Floresta Proibida – 1943
Hermione ainda está se adaptando à claridade do dia, quando a memória dos últimos acontecimentos voltaram como uma avalanche em sua mente. Lembrou-se de entrar na câmara secreta, de ter beijado Rony Weasley e de ter chorado pela perda de Harry Potter, só para depois transbordar em alegria ao vê-lo novamente, mais vivo do que nunca. E...com um frio na barriga, lembrou de sentir dor e medo.
A lembrança de ter sido capturada pelo Lord das Trevas a despertou completamente do seu estado de estupor. Com os sentidos em alerta, Hermione olha para todos os lados em busca de seu captor.
“Onde ele está? Que lugar é esse?” - pensou.
Bastou apenas poucos segundos para que Hermione percebesse que estava na entrada de uma caverna no meio da floresta. “Será que foi aqui que ele me trouxe quando nos aparatou?” – se perguntou.
Hermione havia dados apenas alguns passos para fora da caverna quando, de repente, sente uma brisa úmida e gélida vinda do interior da caverna. Um arrepio percorre por todo o seu corpo.
Cautelosamente, Hermione olha para trás, e instantaneamente tem a sensação de que algo, no meio da escuridão da caverna a estava observando. Ela fixa seu olhar com mais atenção dentro da escuridão e, por um breve momento, a morena podia jurar estar vendo um vislumbre do que parecia ser a forma do Lord das Trevas. Ele a estava encarando com um expressão indecifrável em seu rosto. Hermione pisca os olhos e quando os abre novamente, não havia mais nada ali.
A grifinória sabia que precisava sair o mais rápido possível daquele lugar, mas não conseguia se mover. Era como se seu corpo não fosse mais seu.
O medo é um sentimento complicado. Ele pode causar reações diversas, estranhas e até mesmo engraçadas nos mais variados tipos de pessoas. No caso de Hermione, o seu medo a estava paralisando e a impedindo de sair dali. Era como se ela pressentisse que algo iria acontecer no momento em que ela se movesse.
Foi somente depois de ouvir o sussurro de seu nome sendo carregado pela brisa sinistra da caverna e senti-la percorrendo por todo o seu corpo, como se fosse as carícias de um amante, que Hermione Granger retoma o controle de si mesma e sai correndo disparada por entre as grandiosas árvores daquela floresta.
Hermione corre pelo que pareceu horas, antes de finalmente se escorar em uma das árvores da floresta para recuperar o fôlego. Ela olha desesperadamente para todos os lugares em busca de qualquer coisa que possa estar atrás dela ou escondido entre as árvores, mas ao olhar atentamente, a morena chega à conclusão de que não havia absolutamente nada ali além dela mesma e da vasta vegetação da floresta. “Ele se foi! Se é que realmente havia alguém atrás de mim!” – pensou.
A morena respira fundo e tenta controlar seu desespero usando seu raciocínio lógico. “Fique calma Hermione! Voldemort provavelmente deve ter pensado que te matou e foi embora! Ninguém está te perseguindo! Ninguém está atrás de você!” – Diz a morena para si mesma na tentativa de se acalmar.
Percebendo que não havia nada com o que se preocupar, pelo menos não naquele instante, as batidas de seu coração, outrora descontroladas, começam a voltar ao normal. Hermione, então, se senta aos pés da árvore na qual estava escorada para descansar seus membros doloridos e tentar colocar os pensamentos em ordem.
“Como é que eu ainda estou viva?”- Meditou Hermione depois de se lembrar de ter recebido a maldição da morte diretamente em seu peito.
Hermione se lembrava da dor excruciante que sentiu quando a luz esverdeada cruzou seu corpo. Naquele momento ela teve a certeza de que jamais veria a luz do dia novamente. No entanto, aqui estava ela, bem viva!
Ela não entendia como isso poderia ter acontecido. “Não faz nenhum sentido!” – Diz Hermione.
A morena coloca a mão em seu peito, exatamente no local onde a maldição a atingiu e percebe algo que não havia notado até então. Havia sangue em sua blusa e uma pequena saliência no local do impacto da magia.
Preocupada com o que poderia ter acontecido com ela, Hermione levanta um pouco a sua blusa para verificar o que era aquela saliência e o porque do sangue em sua roupa. Para seu alívio, ela nota que era apenas o seu vira tempo. Ele estava destruído e o seu vidro totalmente estilhaçado.
“Então é só isso! O vidro deve ter se quebrado em algum momento, o que resultou nesses pequenos cortes e sangramento” – Concluiu
Hermione, depois de se certificar que seus ferimentos eram apenas superficiais, abaixa a blusa, remove o vira tempo quebrado de seu pescoço o guardando no bolso e mais uma vez olha a paisagem ao seu redor. Ela percebeu que o sol já estava se pondo no horizonte, mas não havia nada naquele local que pudesse ajudá-la a se orientar e identificar onde estava.
“Preciso descobrir onde estou e arrumar uma maneira de sair daqui! Meus amigos precisam da minha ajuda! Harry precisa de mim!” – Diz Hermione com grande determinação, se pondo de pé e começando a caminhar pela floresta em busca de uma saída.
Já havia anoitecido quando Hermione finalmente se depara com uma paisagem familiar. Ela para sua longa caminhada e vê, lá longe, entre o topo das árvores, e no meio do céu estrelado, a visão clara e nítida do castelo de Hogwarts.
“Então era aqui que eu estava o tempo todo? No meio da floresta proibida!” – Constatou Hermione.
Hermione sabia que a floresta proibida era um local perigoso, especialmente de noite, quando não se podia enxergar um palmo sequer à sua frente. Criaturas perigosas e selvagens poderiam surgir na sua frente num piscar de olhos e matá-la antes mesmo que ela se desse conta do que estava acontecendo.
Conforme caminha pela floresta escura, Hermione não consegue se impedir de estremecer ao se lembrar das histórias sombrias que ouviu sobre esse lugar. Já houve muitos relatos sinistros e cabulosos relacionados a floresta proibida. O próprio Harry Potter e seu amado Rony haviam contado para ela sobre sua experiência de quase morte ao serem atacados pela acromantula gigante de Hagrid, Aragogue, e seus horrendos filhotes que queriam devorá-los vivos.
Porém, independentemente dos horrores da floresta proibida, Hermione sabia que havia um perigo ainda maior! “E se Voldemort aparecesse?” – Pensava a morena.
Hermione sabia que o Senhor do escuro provavelmente achava que a havia matado naquela caverna. Mas não conseguia parar de imaginar e esperar o pior. “E se por algum motivo, Voldemort decidiu voltar ao local onde supostamente deveria encontrar o meu corpo morto e descobrisse que eu não estava mais ali? Será que ele está atrás de mim, me procurando para terminar o que começou?” – Imaginava.
O medo de ser capturada novamente pelo Lord das Trevas estimulou Hermione a acelerar, ainda mais, o passo em direção ao castelo. Afinal de contas, ela está totalmente vulnerável sem sua varinha. Ela sabe que se morrer ali não terá como ajudar seus amigos. Portanto, isso é um luxo que ela não pode se dar.
Depois de uma longa caminhada apressada, Hermione finalmente chega em Hogwarts. Ela esta totalmente ofegante e cansada com todo o esforço. No entanto, o seu cansaço não a impede de perceber instantaneamente que algo não estava no seu devido lugar.
Quando Hermione foi capturada por Voldemort, grande parte de Hogwarts se encontrava em ruínas, a ponte de madeira havia sido explodida e havia destroços e pessoas mortas e feridas por todos os lados. Mas agora, ela estava se deparando com a visão de uma Hogwarts perfeita e impecável, como havia sido antes de ter sido atacada pelo Lord das Trevas e seus malditos seguidores.
Ao percorrer apressadamente os corredores e salas de Hogwarts em busca de seus amigos e aliados, Hermione não consegue entender o que esta acontecendo. “Onde está todo mundo? O que diabos aconteceu aqui?” – Se pergunta.
Hermione estava se aproximando das escadas para subir ao segundo andar quando ouve passos vindo em sua direção. Com medo de que fosse um inimigo, ela se esconde nas sombras atrás de uma das muitas estátuas daquele local e observa, com atenção, quando um rapaz desce pelas escadas e começa a se aproximar do seu esconderijo com passos cautelosos.
“Quem está aí? Se mostre logo se não quiser ter sérios problemas” – Diz a pessoa
Do seu esconderijo, Hermione não conseguia enxergar com clareza quem era aquela pessoa, mas podia ver que o rapaz vestia o uniforme de Hogwarts. Por um instante, a morena pensou em se revelar e perguntar a ele onde estavam todos os outros. No entanto, esse pensamento foi logo deixado de lado quando o rapaz virou momentaneamente seu rosto na direção da luz proveniente de um candelabro à sua esquerda e ela percebeu que nunca o havia visto antes.
Hermione continua escondida quando o rapaz misterioso retira a sua varinha de dentro do uniforme e continua andando cada vez mais próximo do local onde ela estava. Agora ela podia ver com clareza a aparência dele. Ele era alto, tinha belos cabelos negros e a pele pálida.
Apesar do uniforme característico de Hogwarts e as cores verdes da Sonserina se sobressaindo em sua vestimenta, Hermione teve a certeza de que ele não era um dos alunos de Hogwarts. Ela conhecia todos os alunos daquela escola, fossem eles seus amigos ou não, mas esse rapaz, embora muito atraente, definitivamente não era um deles.
“Eu sei que você está aí” – Ele diz e Hermione gela.
“Esse rapaz, seja ele quem for, é suspeito demais para ser um possível aliado.” Pensa Hermione.
A garota grifinória sabia que não podia ser pega. Se ela não saísse logo dali, seria só uma questão de tempo até que ele a achasse. Ela deveria, urgentemente, arrumar uma maneira de sair dali sem ser pega por ele.
Atenta a qualquer oportunidade de escapar daquele local, Hermione observa quando o rapaz misterioso detém a sua atenção em algo do lado oposto ao local onde ela estava escondida e, aproveitando essa oportunidade, ela sai se esgueirando silenciosamente pelas paredes até finalmente alcançar o corredor à sua direita. Ela estava quase no fim daquele longo corredor quando, acidentalmente, esbarra a mão em seu bolso e deixa cair seu vira tempo com um baque no chão. O som do objeto caído ressoa por todos os lados e antes mesmo que ela tivesse a chance de guarda-lo novamente no bolso, Hermione podia ouvir os passos de seu perseguidor correndo atrás dela. Ela nem sequer olha para trás quando sai correndo desesperadamente por entre as passagens do castelo na tentativa de despistar seu perseguidor.
Foi somente depois de cruzar por varias corredores, que Hermione Granger consegue despistado. Ela não ouve mais nenhum som de passos ao seu encalço, então para de correr e entra pela primeira porta que encontra em sua frente.
Com medo de que seu perseguidor pudesse entrar por aquela porta a qualquer momento, Hermione se mantém virada de frente para ela e sequer nota o local onde acabara de entrar.
“Será que posso ajudar a senhorita?” – Veio uma voz vagamente familiar
Hermione rapidamente se vira e ao fixar seu olhar no portador daquela voz, ela desmaia.