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9. Capitulo 9


Fic: Nudez Mortal - Concluida


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPÍTULO NOVE

- Foi fácil despistá-lo. - disse Neville, enquanto empurrava para o lado algo que passava por café da manhã na lanchonete da Central de Polícia. - Eu vi que ele estava me marcando. Depois, ficou procurando em toda parte por você, mas havia gente demais. Então, entrei correndo no avião.
Neville encarava os ovos irradiados acompanhados de café forte e puro sem torcer o nariz, e continuou:
- Ele entrou no avião também, mas viajou na Primeira Classe. Quando saímos, ele já estava esperando, e foi só aí que reparou que você não estava lá. - Neville apontou para Gina com o garfo. - Ficou revoltado e deu um telefonema. Então fui eu que fiquei atrás dele e o segui até o Hotel Regente. Eles não gostam muito de contar nada sobre os hóspedes, no Regente. Quando a gente mostra o distintivo, ficam muito ofendidos.
- Então você explicou, com todo o tato, a respeito de deveres cívicos.
- Certo. - Neville empurrou seu prato vazio para a fenda de reciclagem, esmagou a xícara vazia com a mão e a colocou no mesmo buraco. - Ele deu dois telefonemas. Um para Washington e um para a Virgínia. Depois fez uma ligação local, para o nosso chefão, o Secretário de Segurança.
- Merda.
- Sim. O Secretário Snape anda mexendo os pauzinhos para DeBlass, não há dúvida. Faz a gente pensar que pauzinhos são esses.
Antes que Gina tivesse chance de fazer algum comentário, seu comunicador tocou.
Ela atendeu à chamada, que vinha do seu comandante.
- Weasley, esteja na Seção de Testes, em vinte minutos.
- Senhor, tenho um encontro com um informante a respeito do caso Colby, às nove horas.
- Marque isso para outra hora. - Sua voz estava sem emoção. - Vinte minutos.
- Acho que nós conhecemos um daqueles pauzinhos. - disse Gina, enquanto guardava lentamente o comunicador.
- Parece que DeBlass está desenvolvendo um interesse pessoal por você. - Neville estudou o rosto dela. Não havia um tira em toda a força que não detestasse a Seção de Testes. - Você vai conseguir passar por isso, numa boa?
- Sim, claro. Só que vai me tomar a maior parte do dia, Neville. Faça um favor para mim. Pesquise os bancos de Manhattan. Preciso saber se Sharon DeBlass mantinha um cofre em algum deles. Se não encontrar nada, estenda a pesquisa para as regiões vizinhas.
- Certo.
A Seção de Testes era um labirinto de corredores compridos, alguns deles envidraçados e outros pintados em um tom de verde-claro, que supostamente era calmante. Médicos e técnicos usavam branco. A cor da inocência e, é claro, do poder.
Quando Gina entrou na primeira ala de vidros reforçados, o computador, educadamente, ordenou que ela retirasse a arma. Gina a tirou do coldre, colocou-a na bandeja e ficou observando enquanto era levada para longe por uma correia deslizante. Aquilo a fez se sentir nua antes mesmo de ser encaminhada à Sala de Testes l-C, onde mandaram que ela se despisse.
Colocando as roupas no banco designado para isso, tentou não pensar nos técnicos que a estavam observando em seus monitores ou através das máquinas cruelmente silenciosas que deslizavam ao redor dela com suas luzes piscantes e impessoais.
O exame físico foi fácil. Tudo o que ela tinha que fazer era ficar de pé sobre a marca no chão, no centro de um cilindro, e ficar olhando as luzes apitarem e piscarem enquanto seus órgãos internos e ossos eram avaliados em busca de possíveis falhas. Então, era permitido que ela vestisse um macacão azul e se sentasse enquanto uma máquina se aproximava em ângulo, diante dela, para examinar os olhos e ouvidos. Outra, que saía de uma das fendas na parede, fazia um teste padrão para medir reflexos. Para dar um toque pessoal, um técnico entrava para tirar uma amostra de sangue.
- Por favor, saia pela porta marcada Testes 2-C. A Fase Um está completa, Weasley, Tenente Gina.
Na sala adjacente, Gina recebeu instruções para se deitar sobre uma mesa acolchoada para a varredura do cérebro. Ninguém queria nenhum tira com um tumor no cérebro incitando-os a sair por aí explodindo civis, pensou, entediada. Gina conseguia ver os técnicos através da parede de vidro, enquanto o capacete era abaixado sobre sua cabeça. Então os jogos começaram.
A mesa em que estava se ajustou para a posição de sentada e ela foi brindada com uma sessão de realidade virtual. O simulador a colocou em um veículo em meio a uma perseguição em alta velocidade. Sons explodiam em seus ouvidos: o barulho das sirenes, gritos de ordens conflitantes que vinham do comunicador do painel. Ela conseguiu ver que se tratava de uma unidade padrão da polícia, totalmente armada.
Ela estava com o controle do veículo, e tinha que desviar e fazer manobras bruscas para evitar passar por cima de uma variedade de pedestres que o computador colocava em seu caminho.
Com uma parte do cérebro, tinha consciência de que os seus sinais vitais estavam sendo monitorados: pressão sanguínea, pulsação, até mesmo a quantidade de suor que saía de seus poros e a saliva que era formada e logo secava em sua boca. Estava quente, quase insuportavelmente quente. Gina tirou um fino de um veículo que transportava comida e que surgiu fazendo barulho na sua frente.
Ela reconheceu o local. Era a antiga zona portuária do lado leste. Conseguia sentir o cheiro: água, peixe podre e suor. Trabalhadores temporários, usando seus macacões azuis, estavam em busca de um donativo ou de um dia de trabalho. Passou voando baixo por um grupo deles que se acotovelavam, tentando um posto de trabalho em frente a um centro de alocação de operários.
Suspeito armado com facho direcional e explosivo de mão. Procurado por roubo com homicídio.
Que ótimo, pensou Gina enquanto continuava ziguezagueando de um lado para o outro atrás dele. Realmente ótimo. Pisou fundo no acelerador, deu um golpe de direção e arrancou o pára-lama do veículo em fuga, provocando uma chuva de fagulhas. Um jorro de chamas passou zunindo ao lado de suas orelhas quando ele atirou nela. O dono de um dos vagões de carga do porto mergulhou para escapar do carro, junto com vários clientes. Fardos de arroz voaram para todos os lados, junto com palavrões. Ela golpeou mais uma vez o alvo com o próprio carro, ordenando ao seu grupo de apoio que se colocasse mais adiante em posição de barricada.
Desta vez, o carro perseguido estremeceu e se inclinou. Enquanto ele lutava para manter o controle do veículo, ela usou o próprio carro para golpeá-lo e obrigá-lo a parar. Fez a sua identificação padrão aos gritos e o avisou enquanto se projetava do carro. Ele saiu atirando e ela o alvejou, fazendo-o cair.
O choque que recebeu da arma fez o sistema nervoso do suspeito se alterar. Gina o observou enquanto ele tremia no chão e se urinava todo, para a seguir desmaiar.
Mal tinha tido tempo de respirar e se reajustar ao mundo real, e os cretinos dos técnicos a jogaram em uma nova cena. Os gritos, os gritos da garotinha; o rugir furioso do homem que era pai da menina.
Tinham conseguido reconstruir a cena quase à perfeição, utilizando o próprio relatório que ela fizera, imagens do local e o espelho de sua memória, cujo levantamento tinham acabado de fazer com o scanner. Gina não se importava de xingá-los, mas segurou seu ódio e sua dor, e se viu sendo atirada novamente no passado, subindo as escadas e de volta ao seu pesadelo.
Não havia mais gritos da garotinha. Ela bateu na porta, anunciando o seu nome e informando o seu posto. Avisando o homem no outro lado da porta, tentando acalmá-lo.
- Putas! Vocês são todas putas! Entre, sua piranha. Vou matá-la. - A porta se rompeu como se fosse de papelão, quando Gina a arrombou com o ombro. - Ela era igual à mãe, igual à maldita mãe dela. Pensou que podiam escapar de mim. Pensou que podiam. Eu resolvi o problema. Acabei com as duas. E agora vou acabar com você, sua tira piranha.
A garotinha estava olhando para ela com os olhos vidrados, imensos, mortos.
Olhos de boneca. Seu indefeso corpinho estava mutilado, com o sangue se espalhando, formando uma poça, e pingando da faca. Ela o mandou parar.
- Seu filho da mãe, abaixe a arma. Abaixe a droga da faca!
Mas ele continuava vindo. Ela o atingiu com a arma de atordoamento, mas ele continuava vindo.
A sala cheirava a sangue, a urina, a comida queimada. As luzes estavam fortes demais, não havia cortinas, e a luminosidade era ofuscante, e tudo adquiria um relevo berrante. Uma boneca com o braço faltando estava sobre o sofá rasgado, uma janela torta deixava entrar na sala um brilho vermelho vivo de um anúncio luminoso em néon do outro lado da rua, a mesa barata de plástico moldado estava revirada, e havia a tela rachada de um tele-link quebrado.
A garotinha com olhos mortos. A poça de sangue que se espalhava. E o brilho agudo e gosmento de sangue que vinha da faca.
- Vou enfiar isso dentro da sua xereca, como acabei de fazer com ela.
Ela o atordoou mais uma vez. Seus olhos ficaram mais arregalados e furiosos, cheios de Zeus caseiro, a maravilhosa droga que transformava homens em deuses, com todo o poder e insanidade que acompanhavam os delírios de imortalidade. A faca com a lâmina vermelha e encharcada veio com um golpe de cima para baixo, zunindo no ar.
E ela o abateu.
O choque penetrou primeiro em seu sistema nervoso. Seu cérebro morreu antes, de modo que seu corpo começou a sofrer convulsões e tremia sem parar, enquanto os olhos se transformavam em vidro. Resistindo à necessidade de gritar, ela chutou a faca para longe da sua mão ainda trêmula e olhou para a criança. Os imensos olhos de boneca olhavam fixamente para ela, e lhe diziam, uma vez mais, que ela chegara tarde demais.
Forçando o corpo a relaxar, ela não deixou que nada mais penetrasse em sua mente, a não ser o relatório que tinha que fazer. A sessão de simulação com o uso de realidade virtual estava terminada. Seus sinais vitais foram registrados novamente, antes de Gina ser levada para a fase final dos testes. A entrevista com a psiquiatra.
Gina não tinha nada contra a Doutora Minerva. Era uma profissional dedicada à sua vocação. Se trabalhasse em um consultório particular, ganharia o triplo do salário que conseguia no Departamento de Segurança da Polícia.
Tinha uma voz calma, com um leve sotaque da classe alta da Nova Inglaterra. Seus olhos azul-claros eram gentis e penetrantes. Aos sessenta anos, parecia confortável com a meia-idade, e muito longe de parecer uma pessoa idosa. Seus cabelos tinham um tom de mel escuro, e viviam presos na parte de trás da cabeça em um coque muito elaborado e impecável. Usava um paletó em tom de rosa, absolutamente limpo e sem rugas, com um tranqüilizador alfinete circular, de ouro, na lapela.
Não, Gina não tinha nada contra ela, pessoalmente. Simplesmente detestava psiquiatras.
- Tenente Weasley. - Minerva se levantou de uma poltrona azul quando Gina entrou na sala.
Não havia nenhuma mesa, nenhum computador à vista. Aquele era um dos truques, Gina sabia. Fazer com que os avaliados se sentissem relaxados e esquecessem que estavam sob intensa observação.
- Doutora. - Gina se sentou na poltrona que Minerva indicara.
- Estava para me servir de um pouco de chá. Você me acompanha?
- Claro.
Minerva se moveu com graça até o aparelho, ordenou dois chás, e levou as xícaras até as poltronas.
- Foi uma pena que o seu teste tenha sido adiado, tenente. - Com um sorriso, ela se sentou e provou o chá. - As conclusões do processo são mais apuradas e certamente mais benéficas quando as observações são feitas nas vinte e quatro horas seguintes ao incidente.
- Foi algo que não pudemos evitar.
- Estou ciente. Seus resultados preliminares são satisfatórios.
- Que bom!
- Você continua a recusar a auto-hipnose?
- É opcional. - Gina detestou o tom defensivo de sua voz.
- Sim, é verdade. - Minerva cruzou as pernas. - Você passou por uma experiência muito difícil, tenente. Existem alguns sinais de fadiga física e emocional.
- É que estou trabalhando em outro caso, que está exigindo muito de mim e me tomando muito tempo.
- Sim, também tenho essa informação. Está tomando o medicamento padrão para indução de sono?
Gina experimentou o chá. Era, como ela suspeitara, floral, no aroma e no sabor.
- Não. Não estou tomando. Já passamos por isso antes. As pílulas para dormir à noite são opcionais, e eu opto por não ingeri-las.
- Porque elas limitam o seu controle,
- Isso mesmo. - Gina olhou para a psiquiatra. - Não gosto de ser colocada para dormir, e também não gosto de estar aqui. Não aprecio estupro cerebral.
- Você considera nossos testes um tipo de estupro?
Não havia um só tira em toda a Força que não achasse isso. Gina respondeu:
- Não é algo que se faz por escolha, certo? - Minerva suspirou intimamente.
- Tenente, a eliminação de um suspeito, não importam as circunstâncias, é uma experiência traumática para um policial. Se o trauma afetar as emoções, as reações e a atitude, o desempenho do policial vai diminuir. Se o uso de força terminal foi provocado por um problema físico, tal problema deve ser localizado e reparado.
- Conheço as regras, doutora. Estou cooperando por completo. Apenas não sou obrigada a gostar disso.
- Não, não é. - Minerva, de modo elegante, equilibrou a sua xícara sobre o joelho. - Tenente, esta é a sua segunda eliminação terminal. Embora isso não seja fora do comum para uma policial com o seu tempo de serviço, há muitos outros que jamais precisaram tomar tal decisão. Gostaria de saber como se sente a respeito da escolha que fez, e dos resultados.
Gostaria de ter sido mais rápida, Gina pensou. Gostaria de que aquela criança estivesse brincando com suas bonecas agora, em vez de estar sendo cremada.
- Considerando que a minha única escolha era deixá-lo me retalhar em pedaços ou impedi-lo, me sinto bem com a decisão que tomei. Minhas advertências foram feitas, e ignoradas. A arma de atordoamento não teve efeito. A prova de que ele ia, realmente, matar, estava bem no chão entre nós, em uma poça de sangue. Portanto, também não tive problemas com os resultados.
- Você se sentiu perturbada pela morte da criança?
- Acredito que qualquer pessoa se sentiria perturbada pela morte de uma criança. Especialmente em se tratando do assassinato monstruoso de alguém indefeso.
- E você nota algum paralelo entre a criança e você? - perguntou Minerva baixinho, e viu que Gina se retraiu e se fechou. - Tenente, nós duas sabemos que estou perfeitamente ciente das suas experiências de infância. Você sofreu abusos, fisicamente, sexualmente e emocionalmente. Foi abandonada quando tinha oito anos.
- Isso não tem nada a ver com...
- Acho que tem muito a ver com o seu estado mental e emocional. - Minerva interrompeu. - Durante dois anos, entre os seus oito e dez anos, você viveu em um abrigo, enquanto seus pais eram procurados. Não tem lembrança dos primeiros oito anos de sua vida, nem do seu nome, nem das circunstâncias ou do local de nascimento.
Embora os olhos de Minerva fossem suaves, eram agudos e astutos.
- Você recebeu o nome de Gina Weasley e foi finalmente colocada para adoção. Não teve controle sobre nada disso. Foi uma criança sofrida e dependente do sistema, que de muitas maneiras falhou com relação a você.
Foi necessária toda a força de vontade de Gina para manter os olhos e a voz firmes quando disse:
- Da mesma forma que eu, parte do sistema, falhei em meu dever de proteger a criança. A senhora quer saber como me sinto a respeito, Doutora Minerva?
Deprimida. Doente. Arrasada.
- Eu sinto que fiz tudo o que poderia fazer. Passei novamente pelo problema através da simulação em realidade virtual, e tomei a mesma atitude, mais uma vez. Porque não há como mudar aquilo. Se eu pudesse ter evitado que a criança morresse, teria feito isso. Se pudesse ter prendido o suspeito, eu o teria feito.
- Mas essas questões estavam fora do seu controle. - Megera esperta, Gina pensou.
- Estava sob meu controle a ação terminal de matar o suspeito. Após utilizar todas as opções padronizadas, fiz uso do meu controle sobre a situação. A senhora leu o meu relatório. Foi uma ação terminal válida e justificável.
Minerva ficou calada por um momento. Suas habilidades, ela sabia, jamais haviam sido capazes sequer de arranhar a muralha de defesa externa de Gina.
- Muito bem, tenente. Você está liberada para reassumir suas funções, sem restrições. - Minerva estendeu a mão antes mesmo de Gina poder se levantar. -Agora, cá entre nós e extra-oficialmente...
- Há alguma coisa? - Minerva simplesmente sorriu.
- É verdade que com muita freqüência a mente protege a si mesma. A sua se recusa a trazer à tona os primeiros oito anos de sua vida. Mas aqueles anos fazem parte de você. Posso ajudar a trazê-los de volta, quando estiver pronta. E, Gina... - acrescentou com aquela voz calma e controlada - Posso ajudá-la a lidar com eles.
- Eu transformei a mim mesma no que sou, e posso viver com isso. Talvez não queira me arriscar a viver com o resto que ficou para trás. - Gina se levantou e caminhou em direção à porta. Quando se virou para trás, Minerva continuava sentada da mesma forma que tinha estado, com as pernas cruzadas e uma das mãos segurando a linda xícara. O aroma da infusão de flores continuava no ar. - Agora, um caso hipotético, doutora. - começou Gina, e ficou aguardando pela concordância de Minerva. - Uma mulher que possui consideráveis privilégios financeiros e sociais escolhe se transformar em uma prostituta. - Diante da sobrancelha levantada de Minerva, Gina xingou baixinho, com impaciência. - Não precisamos enfeitar a terminologia, doutora. Ela escolhe ganhar a vida fazendo sexo. Esfrega isso na cara de sua família bem-posicionada, incluindo o seu avô ultra-conservador. Por quê?
- É difícil descobrir um motivo específico através de informações tão genéricas e pouco delineadas. A razão mais óbvia seria a que essa mulher só consegue descobrir valor em si mesma e desenvolver a auto-estima através de suas habilidades sexuais. Ela adora ou detesta o ato.
Intrigada com a resposta, Gina se afastou um pouco da porta.
- Se detestasse o ato, por que se tornaria uma profissional nisso?
- Para punir.
- A si mesma?
- Certamente, e a todos aqueles próximos dela.
Para punir, Gina ficou analisando. O diário. Chantagem.
- Se um homem mata, doutora, - continuou ela - de forma cruel e brutal. Se o assassinato está vinculado a sexo, e é executado de uma maneira única e bem específica. Ele grava tudo, depois de ter enganado um sofisticado sistema de segurança. Uma cópia da gravação do assassinato é enviada à pessoa responsável pela investigação. Uma mensagem é deixada na cena do crime, uma mensagem que vangloria o ato. O que é esse homem?
- Você não está me dando muitas informações. - Minerva reclamou, mas Gina conseguiu ver que conseguira captar a sua atenção. - Diria que ele é inventivo. - começou ela. - Uma pessoa que planeja tudo, é um voyeur. Confiante, talvez convencido e arrogante. Você disse que o ato teve detalhes específicos, então mostra que ele quer deixar a sua marca, e quer também exibir as suas habilidades, o seu cérebro. Usando a sua experiência, observação e talentos de dedução, tenente, acha que ele gostou do ato de assassinar?
- Sim. Acho que ele se deleitou, adorou tudo.
- Então ele certamente vai querer se deleitar novamente. - Minerva acenou com a cabeça.
- Já o fez. Dois assassinatos, com menos de uma semana entre eles. Ele não vai esperar muito, antes de cometer o terceiro, vai?
- É duvidoso. - Minerva tomou mais um pouco de chá, como se estivessem discutindo as últimas tendências da moda. - Os dois assassinatos estão conectados de alguma forma, há algo mais em comum, além do executante e do método?
- Sexo. - respondeu Gina.
- Ah... - Minerva colocou a cabeça para o lado. - Com toda a nossa tecnologia, com os surpreendentes avanços que foram alcançados no campo da genética, nós ainda somos incapazes de controlar as virtudes humanas e suas falhas. Talvez sejamos humanos demais para nos permitirmos essa interferência. As paixões são necessárias para o espírito humano. Aprendemos isso no começo deste século, quando a engenharia genética quase ficou fora de controle. É uma pena que algumas paixões se distorçam. Sexo e violência. Para alguns, isso ainda é um casamento natural.
Levantou-se para pegar as xícaras e colocá-las ao lado da máquina, e disse:
- Estou interessada em saber mais a respeito desse homem, tenente. Se e quando você decidir que quer um perfil completo dele, espero que me procure.
- É um caso com Código Cinco.
- Entendo. - disse Mira, olhando para trás.
- Se nós não conseguirmos pegá-lo antes do próximo ataque, pode ser que eu mude de idéia e venha vê-la.
- Estarei disponível.
- Obrigada.
- Gina, lembre-se de que mesmo as mulheres fortes e que fizeram a si mesmas possuem pontos fracos. Não tenha medo deles.
Gina sustentou o olhar de Mira por mais um instante.
- Tenho trabalho a fazer. - disse, por fim.
A sessão de testes a deixou tremendo. Gina compensou isso, mostrando-se grosseira e criando um clima de antagonismo com seu informante, o que quase a fez perder uma dica importante em um caso envolvendo contrabando de produtos químicos. Seu estado de espírito continuava longe de estar elevado quando se apresentou de volta na Central de Polícia. Não havia mensagem alguma de Neville.
Os outros policiais de sua seção sabiam exatamente onde Gina passara o dia, e fizeram o possível para ficar fora do caminho dela. Como resultado disso, ela trabalhou sozinha e contrariada, por uma hora.
Seu último esforço foi tentar uma ligação para Harry Potter. Não ficou surpresa nem particularmente desapontada quando foi informada de que ele não estava disponível.
Deixou um e-mail para ele, pedindo um encontro, e depois deu o dia por encerrado.
Pretendia afogar as mágoas em alguma bebida barata, ouvindo música medíocre enquanto assistia à apresentação de Luna no Esquilo Azul.
O lugar tinha um nível baixíssimo, e ficava muito próximo de ser uma espelunca. A luz era fraca, a clientela facilmente irritável, e o serviço, deplorável. Exatamente tudo o que Gina procurava para aquela noite.
A música alta a atingiu como uma onda violenta, assim que entrou. Luna estava conseguindo manter sua curiosa voz esganiçada acima do som da banda, que consistia em um único rapaz, todo tatuado, que pilotava um instrumento eletrônico.
Gina dispensou a oferta de um sujeito de casaco com capuz, que lhe propôs um drinque em uma das cabines privativas para fumantes. Conseguiu passar através da multidão até chegar a uma mesa, apertou um botão para pedir uma dose dupla de nocaute e se recostou para apreciar a apresentação de Luna.
Ela não era tão má assim, Gina decidiu. Nem tão boa, também, mas os clientes não eram muito exigentes. Luna estava usando tinta sobre o corpo naquela noite, com seu pequeno e curvilíneo corpo servindo de tela para respingos e listras em laranja e violeta, com manchas estrategicamente colocadas em um tom de esmeralda. O som dos braceletes e correntes que usava se misturava enquanto ela tremulava o corpo em volta do palco elevado e apertado. Um passo abaixo, a massa humana girava, acompanhando-a.
Gina observou um pequeno pacote fechado que passava de mão em mão em volta da pista de dança. Drogas, é claro. O governo havia feito uma guerra contra elas, depois as legalizara, a seguir as ignorara. Finalmente, tentou regulamentar seu uso.
Nada parecia ter funcionado.
Gina não conseguiu se empolgar com a idéia de fazer uma batida policial, e em vez disso levantou a mão e acenou para Luna. A parte vocal da canção acabou assim, de repente. Luna pulou para fora do palco, apertou-se entre a multidão e encostou o quadril pintado na beira da mesa de Gina.
- Oi, estranha!
- Estou bem, Luna. Quem é o artista?
- Ah, um cara que eu conheço. - Luna virou de costas e bateu na nádega esquerda com a unha de três centímetros de comprimento. - Caruso, é o nome dele. Veja aqui, ele me autografou. Está tocando de graça, só para tornar seu nome conhecido. - Seus olhos reviraram quando viu uma garçonete colocar um copo comprido, cheio de um líquido espumante azul, na frente de Gina. - Você pediu um nocaute? Era melhor pegar logo um martelo e se colocar desmaiada.
- É que hoje o dia foi um coco. - murmurou Gina, tomando o primeiro e terrível gole. - Nossa! Isto aqui não podia estar pior.
- Posso dar uma parada no show por um tempinho e ficar aqui com você. - Preocupada, Luna chegou mais perto.
- Não, estou legal. - Gina arriscou a vida tomando mais um gole. - Só passei para dar uma olhada no seu número, e deixar a cabeça esfriar um pouco. Luna, você não está usando esse troço que está rolando por aqui, está?
- Ei, qual é? - Mais preocupada do que insultada, Luna sacudiu o ombro de Gina. - Estou careta, limpa. Você sabe disso. Tem sempre algum bagulho diferente passando por aqui, mas é tudo coisa leve. Umas pílulas de felicidade, alguns calmantes, uns adesivos para deixar ligado. - Ela cutucou Gina. - Se você está a fim de dar uma dura por aqui, bem que podia pelo menos esperar pelo meu dia de folga.
- Desculpe. - Aborrecida consigo mesma, Gina esfregou as mãos sobre o rosto. - Não estou pronta para consumo humano, no momento. Volte para lá e cante. Gosto de ouvir você.
- Tá bem. Mas se quiser companhia na hora de cair fora, me dê um sinal. Acho que dá para eu sair.
- Obrigada. - Gina se recostou e fechou os olhos. Foi uma surpresa quando a música ficou mais calma, quase melodiosa. Se você não abrisse os olhos e visse o ambiente, até que não era tão mau.
Por vinte créditos Gina poderia ter colocado os óculos especiais para aumentar o bem-estar e relaxar um pouco com as luzes e formas que combinavam e acompanhavam a música. Naquele momento, porém, preferia o breu total em seus olhos.
- Isto aqui não se parece muito com o seu gabinete de trabalho contra a injustiça, tenente.
Gina levantou os olhos e deu de cara com Harry.
- Para todo lado que eu me viro, você aparece.
Ele se sentou diante dela. A mesa era tão pequena que seus joelhos batiam um no outro. Sua forma de se ajustar ao pequeno espaço foi deixar as coxas escorregarem por entre as dela.
- Foi você que me chamou, lembra? E deixou este endereço na Central quando saiu.
- Eu queria um encontro, não um companheiro de bebida. - Olhando para o drinque sobre a mesa, ele se inclinou e deu uma cheirada.
- Nem vai conseguir, com esse veneno.
- Esta espelunca não serve vinhos finos nem scotch envelhecido.
- Por que não vamos, então, a algum lugar que sirva? - Ele colocou a mão sobre a dela com o simples objetivo de vê-la olhar com cara feia e puxar a mão.
- Estou com um mau humor terrível, Harry. Marque um encontro para quando for bom para você, e depois caia fora.
- Um encontro para quê? - A cantora chamou sua atenção. Ele levantou uma sobrancelha, vendo-a rolar os olhos e fazer gestos.
- Olhe Gina, a não ser que a cantora esteja tendo algum tipo de ataque, me parece que ela está fazendo sinais para você.
Resignada, Gina olhou para cima e balançou a cabeça.
- É uma amiga minha. - Ela balançou a cabeça mais enfaticamente quando Luna sorriu e levantou os dois polegares. - Ela acha que eu me dei bem.
- E está certa. - Harry pegou o drinque e o colocou sobre uma mesa ao lado, onde mãos vorazes lutaram para pegá-lo. - Acabei de salvar a sua vida.
- Mas que droga...
- Se quer ficar bêbada, Gina, pelo menos escolha alguma coisa que vai deixar o seu estômago bem revestido. - Ele procurou no cardápio, contraindo os olhos. - Não há nada desse tipo que possa ser adquirido aqui. - Levantando-se, pegou-a pela mão. - Venha comigo.
- Estou muito bem aqui.
Com toda a paciência, ele se abaixou até que seu rosto ficou a poucos centímetros do dela.
- Você está com a esperança de ficar bêbada o suficiente para dar alguns socos em alguém, sem se preocupar muito com as conseqüências. Comigo, você não precisa ficar bêbada, nem tem que se preocupar. Pode me dar quantos socos quiser.
- Por quê?
- Porque há algo de muito triste em seus olhos. E isso me incomoda. - Enquanto ela estava tentando lidar com a surpresa dessa declaração, ele a colocou de pé e já estava se encaminhando com ela para a porta.
- Vou para casa. - ela decidiu.
- Não, não vai.
- Escute, meu chapa...
Isso foi tudo o que ela conseguiu dizer antes de perceber que suas costas foram atiradas de encontro à parede e sentiu que sua boca estava sendo esmagada pela dele. Gina não lutou. Sua respiração tinha sido sugada pelo inesperado do gesto, pela tempestade que sentiu nele e pelo choque de uma carência súbita que a atingiu por dentro como um punho cerrado.
Foi muito rápido, segundos apenas, antes de ela conseguir liberar a boca.
- Pare com isso. - ela exigiu, e se odiou ao perceber que a sua voz não era mais do que um suspiro trêmulo.
- Não importa o que pense... - começou ele, lutando para manter a própria compostura - Existem momentos em que você precisa de alguém. - Com a impaciência tremendo em torno dele, Harry puxou-a para fora. - Onde está o seu carro?
Ela fez um gesto em direção à ponta do quarteirão e o deixou empurrá-la pela calçada, dizendo:
- Eu não sei qual é o problema com você.
- Parece que o meu problema é você. Sabe com que estava parecendo? - ele reclamou, enquanto escancarava a porta do carro. - Sentada naquele lugar com os olhos fechados cheios de olheiras? - Descrever a cena serviu apenas para aumentar sua raiva. Ele a empurrou para o banco do carona e deu a volta no carro para tomar ele mesmo o lugar do motorista. - Qual é a porcaria do seu código?
Fascinada com o açoite de sua explosão temperamental, ela se virou para digitar o código pessoalmente. Com a tranca desativada, ele apertou a ignição e se afastou com rapidez dali.
- Eu estava tentando relaxar. - disse Gina, com cuidado.
- Mas você não sabe como. - atirou ele de volta. - Guardou tudo aí dentro e depois não conseguiu se livrar da carga. Está caminhando sobre uma linha totalmente reta, Gina, mas ela é muito estreita.
- É para fazer isso que eu fui treinada.
- Você não sabe contra o que está lutando, desta vez.
- E você sabe. - Seus dedos, ao lado, apertaram a ponta do banco.
- Vamos conversar sobre isso mais tarde. - Ele ficou em silêncio por alguns instantes, tentando recompor suas emoções.
- Prefiro conversar agora. Fui visitar Elizabeth Barrister ontem.
- Eu sei. - Mais calmo, ele já estava se ajustando melhor ao ritmo sacolejante do carro. - Você está gelada. Ligue o aquecedor.
- Está quebrado. Por que não me contou que ela tinha pedido a você para se encontrar com Sharon e conversar com ela?
- Porque Beth me pediu isso em sigilo.
- Qual é o seu relacionamento com Elizabeth Barrister?
- Somos amigos. - Harry lançou um olhar de lado para Gina. - Tenho poucos amigos. Ela e Richard estão entre eles.
- E o senador?
- Detesto profundamente o seu ar podre, pomposo e hipócrita. - disse Harry com toda a calma. - Se ele conseguir ser nomeado por seu partido para concorrer à presidência, vou colocar tudo o que possuo na campanha do seu oponente. Mesmo que seja o demônio em pessoa.
- Você devia aprender a falar com franqueza, Harry. - disse ela, com a sombra de um sorriso irônico. - Sabia que Sharon mantinha um diário?
- É uma suposição natural. Ela era uma mulher de negócios.
- Não estou falando de registros profissionais. Era um diário. Um diário pessoal. Segredos, Harry. Chantagem.
- Ora, ora... - Ele não disse mais nada enquanto trabalhava a informação. - Você encontrou o seu motivo.
- Isso ainda precisa ser definido. Você tem muitos segredos, Harry.
Ele soltou uma meia gargalhada ao parar diante do portão de casa.
- Você realmente acha que eu poderia ser a vítima de uma chantagem, Gina? Imagina que alguma mulher sem rumo e patética como Sharon ia desenterrar alguma informação sobre mim que você, por exemplo, não conseguisse, e usá-la para me prejudicar?
- Não. - Seria muito simples. Gina colocou a mão em seu braço. - Não vou entrar com você, Harry. - Aquilo não era assim tão simples.
- Se eu estivesse trazendo você aqui para fazermos sexo, nós teríamos sexo. Ambos sabemos disso. Você queria me ver. Está querendo experimentar o tipo de arma que foi usada para matar Sharon e a outra vítima, não está?
- Sim. - Gina soltou um breve suspiro.
- Esta é a sua oportunidade.
Os portões se abriram, e ele entrou com o carro.



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