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2. A profecia


Fic: Nardvaryn, uma história


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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A PROFECIA




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1594



Era tarde da noite, uma pequena névoa, vinda da África, rodeava a cidade de Lisboa...



-Parabéns! São dois meninos, gêmeos! A cara do pai –E a parteira mostrava os bebês recém nascidos para a mãe, que ainda arfava.

Numa pequena hospedaria de parede de pedra fria, a ansiedade do casal finalmente havia cessado como nascimento dos filhos com saúde, já que a gravidez da mulher havia sido de risco, com muitos desmaios e sangramentos.

A mulher portuguesa, de cabelos longos e cacheados, o homem grego, de pele muito branca e cabelos muito negros, sorriam para a parteira, que tinha dois bebês lambuzados de sangue no colo, que retribuiu.



-Vou lavá-los em água morna, enquanto isso, senhora, descanse, está muito fraca por ser parto de duas crianças grandes como essas!

-Cla...claro- A mulher falava por um fio de voz, as mãos ainda tremiam, havia feito muita força.

O homem deu-lhe um beijo na testa e saiu, sorrindo internamente, afinal, ele acabará de ser papai!

Logo, a mulher adormeceu, ainda um tanto fraca, e sonhou:



Ela estava em um grande forte,com muralhas de pedra, e um porto a vista pela janela, muitas crianças e jovens felizes, todos com roupas iguais a rodeavam, se sentia perdida, sem saber onde estava, sentiu então um homem de meia idade, robusto porém com uma barba mal-feita, tocar-lhe o ombro e dizer com a voz trêmula: “Dois grandes gênios vieram ao mundo, mas no poço, chegarão ao fundo, a água vai vir, monstruosa, e a morte chegará cuidadosa, deixando o outro para o canto, em pranto....” Ela não entendeu, porém quando ouviu aquelas palavras, um grande vazio invadiu sua mente, fazendo-a acordar assustada...



Acordou suando, em febre alta, o marido com os olhos inchados ao lado dela, andando em passos rápidos e nervosos, e de repente levou um susto, pois a mulher começou a falar com a mesma voz grossa e trêmula do homem do sonho:



-Graças á Deus! Você dormiu quase duas hó....- O homem foi interrompido pela voz estranha da mulher

-Dois grandes gênios vieram ao mundo, mas no poço, chegarão ao fundo, a água vai vir monstruosa, e a morte chegará cuidadosa, deixando o outro para o canto, em pranto...

E morreu, deixando seu marido sem saber o que fazer o que falar. Só chorou, chorou com força, soluçava a noite inteira, pois ele sabia que a bruxa, sua mulher, havia dito uma profecia que aconteceria mais cedo ou mais tarde.



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1602



No começo era só uma idéia...



Dois garotinhos de lá seus oito anos , de roupas um pouco surradas do tempo, e um pouco magros, conversavam animadamente em meio ao tumulto de gente vagando pelo barco, no meio do Oceano Atlântico. Os dois pareciam ter origem grega, tinham cabelos negros, e pele pálida de tão branca. Um deles falou:



- E quando enfim chegarmos à nova colônia Brasil, nós fundaremos uma escola de magia, para honrar o nome dos Nardvaryn! - O mais baixo falava rindo e fazendo gestos engraçados, enquanto o outro estava sério.

-Você é louco... - O mais alto continuava sério, agora fitando as ilhas no horizonte, pensando porque não iam de vassoura, em vez de barco. Seria muito mais rápido!

-Ora, pois meu irmão! E porque sou louco desta vez? Porque não uma escola de magia? Seria muito interessante! –Os olhos do mais baixo brilhavam, refletindo a luz do sol.

-Não sei! Você é simplesmente louco, só isso! –A ironia do mais alto era grande

-O que meus garotos estão planejando? -Falava um homem, que recém chegava da parte mais alta do convés, com certeza pai dos meninos, pois era uma versão maior dos dois, de tão parecidos, e ele chegava com uma boa nova: - Chagaremos na colônia Brasil daqui a dois dias, segundo planejado pelo capitão!

-QUE BOM!!! –Os dois exclamavam em coro, com um sotaque um tanto português.



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1607



Uma idéia que se prolongou...



O garoto, que ainda continuava um pouquinho mais baixo que o outro, estava sentado no pé na cama, perdido em pensamentos longínquos, quando o outro que estava organizando as estantes com um toque de varinha, interrompeu:



-Meu caro irmão, eu não acredito que você está pensando nisto de novo!?

-Pois é... Estou! –O mais baixo levantou da cama e respondeu com ironia.

-Mano! Poupe-me! Já faz cinco anos que estamos vivendo no Brasil e você ainda está com essa idéia de fundar uma escola de magia na cabeça? –E com mais um toque de varinha, empilhou os últimos livros que estavam jogados na cama.

-Meu irmão! Isso não é mais uma idéia, e sim planos! –E saiu, deixando o irmão estático em frente à estante.



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1612



O medo de um pai aflito...



Desde daquela noite em Portugal, quando sua mulher havia sacrificado a vida para saber o futuro de seus filhos, ele não tirava aquelas palavras da cabeça: “A morte chegará cuidadosa, e deixará o ouro no canto em pranto...”, já tinha pesquisado inúmeros livros a respeito de profecias, investigado a vida de sua mulher, tanto que já sabia de cor, ele havia feito de tudo para saber mais sobre a profecia sobre os seus filhos, ele precisava saber mais. Talvez a data, ou o lugar, ou qual de sues filhos morreria! Já haviam se passado 10 anos desde que tinham chegado ao Brasil, e ele já estava velho, doente, não conseguia maus fazer pesquisas, consultar profetas, cuidar dos seus filhos como antes... O homem, já com barba, estava deitado, em baixo das cobertas, perdido em seus pensamentos e deduções, quando o filho mais baixo, muito animado, chegou ao quarto, dando pulinhos, dizendo:



-Ora papai, que está fazendo deitado aí?! Vós estais parecendo um velho esquálido! Veja que dia belo o de hoje á fora! –E com um balanço de varinha, as cortinas se abriram, fazendo a claridade do sol da manhã entrar, fazendo o velho cobrir os olhos com os lençóis, e fazer uma careta.

-Meu filho! O dia está bonito sim, mas a neve ainda cobre o chão, por isso vá se agasalhar vá!

-Papai, papai... Já tenho 18 anos! Não acha que essas ordens são ordens de um garotinho de cinco anos? –O filho falava rindo-se das ordens do pai que se levantava.

-Sabe filho... É tão estranha a diferença que se criou nesses anos, tua e de teu irmão! Tu és mais brincalhão, animado, sonhador... Já ele, é sério, estudioso, às vezes chato até! Hahaha...

-Papai, você disse sonhador pelo fato de que quero fundar ma escola de magia? Acho que está ficando rabugento igual ao mano!



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1616



A idéia se concretizou...



-PARABÉNS ALUNOS DA 141ª TURMA DO ANO DE 1616! VOCÊS ESTÃO OFICIALMENTE FORMADOS!!! –Berrou o diretor da escola, um homem baixinho, ranzinzo, e logo foi olvida uma salva de palmas para os formandos, que jogavam seus capelos (chapéu de formatura, integrante do conjunto chamado beca) para cima.



“Aleluia, aleluia mesmo! Agora posso concretizar meus planos...”, pensava um homem, de aparentes 22 anos, entre os outros formandos, cada um conjurando fogos de artifício, em comemoração ao fim dos estudos.

Alguns discursos foram ouvidos, e depois finalmente, o jantar, verdadeiro banquete, foi servido. Os dois irmãos estavam sentados ao lado de seus amigos. O mais alto sussurrou para o outro:



-Papai ficaria orgulhoso se estivesse aqui... –A frase fez uma lágrima rolar pelo rosto do mais baixo, que disfarçou e sorriu:

-A minha escola de magia será em homenagem á ele!

-O que você disse? –O amigo, moreno, sentado logo a frente deles, se intrometeu no assunto, mesmo não tendo entendido o que o amigo havia falado.

-Nós vamos criar uma escola de magia ano que vem!

-O QUÊÊÊÊÊÊÊ??? -A surpresa do moreno foi tão grande que o fez engasgar com um pedaço de carne na boca.

-É isso mesmo! –Agora o gêmeo mais alto falava, aparentemente estando convencido, finalmente com os planos do irmão, ou talvez também, poderia ser com uma maldição Imperius... E completou: - Nós vamos criar a escola de magia e bruxaria de Nardvaryn!

-E O BAILE COMEÇARÁ! –Novamente o homem muito baixinho e gordinho falava do alto de um pedestal.

Alguns passos atrás deles, estava Fernan Typoon, um homem de origem inglesa, que simplesmente odiava os gêmeos, por eles serem mais inteligentes, espertos e amados do que ele, e naquele momento, vendo a felicidade de seus maiores inimigos, desejou vingança...

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