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4. Mansão Black


Fic: ELEMENTOS DA MAGIA - HIATUS


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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(postado em 04.12)

N/A: Sei que demorei mais do que o esperado, mas não foi por mal. Foram muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Correria antes de entrar de férias; férias (viagem); retorno (readaptação); muito trabalho; vida pessoal; ensaios de dança; mais trabalho; apresentação de final de ano (que foi um sucesso!); mais trabalho... Mas finalmente, aí está o capítulo 4!!!

Espero que gostem.

PS: Ignorem o livro 7, exceto a existência das horcruxes e outras coisas que vou falar no momento oportuno.



Capítulo 4 – Mansão Black

Harry, Rony e Hermione já estavam na Mansão Black há pouco mais de uma semana. A chegada foi tranqüila, sem ninguém ao redor da casa ou qualquer perigo visível. Harry bateu com a ponta da varinha na porta e ouviram-se inúmeros sons metálicos vindos das travas e trincos. Esperaram os feitiços que a Ordem colocou contra o Snape, mas não estavam preparados para ver o fantasma esquelético e mórbido do ex-diretor de Hogwarts. Passado o choque e o susto, ainda por precaução, e mesmo sabendo que provavelmente muitos aurores reforçaram os feitiços protetores da casa, acharam melhor reaplicar alguns feitiços para disfarçar presença humana, desorientar trouxas que se aproximassem e camuflar emanações de magia no local.
A casa estava abandonada, suja e triste. As lembranças ali guardadas ainda doíam, principalmente para Harry quando entrou no antigo quarto de Sirius onde se viu muitas fotos do padrinho e também de seu pai, mas se mostrou bastante forte ao dizer aos amigos que ficariam ali por alguns dias. Decidiram que seria melhor que ninguém soubesse que ali estavam, pelo menos por enquanto.

No quarto dia um estrondo forte vindo do segundo piso da mansão assustou Hermione, que estava sozinha na biblioteca folheando um antigo diário. Harry e Rony estavam no quarto ao lado verificando uns manuscritos e saíram imediatamente ao encontro da amiga logo que escutaram o barulho. Ela foi em disparada ao corredor com a varinha na mão e viu Harry e Rony, também com varinhas em posição, correndo ao seu encontro. Seguiram o som que se repetia, agora bem mais baixo, até que chegaram numa despensa que ficava acima da cozinha.
O feitiço realizado de forma não-verbal para identificar presença humana e outro para detectar perigo não encontrou nada, mas o barulho denunciando alguém ou algo ainda estava lá. Cuidadosamente abriram a porta:
- Monstro? – Harry indagou descrente.
- AHHH!!! – o pequeno elfo assustou-se e começou a praguejar baixinho. - Não! Sangue-sujo e traidores do sangue na casa da minha querida Senhora. Não! Não pode ser. Perdoe-me mestra, perdoe-me. Monstro esteve fora da casa, não pude impedir que eles invadissem seu recanto. – não foi tão baixo assim, pois Harry ouviu o suficiente.
- Cale-se Monstro. Essa casa agora é minha! – Harry foi enfático e autoritário, fazendo com que o elfo se calasse rapidamente. – Eu nem me lembrava que herdei você junto com a casa... – falou mais para si mesmo. Apontou para o elfo e completou. - E você deve me obedecer.
- Sim Mestre!!! – com os lábios finos e esbranquiçados tremendo de raiva, o elfo respondeu. E num murmuro completou: - Sangue-Sujo e Traidores do Sangue!!! Essa não!!! Monstro não pode ofender seu Mestre. Quer, mas não pode.
- Pare com isso Monstro. – Harry falou antes que o elfo alcançasse a parede e se punisse pela ‘falha’. - Agora sou seu Mestre e eu te proíbo de dizer essas coisas dos meus amigos.
- Grrrr... Oh, minha Senhora. Perdoe-me! Senhora Black!!! Família Black!!!
- Eu sou herdeiro da Família Black agora. Quero que me responda algumas questões. Sente-se aqui!
- Harry... – Hermione o chamou e sussurrou para o amigo. – Faça com que ele te respeite. Lembre-se que Sirius não o tratava nada bem e você sabe muito bem o que aconteceu. Sei que Monstro não é um exemplo de bom elfo, mas seja gentil com ele que ele vai te obedecer de bom grado.
- Certo... Vou tentar. Monstro... Tenho algumas perguntas pra você... O que faz aqui? Por que só apareceu agora? Alguém mais tem vindo aqui? Você tem visto alguém?
- Lalala... laralaaa... lalalaaa. Laralaraaaaaa... – o velho elfo cantarolava desafinado, com o corpo tremendo por se recusar a obedecer uma ordem de seu novo mestre, e fingindo não ouvir os questionamentos que lhe eram direcionados. Cantarolava e murmurava. – Muitas perguntas... muitas perguntas para o velho elfo.
Harry se abaixou diante o pequeno elfo ficando com seus olhos verdes na mesma altura dos olhos amarelos e macilentos do duende. Usou um tom de voz mais calmo e doce ao falar:
- Monstro, eu preciso da sua ajuda. Só você pode me ajudar agora. Responda-me, por favor, ok?
- Sim Mestre Potter. – a voz esganiçada do elfo parecia mais controlada agora. – Não veio ninguém à casa da minha Senhora, digo, do meu novo Senhor.
- Ótimo. E desde quando você está aqui? Viu quando o pessoal da Ordem partiu?
- Não. Monstro não viu. Estava fora. Monstro teve que sair da casa.
- Por que? Pra onde você foi? Foi encontrar alguém?
- Monstro não tinha mais ninguém para servir e não era mais útil aqui e foi procurar família, mas não encontrou nada, por isso voltou. – sua voz triste ficou ainda mais aguda.
- Sua família?
- Sim Mestre Potter. Monstro já teve irmãos, senti que precisavam de mim, mas não os encontrei. Monstro chegou tarde demais.
- Certo. Você está seguro aqui. Quero que faça algo por mim, Monstro. Quero que fique atento a qualquer coisa estranha que você vir por aqui, tudo bem? E me avise imediatamente. Eu e meus amigos, que você deverá respeitar e tratar bem, ficaremos por alguns dias.
- Sim Mestre Potter. Monstro vai fazer o que pode. Quer que Monstro prepare algo para comer?
- Excelente idéia, Monstro!!! – Rony manifestou-se rapidamente. – Gosto mais de você agora, elfo! – o ruivo virou-se para a mesa para retirar o que lá estava e não viu que o pequeno elfo tinha os olhinhos brilhando por gostar do modo como estava sendo tratado.

O trio revirou todos os cômodos à procura de informações e logo nas primeiras buscas pela casa encontraram boas pistas sobre prováveis destinos da herança de Ravenclaw, entre outras informações que os ajudariam no decorrer dos dias.
Gastaram um bom tempo em uma limpeza superficial da casa e a ajuda de Monstro foi muito bem-vinda, apesar do elfo já estar velho e cansado, ele ainda podia realizar alguns feitiços domésticos que os bruxos não conseguiam.

No final da tarde do nono dia, estavam na cozinha conversando quando ouviram um barulho suspeito. Apuraram os ouvidos e conseguiram identificar os trincos da porta que se abria. E um grito... o fantasma de Dumbledore... a poeira... e uma voz rouca e fraca respondeu:
- Não... p-professor... eu s-sinto muito, eu não tive escolha... nãooo... eu não queria, fui obrigado, por favor... diretor, eu s-sinto m-muito. Não fui eu que o matou, fui obrigado ... a t-tentar. - as palavras saiam quase num sussurro, num choro contido pelo medo e a culpa.
Harry trocou olhares com Hermione e Rony e confirmaram suas dúvidas.
- Malfoy? Não pode ser, o que ele faz aqui? – murmurou Harry.
- Nem quero saber, Harry... - responde Hermione muito apreensiva.
- Incarcerous! - para ganhar tempo, Harry gritou ainda da porta da cozinha, voltando imediatamente. Malfoy nem ouviu de onde veio o feitiço que o aprisionou, mas não se preocupou, já estava tão cansado de correr e fugir que aceitou sua jaula.
Harry, ainda num murmúrio, pediu para Hermione transfigurá-lo em alguém de aparência indefesa, e Hermione obviamente não aceitou.
- NÃO, Harry! É perigoso. Não sabe como ele chegou aqui, pode ser uma armad...
- Rony... – Harry interrompeu a amiga virando-se para Rony e fazendo o mesmo pedido. – Rápido, mude o cabelo, os olhos, qualquer coisa. Eu preciso falar com ele. Não podemos ficar aqui sem sabermos o que ele faz aqui! - Rony, sem pestanejar, apontou a varinha para o amigo e murmurou algo que resultou imediatamente num tom castanho bastante claro surgir na cabeça de Harry. Satisfeito com a prontidão do amigo ignorou os olhares de protesto de Hermione e virou-se para Rony. Com outro feitiço seus olhos ficaram castanho-esverdeados e com o nariz um pouco mais fino e levemente torto. Harry conjurou uma faixa azul-escura para colocar na testa e esconder sua tão inconveniente cicatriz. Hermione acabou ajudando também, não sabia se era para evitar mudanças permanentes na aparência do amigo ou para acelerar o processo ou se porque tinha aceitado o perigo. Em menos de dois minutos Harry parecia uns seis anos mais novo e um pouco mais baixo, estava com cabelos loiros um pouco compridos, tão bagunçados quanto o normal, queixo e nariz mais finos, olhos castanho-esverdeados e pele pálida. Hermione sorriu satisfeita ao constatar que ele quase parecia um fantasma de um jovem Malfoy. Enquanto transformavam Harry, ouviam os lamentos e pedidos de desculpas de um transtornado e apavorado Draco Malfoy.
Harry, agora loiro e vestindo o casaco de Rony que era ligeiramente maior que o dele, surgiu na sala para que Malfoy pudesse vê-lo, ainda que distante.
- Quem é você? – pergunta Malfoy, com voz firme, porém baixa.
- Quem é VOCÊ? – responde Harry com uma leve provocação na voz.
- Me disseram que ninguém viria aqui e que eu poderia passar uma noite. Quem é você? Não era pra ter ninguém aqui.
- Como ousa vir até essa casa? Como chegou aqui? – disse Harry apontando firmemente a varinha para Malfoy.
- Não importa. Nada mais importa. – Malfoy responde jogando sua varinha no chão na direção de seu inocente adversário.
- O que pretende com isso, Malfoy? Qual é o truque dessa vez?
- Como sabe meu nome? Quem é você afinal? É da Ordem, não é? Tão jovem! Droga!!! Não era pra ter ninguém aqui. Eu só quero uma noite de descanso, partirei logo ao amanhecer.
- Ao amanhecer? Hahaha... Até lá quantos Comensais como você já terão chegado aqui? Chame também seu querido lorde Vold...
- NÃO! NÃO DIGA ESSE NOME! NUNCA MAIS DIGA ESSE NOME. – Malfoy gritou apavorado, com olhos arregalados demonstrando puro pavor.
- Com medo de seu mestre? – o garotinho loiro, vestindo um casaco quatro números maior que um seu, pergunta num tom sarcástico e divertido. – Tem medo do castigo que lhe aguarda?
- Tente moleque. Está diante de um homem que não tem mais nada a perder. Estou desarmado, não como e não durmo há dias, não sei de ninguém para se importar comigo e nunca tive paz aqui nessa cidade. Não me importo em morrer agora, com dor ou não. Mas e você? E a pessoa que está aqui nessa casa contigo? – sua voz era baixa e grave, profunda. Viu que a expressão do garoto se alterou e ele continuou. - É... sei que tem mais alguém aqui, posso sentir o cheiro, não consigo definir muita coisa, mas sei que tem mais gente nessa casa. Acima do cheiro de poeira e comida, sinto um aroma adocicado, provavelmente de uma mulher. Diga, moleque, diga o nome DELE! – sua fala era quase uma ameaça. - Transformaram o nome dele em tabu. Sabe o que é isso? Diga o nome dele e imediatamente a casa se tornará visível sem quaisquer barreiras de proteção. Mesmo essa casa, com feitiços protetores de todas as formas, se tornará vulnerável.
- Isso seria bem inteligente da parte dele. E conveniente! – Harry disse mais para si do que para o rapaz na jaula. – Como chegou aqui, Malfoy, fale! – o olhar furioso e letal e a mão firme com a varinha em riste não combinavam com a aparência frágil do garoto de onze ou doze que falava.
- Dumbledore disse que me ajudaria, disse que a Ordem da Fênix me ajudaria se eu abandonasse o mestre de meu pai e desse algumas informações. Snape me mandou fugir e sumir, não dar nenhum sinal até que ele me dissesse quando voltar, e quando finalmente pude voltar fui... capturado... Tem por aí uns novos Comensais da Morte, eles são fracos, medíocres e absolutamente cruéis, perfeitos para o trabalho sujo. Não sei como está minha mãe, a essa altura já devem tê-la matado... Estou cansado disso tudo, rapaz... – era inegável que estivesse mesmo cansado, sua voz, seus olhos, sua postura, tudo indicava que estava dizendo a verdade. - Não sabe que tem uma guerra lá fora? Não sabe que estão matando pessoas que não tem nada a ver com a guerra, como você talvez. É jovem, nunca te vi na escola, de onde você é? Não deveria estar aqui em tempos como esse. – responde intrigado com o jovem loiro à sua frente.
- Prove-me que está mesmo desarmado. Por que eu confiaria em você?
- Está bem. – responde Malfoy levantando-se com dificuldade do chão onde estivera até então quase sem se mexer de tão exausto que estava. Retira o sobretudo negro, deixando aparente seu total estado de esgotamento, retira a camisa cinza suja de sangue e lama, deixando à mostra seus arranhões, hematomas e ferimentos cravados na pela clara. E com a voz tranqüila e totalmente entregue à situação, levanta os braços de peito aberto e pergunta: – Algo mais?
- Caminhe até aquele sofá, lentamente. – fala Harry depois de pegar a varinha de Malfoy do chão. Enquanto ele caminha ao sofá empoeirado Harry ‘arrasta’ a jaula e lança mais três feitiços ao redor do sofá para assegurar-se que Malfoy não sairá de lá pelas próximas horas. – Não sei por que estou fazendo isso. – murmura para si mesmo e vai para a cozinha.
Hermione e Rony ainda não conseguiam acreditam no que tinham ouvido e ainda mantinham suas varinhas erguidas prontas para o ataque ou a defesa. Após certificar-se que Malfoy não ouviria nada Harry perguntou a opinião dos amigos.
- Ainda não sei Harry, afinal, é do Malfoy que estamos falando não é? Sonserino, Comensal da Morte, traidor e quase assassino. – responde Rony, sempre desconfiado.
- Eu sei. Ele não pode saber que somos nós que estamos aqui, acho que ele nem desconfia.
- É, pode ser. – fala Hermione com a voz alterada. - Mas sabe que tem mais gente aqui, sabe que tem uma mulher aqui. Como ele pode saber isso? Como pode sentir o meu cheiro, hein? É assustador. Como pode ter certeza de que é uma mulher? – pergunta ela intrigada com o sonserino.
- Nem tanto, Mione. Você tem um perfume doce mesmo, apesar de ser bem suave, até eu, que sou um insensível, sinto de longe. – Rony naturalmente responde de imediato, ficando bastante envergonhado e vermelho logo em seguida.
- Ahnnn... bem... mmm...
- Ok, deixa pra lá. – Harry interrompe o balbucio de Hermione e tenta amenizar o constrangimento que se formou. – Vamos ser práticos: o que faremos com ele? Será que seria seguro avisarmos alguém da Ordem para ter certeza se foi a pedido deles mesmo? Onde estará o morcego velho a essa hora? Será que esperamos um pouco e conversamos com ele de novo? O que você acha Mione? Rony?
- Talvez devêssemos conversar mais com ele pra ganhar tempo. – Rony diz um pouco inseguro. - Descobrir algo mais que ele saiba. Será que o ‘tabu’ é verdade? Porque se for, qualquer um da Ordem corre um grande perigo. Quase ninguém da Ordem teme o nome dele. Faz sentido, não faz?
- Faz sim Rony. Mas não faz sentido o Malfoy, justo Draco Malfoy aparecer aqui, na antiga sede da Ordem. Quem deu o endereço a ele, só pode ter sido o Snape. Grrr... me dá ânsias só de pensar nele. Mione, será que você conseguiria me transfigurar de novo nesse mesmo menino? Funcionou a aparência inocente, não funcionou?
- Talvez...
- Por que ‘talvez’? Funcionou sim. E não precisa ser exatamente igual... Hein?
- Pode ser...
- Mione? – Harry pergunta novamente, chamando atenção da amiga que parecia distante.
- Hum....
- Ei! Onde você está? Parece distante, o que está pensando? – Harry passa a mão na frente dos olhos da amiga tentando despertá-la dos pensamentos.
- É... talvez... Ah! Sim. Bem, eu estava pensando que talvez, talvez, ele esteja falando a verdade. Vocês viram como ele está ferido, parece muito cansado e fraco também. Ele não tem motivos para mentir agora. Como ele disse, ele não tem mais nada a perder, não é? Se for pego pelos Comensais será morto porque não cumpriu com a missão que lhe foi imposta e só quem pode protegê-lo é o pessoal da Ordem, que creio eu, não está muito disposto a ser legal ou gentil com ele. Então ele não pode pisar na bola, senão morrerá de qualquer forma, com dor ou sem dor, como ele disse.
- É, pode ser, mas ele ainda é um Malfoy. – começa Rony – Temos que ter certeza de que lado ele est...
De repente, novamente a porta se abre, os trincos, os gritos, o fantasma.
Os garotos correram para a sala imediatamente achando que Malfoy estivesse escapando, quando, para a surpresa de todos, Remo Lupin entra na sala ainda dizendo que não era o assassino de Alvo, com Tonks ao seu lado. Harry, que já havia voltado à sua forma preparando-se para um duelo, aponta a varinha para o ex-professor, enquanto Hermione e Rony sentem-se aliviados por ver alguém conhecido e de confiança. Harry ainda mantinha a varinha em posição quando Lupin começa:
- Muito bem Harry!!! Bom vigilante! Sou Remo Lupin, seu ex-professor de DCAT, lobisomem, um dos Marotos, junto com seu pai e seu padrinho e sei o quanto foi difícil pra você enfrentar o bicho-papão-Dementador quando eu te ensinei a conjurar o Patrono, que o seu é a forma animaga de seu pai. E essa é a auror Ninfadora Tonks...
- Que odeia ser chamada de Ninfadora... metamorfomaga que ama cabelos cor de rosa e está morrendo de saudades de vocês. Tudo bem molecada? – Completa ela num sorriso inconfundível enquanto mudava a cor de seus sóbrios cabelos negros para o habitual e querido rosa choque.
- Certo, tudo bem professor. Eu tinha que ter certeza, não é mesmo? – Harry responde tentando sorrir e abaixando a varinha, mas ainda tinha tensão na voz.
- Tinha mesmo. E vocês dois, como ex-professor devo dizer, não deveriam baixar a guarda assim. Vigilância constante, lemb... – não completou a fala, pis ao adentrar na casa avistou uma jaula ao redor de um sofá puído com um jovem no interior. – Mas o que é isso? – perguntou surpreso.
- Sinto muito professor. Mas por enquanto temos um problema maior agora. – Hermione diz um tanto envergonhada pela falta de cuidado e aponta para um Malfoy quase desmaiado no sofá.
- Oh, não... então é mesmo verdade... – Diz Lupin correndo na direção de Draco e olhando para Harry pergunta. – Por que essa grade? O que aconteceu?
- Ele acabou de chegar... não tem nem dez minutos... não sabíamos se podíamos confiar nele, então enquanto não tiverm...
- Tudo bem... – Lupin o interrompeu, enquanto Tonks conjurava uma algema inibidora de magia e retirava a jaula do garoto. Ela aproximou-se dele e verificou seus sinais vitais e estado geral de saúde, preocupando-se quando viu que o jovem estava muito ferido e fraco.
- Não acred-dito... no que estou v-vendo... – sussurou Malfoy, com voz falha e fraca, ao ver o trio à sua frente.
- Ele precisa ser medicado, Remo. Está fraco e muito ferido.
- Precisamos buscar Narcisa agora, Tonks, senão será tarde demais.
- Minha mãe!!! – num pulo e com respiração ofegante o garoto perguntou, apertando o pulso de Tonks com força e desespero. – Minha mãe... está viva? Onde ela está?
- Calma, calma, Draco... iremos buscá-la e a traremos para cá, tudo bem? Agüente mais um pouco. – a auror respondeu tranquilamente enquanto tirava a mão de Draco de seu pulso, esfregando-o para tirar a vermelhidão e ardência que ficou pela força que ele aplicou sem perceber.
- Eu vou com vocês... p-preciso vê-la. – o garoto começou a se levantar com firmeza, mas foi impedido por Lupin.
- Não! Você fica aqui. É mais seguro. Você não está com mínimas condições de aparatar. Voltamos pra cá assim que a encontrarmos. Eu prometo. Vamos Tonks... não podemos perder mais tempo.
Tonks deu um leve apertão no braço de Draco como se dissesse que tudo iria ficar bem. Olhou para Hermione e num tom de voz autoritário, pouco conhecido de todos, falou:
- Dê essas poções a ele. – e jogou três frascos de poções nas mãos de Hermione. – Faça-o beber uma dose de cada a cada vinte minutos. Tentaremos voltar em uma hora. Não quero discussões, entenderam? – olhava firmemente para os garotos, e saiu tão logo terminou a frase.

Hermione estava paralisada com as poções nas mãos. Harry olhava de Malfoy para a porta onde Lupin estivera há pouco, sem saber o que fazer. Rony não acreditava que o que aconteceu era realmente verdade. Malfoy também parecia não acreditar, mas estava a ponto de desmaiar e não conseguia raciocinar mais, apenas gemeu baixo quando quatro fadas mordentes atacaram seu ombro com seus dentes super afiados, chamando atenção de Hermione.
A garota espantou as fadas mordentes, provocando o grito agudo das pequenas criaturas e levantando poeira do sofá, despertando todos daquela inusitada situação. Leu o que continha nos frascos para saber que ordem seguir, murmurou um ‘accio colher’ e entregou ao Malfoy a poção cicatrizante, seguida de uma inibidora de dor, e por fim, uma revigorante. Não o encarava nos olhos. Malfoy disse ‘obrigado’ num fio de voz e com uma sinceridade que mal foi percebida. Ninguém dizia uma palavra sequer. Todos ali pensavam nas reviravoltas do destino... o que provocou esse encontro bizarro: o menino que sobreviveu e seus melhores e inseparáveis amigos no mesmo ambiente que seu inimigo de escola, o que esteve prestes a matar o diretor. A confusão e questionamentos eram visíveis em suas expressões. O ar estava denso, e tenso. Malfoy estava sentado no sofá, jogado de qualquer jeito. Harry estava em pé, próximo ao hall de entrada, de frente para Malfoy. Rony, também em pé, na porta da cozinha, um pouco atrás de Harry. E Hermione sentada numa poltrona entre o sofá onde Malfoy estava e a corredor.
Uma fada mordente estava se divertindo em uma mexa do cabelo de Draco enquanto outra mordiscava a orelha do garoto com o aparente intuito de causar-lhe dor, mas ele parecia não se importar com o ardor que ela provocava ao tirar-lhe sangue. Ele não conseguia reagir. A combinação das três poções provocava sonolência, obrigando-o a fechar os olhos, mas ele precisava manter-se firme à espera de sua mãe.
Vinte minutos se passaram... e nenhuma palavra foi dita.
Hermione verificou o relógio novamente e levantou-se para dar as poções para Malfoy como Tonks havia pedido. Viu-o com os olhos fechados, mas sua respiração entrecortada sob o peito machucado indicava que estava acordado. Mais uma vez espantou as fadinhas inconvenientes que dessa vez apresentaram maior resistência, uma agarrou-se na ponta de seu dedo e a outra na orelha do garoto, fazendo-o abrir os olhos assustado. Irritada com as fadas e com a estranheza da situação, prendeu-as num frasco recém conjurado, deu as poções ao garoto rapidamente e voltou a sentar-se em sua poltrona. Hermione mantinha o dedo na boca para amenizar a dor e Malfoy massageava a orelha salpicada de sangue aplicando um pouco mais de força além do necessário para manter-se desperto.
A garota murmurou algo e em seguida entregou ao loiro um copo com água, que ele bebeu com vontade e lhe devolveu o copo vazio, tocando levemente na mão da garota. Ela encheu o copo novamente e o deixou sobre a mesa.
O tempo corria devagar... e o silêncio dominava a sala. O ensurdecedor silêncio.
Hermione observava o sonserino, analisando o rapaz e tentando entender parte da situação - os lábios rachados do loiro indicavam como estava desidratado e seus olhos fundos e sem brilho ressaltavam sua aparência cansada. E se perguntava: “Por onde ele esteve durante todo esse tempo? Tem mais de dois meses que ele está por fora”. Trocava olhares com seus amigos, mas ninguém ousava abrir a boca para qualquer pergunta. O ar continuava pesado, assim como a respiração do loiro, que só agora começava a apresentar alguma melhora, mesmo lutando contra o sono avassalador.
Ele também ainda tentava entender o que estava acontecendo. Depois de ter vivido os melhores momentos de sua vida em outro país, em outra cultura, tão longe de tudo, viveu também dias terríveis com bruxos medíocres, porém cruéis. Observava as fadas-mordentes, cinzas, raivosas e agitadas, que estavam dentro do frasco em cima da mesa e se lembrava das delicadas, perfumadas e coloridas criaturas que poucos dias atrás vira na amoreira que ficava ao lado da cozinha da família Yamamoto. Perdeu-se em lembranças e fechou os olhos por um instante.
Mais vinte minutos e outra dose das poções foi entregue ao loiro. Um estalar de dedos diante do rosto do sonserino o fez despertar e ver os olhos castanhos de Hermione o fitarem indicando mais uma dose de poções. O rapaz já se sentia bem melhor, com menos dor e um pouco de cor já voltara aos seus lábios. Seu coração batia descompassado pela expectativa de rever sua mãe e o oxigênio invadia seus pulmões com dificuldade, o ar parecia rarefeito diante o silêncio pesado e asfixiante que dominava o ambiente.
Quase dez minutos depois a porta se abria e todo o barulho subseqüente que a seguia voltou a acontecer, os trincos, os gritos, o fantasma e a negação por parte de Lupin.
- Snape precisa ver o presentinho que preparamos pra ele e vou fazer com que ele mesmo retire esses feitiços... – reclamou Lupin assim que a névoa do fantasma desapareceu.
- Meu filho!!! – Narcisa gritou emocionada ao ver Draco Malfoy levantando-se e indo a sua direção.
- Mãe! – a voz do garoto saiu baixa, mas não sem emoção, como de costume. Era uma voz quente, carinhosa e cheia de saudade.
Contrariando todas as recordações acerca do sobrenome Malfoy e quaisquer expectativas, a cena que se seguiu surpreendeu a todos. O corpo ferido e cansado do rapaz não ousou reclamar quando ele andou rápido e decidido e apertava o corpo frágil e pálido de sua mãe com tanta força e carinho, como se prendesse ali toda sua vontade de tê-la para sempre por perto. Livres de máscaras, regras ou impedimentos, os sentimentos bailavam no ar empoeirado e vibravam na pele de quem estava presente.
“Como você está?” “Por onde esteve?” “Está ferido?” “Eu sinto muito...” “Te machucaram?” “Senti tanto a sua falta...” Por alguns minutos ouviu-se apenas os murmúrios do reencontro e uma troca de carinho nunca antes vivida.
Após verificar que o outro, apesar de ferido, estava bem, Narcisa e Draco perceberam que não estavam sozinhos na sala. Tonks tomou a dianteira e começou:
- Sente-se melhor, Draco?
- Sim. – o loiro olhou para Hermione como se dissesse “Ela fez um bom trabalho”. – Como vocês a encontraram? – perguntou apontando para Narcisa, que mantinha sua mão pousada sobre o braço do filho. A frieza característica da família já estava novamente presente em suas feições, mas já não seria mais possível ignorar o carinho e a preocupação de um para com o outro.
- Snape nos falou onde ela estava... – Tonks respondeu e foi interrompida.
- Snape? – perguntou Draco. - Onde ele está? Ele não foi ao encontro que marcou comigo. Senti que havia algo errado. Ele foi capturado?
- Ele fez o que pode para proteger Narcisa, e com isso se expôs demais. Nós encontramos seu esconderijo, mas ele se entregou antes que o prendêssemos. – Tonks respondeu com um leve tom orgulhoso e satisfeito em sua voz. – Ele nos contou tudo o que aconteceu no ano passado. Tudo o que ele sabia... O acordo com Dumbledore, o Voto com Narcisa, como ele o ajudou a fugir...
- Ele me obrigou a fugir. – Draco interrompeu Tonks. - Eu queria ficar.
- Então ele fez bem em te obrigar, meu filho. Você certamente não sobreviveria à fúria daquele... ser... repugnante...
- Não podemos dizer o nome dele, Sra. Malfoy. – Lupin falou.
- Por favor, Remus... Não me chame assim. – a voz dela saiu tão doce e distante que seria impossível negar o pedido.
- Sinto muito Narcisa... força do hábito!
- Então é verdade? – Harry manifestou-se pela primeira vez. Virou-se para Lupin e repetiu a pergunta. – É verdade mesmo, professor? Transformaram o nome dele em Tabu?
- Sim, Harry. Foi uma maneira muito inteligente da parte dele, para nos encontrar. E quase nos encontraram duas vezes, até que descobrimos o porquê.
- Então podiam ter nos encontrado também.
- Professor... – Hermione chamou, não conseguindo conter sua curiosidade. – Pode nos explicar o que está acontecendo, por favor? Snape contou sobre qual “acordo”? Temos dois Malfoys na sala... Na Mansão Black! E um deles chegou aqui por conta própria, ou seja, ele sabia o endereço, e vocês foram buscar...
- Calma Hermione. Chegaremos lá. – Lupin respondeu calmo.
- Eu também não estou entendendo nada. – Rony também se manifestou. – Aliás, como estão meus pais e meus irmãos? Eu preciso saber.
- Estão todos bem, Rony. Não se preocupe. Sua mãe está muito agitada por não ter notícias de vocês, mas acho que agora ela ficará melhor. Gina já está em Hogwarts, os gêmeos a deixaram na escola com Luna e foram para o Beco, e os outros estão bem. Mas não poderei explicar tudo que está acontecendo hoje. Sinto muito Hermione, mas você terá que ser paciente. – ele riu da expressão da garota e o impaciente revirar de olhos de Harry. – Só posso adiantar que temos preciosas informações e estamos fazendo tudo que nos é possível. Não podemos mais confiar totalmente no Ministério da Magia, sabemos que existem Comensais lá dentro e temos que tomar muito cuidado com qualquer informação que passamos para eles ou que recebemos deles. Hogwarts está novamente segura, sob o comando de Minerva, o reforço do irmão de Hagrid e mais dois gigantes, um grupo de centauros que concordaram em ficar por perto e auxiliar no que for preciso, além dos muitos aurores dentro da escola e em Hogsmead para reforçar a segurança. Snape está mesmo ao nosso lado. Revoltante? Eu sei, Harry, não faça essa careta de descrença. Você também vai entender... Malfoy, o Snape nos falou que tinha um encontro com você, mas que não conseguiu chegar a tempo, e só ontem conseguimos conversar com ele e soubemos que ele te falou que viesse pra cá. Imaginávamos que você estaria aqui desd... – ele parou por um instante ao ver Tonks segurar sua pulseira de prata. – O que houve Tonks? Mensagem do Ministério?
- Precisamos ir, Remo. Mais uma ameaça ao norte de Londres.
- Podemos fazer algo, professor? – Harry perguntou solícito.
- De jeito nenhum, Harry! A tua cabeça ainda está a prêmio entre os Comensais. Vi que vocês reforçaram a segurança daqui... muito bom! Acredito que ficarão mais seguros aqui do que em Hogwarts, pois lá seria muito óbvio...
- Remo! – Tonks chamou impaciente.
- Tudo bem... temos que ir... Escutem, não saiam daqui sem que tenham certeza mais-que-absoluta de segurança. Narcisa e Draco ficarão aqui também...
- O quê??? – Rony deixou escapar sua pergunta de indignação. – Sem chance Lupin. Não pode ser.
- Pode, e será, Rony. Sugestão de Moody e Quim. Não imaginávamos que os veríamos aqui, mas creio que será ainda melhor. Ainda estamos verificando alguns dados que Snape nos passou, portanto Draco ainda está como prisioneiro.
- Lamento, primo. – Tonks falou com um leve tom de ironia. – Você terá que me entregar sua varinha.
- Está comigo, Tonks. – Harry retirou a varinha do sonserino do seu bolso e a entregou a Tonks.
- Tudo bem, Harry, guarde-a com você. Confio no seu julgamento para saber quando poderá devolver a varinha para ele. – piscou um olho e sorriu confiante. - Agora temos mesmo que ir. Vamos queri... Remo... – corou ao corrigir a palavra carinhosa que quase deixou escapar.
- Ok... Entendidos, então? Harry, Rony e Hermione, sem confusões, por favor. Só peço alguns dias. Voltarei com notícias assim que possível. Narcisa, você precisa se alimentar e tomar as poções que eu falei. Draco, continue com aquelas poções por mais três dias pelo menos, descanse e prepare-se para nos contar o que houve com você nesse tempo, e nem preciso pedir, certo? Sem confusões.
- Tchau pra vocês... Se cuidem... – Tonks abraçou Hermione, depois Harry e Rony. – E juízo viu? – falou ela ao passar pela porta da frente antes de fechá-la.
- Tem um Malfoy aqui! “Sem confusões”? Não acham que é pedir demais? – ironizou Rony.
- Não acho. – o dono da voz firme que respondeu foi uma surpresa.
- Qual é, Malfoy? – Rony perguntou sem conseguir controlar-se por mais tempo. - O que VOCÊ faz aqui? Quer que eu acredite que um milagre transformou a sua vida e te transformou em uma pessoa agradável de conviver e passível de confiança??? Não, Malfoy! Não confio em você!
- Rony... – Hermione pediu com a voz baixa e tocou no ombro do amigo. – É muita informação por hoje... É melhor esfriarmos a cabeça e amanhã pensamos no que fazer.
- Cara, - Harry tentou acalmar o ruivo. - Se o Lupin pediu que eles ficassem aqui e elogiou nossos feitiços de proteção, é porque não há com o que se preocupar, certo? Deixa pra lá, nós daremos um jeito.
- Que seja... – o ruivo concordou contrariado e foi para a cozinha.
- Estamos desarmados, Granger. – Narcisa falou. - E não queremos confusões. Não há com o que s... – Narcisa foi interrompida por um gritinho agudo de entusiasmo.
- Ohhh!!! Senhora Malfoy! Oh minha senhora... Monstro fica tão feliz em revê-la...
- Monstro? – Narcisa perguntou surpresa.
- O que posso fazer pela senhora? Parece cansada... precisa se alimentar direito...
- Monstro... – Harry cortou as gentilezas do pequeno.
- Sim Mestre Potter... – o elfo respondeu mal humorado.
- Prepare algo para o jantar, por favor. Teremos os Malfoy na Mansão por alguns dias.
- Sim Mestre Potter. – respondeu mais animado e saiu falando consigo mesmo. - Monstro gosta da senhora Malfoy... Monstro vai preparar costelinhas de carneiro com tomates e... salada de alcaparras e palmito e batatas, que é o prato preferido dela. Ah, e o jovem Malfoy gosta de... não sei do que... – a voz do elfo foi sumindo até ele entrar na cozinha para preparar o jantar.
- Não queremos problemas, Potter. – Narcisa falou olhando diretamente nos olhos do moreno.
- Eu espero que não, Sra. Malfoy. Com licença. – respondeu o garoto e saiu da sala pensando “Eu sinceramente espero que não. Já temos problemas demais.”

Já ia completar duas semanas que os Malfoy chegaram ali e nenhum sinal de Lupin ou Tonks até agora. Harry, Rony e Hermione já estavam mais que impacientes com a demora. Estavam os três no quarto da garota, lendo e procurando qualquer coisa sobre a provável herança de Ravenclaw.
- Como o Lupin me pede paciência se ele não me dá outra alternativa? – reclamou Hermione repentinamente, jogando os pergaminhos que tinha em mãos com força na cama que estava sentada. – Já tem duas semanas! Duas semanas sem notícias! Fizemos do primeiro andar praticamente uma prisão para os Malfoy, mas ainda não sabemos nada sobre o que eles fazem aqui! Eles só circulam pelo 1° piso e quase não os vemos, mas essa situação é irritante...
- Mione... é a terceira vez que você fala isso hoje! E ainda não são nem onze da manhã. – Harry falou entediado. Ele girava a varinha entre os dedos, sentado em uma poltrona ao lado de Hermione. Rony, ainda sonolento, estava deitado na outra ponta da cama com um pesado livro sobre o peito.
- Harry, não sabemos o que está acontecendo lá fora! – a garota rebate com a voz levemente alterada. - Como estão todos? Em que pé estão os ataques? Quando poderemos sair daqui pra finalizar o que temos que finalizar? Quando teremos notícias da Ordem? E Hogwarts? Como estão meus pais?
- Eu concordo com você, Mione, também estou ficando maluco com essa espera... mas não acha que o Lupin deve ter no mínimo meia dúzia de bons motivos pra não entrar em contato com a gente?
- Não quero saber dos motivos dele, Harry! Eu quero uma droga de resposta. Estou sufocada nessa casa. Nossas pesquisas não avançam, nem podemos conversar abertamente ou circular pela casa, porque tem esses dois aqui e acabamos nos tornando prisioneiros também.
- Não é bem assim. – Harry argumentou.
- Bloqueamos as escadas para os Malfoy não subirem aos nossos quartos, - a garota prosseguiu como se não tivesse sido interrompida. - Colocamos senhas para entrar na biblioteca, você deu ordens expressas para o Monstro preservar as informações que temos, e ainda assim ninguém da Ordem aparece por aqui pra nos explicar o que está acontecendo e eu odeio ficar sem saber o que está acontecendo e ...
- Ok... ok... Mione, calma... eu já entendi... eu concordo com tudo isso, mas relaxa está bem? Temos que manter a calma.
- Hahahaha... – Rony começou a rir e Hermione ficou ainda mais irritada. – Isso é inédito pra mim, pessoal. O Harry sendo paciente e compreensivo enquanto a sempre-perfeita-monitora leva um sermão por perder o controle!!! Hahahahaha...
- Cala a boca, Ronald. – Hermione ordenou.
- Mione? – Harry chamou, com um estranho brilho no olhar. – E se...
- Cuidado com o que você vai pedir Harry. – a garota advertiu.
- Como sabe que vou pedir algo? Droga! Pode ser uma sugestão, não pode?
- Os olhos falam mais que a boca. Pede logo.
- ‘Tá legal. E se nós conversássemos com eles? Digo, você, é claro. Você sabe o que falar... Talvez possamos descobrir algo com o Malfoy, não acha?
- Sei o que falar??? Qual é, Harry? Que eu me lembre, a última ‘conversa’ que eu tive com aquele idiota, eu poderia ter quebrado o nariz dele!
O riso explodiu. Essa lembrança era sempre bem-vinda para o trio. Harry tentou segurar, mas não durou muito tempo e Rony estava vermelho de tanto rir.
- Ok... – Rony tentou falar entre o riso. – Mas você foi bem ‘boazinha’ e deu as poções certinhas pra ele quando ele chegou... E depois, podemos tentar conversar com ele, e se não der certo, Mione, você pode voltar àquela antiga ‘conversa’ e ‘fazer direito’ agora... – mais risos – ... E quebrar o nariz dele pra valer... – outra onda de risos.
- Não Rony. – disse ela também rindo. - Aquilo foi uma exceção! Imagine! Eu bati em um aluno... E sou Monitora! E quanto às poções, eu apenas segui as ordens da Tonks. Nunca a vi tão brava como naquele dia.
- Tanto faz! Não conta Mione... era o Malfoy! Qual é?
- Certo... Voltando aqui, meninos... Concentrem-se... – não pôde deixar de rir da cara que Rony fez quando tentou segurar a gargalhada. – Chega Rony...
- Ok... desculpe...
- Então Harry, o que você quer dizer com conversar com ele? Acha que ele vai falar alguma coisa? Que podemos conseguir alguma informação? Ou com Narcisa?
- Ontem mesmo você falou que ele está diferente! E está até chamando a mãe do cara pelo primeiro nome! – o moreno ironizou.
- Idiota! Nem tinha percebido isso! – respondeu mal-humorada. - Mas eu não sei, Harry. Pode ser muita dor de cabeça pra nada. Desde que eles chegaram não nos dirigiram a palavra em nenhum momento. Nem um! Nem insultos, nem diálogos, nem perguntas, nada.
- Eu não acho uma boa idéia. – Rony expressou sua opinião. Ao que Harry o olhou com a cara fechada, o ruivo tratou de se explicar. – É verdade. A Mione está certa. Eles não falaram nada. Nadinha. Por que eles falariam agora, ainda mais quando questionados. Eu acho que o Malfoy não vai abrir a boca. E tem mais, se ele abrir aquela boca pra insultar a Mione ou a minha família, dane-se o pedido da Tonks, ok? Eu vou armar confusão.
- Vamos esperar mais um pouco então, tudo bem? – Hermione sugeriu. – Além de que ainda correríamos o risco dele descobrir algo sobre as horcruxes que estamos pesquisando. Não se esqueçam que ele é muito bom em Oclumência e Legilimência. Parece-me meio óbvio que ele tentaria descobrir algo que ele pudesse usar em seu favor depois. E mais uma coisa, o pedido da Tonks permanece, Rony. Sem confusões. Pelo menos enquanto ele ficar no canto dele, certo?
- É... – resmungou o ruivo. - Me admira que o Harry esteja tão controlado! Caaara, como você consegue não quebrar a cara dele quando ele te olha com aquela cara feia albina e asquerosa!
- Rony! – brigou Hermione.
- Ok! Ok...

Tarde da noite no mesmo dia, o trio estava na biblioteca quando uma figura prateada invadiu a sala solenemente e a silhueta de uma doninha com a voz grave de Arthur Weasley se projetou:
- Estamos todos bem. Tivemos um ataque pesado dentro do Ministério e outros menores em locais espalhados pela cidade. A Ordem está atenta a tudo. Não saiam por nada. Lupin e Snape estarão com vocês em três ou quarto dias. Cuidem-se. Não respondam a essa mensagem.
Tão rápido quanto surgiu, o Patrono evanesceu numa brilhante nuvem prateada.
Hermione estampava no rosto uma expressão assustada pelo aparecimento repentino do Patrono. Mas se tranqüilizou após a fala do sr. Weasley.
Rony suspirou aliviado por receber notícias de seu pai.
Harry mantinha o maxilar travado, trincando de raiva após ouvir o nome de seu ex-professor de Poções.
- Então... – Hermione arriscou-se a falar depois de alguns minutos. – Agora temos notícias. E parecem boas, não é?
- Boas? – Harry virou-se rapidamente para a amiga e respondeu com a voz trêmula e baixa, o que normalmente significava ‘perigo’, e foi elevando o tom de voz conforme perguntava. – SNAPE lhe parece bom? NÃO SAIR daqui lhe parece bom? Continuar sem saber NADA do Malfoy lhe parece bom? ATAQUES ao Ministério lhe parecem bom, Hermione? – ele quase gritava.
- Ei! Não grita comigo, tá legal! – a garota respondeu em defesa, apontando o dedo no peito do moreno. - Hoje de manhã era você quem estava tentando me acalmar, então não venha agora com esse tom de voz pra cima de mim. – respirou fundo, amenizou a voz e prosseguiu. - O que me parece bom, Harry, é recebermos notícias! Saber que estão todos bem! Saber que Snape está sob os cuidados da Ordem! Saber que Lupin estará de volta em breve e aí sim poderemos descobrir algo mais! ISSO me parece bom.
- Harry... – Rony falou antes que a menina continuasse. – Cara, a situação já está bastante ruim, não acha? Não te parece bom receber pelo menos uma boa notícia? Meu pai disse “estamos todos bem”...
- Ahhh... – Harry suspirou derrotado. – Ok! Desculpem-me. Mas só de ouvir o nome daquele... morcego... eu... ahhh... me altero. E é bom que dessa vez o Lupin possa nos explicar algo.
- Tudo bem Harry. – a garota tentou passar um pouco de calma para o amigo e o abraçou fortemente. – Estamos todos estressados mesmo. Mas você mesmo disse hoje cedo que temos que ter calma, não é? Então vamos esperar que Lupin chegue. Agora vamos dormir, ok? Já chega por hoje. – ela deu um beijo na bochecha de cada um e seguiu para seu quarto.

Nessas duas semanas que Draco e Narcisa Malfoy passaram na Mansão Black sob a guarda vigilante de Harry, Rony e Hermione, mãe e filho conversaram muito. Como tinham pouco ou nenhum contato com o trio em nenhum horário, eles aproveitaram para se conhecerem melhor. Tiraram o atraso de tantos anos em que viveram na mesma casa sem que se conhecessem de fato. Falaram da infância, da escola, dos gostos pessoais. Expectativas, possibilidades e futuro.
Certo dia, enquanto Monstro mais uma vez preparava um prato preferido de Narcisa, o elfo perguntou ao jovem Malfoy qual comida ele mais gostava e Narcisa se espantou com a resposta:
- Arroz Shop Suey e Tempurá de legumes. – respondeu o loiro com um leve sotaque em japonês.
- Como? – Narciso olhou para o filho como se ele fosse de outro mundo.
- Ahn... – o rapaz hesitou ao falar. “Droga, como vou falar de comida japonesa sem falar da ‘minha’ família japonesa”, pensou.
- Oh!!! – Monstro gemeu tristonho. – Monstro não conhece. Monstro não conhece. – ele dizia balançando a cabeça para os lados.
- Não tem problema Monstro. Não estou com vontade de comer isso hoje. Quem sabe outro dia, certo? – o rapaz mentiu para o elfo, para que ele não se alterasse.
- De onde conhece esse tipo de comida, Draco? É chinesa, japonesa, ou algo assim, certo? – Narcisa perguntou ao filho, olhando-o desconfiada.
- Japonesa. Conheci um pessoal que tinha esse costume. E gostei. Só isso.
- Draco? – Narcisa encarou o rapaz que imediatamente desviou o olhar. – Tudo bem. Não vou descobrir ‘sozinha’, mas se você quiser me contar o que aconteceu com você esse tempo que esteve ‘fora’ eu adoraria ouvir, meu filho.
O loiro entendeu que ela não invadiria seus pensamentos para descobrir algo, e sorriu de uma forma que sua mãe nunca havia visto. Era um sorriso calmo, plenamente satisfeito, e o olhar sereno e distante. Ao perceber a expressão leve no rosto pálido do rapaz, Narcisa continuou:
- Draco? Por que você não pode me falar que conheceu um ‘pessoal’ legal, e provavelmente, uma garota legal? Escute, meu filho, eu sei que nunca fomos muito próximos, mas você sabe que eu sinto muito por isso, não sabe?
- Claro que sei, mãe. Não é isso, é que...
- Deixe-me continuar, tudo bem? Antes que a coragem se perca... – ela o interrompeu e sorriu ao falar. – Sei que não vou recuperar o tempo que perdemos naquilo que chamávamos de casa e naquela vida que devemos esquecer, mas quero começar diferente. Somos só nós dois agora. Quero que você se sinta a vontade pra falar comigo o que você quiser. Não vou te julgar. Não vou te recriminar por nada. Eu quero apenas te ouvir. Você sabe que estou dizendo a verdade, não sabe? – perguntou ela olhando profundamente nos olhos cinza de seu filho.
- Eu sei que está. – mais do que Legilimência, que ele acabou usando instintivamente pelo forte contato visual com sua mãe, ele usou também a leitura de aura que aprendeu com Yume. Ele sentia o ar suave e claro, brilhante, vibrando de forma constante e delicada, tão qual a verdade. – Não apenas sei, eu... sinto.
- Sente? Hummm... nem vou perguntar como. Que bom que sente! – ela sorriu lindamente, trazendo nesse ato toda sua beleza, que até pouco tempo atrás estava esquecida em algum canto de sua alma.

Fazia quatro dias seguidos que Draco estava tendo pesadelos. Acordava assustado, suando frio, e com um peso no coração ao se lembrar de Yume, sua amiga de Portugal. Não sabia o que isso queria dizer, mas a partir do segundo dia resolveu ficar mais atento e tentar fechar a mente antes de dormir. O último sonho foi mais forte, mais real. Ele viu a bela oriental correndo em sua direção, no que parecia um reencontro e ela estava muito feliz, de repente tudo ficou escuro e em seguida avistou sua mãe deitada numa cama, pálida e desacordada. Yume corria e gritava. Narcisa mal respirava. Flashs de imagens piscavam em sua mente deixando-o desorientado.
“Yume?” – repetia o nome da garota sem parar. – “Ajude-me!”
- Yumeee... – murmurava durante o sono e não conseguia acordar. Viu a garota firmar os pés no chão com força repentinamente. – YUMEEE! – gritou exasperado, alertando-a de um perigo. Abriu os olhos. Esfregou o rosto para espantar o sono e as imagens ruins, sentiu o coração batendo apressado no peito e comprimiu-o como se fosse possível fazê-lo se acalmar, conseguindo apenas sentir o suor que lhe molhava o tórax.
Levantou-se da cama apressado e foi à procura de sua mãe. Parou de sopetão depois que abriu a porta para o corredor e viu Hermione encarando-o.
Pega desprevenida, Hermione ficou sem reação ao ver o loiro abrindo a porta, principalmente porque ela não conseguiu disfarçar que havia escutado seu grito. Seus lábios não se moveram para nenhuma palavra, porém seus olhos, confusos pela surpresa, ousaram descer o foco do rosto pálido do rapaz para pousar no peitoral definido, que subia e descia descompassado pela respiração entrecortada. Num segundo de lucidez, a castanha encontrou a fala:
- O-o que houve, Malfoy?
- O que faz aqui? – perguntou friamente. – Onde está minha mãe?
- Na cozinha... Você está bem? Está suando e... pálido...
Não obteve resposta. Draco saiu correndo pelo corredor e escadas até encontrar Narcisa saindo da cozinha com uns frascos de vidro na mão.
- Você está bem, mãe? Aconteceu algo durante a noite? – o rapaz perguntou ofegante.
- Calma, filho. Estou bem... O que houve com você? Está gelado! – disse ela tocando no ombro para acalmá-lo. – Aconteceu algu...
- Não. – um suspiro aliviado escapou de seus lábios. – Um pesadelo apenas. Não foi nada... Vou me trocar. – virou-se sem olhar para o moreno que o observava da sala, mas não foi possível desviar do olhar da castanha, parada na escada. Passou por ela sem dizer nada e voltou para seu quarto enquanto pensava “Por que sonhei com Yume, o que isso quer dizer? Será que ela está bem? Droga, preciso falar com ela!”

Harry e Hermione estavam numa sala com alguns livros em cima da mesa discutindo uma maneira de contar com a ajuda de Lupin sem que precisassem contar a ele mais do que já falaram para conseguir a espada, quando a garota, de repente, mudou de assunto:
- Sabe o que aconteceu com o Malfoy nesse tempo que estávamos ‘viajando’? Tem alguma idéia de onde ele esteve? – Hermione perguntou num sussurro para Harry.
- Não. Por que, Mione? – quis saber, já imaginando que a amiga estava desconfiada de algo.
- Não sei, Harry. Ontem de manhã, lembra quando ele surgiu na sala falando com a Narcisa? – vendo-o confirmar, ela continuou. – Então, eu passava pelo corredor bem na frente do quarto dele quando o ouvi gritar. Ele parecia muito assustado. E saiu correndo, perguntando se Narcisa estava bem.
- Eu estava na sala. Deu pra entender o que ele gritou? Dá pra termos alguma pista.
- Entendi apenas “Yume”, mas não sei o que significa. Não tenho certeza se foi isso mesmo.
- Estranho... E o Lupin que não volta! Ele deve saber de algo... Até quando vamos ficar aqui sem saber o que acontece?
- Estranho está aquele sonserino, isso sim!
- Ei... – Rony chegou silencioso e chamou desconfiado. – Do que estão falando pra falar tão baixinho assim???
- A Mione está falando que o Malfoy parece estranho. – Harry respondeu.
- Ah! Mas isso não é novidade...
- Presta atenção Rony... ele está diferente.
- Shhhh... – Rony sussurrou ao ver Narcisa entrando na sala.
- Oh... – Narcisa exclamou. - Lamento, não sabia que estav... A tapeçaria! Não me lembrava mais dela...
- Está procurando alguma coisa? – Harry quis saber. - O que faz aqui?
- Estava apenas andando pela casa. Desde que cheguei ainda não vi todos os cômodos... Oh!... Queimaram o Sirius!
- Não ouse falar dele! – Harry se exaltou. – Não tem o direito de sequer falar o nome dele! Você o traiu! SUA IRMÃ O MATOU! – descontrolou-se ao se lembrar de Lestrange.
- Eu não traí meu primo, Potter. Apenas fiz o que minha irmã me obrigou.
- Harry... – Hermione segurou o braço do amigo, puxando-o para si. – Deixa pra lá...
- Não julgue antes de saber, Potter. – Narcisa sugeriu.
- É melhor nunca tocar no nome de Sirius por aqui, Sra. Malfoy. – Rony alertou a loira. – Território perigoso, entendeu? – encarou-a profundamente, indicando uma ameaça. Virou para o amigo e falou. – Deixa pra lá, cara. Mione, pega os livros ali... – ele falou baixinho. – Vem Harry, vamos sair daqui. – saiu puxando o moreno com olhos faiscantes para fora da sala.
Narcisa ficou ao lado da porta vendo o trio sair e depois entrou na sala, se aproximando da tapeçaria. Acompanhou a árvore genealógica da família até encontrar seu nome, e com uma careta leu o nome de Lucius Malfoy ao lado do seu, e uma linha que descia para Draco. Seu olhar continuou percorrendo a linha até chegar novamente ao buraco onde o nome de Sirius estivera e ali demorou-se um pouco. Tocou a queimadura na tapeçaria sentindo o vazio do nome, pensando: “Eu sinto muito, primo. Não era pra nada disso ter acontecido.” Respirou profundamente, permitindo que uma lágrima escapasse dos olhos, antes de sair da sala.

Nesse período em que conviveram com Monstro, o elfo se mostrou muito mais receptivo ao seu novo mestre e também seus amigos. Mesmo o elfo não escondendo sua predileção por Draco e, principalmente, Narcisa, ainda assim eles estavam convivendo em harmonia.
Certo dia, durante mais uma conversa entre Harry e Monstro, o pequeno duende falou sobre o sótão da Mansão. O trio seguiu as instruções do elfo e foram ao sótão, em uma portinha escondida no último piso, onde havia um estoque de velharias e relíquias da família, incluindo álbuns de fotografias muito antigas, anotações escolares e diários. Verdadeiras jóias de pesquisa. Já desconfiavam que a provável relíquia da penúltima horcrux era um diadema, uma espécie de tiara adornada com pedras preciosas, provavelmente de brilhantes. Tudo indicava que a peça ainda estaria escondida onde Rowena Ravenclaw a perdeu, tantos anos atrás. Em Hogwarts.
Apesar do ritmo lento das pesquisas do trio, eles sempre encontravam algo importante ou inusitado, mas que serviria em algum momento. Por exemplo, no sótão encontraram um grimório manuscrito contendo basicamente feitiços de defesa. Não havia nome de proprietário, mas pelo tipo do pergaminho, era bastante antigo. O trio estava sentado no chão do sótão lendo o livro de feitiços quando uma gritaria na sala foi ouvida.
- Hermioneeee!!! HERMIONEEEEE!!!! – Tonks chegou à mansão e chamou assim que a poeira dissipou e ela pôde entrar na sala. – HARRYYYY!!! RON!! HERMIONEEEE!!!!!
- O que é isso? – Draco entrou correndo na sala, com Narcisa ao seu lado.
- Cadê a Mione? HERMIONEEEEE!!! – Tonks gritou mais alto.
- O que houve? – a castanha chegou ofegante, descendo os degraus do corredor de dois em dois. – Tonks! Que bom te ver. Onde está o Lupin? Por que grit...
- Tenho uma surpresa pra você! – a auror sorridente interrompeu a garota.
- Surpresa? – a castanha desfez a expressão preocupada, mas permaneceu séria. – Surpresa? Pra mim? Estamos aqui querendo uma notícia e você me vem com surpresa?
- Tudo bem. Não quer saber o que é? – a auror perguntou marota.
- Pela sua cara, deve ser coisa boa...
- Mais do que boa, Mione!
- É... ótima? – arriscou a castanha.
- Cinco vezes ótima! – brincou a auror.
(miu... miuuu...)
- O que foi isso? – Hermione perguntou quase sorrindo. – Qual é a surpresa Tonks? Diga logo!
(miaaauuu... miauu.. mi... miauuu...mi... mi...)
Tonks apenas sorria, aumentando ainda mais o suspense e a curiosidade da garota.
- TOOONKS! DIGA LOGO, mulher. Por favor.
- Essa não. – Rony reclamou carrancudo, ao ver o que se enroscava nas pernas de Tonks.
- BICHENTOOO!!!! – Hermione gritou eufórica ao ver seu gato alaranjado sair de trás da auror e pular em seu colo. – Não acredito! Ele estava n’A Toca? Não o vi lá no casamento do Gui... Onde o encontrou Tonks?
- Na verdade, foi ele que nos encontrou. Achei que estava com saudades suas e o trouxe para cá.
(miauuu... mi... miuuu...mi...)
- Tonks?
- Ok, ok... você venceu! - a moça de cabelos roxos passou a mão em suas costas, onde mantinha uma pequena caixa flutuando e mostrou-a a Hermione.
- Ohhhh!!! Por essa eu não esperava...
- Eu falei que era uma surpresa ótima, não falei?
- Cinco vezes ótima! Cinco filhotes? Mas quando ele... ah, deixa pra lá...
- Na verdade, foram seis... Luna ficou com um filhote, tudo bem? Ela insistiu tanto que Molly não pôde dizer não, ela disse que deveria falar com você antes, mas Luna queria levar o filhote para Hogwarts, então ela não pôde negar. Ela ficou com um machinho, pra não dar problema com Bichento quando você voltar pra escola, entende? Ele é manchadinho de laranja e cinza escuro, e falou que é você quem vai dar nome ao bichinho. Diz ela que é pra compensar por ter levado o gatinho sem que você desse permissão.
- Tudo bem. Acho que a Luna vai cuidar muito bem dele. – Hermione respondeu.
Enquanto as duas conversavam Harry entrou na sala perguntando que gritaria era aquela e Rony explicou, comentando que agora teriam seis vezes mais trabalho para trapacear nos deveres, provocando o riso de Tonks. Desinteressados nos gatinhos, os dois foram para a cozinha a fim de pedir a Monstro que preparasse algo para os visitantes que estavam para chegar.
Hermione tirou os filhotes da caixa e os deixou no chão para caminhar um pouco e falou:
- Eles são tão fofos... Como é a mãe deles, Tonks? Você a viu? Saiu cada um de uma cor! Veja esse cinza azulado, como é lindo! E essa toda amarelinha? Que graça... Esses malhadinhos são tão diferentes... Tem o laranja/cinza da Luna, e esse laranja com marrom e a branquinha com rosa. Ahhh... meu garoto... - pegou Bichento no colo e o acariciou enquanto ele ronronava satisfeito.
- Nós achamos que ele saiu para ‘caçar’ logo que vocês chegaram de Hogwarts. – Tonks começou a explicar. – Ou seja, quase dois meses atrás. A gestação dos Amassos é bem rápida, acho que um mês apenas, ou um pouquinho mais. E apenas há alguns dias Molly sentiu falta de umas peças de lã que tinha no armário e quando foi procurar, viu Bichento e família no galpão, perto do depósito de vassouras, em cima do ‘ninho’ de uns seis casacos de lã que ele desfiou para acomodar melhor os filhotes. Foi uma excelente surpresa, não foi?
- Foi sim, com certeza.
- A mãe dos bichanos é linda. E é especial também. É toda branca e tem um olho azul e o outro verde. Como o filhotinho cinza. Ela é capaz de detectar magia negra num local ou pessoa. É bem interessante e absolutamente eficiente. Tanto que já saiu em algumas missões conosco. Agora mesmo, ela está com Lupin. Logo eles chegam aqui.
- Uau! Eu não sabia que tinha um gato assim. Muito útil para nós, não? E esses bebês tão bonitinhos serão poderosos assim? – Hermione perguntou acariciando os filhotes. - A gata é uma cruza com Amasso também, Tonks?
- Acho que não, parece ser uma espécie de Amasso. Acho que os filhotes também terão algum tipo de percepção, como o Bichento. Nina, como nós a chamamos, percebe emanações de magia negra e energia negativa com muita facilidade, diferente de Bichento, que ... – a auror foi apontar para o gato que minutos atrás estava no colo de Hermione, mas agora ele estava deitado no tapete, aos pés de Draco Malfoy. Ela perdeu a fala por uns segundos e quando voltou a falar, sua voz soou baixa pela surpresa. – Que... que percebe apenas o caráter... das pessoas e... só se aproxima de quem... ele confia... e lhe parece... bom... Uau!
Draco, sentado no sofá, distraído olhando os filhotes, não percebeu o porquê do olhar interrogativo de Tonks. Hermione não teve tempo de ver para onde Tonks olhava, pois logo em seguida a porta se abriu e a desconfortável ‘recepção’ segurou os visitantes na porta por alguns segundos. Uma gata branca e graciosa entrou à frente de todos, seguida por Lupin, Moody e Snape logo atrás.
Nina entrou na casa com os pelos arrepiados. Cheirou seus filhotes, lambeu cada um como um cumprimento e depois deu uma volta na sala. Demorou um pouco ao lado de um baú antigo até que retornou para Lupin e miou baixo e rápido, seguindo para seus filhotes novamente e ali se deitando.
- Ela já sabe o que fazer quando entra em algum lugar. – Lupin explicou a atitude da gata. – E ela avisou que podemos entrar.
Diante o clima tenso que se formou assim que Harry avistou Snape, Lupin tratou de logo desfazer qualquer futuro desentendimento, e falou:
- Severo, gostou do presentinho que preparamos para você? Agora se vira e retire os feitiços. – disse ele irônico e categórico. – E já aviso, Moody, Minerva, Tonks e eu fizemos um excelente trabalho. Vamos para a cozinha. – sugeriu falando para os outros, deixando Snape sozinho na sala.
Todos seguiram para a cozinha para que Snape pudesse tentar retirar os feitiços que colocaram especialmente para ele. Na cozinha Lupin explicou brevemente para os garotos o que acontecera nos últimos dias, o que incluía uma série de ameaças a alguns bruxos do Ministério. Em Hogwarts e na sede da Ordem tudo corria bem. Pediu, novamente, paciência ao Harry, até que Snape pudesse explicar algumas coisas para o moreno, que não ficou nada feliz por ter que esperar um pouco mais.
Moody contou sobre um grupo que surgiu na sombra dos Comensais da Morte, e Draco bebeu cada palavra. O atento olho de vidro do velho homem não deixou de perceber o interesse do rapaz.
- O que sabemos até agora é que eles são bruxos estrangeiros, seguidores das trevas e de dinheiro. – Moody respondia uma pergunta de Hermione. - Os seguidores de Riddle estão agindo em surdina enquanto esse bando de idiotas saqueia prédios e ameaça o Ministério. Não sabemos muito mais do que isso. O que nos diz sobre isso, Malfoy?
- Hum... Não sei muito sobre eles. Apenas sei que não são nenhum pouco amistosos.
- Por que eles o capturaram, jovem? – perguntou o astuto auror, que diante o olhar surpreso do sonserino, ele completou. – Não seja tolo, rapaz. Tenho anos de experiência. Lupin me disse que você chegou aqui ferido, Snape combinou de encontrar-se com você num lugar afastado, que é onde essa escória se reúne, e você ficou muito mais interessado na conversa depois que falei deles. Diga-me o que quer dizer com “eles não são amistosos”.
- São bruxos medíocres. Não sabem transfiguração, são fracos em feitiços, mal sabem lançar um Crucio com efeito, mas são bons de briga e absolutamente leais ao dinheiro que recebem. São cruéis e inescrupulosos.
- Foram eles que te machucaram tanto? – Tonks perguntou e o rapaz apenas abaixou a cabeça em resposta antes de prosseguir.
- Um deles se lembrou do “Morpheus” enquanto eu batia nos outros dois. Não tive saída...
Snape, com suor na testa e a capa negra empoeirada, entrou na cozinha nesse momento falando que já havia retirado todos os feitiços, sentando-se em silêncio do outro lado da mesa para ouvir a conversa. Mantinha ainda sua postura esnobe e autoritária, mas não conseguia encarar seus alunos grifinórios, e menos ainda, seu pupilo sonserino. Draco parou de falar e virou-se para o professor, com os olhos semi-cerrados e a voz baixa, ele disse:
- Você a deixou sozinha. Você prometeu que cuidaria dela. – viu os olhos negros do homem procurarem Narcisa, e desses olhos saíam culpa e mágoa. – Eu tinha tantas perguntas...
- Draco... – Lupin interferiu. – Vamos com uma coisa de cada vez, certo? Sei que tem muitas perguntas, mas por enquanto vamos nos focar nesse grupo que você encontrou.
- Não a deixei sozinha. – Snape respondeu, ignorando o pedido de Lupin. – Deixei as pistas para que a Ordem da Fênix a encontrasse. Deixei todo o caminho preparado.
- Preparado? E se não fosse a Ordem a encontrá-la, hein? – Draco rebateu.
- Ei! Controle-se garoto. É você quem deve explicações agora. – Lupin falou batendo na mesa para chamar a atenção.
Draco fechou os punhos e contraiu os lábios, respirou fundo e continuou.
- Eles que me encontraram. – o rapaz respondeu seco. – Eu esperava Snape no local combinado e ele me falou que deveria vir para cá imediatamente. E quando eu estava de partida eles me barraram. Não sei o que eles queriam. Lembro-me apenas de dizerem “Precisamos de todos os suspeitos vivos” e quando acordei estava em um quartinho pequeno, úmido e sujo. Não identifiquei de onde é o sotaque deles, mas o inglês deles é horrível. Faziam perguntas desconexas e eu não respondi nada que eles quisessem saber. Fique orgulhoso, professor. – disse ele olhando para Snape. – O único feitiço que eles conseguiam executar com perfeição, ainda que fracamente, é ‘Sectusempra’! A sua melhor criação!!! Em compensação, nem ‘Alorromorra’ eles faziam direito.
- Por isso você estava tão fraco então! – Tonks concluiu, pensando alto. – Você deve ter perdido muito sangue com o Sectusempra, e estava anêmico também. Quanto tempo ficou preso?
- Consegui fugir depois de uns cinco ou seis dias, não sei ao certo. Não me deixavam dormir nem por duas horas seguidas, e quando estavam de bom humor me davam um pouco de água suja pra beber. Eu estava exausto. Na primeira oportunidade roubei a varinha de um deles e consegui recuperar a minha. Pelo o que ouvi entre as conversas deles, a situação em Londres estava cada vez pior e com tendência a piorar muito mais. Foi lá que ouvi sobre o Tabu, a recompensa pela cabeça do Potter, vivo de preferência, e um ataque que teria ao Ministério. Tenho certeza que tinha mais prisioneiros lá, dava pra ouvir os gritos, inclusive de crianças, mas não havia portas, corredores, não vi nada... Acredito que deva existir um portal ou chave, sei lá, qualquer coisa que proteja a visibilidade dos cômodos de prisioneiros. Eu saí o mais rápido que pude. Estávamos em uma floresta amaldiçoada. Árvores imensas, todas idênticas, nada de água e os poucos frutos que vi pareciam venenosos. Levei uns quatro dias pra conseguir me orientar e saí de lá seguindo o barulho de um riacho, e vim direto pra cá. O resto vocês já sabem.
- Eu tentei de tudo para proteger Narcisa. – Snape falou para Draco depois de um tempo, mas olhava para a loira à sua frente. – Você sabe disso, não? – a loira desviou o olhar. Mas antes que Remo falasse algo, Draco percebeu uma vibração diferente no ambiente. Na voz de Snape havia verdade e culpa, onde o ar brilhante e pesado se misturava a algo mais, como uma brisa morna e vacilante que ele não conseguiu identificar o significado, pois logo em seguida houve outra mudança de sentimentos.
- Severo, agora é sua vez. – Lupin falou. - Harry deve saber!
Como uma explosão de cores e energia, Draco sentiu a brisa morna ser devastada com força ao surgir uma onda vermelho-faiscante e quente que saía do moreno em direção ao professor de Poções. “O Cicatriz odeia mesmo o Snape!”, Draco pensou antes de o professor tomar a palavra.
- Melhor que falar, Remo, vou mostrar as memórias, se você permitir.



/ * \ . / * \ . / * \
. fim do capítulo .
\ * / . \ * / . \ * /


N/A: hihihihihi.... Querem saber o que acontece depois? Comentem e descubram!!!

Mestre Claudiomir, o suspense fica em sua homenagem!!! Kakakakakaka

Demorou, mas chegou... Espero que tenham gostado da transição das fases... Tem muita coisa pra acontecer ainda. Não desistam de miiiiiimmmmm.

Pessoal, eu estou tentando descobrir como tirar os espinhos do teclado dos leitores, porque ninguém comenta... eu imagino que deva ser por algum motivo bem doloroso. O Sr. Nick-Quase-Sem-Cabeça e uns fantasmas amigos dele sempre discutem comigo alguns pontos importantes da minha história, e eles me disseram que viram um pessoal lendo, mas que não comentaram e eles não entenderam o porquê... Bem, eu tbm não entendi. Mas enfim, comecei a estudar o caso. Desconfio que existam espinhos venenosos nas teclas. Mas não se preocupem, já contratei os gêmeos Weasley e logo, logo, resolveremos isso. Por favor, tentem escrever alguns comentários para eu saber se os testes estão dando certo, ok?

Obrigada pessoal...

Clau, Isa, Saroccas, Larinhah, Ju... queridíssimoooooooos!!!

Obrigada aos fantasmas também. Kakakakaka...

Até o próximo capítulo.

COMENTEEEEEEM !!!

Bjins.

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