito tempo sem vir visitar seu pai?
Um brilho de desagrado passou pelos olhos de Harry, algo próprio de quem não gostava de ser censurado.
- Minhas terras me mantêm ocupado, minha senhora. - ele respondeu, com certa rispidez. - Agora, espero que me dê licença.
Dito isso Harry fez uma reverência com a cabeça e voltou-se para se juntar aos acompanhantes. Gina quase estendeu a mão para retê-lo pelo braço. Queria ficar com ele por mais tempo, conhecê-lo melhor, mas percebeu que, infelizmente, aquela vontade existia apenas de parte dela. O pouco interesse demonstrado por Harry não passava da natural curiosidade.
Mas por que ele deveria sentir algo além disso? Ela não era nenhuma beldade da corte, nenhuma dama sofisticada. Além disso, era baixinha e já havia passado da idade de se casar. Pela primeira vez desde que havia chegado ao castelo de Campion, Gina não se sentia em casa.
Retomando o bordado ela procurou se concentrar no intrincado desenho e esquecer os olhos verdes de Harry potter, mas a toda hora o olhava furtivamente. Agora ele estava sentado à outra extremidade da comprida e alta mesa, em torno da qual também se sentavam os demais homens. Assim sendo, só era possível ver os ombros largos e os movimentos da cabeça de cabelos pretos... mas isso já era até demais, dependendo das reações de quem o olhasse.
Gina sempre sentira vontade de conhecer o primogênito de Campion, mas agora desejava que ele fosse embora logo. Não devia se deixar dominar por sensações próprias de uma jovenzinha ao se ver diante de um homem atraente. As vezes se perguntava se já havia existido algum homem na vida dela. Não conseguia se lembrar, mas pelo que estava sentindo agora não podia ter existido ninguém como Harry Potter.
Uma onda de barulho tomou conta do ambiente quando os irmãos mais jovens de Harry apareceram, o que fez retomar o sorriso de Gina. As exclamações dos rapazes eram bem próprias de cada um deles: resmungos de Rony, insultos de Simas, cumprimentos de Dino e brincadeiras de Fred. Logo em seguida aos filhos chegou Campion para abraçar fortemente o enorme primogênito.
- E bom vê-lo aqui. - ele declarou, depois do que todos passaram a falar ao mesmo tempo.
Gina ficou esperando por uma apresentação formal, mas isso não aconteceu. Os homens ocuparam as cadeiras em volta da mesa e passaram em voz baixa.
Mas sobre o que falavam? Gina não gostou da seriedade que tomou conta de todos. Estaria a propriedade de Campion sofrendo alguma ameaça? Embora o castelo parecesse inexpugnável, a guerra era sempre uma possibilidade e ela nem queria pensa nos jovens Potter partindo para a batalha.
Aproximando-se da lareira para se proteger da onda de frio que a dominou, Gina percebeu que, pela primeira vez desde que fora recebida no castelo de Campion, sentia-se insegura, ameaçada. Não sabia se ameaça podia ser contra ela própria ou contra a família que havia descoberto, mas precisou sufocar a súbita vontade de correr para o meio daqueles homens e se jogar nos braços de alguém... de preferência nos de Harry.



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